segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quando os sonhos se fazem de verdade

Sabem como cantava o Santana: "Got a black magic woman..."


Há sonhos…. que de tão sonhados… têm mesmo de se tornar realidade.

Toda a minha vida sonhei ter uma Vespa. Toda a minha vida. Tooooodinha a minha vida mesmo.

Quando comecei a andar de mota, na mota da minha madrinha, com 13 ou 14 anos, pela mão do meu pai e às escondidas da Guarda, já eu sonhava com uma Vespa… como aquela azul bebé de um senhor de Castelo de Vide, ou como uma amarelinha de um velhote dos Barretos que via de vez em quando lá na Beirã.

Sempre que via uma a passar na rua, num filme, numa revista… suspirava.

Sempre quis ter uma Vespa e a conversou surgiu há uns anos com o meu amigo Serrano, numa das nossas reuniões anuais de quintos, quando soube que ele tinha uma cena de motas lá para Elvas. “Fica descansado, Sabi… quando eu tiver lá uma cena à maneira em segunda mão, eu oriento-te isso…”

O tempo foi passando, houve algumas propostas que não se concretizaram por motivos diversos, até que há dias me ligou, estava eu acamado no hospital, precisamente no dia a seguir à operação. Disse-me que a oportunidade era única… semi-nova, 2 aninhos apenas, de garagem… 5 mil quilómetros, preço de saldo...

Fiquei de lhe ligar de volta. Pensei, pesei os prós e os contras e liguei-lhe depois, a agradecer ter-se lembrado de mim, mas que não…

Os hospitais são sítios lixados porque a gente tem imenso tempo para pensar. O local presta-se a isso. E eu não sei bem se foi por ali me encontrar, ou por circunstância das circunstâncias da vida, decidi, mentalmente, não desistir do negócio.

Os sonhos das noites seguintes foram, literalmente (juro!), passados a andar de mota. De Vespa! Claro! Eu no campo, na cidade, na praia, na montanha, acompanhado de amigos, da família, sempre rodando, não a muita velocidade (que a máquina em questão não se presta muito a isso…) mas com enorme estilo.

Não resisti e dias depois liguei-lhe a perguntar se o negócio ainda estava disponível. Arrematei-a no momento.

Chegou ontem e… para mal dos meus pecados, nada mais posso fazer que olhar para ela e admirá-la com paixão. O pós-operatório não tem corrido com eu esperava e não pude assim subir Marvão nela para juntos brindarmos com um caneco de tinto e um saco de castanhas à sua saúde.

Ficará, se Deus quiser, para uma próxima mas, da garagem, já ninguém ma tira!

E eu posso dizer: HELL YEAH! I’M A VESPINO NOW!!!!!!!

Como eu conto os segundos para lhe meter as patinhas em cima…


Ps: Este post é dedicado a todos (vocês sabem quem são…) os que também sonham um dia poder rodar numa bichinha destas. Acreditem. Acreditem sempre porque acreditando… de certeza que vão conseguir. Entretanto… o capacete do pendura vai sempre de baixo do banco para no caso de apanhar um amigo ou amiga apeado(a). Wanna a ride?






Negócio fechado! Com direito a óculos de aviador de oferta.
Serrano, my man! Tu és o melhor vendedor de motas... da galáxia!
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E em homenagem...
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A minha bichinha... companheira de tantas, tantas horas... tantos milhares... sim! milhares de quilómetros... Como é que eu poderia ter namorado tanto sem ela? Vai finalmente poder gozar a sua merecida reforma. Ficará sempre disponível para as ocasiões especiais e está-lhe prometido um lifting numa casa da especialidade para pintura, retoques e manutenção. É uma jóia de família, com 37 aninhos e eu quero-a a brilhar como no dia em que saiu da Macal. Afinal, é a única coisa que eu tenho na vida com um selo de fábrica a dizer: Tipo - Luxo. Amo de paixão!

sábado, 13 de novembro de 2010

Excentricidades... em tempo de vacas magras




A edição do Expresso desta semana vem acompanhada, a título de oferta, de um catálogo com a programação da Casa da Música para 2011. Trata-se de uma obra com mais de 320 páginas, sim, 320! páginas, nas quais são detalhadamente explicados os espectáculos que ali decorrerão no próximo ano.

Folheando o “objecto” em causa, analisando a qualidade do papel, o cuidado gráfico, a minúcia e o rigor, assalta-me de imediato a questão sobre quanto terá eventualmente custado este calhamaço a que muitos darão provavelmente o mesmo destino que eu: o caixote do lixo, ou melhor, o caixotinho azul da reciclagem, não vá eu ofender as puristas cá da casa. Direitinho para o lixo!

Ora para que é que eu, que vivo a centenas de quilómetros do Porto, preciso da coisa esta?

E ainda assim, perdoem-me a imodéstia, não me considero um indiferenciado. Sou um apaixonado pela cultura em geral. Adoro cinema; música; jornais, revistas e livros; adoro pintura, teatro, fotografia e dança, passo horas a ver televisão, adoro computadores, tecnologias e internet, adoro viajar e conhecer pessoas e até tenho hábito de ir a concertos, seja por aqui em Portalegre ou mesmo em Lisboa, quando alguma das minhas bandas favoritas me convence a fazer quase 500 quilómetros e a ter uma despesa extra. Eu até poderia ser um potencial leitor para este obsequio do meu semanário de eleição. Mas não sou.

