sábado, 24 de abril de 2021

E ainda... o Carlos (do Carmo)


Ocupado com outros afazeres mundanos muito mais sérios, profissionais, e de cuidado, tenho pena de não passar por aqui a respirar tanto quanto gostaria.


O mais que consigo é ir dando uns sopros ao facebook, até que, pelo menos esta fase mais exigente, assim o queira.


Quando o assunto é mais sério e merecedor de destaque, sobe aqui. Como este.


Nos dias que correm acho que já ninguém corre a comprar discos, pelo menos como era dantes. Quase toda a gente tem forma digital de aceder a eles, seja por subscrição de serviço (que ainda pode ser baratíssimo e com grande qualidade, quanto o meu youtube music), por acesso ao gratuito do Spotify, ou gamando (que isso nunca se há-de acabar, pois é?).


Acabei de ouvir a obra de edição póstuma do Carlos do Carmo, "E ainda...", que partilho legalmente abaixo.


Digo-vos que é assim qualquer coisa: extrema qualidade musical (na composição e execução), sublime leque de letras (com poesia também do nosso tempo! Atente-se ao tema Mariquinhas.com), e a assombrosa voz de sempre .


Nunca fui particular admirador da figura, embora claro que sempre lhe reconheci o enorme e assombroso talento vocal e musical, bem como o papel preponderante que teve na luta contra o fascismo, e o Estado Novo.


Hoje fiquei absolutamente rendido. Quando um disco fecha com o recentemente desaparecido a dizer: "Cantar, dizem, é um afastamento da morte. A voz suspende o passo da morte e em volta, tudo se torna pegada da vida."


Porra! Que forma de terminar um disco, uma carreira, uma vida. Façam um favor ao vosso tio, façam: cliquem abaixo para ouvir este bálsamo... de vida!


Carlos do Carmo - E ainda... (2021)

https://open.spotify.com/album/5TcBz0g04VD8Zhw1ulh8lR?si=TniHjnu7Q5yDOZEdygoy3w


sábado, 10 de abril de 2021

E a montanha pariu... uma minhoca!

 

Texto dedicado aos capitães de Abril, que apesar de serem patentes, e certamente não estarem assim tão mal na vida, em termos pessoais, a arriscaram pela liberdade de todos nós, para que possamos fazer isto: DIZER O QUE PENSAMOS!

 

Bom, então é assim: a estas horas já praticamente toda a gente opinou sobre aquilo que se passou ontem: os comentadores mais bem informados e influentes no ecrã, já escamotearam o assunto; os cronistas mais encartados já lavraram as suas retóricas, uma legião imensa de novos cibernautas, nesta vertiginosa era do facebook, já construíram as mais imaginativas piadas, mas… eu, o Pedro Sobreiro, não fico bem comigo mesmo se não deixar escrito o que me vai na alma:

 

Desilusão. Uma profunda e sentida desilusão é o que me assombra hoje.  Não por querer ver sangue, não por querer que role a cabeça de um suposto inocente, não por querer que aquilo que os jornais sempre acusaram seja, como disse o juiz Ivo Rosa, a sentença final; mas porque tudo me parece tão bizarro, estranho e inconsequente, que não consigo parar de me sentir indignado.










Regra geral, os comentadores manifestaram que, para a grade maioria da opinião pública, nada disto faz sentido, e esta é uma rude e violenta machadada sobre a visão que tem sobre a justiça. Pois bem, pelo meu passado e pelos anos de estudo que tenho na minha vida, mais de metade (porque ainda continuam), mentiria se não dissesse que me considero um pouco mais bem informado que essa opinião pública (com pouca escolaridade e acesso à informação) de que tanto falam, mas tenho de confessar que também eu… não percebo nada do que se passou.


