quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Eu sei


Hoje de tarde, quando já caía a noite, eu vinha regressando às avenidas quase desertas de Santo António, chegado da minha corrida pela Beirã, quando vislumbrei um vulto de criança ao fundo da rua, caminhando no meu sentido.

Reconheci-o à medida que se aproximava, pelo jeito de andar. É um daqueles meninos da terra que não tem carinho para a troca, considerado por quase todos como problemático, mas que comigo sempre se comportou de forma exemplar, talvez como resposta à minha atenção.

Apesar da pouca visibilidade, reparei que sorriu quando me reconheceu e levantou as duas mãos no ar, à espera de encontrar as minhas, para fazermos um “high five”, um “choca”, como por aqui se diz.

Hoje estamos a 28 de Janeiro…

Quando finalmente nos encontrámos, disse-me: “Pedro… Quando é que é o Dia da Criança?”.

Eu respondi-lhe: “Ainda falta, amigo… É só em Junho. É sempre no dia 1 de Junho… Mas pensando bem… já faltou mais… ou melhor… está quase”. E cada um seguiu o seu caminho…

E eu senti assim uma bola de emoção a trespassar-me cá por dentro. E vim pensando…

Eu sei porque é que este menino me fez esta pergunta, apesar do tempo que ainda falta. Ele fez-me esta pergunta porque o Dia da Criança de Marvão é provavelmente o mais feliz para ele de todos os 365 dias que tem o ano. Mais feliz que o aniversário porque nem aí consegue ter a família toda junta… mais feliz ainda que o Natal, certamente escasso em presentes. Mais feliz que todos os outros dias porque nesse dia ele sabia que podia ter tudo, tudo o que ele quisesse, podia esquecer o resto e ser Rei incontestado, com direito a mil e uma torpelias, montanhas de coisas boas, guloseimas e até uma tourada e uma discoteca. Ele tem saudades do Dia da Criança e eu percebo-o porque eu também tenho.

E digo mais… Apesar de toda a maldade que há no mundo e no nosso concelho, apesar de toda a mentira, apesar de todo o interesse, apesar de toda a ganância… há momentos preciosos como este que me fazem sentir que tudo valeu a pena, momentos que ninguém nunca mais me vai poder tirar.

O Dia da Criança de Marvão vai continuar. Oxalá que sim, que continue. E podem mudar tudo para fazer esquecer, ou deixar tudo na mesma… mas jamais poderão apagar a glória do tempo bom que passou.

Eu sei porque é que aquele menino me perguntou pelo Dia da Criança e como ele muitos outros que vou por aí encontrando.

Eu sei… porque sei quem é o Dia da Criança para eles.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O divórcio... gay

Pois… eu compreendo que é um pouco forte mas é um José Vilhena e o José Vilhena é uma instituição nacional, pá. Não há discussão possível acerca disto. A ”Gaiola Aberta” devia de ser adaptada como livro de leitura obrigatória a partir do 7º ano. É o que eu acho…

Antes de mais, antes que alguém me salte para cima (salvo seja!), quero deixar bem claro que não tenho nada contra os homossexuais. Não tenho. Já tive. Já tive muito contra. Houve um período na minha vida em que não podia sequer ouvir falar neles mas de há uns tempos para cá, não sei se por o mundo em geral estar tão complicado, deixei de me preocupar…

Acho que cada um tem direito de gozar a sexualidade à sua maneira e de desfrutar o amor da forma que melhor lhe aprouver. Se forem dos discretos, tipo o novo deputado Vale de Almeida, que não exteriorizam as tendências, tanto melhor, mas as “bichonas malucas” também têm a sua graça, pelo que estou em paz com a classe. Até aos travestis já reconheço alguma arte.

Não me choca nada que se casem e para ser sincero, também não me horroriza que adoptem crianças desde que respeitem o direito à sua livre orientação sexual e não as influenciem a tomarem as mesmas opções. Não é líquido que crianças criadas por casais gay, que as há em Portugal e em todo o mundo, venham a ser também elas gays, da mesma forma que há muitos casais hetero que não conseguem evitar ter filhos gay, se é que me faço entender.

