sexta-feira, 10 de setembro de 2021

À maneira dele (em Marvão, pelo feriado municipal) - Tim ao vivo (a crónica)


Esta vai pelo meu grande Amigo Pedro Silvério, o Chefe, o maior Marvanense a viver no degredo que eu me lembre, fora de Marvão que ele tanto ama, com quem troquei mensagens sobre a magnitude da cena, logo hoje de manhã! Foi como se estivesses estado cá, meu velho!


Epá, palavra que não estava nada à espera de passar uma noite do feriado municipal tão agradável assim. O nome que me levou lá era mais que apelativo: o Tim há-de sempre ser a voz daquela banda que tem sido a oficial nacional da minha vida, aquela que tem acompanhado o meu crescimento de puto que fui, a homem que sou, como os U2 o foram a nível internacional. Nenhuma delas é a preferida, mas são as que estiveram sempre lá, aquelas que cresceram comigo, as tais.

Se a essência era apelativa, as “&Vozes do Alto Alentejo” davam assim um ar suspeito à coisa, e deixava adivinhar o pior possível que… nada se assemelhou ao que por lá se passou… e à que pode assistir, quem teve resiliência para aguentar o tradicional arzinho (eu disse frio?!?!?) de uma noite de Marvão a dizer adeus ao Verão, e olá ao Outono, que há-de chegar daqui a uns dias.

 

Antes de mais, por esta altura, apetece-me felicitar o Município que teve a feliz ideia de convidar e trazer um artista digno desse nome, é certo que integrado numa oferta inter-municipal (e aí certamente foi influenciado a tal), mas que destoa da habitual gama de valores em que tem apostado, e que vão da intragável Rosita, ao inexplicável  (e inexplicavelmente desaparecido) Zé do Pipo, passando pelo abominável Toy “das Neves”, que tem patrocinado para gáudio das populações. Na verdade, ali, também não haveria muito a perder porque nestas festividades, tradicionalmente, nunca se aglomeram muitos populares, e se nunca chegam a mais de uma centena.



Se esteve bem por aqui, borrou a pintura toda quando “permitiu” que o espetáculo se iniciasse apenas uma hora depois das 21.30h anunciadas no cartaz, sem que um único dirigente do município, ou funcionário adido à área, pelo menos, se tivesse dignado a dar uma explicação aos potenciais espetadores presentes, o que levou a que muitos tivessem batido em retirada (porque o dia a seguir, hoje, era de escola), e não tivessem esperado pela justificação que até agora não chegou. Foi verdadeiramente lamentável, penoso, e deixou como que se uma carga negativa fosse tomando conta das almas presentes. Terá sido um problema com a luz, com o som, com alguém? A verdade é que o bom do Tim acabou por fazer esquecer a quem ficou, tamanho mau começo, quando entrou com aquele seu eterno de tipo fixe, de camarada à prova de bala, para todas as horas, sempre sorridente por detrás dos eternos óculinhos de proteção, para conquistar toda a gente, com o seu ar anti-rock star, terra a terra, enternecedor.

 

Quando as luzes permitiram vislumbrar os artefactos que aguardavam quem os manuseasse, percebi que os meus maiores medos eram infundados. Assim que os artífices foram tomando posições, todos fardados com um negro de gala, assim que chegou à boca de cena quem manuseasse as teclas, o violino, o violoncelo/braguesa, o contrabaixo, a bateria e o timoneiro se agarrasse à guitarra, com o seu clássico estilo de motard, de t-shirt negra e o lenço ao cowboy à volta do pescoço, percebi que o barco iria certamente chegar a bom porto.


E o que se passou foi muito bom, foi a revisitação de toda uma carreira sobre um prisma clássico(?), na medida do possível, porque embora nunca o tendo desvirtuado, o engalanou com um toque aristocrático, o enobreceu, o tornou ainda muito mais a ver com a essência de Marvão, que Tim confessou adorar, já ter visitado por diversas vezes, e querer poder ter uma casa, embora “não tivesse certamente guito para tal!”


Se olharmos para o line up do concerto, percebemos que, ou ao prestar homenagem às bandas de que sempre gostou, ao interpretar temas da sua eterna “casa mãe” Xutos e Pontapés, ou ao revisitar projetos icónicos que tem integrado como os emblemáticos Resistência (seleção de monstros nacionais à guitarra interpretando clássicos, do início dos 90), os clássicos Rio Grande (final dos 90), ou os seus sucedâneos Cabeças no Ar, onde se tem juntado à mais nobre estirpe musical portuguesa (Palma, Gil, Veloso, Vitorino, Monge) este homem é um verdadeiro crooner de espinha dorsal, porque todas as suas variações, ou mesmo o seu  trabalho a solo, têm revelado um valor lírico e musical verdadeiramente fora de série, para quem tem 61 anos, apenas mais 13 anos que eu!

 

Quem teve coragem para ir, e aguentou estoicamente até que começasse (porque depois, certamente aqueceu!) teve o mais puro e prazenteiro deleite de saborear:

- À minha maneira (belíssimo clássico dos Xutos! Um “My Way” do Sinatra num despique roqueiro de altas guitarras);


- Voar (tocante tema a solo de sonhos infantis. Sobre o poder da capacidade de sonhar, e onde nos pode levar);


- Postal dos Correios (a carta enternecedora de um emigrante, como devem ter havido tantos antes, para os pais, do projeto RioGrande


- Menina estás à janela (Popular que aprendeu a valorizar pelo seu “mestre” Vitorino)


- À noite (Viagem aos Sitiados, do malogrado João Aguardela)


- Tu não me digas adeus (tema que fecha o seu último trabalho a solo “20 20 20”, e foi caraterizado por ele próprio com, muita graça, “que é uma lamechice”);


- Por quem não esqueci (Clássico da Sétima Legião, em jeito de tributo);

 

- Chuva dissolvente (dos Xutos que eu mais gosto, do disco “Dizer Não! de vez”, de 92)


- Nasce selvagem (a fazer lembrar os Resistência e os Delfins)


- Casinha

 

- Contentores


- Circo de feras (Num tríptico de luxo!, de grande homenagem aos Xutos!)

- Para sempre (BSO do filme “Tentação”, de Joaquim Leitão)

E no encore:


~ Homem do leme (Clássico intemporal dos Xutos, do segundo álbum “Cerco”)


- Não sou o único (Para fechar, apresentada como a "Canção do Zé Pedro", por ter sido ele que a escreveu, logo o mais rebelde de todos, e o que mais cedo desapareceu, muito vítima das suas dependências do álcool e outras substâncias psicotrópicas, com a isca já desfeita)_com um bem haja muito especial à D. Isabel Bucho, por me ter ajudado a corrigir o lapso da publicação inicial, de ter chamado Maria ao Pedro! 👍) 

 

Olhem, valeu!

 

Para o ano há mais? Fix!


Só um cheirinho...



a) nota de rodapé de última hora: neste blogue, como sempre, quero aqui contar a verdade, toda a verdade (porque sou um homem dela e da palavra), pelo menos a minha verdade. Assim, quero sempre relatar o que os meus olhos viram, mas não quero, de todo, dizer inverdades ou falsidades. Digo isto porque logo na manhã seguinte a esta publicação, foi informado por fontes oficiais, por vias informais e mensagens pessoais, de amizade, que o pedido de desculpas pelo atraso no início do concerto foi de fato formulado no palco, mas logo por azar aconteceu quando eu já, vergado pela demora e com receio pelo que pudesse vir, me desloquei à casa de banho do Centro Cultural de Marvão, para verter águas. Apresento pois assim o meu pedido de desculpas pela crítica infundada que formulei.