Não precisamos de ler na íntegra as 6.728 páginas as que constituem a decisão instrutória da Operação Marquês, e cujo resumo o juiz Ivo Rosa levou mais de três horas a ler, para se saber que dos 189 crimes que constavam na acusação, apenas 17 vão a julgamento, repartidos por cinco dos 28 arguidos que chegaram a esta fase processual.

 


Para mim, basta-me as capas dos jornais e as paragonas dos noticiários de ontem. Com que então?

 

O que importa saber é que o juíz este, arrasou a acusação do Ministério Público, que considerou com "falta de coerência", "especulação, fantasia", e de 189 crimes, apenas validou 17, o que fez com que das 31 acusações, apenas considerou 6: 3 por branqueamento de capitais e 3 por falsificação de documentos.

 

E porque é que passou a ser este, e não o Carlos Alexandre, que levantou a lebre e a meteu a correr em campo aberto?

Tanta história, tanto crime, tanto dinheiro gasto em luxúrias em Paris, tanta mordomia e altivez, para cair tudo assim por terra??!?!?

Será que o homem se vai mesmo sair assim a rir?

Agora o Ministério Público vai voltar à carga e pedir recurso para o Supremo mas… nunca mais será a mesma coisa.

 

E que me dizem do caso Ricardo Salgado neste teatro de fantoches da operação marquês? É que o juiz Ivo Rosa considerou que os alegados crimes de corrupção atribuídos aos arguidos José Sócrates e Ricardo Salgado, ligados ao Grupo Espírito Santo prescreveram em 2015, citando o Tribunal Constitucional para afirmar jurisprudência em relação ao assunto.

PRESCRIÇÃO?!?!?!?!?!?!?!? Mas como assim, se andam nesta merda há tantos anos?!?!?!?!?!? Como é que o portuguesinho do povão poderá perceber isto, se  nem eu que toda a vida andei a marrar neles, e consumo tudo o que é notícia na rádio, tv, jornais, disco e cassete pirata, percebo um boi desta jangada…



 
O JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL ajudou, ou seja, as decisões tomadas em casos passados congéneres ajudaram a que este juiz decidisse assim??!??!?!?!?!?!?

Porrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!

Agora, segurem-se bem para esta: Quanto aos 12 milhões de euros que circularam entre as contas de Ricardo Salgado e Carlos Santos Silva, o juiz referiu que “não há provas nem indícios suficientes” de que houvesse pagamento dessa verba a José Sócrates.

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

Esta é muito boa, mesmo! Reparem, não estamos a falar uma nota de 20 escudos tirada à socapa da carteira da mãe para jogar matraquilhos, flippers, jogos de arcada, ou para beber umas colas com os amigos! Não é 1, nem, 2, nem 3, ou 4,5,6,7,8,9,10,11………………..TTTTTTTTRRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!

São 12 MILHÔES DE EUROS QUE… se escapuliram! Épáh… os caramelos dos advogados do Ministério Público, ou seja, o braço jurídico do Estado que somos todos nós, não conseguiram provar que essa quantidade completamente absurda de dinheiro que rodava entre as contas desses senhores, chegou ao dito cujo!!!! POOOOOOORRRAA!!!!


Carros com envelopes cheios de dinheiro, escutas que eu ouvi com o cabrão a referir-se ao papel em linguagem figurada, a gozar à pála do Zé Povinho e agora isto... Ohhhh Deuuussssssss.....  


Olhem, depois da desilusão de que vos falava, a palavra é VERGONHA, salvo seja, André Ventura. É pá, mas é que é mesmo! Olhem, eu tenho de confessar que gosto de trabalhar para o Estado, por muitas razões e mais algumas. Foi um lugar que ganhei no maior concurso da função pública à data, por mérito próprio e sem qualquer tipo de facilitismos, ou alavancos, de que tanto me orgulho. Foi por mim! E acreditem que de cada vez que subo o monte para trabalhar, levo sempre em mim a consciência de um trabalho sério e honesto que é absolutamente imprescindível para que a nossa sociedade, livre, democrática, igualitária, funcione. Sem Autoridade Tributária e Aduaneira, sem os cabrões das finanças como tantos nos chamam (eu ouço…) não haveria escolas, hospitais, forças de segurança, um país a funcionar! Esta é a minha perspetiva diária, garanto. Gosto muito de dar um empurrão útil para que tudo funcione.

