terça-feira, 19 de setembro de 2017

Da crise do meu grande amor clubístico (que agora dói... tanto...)

Este Sabi tem porras...

O meu comentário a agradecer, a generosa oferta do meu amigo Paulo Cerdeira, levou—me a pensar, e a escrever sobre o estado atual da minha paixão clubística, que puxo aqui para o meu blogue:


"Meu querido Paulo, milhões de bem—hajas (pela oferta de ingressos para o próximo jogo, na Luz). Agradeço tanto como se pudesse aceitar. Acredita.

Mas ir a Lísbia, ainda que com ingressos oferecidos,l€va tempo, e algum guito, também. Tempo que não sobeja, tal e qual, o arame. Neste ano, e nos outros últimos que por ora findaram, ainda não comprei nenhum certificado de aforro dos CTT, se é que me faço entender.

Depois, meu caríssimo, IR VER O QUÊ?!?!? Ó VALHA—ME DEUS... :(

Eu adoro o futebol bem jogado. Melhor quando o meu Benfica, o nosso Benfica ganha, e bem ganho.

Mas se os gajos não jogam um caracol, uma beata...

Aquele Rafa, por exemplo, que foi caro como o boa da puta que o pariu, anda—me ali a arrastar—se, feita miniatura do Camões, e NÃO FAZ UMA!!!!!

Esta imagem guardo eu de ti...

Fizemo—los, criámo—los, e vendemo—los, SEMPRE, MAS SEMPRE, ANTES DO TEMPO!!!!!! SEMPRE ANTES DE OS METERMOS A RENDER, SEM POLIRMOS ESSES DIAMANTES QUE HAVERIAM DE RENDER AINDA MUITO MAIS.

O Renato Sanches marchou bem (mas os Fritzes, já perceberam que são capazes de se terem esticado...); o Nélson Semedo, também foi bem para os blaugrana... mas e o Bernardo Silva (ai meu Deus, o quanto eu o choro... todos os dias...), o Gonçalinho Guedes, o João Cancelo...

O Vierinha quer exterminar a dívida. É bem. Mas... da—se—fo!!!!! O BENFICA NÃO É A DONA BRANCA!!!!! caracol!!!

Como me disse em reunião informal, quando eu era vice-presidente de Marvão, um ex—autarca de Portalegre, que muito estimo, depois de ter comprado o edifício da Fabrica Real onde hoje funciona a câmara: isto um gajo, até para contrair dívidas, tem de ter estilo... ;)

Se eu falasse com o nosso mais que tudo, lhe diria: "Luisinho... não faiz anssim não! Olha qui tu mata a gentxi!"

E ao Rui, que só me leva 3 ou 4 anos, lhe diria: "man, tu já provaste que és muita bom. Tu és do melhor! Atenção que levaram—te muitos bons, sem os quais, é mais difícil, mas, nota bem:

1— Entra aos jogos para ganhar. Não mastigues, não adies, não deixes para o fim. Mata e já está! Depois... bate o charuto que quiseres.

2— Se são os avançados que marcam golos, lança o Jiménez, o Esferovite, e o Don Jonas Pistolas, que é o futebol transformado em poesia em movimento.

3— O Filipe Augusto, que tu tanto gabas, deve ser extraordinário... no Varzim! Não sei é... se o metem a jogar. O Samaris sabe mais de futebol no olho do cú, que este piqueno no cérebro inteiro.

4— Manda executar o preparador físico. MAS QUE RAIO DE MERDA É AQUELA?!?!?!?! ESTAMOS AGORA A COMEÇAR, E ESTÁ MEIA EQUIPA PRESA POR ARAMES...

5— Não queres que executem o Varela. É bem. Mas dá vontade... Se o cachopo fosse júnior, e eu o treinador do escalão, tinha estado toda a noite a dar—lhe murros nos cornos!!!! MAS A QUEM É QUE DEUS DÁ JUÍZO DE SOCAR AQUELA BOLA?!?!?!?!?! UM GUARDA—REDES DO GLORIOSO?!?!?!?!?! Nem eu...

6 — O Luisão? É um amor. Um clássico. Um ídolo do clube. De tempos passados...
Ouve lá: nem rins, nem pernas, nem aquela cabecinha de pénis, que tantas alegrias nos deu... valem. Tem que ser outro, tem de mudar. Jardel só não chega, por tudo o que aprendeu com ele, e o cachopo que lá meteste no sábado, de vinte e poucos anos... vamos lá a ver se a gente se entende, e olha que eu sei que o treinador és tu: um defesa central tem de ser uma torre, um pilar da equipa, um refúgio de confiança, um porto seguro, de abrigo. De maneira que os avançados olhem para lá e pensem: "xiiiii... e agora, como é que eu mamo este? Estás a ver o Maldini? Um desses. Intransponível!
Viste o trambolhão do Luisão contra os russos? Onde é que andava o teu cachopo, no golo do Boavista? Tinha ido comprar Sugus?