Eu estava certo do que tinha acontecido, mas a versão oficial estava mais certa, e por isso a trago à luz do dia. Azares desses acontecem muitas vezes, mas o importante é que os eventos, sobretudo o de qualidade, como este, se repitam muitas vezes.

Como os direitos de autor não me cortaram capturas que fiz do evento, vamos lá fazer mais umas tentativas de divulgação desse bonito evento, para ver se passam...
Para os meus leitores habituais,

 



domingo, 5 de setembro de 2021

Shangri La... - O meu horizonte longínquo... - (Pt IV)_As famílias e (Pt V)_Ser criança ali

A Beirã tinha duas grandes famílias em termos de poderio económico, que se distinguiam de todas as outras, pela projeção e pelo impacto que tinham: os Vivas e os Caritas, tendo ambos os homens fortes de cada uma delas, chegado a presidentes da câmara de Marvão (Manuel Berenguel Vivas, 1945-1954 / João Diniz Carita, 1964-1973), o que é bem revelador.



 A história dos Vivas, mais antiga, confunde-se com a criação da própria aldeia, e teve nela um papel fundamental. Nem sempre por aqui estavam, mas por aqui passavam com muita frequência, quando pernoitavam num casarão enorme de belíssimos azulejos, frente à estação, com um jardim privado de grandes dimensões, que se estendia até à igreja de Nossa Senhora do Carmo, templo que mandaram construir como privado, em homenagem a Carmen Berenguel Vivas, mas que depois abriram e ofertaram à terra, sendo a padroeira da freguesia. Pais de muito filhos, que por sua vez tiveram vasta descendência, os Vivas são sempre muitos e ainda hoje, quando regressam à terra, pelo menos para os de lá, esta parece ter outro ar.

Os Caritas tiveram o seu apogeu mais tarde, muito relacionado com o caudal económico associado ao ramal de Cáceres, e os despachos alfandegários das mercadorias. Recordo-me que tinham um escritório na estação, onde trabalhava o meu pai, com mais 6 ou 7 colegas; e uns casões situados mais à frente, a 200 metros dali, onde estavam outras tantas funcionárias no escritório, com mais alguns funcionários nos casões, para o trabalho mais braçal.

O pai trabalhando no escritório, como ajudante de despachante

 A freguesia tinha a alguns quilómetros dali, na herdade do Pereiro, outra família muito influente de Marvão, daquelas que já não vai havendo nos dias de hoje: uma extensão da família Sequeira, com o filho Artur, que se fixou na herdade do pereiro, e ali chegou a ter, lá está, segundo a minha memória, uma min-aldeia de trabalhadores daquelas terras, com escola primária inclusive! Ali labutava diariamente um exército de homens e mulheres que se dedicavam desde apanha da azeitona, e a todos os trabalhos no campo, que implicassem cuidados, manutenção e extração de produtos.

A família Sequeira tinha o seu centro económico nevrálgico, a 4 quilómetros dali, em Santo António das Areias, com um enorme edifício onde exploravam a sua produção industrial de amêndoas, calçado, e demais produtos que vendiam para todo o país. Hoje, está há alguns meses para venda.


 Ser criança ali (o antes e o depois)

É certo que já virámos o século, e já passaram quarenta anos, mas tudo aconteceu… ontem. As crianças que viviam na Beirã nesse então, estão tão a anos-luz das crianças de hoje em dia, que mais parece que foi noutro milénio. Tudo passou tão rápido, que quase que nem nos conseguimos dar conta das pequenas grandes revoluções que se forma instalando nas nossas vidas.

Do meu ponto de vista, a internet, os computadores, e os recursos tecnológicos associados como os smartphones, mudaram radicalmente o mundo. Recordo-me perfeitamente quando comprei o meu primeiro computador pessoal, ou melhor, que os meus pais me compraram o meu primeiro pc, na loja COAL e Portalegre. Tratava-se de uma CPU com uma torre gigantesca, e um monitor que mais parecia um aquário daqueles das grandes marisqueiras. Era uma máquina muito lenta, muito vagarosa, que desenvolvia muito pouco.

A internet chegou num pequeno pacote da Telepac, que se tinha de ligar à ficha telefónica e ficava ali tempo sem fim a emitir uns ruídos estranhos (BBBBZZZIIIIIIIIIIIIIIIINNNNNNN, BBBBZZZZRRRRRRRROOOOOOOOOOOONNNNNNNNN,BBBBBBBBBZZZZZZZZZZZZZZZZREEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNNNNNN, até se conseguir ligar a rede virtual mundial.

Nós hoje observamos uma criança de três ou quatro anos a mexer num smartphone, ou num tablet, e ficamos boquiabertos com a destreza com que os pequenos dedinhos interagem com o ecrã e os conteúdos. Por vezes, dou por mim a perguntar a mim mesmo se serão mais espertos que nós, mas acalmo-me dizendo que é capaz de não ser bem assim. O que se passa é que os recursos que têm são muito mais absorventes, e impulsionadores, do que eram os nossos. Depois, por acréscimo, ou em consequência, têm respostas como a que há dias me deu o filho de um amigo meu, que andará na casa dos 8/9 anos, e encontrei na piscina municipal, enquanto esperávamos cada um por sua coisa: eu pela hora de entrada e ele, que o viessem buscar. Entrei por baixo, de manso, de fininho, como que a experimentar. Fui tentando encontrar pontos comuns por onde desenhar uma conversa. Pronto descobri quem era, de onde era, e sabendo que era grande amigo de longa data da família, perguntei-lhe se me poderia dizer o que era para ele, o aspeto mais preocupante do nosso país.

Ele respondeu-me… “a corrupção!”

Atónito, pasmei: “A corrupção?!?!?” Comássim?!?!? Danou-se!” Eu com a sua idade, nem tampouco saberia o que isso era, quanto mais!

Fiquei assim para o… pensativo e sorridente.


Foto clássica da juventude da Beirã, na década de 70: o treinador João Sobreiro, sempre fumando, Paulo Varela com o remoinho caraterístico no cabelo, o craque Rui Felino, Paulo Jorge “Magafo”, Jorge Oliveira “Orelhas”; em baixo: o meu querido já falecido Paulo Marôco, Joaquim Carita, Vítor Felino, José Manuel “Pop” Dias, e, com clara cunha, Pedro Sobreiro.


Assim à partida, as crianças na Beirã tinham uma grande vantagem em relação às outras espalhadas pelo país fora, e não estou a falar agora na liberdade, na tranquilidade, ou noutra coisa óbvia qualquer; mas toda a gente sabe que nos anos 80, o grande divertimento presente em cada lar era… a televisão! Nós aqui, enquanto os que viviam longe da fronteira tinham de levar com a mira técnica, relacionada com os horários racionados de funcionamento, nós tínhamos a RTVE que nos salvava!

