sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O meu 8 de Setembro (ou como eu o vi)

  
O pessoal do Centro Cultural de Marvão que recusou receber a medalha das mãos de quem se absteve em bloco e com uma declaração de voto inenarrável, foi de negro. De luto. Toda a triste história esta disponível na página do facebook do meu primo Jorge Rosado, clicando aqui.
Eu, solidário com eles, porque me contataram, aderi ao protesto porque defendo que foi notável o trabalho que fizeram para que o nosso castelo fosse um sítio com vida, e tornaram em realidade o que sempre defendi de a jóia de Marvão ser cobrada nem que seja para manutenção do espaço e algumas atividades lúdicas; para que mereça ser ainda mais visitada. Custa ir de negro num dia de festa mas enquanto se mantiverem estas pessoas aos comandos do nosso concelho, é a cor que se adequa e acreditem que mitiga a dor.

Há quanto não vinha aqui… Lamento e peço desculpa por isso aos frequentadores desta taberna virtual mas os tempos mudaram e vão surgindo novas formas de comunicar com o mundo, para mim tão importante como respirar, e vamos evoluindo, por ser de mais fácil e cómodo acesso. Tem prós e contras mas o tempo, que é a nossa maior riqueza (a par com a saúde e o amor), obriga-me a ser mais ágil. Escreverei em breve aqui sobre isso.

Mas o que me trouxe hoje aqui até vós foi opinar sobre o 8 de Setembro, o feriado municipal, um dia sempre vivido com tanta intensidade e tão importante para mim. Eu sei que sou nada, nem ninguém mas também sei que há pessoas que me seguem, umas de forma mais aberta, outras no segredo e querendo menos bem mas, das que gostam de ouvir a minha forma de ver o mundo, de várias idades, extratos sociais e graus de relacionamento, comentaram comigo no dia 8: “a gente vai ver o que é que o Pedro escreve na crónica…”

Então… cá vai!

Como nesta minha nova encarnação detesto chegar atrasado, (dantes era muito difícil chegar à hora em ponto, sempre uns minutinhos de delay…), rumei a Marvão bem cedinho, muito antes das 9 horas da manhã. Como queria assistira a tudo, e sabia que antes das 9h não haveria nada a perder, não me guiei pelos diversos cartazes alusivos à data que tinham sido espalhados pela câmara municipal em que nuns, estava à hora certa e nos outros, na hora a seguir. No Sr. João do Bento estava à hora X e na Pastelaria Caldeira, à hora Y. Mostraram-me os cartazes, quando comentaram comigo e percebi. O desnorte lá da casa alta chega a esse ponto e por isso, não facilitando, avancei convicto a uma hora que me garantia que não perderia nada.

Quando cheguei ao lajeado em frente do município, já a cena estava bem composta com muitos homenageados presentes. As cadeiras de madeira montadas e tudo muito bem mas… mal pensado. Como toda a gente podia avançar para onde e quando quisesse, deu-se o inusitado que o hastear da bandeira fosse visto pela larga maioria presente com os eleitos locais... de costas viradas para eles (nós). Sintomático. Até nesse dia.

Ainda assim as cadeiras chegaram e as poucas e mal colocadas sombras, sempre resguardaram algo do sol. Do mal, o menos. Foi uma boa medida. Veem que não digo só mal? Consegui!

A autarquia decidiu neste ano medalhar as instituições que estão ligadas ao apoio social todas em barda. Não é que não façam um trabalho que não mereça esta distinção, antes pelo contrário!, a ver se me faço entender. Têm uma importância estratégica e muitas vezes, quase sempre, estão na primeira linha, não só da ajuda ao próximo, mas gerando “vida” nas aldeias onde se integram, criando emprego e bem estar. A questão não vai por aí. Estas medalhas, (às quais estou muito ligado porque fui eu que estudei regulamentos de exemplos de diversos municípios do país e as propus à gestão da câmara para aprovação), foram criadas para distinguir por um ou outro facto ou uma carreira que justificasse a atribuição, e não para serem dadas assim ao monte, sem critério, tratando todas por igual, o que sendo muitas, gerou aquilo que acabou por se tornar para quem, como eu, quis assistir à cerimónia. Se aquilo foram uns óscares! cuja cerimónia derrapou no tempo e o pior é que porque sendo muitos, nenhum poderia brilhar convenientemente. Cada um que subia ao pedestal queria dar uma apresentação da sua instituição, o que é mais do que legítimo, mas nem todos tinham o mesmo desembaraço a falar e eram capazes de transmitir de forma eloquente e não maçadora, o seu historial e feitos.