Por isso, te aconselho: faz birra com o Orelhas, como eu estou a fazer contigo. Deita—te pró chão, à porta do gabinete; grita, braceja, faz—te ouvir!!!!
"OU ME COMPRAS GENTE (que inclui um preparador físico em condições, uma equipa deles!!!), OU VOU DAR UMA ENTREVISTA AO CORREIO DA MANHÃ!!!!!!
Eu adoro o Rui. Ele tem crescer, ele está a aprender, ele vai ler este post.

Rui: <3 Não quero mais nenhum senão você! Você será como o Fergusson no Manchester. Você tem fibra, ciência, técnica, é doutor do futebol, e alma benfiquista. Você mas faz esquecer aquela puta do Chiclete, que eu não quero sequer falar.

Riam—se, riam—se. Vocês já viram este filme, chamado #ascontasfazemsemasénofim
CHUPEM—MOS, LAGARTOS DUM CORNO!!!!!"

Até choras... LABREGO!!!!!

domingo, 17 de setembro de 2017

Revisitando, recordando, ovacionando, OS GRANDES LUCKY DUCKIES


Há dias, estava eu a espreitar a aldeia virtual global antes de dormir, já na cama, e deparo-me com esta peça absolutamente notável: os Lucky Duckies, enorme banda de swing/rock'n'roll portuguesa, da qual me tornei amigo, enquanto vereador da cultura de Marvão, inovou e cantou em português. Um português pensado, estiloso, que fez jus à sua carreira de crooners, e de grandes porta-vozes do glamour da arte que cantam. Adorei. Comentei com o meu grande amigo Pedro Silvério, e dali, desta interação, o próprio Marco, o vocalista, interagiu connosco e, fizemos do facebook, uma belíssima sala de convívio, onde pudemos ter a felicidade de interagirmos.

Gostaria de colar aqui, nesta minha casa, algumas imagens, para que um dia, possa recordar.



O Marco é uma delícia. Um bonacheirão, sempre bem disposto, que nunca perde o timbre e o toque, de quem dá gosto se estar junto. Eu, enquanto vereador, cedi às suas insistentes e inúmeras tentativas para atuar em Marvão, e ainda bem que o fiz. O homem tem uma bagagem cultural, musical, que deve ser inédita no nosso país. Tornámo-nos amigos, e vieram cá mais que uma vez. Na sua vida, fez a escola dos karaokes, e tem um domínio quase absoluto. Para mim, quando se finasse daquia muitos, muitos anos; iria para o panteão nacional. Anda sempre acompanhado com os melhores músicos, muitos das escolas de jazz, e encanta, por onde quer que passa.

Para além de todos os seus atraentes atributos, conta com o apoio da sua esposa, a doce Cláudia, com quem contracena em palco.

Ah... eu adoro eles.

Nos comentários, cheguei a recordar as atuações que tivemos juntos (!), e foi tão com, tão bom recordar...



O video em baixo





No outro dia, de manhã, a minha Alice veio deitar-se junto a mim, e eu mostrei-lhe, orgulhoso, os vídeos.

- XXXXXXXXiiiiiiiiiiiiiiiiii, pai...

- Então? (Já viste o inglês?, pensei...)

- CANTAS MESMO MAL...


O meu muito obrigado a quem fez este último video, que me desculpe, mas não recordo quem foi. Trata-se de uma peça verdadeiremanete belíssima, para mim. O meu Manel...

sábado, 16 de setembro de 2017

As histórias de Alice— e o episódio de hoje é: "A honra e... o(a) azelha"


Hoje era o 1° dia de aulas. Efetivo. A contar mesmo a sério. 

Acordou com o despertador no seu quarto, e eu, a ouvi—la enquanto fazia a barba.

Bem disposta, lavou—se, aprumou—se e chegou à cozinha, com alto astral.


Para grande surpresa minha, deixou—me tirar fotos, com a mochila nova dos cãezinhos. Foi a troco de uma promessa, que lhe compraria o que quisesse caso deixasse (é tão altruísta...), quando fossemos a qualquer lado. Mas isso, não interessa nada para aqui, agora.

Decorreu tudo bastante bem, e atempadamente. Saímos on schedule, 9.40h, para a deixar na escola às 9.45h, e chegar a Marvão às 5m para as 9h, 9h, a fim de abrir a porta do meu estaminé.

Antes de chegar ao largo do mercado, junto à loja do sr. Zé Moura, frente à drogaria do Abílio, sai—me um jipe preto de marcha atrás, de uma ladeira da casa, de uma senhora que vive ali. Um carro tão grande, e tão depressa, que nem sequer tive tempo de reclamar, ou buzinar.

Travei a fundo, tentei desviar—me ao choque, procurei evitar embater nos ali parados, fui travando mais, e consegui enfiar o meu Caguincha, a um palmo dos obstáculos. Ufffffff... Respirei fundo. Olhei para o jipe, mas a senhora nem me estava a ver!


— Faltou um bocadinho assim... (disse—lhe o quanto, com a mão)

Ela, admirada, com ar de muito espanto, disse: "desculpa... Nem te vi, Sabi! Saí de marcha atrás da ribanceira, e nem dei por ti..."

— "Já passou...", disse—lhe. "Tens de vir com mais cuidado, senão..."

