domingo, 8 de fevereiro de 2026

Escolher o Tó Zé...



Na vida, mais vale cair em graça que ser engraçado! Esta máxima do nosso povo, tão sábia e sempre tão atual, assenta como uma luva no pensamento que hoiiiiiiiije (como diz o nosso PM), quero partilhar convosco:
quem eu queria hoje mesmo-mesmo, mesmo-mesmo ser... era o nosso Tó Zé Seguro!!!

Senão vejamos, este artista, que comecei a conhecer como líder da Juventude Socialista (1990-94), há mais de 30 anos!, no mesmo período que Passos Coelho também o era, só que obviamente, no outro lado da barricada; nunca foi brilhante, nem um fora-de-série, com extraordinários dotes de oratória e/ou inteligência; ou o protagonista de algum fato político brilhante que fosse.


Pois agora, arrisca-se, porque as forças de oposição e da circunstância, lhe criaram um cenário tao favorável que melhor era impossível, a que lhe caia no regaço o mais alto cargo que um político a nível nacional pode almejar correndo por si só: o de ser o próximo PRESIDENTE DA REPÚBLICA!!


O Tó sempre foi... assim, tadinho... menosprezado entre os seus pares como sendo uma figura de coro, tendo até o Godfather Xuxalista, o Bochechas, o tal que berrava aos motociclistas da PSP quando lhe atrasavam a marcha, ao lhe fazerem escolta: "ó Sr. Guarda, DESAPAREÇA-ME DA FRENTE!"; dito acerca do Tó Zé que... não era assim um cavalo tão valioso neste xadrez da política nacional.


Pois bem, na corrida inicial a esta presidência 2026, posicionaram-se 11 candidatos que incluíam políticos de carreira 👔, cómicos 🤡, militares promovidos pelo COVID-19 🚢, e outros só para marcar presença, uns porque o partido os empurrou, outros porque foi o seu sexo a fazê-lo. Destes, os portugueses zangados escolheram um cão de fila 🐕‍🦺 com dotes de oratória, que segue a linha discursiva que forças invisíveis (enunciadas na minha publicação anterior) lhe metem à frente e obrigam seguir... e o Tó Zé.

Como sou de crer que em Portugal ainda somos mais os que amamos a DEMOCRACIA (demokratia, de demos (povo) e kratos (poder)); isto tem sido um chorrilho de "Valha-me Deus!!! ó Tó Zé... 😍"  incluindo personalidades que toda a vida se colocaram do lado oposto da esfera política, a grandes nomes da cultura que assinam abaixo-assinados de apoio... enfim!


E também tem sido um "vê se te avias"  de maltucha a dizer que "esse cachopo de barbinha de 3 dias que anda de camisinha branca a fazer a saudacão nazi no Marquês de Pombal em plena luz do dia... por mim, NÃO passa!!!", e por isso, está-se bem de ver, a gente agora está no Tó Zé. (que outra coisa boa nos resta?), porque só nele é de se acreditar!



Está -se tudo a compôr para este seja o fim à vista.
É aquela velha história da aldeia com 10 belos rapazes, todos pretendentes da única  rapariga formosa, que com ela queriam casar. Depois, entre os que emigram, o que falecem por infortúnio, os que mudam de cidade, e os que casam prematuramente por obrigação, fica um, apenas.
Eis o Tó Zé!

A menos que... haja uma hecatombe, valha--nos Deus, que nos livre disso! E isso passa obviamente por a revolta, o medo, a raiva ao passado não muito distante Xuxalista, que ainda está bem patente nos cidadãos; e os fez, por exemplo, fechar os olhos ao escândalo Spinumviva, dando uma nova vitória ao PSD... se possa voltar a vingar votando no candidato mais à direita, e aí... 🫣 não quero nem pensar!


Acho que pego na trouxa, nas minhas pequenas, e EMIGRO!!!


É que me parece que os cidadãos que assim fazem, podem não estar bem a ver o problema: este menino quer mexer com a nossa Constituição!!! O nosso documento mais sagrado, politicamente falando! Quer meter as patas sujas de dinheiros podres que o financiam, dados pelas mais altas famílias económicas, ganhos nos esquemas mais manhosos (voltar a ler o brilhante texto que li, do José Pendão, que coloquei abaixo), para nos retirar as liberdades e garantias de sermos um Estado de Direito, e Democrático!!!, a cavalo no ódio dos que justamente para aqui vieram livremente ganhar a vida, como nós fizemos em França durante o Estado Novo do Salazar, para onde tiveram de fugir à miséria!.


Depois digam que não avisei...


É que Salgueiros Maias, e militares com aquele arcabouço... já não há, nem haverá mais!



O que é então, o Chega?



Há uma ironia deliciosa, daquelas que fariam rir se não fizessem chorar, na narrativa Venturiana do "povo contra as elites". 

André Ventura discursa contra o "sistema de interesses instalados" num hotel de luxo em Cascais onde o quarto mais barato custa mais que o salário mínimo de meio mês. Proclama-se voz dos abandonados e esquecidos enquanto janta em Monsanto com barões, condes e marqueses que financiam a sua cruzada populista com transferências de cinco dígitos. Promete "limpar Portugal" da corrupção enquanto esconde da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) os nomes de quem realmente paga as contas do CHEGA.

É teatro. Obviamente. Mas é teatro tão bem encenado, com cenografia tão convincente, que milhares acreditam. Acreditam que o homem financiado pela família Champalimaud — donos dos CTT, de hotéis de luxo, de participações no que resta do império BES — é verdadeiramente o paladino do povo. Que o político apoiado por comerciantes de armas, especuladores imobiliários e aristocratas ligados a redes bombistas do pós-25 de Abril é genuinamente anti-sistema. É preciso uma suspensão de descrença digna de ópera Wagneriana.