 

Estes casos causam-me profunda tristeza em ser português, e até aposto que vamos voltar a virar a chacota internacional dessa malta que olha para nós como os PIGS, (https://pt.wikipedia.org/wiki/PIIGS), os enjeitados, os atrasados do continente.

 

“Anda-me esta malta desde 21 de Novembro de 2014, quando apanharam o bízaro no voo chegado de Paris, para passados estes anos todos, e as humilhações das prisões em Évora e domiciliárias, o “deixarem assim sair quase a salvo”?!?!?!

 

Olhem, eu não sei qual é a vossa opinião, mas posso assegurar-vos que agora já não tenho dúvidas absolutamente nenhumas, que isto vai terminar com o caso do seu colega Lula da Silva, que andou para lá em trambolhões para o Brasil com o caso Lava Jato, e agora já aparece como uma fénix renascida da cinza, que alguns já apontam para o Palácio do Planalto.

 

Vale uma aposta que vai haver vida nova para o Sócras?!?!

Ai eu… 


Ver o vídeo... hilariante: https://www.facebook.com/pedro.sobreiro.14/posts/10208376560809267











domingo, 21 de março de 2021

90 anos de ti, Caly (21 de Março de 2021) - Parabéns!

 



90 anos de ti, Caly (como tu escrevias, quando escrevias… com “y” no final, para dar um toque de modernismo)

 

(suspiro… fundo)

Nem sei bem porque é que faço isto, mas tenho algo dentro de mim que me diz para o fazer. Não sei se será porque me sinto mais próximo de ti, porque sei que há quem leia e se identifique, se será porque me acalma, apazigua, me reconforta, mas a verdade é que me faz sentir melhor, como se tu pudesses ler, se tu pudesses compreender. Enquanto teço estas palavras, com o aquecedor a óleo a dar-me calorzinho nas pernas, nestes dias de sol mas ainda muito frios de Março, parece que estou de volta à tua casa, na Beirã, e aos longos dias que passei sentado à braseira de picão que a avózinha acendia para nos aquecer, contigo, ela e a Maria, a adorarem cada gesto que fazia. Acho que a minha busca incessante por atenção, a necessidade de retorno de afeto, vem daí. “Mal habituado” desde  início.

 

Muitos parabéns, Caly, pelos teus, hoje, 90 anos de vida. 90 anos, hã?!?!? Quem diria que assim haveria de ser? Nunca ninguém nesta família Sobreiro, que eu tivesse sabido, pôde chegar a essa data tão longa. A avózinha e a Ti Bia foram ambas com 86, a ti Mirene com muito menos, o meu pai com 49, menos 41 que tu. Como é isto da vida, hã?

 

O meu grande desgosto é saber-te cá mas… apenas em presença física, como se fosses uma estátua viva daquele ser que nos habituámos a amar tanto. O tal almoço de família em que certamente todos faríamos tudo para estar, não pode ser realizado porque as vítimas do Covid 19, não são só aqueles que infelizmente deixam de respirar, mas também aquelas que sofrem com tudo aquilo que se perdeu à volta, como o ritual do nosso convívio semanal, do qual já há um ano nos vimos privados.





Já há muito tempo que o brilhozinho dos teus olhos se vinha perdendo mas nós, que passamos a vida embrenhados no egoísmo sorvedor dos nossos dias, acho que fomos fazendo com que isso não se notasse, e dificilmente se notava, de facto, porque a Tia Bia, sempre atenta e espevitada, ia sendo a tua muleta que tudo ia amparando. Só quando ela cedeu, e me pediu ajuda dizendo que não se queria separar de ti, mas não conseguia mais sozinha, eu atendi. E foi então, quando te soube entregue e bem cuidada na Santa Casa, ela própria se deixou ir, não nessa noite, mas na outra seguinte.