Se eu fosse criança e pudesse escolher, antes queria ter dois pais ou duas mães que me respeitassem e acarinhassem, vivendo num lar com todas as condições, a nascer numa família convencional onde me maltratassem desde o berço, me servissem carradas de porrada ao pequeno almoço, almoço e jantar, e me obrigassem a trabalhar numa espelunca qualquer em vez de estudar como todas as outras crianças da minha idade. Mas isso, dirão vocês, é óbvio e eu concordo. Como dizia o outro, “antes rico e com saúde do que pobre e doente”.

Mas se nada disto me choca, o mesmo não poderei dizer da euforia de toda esta história do casamento gay. A vontade era tanta que me parece que se esqueceram das consequências. Atenção que pode não ser para sempre…

Os nossos gays e a fixação no casamento fazem-me lembrar umas birras que eu fazia quando era puto. Ainda me lembro de algumas inesquecíveis como a da carrocinha na montra da Pérola do Matos, na Rua do Comércio. Imaginem que eu ia a um sítio qualquer e engraçava com um brinquedo. Pedia-o e diziam-me que não com uma desculpa do género “ai não podes ter tudo…”, “não lha comprem que o estragam com mimo…”, “nós também gostávamos de ter muita coisa e não temos…”. Era aí que a coisa aquecia e eu passava à luta armada usando da melhor maneira todos os recursos disponíveis… choro, baba, ranho e em últimíssimo caso, pontapés e o famoso e quase sempre infalível “mergulho encarpado para o chão”. Nem sempre as negociações corriam bem mas por vezes, quando conseguia o que queria depois de tanto lutar, dava por mim a olhar para o bem em questão e dizia para os meus botões: “eh… realmente já vi melhor… E agora?”.

Parece-me que os gays tugas correm o risco de cair nesta. Lá fazer tudo… eles fizeram. Mas agora que conseguiram… e depois?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Parada da Memória



Nunca fui grande apreciador de jogos de futebol de beneficência. Não sei explicar mas… apesar de saber que as intenções são sempre as melhores do mundo, tudo aquilo me parece fingido… a brincar… e o futebol é domínio demasiado sério e sagrado para se brincar.

Nestes jogos amigáveis, os jogadores tiram o pé do acelerador, ficam moles, dão espaço aos adversários para atacar, fazem palhaçadas, fingem que falham nos cortes para outros poderem passar, acabam os lances abraçados, deixam entrar a bola de propósito… querem fazer da gente totós.

E depois arranjam assim nomes pomposos como “A Equipa do Resto do Mundo” como se isso fosse nome digno de uma equipa que se preze.

Eu não costumo ver jogos destes. Eles até se podem divertir e alinhar numa granda jantarada no fim, mas eu… não costumo tirar dali alegria nenhuma.

Mas hoje o Eusébio faz anos (e o meu irmão também. Ironias do destino…) e eu dei uma segunda oportunidade a este tipo de eventos, chamemos-lhe assim.

E juro que não estava preparado para ver aquilo… Porra, pá… Tanta glória encarnada… Eina… O Mozer, o Valdo, o Humberto Coelho, o Pietra, o Shéu, o CHALANA, o Néné, o Rui Águas, o Paneira, o Neno, o Schwarz, o Magnusson… ídolos da minha infância e juventude, verdadeiros mitos vivos.. equipados em campo, passeando o estilo de sempre, uns mais elegantes, outros sem conseguirem disfarçar o peso dos anos, mas todos eles com o brilho de estrela que nunca se apaga.

Faltou lá o meu querido Manuel Galrinho Bento, de quem eu bem me lembrei, o guarda-redes que os benfiquistas da minha idade aprenderam a venerar como um Deus voador. Faltou mas foi lembrado e isso faz valer como se tivesse estado.

