domingo, 15 de março de 2015

Ler a arte


Se eu tivesse assim vagar, tempo para me dedicar a coisas verdadeiramente importantes, embrenhava-me a estudar o monumento que o Cutileiro criou para honrar a memória dos estudantes que morreram no Meco. Aquilo para um leigo, assim para um cepo à arte, como eu, são dois blocos de calhau que querem dizer… nada. Mas o escultor, o bom do homem, ofereceu o seu prestimoso trabalho e não cobrou um chavelho. Mais faltaria. Os pais, coitados, tiveram de contribuir com o material e a câmara de Sesimbra forneceu a maquinaria para ajeitar a… “obra de arte”. 


“A morte não escolhe idades. Basta respirar e… Por isso é que fiz este monumento assim rude”, justificou o velhinho.

Epá... podem vir praí uns parvos a dizerem que isto são canchos mas isto é obra bruta a lembrar tragédia!!! Que diabo!
Darem-se pérolas a porcos... dá nisto!
Quem não ficou nada a favor da coisa e teve tomates para o dizer, foi o bom do surfista que defendeu que a praia é sagrada e se se fosse erigir um monumento a cada um que morre naquele cenário, matava-se a praia; e por isso se manifestou por estarem a associar o seu santuário natural à desgraça e à morte. Certo. Compreende-se. Ainda por cima, o cachopo é arquiteto e não percebe como é que é possível fazerem-se mamarrachos destes em dunas protegidas. “Um gajo piso uma área qualquer em risco ou traz para aqui uma mota e mama com uma multa de 2 mil e quinhentos euros ou coisa que o valha e agora anda aqui uma retroescavadora a esburacar isto tudo.”


Realmente, opá… Ele há coisas…


Mas o Sr. Presidente diz que é ali mesmo que vai sair a coisa e que opinar o contrário é “um absurdo”. Bem podem pensar em abaixo assinados para levar dali os trabucos que o Augusto Pólvora, mete a dita cuja no enredo e diz que isso é “impensável.” Enquanto ele estiver no poiso… vai ter de ser assim. 


sábado, 14 de março de 2015

Categórico (como eu queria que fosse)


E foi assim mesmo como eu queria: uma vitória categórica como as duas bombarras que rebentaram as redes bracarenses. Primeiro a do Jonas que cada vez mais se revela uma aquisição acertadíssima e uma mais valia sempre de olhos postos na baliza; e também a do bom do Eliseu que pode não ser grande coisa a defender e a driblar, ou seja, pode ser um cepo do catano mas um cepo que desfere cada pontapé que só faz lembrar o meu velho Isaías, e dá sempre golo certinho.


Eu tinha medo dos 60 mil nas bancadas e do estádio estar cheio como um ovo para receber os adversários que já nos tinham untado as molas por duas vezes neste ano. Ainda sofro do trauma Estoril que me fez perder um campeonato que já estava no bico, quando empatámos neste mesmo estádio, nestas mesmas condições, quando estava preparadíssimo para a festa e por pouco não perdemos esse jogo.


Este é que foi mesmo limpinho, limpinho. 64% de posse de bola contra 32%. Controladíssimos, apenas tiveram uma oportunidade de golo já perto do fim, embora me parecesse que a bola estava a ser controlada pelo nosso rei Artur (que segurança, que grande contratação!) E não me venham com histórias do jogo ter terminado contra 10 porque a entrada do Tiago Gomes é assim… um episódio engraçado.

De resto, eu também não comento arbitragens mas se o gajo tivesse marcado penálti nas duas mãozinhas deles na bola dentro de área, não nos tinha feito favor nenhum. Mas prontos, portantos… é o que há.


E vão 46 jogos sem perder para o campeonato em casa, do qual faltam 9 jornadas para terminar e 8 vitórias para eu voltar a subir ao chamiço lá da rotunda da Portagem para meter o tal cachecol.


O homem sonha, Jasus quer, a obra nasce. :)


terça-feira, 10 de março de 2015

De gala nos quartos

É isto... Não se compra, não se vende... é cultura empresarial. Garra.