Medalharam-se a Santa Casa, o Lar de São Salvador, o do Porto da Espada, a Anta da Beirã, a Casa do Povo de Santo António… and so on, and so on. Todos porque sim e também porque 2017 está quase aí e quem semeia bonança, espera sempre colher o melhor. Eu dou-te a ti, para te lembrares de mim. Elementar, meu caro Sabi.



Por falar em discursos... houve melhorias sim. Porque já lê e porque sendo assim, nunca mais teremos a reedição daqueles monólogos à Fidel Castro que se fossem editados em vinil, dava para aí um disco triplo. Já são escritos, o que augura bons prenúncios, mas o tom de voz… a entoação com que mal se percebe o que manuscreveu… fez tudo parecer um embaraço. Uma aulas de representação do teatro (que começou comigo, gerou diversos potenciais atores (grande Eduardo!), desenvolveu imenso a nossa Dulce, teve inclusivamente uma aluna que seguiu a carreira da representação!) e acabou quando eu saí! Isso sim, seria aconselhável! Colocação de voz e, já agora, do olhar; capacidade de tornar inteligível o que se pretende transmitir… depois não digam que não dou dicas. A professora Susaninha que meteu a marchar daqui para fora é que é capaz de andar em trabalhos e não ter tempo. L


O melhor discurso, como sempre, foi o do representante dos membros da Assembleia Municipal, um enfermeiro que costumo ver ali por cima da Fonte da Celorica. Parafraseou Camões e fez um apanhado/resenha histórica da génese do nosso 8 de Setembro que, ficou. O que é sempre o melhor discursador, vai em representação do presidente da Assembleia que foi saudado num dos discursos mas que não compareceu, como sempre. No 25 de Abril não se estranha porque dizem que é contra, que eu não conheço o senhor; mas nos outros também… não costuma ver-se.

Neste ano, com proposta do Partido Socialista, foram homenageados homens que desempenharam o cargo de presidente de câmara: o Sr. João Dinis Carita (a título póstumo), o Sr. Manuel Pedro da Paz (idem) e o Sr. António Moura Andrade. Neste último caso foi uma ideia bonita e atempada porque esta homenagens, de quem tanto deu para todos nós, devem ser sempre que possível, realizadas em vida, como foi no último caso. O meu caríssimo João Bugalhão levantou a lebre aqui, de se terem esquecido do Dr. Bugalho mas o PS, em comentário, justificou o porquê. E bem. Bem aqui e bem na proposta. Mas o João também respondeu muito bem: é que o Dr. Bugalho já não é propriamente um rapazola em idade para tirar o cartão jovem e não sabendo nós nunca o dia de amanhã, se há um potencial homenageado ainda vivo, não seria de menosprezar. 

Se tivesse havido o nível que todos sabemos que não há, teria havido um convite formal ao Partido Socialista para que a entrega dessas medalhas em conjunto, numa perspectiva unitária do concelho. Se foram os senhores que propuseram e nós somos quem está em cargo, partilhemos a entrega que será realizada sob a vossa proposta. Chegou-se assim ao caricato do presidente eleito pelo PSD, entregar ao homem que fez toda a sua vasta e reconhecida carreira autárquica pelo PSD, a entregar uma medalha de mérito... proposta pelo PS! O sr. Andrade chamou a isto de ironia e levou a leitura deste fenómeno pelo lado cavalheiresco. Ridículo também rimava.

A filha do Sr. Paz, muito emocionada pelo gesto e como não deve estar muito habituada a falar em público, agradeceu muito e teceu algumas breves palavras sobre a figura do homem que foi seu pai.

A neta do Sr. Carita, a minha prima Ana Isabel, fez um discurso tão certeiro que para quem é de Matemáticas, que até foi de estranhar. Ao parabeniza-la pela belíssimas palavras, confidenciou-me que foram escritas com a supervisão e em co-autoria com a mana, essa sim jornalista com carteira. Esteve muito bem na sua leitura e mais que justificou o galardão, mesmo para quem não conhecesse a tão vasta e importante obra do seu avô em Marvão, antes do 25 de Abril.