Pois fiquem sabendo que é pela televisão que tenho tão grande facilidade de falar e compreender castelhano, ao ponto de muitos me perguntarem, quando visitam o meu posto de trabalho na Autoridade Tributária, vulgo Finanças, se andei nalguma escola, e ficarem a rir-se quando digo que não, que aprendi em casa. A minha professora foi a “Alaska, dos Dinarama”, uma cyberpunk de cabelo cor de laranja, sempre vestida de couros e borrachas, que apresentava “La bola de Cristal”, um mítico programa matinal que preenchia os sábados até à hora de almoço, onde podíamos ver a “Família Monster”, os “Teleduendes”, e os vídeos roqueiros do “Loquillo y los Trogloditas”.

Nessa nossa televisão ibérica, aprendemos a sonhar com o “Verão Azul”, por exemplo, uma mítica série de televisão transmitida em 1981, com 19 episódios, dos quais creio que me lembro de memória de todos, sobretudo do inicial, do final, de quando a Beatriz passou a ser mulher, ou de quando o Chanquete faleceu. A música do genérico ainda me transmite um sentimento de felicidade e bem-estar que ecoa no meu passado.

Pela televisão víamos o “Aplauso”, uma revista de variedades como ainda não havia por cá em Portugal, e o “Informe Semanal”, um magazine de reportagens de grande calibre e profundidade, que me influenciaram muito a seguir na minha carreia académica de jornalista.

Por la tele también seguimos la copa del mundo de España ‘82, nesse famigerado jogo em que a minha seleção brasileira de sonho com o Zico, Éder, Sócrates, Falcão tombaram nos quartos de final com estrondo aos pés de uma Itália sanguinária que venceu por 3 a 2, comandada pelo maldito Paolo Rossi. O que eu chorei nessa tarde, deitado no meio do chão da casa da minha avó Joaquina, que teve de ligar para o escritório onde o meu pai trabalhava porque “tinha de vir que o garoto não estava bem!”

Pela televisão, sempre ela, que já entrou tarde porque me lembro de ir assistir à casa da minha tia, víamos o concurso “1,2,3”, depois trazido para Portugal pelo Carlos Cruz, mas que ali, apresentado pela fantástica apresentadora Mayra Gomez Kemp, e que era um regalo de bom gosto, comédia, e entretenimento de altíssima categoria.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

NÃO ME CALES, PÁ!!!!!!!!!!

 A.K.A. "A fugir da P. I. D. F.!!!! (ou a nova P. I D E.)"

(Polícia Internacional de Defesa do Facebook)





AAAAAAAAAAAAhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… Deixem-me respirar fundo!!!!!!!! Porra!!!!!! Porra que isto não se faz!!!!!

Ora quando se é um blogger há mais de 13 anos, se tem milhares de textos escritos na internet, ainda mais milhares de horas a criá-los, muitos seguidores e milhares de visualizações (só no blogue, sem contar o facebook já vão em 551.715, por estes dias), um gajo deveria ter um certo estatuto, não acham? Quando mais não seja, por ser artífice deste míster das palavras, penso eu de quê.

 

Mas não! Há mínima… o fdp do facebook (e eu insisto sempre em escrevê-lo com letra minúscula! BAIXA A BOOOOOLA!!!!!!!) bloqueia-me por tudo e por nada!!!



Desta vez foi uma semana!!!!! Uma semana inteirinha sem poder interagir, meter um gosto, sorrir, ou comentar! Desculpem, Amigos!!!!!! Isto foi tão deprimente ao ponto de eu nem sequer carregar no quadradinho do F azul, do telemóvel ou do pc, porque caso isso acontecesse, começaria a ver coisas que certamente me dariam vontade de opinar, e auto-estima ainda ficaria mais de rastos, ao me ver preso na gaiola!

 

Por isso e antes de mais, sai o meu enorme pedido de desculpas para todas as minhas amigas e amigos nesta rede, sobretudo aqueles dos quais sou mais próximo, e comigo tentaram interagir, mas isso não me foi possível de todo! Na verdade, até ontem, o bicho insistia que não poderia comentar até às 0 horas de hoje!!!!! Poooooorrrrraaaaaaaaaaa!!!!!

 

E que mal tão grande terei feito eu, para merecer tão pesada pena de ter de ficar 7 dias longe da xixa, sem lhe poder tocar, perguntam, e bem, vocês?

 


Pois diz o gajão este que publiquei fotos de nudez que feriram os padrões da comunidade, vejam bem vocês!!!!!! 

Toda a gente sabe que sou um bocad(ão) gozão, desbocado MESMO, que vivo intensamente e por vezes me estico! Mas a verdade é que sou educado e respeitador!!!!! Nunca iria por aqui meter-me a publicar fotos que me pudessem envergonhar à frente da minha mãe, da minha mulher ou das minhas filhas.

 

Publiquei sempre fotos (e vamos escamotear uma por uma), que foram todas elas aceites pela Sociedade Portuguesa de Autores, porque fizeram parte ou foram incluídas em obras certificadas por ela, e passíveis de serem vistas, tocadas e/ou adquiridas, em qualquer discoteca de província, em qualquer quiosque de uma cidadezinha do interior, e/ou vista num cinema mais próximo de si (agora não que creio que já saiu de cartaz!).

Ai mas ca granda injustiça, FDDDDDDDDDDDDDSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!!!!!

(Aqui o blogue é meu, e vou partilhar este texto nas tuas entranhas como se fosse um cavalo de Tróia que te há-de minar por dentro, porque se as tuas câmaras detetam formas, e algoritmos, não são inteligentes ao ponto de chegarem aqui. :P).

 


A última imagem publicada que deu a grande barraca foi porque publiquei num comentário!!!!, nem sequer foi numa publicação de raiz, uma foto da Bo Derek no filme “10 – Uma Mulher de sonho”, em que cavalga desnuda num corcel, numa imagem perfeitamente aceitável e nada explícita, em que não se consegue descortinar um mamilo, um pêlo púbico, um órgão sexual feminino explícito, obsceno, capaz de ferir suscetibilidades, ou ofender a moral. Por causa disto: cartão vermelho para o Sabi!

 

Então analisemos os meus pecados:




- A 19.10.2020, publiquei a capa de uma revista “Gina”, igualzinha às que forravam as paredes dos quiosques em Lisboa quando por lá estudava, e não provocavam acidentes de trânsito! Olhem-me bem a escandaleira, isto acontecer 30 anos depois!!!! É apenas uma senhora com os seios à vista. Vai à praia, meu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Antes de atirarem pedras e julgarem pelas fotos sempre escabrosas do interior, experimentem a folhear uma, e atentem à riqueza do português utilizado, de um vernáculo de altíssimo recorte, digno de ser elogiado! Isso sim tem valor!

 

- A 16.01.2021, saiu a foto da capa de um dos discos portugueses que mais ouvi e gostei: o lendário “És muita linda” dos Ena Pá 2000, do capitão Manuel João Vieira.

Procurem no Google as imagens da capa e contracapa, e analisem, pensando por vós próprios!

Ora o instantâneo que mostra uma atriz de harcore 1º Escalão, deixa antever que a piquena está a botar a boquinha na “botija…”  mas não se vê nada em concerto, e tem retângulos coloridos a esconderem as ofensas, para que a SPA a deixasse sair para o público.

Pois… eles safaram-se mas cá o Sabizinho… foi para o castigo!

 

- A 28.01.2021 os pidfescos do facebook deram com a contracapa do mesmo trabalho, publicado na mesma altura e… PIMBA!!!!!!! Lá vai o Sabi outra vez!!!!!

