segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Está lá? Estou sim?



Há dias, ligou-me um sujeito aqui para casa que queria falar com o Sr. Pedro Sobreiro.

- É o próprio. Diga fachavor.

- Sr. Pedro Sobreiro, estou a ligar-lhe para lhe dar uma boa notícia…

(Como a coisa me cheirou a esturro, apressei-me a esclarecê-lo…)

- Olhe… se é para vender alguma coisa, digo-lhe já que não vale a pena perder o seu tempo. Eu tenho mais que fazer e o senhor certamente não vai querer estar a falar em vão, pelo que podemos fazer um favor um ao outro.

- Não, não! Nada disso. Estou só a ligar para lhe dizer que o seu crédito foi aprovado.

- O crédito foi aprovado? Mas… que crédito, homem?!?! Se eu não pedi crédito nenhum…

- Eu sei, Sr. Pedro Sobreiro. Trata-se de um crédito pré-aprovado no valor de 4.000 euros, a não-sei-quantos-meses com uma taxa xpto…

(Isto num banco com o qual nem sequer tenho grande relação/montante em depósito)

- Ah… assim sem mais nem menos? Pois… mas eu não quero esse dinheiro.

- Compreendo, Sr. Pedro Sobreiro. Mas não tem desejos, aquisições que queira concretizar já?

- Então não tenho?! Se eu tenho… Mas não assim. Não se pode ter tudo, sabe…

- E pode dizer-me o motivo específico pelo qual não vai aceitar a nossa proposta?

- Não.

- E porque não, Sr. Pedro Sobreiro?

- Que não porque não. Eu não lhe tenho que dizer tudo, pois tenho?

- Claro que não, Sr. Pedro Sobreiro. Queira então desculpar o incómodo e tenha uma boa tarde, Sr. Pedro Sobreiro.

- Olhe, já agora… boa tarde para si também.

(E fiquei a pensar naquilo…).

Percebe-se, pois então, porque é que das mais de 17 mil famílias sobreendividadas que pediram ajuda à Deco, só 16% estavam em condições de serem apoiadas. As outras estavam irremediavelmente arruinadas. Para além dos créditos óbvios para quem não tem pais ricos (casa/carro), muitas delas chegavam a ter mais 5 créditos pessoais destinados a suprir desejos supérfluos (viagens, electrodomésticos, roupas, gadgets electrónicos, enfim…).

A crise, o desemprego, a instabilidade surpreendeu-os ao virar da esquina e deixou-os com a corda da garganta.

E o que me custa é que estes “pilantras” da banca que são co-responsáveis pelo agigantar de egos que tantos levaram à desgraça pela via do crédito fácil, continuam a operar impunes no mercado sem serem chamados à responsabilidade.

É a actividade deles, dirão alguns (já os ouço…) em jeito de advogados do diabo.

Será certamente, respondo eu, mas há muita maneira de matar tordos. Que “vendam dinheiro” e ganhem com isso eu até acho bem. Já não concordo nada é com esta política de “ir a todas e sugar até ao tutano”.

Nos tempos que correm, isto é quase como mandar um pacotinho de coca pelo correio a um junkie em reabilitação. Ou oferecer uma garrafa de uísque no Natal a um alcoólico anónimo. Isto é quase extorsão. É esmifrar.

E eu acho que o Estado, o Estado que existe e faz sentido por nossa causa e é suportado por todos nós não deveria deixar os cidadãos assim expostos à rapina destes abutres. Devia injectar bom senso no mecanismo. Devia instigar a prudência e não permitir que este tipo de aliciamentos acontecesse, sobretudo em tempos assim…

Seria bom que assim fosse.

Entretanto e enquanto for permitido, eu imagino quantos não cairão todos os dias… quanto mais não seja, tentados a aceitar este dinheiro (que pagarão a peso de ouro) para tentarem com ele colmatar brechas noutras partes do navio. Mal saberão eles que… jamais o conseguirão assim levar a bom porto e o mais certo é irem ao fundo… a pique.