Arrancou, sorrindo. Foi à sua vida. Eu, confidenciei com a minha co—piloto, disfarçando o orgulho na minha destreza automobilística, que me espantou até a mim. Não tenho o hábito de viver, estas situações de aperto assim com tanta frequência.

—Viste Alice?!?!? Granda pinta... Visto como aqui o mangas, evitou um acidente?!?! Granda pinta, hein? (Modesto... as usual...)

— Pfff... granda pinta... Se fosses mesmo bom, tinhas travado lá atrás... Olha onde tu foste parar... mesmo aqui junto aos carros! E não bateste por um triz...

(Estava capaz de lhe ter explicado, que isso teria sido impossível, dada a velocidade enorme com que se atravessou na minha frente, mas... pensei bem e... não teria valido de nada. Tinhamos coisas mais importantes, que me queria mostrar, no placard da escola. Orgulho...)


Nota do escriba: estas aventuras e desventuras da indomável Alice, que conto aqui, foram mesmo tal e qual. Sem tirar, nem pôr. Quem me conhece, sabe que eu não sou gajo, para estar aqui a contar lérias. Faço—o com grande custo. Não por mim, que adoro, mas tenho de passar por diversos lápis azuis cá de casa. Porque ninguém tem nada a ver com o que é nosso, porque há sempre o famigerado medo, de tudo aquilo que é posto na net, pode atiçar a cobiça de malvados, que a podem roubar... enfim.

Faço—o, porque preciso de algo mais que trabalhar nos impostos, para me sentir feliz, e realizado. Faço—o porque escrever é aquilo que mais amo fazer na vida, a par de outras coisas. Faço—o para memória futura delas, e minha. Faço—o porque sei que tenho leitores, que comentam comigo, que me dão um prazer ENORME, quando me dizem que me seguem. A eles, dedicado a eles, vai. Peço—lhes que se metam como meus seguidores, clicando na tecla "A SEGUIR", por forma a que não me leiam quando me apanhem, na marabunta da confusão geral, e me possam ler assim que publico. Em 1° lugar. Eles, ficam dentro, em 1a mão, e eu, com as costas (mais) quentes. Obrigado. 

Quem com ferros mata...


As infantas estavam refasteladas no sofá, a curtir os últimos dias de férias, com as suas "cenas" (telemóvel, a maior; dibujos na tele, a pequena), quando o pai chegou a casa.

Nesse momento, dá o anúncio do filme "Monstros e Companhia", no sábado, às 11h, no Disney Channel.


— Alice... Que filme tão maravilhoso... 

A tua irmã viu o dvd, vezes sem conta, quando era da tua idade, e mais pequena, ainda. Acho que ela achava que era a BOO... E se era parecida... (Lembrando—me das suas lágrimas de alegria, quando da primeira vez que o viu, descobriu que a sua heroína estava viva, no final). Este é um daqueles filmes que o pai tem lá em cima, e te convida tantas vezes a ver. Desta vez vai dar na televisão... poderias ver...


— Ó pai... não gosto!!!!!

— Ó filha, todas as crianças gostam... Pelo menos experimenta... vais ficar agarrada...

— Não gosto e prontos!!!!!

(Torta com'a cornos!!!)

— Olha, pai: eu não sou o Pedro Alexandre, nem a Fernanda Cristina, nem a Leonor!!! Eu sou a Alice! Não gosto e já está!!!!

— Então põe—te a ver essa porcaria do acampamento KiKiwaka esse, essa porcaria, de episódios gravados, e regravados, vistos e revistos, dos quais tens as falas todas decoradas, cheios de meninos a querem aramar—se em espertos e mauzões. Vê, que é uma bela escola, e hás—de ir parar perto!


Vê mais youtubers mandriões, com os quais não se aprende absolutamente nada, a não ser... SER TONTO!


— Então... cada um vê o que quer. Não dizes sempre que amigo... não empata amigo?

— :(

Y porque no te callas?!?!?

Alice revisita a Cristina, sua mãe, do rancho, com a mesma idade


Ao terminar as festas em honra de nossa senhora da Estrela deste ano, o meu amor mais pequenino (que por ser assim, é o maior) brilhou. Registei o momento no meu mural de facebook, e não quero deixar de o plasmar aqui, na minha casa virtual de sempre.

O grupo infantil do Rancho Folclórico da Casa do Povo da nossa terra, foi dançar a Marvão, a convite da presidente da freguesia de Santa Maria, Sandra Paz, e fez furor. No final, esta edilidade, revelou—se tocada, e emocionada, pela beleza do momento, de ver os nossos mais pequeninos, darem continuidade a esta tradição, de enaltecer o passado.


Hoje, a minha Alice, vestida com o traje da mãe, Fernanda Sobreiro, com mais de 30 anos, dançou com o filho (Joao Bernardo), do seu par de então, o meu querido, malogrado, Sérgio Bernardo (que nos deixou na flor da idade).


