Ora bem… vamos lá a contas que nestas coisas o melhor, como diz o outro, é começar pelo princípio.
Tenho então que dizer que no meu entender, o Porto é um justíssimo e incontestável novo campeão nacional de futebol. Foi, de longe, a melhor equipa, a mais regular, a mais segura e a que teve o enorme mérito de saber gerir com uma eficácia implacável a inesperada vantagem oferecida de “mão” beijada pelo Benfica nas jornadas iniciais desta temporada. O facto de permanecer invicto até à data é a prova mais evidente do que digo e um inequívoco certificado da sua superioridade.
Assumir isto custa muito, sobretudo para um benfiquista do meu calibre, mas, como tive oportunidade de explicar ontem à minha Leonor, a fibra das pessoas vê-se não quando ganham (saber ganhar é fácil!), mas sobretudo quando perdem. Há que ser realista: foram melhores. Melhores durante o campeonato. Melhores ontem na Luz e o jogo de ontem não era um jogo qualquer. Para mim, quando é a honra que está em questão, a coisa é para levar muito a sério e foi por isso que ainda doeu mais. A vitória faria toda a diferença: para além de evitarmos que os nossos adversários directos e maiores rivais se sagrassem campeões na nossa própria casa, defenderíamos e salvaguardaríamos a nossa condição de campeões em título ao infligir-lhes a primeira derrota na prova. Falhámos em toda a linha.
Para mim, em primeiro lugar falhou o treinador que “montou” uma equipa desastrada colocando em pontos estratégicos jogadores que não estavam rotinados nem minimamente preparados para essa posição (Jara a assumir as despesas do ataque? Airton encostado à direita?). Já deveríamos estar habituados: sempre que Jesus inventa… dá cagada.
Depois falhou o Roberto, de uma forma absolutamente escabrosa. Mas alguma vez é de admitir que um guarda-redes que custou o que ele custou dê um “frangalhão” daquelas dimensões logo a abrir o jogo, quando a trajectória da bola nem sequer ia em direcção ao interior da baliza? E o que isso intranquilizou a equipa já de si abalada pela forma pressionante como o Porto entrou em jogo? Voltou a falhar no penálti quando se esticou demais e permitiu que Falcão fosse contra os seus braço, simulando uma grande penalidade que só podia ser apontada. Excesso de zelo. A “sombra” tinha-lhe bastado para ter evitado o remate. É certo que fez pelo menos duas grandes defesas a remates de Falcão e de Rodriguez (e o que eu pedi a Deus para essa não entrasse…) mas isso não o iliba. O guarda-redes é uma figura absolutamente decisiva e ao guarda-redes de um clube da dimensão do Benfica pede-se sempre a competência máxima. As grandes defesas devem ser o “prato do dia”. A mim não me tranquiliza. A mim não me convence. No meu tribunal não passa. Por mim ia fora… JÁ!
Falhou, mais uma vez, o Cardozo (e o fartinho que eu estou dele…) quando sozinho, na pequena área, cabeceou direitinho para as luvas de Helton e quando, numa atitude demencial para um jogador profissional, pontapeou intencionalmente Belushi, num lance que não poderia ter tido outro desfecho que a expulsão imediata. E ainda havia tanto tempo para jogar contra 10…
Depois falharam todos os outros (Aimar, Saviola, Javi, Sidnei, Gaitán, Salvio, Jara), todos à excepção de Luisão e de Coentrão que foi mais uma vez, o único a bater-se de alma e coração, o único a levar equipa às costas, o último a baixar os braços.
É que este Porto de Varela, Falcão e Hulk (que trio demolidor!), este Porto orquestrado por um Moutinho de pura filigrana (está em todas!) apoiado por um Guarín-petardo, trancado no meio campo por um Fernando pelo qual ninguém dava nada, seguro na defesa por Fucile, Rolando (nem parece o mesmo do Belenenses), Otamendi e Álvaro… e fechado a 7 chaves por Helton… este Porto está talhado para fazer história. Escrevam o que vos digo…
Este é o Porto de Villas-Boas e se eu não suporto o clube, muito graças às alarvidades do Presidente e às clivagens que criou no passado com os clubes do Sul, já não consigo deixar de gostar do treinador.