Devo estar a ficar doente, porque movido por esta história de ter bola à noite em casa, decidi-me a ver o Porto. É certo que os tempos da televisão dos ricos cá dormir na choupana, em que mandava por aqui alguma coisa, já passaram e por isso, um gajo tem de aproveitar tudo aquilo que tem à mão.


Comecei, para grande estranheza minha, a apreciar o desafio pelo desafio. Ball for the ball. Pasmei-me até por sentir em mim; estando longe de torcer, que isso era motivo mais que suficiente para chamar os paramédicos, um sentimento em que cheguei até a não lhes querer mal.

É tão fácil... não custa mesmo nadinha. Diós Pablito también los sabia hacer así!

Exato... com o pézinho assim! ;)

Até parece que tem olhinhos...

E que jogo…

Mas este foi o Basileia que teve a galhardia de bater o Liverpool em casa?

É que bateu contra um Porto ab-so-lu-ta-men-te demolidor. Era eu a ver assim e a pensar: Dasse! Ainda bem que lhe levamos um par de pontos à frente no campeonato, que é a única coisinha que nos safa, porque senão…

Lembrava-me do que sofri no domingo a perder contra o Arouca e isto hoje. É mesmo como comparar a fornicação entre dois seres humanos cheios de vontade com roncos e tudo, e a renda de bilros. Traduzido: não tem nada a ver.

Um Porto demolidor que teve uma noite de gala ao nível das melhores noites europeias da sua história recente (que nós ainda só somos do tempo do Salazar).


Olhem… gostei de ver. A sério. Uma saudação muito especial a todos os meus amigos portistas e votos de boa sorte que, palavra de honra, lhes desejo. Afinal, estes são do meu país.

Até este 4 orelhas, o mai lindo... PIMBA!

Mira telescópica

Mãe do céu.. Com tanta gente pela frente...

E para o fim... a bombarra!
Este parece que veio da Serra Leoa...

a mandar raides anti-aéreos

Aos meus, da minha cor, peço desculpa mas… podia ter decidido mudar de sexo. Ele há coisas piores.

E quanto ao meu sogro… chefe, se deixar de me olhar para a cara, eu percebo.

Desculpe.

Mas lembre-se das suas netas… Não haveriam de gostar de ver o paizinho e avô a correrem de braço dado, como a gente fazia dantes para as rulotes do estádio da Luz para a bela da sande de courato?

Pense nisso…

Um abraço do Pedro benfiquista.(ainda seu genro)


Jorge:
Paulinha, este cabrão deste puto tem razão. Com este filhos da cabra a jogarem tanto, vou-me mas é dedicar à pintura e quero que a bola se amole. Já chega!
Paula: Ai querido, e já sabes o que é que vais pintar?
Jorge: sssss... Vou começar pelos retratos. Quadros de pessoas, percebesta?
Paula: 
E já pensaste em alguém?
Jorge: 
Olha... primeires, pensei no Sócrates. É já esse.Paula: A sério? Mas esse gajo só tem nariz.
Jorge: 
Epá tá bem... mas o qu'équetuqueres? O gajo pelo menos não pode fugir! Tá na prisa e tem de se aguentar lá. Portantes, eu vou a Badajorge comprar charutos e caramelos e na volta, saco uma tela do gajo.Paula: Olha filho, tá bem. Eu sei que não te posso contrariar. Foi como quando te pedi para não fazeres um penteado igual ao meu e tu...
Jorge: 
É pá... fosca-se! Invajosa! Eu goste d'estar na moda, o que é que tu pensas? E dapois... como vou pra Londres, tenho de marcar presença desde a chegada qué práqueles punkes se meterem na linha!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Aposto a minha vida em ti... (e que bom que é poder dizer isso)



Eu sei que percorri o caminho que não querias para mim,
Sei que te deixei ficar mal, não deixei?
Tantas noites sem dormir em que esperaste por mim,
Bem, sou só um escravo pela noite.

Agora recordo-me quando te disse que era a última coisa que verias de mim,
Lembro-me quando te levei às lágrimas,
Eu sei que percorri o caminho que não querias para mim,
Dei-te um inferno em todos estes anos.