Fortuitamente, sem ser pensado, sentei—me ao lado da minha amiga Estrela Bernardo, a viúva, para poder captar estas fotos. Durante a atuação, dei por ela, a rir, e a chorar, ao mesmo tempo. Não sei se, como ela me disse, por achar graça como eles (pela diferença de idades, e alturas) se mexiam; se emocionada pelo momento. Eu, que adoro a minha filha, e o adorava a ele (e por conseguinte, gosto muito, e me sinto muito próximo dela, e do seu filho), fiquei muito tocado e feliz. Feito estúpido, já não consigo chorar... (a razão dos trambolhões da vida; marranços com muros, montado em vespas; e afins). Mas tinha—me sabido tão bem...

Que forma de fechar o dia... Que momento único...

Obrigado. Em 1° lugar, à Ana Vidal, que teve a paciência, e o nível necessário para os ensaiar. Em 2° lugar, ao Fortificar Marvão, que esteve na génese da ideia. Agradecimento também, enquanto pai, e arenense, à Casa do Povo de Santo António das Areias; e à freguesia de Santa Maria de Marvão na figura da sua presidente, ambas, pela oportunidade.

Para ultimar: PARABÉNS A ELES TODOS! Foram 5 estrelas! 

Foi muito bom!

Clicando aqui na ligação:


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Esta campanha! (analisada pelo prof. aposentado compulsivamente, vosso tio Sabi)



Nota do redator: Esta perspetiva, é a minha visão da coisa. Sei que a minha família, quem mais quero no mundo, cujo bem-estar está dependente de astros aqui visados, está protegida pela sua personalidade e profissionalismo. Sou livre e é nessa condição, que no meu sítio na internet, digo o que me vai na alma, sobre aquilo que mexe comigo. Desde que nunca falhem, como eu sei que nunca falharão, (porque a sua postura é à prova de bala), estarão sempre seguras de si, como eu estou de mim. Não querendo criar guerras e clivagens, quero ter direito a pensar, a ter a minha opinião e a veiculá-la.


Para os bornais que hão-de vir com a conversa do “lavar roupa suja”, eu esclareço: tenho o meu passado resolvido, e os assuntos bem esclarecidos dentro de mim. Apenas gosto, e quero pensar alto. Posso?
Se puderem, façam-me um favor: em vez de virem ler o meu blogue, criem vocês o vosso. Cada um brinca com o seu carrinho. Vale? Fazemos uma aposta, que eu nunca lá irei ler?


Para quem anda mais distraído (e cego?!?!), o vosso tio Sabi, veste a toga de politólogo, afirma e confirma que… segurem-se… as autárquicas estão aí!
WWWWWWWWWWWWWWWWWWEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE… (alegria da criançada com mais de 18. Que já são alguns… Os velhos morrem, estes crescem e… já metem a cruz. Ah pois é, bebé!)


Quem ainda não tenha reparado (nalgumas arruadas que os candidatos e os seus apoderados, têm feito por aí, sempre que haja festa religiosa, ou d’arrembimba-o-malho); quem ainda não tenha dado notícia na converseta que muitos deles têm montado, a quem habitualmente não era passada chapa nenhuma; temos agora aí, a prova dos 19: A PROPAGANDA!!!!!!


Eu até já estou a ver, o tamanho dos calhaus, que alguns mais mal intencionados e maldicentes, têm nas mãos, para me atirarem à nuca. Calma, queridas. Para já, eu já tive um traumatismo craniano e… se voltar a ter outro, é natural que me custe mais a recuperar (ou nunca mais regressse). Estão a ver aquele guarda-redes do Chelsea, o Pter Cech, que jogava sempre com um gorro almofadado muita cómico. Pois bem, ele já tinha tido um traumatismo, e sabia que se voltasse a ter um choque ali, já nunca mais podia ficar de ressaca (da vida). Por isso, calma, sosseguem as passarinhas, que o professor Sabi vai-vos dar uma aula, completamente gratuita, sobre política, design, economia, nacional porreirismo, e voodoo.


ELE TAMBÉM TEM CULPAS NO CARTÓRIO!!!! ELE TAMBÉM FAZ PARTE DE UMA LISTA!!!!!!”. Claro que sim! E porque não?!?!?!?! Quem é que disse que um comentador de futebol, nunca pode chegar a ser treinador? Quem é que pode dizer que um comentador político, nunca pode vir a ser um presidente da república? AH, Ah… Agora lembrava-me do nome d’um mas… já me esqueci! L As pessoas têm toda a razão, quando dizem que eu já nunca serei, o mesmo que era antes do acidente. Realmente… esqueço-me tanto… tinha o nome do homem debaixo da língua… Mesmo agorinha…



Eu faço parte do movimento “Marvão para Todos”, que ajudei a parir, em dois anos de gestão clandestina, desde a primeiríssima reunião. Concorrendo ele a todos os órgãos, para grande orgulho e júbilo nosso, eu integrarei, caso os marvanenses assim o queiram, a próxima assembleia municipal. Ali, serei o Pedro de sempre: a chamar os bois pelos nomes, justo, reto, visceral, insubordinado, rebelde. Se lá não me quiserem, vou para a lareira, no inverno; e para a esplanada, no Verão. Faça-se o concelho comigo, ou sem mim. Na boa…



Feito com tanto amor. Uma criança, um adulto, um idoso. O castelo, o nome...


Nesta análise, dispo a bata de candidato, e visto a toga de doutor (da mula-ruça) das políticas.