Eu sei que a Casa da Música tem mecenas. Eu sei que conta com o BPI, com a Sonae, com a Fundação EDP, a Axa, a Fundação Galp Energia, a Unicer, o Grupo Amorim, a American Express… tem as costas quentes com toda esta malta endinheirada… mas convém não esquecer que o apoio institucional é do Ministério da Cultura (nós!) e o apoio à divulgação é da Câmara do Porto (nós!).

Eu sei que há ali co-financiamentos do QREN, do Programa Operacional Regional do Norte, enfim… de fundos europeus, mas a pergunta que me faço e que se impõe é só uma:

Num tempo destes… nestes tempos tão duros e escuros… fará sentido gastar rios de dinheiro numa programação tão vasta para uma minoria tão minoritária e sobretudo FARÁ SENTIDO ESTURRAR DINHEIRO A FAZER UMA “LISTA TELEFÓNICA DESTAS” destinada a ir direitinha pró caralho?!?!?

Quem quiser ir à Casa da Música há-de arranjar forma de saber quem por lá está. Não poderia este dinheiro ser empregue em coisas mais úteis, em ajudar quem verdadeiramente precisa?

E há tanta gente a precisar…

Os 300 da Groundforce de Faro, cobardemente despedidos por e-mail; os da água do Alardo… os tantos milhares por esse país fora que vivem com a corda no pescoço e engrossam, a cada dia que passa, a lista negra do desemprego não devem de achar muita piada a este tipo de excentricidades.

E se houver quem me chame demagogo… que experimente a passar aqui por baixo da minha janela que vão ver a pontaria que tenho mesmo com um livro de meio quilo…
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PS1: O Expresso teve uma tiragem média semanal no mês de Outubro de 33.750 exemplares.
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PS2: Na edição desta semana vem uma reportagem sobre uma família que decidiu abdicar da luz eléctrica, porque a água e o gás lhe são essenciais para fazer as refeições que alimentam os filhos.

O princepezinho



Ou muito me engano, ou ainda vamos ouvir falar muito deste rapazinho… durante muitos anos…

E ainda por cima é um gentleman e eu adoro ver um homem com classe. Viram-no sair em defesa de Jorge Jesus?

Vai longe. Ai vai, vai…

Ora leiam, leiam que vale a pena...
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In Jornal de Notícias 12.10.2010
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André Villas-Boas é muito mais do que o treinador do FC Porto. É o técnico da moda do futebol português. Começou a carreira na adolescência, quando teve a ousadia de abordar Bobby Robson. Depois, conquistou José Mourinho e, pelo meio, orientou a selecção das ilhas Virgens Britânicas. O rapaz que fazia relatórios é um dos responsáveis pelo sucesso dos dragões.

Um dia encheu-se de coragem e resolveu abordar o treinador do FC Porto. Não percebia por que razão Domingos Paciência estava quase sempre destinado a ser opção no banco de suplentes, um desperdício, tratando-se de um avançado tão talentoso. Era vizinho de Sir Bobby Robson e mostrou a ousadia que também agora o distingue no futebol. À custa de um inglês perfeito, perguntou-lhe por que motivo o seu ídolo não tinha espaço na equipa titular e estava confinado a viver na sombra. Debateu as questões tácticas, o posicionamento dos jogadores, dissecou as opções técnicas e o então treinador portista ficou impressionado com a irreverência e os conhecimentos daquele adolescente de cabelo ruivo. Que era seu vizinho.

Esse rapaz chama-se André Villas-Boas. Agora, é o treinador da moda do campeonato português e o mais jovem contratado pelo presidente Pinto da Costa. É um principezinho, tem sangue nobre, sucesso e um futuro risonho. Mas mal sabia que essa pequena conversa iria abrir-lhe as portas do futebol. Quase por magia. Seguiram-se outras abordagens e trocas de ideias que mostravam alguém de opiniões seguras e maduras, que devorava futebol e tinha uma sede infinita de conhecimento. O treinador inglês andou a matutar na sabedoria daquele miúdo de 17 anos e deu-lhe a mão. Sem hesitar.

O primeiro passo foi aconselhá-lo a ir para Inglaterra, onde tirou o curso de treinador e sedimentou as bases de um saber científico e sustentado. Começou por ir para Lilleshall, um reputado centro de treinos, onde aprendeu as primeiras letras do abecedário da modalidade. Mas aí deparou-se com um problema: como era menor de idade não podia inscrever-se como aluno. Nada que Robson não resolvesse e bastou uma conversa com o amigo Charles Hughes, o director da academia, para a questão ser contornada. Seguiu-se um estágio no Ipswich Town, com George Burley, e uma passagem pela academia de Largs, na Escócia, para completar a formação de um treinador que foi precoce em quase tudo. Até na formação académica.