Então, eu aposto, eu aposto a minha vida em ti,
Aposto a minha vida,
Aposto a minha vida em ti.

Andei à volta do mundo e nunca nos meus sonhos loucos,
Voltei correndo para ti,
Disse um milhão de mentiras, mas agora digo-te a única verdade,
Tu estás em tudo o que faço.

Agora recordo-me quando te disse que era a última coisa que verias de mim,
Lembro-me quando te levei às lágrimas,
Eu sei que percorri o caminho que não querias para mim,
Dei-te um inferno em todos estes anos.

Então, eu aposto, eu aposto a minha vida em ti,
Aposto a minha vida,
Aposto a minha vida em ti.
Não me digas que estou errado.

Já percorri essa estrada antes
E deixei-te sozinha por tua conta
E por favor acredita neles quando te dizem
Que isso ficou para ontem
E os discos que toquei
Por favor perdoa-me por tudo o que fiz.

Então, eu aposto, eu aposto a minha vida em ti,
Aposto a minha vida,
Aposto a minha vida em ti.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Esmagador (e é o que foi...)


“Imperial” escreveu o jornal oficial do Benfica, mais conhecido por A BOLA, sobre a vitória expressiva no sábado sobre o Estoril. Acho que o “Esmagador” d’ O JOGO de hoje, espelha melhor o que se passou ontem no Dragão.

Eu vi o jogo com olhos de ver em casa de meu sogro e o que vos digo é que na minha interpretação, foi banho de bola.

O Sporting nunca se assumiu, foi gerindo espaços e arrastando-se aos bochechos. A defesa deu uma de auto-estrada, tais eram os buracos que abria. Os cachopos são novos, não têm experiência, não sabem mais mas foi mau. E ao treinador, que é cachopo novo e tem sangue na guelra, não se vislumbrou assim um toque de mágica, um jogo de rins. Nada. Nem medo meteram.

Já o Porto, foi… esmagador. Implacável. Certeiro. Limpinho.

A desmarcação e, sobretudo, o toque de calcanhar do Jackson para o primeiro foi assim uma coisa do outro mundo.

E depois apareceu um miúdo, que já me tinha dado nas vistas em cruzamentos de jogos passados, que fez a diferença. Tello foi tremendo.

Eu sei que uma baliza é grande mas quando um gajo está sozinho em frente a ela com o estádio todo a fazer pressão para o golo, deve ir ficando pequenina, pequenina, mais pequenina ainda quando se tem pela frente o Rui Patrício que é grande como a puta que o pariu, ainda por cima de braços abertos… mas nem mesmo assim, o miúdo vacilou. Pimba e pimba e pimba.

Eu sei que eles estão perto, mas a gente ainda está por cima e só dependemos de nós. Se não falharmos, não podemos perder este título.
Mas, ao ver o jogo desenrolar-se, eu só pernsava: f***-*e! Se a gente se distrai, até nos comem.

E no caso de empate, ganhamos nós! :P

Medo não, mas… respeito, vá!

E o gajo é bom treinador.

O velho até deve ter mijado nas cuecas prós incontinentes com a idade, da barrigada.
E o presidente do Seporten foi ficando tão piquinino, tão afundado no cadeirão, que até desapareceu, o meu amor.
Hoje de noite tive diarreia.

Os meus parabéns aos meus amigos portistas: Francisco Serôdio, António José dos Santos, Nuno Frade, Armando Nuno Tavares, Filipe e Vitor Felino. Que a lua não passe pelo sol., são os meus votos. Tenho dito.


BBBBBBBBEEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNNNFFFFFFFFFFFFFIIIIIIIIICCCCCCCCCCCCAAAAAAAA

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Escrever (ou a entrevista a ti...)

Marvão. 23.02.2014

E porque é que escreves?
Não consigo explicar. Escrevo porque me liberta, porque me ajuda a expressar aquilo que não consigo dizer pela boca. Escrevo porque quando tocam as teclas, os dedos como que se transformam em línguas e ganham vida própria. É uma sensação de catarse que não consigo explicar. Eles vão onde querem, sabem por onde querem ir e caem exaustos sobre as letras quando sentem que o trabalho está feito. Nunca tem um princípio e pode ter mil fins. Mas há um momento em que tem um.