 


Essa doença marada com um nome de cientista maluco, que pelos relatos da Ti Bia, já tinha assombrado uma familiar nossa mais antiga; é mais uma das que a genética muito provavelmente irá colocar como pedra no meu caminho, e é tão triste porque nos leva o que mais gostamos, e nos deixa cá o invólucro para adorarmos, como se fosse uma saudade eterna em vida.

Quando eu nasci… tinhas tu 42, e sendo o filho do teu irmão mais novo, ao qual levavas 14 anos, caí-te no regaço, na mesma aldeia onde todos viviam, como se fosse ouro sobre azul, não foi?

Solteira, ferida por um desgosto de amor que deixaste em Castelo Branco, com eles os dois a morarem ao fundo da tua rua, e a trabalharem todo o dia, todos os dias, sem creche nem infantário, deste-me o ninho de amor suplente, que muitas vezes se tornou o principal, porque era de noite, estava frio, e se o menino pudesse lá dormir, na tua caminha...

 

Não acredito que hajam preferências à partida, mas a vida e as suas circunstâncias, fazem com que assim aconteçam. O meu irmão Miguel, que nasceu 6 anos depois, quando vocês já estavam na loja, tem uma relação completamente diferente, como é natural. Com os primos, filhos da irmã “’(Pe)Canina”, que sempre viveram na Covilhã, e só estavam contigo 2 ou 3 vezes por ano, também assim teria de ser.



Para quem parte de repente, como foi o caso do meu pai, é um furacão na vida de quem fica, que nunca mais é o mesmo, mas para quem vai, é sempre melhor que seja assim, do que estar preso a uma cama, consciente, a sofrer, a definhar...

O teu caso é diferente, porque graças a Deus encontrámos um lugar na Santa Casa onde não te falta amor, atenção, e muito carinho. Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas que são elas, as funcionárias; e eles, todos os profissionais e responsáveis, os principais responsáveis por ainda cá estares rodeada de afetos. Se assim não fosse, nós que todos temos uma vida ocupada, como é que poderíamos?

 

Também é bom que não te apercebas como a tua casinha, o teu quintal que tão bem cuidavas… estão ao abandono, e como aquela que era a nossa Beirã já quase não existe mais. Se não fosse a Anta, e mais um ou outro café, já não haveria nada, comparada com aquela Beirã em alta roda dos anos 80, com muito comboio internacional e de mercadorias, com muitos alfandegários, guardas fiscais, ferroviários, ajudantes despachantes, turistas e crianças da terra, onde a mercearia das manas Sobreiro era um dos pontos de encontro para aquisição de bens, cantina para buchas, bar de copos, e convívio.



Estarás cá, querida, como estamos todos, até que Deus queira. A minha grande tranquilidade é que nessa redoma de vidro onde te encontras, não te falta nada para que te sintas bem tratada e amada, como sempre foste toda a vida.

 

Gostei muito de estar este bocadinho contigo.

 

Beijinho grande, de parabéns do teu,

 

Pedro


domingo, 28 de fevereiro de 2021

Os 7 de Chicago

 

O Netflix outra vez, ou a nova forma de ver cinema, e as formas diferentes de o distribuir. Num quadro de época muito bem captado, retrata-se como a convenção nacional do partido democrata naquela cidade, em 68, foi o isco para cerca de 15 mil manifestantes que se revoltaram contra a guerra no Vietname. e ali afrontaram agentes que superavam esse número!

O julgamento dos famosos “7 de Chicago”, os ativistas anti-guerra que se tornaram nos bodes expiatórios dos violentos motins que tiveram início a 28 de agosto, nessa cidade do estado de Illinois, naquele que foi o verão quente do pico desse conflito, é o centro deste filme. Obra de época, no ano mais sangrento dessa guerra, recordam-se os mais de mil militares americanos quem morriam todos os meses, e Martin Luther King, assassinado apenas quatro meses antes.