Mas a mão amiga de Bobby Robson também se estendeu em direcção ao FC Porto, o clube que André Villas-Boas aprendeu a admirar desde os tempos de criança, o mais representativo da cidade onde nasceu há 33 anos. Foi o técnico inglês quem deu o empurrão definitivo para o rapaz passar a colaborar nas camadas jovens e vencesse mais uma etapa do crescimento profissional. Foi aí que travou conhecimento com um conjunto de treinadores mais velhos e pôde constatar o que era o trabalho de campo na qualidade de assistente. Percorreu vários escalões, sempre com os olhos bem abertos e os ouvidos afinados.

Nessa altura, o culto pelo futebol também passava por estar em casa com o computador à frente. Perdia horas a jogar o Championship Manager, um simulador no qual os utilizadores gerem uma equipa profissional como se fossem treinadores a sério. Também assinava várias revistas estrangeiras que lhe permitiam saber o nome de muitos futebolistas e a composição de vários plantéis. Tinha uma sede de conhecimento notável, era o primeiro a querer melhorar e mostrava uma dedicação extrema em todos papéis que lhe eram confiados. O que não passava despercebido. A ninguém.

Aí, já vincava os traços que fazem dele um treinador próximo dos jogadores, quase um amigo e um confidente, alguém capaz de se divertir quando o ambiente é descontraído ou duro quando as circunstâncias assim o exigem. «Há um episódio de que não me esqueço. Quando fomos campeões nacionais de juvenis, em 1996/97, o André era adjunto do professor Ilídio Vale e os jogadores foram todos curtir para a noite. Ele andou connosco como se fosse um de nós. Era muito próximo da equipa», conta Manuel José, jogador do Paços de Ferreira. Há 13 anos era um dos futebolistas mais promissores dessa equipa e contactou de perto com aquele rapaz de olhar atento. De uma extrema competência.

Mas André Villas-Boas sempre foi um aventureiro, tinha a coragem para protagonizar as decisões mais arrojadas e inesperadas. Desde sempre alimentou o sonho de ser treinador principal e quando tinha 23 anos viu um anúncio num site da internet que lhe parecia ser interessante. Em 2000, havia uma selecção que precisava de um jovem técnico e qualificado, com um salário em conta, alguém que mostrasse uma ambição desmedida para trabalhar nos escalões de base. Viu o pedido, mandou o currículo por e-mail, fez uma entrevista e foi aceite. Foi assim que assumiu as rédeas da selecção das ilhas Virgens Britânicas. Num abrir e fechar de olhos.

Mais uma vez, o velho amigo Bobby Robson foi importante. «Deu-nos boas referências e isso ajudou. Também se mostrou mais interessado na oportunidade que tinha para trabalhar como treinador do que no dinheiro que tínhamos para lhe oferecer», conta Kenrick Grant, na altura o presidente da Federação de Futebol daquele minúsculo país no mar das Caraíbas. Aos poucos, começou a mostrar o seu talento, um sentido de organização notável e as funções que exercia passaram a ser redutoras para quem tinha horizontes largos: «Era muito bom a criar manuais de treino no computador. Criou métodos específicos para todos os treinadores das camadas jovens. Também era estupendo na observação, a detectar os pontos fortes e fracos dos adversários. Por isso, demos-lhe o cargo de director técnico para que orientasse todos os escalões.»

Em termos desportivos, a qualificação para o Mundial 2002 acabaria por ser a imagem de uma selecção débil e que se encontrava na cauda do ranking da FIFA. Averbou duas derrotas diante das Bermudas (5-1, em casa; 9-0 fora). Nada que perturbasse uma carreira ascendente. Durante os 18 meses em que viveu nas Caraíbas nunca perdeu os laços de amizade com os responsáveis do FC Porto e enviava-lhes postais a ilustrar as belas paisagens marítimas. Só quando regressou a Portugal, aí sim, teve a coragem de revelar a idade. Porque nas ilhas Virgens Britânicas todos pensavam que fosse mais velho. «Sempre se mostrou interessado em um dia vir a treinar o FC Porto», conta Kenrick Grant.

André Villas-Boas voltava à casa de partida e encontrava um clube diferente do actual. Sem a chama das vitórias. No início da década, os dragões desesperavam por vencer o título de campeão e procuravam um treinador capaz de colocá-los na rota do sucesso. É nesse contexto que José Mourinho é contratado à União de Leiria no decorrer da época de 2001/02, um rosto emergente do futebol português que tinha como missão germinar novos hábitos de vitória. Logo aí abriu-se uma janela de oportunidade para o rapaz. Quando o novo treinador precisava de um observador, um perito capaz de desmontar a forma de jogar dos adversários, houve alguém que lhe falou em André Villas-Boas. O nome não lhe era estranho, conhecia-o dos tempos em que o agora treinador do Real Madrid era adjunto de Bobby Robson. Quando o tal adolescente de cabelo ruivo cativava quem o ouvia falar sobre futebol. E aceitou-o.