E como pode essa necessidade ser por vezes tão grande, manifestar-se com tanta força, quando há dias que essa guerra parece que não é a tua?
Não sei explicar. Se há coisas na natureza que são inexplicáveis, essa, para mim, é uma delas. Parece uma possessão. Uma força, um ser, um ente que entra em mim e tem de ser expelido aqui, ali, desta forma.

Se ontem foi o trivial que te trouxe por aqui, de fugaz passagem por este limbo cibernético, porquê hoje a necessidade deste mergulho tão profundo nas águas gélidas deste lago tão quieto?
Porque algo me atormentou profundamente há dias e ainda não tive oportunidade de falar com quem devia. O tempo é escasso, o tempo urge e os compromissos do dia-a-dia, da voragem dos dias multiplicam-se. Não só não tenho procurado quem me possa ouvir com a profundidade que quero, mea culpa, como as oportunidades para tal não têm surgido e o tempo vai passando. Já entrei em contato com alguém que me garantiu que ia transmitir a quem de direito a minha preocupação e estou tranquilo. Mas eu sei que tenho de ser eu a auto-inflingir-me este exorcismo para que possa dormir melhor, respirar melhor, pensar e viver melhor.

E porquê aqui neste espaço que é público, tão aberto a todo o tipo de gente, incluindo a que te quer mal e se regozija com a tua afronta?
Porque eu sou assim. Trilho o meu caminho e sigo sempre pela rota que traço. Não me torço, não me vergo e nada temo. Não tenho vaidades e não tenho segredos. Sou eu. Amigo do meu amigo, um ser que se acha bom por natureza porque é incapaz de querer mal e fazer mal, lidando bem comigo e com os outros. Bem sei que é impossível agradar a toda a gente, nem eu o queria. Não deve haver coisa mais chata. Mas sendo público e um homem que sabe que comunicar é uma das virtudes que possa ter, confesso-me aqui com grande paz de espírito e à vontade. Esta minha taberna virtual, com tantos anos quantos os gravados no mural aqui do lado, é frequentada por bons amigos que sei que nunca a abandonam. Bem podem abrir MacDonalds e Telepizzas em tudo o que é grande superfície das redondezas que mesmo que lá vão… acabam sempre por voltar para um tintinho do meu primo Vitorino e uns passarinhos fritos.

Mas que ganhas tu em passares o tempo assim?
Olha, para já, poupo imenso. Nãos me encharco com caixas de drogas e drageias, nem ando a caminho de Lisboa falar com um cachopinho pouco mais velho que eu para me dizer que o que me fazia bem era um acompanhamento prolongado para algumas afinações. Como se eu fosse um relógio que um acerto nas roldanas e nos mecanismos alinhasse o pêndulo.
Depois, liberta. Mal feita a comparação, liberta-me como liberta uma beata quando confessa ao prior da paróquia que cometeu adultério. Não ganha nada mas o mal sai de cima.



A Filipa, ou melhor, a Drª . Filipa, diretora técnica do Lar daquela casa que é a santa e de Marvão, ligou-me a perguntar qual era a minha opinião em mudar a tia de quarto.
Respondi que compreendia. Confessei até que me causava alguma surpresa como é que a proposta para que tal acontecesse não tinha surgido antes. Na verdade, a sua colocação naquele quartinho para apenas duas utentes, tinha surgido por muita força minha no pedido para não defraudar as expectativas da sua irmã que desapareceu deste mundo quando ainda mal tinha aquecido a cama. Não foi na primeira noite, como ela tanto temia e a levou a implorar às funcionárias que não a deixassem só, gerando confusão e mal estar porque aparentemente não estava doente; mas foi na noite a seguir. A segunda noite na casa grande.






A Cali agora estava como uma companhia que não conhecia. Mesmo que conhecesse, já não seria capaz de se recordar como, quando e de onde. Por isso, agradeci a lembrança de a levarem para uma zona com instalações mais modernas, utilizada por utentes volantes, não limitados pela aliança a um cônjuge ou um familiar que os confinasse à zona de quartos.