Eles deviam era levar com mais como este da carta em baixo…

(com um abraço para o meu querido amigo Rui Pescada, pela foto via mail)



(Clicar para ampliar)

Nível, rigor e isenção... ou talvez não!


Tempos houve, anos foram, em que a SIC era a minha referência obrigatória em termos de informação televisiva.

Contrariando o incontornável “mandamento” de qualquer curso de comunicação que define que notícia é quando um homem morde um cão e não o contrário, a SIC, embalada pela guerra de audiências, decidiu-se, tristemente, por esta via.

E eu lamento…

Onde é que isto vai parar…

(Um coelho foi caçado no Alentejo? Pescaram uma sardinha em alto mar? Um homem tomou o pequeno-almoço numa pastelaria? Há pessoas que se levantam para ir trabalhar?...)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

De vez...


Já por aqui tinha falado nesta desgraça… quando soube da notícia.
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Mas há coisas em mim… que até a mim me surpreendem.

E assim me vejo, sobretudo desde que deixei a minha missão autárquica, a passar ao lado de coisas e de causas que me deveriam mobilizar. Ter-me-ei porventura apercebido que a maldade humana é um realidade perene e que há males no mundo, que por mais que se combatam, jamais se extinguirão.

Os comboios de passageiros deixaram de circular no Ramal de Cáceres e a Beirã, a minha Beirã, a minha terra de sempre e para sempre, já ferida de morte desde a abertura das fronteiras, levou a estocada final.

Para o momento da despedida, a essa derradeira partida, compareceram políticos e populares, gentes da terra e de Portalegre, cidadãos mobilizados, cidadãos preocupados, gente que se mexe.

Faltei eu. Mas eu devia ter estado naquele funeral.

Devia ter estado porque os comboios, aquele comboio, aquela automotora fazem parte de mim e da minha vida. Eu passei centenas e centenas e centenas de horas a viajar naquela linha. Eu percorri centenas de vezes os quilómetros que aqueles carris tatuaram na paisagem até Lisboa. Eu vi o mundo a passar por aquela janela. Eu devia ter estado porque quando penso nisso, vem-me à memória o cheiro intenso a querosene das travessas e sinto na ponta dos dedos a superfície rugosa das pedras que aconchegam o caminho-de-ferro.

Eu devia ter estado porque o comboio me traz milhares de recordações… O meu avô foi chefe de estação. A minha avô viveu naquele edifício da estação. O meu pai trabalhava naquela estação. Eu aprendi a viver sempre com o comboio ali ao lado. Respeitando-o. Temendo-o. “Vê lá não fiques debaixo do comboio! Tem cuidado com a linha!” devem ter sido das frases que mais ouvi na minha infância.

E as memórias… as cervejas Sagres médias de “bujão” e as sandes de presunto que comprávamos no Sindicato dos Ferroviários do Entroncamento... A vez em que assámos chouriços durante a viagem… A história em que os funcionários fugiram atrás dos perdigotos... A avaria que quase me amolou o exame de Direito. Tanta história que dava para estarmos uma noite inteira sem parar.

Eu compreendo que aquele serviço há muito deixou de ser rentável mas a questão tem de ser colocada ao contrário. É preciso é perguntar a que ponto se deixou chegar aquela linha, a que ponto se deixou chegar o interior para que o serviço tivesse deixado de ser rentável. Quantas horas se demora a chegar? Quantas mudanças de composição se têm de fazer? Quanto se paga e que contrapartidas se tem?

Eu compreendo que o serviço já não seja rentável. Não compreendo é que se diga que tem um custo insuportável. Há custos bem mais insuportáveis que ninguém tem coragem de cortar. Ainda há pouco li que a direcção da RTP tem à disposição 60 viaturas diferentes. Por que razão não acabam de vez com esse enorme elefante branco que não faz falta para nada nem ninguém e ainda por cima concorre deslealmente com outros canais privados? Acabava o país se acabasse a RTP?