Em 2003, começou a ser «os olhos e os ouvidos» de José Mourinho (a expressão é do próprio Special One), quando era preciso estendê-los em direcção aos adversários para detectar os pontos fortes e as fragilidades. Foi assim que começaram a ser feitos os famosos relatórios que dissecavam a forma de jogar de quem se cruzava no caminho do FC Porto. Nada passava despercebido. Fosse o comportamento das equipas em campo, a postura ou os movimentos específicos dos jogadores, fossem as questões tácticas ou os posicionamentos, todos os pormenores eram analisados e trabalhados pelo jovem aspirante a treinador.

Antes de cada jogo, cada futebolista recebia um minucioso relatório sobre as características do marcador directo ou de quem tinha de perseguir dentro do campo. «Eram dossiers muito detalhados e ficávamos a saber tudo sobre os nossos adversários. Raramente éramos surpreendidos e já se notava que estávamos na presença de alguém que sabia muito de futebol», revela Ricardo Costa, defesa do Valência, um dos jogadores que estiveram na caminhada sensacional dos dragões quando conquistaram a Taça UEFA (2002/03) e a Liga dos Campeões (2003/04).

Além disso, André Villas-Boas também tinha outras preocupações e transmitia um pouco do seu conhecimento no contacto pessoal com os atletas: «Antes dos jogos grandes conversava com alguns de nós, depois dos treinos, e chamava-nos a atenção para determinados aspectos deste ou daquele adversário.» Eram essas as características de quem fazia do rigor uma máxima de vida, um discípulo que soube beber todos os ensinamentos do mestre, mas que nunca se deu por satisfeito. Nem rendido. Quis sempre saber mais. E em 2003, aos 26 anos, tirou o nível máximo do curso de treinadores na Escócia.

Depois do sucesso estrondoso no FC Porto, Mourinho ganhou dimensão internacional e despertou a cobiça de vários clubes europeus de nomeada. No Verão de 2004 foi apresentado no Chelsea. E não foi sozinho. André Villas-Boas também se mudou para Inglaterra, onde continuou a passar uma infinidade de tempo nos estádios adversários e no gabinete, a trabalhar a informação mais preciosa para ser entregue aos jogadores. Um desses relatórios de observação chegou a ser tornado público e maravilhou os entendidos pela forma como a equipa do Newcastle era decomposta. Literalmente, ao pormenor.

Em 2008, seguiu-se uma aventura em Itália. No FC Porto, no Chelsea e no Inter de Milão, teve a oportunidade de desmontar a forma de jogar das melhores equipas do mundo e isso deu-lhe uma grande bagagem do ponto de vista táctico. Ao mesmo tempo, foi absorvendo os ensinamentos de José Mourinho e traçando as suas ideias. Amassou um registo próprio e uma identidade bem definida daquilo que seria um estilo de jogo. O seu conceito de futebol aliado à velha ambição de ser treinador principal, um líder capaz de se impor pelo seu pensamento. Porque não queria ser adjunto por muito mais tempo.

Um ano depois de ter chegado ao futebol italiano, mudou-se para Portugal, para desagrado do mestre. E para treinar a Académica. A 14 de Outubro de 2009, foi apresentado como treinador da equipa de Coimbra, mergulhada no último lugar da tabela classificativa, agoniada e desacreditada perante o país desportivo. Era uma aposta de risco para um jovem de 31 anos e sem experiência de banco. Se falhasse, a sua carreira estaria hipotecada; se vencesse, outras portas se abririam. Mas os dirigentes estavam seguros da pérola que tinham nas mãos e apresentaram-lhe um contrato de duas épocas com uma cláusula de rescisão de quinhentos mil euros. Nada mau. Porque sabiam que nos últimos meses, o seu nome já tinha estado associado a outros clubes mais bem cotados.

Estreou-se no campeonato português à oitava jornada. E com uma derrota. Ironia das ironias, no terreno do FC Porto (3-2), o clube do seu coração. Mas logo ali se percebeu que algo iria mudar no futebol da Briosa: a equipa jogou mais confiante, muito compacta e sem descurar o sentido estético do jogo. Fez o adversário sofrer, sempre à procura do melhor resultado, sem se inibir ou baixar a cabeça. Seguiu-se uma recuperação notável, à custa de trinta pontos em 23 jogos e com o 11.º lugar na classificação final. Era o reflexo de um futebol sedutor e sem fixações defensivas. Sempre à procura do espectáculo, virado para a baliza adversária.

No início da caminhada, André Villas-Boas procurou distanciar-se das comparações feitas em relação a José Mourinho, mas os jogadores são os primeiros a reconhecer que mantém a mesma relação de empatia junto do plantel. «É um treinador que tem um grande coração», conta Jonatham Bru, ex-futebolista da Académica, que revela o lado humano de quem que não olha a meios para fazer o grupo feliz: «No Natal do ano passado, tinha pedido dez camisolas para oferecer aos meus amigos. Mas o clube enganou-se e entregou-me 30. Disse-lhes que não podia pagar tudo de uma vez. O mister ouviu a conversa e pagou metade.»