Mas talvez o mais fascinante não seja a hipocrisia — essa é banal, universal, transversal ao espectro político. O fascinante é a elegância com que o esquema funciona. A precisão cirúrgica com que as políticas do Chega servem exactamente os interesses de quem o financia, enquanto a narrativa pública fala de outra coisa completamente diferente. É engenharia social de alto nível. Merece, no mínimo, análise.

Comecemos pelos factos. Não as teorias da conspiração, não as especulações — os factos duros, documentados, publicados por jornalistas que fizeram o trabalho aborrecido de ler extractos bancários e cruzar transferências. 

A família Champalimaud, nas suas várias ramificações aristocráticas e empresariais, transferiu dezenas de milhares de euros para o Chega entre 2021 e 2022. 

Manuel Carlos de Melo Champalimaud, maior accionista dos CTT na altura, dez mil euros. Miguel de Mendia Montez Champalimaud, dono do The Oitavos (esse hotel de luxo onde Ventura faz comícios anti-elite), valores não especificados mas documentados. Miguel Vilardebó Sommer Champalimaud, dez mil. Mafalda Mendia Champalimaud, dez mil, repetidos. Eduardo Guedes Queiroz Mendia, ex-administrador da Espart (o braço imobiliário do Grupo Espírito Santo, aquele que implodiu levando as poupanças de milhares), também contribuiu generosamente.

Não são os únicos. João Maria Ribeiro Bravo, empresário que vende armas e helicópteros ao Estado português e que recentemente foi alvo de buscas da PJ na operação "Torre de Controlo" sobre alegado cartel de helicópteros, não só deu cinco mil euros como organizou almoços de angariação para o Chega. Miguel Costa Félix, do sector imobiliário e turismo, 2500 euros. Isto é apenas aquilo que fácilmente se consegue confirmar e validar (apenas a ponta do novelo).

Pedro Maria Cunha José de Mello, também presente. E há mais — condes, marqueses, barões, gente com títulos que pensávamos extintos mas que afinal andam por aí, vivos, ricos, e a financiar o partido que promete defender os pobres contra os poderosos.

Alguns destes financiadores têm histórias particularmente saborosas. Miguel Sommer Champalimaud esteve implicado na tentativa de golpe spinolista de Setembro de 1974. Francisco Van Uden, monárquico na linha de sucessão ao trono, foi chefe operacional do ELP (Exército de Libertação de Portugal), organização terrorista de extrema-direita responsável por atentados no pós-revolução. Eduardo de Melo Mendia, quinto conde de Mendia, aparece nos Paradise Papers. Luís Mendia de Castro, quarto conde de Nova Goa, movimenta-se em instituições financeiras. São pessoas sérias. Gente de bem. Defensores da ordem, da hierarquia, da propriedade. Exactamente o tipo de aristocracia financeira que qualquer populista genuíno combateria até à morte.

Mas Ventura não combate. Ventura agradece. E retribui.
Porque aqui está o verdadeiro génio do esquema: as políticas do Chega alinham-se perfeitamente com os interesses de quem o financia, mas essa ligação nunca é explicitada. Nunca é discutida. Fica escondida nas entrelinhas dos programas eleitorais, camuflada por retórica sobre "povo", "nação", "soberania". 

É preciso ler com atenção — e poucos lêem — para perceber que o partido que se apresenta como defensor dos trabalhadores tem no seu programa a privatização de tudo o que o Estado ainda controla.

Leiamos, então. Directamente do programa do Chega, página 45: "Ao Estado não compete a produção ou distribuição de bens e serviços, sejam eles serviços de Educação ou Saúde, ou sejam os bens vias de comunicação ou meios de transporte". Não é ambíguo. Não é metafórico. É literal. O Chega defende que o Estado se retire completamente da provisão de serviços. Saúde? Privada. Educação? Privada. Transportes? Privados. Tudo. 

Página 49, sobre saúde especificamente: "o Estado não deverá, idealmente, interferir como prestador de bens e serviços no Mercado da Saúde mas ser apenas, um árbitro imparcial e competente".
Traduzindo do economês para português: acabar com o SNS. Não reformá-lo. Não melhorá-lo. Acabar com ele. Transformá-lo num sistema de seguros privados onde quem tem dinheiro tem saúde e quem não tem azar. Exactamente o modelo americano que está a fazer a esperança de vida nos EUA decrescer pela primeira vez em décadas entre países desenvolvidos. Exactamente o que beneficiaria os grandes grupos de saúde privada. Exactamente o que poderia interessar a quem tem investimentos nessas áreas.

E a flat tax? Ah, a flat tax. A Iniciativa Liberal teve o bom senso de recuar nesta barbaridade fiscal depois de economistas a trucidarem publicamente. O Chega não. Mantém no programa a taxa única de IRS de 15%, com ambição declarada de chegar a 0%. Para quem ganha 800 euros por mês, isto é desastroso — pagaria mais impostos que no sistema actual. Para quem ganha 10.000, 50.000, 100.000 euros por mês, é o paraíso fiscal. Uma redistribuição massiva de riqueza de baixo para cima, dos que trabalham para os que especulam, dos assalariados para os rentistas.

E o IMI? Também a 0%, segundo Ventura. Beneficiando essencialmente quem? Os grandes proprietários. As famílias com património imobiliário massivo. As fortunas fundiárias. Não as pessoas que compraram penosamente um T1 nos subúrbios. Essas pagariam através do IVA — que o Chega quer aumentar, concentrando a tributação no consumo, o imposto mais regressivo que existe, aquele que pesa mais sobre quem ganha menos.

Há um padrão aqui. Um padrão claro, documentado, verificável. As políticas do Chega beneficiam sistematicamente os ricos. Os muito ricos. Os obscenamente ricos. Privatização de serviços públicos? Óptimo para quem pode comprar os activos privatizados. Flat tax? Maravilhoso para quem ganha rendimentos de capital. Fim do IMI? Perfeito para grandes proprietários. Parcerias público-privadas na saúde? Excelente para grupos privados do sector. Desregulamentação do mercado imobiliário? Fantástico para especuladores.