A guerra, o movimento dos direitos civis, marcam compasso numa obra que merece ser vista, e que certamente irá dar que falar naos galardões deste ano.


(E afinal, o Sacha Baron Cohen sabe muito mais do que fazer só rir...)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Youtube Music e/ou contra a catástrofe perfeita

A notícia:
https://www.dn.pt.pt/cultura/amp/carnage-a-banda-sonora-perfeita-de-nick-cave-para-uma-catastrofe-coletiva--13390778.html


Acerca desta notícia, tenho a dizer que o que é verdadeiramente assombroso em se ser assinante do serviço "YouTube Music", é que por  6,99€ por mês, ou seja, menos de 23 cêntimos por dia, menos de 1/3 de um café, se pode ter acesso, com dois cliques apenas, à maior e mais completa discoteca do mundo, com todos os discos, dos mais clássicos, aos mais acabadinhos de sair. 





O tempo que eu andei à procura, até ter conseguido encontrar qual seria o mais indicado para mim... 

Comprar discos?!?!? 😱😊😂🤣😂🤣😂

Um ouve falar num disco que deseja ardentemente, como este, faz dois cliques e, de forma completamente legal e sem manigância alguma... le voilá!!

Admirável mundo novo, meu caro Aldous Huxley... ❤️

Obrigado!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

U JOGUE QUE NÃU NUS (a)LAVANCOÚ

Títalo sigundo declaraçãún dáda nu comentaríum ao jogue

 

Análise do espetáculo de hoje do final de tarde, pelo vosso professor amigo do futebole: Jonas Savimbi...

 

Até correu melhor do que pensava. Feito estúpido, esqueci-me dos meus próprios conselhos de que jamais poderia voltar a cair nisto, e cheguei a sofrer. Mas enfim…

 

O Benfica entrou bem, forte, a trocar bem a bola, a povoar muito o meio campo do grande Arsenal, que também está a o passar as passas do Algarve, onde eles gostavam tanto de vir, a meio da tabela. Dividiu o jogo, teve mais ou menos os mesmos remates, e até fez muito menos faltas que os bifes. Fiquei surpreendido.

 



O pretinho com cara de cachopinho e penteado à Pélé, ainda ameaçou a marcar um fácil, fácil que foi anulado por um off-side tirado por um pintelho. Se desta não foi, da seguinte foi de vez: 1 a 0 para eles. Pior! Tudo tão fácil que até fazia doer a alma. O ímpeto inicial foi-se perdendo e o Benfica foi-se apagando, sem hipóteses de golo, à exceção de uma única cabeçada do Vertonghen, que passou bem por cima da barra, não percebi o alarido.

 


O inexplicável chegou com um golo de bola parada, coisa raríssima a nosso favor nos últimos tempos que me lembre, quando o improvável Diogo Gonçalves meteu, ao fechar da primeira parte, com altíssima precisão, a bola no cantinho da aranha.

 

No regresso dos balneários, DJizûs Kráiste quis mesmo dar ares da sua genialidade e mexeu na equipa: por esta altura, lembrou-se de tirar

1) o capitão Pizzi (as coisas entre os dois estão mesmo queimadas! Viram o ar dele ao sair?!?!? DASSSSSS…. Queimava!) para meter o Everton Cebolinha que fez uma boa merda e foi mamadão no 2º golo deles, tendo ficado colado ao chão;


2) o Esferovite para meter o Dár-uíne (ou seja, a mesma merda! Avançados como o Sabi nas Velhas Guardas: sem faro de golo, apesar do tamanho da penca!!!!), e o desengonçado do Tá-Á-Rá-Á-BATE, pelo gordo do brazuca Gabriel, que não acrescentaram nada de nada, de nada!