Mas houve mais manifestações de generosidade que cativavam o grupo e criavam fortes laços de solidariedade. Esse é um dos seus segredos, a forma como a barreira entre os jogadores e o treinador é cortada, mas sem colocar em causa os princípios da disciplina e da liderança. «Parece um homem duro, mas não é. É justo, é um amigo e trata toda a gente da mesma maneira. Quem joga ou fica no banco, todos lhe merecem o mesmo respeito e isso traz muita confiança. Quando o plantel jantava junto, fazia questão de ser ele a pagar a conta do restaurante», recorda o agora jogador da Oliveirense. À custa disso, levou muitos rombos no cartão de crédito.

Aos poucos, André Villas-Boas passou a estar nas bocas do futebol português e a merecer a atenção de outros clubes mais capazes. Foi apontado como hipótese para o Huelva (Espanha), esteve na mira do Sporting por duas vezes, numa delas chegou a dizer que tudo não passava de uma «palhaçada», mas resistiu à tentação e continuou na Académica. Não por muito tempo. No fundo, esperou pelo momento certo. Enquanto se pensava que Paulo Bento seria o sucessor de Jesualdo Ferreira no FC Porto, Pinto da Costa trabalhou pela calada e escolheu o antigo discípulo de Bobby Robson e de José Mourinho. Do namoro ao casamento foi um pequeno passo. E acabou por se despedir dos jogadores da Académica por SMS. Com as emoções à flor da pele.

A 4 de Junho de 2010, apenas com 23 jogos na Liga e um bilhete de identidade a mostrar a verdura dos 32 anos, foi apresentado no Estádio do Dragão como treinador do FC Porto. Cumpria um velho sonho de criança: ser o técnico da equipa que mais admira. Logo aí, perante o aparato mediático, as comparações com José Mourinho foram inevitáveis, mas procurou distanciar-se do mestre. O tempo todo. À custa de um discurso inteligente e mordaz. Não prometeu títulos, apenas disse que assumia «um compromisso com a vitória». Não deixou que fizessem dele uma imitação do Special One, pela postura no banco, pela irreverência ou pelos métodos de treino, apenas disse que era «mais clone de Robson do que de Mourinho». E porquê? «Tenho ascendência inglesa, o nariz grande e gosto de beber vinho.» Mais tarde, foi mais a fundo: «Não temos o mesmo carácter, a mesma personalidade e temos formas diferentes de comunicar e trabalhar.»

No FC Porto, André Villas-Boas começou por ser uma pequena brisa que se transformou numa lufada de ar fresco. Percebeu-se logo nos treinos da pré-época, nos quais nunca repetia o mesmo exercício, exigia uma rápida circulação de bola e impunha uma nova mentalidade ganhadora. «Os treinos são sempre diferentes e isso motiva os jogadores que não sabem o que vão encontrar quando chegam ao relvado. Mas o que mais me impressiona é a seriedade no trabalho. Quando é para brincar, brinca; quando é para exigir, exige. Nos treinos é como nos jogos, não pára de dar indicações, não pára de gritar. É muito exigente», diz Miguel Lopes, lateral portista emprestado ao Bétis.

Mesmo assim, muitas dúvidas se levantaram em relação à escolha do presidente Pinto da Costa. Viram-no como um treinador imaturo, sem o arcaboiço necessário para conduzir uma equipa da grandeza do FC Porto. Até José Mourinho se mostrou surpreendido por ver o antigo discípulo à frente do comando técnico dos dragões. Nada que o abalasse. A primeira prova de fogo foi superada com nota elevada: vitória contundente sobre o Benfica (2-0), na Supertaça, o seu primeiro troféu como treinador principal. E a mostrar uma equipa diferente, a jogar à FC Porto, com espírito combativo e ao ataque. A praticar um futebol sedutor e de sentido estético. Porque essa é a sua máxima de vida: «Se ganhar a jogar mal, não durmo bem.»

Aos poucos, os dragões descolaram e começaram a voar. Com um início demolidor no campeonato: nove jogos, oito vitórias e um empate. Sem derrotas. Com uma liderança expressiva no campeonato, a sete pontos de distância do rival Benfica. Na Liga Europa, o mesmo percurso brilhante. Sempre pela mão de um treinador próximo dos futebolistas, capaz das melhores estratégias para motivar o grupo. «Nos jogos em casa, os convocados deixaram de fazer estágios no hotel. Isso motiva muito os jogadores, que têm a oportunidade de estar mais tempo com as famílias. É um treinador com espírito aberto, pronto a ouvir, é obcecado pela perfeição e vai ao detalhe», revela Miguel Lopes. Por isso, os adjuntos andam com folhas de papel nos treinos e as sessões na pré-época foram filmadas.

André Villas-Boas tem dois anos de contrato com o FC Porto, mas a Europa já se rendeu às qualidades de um talento precoce. Esta é apenas a casa de partida de um homem que não tem sonhos. Apenas objectivos. De ascendência nobre, não é só o sangue azul que lhe corre nas veias. É a ambição própria dos campeões, a ambição de um principezinho que tem tudo para vir a ser um rei.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Homenagem ao adeus


O Tio Sabi presta homenagem ao Sr. do Adeus e oficialmente anuncia que durante todo o fim-de-semana da Feira da Castanha estará na rotunda da Portagem a dizer adeus a quem passa.
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Morreu João Serra, o "Senhor do Adeus"
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Era uma figura incontornável da cidade de Lisboa. Acenava a quem passava pelas zonas do Saldanha e do Restelo apenas porque acreditava que, dessa forma, fazia os lisboetas mais felizes.
Eles acenavam de volta. João Manuel Serra faleceu aos 80 anos.