E para o "povo" que Ventura diz representar? Para os trabalhadores precários, os jovens sem casa, os reformados com pensões miseráveis, as famílias que dependem do SNS porque não têm dinheiro para seguros privados? Para esses, o programa do Chega oferece o quê exactamente? Retórica. Indignação. Inimigos convenientes — imigrantes, ciganos, "esquerdalha". Mas soluções concretas que melhorem as suas vidas? Nenhumas. Pelo contrário: políticas que as piorariam drasticamente.

Isto não é acidente. Não é incompetência. Não é Ventura a ser ingénuo e a deixar-se capturar por interesses que não compreende. É design. É o modelo de negócio. Mobilizar os ressentimentos legítimos das classes trabalhadoras — que existem, que são reais, que merecem atenção — e canalizá-los não para políticas redistributivas que melhorariam as suas vidas, mas para uma agenda que serve os interesses da elite financeira e aristocrática que financia o movimento. É o velho truque. Tão velho quanto a própria política. Tão eficaz quanto sempre foi. Dar aos pobres um inimigo mais pobre ainda (o imigrante, o "subsidiodependente") enquanto se rouba o que resta da sua protecção social para entregar aos ricos. É como funcionou o fascismo. Como funciona o populismo autoritário em todo o lado. Prometem ordem, nação, tradição. Entregam desregulamentação, privatização, transferência de riqueza para cima.

E funciona porque a narrativa é convincente. Porque Ventura é bom no que faz — mobilizar emoção, criar identificação, performar autenticidade. Porque os media amplificam sem contexto. Porque os adversários políticos respondem com indignação moral em vez de exposição factual. Porque a maioria das pessoas não vai ler os programas eleitorais, os extractos bancários, as investigações jornalísticas. Vão apenas ouvir o discurso, ver as imagens, sentir a raiva.

E há tanto por que estar com raiva. Legitimamente. O sistema político português falhou muita gente. A precariedade é real. Os salários são vergonhosos. A habitação é inacessível. Os serviços públicos estão degradados. As instituições perderam credibilidade. Tudo isto é verdade. Tudo isto precisa de resposta. Mas a resposta do Chega não é resposta — é exploração. É pegar nessa raiva legítima e usá-la para implementar exactamente as políticas que piorarão os problemas que a geraram.

Porque quem pensa que privatizar o SNS vai melhorar o acesso à saúde dos pobres é ingénuo ou desonesto. Quem acredita que uma flat tax vai beneficiar trabalhadores precários não percebe matemática básica. Quem imagina que acabar com a regulação do mercado de trabalho vai aumentar salários desconhece história económica elementar. Estas não são soluções. São transferências de riqueza e poder para quem já tem demasiado de ambos.
E os financiadores do Chega sabem disto. Obviamente. Não são estúpidos. São, na verdade, bastante inteligentes. Investiram em Ventura porque viram uma oportunidade. Viram um talento performativo raro combinado com ausência de escrúpulos ideológicos. Viram alguém que podia mobilizar massas enquanto servia interesses de classe. Viram o veículo perfeito para uma agenda que nunca ganharia eleições se fosse apresentada honestamente.

Porque se Manuel Champalimaud se candidatasse às eleições com o programa "vou privatizar os CTT, o SNS, a educação pública, e baixar os impostos aos ricos", seria trucidado nas urnas. Mas Ventura pode propor exactamente isso — desde que embrulhe em bandeiras, hinos, retórica nacionalista, e acuse os outros de serem as verdadeiras elites. É marketing genial. É terrível. Mas é genial.

E nós, espectadores mais ou menos cúmplices, assistimos. Alguns indignados, outros entusiasmados, a maioria apenas cansada. Partilhamos os escândalos, comentamos as polémicas, esquecemos os detalhes. Porque os detalhes são aborrecidos. Extractos bancários são aborrecidos. Programas eleitorais são aborrecidos. Análise de políticas fiscais é aborrecida. Ler este artigo é aborrecido. Muito mais fácil ver Ventura a gritar, a apontar dedos, a prometer limpeza e ordem.

E enquanto isso, os Champalimauds, os Bravos, os Mendias, os condes e marqueses, vão transferindo os seus cinco e dez mil euros. Jantam em Monsanto. Almoçam no Oitavos. Financiam o homem do povo. E sorriem, imagino, com aquele sorriso de quem sabe que fez um bom investimento. Porque afinal, por uns milhares de euros — que para eles são trocos, loose change, o que gastam num fim-de-semana em Saint-Tropez — estão a comprar políticas que lhes valerão milhões.

É um esquema elegante. Eficiente. Rentável. E completamente legal. Porque em 2017, PS, PSD, PCP, BE e PEV votaram para abolir os limites de donativos a partidos. Abriram as portas. Deixaram o dinheiro fluir livremente. E agora surpreendem-se — ou fingem surpreender-se — que haja quem aproveite.

O Chega esconde nomes da lista de financiadores entregue à Entidade das Contas. Omite doações. "Esquece-se" de reportar transferências. E não há consequências. Porque não há fiscalização real. Porque a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) tem três pessoas para fiscalizar todos os partidos. Porque o sistema foi desenhado para não funcionar. Porque a opacidade convém a todos. E assim continuamos. Ventura grita contra as elites. As elites financiam Ventura. O povo aplaude. Os ricos enriquecem. O SNS definha. Os salários estagnam. As casas ficam inacessíveis. E daqui a uns anos, quando as políticas do Chega forem implementadas — se forem —, quando os hospitais públicos forem entregues a privados, quando a flat tax transferir mais milhares de milhões para o topo, quando a última rede de protecção social for desmantelada, talvez olhemos para trás e perguntemo-nos como é que deixámos isto acontecer.