Epá… O que eu gostei de ver isto…

domingo, 24 de janeiro de 2010

Bruno Aleixo a Presidente!


Para mim, o humor de Portugal já não é do Herman que um dia foi grande, nem dos Contemporâneos (um bluff tremendo!), nem da maioria das Produções Fictícias, nem do pessoal do “5 para a meia-noite”, nem do Rui Sinel de Cordes, nem dos Gatos Fedorentos que se venderam ao mainstream…

Safam-se o suplemento “Inimigo Público” às sextas (sempre brilhante!), o Aldo Lima, um bocadinho do Nilton (que às vezes até tem umas teorias bem esgalhadas), o Rouxinol Faduncho que está um boneco muito engraçado, o Filipe Homem Fonseca e… o Bruno Aleixo.

O Bruno Aleixo é o rei indiscutível do Humor em Portugal. Ninguém me faz rir como o Bruno Aleixo e na maior parte das vezes é um rir apenas por dentro mas que me deixa sempre muito bem disposto.

E perguntam os mais distraídos: mas quem raio é o Bruno Aleixo?!?!?!?

O Bruno Aleixo é uma espécie de Ewok. Ou melhor, uma pessoa em formato Ewok (Alô fãs das Star Wars!). Diz que “tem objectivos na vida, uma vida que se pode dizer porreira, os dois dos melhores amigos do mundo (o Busto e o Nélson) e pessoas de família”. Já fez 52 anos, possui carta de condução de ligeiros e tem a situação militar regularizada.

O Bruno Aleixo é de Coimbra e tem um programa onde disserta sobre tudo e mais algumas coisa com um busto do Napoleão que é a sua grande companhia. Começou na SIC Radical (claro!) e agora substitui (em boa hora!) a rubrica mais que batida do Nuno Markl na Antena 3 depois de este ter rumado de armas e bagagens para o colinho do Pedro Ribeiro na Comercial. O Bruno fala todos os dias às 8.20h e às 9.20h e é mesmo a não perder. Quem não tiver oportunidade de ouvir logo pode sempre fazer como eu e a minha pequena que nos sentamos ao serão, agarrados ao computador, a ouvir os programas que estão on line no blogue oficial, ao qual podem aceder clicando aqui.

As eleições presidenciais aproximam-se a passos largos e eu já não vou tendo pachorra para o Ti Aníbal e muito menos para a poesia do Alegre. Estava capaz de começar um movimento como fizeram no Brasil com o macaco Tião e começar a recolher assinaturas para candidatar o Bruno. Um gajo viver num país com um presidente destes… era alegria para desculpar tudo o resto, caraças!

Bruno… TU ÉS GRANDE!




sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Olhá Bola de Berlim fresquinha! Especial nº 1 - Liedson vs Sá Pinto

(Clica para agigantar)

PS: Este post é dedicado ao lagartão do meu irmão e ao seu ídolo pugilista. Havias de ficar tão bem vestido de vermelho...


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O sítio das coisas selvagens




Por incrível que me pareça, nestes anos todos, nunca tinha ouvido falar no livro.

Movido pela surpresa da adaptação ao cinema, alimentado pelas críticas e comentários, esgravatei por onde podia até chegar à história.

Graças a Deus, ou à net, ou ao todo poderoso qualquer, vivemos num tempo deslumbrante que nos permite ter todo o mundo de conhecimento à distância de um clique.

Primeiro acedi ao livro que me conquistou de imediato por com tão pouco conseguir dizer quase tudo. Afinal, são apenas umas centenas de (mágicas!) palavras, muitas vezes repetidas e umas dezenas de belíssimos desenhos que conseguem tanto…

E por muito que se diga, nunca ninguém conseguirá traduzir a experiência do visionamento deste filme. “O sítio das coisas selvagens” é uma obra-prima em absoluto estado de graça que tem a infância toda lá dentro. E não é uma infância lamechas, chorona, mimada. É a infância como ela é, nua e crua, com todo o seu vigor, a sua dúvida, a sua ânsia de viver, a sua excentricidade, a sua (porque não dizê-lo?) crueldade, a sua divindade e sobretudo, a sua inabalável capacidade de sonhar.