Eu digo isto muita vez: se os espanhóis se lembrarem de entrar por isto adentro… dantes ainda podiam ser detectados nas portagens. Agora… com o pagamento automático, já só dão por eles no Terreiro do Paço.

O interior não conta e este Governo e os Governos que o antecederam fazem uma gestão absurda do território. Em vez de gerirem de forma harmoniosa este país tão pequeno, tão rico e tão belo; em vez de promoverem uma distribuição coerente da população, dando incentivos à interioridade, descentralizando serviços… enfim, fazendo aquilo que todos sabemos e esperamos… entra e alinha com esta cruzada lunática de querer tudo “encafuado” nas grandes cidades, cada vez mais violentas e descaracterizadas.

Há coisas em que somos um país de merda. Ponto final.

Não tenhamos ilusões: agora foi o comboio mas qualquer dia vão as juntas, as câmaras, as Finanças e a Conservatória. Qualquer dia vai tudo, de vez!

Eu compreendo, admiro e aplaudo as pessoas que fizeram questão de estar nessa última viagem mas eu já estou noutra. Eu sei que as boas intenções não chegam. Para mim… ficar na fotografia não chega. Eu como e calo e acumulo e sei que um dia vai chegar o dia em que a gente tem de dar um passo em frente e esse dia é capaz de não estar tão longe quanto eles… os que mandam… pensam que está. Isto um dia vai dar merda e é da grossa e aí… há muita coisa que vai mudar. Fenómenos como este que agora alastra pelo norte de África não acontecem por acaso.

Eles podem levar o comboio centenário mas jamais nos tirarão a nossa dignidade.



PS: Resta-me mandar um abraço a todos os que têm lutado para que este assunto seja falado e não seja esquecido, sobretudo para o meu amigo Tó Mané que, gerindo a complicada dualidade de papéis Presidente de Junta/Funcionário da C. P., tem sabido sempre estar ao lado da população, defendendo os interesses da sua/nossa terra. Tão triste… mas firme e hirto. De pé!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sonhando…

Afinal... és pequenino. Olha aqui onde eu chego com o pé!
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Eu não sei se quem me lê já esteve numa final do Jamor…

Se não esteve, eu explico: aquilo é a festa mais linda que há no futebol português!

Não podia haver coisa que eu quisesse mais hoje que bater o Porto no seu reduto.

E, com duas “secas” no bolso, já me sinto a pairar naquele ambiente sem par, num mês de Maio a saber a Verão. Já me imagino por entre a multidão, a provar o tinto carrascão e o morangueiro vertido em generosas golfadas de garrafões de gente amiga. Naquele dia toda a gente é amiga. O Jamor é um céu feito de grelhadores fumarentos apinhados de sardinha gorda. Um paraíso de carvão, frangos assados e bela entremeada.

A Taça de Portugal é uma sandes de barbela (com pintelho!) a transbordar pelos lados da carcaça. Colesterol a 500.

E o futebol? É lindo mas é o que menos interessa que ali não há clubes ou partidos. O que se quer é um bom jogo e um justo vencedor. O resto são histórias para contar aos netos.

Hoje levei o dia a pensar nisso e já só pedia a Deus e à Senhora de Fátima que nos ajudasse. Eu mereço. Estou farto de padecer. E o milagre, ou melhor, os milagres aconteceram:

O Milagre de Acreditar por São Coentrão, ou a magia de perceber que um lance nunca se dá por perdido. A magia pode estar mesmo ali… onde menos se espera… nascida da desatenção de um defesa titubeante e um guarda-redes indeciso. Se o Cardoso ao menos tivesse visto a luz… nunca teria rematado com o pé esquerdo, minutos depois. Não se pode ter tudo…

O Milagre da confiança por São Xavi Garcia, ou a certeza de bem meter o pé à bola e bater a puta a 94 km/hora, agradecendo da melhor forma a oferta de um defesa (o cabeçudo do Fernando) que cortou para terrenos proibidos.