A homenagem do Sr. Andrade foi a que mais me tocou por diversos motivos. Porque tenho a graça de poder contar com a sua amizade, porque foi o “meu” presidente de Câmara e porque sempre acompanhei o seu percurso, sendo ele uma pessoa por quem tenho uma enorme estima e admiração. A sua apresentação, em que foi realçado também o seu papel de funcionário no serviço de finanças onde trabalho hoje, foi realizada pelo amigo António Silvério, hoje provedor da Santa Casa da Misericórdia e também colega aposentado do mesmo serviço. Uma apresentação de grande categoria e bastante emotiva que embalou para o momento seguinte e para as palavras sempre certeiras do grande, permitam-me, Sr. Andrade que agradeceu ao Partido Socialista o facto de se ter lembrado dele e ter realizado a proposta. Como homem de grande nível que é, justificou essa posição com a abertura que sempre teve no relacionamento com os outros partidos e pela deferência com que a todos sempre tratou. Dedicou o prémio à D.ª Deolinda, sua querida esposa, num discurso muito emotivo também, em que recordou os tempos (que já parecem tão longínquos!) em que não existiam telemóveis, muito tinha de viajar pelo país fora e a sua companheira nunca o deixou e nunca descansou enquanto não o tivesse junto a si. Pessoas de uma tal veracidade e um nível que acho que nos meus tempos já não se fabricam.


Foi também homenageado o Sr. João Maria Mena Antunes, um craque do desporto nado no nosso concelho com um nível que eu lamento nunca ter conhecido. Grande figura nacional do atletismo e grande benfiquista, clube ao qual continua ligado, foi por diversas vezes e anos campeão dos 400 metros barreiras e provavelmente, das maiores figuras do nosso concelho no mundo do desporto. Um medalha justificada e muito bem entregue.

Neste enorme rol de nomeados, não faltou a justa homenagem a D.ª Elvira da Silva (cujas referências e feitos procurei na página oficial do município mas nada encontrei... Só esta foto abaixo); à Fundação Cidade da Ammaia (tão merecida e injustiçada) e a Pablo Carrilho, ex-alcaide de Valência de Alcântara e um homem de trato fantástico, tão humilde e boa gente que pelos laços que sempre tentou estreitar ainda mais com Marvão, mais que merece este galardão.

Foto de família retirada do site do município com todos os homenageados e... um extra que se colou. Não ficaria melhor o presidente aqui? Ou o vice?

Seguiu-se o convívio aberto a todos os marvanenses e foi tempo para um aperitivo e um copo antes da missa de Nossa Senhora da Estrela que, para quem é devoto como eu, é sempre um marco no ano e uma prova de agradecimento, por tudo o vivido.





Termino a minha abordagem dizendo a todos, porque sei que vêm ler, que há pessoas que quando passam por mim e fingem que não me veem, virando a cara, é como se me estivessem a bater palmas, ou melhor, a baixar a cabeça quando passo. A grande vantagem e proeza de se viver em democracia é que somos livres de dizer o que nos vai na alma, sem termos medo que nos afrontem. Desde que haja respeito (de não achincalhar) e lisura de procedimentos, não sou capaz de não dizer que não gosto. E não gosto mesmo!

Também respeito que não gostem de mim. Jesus que foi quem foi e tinha a cunha do Pai, que era quem era, com menos 9 anos que eu já estava cravado no barrote. O mundo nunca vai cair para o lado porque há sempre quem puxe de um lado e quem pressione do outro.

Eu, que sou filho da esperança, nunca a perco que o nosso concelho volte a ter um dia na sua condução, um homem ou uma equipa de homens que pratiquem e façam o bem, às claras, abnegadamente, em prol do bem comum.

Tenho dito!

Ass: Pedro Alexandre, 42 (já?!?) anos


As fantásticas manas Garcia, a quem eu pedi licença para captar esta imagem que ficou muito bem!
Bem hajam. É o momento revista Caras do blogue! Belíssimas! Muito merci!


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A carta derradeira




Esta cartinha te escrevo,
E por aqui quero começar,
A mim nunca me enganaste,
E isso to vou bem provar.