 

- Para culminar, no domingo passado, num comentário a uma publicação (que nem sequer foi para o centro das atenções), sai a tal foto da Bo Derek e… foi mau!!!

 

O que eu vos digo é que estes gajos, “os pcs que tudo controlam” são maus e… se nós lhe damos a saber tudo sobre as nossas vidas, lhes revelamos as nossas casas, dizemos tudo sobre nós”, se os deixamos que nos tirem o pio porque publicamos hoje uma foto que foi aceite pelas autoridades para ser publicada em 1979, 5 anos depois do 25 de Abril!!!!! Se atingem o cúmulo de em 2021, tirarem o pio a um tipo da net, por colocar uma foto nada escabrosa, de uma mulher a cavalo, retirada de um filme de 1979, quando ele tinha 6 anos apenas… Algo está podre no reino da Dinamarca!!!!!!! Daqui às armas… É UM PASSINHOOOOO!!!!!  

 

 

Mas… espera aí!!!! Sem net, como é que falamos uns com os outros?!? (desde casa… tão longe…?!?!?!)






domingo, 15 de agosto de 2021

Shangri La - O meu horizonte... Pt III - O pote (no fim do arco íris)

O embrião...


Já vai sendo um hábito ouvirem-me dizer que aprendi a viver num lugar idílico, que num Alentejo dedicado maioritariamente à agricultura e pecuária, nasceu com o progresso e que, caiu por terra a seus pés. O comboio, esse cavalo de ferro como lhe chamavam os nativos norte americanos, esteve na génese da minha aldeia, na criação da freguesia, com a ligação ao ramal de Cáceres, e teve a morte num dia preciso, a 31 de dezembro de 1992.


No amanhecer seguinte, o primeiro da (des)graça do ano do senhor de mil novecentos e noventa e três, ocorreu a abolição das fronteiras fiscais, dos controlos aduaneiros relativamente às trocas intracomunitárias em resultado da concretização do mercado económico europeu único, o que veio trazer profundas alterações ao nível do sector aduaneiro.


Esta supressão das barreiras físicas, fiscais e técnicas à circulação de bens intracomunitários, as quais representavam uma percentagem elevada do comércio português, resultou numa redução da atividade dos despachantes oficiais, com as inerentes consequências para as empresas e para os trabalhadores do seu serviço, que eu passei a ver de um dia para o outro, como almas errantes que deambulavam pelas ruas sem terem nada para fazer, sem um motivo concreto que os animasse a viver (quando não ganhas sentes-te vazio, um verbo de encher, um errante, um ser inútil), e muitos deles não duraram muito mais tempo. É certo que a forma de viver do meu pai influiu de forma determinante na forma como veio a falecer, com apenas 49, mais 3 que eu hoje, mas a derrota moral de se ver sem emprego, foi uma machadada que pesou muitíssimo, e nunca mais o deixou endireitar.


Nesse Alentejo amarelo, seco e atrasado, a Beirã destacava-se por ser essa aldeia dedicada aos serviços; onde as alfândegas, os despachantes, a guarda-fiscal, os caminhos-de-ferro, faziam girar toda uma atividade que se estendia às mercearias, aos cafés, aos alojamentos, à restauração, à panificação, e a toda a atividade da terra. Quando digo que nunca vi ninguém passar dificuldades, que nunca vi alguém passar fome durante a minha meninice, não brinco. Quem porventura tivesse uma profissão menos bem remunerada, teria certamente um pedaço de terra que cultivava, e meia dúzia de animais (galinhas, porcos, vacas) que garantiam, pelo menos, à subsistência da sua família. De tal forma assim era que na primeira visita que fiz a Lisboa com os meus pais, ainda me consigo recordar da angústia que senti, ao ver as pessoas sentadas de braço esticado e mão aberta, sentadas no passeio, clamando misericórdia, na esperança vã que os transeuntes que os ignoravam ao ponto de nem sequer os fitarem, lhe deixassem cair uma moeda. Recordo-me que queria ajudar tantos quantos pudesse, e pedia moedas à minha mãe, em sofrimento latente, até que me explicou a dureza das desigualdades do mundo dos crescidos, que me atormenta até hoje, por não conseguir compreender que hajam tantas desigualdades entre iguais. É certo que sou um apoiante incondicional da meritocracia, e compreendo que nem todos mereçam ter, porque nem todos se esforçam, e os párias desvirtuam a moralidade do sistema, mas há desigualdades atrozes que custam muito a digerir.


A conceção geográfica de uma terra, e de um concelho feita na cabeça de uma criança, é realmente muito particular. As fronteiras para mim eram: do lado esquerdo, a Espanha; em frente, Marvão, Portagem e Portalegre; do lado direito, Pereiro, Barragem da Póvoa, Nisa e Castelos Branco, e de trás, uns canchos que eu sei lá onde é que aquilo ia ter. Nunca cheguei a ir tão longe.


Tirando isto, o que saia assim fora de porta era o Algarve, para onde íamos uma vez por ano, dantes durante o mês de Setembro todinho, com as minhas queridas tias paternas a revezarem-se à quinzena (alguém tinha de ficar a tomar conta da loja), indo nós a buscar uma que vinha de comboio até à estação de Alcantarilha. Tudo isto antes de Armação de Pêra se ter tornado nos anos 80, a versão de Portalegre junto ao mar, em que pessoa sim, pessoa não, tínhamos de fazer cumprimentos na rua. A diferença era que eu me lembro de ir para lá desde que nasci, por o marido da minha tia Maria ser de lá natural.


 A caminho do Algarve, numa viagem longa, que demorava quase um dia…


O casario da Beirã dividia-se entre as que foram propositadamente construídas tendo em conta o propósito fundamental da terra (a estação, o edifício do clube/restaurante/alojamento onde hoje funciona o Train Spot, o edifício destinado às famílias dos alfandegários, os edifícios para acomodação dos ferroviários), os serviços (como a igreja e a escola), as casas mais ou menos comuns, com variável antiguidade destinadas aos outros trabalhadores, e as vivendas, de tamanho variável, proporcionais às posses dos proprietários. Durante o mandato do presidente da câmara António Moura Andrade, contruiu-se um enorme bairro de vivendas logo à entrada da aldeia, com valores de aquisição nada proibitivos e até aceitáveis, que foi prontamente vendido. A ele se deve também a construção da casa mortuária, já no final do seu mandato.

domingo, 8 de agosto de 2021

Shangri La - meu horizonte longínquo sobre carris - Parte II - A (minha) Raíz


Avô Leopoldo e avó Joaquina, sorrindo, à varanda, numa rara imagem assim, dos dois


Toda a minha família para aqui se deslocou chegada da zona de Segura, Castelo Branco, onde o meu avô paterno chegou a chefe da estação dos comboios, como culminar de uma carreira construída sempre por mérito.