Mas provavelmente não. Provavelmente estaremos demasiado ocupados com a próxima indignação, o próximo escândalo, o próximo inimigo conveniente que Ventura nos apontar. Porque o espetáculo não pára. Nunca pára. E nós somos simultaneamente audiência e combustível, vítimas e cúmplices.

Bem-vindos ao populismo do século XXI. Onde os paladinos do povo têm contas nas Ilhas Caimão e os defensores dos trabalhadores jantam com marqueses. Onde a retórica é de esquerda mas as políticas são de direita radical. Onde tudo é performance, nada é real, e os únicos que ganham são precisamente aqueles contra quem o populista diz lutar.

É deprimente. É previsível. É evitável. Mas não será evitado. Porque evitá-lo exigiria ler os programas, seguir o dinheiro, conectar os pontos. E isso dá trabalho. Muito mais trabalho que partilhar mais um vídeo de Ventura e sentirmo-nos indignados ou validados.
Então os Champalimauds continuarão a transferir. Ventura continuará a gritar. O povo continuará a acreditar. E os condes continuarão a sorrir, porque afinal descobriram a formula perfeita: comprar uma revolução popular que serve os interesses da aristocracia.

É quase poético. Se não fosse trágico.

#pendaodivagacoes

sábado, 31 de janeiro de 2026

Tó, o poeta, já foi na frente...

 

Curiosamente, uma das poucas imagens que tenho suas...

O meu Tó... O meu grande Amigo há décadas, o meu amado poeta quando ainda escrevia, quem agora subia a Marvão só para me ver, conversar, ter uns trocos para o café no Sr. Vítor (Malaquias de que ele tanto gostava de beber), umas bolachas no Supermercado Tapas, um extra... acabou. 


O Tó morreu-me, já não há mais, e deixa um vazio do seu tamanho em mim. Como é que nunca mais o vou ver?!? Como é que nunca mais vou ralhar com ele quando vinha a pé da Beirã à minha casa, à chuva, "e depois as pessoas gozam contigo e dizem que és maluco, e tu não és, e eu não gosto disso, porra pá!!!", para depois o ir levar a casa.


O Tó não é mais, e com ele vai parte de mim.


Há aqui um contrasenso, um amargo de boca, qualquer coisa muito estranha e rara que me atormenta e deixa atónito porque... não estava doente, aparentemente, tinha apenas 61, mais 9 que eu, muito longe dos 80as e 90as de esperança média de vida com o avanço da nossa medicina e sociedade, e parece que se está sempre à espera de um aviso, não é?!? 


"Bem podia eu ligar toda a manhã... que ele nunca haveria de me responder", contou-me a mãe, muito chocada e abatida, quando lhes liguei para a Santa Casa, onde vivem os pais, num quartinho, quando lhe quis dar as condolências, e me manifestar completamente disponível para tudo o que entendam. 


Choca sobretudo porque não estava gravemente doente para morrer. Vivia naquela sua forma tão peculiar de ver o mundo, completamente sem maldade e com alguma distância dos limites da sanidade, mas com um espírito, como hei-de dizer sem maldade: inócuo e sem ruins intenções. Era um bebê grande de metro e 80, com barbas que vinha aparar com frequência à minha vizinha Rosa, e  causava impacto visual mas não ia mais que isso.. 


A morte abraçou-o em casa, na sua caminha, onde me mostrou, por exemplo, o FMI do José Mário Branco, há muitos anos atrás, e eu nunca mais esqueci daquela forma poderosa de cantar e como a música pode ser trágica, visceral, e mudar a vida de uma pessoa. 

O manto negro foi sorrateiro, silencioso, mas clemente e piedoso. Cobriu-o e levou-o, sem o deixar a arrastar ou a sofrer.


Sabendo nós que 9 anos é uma eternidade que coloca dois jovens da mesma aldeia quase que em galáxias diferentes (quando cumpriu 18, e atingiu a maioridade, eu estava, aos, 9, numa de Heidi, Marco, Tom Sawyer e Abelha Maia, todos no Verão Azul), ou seja, passávamos na mesma rua e ele era capaz de olhar de soslaio perante o meu ar de fascínio.


Sim porque o Tó, dono de uma inteligência rara, foi muitas vezes apontado pelos pais beiranenses como um exemplo a seguir: "Mete os olhos no Tó..., como o Tó é que tu devias ser..." ecoava pelos quintais da minha aldeia.


As primeiras memórias vivas de convívio que tenho do Tó, foi num encontro de jovens promovido pelo Sr. Padre Fernando Farinha, uma figura apaixonante e muito influente por estas bandas, que aqui fez chegar um grupo chegado de fora, para creio eu, fortalecer laços cristãos/grupos de trabalho sobre Cristo e a Igreja, que eu era muito novo para perceber aquilo. Só ia aos almoços que eram balíssimos! Naquela altura, o Tó já estava em todo o seu esplendor! Cabelo encaracolado pelos ombros, camisa branca com colete de fazenda aberto, medalhinha de Taizé, jeans e sapatinhos pretos clássicos engraxados.


Como excelente aluno que sempre foi, entrou para Filosofia, creio que na Clássica, e era comum ver os pais mandarem-lhe encomendas pelos comboios que passavam na aldeia. Meses depois, em que fui com a minha família por aquelas paragens, encontrá-mo-lo, e recordo-me de ver a minha mãe chorar,  tal foi o choque ao constatar o estado de alienação daquele menino bonito, que agora vimos em Santa Apolónia, de calções desportivos, t-shirt e chanatos.