 

Se fomos para o intervalo meio,  abananados com esta benesse dos céus do golo (eu quase estava capaz de apostar que o rapazinho em mais mil hipóteses, jamais seria capaz de repetir o feito), ainda mais boquiabertos ficámos quando um defesa dos bifes, atrasou de forma desastrosa uma bola chegada por alto do guarda redes Helton Leite (boa escolha, Jesus! O Vlako nunca faria isto), e deixou o ratinho Rafa desviá-la do guarda-a-meta adversário, para fazer o segundo para nós.



Felicíssimos, inchadíssimos, com dois por cima, estávamos capazes de rebentar. Assim eles já teriam de marcar dois para passarem, o que claro que todos sentíamos que isso iria mesmo acontecer. A forma do Benfica jogar era então altamente irritante! A bola parecia que queimava! Bolas para o lado, atrasos e mais atrasos, passes perdidos, e diz-me aquela ave rara que fizéramos, como ele diz, “un bon jogue”.

 

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ou seja: eu aos gritos!)

 

Como já contei aqui, eles fizeram mais um e ficou 2-2, o que confrontado com o empate a 1 golo da primeira mão, em que jogámos em casa… em Itália… (https://www.zerozero.pt/jogo.php?id=7812108), ainda dava para passarmos pelo buraco da agulha a menos que… houvesse mais brilhantes invenções, como a do mago que tirou o pequanino Grimaldo, para meter o trabuco do Tavares, que não foi capaz de cortar o cruzamento do golo deles, coadjuvado pelo tão esperado “deus-do-céu Lucas Veríssimo” que não foi homem para incomodar o tão esperado, e de sempre Aubameyang, que marcou o 3-2, assim de tão fácil que só foi preciso encostar a cabecinha.

 


Já foste! Já fomos!

 

E assim, o Rambo que chegou no andor do Brasil carregado por querubins, o tal que iria meter a equipa a jogar não 2 vezes mais, mas 3 vezes mais!!!! (eu queria ver quantos votos teria um candidato a presidente de câmara, se anunciasse aquando da candidatura, que iria meter os trabalhadores a renderem 3 vezes mais J JJJJJJJ), sai a ganir Caim, caim, com o rabo metido entre as patas de trás.



Eu levo as mãos aos céus e grito: “E NÓS DEUS?!?!?!?!?!?!? AAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII… QUE VAI SER DE NÓS?!?!?!?!?!?!?!?

 

Olha, para já, como ele diz, é “jogue, a jogue”!

 

E onde será que anda esse Vieira que eu tanto gabava, que era capaz de construir equipas que nos deram tantas alegrias, de ter reabilitado o clube financeiramente, e a nível de prestígio; que nos deu o Seixal, a BTV… onde está?!?!?!? Será que eles tinham razão, e afinal é só o Muammar Kadaffi dos Pneus do Carnide?!?!?!?




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Daft Punk 93-21 (the end of Da Funk? + a new beginning)

 




A triste notícia (pela qual não estava nada à espera...) que ouvi rezava assim:

Em homenagem à discrição quase anónima com que sempre fizeram música, os Daft Punk anunciaram no dia 22.02-2021 sua separação, através de um vídeo enigmático, intitulado 'Epilogue', onde uma figura explode e a outra inicia uma longa travessia no deserto, enquanto o céu muda de tom. Com um mero "1993-2021", sem nenhum texto de despedida, termina desta forma um dos percursos mais notáveis da eletrónica, a cargo dos franceses Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter, que sempre se enconderam envergando capacetes.




Os Daft Punk tiveram uma carreira de 28 anos, com uma discografia pequena mas de peso, com cinco álbuns, o último dos quais "Random Access Memories" (de 2013), que foi premiado com três Grammys, incluindo na categoria mais desejada de Melhor Álbum do Ano. O conjunto de êxitos - 'Get Lucky', 'Lose Yourself To Dance', ou 'Give Life Back to Music' - permitiu ao disco alcançar a liderança das maiores tabelas de vendas, como os tops norte-americano, britânico, alemão, francês, mexicano, australiano ou canadiano. Também em Portugal, "Random Access Memories" atingiu o lugar cimeiro do top de vendas.