Numa varridela pelas campanhas, conseguimos logo antever, ao que vem, cada um dos embrulhos que está por detrás. Como não tenho tempo, nem dinheiro para me dedicar afincadamente a este artigo, não farei a cobertura exaustiva pelo concelho, e limitar-me-ei, áquilo que vou vendo na minha vida, por aí, ou enquanto vou trabalhar.


Se fosse pela campanha, o Partido Socialista ganhava antes de começar o jogo. Ataca em todas as frentes, com uma promoção de alto gabarito, ao melhor estilo revista CARAS. Dizem as más línguas que isto é tudo feito, e pago pelo PS. Mas… o PS não era aquele partido que andava com eles a baterem num laje? Não era aquele que pedia dinheiro aos militantes, para pagarem as rendas das sedes? Não percebo nada disto.


Seja como for, eles estão em sítios estratégicos, e duplicados! Não deixam que nenhuma criancinha, entre para a escola primária, sem saber quem eles são! Apresentam duas variáveis:

1- a malta toda que concorre (assembleia, câmara, testa de ferro para a junta), a segurarem num placard onde se escreve o óbvio. Gosto particularmente de me parar, sorrir e pensar: a história de cada um, o passado por trás de cada rosto, as intenções, as potencialidades e os projetos.


Para a câmara, vejo pessoas que vêm à procura do que já foram, e o querem de volta; uma pessoa que se deveria envergonhar do sorriso que luz, porque não é de confiança, sincero, e verdadeiro, porque já vestiu a mesma camisola que eu, nesta guerra santa, mas que, na realidade (admitindo que queira o bem do concelho. Essa, dou-lha de borla), quer sobretudo a sua promoção pessoal, subir aquele degrau na vida que ainda não conseguiu de outra forma. Se o vi garantir, que de nós todos, seria sempre o último a sair… durou pouco. A convicção… revela muita imaturidade.
Depois, há pessoas sérias, convitas, mas também há os bibelots. Que deveriam ficar sempre bem, a compor pelo género.




2- a rapaziada para a junta, já com alguma idade, muito bem arreados, bem acasacados, revelaram um raro deslize na produção. Deveriam ter-lhe dito que o período eleitoral, apanha mais o calor do Verão, que o frio do Inverno, que os levou a figurar em tais roupagens.


Os locais onde figuram, todos muito bem escolhidos… ou não. Em Santo António das Areias, figuram logo à entrada da aldeia mas, apenas são vistos por quem vem do lado da Beirã. Quem vem de Marvão, não vê eles, não. Ali.
Porque chegados ao largo principal, têm obviamente de levar com eles, junto à casa de Deus. Tivéssemos todos tido a prepotência, a arrogância, a desfaçatez de ter ali espetado umas tarjas, um placard, com a sua própria cor… o muro da igreja ficaria tipo “puzzle das autárquicas”. Com o padre Marcelino, poderíamos uma publicação do género “Onde está o Wally”, só que aqui seria: “Onde está o Marcelino?” Era tentar descobri-lo lá, no meio da confusão



Ora… há terrenos que são da res pública: de ninguém, e terra de pessoa nenhuma. Eu tinha vergonha. Mas eu, sou eu. Como eu, não há nenhum. Isto para o bem e para o mal.

Os socialistas de Marvão, que a julgar pelas últimas votações, têm vindo a perder expressão, funcionam como um bloco. São dali e não vêm mais nada. São um bocadinho, como eu sou do Benfica. Sou daquele desde sempre, e pronto, já está! Um dogma. Verdade intocável.


O partido do poder, que se diz social democrata, mas que de democrata aqui, em Marvão, tem tido muito pouco, variou as frentes de ataque.



Tomou o prédio que serve de frontaria a Santo António (e é o primeiro do bairro habitacional da Casa do Povo) de assalto. Ali, só eles e mais nenhum. Serve até para disfarçar a terrível aparência do imóvel, que dá um aspeto verdadeiramente degradante a toda a aldeia. Mas será que a Casa do Povo, tão bem gerida que sua presidente foi inclusive convidada, para ser vereadora da lista socialista, não tem umas centenas de euros para mandar pintar, pelo menos a frente deste? Mesmo que os outros ficassem como estão? Mistério…
Olhem que pode mandar em muita gente, mas nem toda a gente morre de amores pela figura. Vale uma aposta?


O cartaz do PSD, como todos os outros, ficou deveras pavoroso. O nosso Luísinho, aparece com um tamanho de cabeçorra… que até intimida, ó valha-me Deus! Junto a ele, qualquer outro candidato, parece o que parecem os outros ali: pequeninos. Parece que a criatura esta chegou do espaço sideral, do planeta dos Cabeçudos, para tomar de assalto os liliputianos. Não sabem, quem eram estes? Peçam as filhotes/netos, o livro do Gulliver. É muito engraçado.
O amigo Maroco surge com o ar dele, bem disposto, assertivo, que convida. Tá normal. Passa.
A Sónia parece assustada, a pobre. Riso amarelo como se os do programa “Querido, mudei a casa”, lhe aparecessem de rompante, para fazerem umas alterações à última da hora. Tem pouca atividade política ou cívica que lhe seja reconhecida; mas surge ali pela via do padrasto, ilustre dinossauro arenense (tá de Isaltino, está…) que isto não pode ser só aturar secas ao muro de casa, e o palco tem de ser dado a quem quer cantar. O trabalho de design ficou tão pavoroso (eu pedia o meu € de volta), que até o meu amigo Alfaia, que eu imaginava tão longe destas guerras, parece pequeno, quando ele é um homem atlético, 0% gordura, tudo fibra.