Ainda tentei convencer o meu pessoal a fazer uma caravana, mesmo que fosse só aqui no quintal mas elas disseram que amanhã é dia de escola e está muito frio. Já estavam deitadas.

Tudo bem. Eu compreendo. Não sou teimoso.

Mas que vou levar a noite a sonhar com fogareiros, eucaliptos e GNRs montados a cavalo… Disso ninguém duvide!

Amanhã começo a fazer as malas. O palhinhas e a viola já estão na mala do Twingo.

Deus é grande! Aleluia!


PS: E um abraço ao meu grande amigo Luís Barradas, cuja companhia me deu sorte. Estamos aqui… estamos lá!

Revolution Rock

E duas moedas na Jukebox com dedicatória para aquele pessoal do Egipto que é bravio e anda mexido!

Som na caixa!

Qualquer dia é por cá!

Eu ando deserto…

Alguém sabe onde é que se vendem elásticos para as fisgas?



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Por incrível que pareça…


Há coisas perante as quais até eu fico sem palavras.
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PS: Isto comove-me de tal maneira que acho que estou capaz de passar o resto da noite a chorar e a comer pacotes de Oreo de empreitada. Não há embalagem de Kleenex que aguente.

Coisas que me deixam triste...

E sem esperança no nosso país.




A despedida do Cabaret Maxime
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Cabaret lisboeta na Praça da Alegria desligou o interruptor no passado sábado, 29, com uma "elegante festa, daquelas em que vale tudo".
In site da Visão, aqui.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ai andele!


Ora aqui está o engenho de uma rapaziada que… se fosse eu que mandasse, eram sérios candidatos a um prémio qualquer de inventividade, ou melhor, de preservação da memória histórica, para ser mais preciso.

Toda a gente sabe que o México não tá fácil. Aquilo lá para as bandas de Tijuana, Cidade Juárez e arredores anda mexido. E de que maneira… É rara a noite em que não há baile mandado.

Ora isso ainda dá mais valor a esta iniciativa. Quando um tipo passa as noites na rua de “plantão” ou em intermináveis tiroteios com a polícia tem menos tempo para se dedicar à pesquisa de novas formas de tráfico / contrabando.

Ainda assim… lá apareceu um iluminado que se lembrou de “volver al medieval” construindo uma catapulta de 3 metros que lançava para território gringo “pacotinhos” de dois quilos de erva.

Coisa de nível!

Só é pena que as autoridades mexicanas não tenham achado piada à coisa quando até podiam ter promovido excursões das escolas para verem como funcionava. Enfim…

Falta de visão é o que é!
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sábado, 29 de janeiro de 2011

Porque é que a música portuguesa está de parabéns?

Porque porra!,deve ser das únicas coisas que se faz nesta horta à beira-mar plantada com nível para competir em qualquer parte do mundo com o melhor que por lá se faz.

Por exemplo…

Os Expensive Soul, uma das mais extraordinárias bandas por cá nascidas, num registo retro com roupagem soul ao melhor estilo Motown;



O delírio disco sound de Dj Link com um NBC explosivo (alguém consegue ouvir isto sem, pelo menos, bater o pé?)



E um Tigerman de luxo, vintage, electrizante, puro diamante rock’n’roll! ÉS O MAIOR, CARAÇAS!



Todos eles em magníficos vídeos que desfilaram no Top + desta semana.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O que é nacional é bom


Pode a imitação portuguesa (Aurea) ser melhor que o original inglês (Duffy) que por sua vez já imitava os bons velhos tempos que jamais voltarão?

Pode. Ora comprovem lá.

Isto em 65 podia ter sido nº 1 na Hit List Uk e na Billboard magazine.
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Se o David Lynch fosse português, já tinha uma nova Julie Cruise para recrutar.