Quando ele saiu debaixo das saias do Mourinho e começou a dar um ar da sua graça, li numa entrevista que quando era puto (ainda o é!), uma vez fez uma “espera” ao Robson em frente ao portão da sua casa para, na qualidade de adepto, lhe perguntar porque é que não apostava mais no Domingos que era para si, o melhor avançado do plantel. Eu achei a história o máximo e pensei: “este gajo é da minha laia. Esse é tipo de adepto que eu sou”. Simpatizei com ele desde então e acho que quando fala se torna óbvia a paixão que tem pelo futebol. Adoro a forma como prepara os jogos (convém não esquecer que grande parte do mérito, sobretudo inicial, da carreira de Mourinho se deve também à perspicácia com que lhe preparava as partidas); adoro a maneira como se move durante o jogo e “vive” o que se passa dentro de campo como se fosse um 12º jogador; gosto da maneira como se expressa nas conferências e do seu sentido de humor. Gosto e ponto final. Vê-se que é educado, que é culto, que é humilde, que sabe do ofício e os resultados estão aí para o comprovar. Só espero que não se deixe inquinar pelos ares do Norte e não fique igual áquela gente. Tem classe e reconhecê-lo é, no meu entender, da mais elementar justiça.
Saber perder é importante e é por isso que eu lamento as bolas de golfe e os isqueiros que choveram antes dos cantos. Esse não é o meu Benfica. Esse, a mim não me diz nada. A selvajaria só se erradica com nobreza de actos e pensamentos. Combater a barbárie com ódio é coisa para gerar ondas de violência das quais ninguém jamais poderá sair a ganhar.
Como tive oportunidade de dizer na sms de felicitações que enviei ontem para os meus amigos portistas: que o Futebol, que para mim é sagrado, saiba sempre estar acima (da maldade) dos homens.
Por falar em maldade, lamentável foi também a ordem para desligarem as luzes do estádio e para accionarem os canhões do sistema de rega. Essa não é, claramente! uma atitude “à Benfica” e das duas uma: ou foi uma ideia infeliz de uma mente idiota ou apenas uma ideia idiota de uma cabecita que parou por momentos. Quem não se dá ao respeito nunca poderá ser respeitado. Como seria de prever, tanto “mau perder” só ajudou à festa dos jogadores do Porto. Água é sempre coisa que se agradece nestas coisas das comemorações de títulos e antes ali no relvado, com os flashes dos fotógrafos a servirem de luz de recurso, do que enfiados dentro do balneário. Ali sempre deram mais nas vistas. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Até aí ganharam.
E foi assim… É certo que podíamos perfeitamente ter empatado o jogo e só não o fizemos no remate supersónico de Gaitán que embateu no poste porque o destino assim o quis, mas a verdade é que este Benfica deixou muito, muito a desejar e permitiu que lhe fizessem o “ninho atrás da orelha”.
Por mim, começávamos já a pensar na 2ª mão da meia-final da Taça de Portugal e numa vingança “à antiga”. Se ganharmos essa, a Taça da Liga e assegurarmos o segundo lugar do campeonato ninguém poderá dizer que foi uma má época.
E sempre há a esperança na Liga Europa mas aí… fia mais fino e teremos sempre de contar com a qualidade dos adversários e sobretudo com aquele que para mim é o grande favorito a vencer a prova: precisamente o F. C. do Porto. Tendo consciência da sua qualidade, estudando bem os seus jogadores e mecanismos, tendo uma atitude mental ganhadora… tudo é possível! Já o provamos no Dragão há bem pouco tempo. Basta acreditar!
Portantes… (como diz o nosso Jesus), vamos mesmo acraditare! Viva o Benfica! (para todo o sempre e mais além, assim na terra como no céu! Amén!)