João Manuel Serra assumiu por várias vezes nunca ter tido de trabalhar. Vinha de uma família abastada que o deixou com rendimentos fartos e lhe permitiu escolher uma «profissão» diferente.

Todos os dias, o Senhor do Adeus passava horas a fio sob sol ou chuva vendo os carros que passavam e acenando aos condutores. A motivação? Dizia que começou por brincadeira mas que percebeu que aquele trabalho deixava as pessoas mais felizes, distribuía sorrisos.

E se muitos havia que não percebiam e associavam a personagem a um certo grau de insanidade, a maioria retribuía os acenos e, com isso, levava para casa um sorriso no rosto.

João Serra tinha ainda outra faceta pública: era um acérrimo cinéfilo. Tornaram-se célebres, as tertúlias semanais que partilhava com o amigo Filipe Melo, músico de jazz, realizador e autor de banda desenhada. Todos os Domingos à noite, assistiam a uma estreia da semana que era depois comentada no blogue «O Senhor do Adeus».

Ontem à noite, em vez da habitual crítica de João, foi uma despedida que Filipe Melo publicou. «Todos os dias, o João dizia adeus às pessoas. Era assim que assim fazia as pessoas felizes e que as pessoas lhe retribuíam essa felicidade. Era um dos meus melhores amigos, e terei muitas saudades das nossas idas ao cinema e de o ver a sorrir e a trazer alegria a todos os que o rodeavam», recordou o amigo.

A história de João Manuel Serra levou-o ainda a outros caminhos. Desde a criação da estação que assinava uma rubrica de cinema no programa «A Rede», do Canal Q. Teve também direito a surgir na banda desenhada «As Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy», de Filipe Melo e Juan Cavia, e fez participações especiais no filme de zombies «I’ll See You In My Dreams» e na série de televisão «O Mundo Catita», nos dois projectos também sob a bandeira de Filipe Melo.

Os papéis foram agora invertidos. Ficam os lisboetas a despedir-se do senhor que passou a vida a dizer adeus.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

De olhos em bico…

(Montagem original. Agradecem-se créditos e eventuais donativos)



Quando andava no Liceu havia por lá um professor, um tal de Filomeno, que era o terror da rapaziada da área das matemáticas, coisa que a mim, menino das letras, pouco me afligia. Pelo que me consigo recordar dos relatos assustados nos intervalos, o homem tinha o prazer macabro de tornar ininteligível o que já por si era complicado. Coisa com requintes de malvadez. De aspecto era um sujeito estranho: roupa de há 2 décadas atrás, óculos pretos de massa em forma de dois televisores acoplados, cabelo às ondinhas, tudo isto composto num andar apressado e de esguelha que lhe davam um ar ainda mais “fora”. Tinha a fama de dizimar as expectativas das turmas em relação à disciplina. À excepção de dois ou três carolas que de tanto perceberem, brincavam com a coisa, toda a restante turma dali saia com a viola no saco e o chumbo certo cravado no centro do rabo. O Sr. Filomeno este seria portanto a antítese do que deveria ser. Complicava onde deveria clarificar e nessa medida, mesmo sem o conhecer, a ele ou à sua arte, arrisco-me a dizer que poderia ser muita coisa boa na vida mas professor não, certamente.

Serve esta longa introdução para dizer que me recordo muitas vezes do Filomeno quando ouço na televisão os especialistas em economia a explicarem a actual situação para a enorme massa encarneirada de espectadores na qual obviamente me incluo (embora numa ala moderadamente esclarecida). Para a grande generalidade dos portugueses, a lógica financeira é incompreensível. Os défices, os pibs, os spreads, a inflacção, os ratings são jargões que não passam disso mesmo, palavrões sem expressão concreta na sua vida real. O que eles querem saber é se a garrafinha de Ucal morninha, aquecida na máquina do café e acompanhada por meia torrada comida à pressa no caminho para o serviço paga mais ou menos IVA.

Eu posso não perceber a economia mas esforço-me. Mesmo que me custe entrar, eu quero saber e para isso tenho uma estratégia que defini para a minha vida há muitos anos, baseada no jogo do Mikado: se a coisa é complexa, tento simplificá-la, passo a passo, desmontá-la, puxá-la para a realidade, subtraindo-lhe a abstracção e fazendo-a real. Foi assim que aprendi as fracções que hoje tanta falta me fazem no meu dia-a-dia nas Finanças.

Tudo isto a propósito da visita a Portugal daquele que a revista Forbes cataloga como o homem mais poderoso do mundo: Hu Jintao, o presidente chinês. Sabem porventura o que é que o senhor este veio fazer ao solo luso? Veio acordar a compra de parte da dívida pública portuguesa.

Como?