Os jogadores gostam de ti,
De ti dizem sempre o melhor,
Mas a mim nunca me convenceste,
Que eras um bom treinador.

Ganhaste coisas, é certo,
Ganhaste taças e foste duas vezes campeão,
Mas ficaste muito aquém,
Na Europa e na minha consideração.

Fostes a finais e chegaste lá,
Quiseste ir até ao fim,
Mas como diz o Danoninho,
Faltou-te sempre um bocadinho assim.

Não sabes estar, não sabes falar,
Abres a boca sem razão,
Largas asneiras atrás de asneiras,
Agora tens à perna mais um gozão.


Meus amigos todos sabem,
Que nunca gostei de ti,
Ouve alturas em que te tolerei,
E até desculpas te pedi.

Mas lá no fundo, no fundo,
Eu queria era outra solução,
Um mister que metesse a jogar, que mexesse,
Que fizesse a malta vibrar com a sua mão.

A desculpa foi a que o contrato,
Estava prestes a chegar ao fim,
Mas eu sei que querias era ir para a tua casa,
Dizer ao Suportin que sim.
  


Meteste o Mendes ao barulho,
Esse mágico que está farto de faturar,
Rendeste-te ao Bruninho,
Estavas deserto de ali casar.

Eu sei que a bola é isto,
Um negócio e a malta quer é ganhar o milhão,
Mas tu juntaste o útil ao agradável
Diz que foste para o clube do teu coração. (e eu que ainda pensei que era o meu).


Mas um profissional tem de ter valores,
E eu jamais treinaria um clube rival.
Um homem tem de ter espinha dorsal,
Senão é um pesetero, um animal.

Posso ser naif e ingénuo,
Posso ver o mundo de uma forma infantil,
Mas eu tenho valores,
E não me vendo por notas de mil.


Foste um porco para o Marquinho,
Deitaste-te na cama ainda quente de um homem que ganhou a taça,
Foste um baixo, um medíocre,
Foste como és: mau como a putaça!

O que me custa é que lagartos,
Como o Sabi, meu irmão,
Se tenham rendido a ti,
Como se fosses uma salvação.



Não têm pingo de vergonha,
E disso não era capaz de fazer igual,
Tinha de dar um período de nojo,
De analisar bem o bornal.

O meu Vieira provou o eu que achava dele,
Que é uma verdadeira benção,
Que tem princípios, que tem estratégia,
Que sabe contornar os problemas e arranjar solução.


Agora, eu acredito no Rui Vitória,
Acho que é uma natural sucessão,
Já andava debaixo de olho no Guimarães,
E vai dar uma boa continuação.

Acredito que meta os miúdos a jogar,
Que mexa no plantel e na equipa,
Que nos devolva a alegria de vibrar com o jogo,
Que devolva alma ao Benfica.


Não sei que raio vocês arranjaram,
Que de batidos passaram a esbanjilhões,
Compram jogadores de topo ao minuto,
Que só fazem loucas contratações.

Sei que o dinheiro é mafiado e vem de Angola,
Que tudo aquilo é muito escuro,
Oxalá rebente de vez com a casa,
Que deem o estouro no futuro.


Até pode ser que compremos a barraca,
Que fica na segunda circular,
E a mantenham tal e qual como está, (cor e tudo)
Só para a malta ir lá mijar. (em dia de dérbi)

Eu estou como sou,
Por natureza, pessimista,
Mas como só podem jogar 11,
Sei que temos à altura na lista.


Espero que entremos serenos,
Com calma e estofo de campeão,
Que consigamos provar,
Que temos bagagem para a situação.

Agora podes ter certeza,
Que se conseguirmos ganhar,
Para mim é uma honra tão grande,
Que eu nem consigo imaginar.

Agora se perdermos,
Depende da coisa e de como corre a situação,
Mas apanho uma caganeira e de certeza
Me tranco na arrecadação.



Tu és puta e conheces bem os nossos,
Estás cheio de seres uma superstar,
Só desejo que acabes da pior forma,
E te consigamos enrolar.

Recordo-te: “só podem jogar 11!”,
E tenho muita fé nos meus,
Que a sorte nos proteja e o Jorge de Sousa,
Não se espalhe, por Deus!