 



 

Um pouco de (grande!) história… (de quase 3 décadas…)

 

Os Daft Punk aparecem internacionalmente em 1997, através do álbum "Homework", integrando um movimento de nomes de eletrónica de França que marcaria a última década do século XX, a par de Laurent Garnier, os Saint Germain, os Air ou Mr. Oizo.



Um certo revivalismo do disco-sound, com o filtro personalizado dos Daft Punk, fica mais definido a partir do segundo álbum, "Discovery" (de 2001), que conta com o tema célebre 'One More Time', onde participa o cantor Romanthony. O visual dos capacetes passa a ser usado pelos Daft Punk nesta altura.
 

 

A faceta misteriosa dos Daft Punk foi-se consolidando com o facto da dupla raramente ter feito espetáculos ao vivo. A última digressão internacional aconteceu entre os anos de 2006 e 2007, e passou por Portugal, naquele que tornar-se-ia no único show dos Daft Punk no nosso país, quando atuaram no Festival Sudoeste de 2006, a poucos quilómetros da Zambujeira do Mar. Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter atuaram numa estrutura de pirâmide.

 


 

Perante o abalo desta decisão de separação, muitos fãs pedirão 'One More Time', para que os Daft Punk voltem a abanar o capacete. Nem que seja só mais uma vez. 

  




Pois eu fiquei muito triste, e acho mesmo que esta é uma perda lamentável. Nestes quase 30 anos de produção (recordo-me que tinha apenas 24 anos quando surgiram, e como corri a comprar o primeiro disco na Woodstock, em Portalegre, que ainda tenho), a minha vida tem sido melhor ao lado esta fantástica presença sempre inovadora, criativa, altamente inteligente, dançável, riquíssima graficamente e atual.

 

Numa época em que as caras são quase tudo, a sua opção por ter uma grande não imagem, muito estilosa e categórica, de capacetes enfiados, foi altamente diferenciadora.


Eles surgiram naqueles anos loucos de... novo boom de música eletrónica, juntamente com os soberbos Prodigy e o absolutamente fora de série Fatboyslim. O primeiro vídeo que vi deles e me apaixonou por completo foi este delicioso Around the World, realizado de forma primorosa por Michel Gondry. Deixo aqui alguns dos meus favoritos, embora esta seja uma banda daquelas que tudo o que fez, é muito bom!

 








 

Falando em música, notícias, novidades e os nossos tempos, faço aqui a chamada de atenção para o novo podcast no Spotify, chamado "renegades: born in the usa", em que Bruce Springsteen e Barack Obama se sentam como dois bons amigos que são, para falarem sobre os problemas americanos numa série de oito emissões, dois dos quais já estão disponíveis. 



Destes dois ainda apenas ouvi um, mas o que eu vos digo é que ir por aí numa das minhas caminhadas, com estes dois meninos a falarem-nos aos ouvidos sobre o estado atual de um país, que tem um peso no nosso imaginário como aquele, gratuitamente… é assim qualquer coisa.

 

É certo que não podemos intervir, mas estar ali sentado junto àquela mesa, a presenciar a conversação ente estes dois monstros sagrados da América, é algo do domínio do sobrenatural.

 


Segundo o teaser do programa, ele prova “como uma estrela do rock e um ex-presidente americano podem ter tudo e nada em comum: a música e a política, afinal, não são universos assim tão distantes.”

  

Ao programa pode aceder-se clicando aqui:

 https://open.spotify.com/show/42xagXCUDsFO6a0lcHoTlv



https://radiocomercial.iol.pt/noticias/107789/obama-e-bruce-springsteen-juntos-em-novo-podcast