Essa figura determinante e patriarcal que nunca tive o prazer de conhecer (faleceu em 71, com essa mesma idade, quando eu, apenas dois anos depois, haveria de chegar), foi, absolutamente central na história da família Sobreiro. Pelo que sei e me foi chegando, sempre pelo relato de familiares próximos que com ele privaram, o meu avô foi um verdadeiro trepador, um fura pasto que entrou nos caminhos-de-ferro portugueses por baixo para, graças ao seu empenho, e à sua capacidade de trabalho, ter escalado por aquela estrutura acima, até se ter reformado como inspetor, depois de ter sido responsável pelas estações da Beirã, e de Valência de Alcântara, onde chegou a residir com a sua família. Recordo-me bem, enquanto criança, de voltarmos religiosamente a Valência, todos os sábados de tarde, para ali ficar boquiaberto com a facilidade com que as minha tias falavam castelhano, conheciam toda a gente, e por todas eram cumprimentadas como se ainda ali vivessem.

    Tanto que eu lamento não conseguir andar para trás na minha árvore genealógica, mas duas gerações antes da minha, é o mais distante que consigo chegar. Concedo que possa nunca ter investigado tanto quanto podia, mas a verdade é que as tecnologias eram poucas naquele então, os recursos também, e as máquinas fotográficas, hoje banalizadas em qualquer telemóvel moderno, eram um caso muito raro.

    Os meus avós maternos sempre estiveram longe, em Idanha-a-Nova, terra de onde a minha mãe é natural. Não tendo viatura própria, e nunca tendo memória de me terem visitado aqui onde vivia, foram duas figuras que se foram formando no meu imaginário afetivo alimentadas apenas por duas ou três visitas anuais, pelas férias grandes, pelo Natal; e uma ou outra visita esporádica de fim-de-semana. O meu avô era alfaiate de grande categoria e minucia, tendo inclusivamente realizado muitos trabalhos para a conceituada marca Dielmar. Homem católico convicto, sempre muito atencioso e compenetrado, lia imenso. Apesar de ter sido um excelente aluno, nunca teve hipótese de prosseguir os estudos, por dificuldades económicas. Não consigo dizer quem foram os meus bisavós. A minha mãe certamente levará isto a mal, mas é verdade. Aliás, com os avós paternos, passa-se o mesmo.

Os “Cometas Negros”, de Castelo Branco, com o João todo de negro, lá atrás.


   E como é que que pegando em todas estas pontas soltas, os astros se conjugaram para que a minha génese fosse possível? Pois teve a ver com um baile de finalistas em Idanha-a-Nova, e a banda contratada para animar tal evento serem uns tais “Cometas Negros”, de Castelo Branco, que eram um sucesso na altura, porque interpretavam o rock que chegava rolando pelas rádios piratas das ilhas de sua majestade. Rádios “bravas”, não legais porque o chefe do governo de Portugal, um tal Professor Oliveira Salazar defendia que só o que era nacional é que era bom, e por isso o Fado, Fátima, e o Futebol, maioritariamente do Benfica, claro está, interessavam. Tendo ficado classificados em segundo lugar num concurso de “ié-ié”, realizado no Monumental de Lisboa, vencido pelos “Sheiks” do Paulo de Carvalho, os Cometas não eram assim um asteróidezeco qualquer, e batiam forte. A sua fonte eram os Beatles, os Shadows e outros que tais. Entre outros grandes músicos, lá atrás, na tarola de uma Ludwig igualzinha à do Ringo Starr, estava um rapazola cheio de monetes, com uns tiques que o transfiguravam em grande caretas, que eu não sei precisar (porque nessa altura, não estava lá), se já os tinha de nascença, ou foi ganhando pela vida fora.

Ora o bom do João Sobreiro tinha na sua folha de finalista do liceu, uma caricatura que deixava antever, com a ajuda das rimas que a legendam, a figura de que estamos a falar: música, mulheres, copos, e muita confusão por tantas vezes se meter em saraus que acabavam ao murro. Criado numa família muito matriarcal, rodeado por três irmãs mais velhas, uma delas quase com idade para ser sua mãe, a Maria; cedo mostrou que não teria aptidão para seguir as pisadas do pai, e de saber receber as muitas cunhas que certamente teria, mas que preferia… algo diferente, não tão… absorvente, digo eu.

Deixou de tocar nos Cometas Negros quando estavam a atuar no casino de Monte Gordo, e apesar de bem pagos, sobrava sempre pouco para o dia seguinte. Estando a família a passar férias em Armação de Pêra, o meu avô apanhou o autocarro, deslocou-se ali, e procurou por lá informar-se se lhe poderiam dizer onde estava a banda. Segundo me contou o meu próprio pai, quando se aproximou deles, perguntou pelo seu João, e não o conseguiu reconhecer, tais eram os penteados.

“Paizinho, estou aqui…”, foram as palavras que lhe conseguiu dirigir, temerário.

Com calma e sensatez, o Sr. Leopoldo chamou-o à parte, e colocando-lhe a consciência no sítio onde deveria estar, recordou-lhe que dentro de dias teria de se ausentar para outro continente, para lutar por essa terra contra os naturais dela. Ao saber que teria de arriscar a sua própria vida; que a mãe, as irmãs, e restante família estavam todos a passar um período de férias de Verão a escassos quilómetros dali, em Armação de Pêra, convidou-o a dar-lhes o prazer de voltarem a estar juntos, apesar de pairar sobre o reencontro, a angústia da dúvida de o poderem não votar a ver mais.

Gozaram assim de um reencontro saboroso que antecedeu um período duríssimo, que haveria de moldar o meu pai para sempre, em que deve ter vivido experiências absolutamente marcantes de companheirismo, beleza natural, medo, farra, festa e dor. Tantas noites, depois de tantos anos, continuava a acordar de noite, sobressaltado, a chorar, a suar, em sofrimento… Porque o estigma do stress pós traumático é uma realidade, embora invisível, quase sempre constante em quem arriscou a vida lá fora, muitas vezes por uma causa que nem sequer percebia, quanto mais querer que concordasse com ela.

Depois do regressado são e salvo, o João e a Alzira casaram-se em Fátima, a 19 de Dezembro 1971, e assentaram arrais na Beirã, nesta pequena aldeia movida por serviços, onde a 8 de Junho de 1973 receberam nos braços este seu filho, experiência de vida que iriam repetir 7 anos depois, em 25 de Janeiro, com a chegada do Miguel.


Casamento de João Sobreiro e Alzira Ereio,
a 19 de Dezembro de 1971, em Fátima


    
Sendo filho da revolução que estaria para acontecer no ano seguinte, não tenho memória alguma do que foi estar sob o Estado Novo, e do que foi viver sem liberdade. O que sim sei foi que o meu tio Lázaro trabalhava para a P.I.D.E., sobretudo na área do controle de passageiros e mercadorias da fronteira, mas que não era considerado como se fosse mais um dos maus, porque se limitava a bem exercer as suas funções, a ser profissional, e a defender o nosso país de ameaças externas. Mais assustado ficou o meu pai que na ânsia de conseguir destruir todos os vestígios de tempos sombrios que o cunhado teria em seu poder (livros e outro material), os queimou num grande lumaracho no quintal, para que não pudessem ser descobertos pelos revolucionários, sob pena disso poder ter consequências nefastas para a toda a família.

Por isso, não me lembro que me tenham mandado calar sem que me tivessem dado uma explicação, como não me lembro de não poder dizer, desde que houvesse educação, claro, aquilo que me ia cá dentro. 