Segundo o que soube então, vim a saber depois e lhe perguntei a ele, o problema nunca foram as drogas mas sim o álcool. Muito, mas muito álcool e ele, figura carismática como sempre foi, diabolizou-se, e fez-se dono e senhor do Bairro Alto, com lugar cativo ao balcão do Arroz Doce, da tia Alice, famoso pelos "Pontapés na Con@", bebida composta por cerveja, café e um ingrediente X... do qual nunca se veio a saber muito bem qual era, mas pelo estaladão que se lhe seguia, era tudo menos fraco, e certamente, gasolina de avião.


Nesta fase de voragem alcoólica, que o envolveu com amigos de perdição, mas o distanciou da vida académica, da família, da vida afinal, acabou por o fazer regressar à terra, à casa de partida. Aqui protagonizou episódios caricatos com laivos de insanidade que envolveram desfiles menos próprios na Av.Pio XII em Portalegre, e relatos de violência que o levaram ao internamento compulsivo no nosso hospital, e até estadias no Hospital Júlio de Matos (Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa).

Dessa estadia não falava muito, nem gostava abordar, mas saiu de lá com vida.


Foi já na casa da Beirã, com o Amor imensurável dos pais como combustível emocional, que se conseguiu regenerar por completo (nunca mais o vi tocar numa gota de álcool que fosse!), voltar a ler, a escrever, a estudar!!!!, tendo até conseguido terminar o curso de Português - Inglês no Politécnico de Portalegre e chegado a dar aulas!, estando agora reformado dessa atividade.


Por ter estado sozinho quando a encarou de frente, mandam as leis, e a prudência, que tenha de ser autopsiado e aqui entramos no drama dos homens e das suas limitações, dos dias em que podem ser realizadas, e apenas na 3a feira, dia 3, quando terei de estar obrigatoriamente em Lisboa, e me será impossível estar presente cá, como tanto queria, sobretudo para amparar os pais...; o seu corpo será devolvido à terra, após autópsia, e câmara ardente na Capela Mortuária da Beirã, a partir das 9:30h, seguida das cerimónias religiosas que terão início às 11h, após exéquias fúnebres, seguindo o funeral para o cemitério local da sua Beirã.


Que a terra te seja leve, camarada... 

Descansa em paz...

domingo, 11 de janeiro de 2026

Assassinatos à queima roupa... na idade do gelo (ICE)

https://www.publico.pt/2026/01/08/video/como-ice-matou-renee-nicole-good-saiam-cidade-mayor-20260108-154044


Eu vi estas imagens, como todos vós, e fiquei estarrecido, de alma boquiaberta. A vertigem em que o nosso mundo se está a tornar, é um mergulho no vazio de quem ninguém está a salvo. Nada é certo, seguro, confiável. Os líderes das grandes nações, os todo-poderosos que crescemos a admirar por parecer que eram de outro domínio, outra dimensão para além da nossa, são hoje loucos que dispõe de um arsenal de calibre nuclear que à mínima podem despoletar um conflito à escala planetária capaz de devolver tudo à escuridão do cosmos.


Por ser assim, ignoram fronteiras e soberanias, põe e dispõe de líderes e territórios, como se não houvesse ordens, nem organismos que fossem capazes de o impedir.

O ICE nos Estados Unidos, Serviço de Imigração e Alfândegas, é a agência responsável pela identificação, detenção e deportação de imigrantes indocumentados, bem como pela investigação de crimes como o tráfico humano e o contrabando transnacional; que tem muito lamentavelmente estado na nas bocas do mundo por este feito relatado nas imagens.

Por não ter imediatamente parado, respeitando as ordens que lhe eram dadas, está cidadã AMERICANA, foi brutalmente assassinada à queima roupa, quando estava desarmada, e certamente consumida pelo susto.

Como se não pudesse ser pior ainda, o truculento do presidente, tratou-a como "desordeira” e “agitadora profissional”, tendo os abomináveis membros da Administração acusado-a de “um acto de terrorismo doméstico”, argumentando que os agentes responderam a uma ameaça de atropelamento, versão dada também pelas autoridades federais, que alegam que os tiros foram disparados em legítima defesa, acusando a mulher de ter tentado usar o seu veículo para atropelar agentes!!!!!! — versão veementemente contestada pelas autoridades locais e pelas imagens captadas por testemunhas.

Na verdade, tratava-se apenas de uma jovem mãe (37) de três filhos, de 15, 12 e 6 anos, licenciada em escrita criativa, vencedora de prémios de poesia, escritora ávida e mãe dedicada, que habitualmente fazia maratonas de filmes e criava arte com a filha e os dois filhos.

Renee Good, que vivia em Mineápolis, a pouco quarteirões do local do crime, com a companheira e o filho mais novo, já não é mais. A cegueira da brutalidade pôs termo a uma pessoa extremamente bondosa, amorosa, compreensiva e carinhosa. Na verdade, um ser humano incrível, segundo quem a conhecia.

“É tão estúpido”, continuou a mãe, depois de saber das circunstâncias da morte por um jornalista. “Provavelmente, estava aterrorizada”, acrescentou. Donna Ganger assegurou também que a filha “não estava envolvida em nada disto”, referindo-se aos manifestantes que protestavam contra os agentes do ICE.

“Este é mais um exemplo claro de que o medo e a violência, infelizmente, se tornaram comuns na nossa nação”, disse o presidente da Old Dominion, Brian O. Hemphill, em comunicado ao WP. “Que a vida de Renee seja um lembrete do que nos une: liberdade, amor e paz”, apelou.

O Conselho Municipal de Mineápolis descreve Renee Good como uma residente que “cuidava dos seus vizinhos”. Tina Smith, senadora democrata pelo Minnesota, disse estar “de coração partido e furiosa” com a morte da mulher, descrevendo-a como uma “cidadã norte-americana, mãe e residente nas Twin Cities”.

O presidente da câmara de Mineápolis, Jacob Frey (democrata), ressaltou que o vídeo do incidente mostra “um agente a usar o poder de forma imprudente, o que resultou na morte de alguém”, disse, citado pelo WP.