Fui visitar e pareceu-me, de facto, muito bem. Continua o muito carinho no interior, bem patente em toda a gente que ali trabalha, coisa comum a todas as profissionais do edifício que me fazem sempre ficar com a sensação que se recebessem 5 vezes mais, não seriam pagas em excesso. Depois as instalações são mesmo mais modernas, com os quartinhos sempre muito asseados, com muita luz e arrumadinhos, já com diversas camas por cada um. Aliás, toda a instituição é toda ela um primor, um verdadeiro tesouro sem o qual teria hoje uma situação bem complicada de resolver.

Sábado passado, fiz-lhe a segunda visita naquelas instalações. Acompanhado da minha Alice que me pediu para me acompanhar (!) para ire ver a Ti Cali, a Ti Cali, a Ti Cali!!!!
(Que estranho?!) - Por saudades, Alice?
- Sim! Mas também quero andar no elevador! Eu ADOROOO elevadores. E há lá um!



A entrada é algo labiríntica, como é toda a estrutura da Santa Casa. Mas esta seção tem uns portões e grades que lhe dificultam a livre circulação e evitam preocupações de maior. Anda livre mas não tão em roda livre. Mais circunscrita, talvez. Pareceu-me tudo perfeito, tudo a ganhar forma e a ficar no ponto. Mas na visita deste sábado assustei-me quando a vi. Não a encontrei tão tranquila e tão distante quanto dantes, a brincar com as suas duas bonequinhas oferecidas pelas sobrinhas a quem ela as pode ter oferecido no passado, como se fossem filhas. Estava ela própria assustada e ficou aliviada quando me viu.
Afinal tu, alguém que me salva; parecem ter dito os seus olhos.
- “Ai vocês, ainda bem que aí vêm. Venham cá, venham cá.”
- “O que foi Cali? O que te aconteceu?”
 - “É ela…”, apontando para o espelho

A funcionária que estava de serviço, avó de uma amiga da Alice, disse-me entre dentes: “tem estado a falar toda a tarde com a irmã, que ela por vezes diz que é a mãe. Olha para o espelho e vê-as a elas. A gente leva-a mas ela volta…”

Quem é que me havia de dizer a mim que uma parte tão bonita, com uns roupeiros com espelhos, haveria de constituir assim um obstáculo tremendo à razão? Eu vejo as outras velhinhas sentadinhas, tranquilas, a verem televisão ou a fazerem crochet, e penso porquê não assim? Porquê esta inquietação, este desassossego, esta busca incessante do nada, do fio da meada que se perdeu no tempo?

Na estrada da vida, olho para trás e viro-me para a frente. Perdi um elo com apenas mais 7 anos que eu. Ou por aí, ou por aqui. E sendo certo que por aqui é muito mais fácil para quem está e ali pode rever a estrutura física que sempre amou, matando saudades do que ela já foi a cada reencontro; não consigo comparar qual das duas será mais dolorosa para a pessoa que a sofre.

Neil Young cantou "it's better to burn out than to fade away,". Kurt Cobain transcreveu as palavras na sua última nota em vida. Ele também pensava assim e certamente que ela prefere este doce apagar. Doce como sempre foi.

À Santa Casa de Marvão, a todos os órgãos diretivos e funcionárias quero deixar bem claro e bem expresso o meu profundo agradecimento. Agradeço por tudo, que é o que há para agradecer, do mais ínfimo detalhe a tudo o resto. Manter uma estrutura destas é um esforço diário monumental. Mas que resulta e é feliz.

O problema de que falo aqui é nosso, é com a doença, com uma guerra silenciosa em que uma pessoa se torna refém de si própria, de quem lhe tomou os comandos da aeronave sem dizer por onde ou para onde vai.

Há que fazer ajustamentos mas sei que com o tempo, e a boa vontade de ambas as partes, haveremos de conseguir acertar agulhas. Não tendo nunca tempo para coincidir convosco, desabafei aqui e de certeza que vou dormir melhor.