O PSD, que gosta pouco de touradas, e arranjou maneira de se ver livre do vereador que quis dar o grito do Ipiranga, voltou a acampar junto à praça de touros. Ali parei, e olhei para eles. A imagem merece um estudo mais cuidadoso, a nível de design. Ora, os 3 estarolas, parecem que não se estão a rir para nós, mas a rir de nós. Aposto que com eles fizeram aquela paródia que se faz habitualmente aos miúdos, quando se quer que eles sorriam para a câmara. Aposto que lhe disseram antes: imaginem que as eleições já passaram. Os senhores, absurdamente, ganharam outra vez, com a maioria absoluta. Os outros candidatos, perdedores, estão a passar à vossa frente, cabisbaixos, uma a um, como os judeus quando se encaminhavam para a câmara de gás. Façam-lhe lá uma carinha… Eis!


O slogan, é forte e emblemático: SEMPRE CONVOSCO! Livra! Até quando vou à casa de banho?!?!?!?!!? É que… em vez de laxante, vai dar prisão de ventre! Aeh… que diabo!!!


Eu percebo o candidato Luís. Quem o puxou para o grupo de forcados, quem sempre o incentivou, ensinou, e disse-lhe que tinha jeito, encostou-o à parede: ou vais para cabo, e EU fico atrás de ti, e EU é que te passo a dizer quem vai pegar, o quê, e em que posição, ou estás amolado.
Ele, que remédio, teve de dizer de sim.


Estou mesmo muito grato à limitação de mandatos, porque caso contrário, o sr. que tem presidido a câmara municipal, já há 12 anos?!?!?!?! era gajo para lá ficar como o Fidel Castro, em Cuba.  Na cama, já com os pés para a cova, velhinho até mais não, mas ainda com vontade de mandar. Isto do poder, tem que se lhe diga…


Ele pode pensar que está a fazer muito boa figura, a rir de trás do Luís, mas… há palhaços que não precisam de se pintar...


Para compor o ramalhete, concorre quem já experimentou pela esquerda. Não deu. Agora experimenta pela direita, e sempre se verá no que dá. Isto hoje em dia, está tudo muito batido, e quase não há limites, pois é? Fazer o bem, nunca cansa quem é de bem, e o dinheirinho sabe sempre tão bom…


Adoro como passaste a ocupar as manhãs, a pagar copos de vinho aos homens no Cantinho do Miradouro!. Super interessante, não é? Noblesse oblige…


O rapaz, que é meu vizinho, quase me tirou a fala, depois de eu ter escrito, que o estranhava tão devoto numa missa, prendado até a aprender os cânticos com as senhoras do coro, de caderninho na mão. A verdade é que, depois disso, nunca mais lá o vi. Tirou-me a fala mas… agora sou que digo que… nem se pinte de amarelo. Aconteça o que acontecer. Não sou rancoroso, não sou de ficar sentido, só que, eu já percebi que a vida passa tão rápido, que não quero senão passar tempo com quem sei que eu gosto mesmo, e goste de mim. Quem não se sente… Passo tão bem assim... Só quero, quem me quer.


Sozinho aparece o candidato camuflado de independente, com a barriga de aluguer do CDS/PP. Aparece sozinho porque… nas paletes não cabem muitos (o sr., de magro não tem nada), e no fundo, é isso que pretende: encaixar-se. São tantos os candidatos, que dificilmente sairá uma maioria. Vai nisto, tem de haver geringonças, tem de haver acasalamentos e ele… pretende, claro está, ter uma cadeirinha onde se encaixar.

Diz que são muitos mas... se só houver lugar para um...

Tem um mérito, que a mim me surpreendeu, devo confessar, de revelar uma genica, que eu não pensava que tivesse (tal era a ideia, que me habituei a fazer dele, quando partilhávamos o gabinete da vereação, entre 2005 e 2009).
Na revolta que tentou operar no navio laranja, escudou-se mal, foi surpreendido pela teia da cúpula, e decidiu esgarrar. Em vez de definhar, mexeu. E isso é de considerar. Quem sabe se irá ser premiado. Tem é de contar com outros apoiantes, que não o seu ex-colega (leia-se, claro está: eu.)
Dos dissidentes, conseguiu levar alguns pilares fundamentais do PSD local: caciques que só assim, conseguiram que os seus descendentes tivessem voz; membros ferrenhos que nunca obtiveram ganho algum, mas sempre suaram, e muito; e pessoas muito próximas pela via marital, a generais do maçudo, que se viram obrigados a sair, pela limitação de mandatos, em freguesias da redondeza. Parece ser muita gente, mas, bem escrutinados, são capazes de não serem assim tantos, e talvez quase sempre os mesmos.
O sr. não é grande coisa a português. Li dois ou três manifestos iniciais da sua lavra, com tempos verbais mal conjugados, e temi o pior, mas… tem revelado uma assessoria multimédia bastante bem urdida. Sim, que eu vou ver, porque gosto de saber. Aquilo… paga-se. E bem.