A infância é a fase pródiga da nossa existência. “O sítio das coisas selvagens” é o retrato mais fiel que eu já conheci até hoje.

(E atenção que vos escreve alguém que tem como herói de vida o Peter Pan… São muitas edições em papel, muitos dvds, jogos de computador, action figures mas… isto aqui é outro campeonato...).

(E ainda por cima tem o James Gandolfini na voz de Carol, uma banda sonora belíssima da Karen O dos “Yeah, Yeah, Yeahs”, a genial adaptação do Spike Jonze e do Dave Eggers… enfim…).





terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Acordar


A minha filha tem um acordar difícil e eu compreendo-a. Se há uma coisa em que somos mesmo muito parecidos… é nisso.

Depois de uma noite de sono, de tantas horas de olhos fechados, a dar folga ao corpo… acordar é uma coisa violenta e há que ir com calma.

Se não fosse a Cris a meter ordem na casa e a dar vozes ainda antes do galo bocejar, acho que eu e a pequena éramos capazes de passar a manhã a “tentar acordar”.

Numa tentativa radical de levar a sua luta contra o relógio avante, a mãe escreveu-lhe numa folha A4 com uma letra certinha, direitinha e num azul de marcador (bem grosso!), todas as coisas que ela tem de fazer de manhã antes de ir para a escola. É uma lista enorme. Uffff…. (Até a mim me cansa… só de pensar…).

Algumas são bem óbvias mas não faltam… por exemplo: o levantar assim que a mãe chama, o calçar os chinelos para não andar descalça e não se constipar, o ir em "passo de corrida" para a casa-de-banho para o duche matinal, o despachar-se a vestir, o não perder tempo a tomar o pequeno-almoço…

Hoje de manhã… o dia em que a nova “cartilha” entrou em vigor, ouvi-as no quarto ao lado…

“Leonor… acorda… já é de dia…”

“Aaaaaahhhnnnnn………………………………”

“Lembras-te da listinha? Daquilo que combinámos que tens de fazer?”.

(Com voz estremunhada) “Lembrooooo… e acho que há uma coisa que tenho de fazer antes de me levantar que não vem lá...”.

“Ai sim?!?!? E é o quê?!?!?”.

“Ficar no quentinho da cama a pensar na vida…”.
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(São uns ricos 8 anos…).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Eu sobrevivi... à vacina da Gripe A (até ver...)

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E prontos, já está!

Agora já me podem tossir para cima e encher de espirros que eu não me preocupo nadinha. A vacina da Gripe A, melhor, contra a Gripe A já cá canta! Olaré!

Como sabem, eu sou asmático. Isto é, era muito asmático quando era puto, fiquei um bocado mais quando comecei a fumar e agora já sou menos por causa do desporto mas isto de ser asmático é como ser alcoólico ou drógado, no sentido em que é uma merda que não passa. Nunca ouviram aquela conversa que diz que “um bêbado uma vez, é um bêbado a vida inteira e tem de estar sempre de pé atrás com a bebida porque se meter qualquer cena, mesmo que seja um cálice de anis, pode começar a encher a cara, desatar aos gritos, partir tudo e deitar tudo a perder?”. Pois bem, a asma é igual.
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Eu até posso aqui estar armado ao pingarelho, numa de “Sport Billy” a dizer que estou todo atleta e já não tomo a “bomba” para a bronquite, mas basta um resfriado mais forte para ficar com os pulmões entupidos, à rasquinha para respirar e a parecer que tenho um ninho de gatos dentro de mim de cada vez que tento meter ar. Foi por isso que me assustei com esta conversa da Gripe A. Se com a prima dela, leia-se a gripe normal, já me vejo aflito, imaginem com esta que deve de ser mesmo assim uma cena de “Gripe Liga dos Campeões”. Quem tem cú tem medo e nestas matérias quem se balda amola-se sempre pelo que… venha para cá a boa da vacina.