Chamam-lhe Alzheimer e até é assunto de Óscares e do dia.

Para mim, é demência. Ponto.

Seletiva. Mas demência. 



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Copiões... :P

Isto do facebook é muita bom, muita bom mas… cada vez é mais difícil um gajo conseguir ser original. Há muita imitação, muita cópia, pá!

As minhas andorinhas tatuadas no peito nasceram da minha lavra. Sonhei a liberdade assim, espelhada a voar pelos céus, com uns modelos trabalhadores e amigos da família. 

Desde Março de 2009 




Eram um exclusivo do Tio Sabi. O meu amigo Robbie Williams também tinha a sua versão mas era pícara, a fazer do umbigo, o ninho.


Esta semana passei na casa da mãe Alzira Sobreiro para um alô e, a cota que gosta bem de ouvir os sons do MTV e VH1 estava a ver isto, que muito me surpreendeu porque desconhecia. Então não é que o gajinho aquele do video copiou o vosso tio favorito?!?!? Mesmo no mesmo sítio… Olhem lá bem o videoclipe...
Ah ladrão…

Não ça faz…


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ashes to ashes



Um dia muito importante na minha religiosidade, na relação com o que me supera, com o que não controlo e na instituição que se gerou na terra à sua imagem. 


Na minha Beirã natal, ia sempre à missa, como todos os miúdos da minha idade, muito pela influência materna e pela "pressão" social para que assim fosse. Mas a miudagem distraía-se com tudo e divertia-se com o nada que os levasse para longe dos ritos enfadonhos e sempre iguais. As missas eram todas iguais. Não promoviam grandes mudanças, apenas acertos. Mas esta, de quarta-feira de cinzas, que põe fim ao deboche carnal do carnaval e penintencia à entrada na quaresma, antecâmara da Páscoa, marcou-me para sempre. Quanto mais não fosse pelo inusitado do cenário: o sacerdote a fazer uma cruz na testa com cinzas, enquanto dizia em voz monocórdica: "lembra-te que és pó... e em pó te hás-de tornar.

Não mais me saiu da testa, por mais banhos que tome. Consciência do efémero disto tudo. Reforçada em muito há 4 anos atrás, quando mergulhei noite dentro no desconhecido.
Se todos pensassem nisso todos os dias, tanta vez quanto eu; ao acordar, durante o dia e ao deitar; o mundo seria certamente um lugar melhor para se viver. Sem invejas, sem ostentações, com mais respeito por nós e pelos próximos.

Quarta-feira de cinzas. Dia grande para mim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

E chegam as c'madres de Marvã

A Barradina, a Céuzina e a Sarita Montiel - C'madres de Marvã


Em dia de comadres, as de Marvão tomaram de assalto a vila logo pela manhã. A c’madre Barradina, a c’madre Céuzina e a c’madre Sarita andarem a espalhar a boa disposiçã por Marvã.


Único o espírito e o saber estar. Única a camaradagem, a coragem e único o meu Luís Miguel Barradas, o porta-estandarte do meu grupo carnavalesco a manter ainda viva a chama.

O meu grupo… Parece que foi noutra vida… Tantos e tão bons amigos, com percursos e presenças tão diferentes mas unidos em volta do mesmo… 

Não fui, de todo, o criador do Marvão Folião. Outros grupos deram o pontapé de saída e quando me apercebi do balanço da coisa, aderi. Sem problema algum. Festa. Barraca. Eram outros tempos. Mesmo que quem via não gostasse, a nossa diversão e entrega eram tamanhas que nos divertíamos milhões. Saídos da sede do nosso grupo, da casa do nosso primeiro sargento Vitor Ramos, chegados à tasca da Ramila, éramos tão bem recebidos pelo primo Zé Fernando e esposa que se acabasse ali, já teria valido a pena.

Que bons tempos vivemos. Tempos que já nunca voltarão porque o que lá foi, lá foi e, como diz o povo que é sábio, nunca deves regressar onde já foste feliz.