O governador do Minnesota, o democrata Tim Walz (que concorreu a vice-presidente de Kamala Harris), culpou a Casa Branca pelo incidente, ecoando a frustração dos residentes locais com o aumento das acções federais de imigração em Mineápolis. “Há semanas que alertamos que as operações perigosas da Administração Trump representam uma ameaça à segurança pública e que alguém iria ficar ferido”, declarou numa conferência de imprensa na tarde de quarta-feira.

Pesar...

😔

domingo, 9 de novembro de 2025

Jornada de glória europeia, onde só faltou... o que nos levou lá

VALEU ISTO!!!! <3


Quando o meu querido Amigo e antigo patrão Pedro Matos da Amatoscar (que conheci por intermédio do meu João Carlos Anselmo), onde trabalhava quando saí para a casa dos Impostos, há mais de 25 anos atrás; me contatou há dias a fazer o convite para assistir ao Benfica - 0 x B. Leverkusen - 1, nem queria acreditar, mas antes de conseguir emitir um som, disse logo que SIIIM!!!!

 

Aaah, foi uma jornada inolvidável porque viajei com companheiros fantásticos: Luís Miguel Barreto (obrigado pela excelente condução profissional(; e Dr. Marcelo Evangelista, (pela maravilhosa carona!), tive acesso a lugares onde nunca pensei entrar (o buffet do lounge do estádio, o estacionamento por baixo do relvado, o assento num local ⭐⭐⭐⭐⭐, na fiada com a baliza sul, perto das claques...)

  

O assunto principal é que foi mais do mesmo, de tal forma que já estou tão habituado a vir cá e levar no tótiço, que quando assim não for, mais vale levarem-me logo para Hospital S. Francisco Xavier, onde trabalha o Luís Sancho da minha Leonor, porque me deve dar uma coisinha ruim.

 

Curto e grosso, fomos melhores, fomos mais fortes, metemos bolas nos ferros e tudo, tivemos 3 ou 4 hipóteses claríssimas de golo que... não soubemos concretizar.

 

Ora, como quem não marca, regra geral, sofre, e os golos é que contam, no final, lá seguimos nós com 0 vitórias, 0 pontos, num honroso 35° lugar de 36, e apontados para ir direitinhos para o olho da rua, com uma cabeça que não cabe nas portas!!! Fdssssssssss....

 

E que golo sofremos... com um alívio que tinha de ser para fora, mas antes foi mesmo mesmo para a zona de tiro ao boneco...

 

Vou deixar uma mensagem bem clara para todos os benfiquistas: esqueçam! Este ano vai ser do Sporting (o mais certo), ou do Porto.

 

Esta mrda de turma construída com nomes avulsos que nunca formaram, nem formarão alguma vez uma verdadeira equipa, treinados por uma porra de um treinador que já foi o maior, mas agora está a ver a equipa a afogar-se para conseguir respirar, e é incapaz de lhe mexer para a dinamizar e espevitar... não tem hipótese!

 

E bem pode vir para a televisão dizer que ninguém o convence que a equipa está afastada da fase seguinte, ou que a matemática está do seu lado... que eu vou ali e já venho...

Está bem abelha...

 

Por isso, e desta é que é, não meto cá tão depressa os pés! (e perdoa-me Joãozinho... mas nem o Real Madrid me traz cá...)

 

Eu sei que estava sozinho, mas ainda cantei: joguem à bola, lariló joguem à bola, joguem à booooooola, ó-i-ó joguem à booooooooooooola!!!!

 

Em casa, a gente desliga a TV, vai-se deitar e tudo passa. Aqui, assim, são mais 2 horas e meia de caminho (de 4,5h / 5h do total, e aquela moínha...)

 

Conclusão: Não foi, mas podia ter sido, e eu hei-de estar sempre imensamente grato ao tão ilustre benfeito, que se lembrou de mim depois de taaaantos anos, de entre tantos colaboradores, trabalhadores e Amigos a quem poderia agraciar; junto a quem não estava desde esse então, e dou sempre o tempo por mais que vê empregue, por aprender tanto junto dele..

 

Muito obrigado, meu querido Pedro.

 

Aquele abração!!!!





 

domingo, 19 de outubro de 2025

Amanhãs cheios de LUZ (e esperança)

 


Eu não disse que isto vinha aí? Pena que só peque por tardio...


Se quanto mais cedo forem "apanhados", mais hipóteses há de serem travados e tornados inócuos, esta notícia absolutamente revolucionária, explica como a inteligência artifical pode ser a solução na luta contra o cancro.

Genial!


"Desenvolvido por uma empresa norte-americana de biotecnologia, o teste Galleri identifica o ADN libertado pelas células cancerígenas na corrente sanguínea, permite detetar 50 tipos diferentes de cancro e já está a ser testado no Reino Unido: 🤔🥹👍😁🙏😍❤️


Ora cliquem lá, e vejam o vídeo. 👍

 https://sicnoticias.pt/saude-e-bem-estar/2025-10-18-video-teste-revolucionario-deteta-50-tipos-de-cancro-atraves-do-sangue-ja-esta-a-ser-testado-no-reino-unido-c66f4bd1?utm_source=site&utm_medium=share&utm_campaign=mail https://sicnoticias.pt/saude-e-bem-estar/2025-10-18-video-teste-revolucionario-deteta-50-tipos-de-cancro-atraves-do-sangue-ja-esta-a-ser-testado-no-reino-unido-c66f4bd1?utm_source=site&utm_medium=share&utm_campaign=mail

sábado, 11 de outubro de 2025

A Cura contra o cancro?!?


Ópá, o que eu estava à espera de ouvir uma notícia destas!!!!! 

Se repararem bem, isto é a descoberta do Santo Graal, o tão procurado, e nunca encontrado cálice da última ceia de Cristo!!!