Na Beirã, juntos por um evento qualquer, comigo menos bem disposto que a mãe.
Sou fã de tudo! (da camisa à Bee Gees do pai, das patilhas, dos óculos e do bigode; bem como da camisola e dos óculos da mãe!)

domingo, 25 de julho de 2021

(sobre Voltar...) O meu horizonte longínquo sobre carris (Parte 1)


Porra… 2 meses?!?!?!? 2 meses sem escrever e dar notícias aqui... é muito, muito, muuuuuuuuuuuito tempo. Nunca tinha estado tanto tempo fora...

(embora me tenha tranquilizado tê-lo deixado com uma homenagem a um Amigo, que provavelmente nunca ninguém lhe fez na vida, com mais de 1.300 visualizações. Se cada uma tivesse originado um pesar pela perda... )

 

Sempre disse que escrever, que tatuar numa folha em branco, mesmo que seja digital e virtual, os pensamentos que me vagueiam pelos pirolitos, é indispensável para que me possa sentir bem, a carburar, a respirar, e… pelo menos é esse dinheiro que não gasto nos psicólogos, o que é sempre bom porque:

1)    Faz sempre falta para outras merdas bem mais necessárias,

2)    Tenho mais que fazer e, aos anos que me conheço, já me vou conseguindo domesticar.

 

Mas sabem que se há alturas mais propícias para a escrita, o Verão (é mesmo com maiúscula! Como eu aprendi na escola! Que se amole o acordo ortográfico e essa trampa de se aprender a escrever com a quem ensinámos a língua!) não será seguramente uma delas, sobretudo para quem gosta de não se deitar de madrugada, para quem prefere, em vez de estar a noite inteira a escrever, de passar o dia na água, a recriar-se em ambientes aquáticos, como eu.

 

Depois, a vida também nem sempre se propicia a isso, sabem. Confesso aos leitores que estive envolvido num processo de tentativa de progressão na carreira, ainda sem fim à vista, mas que me ocupou mentalmente durante 2 anos!!!!!! 2 anos, repito!, desde Junho de 2019, até Julho de 2021, e foi de uma exigência, uma pressão (porque havia sempre trabalhos a fazer e a entregar com data limite) de 7 dias por semana, a todas horas todas em que estava acordado! Tinha um tempinho morto e… em vez de um simples jornal, uma revista, uma série, um filme… obrigava-me mentalmente a ir estudar. Sei que sou o meu mais duro crítico! Verdade!

Eu creio… não! Eu estou certo que em toda a minha vida académica de 17 anos de volta dos calhamaços, nunca tive de me submeter a uma prova de tal espessura, envergadura e dureza!

Só para dar um relance, na prova final, composta por 15 questões de escolha múltipla (de difícil interpretação, duras, extensas, cuja busca da resposta certa obrigava ao mergulho em mais que um código, com difícil opção porque por vezes, se diferenciava apenas por uma ligeireza semântica), um caso prático (que teve de ser sempre articulado com o código, cuja resolução, apesar de saber trabalhar com as fórmulas que sempre nos acompanham, tem um cálculo que é realizado, no dia-a-dia, mais pelo computador) e uma pergunta de desenvolvimento (toda baseada na lei e… manuscrita, por alguém que tem uma caligrafia que há 20 anos é… datilografada!!!… no pc e quando vai ao sabor da pena, sobe às maiúsculas, para os outros poderem compreender)… não foi mesmo nada fácil! Depois de 3 horas de luta intensa com o “bicho”, tive de me render e ceder ao colega vigilante que me disse, com complacência, quando o gongo tocou: ó colega…. já não dá mais.  Depois de 3 horas!!! 3 horas!!! E eu…a caminhar para os 50! e há pouco mais de 10 atrás… estava em coma induzido com um traumatismo craniano de grau 6 na escala de Glasgow (de 3 a 15, quando quem tem 3, em 10, safam-se 2!) Isto não é desculpa para nada!!!! Atente-se bem!!! Mas é só para desabafar e dizer que... não foi fácil!

 

Avancemos! Isto é mesmo muito da minha vida: envolvo-me naquilo que gosto mesmo (escrever), lançam um livro de memórias da minha freguesia (Beirã) e daquela onde resido há 20 anos (S. A. Areias), tenho a honra de me convidarem para participar (bem haja, Prof. Dr. Jorge de Oliveira), bem como para o seu lançamento, e eu… pelos motivos abordados nos últimos parágrafos, estou deslocado em Lisboa.

 

Seja como for, foi um prazer imenso. Como autor, tive direito a diversas separatas mas, vou passar a transcrever aqui, no meu blogue, nestes tempos mais próximos, os diversos capítulos da minha vida, devidamente ilustrados com fotos do arquivo particular.

 

Por último, mas não em último lugar, sai o meu pedido de desculpas e o meu total apreço, para os meus leitores que nunca deixaram de passar por aqui, para tentarem saber mais alguma coisa! Bem hajam! Um escritor, mesmo que seja de algibeira como eu, que não é lido, que não tem audiência, ele sabe que deixa registado, mas não é escritor. Para que a comunicação passe, para além do emissor, do objeto e do meio… tem de haver quem receba, ou então não acontece!

 

Os 14 anos deste blogue têm assistido a diversas mudanças na nossa sociedade, transversais, a todos os níveis, mas no cibernético, o facebook (no meu caso), bem como outras redes sociais e o relacionamento que delas advém, têm roubado muito espaço a este meu cantinho, pela facilidade de projeção através do smartphones, e pelo comodismo, confesso.

 

Se é verdade que grande parte da minha exposição pública é ali feita, gosto sempre que quando o assunto é de maior importância para mim, ou um com alguma regularidade (semanal, quinzenal) subam ao blogue.

 

O que eu prometo a quem faz o favor de ouvir este maluco a “falar”, é que vou passar a passar mais por aqui.

 

Desfrutem!

 

Beirã…

o meu horizonte longínquo (sobre carris)

Depois de Lost Horizon, de James Hilton (1933)  

Lugar paradisíaco situado algures, sede de panoramas maravilhosos, onde o tempo parece que parou, num ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre pessoas das diferentes classes


1.       (O) Mergulho



Desafiado a fazer aquilo que mais gosto na vida, sobre um dos temas que me é mais querido, vacilo. Hesito. Arranjo desculpas para ir deixando passar. Conheço-me ao ponto de saber que me vai doer.

Escrever sobre a Beirã, sobre a minha infância, sobre aquela aldeia ninho que me recebeu quando cheguei a este mundo, é reabrir a arca das memórias mais sagradas e preciosas de que sou feito. Ao mergulhar neste túnel do tempo que me há-de levar a esse lugar mítico, que se tem de cingir a uma viagem limitada pelas 20 páginas tabeladas pelo meu editor, sei que reencontrarei memórias, pessoas, lugares e espaços cujo relato não pode ter outra interpretação senão a minha. A história é sempre contada pelos vencedores, e neste caso, os olhos com que revisitarei todos estes arquétipos serão sempre os meus, os do Pedro, uma criança que vive no corpo de um homem de 46 anos, mas que nunca deixou de se sentir igual àquela que corria as ruas empedradas atrás dos seus amigos, em brincadeiras e jogos inventados por nós. É essa que vejo quando me olho ao espelho todas as manhãs, é essa que ainda estremece de cada vez que uma das suas filhas me trata por pai, e percebo que é de mim que falam.