Não criei o Marvão Folião mas entreguei-me tanto, com tanta força que se houvesse um concurso para o mister Marvão Folião, não falhava nos castings e era capaz de não me sair mal. Ainda hoje ao balcão das finanças houve quem me recordasse com saudade esses tempos e as minhas prestações.
Vivo e respiro com saudade, com pena de os nossos pequenos não mais ficarem com estas memórias que tão bem ficaram espelhadas no meu blogue no label/Carnaval.

Como canta o Espadinha… recordar é viver…

Este ano voltaremos a estar juntos em privado para celebrar o “nosso” carnaval. O tempo em que dei tudo e o corpo às balas quando estava à frente da cultura da câmara e tinha de ser o primeiro, já lá vai… Há que dá a vez aos que se seguiram…



E se o dia tinha começado bem... com uns arrozinhos doces dados pela minha comadre (sogra é comadre?!?!) Maria Jacinta da Silva Lança. 3 que levei para a cantina da Troika, onde se juntou a mim e ao meu chefe novo, o colega Zé Manel da Conservatória. Cumpriu-se a tradição deste dia e estavam deliciosos...


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O novo IRS e o novo Portal



Já muito tenho escrito que o meu, não é o meu emprego de sonho. Mas é o emprego que reúne as condições para o querer como sendo o melhor possível. E é. De facto.

Se fosse jornalista como tanto aspirei e estudei para ser, poderia agora estar no desemprego, a viver numa cidade descaracterizada, ou num país qualquer com uma arma apontada pelos bárbaros do estado islâmico. Aqui tenho a paz, a proximidade dos meus e do que é meu. Aqui vivo com a riqueza de ser feliz. Com pouco.

Neste emprego que quero fazer de sonho, trabalho com o mesmo afinco com que trabalhei na câmara e por onde tenho passado. Eu trabalho para os outros. Trabalho para servir. Foi assim na Guarda Nacional Republicana, onde dei aulas de inglês; foi assim na Opel, onde vendi carros; foi assim em Nisa quando assumi funções e tem sido aqui assim. Servindo e explicando, gerindo como se fosse um negócio de família.

A Autoridade Tributária, onde tenho este gosto de trabalhar, tem uma cara nova. Neste novo mundo tecnológico em que vivemos; o director geral comunicou-me via mail, a mim e a todos funcionários que o novo portal das finanças na internet entraria em funções.




Pensado na ótica do utilizador, criando ali um enorme balcão virtual de âmbito nacional, pretende, não esvaziar os serviços locais de conteúdo, mas antes flexibilizar os assuntos por forma a adaptá-los às novas vertentes do e-fatura e do IRS.

O Sr. Secretário de Estado, Paulo Núncio, esteve claro e muito bem. Mas se disse que 90% das declarações de IRS entram pela internet, sugiro-lhe um périplo pelo interior do país e em Marvão no mês de Março, para ver como as velhinhas e os velhotes que nem sonham o que é um computador, que vivem longe dos filhos que foram para a cidade e mal querem saber deles, fazem fila para esperarem pela sua vez para esparramarem as receitas todas de um ano em cima do balcão, sem as terem somado e separado pelas percentagens de IVA.


O “Contas Poupança” do jornalista Pedro Andersson na SIC, conseguiu em breves minutos dar uma ideia muito esclarecida e abrangente desta mini-revolução do novo site. (reportagem que pode ver clicando no link)




PS: Não cometo nenhuma inconfidência se revelar aqui que um dinamarquês radicado no nosso concelho que hoje se deslocou ao serviço para pagar um imposto de circulação, depois de ter sido atendido, (neste dia em que também fiz a minha estreia na cobrança. Depois de 14 anos...), me perguntou: “what is really the address of your internet blog that we spoke the other day?”

O melhor de dois mundos.

Disse-lhe: I told you that lately I don’t write so often because my life, specially after the bike accident, consumes a lot my energy during the day. I don’t write so often as I did back than but sometimes, it happens. Like today.
I dedicate this text to you. As I said before, you can go to “google translator” to catch the beginning of the words. It could be nice for you. ;)
To me is very nice to be able to practice my english with you, all the ones that came from abroad. Be always welcome. ;)