Já todos ouvimos falar na Inteligência Artificial, e na imensidão infinita de mundos que se podem desenvolver a partir das potencialidades dos computadores, que nós, humanos, soubemos criar. Mas isto?!?! 

A Isilda Sanches, radialista que eu venero da rádio que ouço, a Antena 3, desenvolve de segunda a sexta-feira, às 11h40, uma rubrica sempre fantástica denominada "Fricção Cientifica", dedicada à ciência na perspetiva do curioso, que também pode interessar ao especialista.


Tem como fonte, notícias de ciência verdadeiras e fidedignas, e procura dar conta de assuntos sérios e/ou ligeiros, baseando-se sempre em descobertas, estudos, experiências, teorias e tudo o que diga respeito ao fascinante e intrigante universo da ciência.

No passado dia 9 de outubro, saiu-se com esta: Inteligência Artificial deteta doenças, tendo por base um estudo publicado na Nature Communications, que apresentou Dolphin, um sistema que deteta marcadores de doenças em células individuais?!?!?! 

Todos nós sabemos que o cancro é das doenças mais mortíferas, e o principal responsável pelo maior número de mortes, a par das doenças cardio-vasculares.

Ora, nós sabemos que o cancro não é mais que o crescimento anormal de células, que passam a propagar-se de forma desregulada, até que promovem o colapso e a falência do organismo onde se realiza.

Sendo assim, o sistema que foi desenvolvido agora, o Dolphin, permite fazer ao corpo um scanner que deteta os pontos mais fracos ou falíveis, e despistar um potencial "ninho de cancro" antes dele se formar!

EUREKA!!!!! 

Querem ver que qualquer dia, já não vão crianças, jovens, homens ou mulheres na flor da idade, antes do tempo, e só se morre quando se estiver podre de velho e os órgãos já não derem mais?!?!?!

Isso é que era, não era?!? Tão fixe... 

Ora ouçam lá...

https://www.rtp.pt/play/p2821/e880387/friccao-cientifica

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Em Elvas... façam "Acontece"r

 




Ora quem passa em Elvas, cidade que subiu à divisão do Património da Humanidade com o apoio do grande trabalho do nosso Professor Domingos Bucho, e quer também experimentar uma refeição num restaurante digno dessa gama, terá de ir conhecer o "Acontece", dos meus queridos Ruy Pedro d'Andrade e Ana Rita Andrade, (minha querida colega quando ambos fomos professores no C.I.P. da GNR de Portalegre, durante cerca de 3 anos seguidos, há cerca de 30 atrás...), espaço que é... uma coisa do outro 🌍





Sítio encantador com cozinha de autor (e muita mão do Ruy), decoração de nos deixar 😯, empregados simpatiquíssimos que explicam cada prato, y la comida, como dicen nuestros hermanos... de chuparse los dedos!!! 


O atum brasonado que ganhou um dos prémios das 7 Maravilhas, Gastronómicas de Portugal 🫣, o polvo 😳... as carnes grelhadas 🤤... tudo ⭐⭐⭐⭐⭐😘







O convite já tinha surgido há tanto, tanto tempo... que eu já me envergonhava, e agora, com todos de férias, teve mesmo de ser! 👍❤️👌🙏


Assim que nos souberam lá... (só lhes disse quando nos sentamos, para não importunar os seus horários e agendas... e até poderiam estar a viajar, em Marraquexe, por exemplo, como tanto gostam!!!), mas eles, os meus Amores, acorreram logo os dois para uma confraternização tão boa, tão agradável,  tão sã... que se todos pudéssemos, acho que ainda lá estávamos todos sentados! 🫢 


E... sim! As pessoas quando são mesmo boas, puras, nunca enganam, nem envelhecem! Amamo-vos quiduchos!!!!




Malta Amiga por aí: já sabem, se forem aqui, darão o tempo, a operação, e o estômago como muito bem empregues!!! 👌

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A minha máquina, caraças... O Johnny...


 O dia acordou com uma notícia duríssima, daquelas que nos deixam a bater mal, sem chão... e a (re)pensar tudo. 


O João Simão, jovem, sempre animado e bem disposto, amante da família, da mulher, da filha, da netinha, do genro, do irmão e demais familiares... muito feliz com a vida, e com o seu emprego na Varanda do Alentejo... sem hábitos excessivos, fossem alcoólicos ou de todo tabágicos, sem doenças diagnosticadas... sentiu-se mal nesta manhã e... sucumbiu.

Tão simples, triste, e trágico quanto isto.


50 e poucos anos, mais um par que eu, ou por aí, e acabou... ☹️ Todos bem sabemos as regras deste jogo trágico, em que só temos uma vida, e para se perder, basta estar a respirar mas... assim? Desta forma? Do nada?!?!?


Vale a pena tantas preocupações, tantas zangas por pechisbeques...


Conheci-o há décadas atrás, quando ele trabalhava no Centro de Trabalhadores do Atalaião, e vi com enorme agrado quando se aproximou de Marvão. Cruzavamos-nos diversas vezes durante a semana, e quando acontecia, era sempre com ar barraqueiro e de paródia, ou a tocar a buzina, ou a ligar os 4 piscas, numa caravana imaginária. 🤭


Minha Máááááááquinaaaaaa... ou Maquininha, ou MAQUINÃO, era como nos travamos mutuamente...

 

Tinha muita admiração pela forma como se adaptava às novas exigências do seu trabalho, à sua maneira de estar, e à sapiência com que jogava no Placard (jogo de apostas desportivas) onde o vi ganhar valores bem simpáticos, em campeonatos que eu nem sequer sabia que existiam... 


Mas até aí, sempre deixou que copiassem a sua chave, sem pedir nada em troca...

E eu ralhava-lhe!!! Manda-os passear!!!! Eles que estudem!!! Essa sabedoria paga-se!!!! Era o que faltava... 