Os comunistas, coitadinhos (digo-o sem desprimor algum, note-se!), são engraçados. Vêm que aquilo em que acreditam, não resultou em sítio algum no mundo. Mas ainda assim, insistem. São persistentes. Valha-lhes ao menos isso. Mas só.


Sendo assim, chegámos a nós. Marvão para todos. Como sonhámos ser, como quisemos ser, como esperamos vir a ser.
Simples, financiados, por enquanto, pelos nossos próprios bolsos, apostados no contato mão na mão, cara a cara, conscientes de que temos na nossas fileiras, das pessoas mais bem intencionadas em prole do bem comum, de todas as listas. Todos com provas dadas na vida, todos sem qualquer tipo de interesse financeiro por detrás. Pode ser que os cartazes sejam pequenos (quando comparados, com as produções megalómanas dos demais) mas são autênticos. Têm pouca cor, mas tampouco vimos dispostos a montar um carnaval. Têm a nossa cara, têm-nos a nós. Têm autenticidade, são sóbrios e verdadeiros.



As autárquicas estão aí: que soltem as feras!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Quando a vida passa por nós...


Eu sempre sonhei foi ser jornalista. Foi passar a vida a escrever, a viver do dinheiro que ganhava com as minhas palavras, a viajar, a conhecer mundo e pessoas, a conversar e descobrir o fascínio que vive dentro delas. Se me tivessem dito, quando eu ia a caminha de Lisboa, entre 91 e 95 (há 22 anos atrás?!?!?), a tirar as cartas do míster, para poder ser credenciado, que haveria de fazer carreira nas finanças, ainda por cima, no meu concelho… junto à casa de onde saí, o mais natural era ter-me atirado para debaixo de um dos muitos elétricos, que varriam as linhas na Junqueira, bem à porta do antigo palácio Burnay, frente à antiga F.I.L., que albergava o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

No entanto, tanto que estudei e trabalhei para estar onde estou hoje. Todos os dias, antes de sair do meu serviço, olho para trás, para o lugarinho onde me sento, e agradeço à providência: o ainda cá estar, e estar ali, num porto seguro, de abrigo, que me permite olhar para as minhas obrigações, económicas e familiares, com segurança.

Eu gosto muito de trabalhar onde trabalho. Sobretudo porque trabalho em contato com o público, que é a coisa que gosto realmente de fazer: relacionar-me com os demais. Depois, porque a minha área de trabalho é muito abrangente. Como eu costumo dizer, ao contrário de muitos colegas de cidades ou superfícies maiores, que têm de se especializar num imposto e só se dedicar a ele, nós ali, somos médicos de clínica geral. Temos de saber mexer em todos eles, e isso constitui um dos grandes fascínios de estar ali. Do rendimento (IRS, IRC, IVA) ao património (IMI, IMT, SELO), passando pelo sempre trabalhoso e meticuloso atendimento ao balcão, passando pela exigente tesouraria, cada dia é sempre um dia diferente. Tanto podemos ter uma manhã tranquila, onde podemos dar seguimento à calendarização de tarefas que tínhamos programada; como podemos ter uma tarde, em que nos aparece um dos muitos solicitadores da área, com um trabalho de maior monta; ou um dos muitos ingleses que ali acorrem, nem que seja para pedir ajuda a um sítio, onde podem falar inglês à vontade, que sabem que serão entendidos.

Eu sou um humanista, um cristão, e como consciente dessa minha condição, sei que trabalho para o Estado e a máquina fiscal que me paga, mas gosto sempre de dar prioridade e privilegiar o ser humano que tenho à minha frente. O Estado somos nós. Não o que tolerou o Banco Português de Negócios; a Sociedade Lusa de Negócios que extorquiu , esbanjou, chulou (todos nós); ou as artimanhas do senhor engenheiro José Sócrates, que tem preso há tanto tempo, sem uma acusação sequer formalizada, e ainda vai ter de indemnizar por isso. E é por eu ser assim, que já tive chefias que me davam o toque que “isto aqui não é a Santa Casa da Misericórdia”, embora eu, calado, tivesse sempre a minha batuta bem definida. Não facilitando, em nada favorecendo, mas desmistificando a máquina fiscal, o Estado “mau”, que não é “mau”, mas que para sobreviver, tem de ser pago por todos nós. Inclusive, nós. Só assim me poderia sentir à vontade quando há artistas que lá entram, a fim de pagarem o imposto de circulação do seu automóvel, e mandam para o ar a laracha: “vim cá dar-vos o vosso subsídio de férias”.

Assim, quem nos aparece à frente podem ser os recém-chegados do estrangeiro, um dos tantos locais que vai declarar um óbito, ou uma fatura; como alguém que vem de fora.