Dito isto, tenho obviamente de começar por pedir desculpa, se porventura magoo alguém que ainda cá esteja a respirar no nosso mundo, ou acabo por ferir a memória de quem já tenha partido na viagem que se segue para todos, mas o facto de dizer a verdade à luz da minha consciência, do conjunto de valores que me foram sendo passados pelos meus pais, e que tenho aprendido ao longo da vida; descansa-me, serena-me, deixa-me ficar em paz. Por isso, o que digo daqui para diante, pode não ser bem a verdade para todos, nem para alguns, mas é a minha,

Tudo isto, e o facto de considerar, sem qualquer tipo de imodéstia, que sou uma pessoa naturalmente boa, que apenas busca o bem, o seu e o dos outros, fazem com que me tranquilize ainda mais. Sei que há gente que possa não ter esta visão de mim, mas, como costumo sempre dizer, Cristo, que foi Cristo, com toda a sua história, e até com a cunha do criador… com 33 anos, já estava cravado no barrote, por isso… quem não gostar….


(cont.)

terça-feira, 25 de maio de 2021

Bye, Robert... (see you, pal!) - a triste história do meu amigo António Joaquim Barradas

 
Assim te guardarei sempre...

Há textos que vêm ter connosco, e por mais que pensemos que não os queremos fazer, ou que nunca tenhamos equacionado que poderiam vir a acontecer… a verdade é que saem... acho porque têm mesmo de ganhar forma.

 

Lembro-me do Francês desde sempre. Um bom par de anos mais velho que eu, a sua cara sempre foi por mim associada a Castelo de Vide, que era a terra onde vivia, e para onde regressou depois de ter estado emigrado em França, com os pais. Associo-o muito àquela fase em que a vila viveu um boom de drogas duras, e foi muito martirizada pelo consumo desenfreado de estupefacientes, que levou duas ou três figuras que ficaram míticas pela tragédia, como o Reinaldo, o Boto e mais tarde, o João Saleiro, pouco mais velho que eu.

 

Rezam as lendas que regressou na frente dos velhos, com uma massas, fruto do trabalho destes, mas que muitas delas arderam na voragem do consumo, que o levou.

 

Perdi-lhe o rasto durante décadas e há um par de anos caiu por aqui, quando passou a viver numa casa dos pais ali para o Bolgão, à saída de Santo António, quando se vai para a Portagem. Começou a frequentar a minha boutique de eleição, o meu “Cheers, aquele bar”, a famosa pastelaria Caldeira, sede das babosas, e começámos a interagir os dois.

 

Destacava-se da vulgaridade porque se via que era um indivíduo vivido, rodado, com vistas largas. Na verdade, o francês sabia fazer um pouco de tudo, porque ele já tinha feito de tudo na vida: já tinha servido à mesa nos tempos áureos do Inatel da vila e no Daniel, já tinha sido caixeiro-viajante da Yoplait, onde tinha feito grandes brilharetes e vendas que me ia contando nas nossas muitas conversas de fim de tarde, no bar do Choca, quando ambos largávamos os serviços, e passávamos um bocadinho em tertúlia, antes de ir para casa. Gabava-se muitas vezes de quando tinha vendido livros aos professores, e de como tinha adorado essa fase: desde a forma como dispunha os manuais, a análise que ia fazendo das movimentações destes perante o espólio, como escolhia a altura certa para dar a “bicada” e a mim, divertia-me imenso, o poder aprender com aquelas vivências. Tantas tardes em que antes de nos encontrarmos, passava no Pingo Doce e comprava meio quilinho delas (gambas cozidas, maravilhosas, a 5 paus e pouco) que comíamos com grande deleite. Eu queria pagar-lhas, e muitas vezes lhe dava dinheiro de adianto porque ele nunca olhava a isso.

 

Eu gostava muito dele porque se via que era um gajo rodado, vivido e dava vontade de estar ao pé do Robert de Niro, com quem muita gente a achava parecido, E era, de facto. O fascínio passou para admiração quando me contou como se tinha deixado envolver pelas drogas duras, e se tinha conseguido livrar delas… sozinho!!! recorrendo unicamente a comprimidos… para o aborto!!! cujo consumo o levou a estar noites noites acordado, sem conseguir dormir. O Tonhe Jakim, le franciú, como eu o tratava e ainda tenho, e terei sempre, o seu número de telemóvel gravado, era gajo teso!

 

Contou-me montes de histórias loucas de consumo em Espanha, do que tinha feito, como, e como sempre se tinha serpenteado por entre as guardas daqui para não ser apanhado. As suas histórias da droga acabavam sempre da mesma forma: a lamentar-se de todo o mal que fez à sua mulher, uma jovem que nunca conheci, mas sempre descreveu como alguém superior, que tudo suportou até… não ter dado mais. Professora de música, perdeu para as drogas e também o amor que tinha a quem com quem queria ter contruído uma vida a dois.

 

"Mas tu mais alguma vez tentaste saber dela? Falar com ela? Pedir-lhe desculpa?!?!? Eu sei que ela agora já está novamente casada, e refez a vida, mas se te conseguisses reconciliar com o passado, isso faria toda a diferença, porque te tranquilizaria, certamente.”

Nunca consegui. Era o medo a falar mais alto.

 

O António era um gajo do caraças a trabalhar, hã? Grande artista com motosserras, e outros aparelhos de corte, foi conseguindo ter sempre mercado de trabalho, o que lhe garantia uma boa almofada económica. Na verdade, ele sabia tomar conta de um jardim (e era isso que fazia ao Dr. João Pires, que o tratava como família, e a quem ele adorava), fazer de pedreiro, ele sabia fazer um pouco de tudo, e fosse na lenha, na apanha da azeitona, ou noutra cena qualquer que desse guito, ele não tinha medo e estava lá! Para culminar, há tempos, a câmara abriu concurso para conseguir pessoal para as juntas, ele pediu-me ajuda e lá conseguimos fazer um currículo que enaltecesse todas as suas qualidades, e acabou por ficar, para grande alegria, não só dele, mas minha também.

 

Nessa altura, dizia-lhe eu em piada, “só te falta… uma Mulher que te oriente”, porque todos precisamos de uma!, e até lhe ia dando uma ou outra pista de companheiras interessantes, analisadas as questões desse prisma.

Que não! Que estava muito bem como estava, com as duas cadelinhas, a Violeta, que ele amava de paixão, e com a qual conduzia na sua Vespa, com ela montada no banco, numa imagem de grande estilo!; e a mais nova, seria (Panda?), que tratava como ninguém, e a quem nada faltava.

 

Sempre risonho e bem disposto, era um gajo que tinha apresentação e andava sempre barbeado e arranjado, com roupa que dantes era sempre de marca, como ele dizia, até que… se deixou enrolar pelo álcool. 

O álcool, a ele, como a todos nós, quando em excesso, só nos apequena, diminui, faz regredir, ser menor. O António, deixou-se levar, levar, foi caindo numa espiral de destruição, e mergulhou de cabeça no olho do furacão da desgraça. Foi-se desleixando ao ponto de ter perdido o norte. As conversas deixaram de ser interessantes e começaram a ser repetitivas, entediantes, a barba foi ficando por fazer, a roupa seria muitas vezes aquela com que dormia, e o asseio foi-se perdendo. As pessoas foram-se afastando mais dele, e eu, para o castigar, e lhe mostrar que no meu entender, aquele caminho também não era o certo, também deixei de lhe abrir o flanco. Muito me doeu, mas tinha de ser, para um bem maior.