Se tudo correr como espero,
Até faço uma caravana,
Enfiado no bólide do meu vizinho Voltinhas,
Curtir bem à fartazana!



Vi a reportagem na Sic,
Que mostrou onde nasceste tão pobrezinho,
Que com a bola fizeste um império,
Onde te enches de dinheirinho.

Mas és uma cabra safada,
Um burro, um calão que só quer dinheiro,
Ou muito eu me engano ou,
Com essa voragem ainda acabas tripeiro.


Fazes uma história linda,
De cú grande e carreira sem igual,
Deixas os lagartos de rabo à banda,
A tremerem com o hemorroidal.

Podes ter a certeza que por ti,
Não tenho nenhuma consideração,
Te considero um bluff,
 Tal e qual a tua dentição.

Ganhaste coisas é certo,
Mas poderias ter ganho muito mais,
Se não tivesses sido burro (de não mexer na equipa)
Não tinhas perdido um campeonato nos minutos finais.


A sorte e o futuro estão lançados,
Havemos de estar cá para ver,
Como termina esta história,
E como tudo vai suceder.

Nós estamos serenos,
E a comprar com contenção,
A planear o futuro,
Com inteligência e meditação.

Eu sei que neste ano,
Vai ser muito difícil ser campeão,
Que há que assentar arraias,
Medir a casa, ao plantel tirar a pulsação.

Mas nós temos calma,
O futuro há que equacionar,
E temos a certeza,
Que um de vós dois vai rebentar.


O velho não quer quinar,
Sem o Porto triunfar no campeonato,
Farta-se de gastar, esturra tudo,
Veremos como corre o desiderato.

Nós estagiamos, pensamos, planeamos, reorganizamos,
Damos par e passo com certeza,
Veremos como os outros se destroem,
Aí que vai ser uma beleza!


Vou com calma e contenção,
Ver para os braços do meu sogro.
A ver se a coisa corre bem,
E conseguimos mais este logro.

Uma vitória vai saber tão bem,
como se fosse campeão,
E esventrasse logo na abertura,
O malvado lagartão.

Vai de retro!

Belzebu!



sexta-feira, 24 de julho de 2015

O 2º Voltar a Casa em 2015 (e foi tão bom...)

Foto de família 2015

E em 2015, voltámos todos a casa. O segundo encontro dos miúdos(as) que nasceram na Beirã foi um sucesso ainda maior do que eu sonhei. Se no ano passado foram 28 os que acorreram à chamada e tive uma alegria tão grande, neste ano, que tanto temi que caísse e tantas noites de sono tranquilo perdi, tive um pleno de alegria e emoção  com os 34 lobitos que acorreram à alcateia (do Agrupamento 659 da Beirã). Tão bom voltar à nossa casa, aquela que há-de sempre ser a nossa aldeia. Se os humanos pudessem ser como os elefantes e fossem morrer de idade no seu sítio, era aqui que cairia.

Tudo nasceu de uma conversa informal no facebook com o amigo Nuno Carrilho, que não via há muitos anos e da vontade imensa de voltar a reunir, nem que fosse por um dia, os miúdos que viveram juntos os tempos de infância naquela aldeia única (ainda que fosse apenas nas férias). O propósito decorreu de uma conversa sobre o meu acidente e de como não fazia nenhum sentido deixarmos que as vidas nos afastassem quando temos as novas tecnologias para tanto nos aproximar. Nós, jovens que não somos embrutecidos e sabemos utilizar a internet e os smartphones, não nos podemos permitir ficar décadas sem vermos pessoas que foram tão importantes para nós e com as quais partilhámos tanto. Apadrinhados pela fada madrinha do facebook, a nossa Mena Sacramento, decidimos meter mãos à obra.

A conversa deu em desafio, contatos foram feitos e de uma forma muito amadora e em jeito informal, foram-se apontando agulhas para o dia 12 de Julho de 2014. Como se pode ver aqui.

Mas a vida foi madrasta e na véspera do evento acontecer, levou-me a Ti Bia, o que me fez equacionar não comparecer. No entanto, pensando melhor, revi a alegria que ela punha no que eu tinha ajudado a acontecer, na esperança em rever tanta daquela gente que, à última da hora, decidi estar presente. Fui de preto por dentro e nunca com a alegria que esperava ter mas fui e vi, e toquei, abracei e cheirei. Vivi.