Isso!

O Zé deve na taberna da esquina as paletes de minis que emborca durante o dia para esquecer o desemprego, a fome e a falta de tudo e mais alguma coisa. O China decidiu chegar-se à frente e comprou esse calote. O que é que significa isto? Em primeira instância, que passou a ser ele o credor. Numa análise mais profunda, significa que de alguma forma, se “assenhoriou”, no mais feudalista sentido do termo, do outro. A técnica é antiga e comum em esquemas mafiosos. Quem conhece o modus operandi deste tipo de organizações sabe do que falo.

É claro que a grande maioria dos nossos políticos e dos nossos governantes, que não passam de uma corja de ignorantes e interesseiros que só pensam em safar-se a eles e aos amigos, viram isto com os melhores olhos: “o que é que nós achamos disto? Que é belíssimo! Se os chineses compram a dívida é porque acreditam em nós, é porque nos vêem como cumpridores e acham que um dia vamos pagar. Para Portugal é uma segurança!”

Pois é… Está bem, abelha.... Mas… e quando chegar a hora de cobrar? E se porventura não conseguirmos pagar? Se a dívida é galopante e cresce de dia para dia, se o governo continua refém dos mega-projectos que favorecem quem lá o meteu… como é que vai ser quando forem horas de fazer contas? Responderão os nossos recursos endógenos, o nosso próprio país por estes erros irreparáveis?

Acontece que a China não é propriamente a Suíça ou a Bélgica e os tibetanos sabem-no bem, coitadinhos, tão fartinhos que estão de apanhar naqueles totiços carecas. Direitos humanos e diplomacia não são bem o forte dos chineses. Para além desta maquiavélica manobra financeira, há outras frentes de ataque que convém não descurar. Não sei se já repararam (a menos que andem por aí a circular de olhos vendados) mas eles estão em todo o lado. Não há lugarejo onde não tenham uma venda. Compram tudo o que vaga, quase sempre em dinheiro vivo (claro!) e esticam-se até não poderem mais. A sua extraordinária capacidade de trabalho (24h/7 dias por semana… se eles vivem na barraca, por Deus!) e a velocidade a que se multiplicam vão-se encarregar de fazer o resto. Chama-se isto uma invasão silenciosa.

Há umas décadas atrás, os franceses, embuídos daquele espírito altruísta da revolução, decidiram abrir os bracinhos e deixaram ir a eles as criancinhas, sobretudo das ex-colónias africanas. Hoje, barricados e atacados nas suas próprias entranhas, sufocam nos erros do passado. Há dias, a Sra. Merkel, lá teve de bater o pé e dizer que o multiculturalismo era muito bonito mas era melhor mudar o baile: quem quer estar tem de se adaptar e respeitar a ordem estabelecida.

Lá vem mais uma vez o “método de simplificação sabística” (ou seja, o meu): cá em casa somos 4. Eu já vou mandando pouco (com 3 mulheres… não é fácil) mas a coisa leva-se. Se alugarmos um quarto a um casal de ucranianos com dois filhos, o sótão a um casal de russos e a garagem a duas lésbicas finlandesas… quem é que manda à noite no comando da televisão quando nos sentarmos na sala a fazer serão?

Tudo isto é muito bonito. Só tenho medo é que possa complicar…

PS1: Um apontamento final para o obsceno jantar organizado em nome do nosso ilustre convidado chinês. Obsceno. Obsceno é o termo. Eu sei que a diplomacia não pode parar mas uma gala daquelas, com tanto luxo, tanta faiança, tanta cagança, tanto salamaleque, tanto esbanjamento, tanto desperdício quando TANTOS passam sem ter nada para comer… é VERGONHOSO!

Bem o podiam ter levado ao restaurante chinês da esquina. Acho que a sopa de algas está em promoção.


Ps2: Tinha eu acabado de escrever isto quando dou com este genial cartoon do sempre genial Henrique Monteiro cujo blogue aconselho vivamente. Está tudo aqui, em 3 vinhetas apenas. Um mestre!



(Clicar para ampliar)

domingo, 7 de novembro de 2010

O inventor

(Atenção que tem direitos de autor, ãh? Esta deu muito trabalhinho...)

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Arre que foi de arromba!

Um Futebol Clube do Porto de gala e um Benfica de galinheiro, foi o que foi.

Eu sei porque é que perdemos: porque há jogadores que ainda estão cansados do Mundial e acusam falta de rotina.

Assim que ouvi dizer que Jesus ia mexer na defesa, colocando David Luíz no lado esquerdo e chamando Sidnei a central, todo eu estremeci todo por dentro. A receita já tinha dado excelentes resultados na época passada, na Liga Europa em Liverpool, pelo que era de esperar o melhor. Os primeiros minutos de jogo haveriam de revelar o óbvio: estava encontrada a porta do galinheiro por onde haveriam de surgir as 3 jogadas que originaram os 3 primeiros golos. De rajada!