Estes, de que aqui falo hoje, eram de fora. Mas não eram um casal, apesar de serem homem e mulher. Pelo formato muito idêntico, pela volumetria, pela idade, pelos perfis, deveriam ser irmãos. Confirmei assim que me perguntaram, como poderiam participar o óbito do pai. Ao saber que eram de longe, sei que os tranquilizei quando lhes disse que poderiam fazê-lo aqui, como em qualquer outro serviço da Autoridade Tributária, espalhado pelo país. O pai, que era de cá, foi aqui agora enterrado, mas tinha a residência na casa alternada de um deles, e isso baralhava-os. Expliquei-lhes que o serviço responsável, era de fato, o da área onde estava averbado o domicílio, à data do óbito. Mas disse-lhes que fazendo a participação aqui, nós temos circuitos internos de comunicação, que nos permitem levar “a carta a Garcia”.

Disse que nos podíamos sentar, para estarmos mais confortáveis (o processo ainda pode levar algum tempo), mas preferiam ficar de pé. Não seria para crescer, porque eram belos exemplares da espécie humana, e já deveriam andar na casa dos largos cinquentas, mas assim preferiram.

Ali foram avançando os documentos que fui pedindo, e dando os inputs necessários para instruir a declaração. Ali, lado a lado, mano a mano, enquanto eu escrevia e fazia o trabalho dentro do balcão, em silêncio, estiveram os dois, sós, como há muito certamente não estavam. Uma situação, por certo, constrangedora. Para eles, e para mim. Participar o óbito de um progenitor, é sempre um momento de grande pesar. Pela vida que se perdeu, pela importância que teve para as suas vidas (poderem existir), e porque é um prenúncio que, o próximo fim, pela lógica da vida, poderá e deverá ser o seu.

Tenho a sorte de poder ter um pequeno rádio no serviço, a fazer-me companhia, baixinho. Na minha rádio de sempre, ouço as notícias, o tempo, e a nossa música de hoje, que quebra o gelo do silêncio, e aquece os dias.

Neste cenário, dos dois de pé ao balcão, e eu ao computador, começou a tocar esta música, verdadeiramente assombrosa.


Assombrosa porque, o Agir é um puto notável. Apesar de ser de ascendência aristocrática na música portuguesa (não é filho do Paulo de Carvalho quem quer), escolheu sempre o caminho mais difícil para assumir o seu talento, e renegou o nome do progenitor, para se afirmar num nome estrangeiro? Compõe o que canta, é músico com todas as letras (e notas), e tem um visual, que marca! Porque não se limita por preconceitos, nem por falsas ilusões. É… o que é.

Nunca tive curiosidade de arranjar e ouvir o seu disco, mas vou ouvindo por aí, e simpatizo imenso com esta postura. Isso faz com que mesmo as suas músicas que não me engracem tanto, me mereçam sempre uma segunda e uma terceira leitura. Algo que esta… dispensa. Poderosa! Poderosa em tudo. Para a abrilhantar, foi descobrir uma das vozes mais bonitas e envolventes de Portugal.

Nesse dia, estando sós (o chefe fazia o habitual trabalho de chefia, supervisão, acompanhamento, quando há mais gente), e criou-se ali um momento estranho em que parece que todos três estávamos a prestar atenção à música, no segundo ouvido. A eles, deverá ter batido de uma forma diferente, pelo momento, pelo que faziam, pelo tanto que ficou por fazer em vida.

Já eu digo, e com este momento reforcei, que a maior riqueza que há na vida, não é o ouro, os diamantes, ou as jóias. A maior riqueza que nós, seres vivos, temos, é o tempo. O tempo que ainda temos para viver. O tempo que nos resta, o que com ele fazemos. E só quando somos sobressaltados por um desaparecimento como este, ou lhe passamos a prestar verdadeira atenção, por motivo de se ver afunilado por uma doença “daquelas”, passa a ser verdadeiramente considerado.

Nós… efémeros, fortuitos, vagos, tendemos a agigantar-nos, a pensar-nos maiores que aquilo que realmente somos.

“Lembra-te que é pó, e em pó te irás tornar”, diziam eles. Não deverá isto ser um fardo pesado do destino, mas antes uma consciência que só nos pode permitir, ao pensarmos nela, viver de uma forma mais despreocupada, mais leve (embora não vaga), mais consciente, mais feliz.

A vida é uma passagem para a outra margem.

Eu até admito que possa estar enganado. Ninguém o saberá, até um dia, que todos queremos longe, sob o ponto de vista de cada um. Mas se o estiver, a minha profunda convicção que esta é uma história, muito fraca e falível, se terminar nesta vida terrena, dá-me, quanto mais não seja, um benefício da dúvida, no qual é muito mais feliz viver-se, do que quando não se acredita em nada.

(E é tudo uma questão de disposição, de abertura, de querer. A mais fácil é quando a vida se nos encarrega de ensinar o caminho, como foi no meu caso. Outra, é descendo da altivez humana de se achar vivo, dono de si, e cortar o cordão umbilical, dizendo que já que cá se está (neste mundo), não se precisa de acreditar em mais nada. Outra é lendo o(s) livro(s) sagrado(s), mergulhar na esssência de si. Ouvir-se...)