O primeiro a chegar. Com o meu maior património.

Compareci mas arquei com muita da responsabilidade das inscrições, das comparências, dos contatos com o restaurante Sabores de Marvão. Muita ansiedade, muita indefinição de quem ia, onde se inscrevia e prometi-me que no futuro, porque queria que continuasse e crescesse, muita coisa teria de mudar. A começar pela definição de antemão da data para 2016, certa a 18 de Julho (sábado da festa da Beirã) e do pedido claro de colaboração da Junta de Freguesia a nível de operacionalização no terreno, logo assumido na pessoa do seu presidente, Tómané. Se o Nuno e eu fomos os pais, e a Mena o anjo da guarda em 2014, o grande responsável para que tudo acontecesse em 2015 foi o nosso presidente Tómané. Na semana antes, telefonei-lhe todo descorçoado porque as inscrições na net estavam muito fracas e se as inscrições na Junta fossem poucas, menos de 20, o melhor era deixar-se cair a coisa, para grande pena minha. Respondeu-me, ligando, que nem pensar!, que tinha muitas inscrições e que não podíamos deixar morrer uma coisa tão bonita que tinha acabado de nascer. E assim, muito graças a ele e ao apoio que prestou, dos 28 do ano passado, passámos para 34!

Dos presentes tiro o chapéu ao Nuno que veio de longe sem pestanejar e à nossa Mena que disse logo que não perderia isto por nada! Depois tiro também o chapéu aos repetentes, a todos os que gostaram e voltaram e faço um agradecimento muito especial às minhas 3 mulheres que desta vez me deram a honra de me acompanhar pela primeira vez. Um agradecimento também muito afetuoso ao meu irmão que me provou que afinal a casa dele não é em Portimão como me respondeu quando lhe perguntei se vinha ao “Voltar a casa” (Qual voltar a casa?!?!?!? A minha é em Portimão! Palerma!) e aos Felinos que compareceram em toda a linha e em todas as frentes, com uma tripla de luxo. Poucos mais irmãos compareceram assim em bloco e é pena. Para o ano será melhor.




A Maria João almoçou ao lado. Na do pai. Mas foi tão feliz neste reencontro que já me prometeu que para o ano não faltará! Não a via há décadas. 

Máquinas infernais: o Joaquim Manuel que foi pescado mesmo à beirinha, o pai Tó Manel (de 2015) e o Nuno,fundador. (resistente e sempre presente. Com'a mim.)

Barriga?!?!? Qual barriga?

Vá lá uma minizinha para a abater!

Ora bem!


Muita gente se desculpou e disse que não podia por causa disto ou aquilo. Não sou ninguém para dar sainetes, nem isto é lugar para lavar roupa. Mas é importante que as pessoas metam a mão na consciência e pensem que é uma vez no ano. 1 dia em 365. Convém aqui recordar as palavras do presidente Kennedy quando dizia aos americanos para não perguntaram o que é que a América podia fazer por eles mas sim o que eles podiam fazer pela América. A roda está iniciada e vai crescendo à medida que lhe formos dando calor e afeto. Ou morre, se fizermos todos como eles, ou avança. Depende de nós. Eu sonho que este evento venha a ser grande e que em vez da sala do restaurante Sabores de Marvão, possamos ter de fazer num sítio bem maior para albergar todos, sempre em parceria com o Jorge, nosso companheiro desde o primeiro momento. O sonho comanda a vida.



Quanto não vale?


Dos presentes todos tiveram o mesmo papel e o mesmo relevo mas permitam-me que enalteça a presença do Vítor Correia, por dois motivos. O primeiro é porque marca a viragem a uma “nova” geração, de uma faixa etária algo acima da minha e porque abre o leque de abrangência do público alvo desta iniciativa. “Quem são os líderes aqui?”, perguntou. “Não há!”, respondi-lhe e, justificando, expliquei-lhe a informalidade com que tudo começou e os propósitos tão puros e genuínos das raízes do ajuntamento.  Depois o Vítor é uma pessoa muito dinâmica e inteligente que só pode aportar coisas boas. Disse-lhe que cada vez que passo no antigo prédio a alfândega e vejo a nova UAI da Anta, o vejo também a ele, como força motriz que despoletou aquela vitamina que mantém hoje viva a Beirã, a aldeia que nasceu com o progresso (abertura do ramal de Cáceres - caminhos de ferro) e morreu com o progresso (abertura do mercado económico comum e a livre circulação de pessoas e bens), tendo sempre vivido uma sociedade de serviços (sem fome, sem desemprego) num Alentejo que sempre foi o buraco negro de Portugal (seco, sem água, sem solos férteis, sem pessoas) depois de lhe ter matado a fome durante o Estado Novo.