 

Quando estávamos mais juntos, no passado, e havia uma comunicação de amizade sincera, que era mútua e profunda, e ele sempre me agradeceu muito o apoio que lhe dei para conseguir o seu emprego, chegámos a almoçar semanalmente n’“O Castelo”, do meu primo Jorge, com pagantes de “uma vez tu, outra eu”. Num dia destes, quando já estava em órbita (bagaço ao pequeno almoço não augura um bom dia, a ninguém), ligou-me para me convidar para ir beber café com ele, e eu, que tinha almoçado no serviço, agradeci mas recusei porque já tinha tomado, mas aproveitei a ocasião para lhe fazer um último pedido para que atinasse.

“Por favor, António! Eu recordo-me quando foi do confinamento, e dos bares estarem fechados, de tu me teres confiado que te sentias fantástico por não beberes! Eu recordo-me da tua cara de alegria por esses dias, da tua sensação, do teu alívio, até pelo que poupavas por não beberes. ÓPÁ, EU PEÇO-TE POR FAVOR: NÃO BEBAS!!! NÃO BEBAS!!! Vamos ver de um tratamento qualquer, vamos aos alcoólicos anónimos, vamos à merda, mas a um lado qualquer que te possam ajudar!!! Beber é um prazer da vida quando há regra, porque o álcool é uma víbora!”

 

A partir daí, o álcool que ia tendo sempre dentro dele, e o seu feitio muito pessoal e particular, que tinha a ver com o passado elitista dos dinheiros de França, dos consumos exagerados, de alguma fobia da perseguição; encostaram-me à boxe e eu passei de “Pedro Amigo”, para “Pedro Pressão”, e deixei de contar.

 

Quando decidi triocar o meu Caguincha, e me ofereceram um valor ridículo e uma pechincha por ele, o Francês que se mostrou sempre interessado no bólide, chegou-se à frente. Eu disse-lhe: “meu amigo, é assim: o que eu peço são os 100€ que a destruição me dá por ele, mais 200€ que investi para passar na Inspeção.” Ele, muito aprumadinho, no dia a seguir foi ter comigo à Conservatória, bateu a nota e ficou selado! Isto era como ele era! Sem espinhas!

 

Há dias, dizia-me ele que cansado, extremamente cansado (o que seria certamente natural porque dormia pouco, e trabalhava muito), mas se calhar já pouco sóbrio, foi contra um muro perto da sua casa e deixou-o ali com a frontaria toda escavacada, onde está ainda hoje, o que tem causado grande celeuma às pessoas que me conheciam no carro, e comentam; mas o Sabi espetou-se?!?!?!

 

O António não teve por aqui muitos amigos. Teve dois ou três bons amigos, que se preocuparam com ele e o queriam bem, mas sempre teve muitos anticorpos, muita gente que nunca o quis ver, porque ele também não era o mais fácil e dócil. Tinha a sua cena…

 

Há uns 5 dias, uma amiga mútua, a Teresa, companheira do saudoso Peter, que nos deixou também derreado ao álcool, ligou-me e estivemos durante muito tempo ao telefone a falar sobre o António. Perguntava ela, porque sabia do amigos que éramos, em conforme achava o estado dele. Eu contei-lhe tudo, agradeci-lhe imenso a chamada, e ofereci-me para ajudar no que fosse necessário, embora achasse que nessa conversa, talvez fosse preferível ir ela e a Tânia, outra amiga de sempre, para ambas, que ele muito considerava, tentarem usar o seu charme feminino e dar-lhe a volta.

Nessa tarde, fui ao Chocolate desenjoar o estudo tributário que estava a fazer, e soube que alguém tinha dado com o António mal em casa, em coma alcoólico, tinham chamado o INEM, e o tinham levado para o Hospital.

 

“OH! Porra! Tenho de lhe ligar, pensei! Amanhã vou ligar-lhe!”

 

Vim para casa, voltei aos estudos, e mais tarde nessa mesma manhã, a Teresa com quem tinha estado a falar no dia antes para se tentar encontrar uma solução, mandou-me uma mensagem pelo Whatsapp, que eu nem quero voltar a olhar para ela, mas falava qualquer coisa em lamentar por já irmos tarde.

 

MAS TARDE COMO, POR DEUS?!?!?!?!?

 

Infelizmente certo que estas notícias tão tristes, quando saem… têm sempre razão de ser, fiz dois ou três telefonemas e… sempre era verdade: o Francês fugiu do hospital, correu para uma árvore que sabia que seria suficientemente forte, e pendurou de vez todos os seus problemas.

 

A dor que me atravessa o coração é lancinante, dura, fria, e jamais desaparecerá. Eu quando sou Amigo, sou Amigo mesmo, não é apenas para aparecer a sorrir ao lado no facebook. Eu gosto de olhar para mim como sendo um daqueles amigos que deixam tudo para ir atrás do que precisam, mesmo que não precise de nada que nós possamos fazer, como aqueles que eu sei, foram atrás de mim para Lisboa, naquela madrugada de 30 de Julho de 2011, em que tive o acidente e ia morrendo.

 

Recebi esta notícia tão dura na quinta-feira, em véspera de ir para Lisboa para fazer um exame da Autoridade Tributária a que pertenço, e fiquei esbanzalhado, atónito, derrotado, sem chão! Nunca esperei! Nunca me passou sequer pela cabeça, que o desespero o pudesse levar a tal, sobretudo depois de saber do inferno de que ele já se tinha visto livre antes.

 

Completamente em baixo... jamais o esquecerei. O meu amigo.

 

O António era extremamente profissional e como tinha nível, atraia pessoas com categoria como a do Dr. João Pires, que o aperfilhou como capataz da sua finca; a Teresa do Peter; a Tania Martins do Trainspot que ele sempre elogiava porque dizia que trabalhava mais e melhor que dois homens, ou o Eng. Ricardo Sá, que comprou a sua casa na Água da Cuba, e de quem passei a ser amigo, também. Pessoas normais, mas absolutamente genuínas e boas, francamente boas.

 

Hoje, alguns juntámo-nos à conversa no final do funeral, ao qual eu já não esperava ter podido ir (porque me ausentei e soube de forma que me deixa a pensar, minutos antes de se ter iniciado), e todos concordámos que foi uma profunda depressão, potenciada com o inflamável combustível do álcool, que levou a este triste fim.

A minha dor, enquanto Amigo que falhou, não terá fim, e durará sempre tanto quanto eu. Não fui suficiente, não fui capaz, falhei!

 

Se eu ao menos lhe pudesse ter dito… que ao fechar o livro da sua vida desta forma abrupta… rasgando-lhe assim as últimas páginas que poderiam ser douradas, rendeu-se, foi fraco em toda a bravura que se necessita para se cometer um ato destes, e entregou-se… ao lado de quem o deveria ter ajudado e nunca lhe deu a mão… que poderia ter feito toda a diferença.

 

Ele… que me confessou tantas vezes, a revolta que sentiu por ter visto que a mãe não teria um funeral católico, se soubesse que as suas exéquias foram expressas com português do Brasil…

 

Mas na quarta-feira, meu irmão, a missa do nosso Amigo Padre Marcelino, com quem estivemos tantas vezes em tertúlia no final da eucaristia, vai pela tua intenção, te garanto.

 

Jamais esta data será esquecida no meu calendário.

 

Até sempre, Robert! See you, pal!