Jesus tinha duas abordagens possíveis para esta partida: ou entrava destemido, olhando o adversário nos olhos, jogando o jogo pelo jogo, com uma equipa aguerrida, mantendo o esquema defensivo até agora bem sucedido e apostando na eventual inclusão de novos valores capazes de causar surpresa (Gaitán? Jara?) apoiando Kardec, ou entrava a medo, como fez… e saiu-se mal. David Luíz foi incapaz de segurar um Hulk supersónico e um Sidnei sem ritmo e sem rotina ajudou a compor o ramalhete. Estava a barraca armada…

E depois, o Futebol Clube do Porto tem muito provavelmente a melhor dupla actual de avançados da Europa. Hulk e Falcão juntos são absolutamente diabólicos e fizeram do Benfica “gato-sapato”. As investidas vertiginosas e os remates bombásticos do brasileiro fizeram dele uma máquina de guerra imparável. O primeiro golo de Falcão é um hino ao futebol. A facilidade com que a equipa chega ao terceiro golo é assustadora. Parecia uma peladinha de fim-de-semana.

Depois houve tudo o resto… um Varela em velocidade cruzeiro, um meio campo de luxo com Moutinho, Bellushi e Guarín, dois laterais sempre disponíveis para subir (Sapunaru e Álvaro) e uma defesa tranquila e fechada a sete chaves por Maicon, Rolando e Helton. O Porto está uma super-equipa, muito bem orientada, extremamente bem estruturada, disciplinada e talhada à imagem de um treinador que vai dar que falar. Temos que nos render à evidência: foi um banho de bola à antiga.

O meu Benfica nunca passou de um rebanho tresmalhado que apenas a espaços deu ténues sinais de vida em inócuas investidas individuais. Um torpor… Muito pouco para um campeão em título.

As coisas agora estão mais simples: à décima jornada temos novo campeão (não tenhamos dúvidas…) e eu estou seguro que vou viver o resto do ano mais tranquilo. Resta-nos brigar pelo honroso segundo lugar com os lagartos e os bracarenses. Enfim… Há males piores…

Foi uma boa noite para os adeptos portistas que se deslocaram às Antas. Pelo preço de um bilhete assistiram a dois espectáculos: um jogo de futebol e uma tourada.

Quanto ao Jesus… isto é como tudo na vida. As paixões não duram para sempre e eu, para ser sincero, já vou estando um pouco farto do homem. Farto do ar enjoado, farto da apatia, farto das invenções tácticas, farto de muito merda. E se é para mudar, que deixem também sair os que estão por favor e a trampa que por lá há do tipo Menezes e companhias.

Meu santo Rui, santinho da minha devoção… vê lá se metes a mão na massa que se não… a coisa azeda.

Eu voto numa revolução… já!

sábado, 6 de novembro de 2010

Ai é tão bom... (by The Lucky Duckies)

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O meu caríssimo Marco António postou a seguinte mensagem no meu mural do Facebook:

"Olá grande Pedro! Já temos saudades tuas e de Marvão!


Finalmente o nosso disco estará à venda a partir de segunda-feira nas WORTEN's, FNAC's, MEDIAMARKT's, PINGOS DOCES, JUMBO's etc.


Espero que compres para nos ajudares a ir ao TOP+ Ficas com o videoclip oficial. Um abraço."

Mas é óbvio que vou comprar, não só para mim, como vou correr o pessoal todo do Natal com o esta preciosidade e vós, estimados leitores e demais cambada, deveriam fazer o mesmo! Quem é que disse que não há classe em Portugal?

Se o Frankie "Old Blue Eyes" e o Elvis vos vissem... estariam orgulhosos!

Ai é tão bom...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Doente (Pensando em Nemo e em Pessoa…)


Prostrado no meu leito,
Aprisionado neste ninho,
Vejo os dias sucederem-se,
Sempre iguais, de mansinho.

Agrilhoado pela dor,
Submisso à clemência dos meus,
Liberto-me, sonhando acordado,
Imagino-me a cruzar os céus.

Sou um pássaro, uma nuvem,
Um astro, um foguetão,
Um cometa, uma avioneta,
Um relâmpago, um balão.

Do meu quarto saio voando,
Parto rumo ao infinito,
Sobrevoo campos e mares,
Desvendando segredos e mitos.

Quando me sinto mais só,
E a almofada me quer engolir,
Fecho os olhos e imagino,
Rompo os limites, saio a fugir.

Na minha cabeça não há limites,
Dores, febres, desilusão,
Só mil e uma aventuras,
À espera da minha intervenção.

Salvo donzelas,
Decapito dragões,
Descubro tesouros,
Resgato galeões.

Faço piratas reféns,
Instigo rebeliões,
Desbravo novos mundos,
Ajudo a criar nações.

Bruxas, ogres e feiticeiros,
De mim fogem com horror,
Com o meu sabre dourado,
Tudo enfrento sem temor.

E enquanto assim m’entretenho,
Neste faz-de-conta só meu,
Reduzo a minha sentença,
E caio nos braço de Morfeu.

O tempo é a minha salvação,
Mas meu inimigo também,
Por isso o quero como aliado,
Para o mal e para o bem.

Todos dias assim penso,
No momento da minha libertação,
Em que deixarei para trás de vez,
Esta tão pesada reclusão.