“Tu também foste um dos sócios fundadores  da Anta, não foste Vítor?”, (antes de ser manietada por muitos dos crápulas que hoje quase mandam no concelho. Coisa que pensei mas não disse.)

“Fui. Sou o sócio número 1 da Anta”.

Já me respondeste.

Pois o Vítor pode ser a mola que pode chamar a esta alcateia muitos e muitas mais velhos que nos podem ajudar a conseguir dar o salto deste almoço para o recinto de festas ou para o pavilhão da Anta. Um passo de cada vez. Grão a grão.

O facto que se revelou decisivo no ano passado de definirmos à priori a data de realização para este ano, por forma a nortear o evento e para que todos pudessem contar com a data e antecipar a vinda, foi mantido. Em 2016 atingiremos o pleno: o Voltar a Casa 3 - 2016 será no sábado, 16 de Julho, dia da nossa padroeira, Nossa Senhora do Carmo. Será no dia da missa, da procissão, da festa. Será num dia em cheio, em que muitos poderemos voltar a experimentar sensações de outros tempos!


Quanto não vale? 2


O futuro

O futuro (2)


Quanto não vale? (3) Não via esta almas juntas há...

Ah lateiro!
Quem comeu mais?

Foste tu! (as migas estavam tão boas...)

Ora bem!



Sala de chuto
E da cabeça do Sr. Vítor Felino saíram estes nomes em catadupa para chegar aos quais peço a colaboração de todos. Seja por telefone, por mail, por facebook, há que chegar a eles porque era mesmo bom tê-los entre nós (para além dos que estiveram em 2014 e não apareceram neste ano (ver foto abaixo), gostaríamos ter também: Paulo Varela, Fernando Belo, Regina Ribeiro de Castelo de Vide, Dulce Beatriz Silva, Paulo Agapito; Bela, Quim e Xana Carita; Vítor Salsa, Glória e Fátima Ferro, Luís Grilo, Vítor Nicau, Paulo Galacho, Zé Luís e Luís Murta, Maria João e manas Graça, Zé Fernandes, João e Nuno Carita.

Foram estes em 2014
E estes em 2015. É só comparar...

O que foi um sonho lindo, voltou a acontecer. Depois de muitas indefinições, concretizou-se. Para o ano, com as pessoas que já se acoplaram e o apoio fundamental da junta que encarregar-se-á de divulgar tudo no cartaz e na internet num grupo aberto no facebook, acreditamos que só cresceremos. Para que a Beirã, nem que seja por um dia, volte a ser a aldeia de sonho que era.

O melhor balanço que ouvi foi no dia de hoje, ao Rui Felino, que se mostrou agradavelmente surpreendido por ter visto tanta gente que não via há tantos, tantos anos e disse: “para o ano farei mesmo tudo para vir. Foi muito bom.”

Podes crer. E ainda há-de ser melhor! ;)

Sempre nossa. Sempre única!

Vai uma sandocha para a tarde? Ai eu cá sim!





Tríptico era mesmo isto que se queria I (primas mas sempre antes tão distantes)

Tríptico era mesmo isto que se queria II

Tríptico era mesmo isto que se queria III

Era mesmo isto que se queria também! :)

E as gaijas que me tinhas prometido, ó Pedro?

Gaijas?!?!? Onde?





Foto sem emplastro

Foto já com o gajo!




Foto com a rainha da festa, pelo segundo ano desaparecida.
Ana... para o ano não me falhas!
Foto da dupla do TIRITICUM
Andamos nos mesmo drunfos!



E para fechar da tarde: o recuperar de um mito parado há 35 anos. Praia da Rocha: AÍ VOU EU!




Atropelarem um homem!!!!!
( e os traunseuntes ficarem em pânico, como se pode ver)

Vames fugir!!!!!!!!!!!