E prontos, falei com o meu médico de família e ele arranjou-me a cena. Ligaram-me do Centro de Saúde e disseram-me que o frasco depois de aberto tinha de ser logo gasto (o que dá sempre um ar de mistério à coisa e fica bem. Dá-lhe um ar precioso, vá!) e que como o frasco tem 10 doses e já tinham 8 pessoas, quando houvesse mais 2 interessadas me ligavam. Esta é a versão oficial, mas cá para mim, esta conversa das 10 pessoas é só porque depois é mais fácil para eles fazerem as estatísticas do que se levasse cada uma quando lhe dava na real gana. Sabem que o pessoal lá do Ministério da Saúde e do Governo andam sempre super-atarefados e a mamar bordoada de todo o lado. Têm pouco tempo para contas e por isso inventaram esta fórmula simplificadora de terem de ser 10 de cada vez a levar a dose para as contas de somar serem mais simples. Imaginem que destes 10 que levaram hoje, 2 tinham como reacção a perda parcial do olfacto da narina esquerda. Fácil, não é? Parece que já estou a ver a 1ª página do Correio da Manhã: “20% dos vacinados contra a Gripe A em Santo António passaram a cheirar só metade”. Genial!

A asma não foi o único motivo porque levei a vacina. Levei também porque gosto de estar na moda, e não há assunto mais na berra do que este. Estar na moda faz-me sentir bem e é por isso que a roupa que tenho comprado este ano é quase toda roxa / violeta. E nem os comentários infelizes de um ex-colega que me disse numa dessas vezes que eu ia bem vestido na moda que “mais parecia o Senhor dos Passos” me fez desanimar. Ele há gente…

Também levei a vacina porque é de borla e a mim ensinaram-me desde pequenino que temos de aceitar tudo o que nos dão. Quer dizer… quase tudo. A minha avózinha, de cada vez que se despedia de mim quando ia para o Liceu dizia-me: “Ai filho… não aceites rebuçados que podem ter droga”. Coitadinha… se fosse assim tão fácil…

A picada não me doeu nada e o líquido a entrar na pele também não. Dureza! Um homem não chora e eu, mancebo na reserva territorial, quinto de 73, estou treinado para sobreviver nas condições mais adversas só com um abre-latas e um dedal (não me perguntem como agora…), mesmo apesar de nunca ter sequer ido às inspecções. Se tivesse ido, de certeza que me seleccionavam para os Páras ou para os Comandos. Ou uns ou outros, mas numa tropa especial era de certeza. Nem que fosse como porta-estandarte ou Sargento-Corneteiro.

Depois da pica, já estava aviado e prontinho para me vir embora, todo contente por não ter desmaiado com o tamanho da agulha quando me disseram: “Agora tem de esperar meia-hora”.

Estas coisas deixam-me sempre nervoso. Sobe-me logo a minha hipocondria. “Olá… Mas meia hora? Porquê?”.

“Ah, pode dar alguma reacçãozinha…”.

“Alguma reacçãozinha? Em matérias deste calibre não há reacçõezinhas! Por favor! Reacção do tipo o quê? Um AVC? Uma síncope cardíaca? Uma combustão humana espontânea? Ai a porra…” Aqui comecei mesmo a ficar nervoso e naqueles 30 minutos vieram-me à cabeça todas as teorias da conspiração que tinha arquivadas na despensa do meu cérebro. Estaria a servir de cobaia? Hummmm… Concentrei-me na máquina do café para não ficar histérico e comecei a ler tudo à minha volta, a ver se me distraía. Pensei que estava a respirar para um saco de plástico como vi num filme para não entrar em pânico e conseguir controlar-me. O facto de a minha filha, com 8 anos também ter levado e estar ali a brincar despreocupadamente, ajudou-me. As crianças às vezes não têm noção do perigo que correm… E para mais, ela só levou meia dose e eu mamei com a de cavalo. Bem… pelo menos era um bocadinho maior.