Abalou um companheirão que nos foi arrancado à vida cedo demais...


Sinto muito, de forma tremenda...


Envio um forte abraço à Teresa Simão, à Cátia Simão, ao genro Rui Silva, ao irmão, e demais  familiares... 🙏


Rezo para que esteja em paz...,  meu querido... (com esta imagem lindíssima, cheia de Amor, contigo e a tua linda netinha que diz tanto sobre a vossa relação e sobre ti... 🙏♥️)

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Tó João... 54...

 


Quando um Amigo me ligou a dar  esta terrível notícia, fiquei incrédulo... como se não fosse possível, como se a realidade não pudesse deixar de contar assim bruscamente com o Tó João. Que perda...

Por muitos anos que viva, e por muita gente que tenha conhecido  nela, certamente não conheci um outro sempre tão bem disposto, de sorriso contagiante estampado no rosto, tão alegre, e melhor que isso tudo, tão assim lá por dentro, sempre disponível para esticar a mão, ajudar e estar tão bem com todos como ele estava com a sua vida.

De cada vez que falávamos, lá vinha sempre o nosso Benfica à baila, e acabávamos sempre bem dispostos e a rir, por muito mal que andassem as coisas pelos lados da Luz. O Fernandes tinha este raro dom de relativizar, de tornar as coisas acessíveis, de dar valor ao que realmente importa, fazer com que tudo fosse mais rico quando ele estava por perto.

Estes fins terrenos, bruscos, súbitos, sem doença nem velhice, sem a angústia da previsão, de um instante para o outro, em que num segundo há tudo, e no seguinte... um negro escuro 🕳️ que tudo engole como se fosse um buraco  negro no universo... deixam-nos atordoados e sem chão.

Foste tão Grande... colega e Chefe do Serviço de Finanças do Crato, que tão bem defendeste...

Até... 

(com muito pesar pela tua brusca partida... 😢)

Sentidas condolências para a família enlutada, e as melhores melhoras para o filho também acidentado. 🙏



Distinto saxofonista e músico amante da Filarmónica do Crato, representava sempre com gala, esta sua paixão...



sexta-feira, 1 de agosto de 2025

O Regresso do Mal





Desde que tomei conhecimento da perseguição e diáspora do povo judeu, tenho sentido compreensão, pena, solidariedade e sofrimento pelo seu percurso. A forma terrível, tremenda, como foram dizimados nos campos de concentração nazis, como se fossem criaturas não humanas, como se fossem roedores ou insetos, e não iguais a nós, sempre me fez estar do seu lado.


Assim tem sido até... ter tido conhecimento da resposta absolutamente devastadora do Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu aos ataques de 7 de outubro de 2023, coordenados e conduzidos pelo grupo militante islâmico palestino Hamas, da Faixa de Gaza; às áreas fronteiriças do sul de Israel, numa fatídica manhã de sábado, data de vários feriados judaicos.


É certo que foi uma incursão hedionda, com imagens macabras captadas por vídeocâmaras manuseadas pelos próprios terroristas, que impressionam e nos ficam cravadas na memória para sempre, num raid terrível que matou mais de 1000 israelitas, muitos dos quais eram civis, deixou mais de 3.400 feridos, e mais de duas dezenas de reféns.


Contudo, a operação de resposta a que chamou "Espada de ferro", e ameaçou que iria mudar para sempre a face do Médio Oriente... está a ultrapassar todos os limites da razão humanista, e a transformar aquele que sempre vimos como a vítima, no mais terrível dos carrascos.


Boicotes desumanos à ajuda humanitária enviada pelas Nações Unidas, preferindo deixar morrer de sede e fome a quem está do outro lado da barricada; tremendas ações de bombardeamentos que dizimaram todas as habitações e hospitais, à procura de caves com terroristas, segundo eles dizem, não deixando pedra sobre pedra...; chegando a disparar por quem clama por uns grãos de farinha para sobreviver...


É incrível como o homem é...


É impossível conseguir acreditar como quem tanto sofreu... tenha tanta maldade para com o seu semelhante...


Como tudo se volta a repetir... num mundo tão moderno e avançado, mas no qual vivemos uma crueldade que nos devolve à pré-história.


Cavernas...


Desgosto...


Tudo isto a propósito do burburinho acerca da receção ao novo embaixador de Israel em Portugal, que era para ser recebido nos Paços do Concelho de Castelo de Vide no fim de semana passado, mas que esbarrou num grupo de cidadãos de diferentes quadrantes sociais e políticos locais, que convocou através das redes sociais, um encontro-manifestação junto ao Pelourinho, na Carreira de Cima.


O objetivo era mostrar que Castelo de Vide não pode, nem quer ficar indiferente ao genocídio em Gaza, recebendo um arauto dessa desgraça. 


Compreendo-os a eles, e no meu entender, o tão experienciado e prestigiado Presidente António Pita, que deixou erroneamente que o deslize do convite acontecesse, numa era em que as redes sociais mobilizam e catapultam a opinião pública com uma velocidade vertiginosa. (mesmo após já ter lido o seu comunicado após os acontecimentos, que ainda assim, me parece compreensível e legítimo.)


Para grandes males, grandes remédios e aqui, a conseguir-se terminar com este horror dos nossos tempos, não pode ser com cânticos e manifestaçõezinhas, mas sim falando a uma só voz na União Europeia, e não só a Alemanha, a França, e Inglaterra, como já fizeram, mas todos juntos denunciando estão aliança diabólica entre Israel e os EUA, onde os judeus detêm um poder económico medonho.


Enquanto esta gangrena... e a soberana invadida Ucrânia, por exemplo, continuarem a largar pús... eu, que não sou... mas venero a Mafalda do argentino Quino, tenho dificuldade em respirar o mesmo ar desta gente.


Haja esperança... (que isto mude, ou termine de vez!)