A única reacção que tive foi ter vestido a camisola ao contrário logo a seguir, mas acho que esta não conta. Ah… e ao fim aí de 14 minutos e meio, comecei a ficar com a orelha esquerda muito quente, mesmo a ferver. Mas acho que esta também não conta… isso sempre me aconteceu e a minha mãe dizia que era porque estavam a dizer bem de mim num sítio qualquer. Porque é do lado do coração. Se fosse a orelha direita era a dizer mal. A direita é do lado do fígado. Está tudo explicado.

Vim cá para fora tomar ar e só voltei quando o tempo passou. Cheguei à recepção e disse: “Olha, afinal sobrevivi”.

“E…”.

“Queria saber se me davam ordem de soltura. Se me posso ir embora.”

(Foram lá dentro)

“Diz que sim. Podes ir”.

“A sério? E posso fazer tudo? Tipo nadar? Correr? (Como nos anúncios dos tampões?). Comer qualquer tipo de alimentos? Não há nenhuma dieta especial? Precauções específicas? Cuidados especiais? Vou-me embora e deixam-me assim sozinho? Não há antídoto? Sem soro nem nada? Por minha conta e risco? E a minha filha… coitadinha… já abalou… sozinha à mercê dela… sabendo lá…”.

“Podes fazer tudo!”.

Sendo assim… corri… jantei… e agora estou aqui refastelado no sofá, ao quentinho, contando a minha experiência para a posteridade enquanto milhões de partículas de vírus morto percorrem todo o meu organismo, enfiados na corrente sanguínea, fazendo ninho nas células e eu só me pergunto… são partículas de vírus morto… e se alguma ressuscita?”.


(A gerência aconselha repetir a leitura deste último parágrafo ao som de guinchos de violinos em crescendo, como nos filmes de terror. Termina com um gongo. Se tiverem um cd das bandas sonoras do Hitchcok ajuda. Se não, façam como eu e imaginem. Também dá.

A gerência gostaria também de agradecer a amabilidade e compreensão de todo o pessoal técnico do Centro de Saúde de Santo António das Areias.

Nenhum animal foi agredido durante a escritura desta prosa).

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Foi você que pediu...

Um apito não digo, mas um nariz ainda lhe arranjo…


Chegados a Janeiro, temos a Liga na segunda volta e o Porto em terceiro lugar, atrás do Braga e do Benfica.

Olham para cima e só vêem vermelho…

Não é pois de estranhar que o cabeçudo lá de cima, que tão bem tinha estado arrecadado nos últimos meses, tenha decidido saltar com estrondo para a frente das câmaras e dos microfones, disparando em todos os sentidos.

Agora não há homenagem, nem jantar em que não se meta em bicos dos pés, só para destabilizar e armar confusão.

Se há uma coisa que eu adoro, MESMO…. é ver este gajo começar a desesperar…

Onde?

Bonita tatuagem...
Este post foi patrocinado por Distrom...
Em casa, Distrom líquido, fora de casa... isso mesmo! Distrom toalhetes


O nosso Toy é um artista fantástico.

Que saudades tenho do tempo em que enchia os nossos lares de alegria com o seu “reality show” em horário nobre. Belos tempos…

Perguntaram-lhe agora num inquérito daqueles de pacotilha: “Qual foi o lugar mais exótico onde fez amor?”.

Aposto que os mais apressados e desprevenidos avançaram logo mentalmente para paragens paradisíacas do tipo Seichelles… Punta Cana… por aí…

Mas o nosso Toy, rapazola de Setúbal, amante do Vitória, louco por “Choque frrite”, confessou que o lugar mais exótico onde fez amor foi… no W.C. de uma estação de serviço.


O George Michael também deve ter adorado. Não teve foi tanta sorte…