segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Aviso natalício!

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Aviso a todos os familiares e amigos com os quais habitualmente “trocamos” (o termo não é o mais elegante, mas é realista e é o que me ocorre de momento) presentes nesta quadra natalícia:

O meu Conselho Familiar (eu à cabeceira, a Cris na outra ponta e as pequenas de cada um dos lados da mesa, sendo que a mais velha ficou à direita do pai, salvo seja) reuniu e deliberou por unanimidade (com votos de louvor das herdeiras) que neste Natal só vai haver presentes para as crianças.

Os tempos são de crise. Cá por casa, graças a Deus e a nós que nos fartámos de estudar durante anos e anos (só eu foram 12 até ao fim do liceu + 4 de faculdade + 10 de Finanças que já vão com uns 8 ou 9 testes em concursos + 1 de Pós-graduação), e muito pedalámos para conseguir os empregos que temos, ainda vai chegando. Não sobeja sobremaneira mas vai dando. Não nos podemos queixar. Mas é precisamente por sabermos que é cada vez mais importante vivermos em poupança, evitando o supérfluo e também atendendo às famílias que vivem em dificuldades e não podem dar presente algum, que tomámos esta decisão.

Também não é que nós, os crescidos, não mereçamos presentes… Mas podemos perfeitamente passar sem eles uma vez que a nossa verdadeira prenda é estarmos todos juntos, desfrutarmos da companhia uns dos outros, sentarmo-nos numa bela e (isso sim!) farta mesa e comermos e bebermos e sermos felizes por estarmos vivos, de saúde e nos termos uns aos outros. Isso é que é o Natal! Isso e o menino Jasus, coitadinho… nas palhinhas deitado, nas palhinhas dormido, só com o bafo do burrito e da vaquinha. Se tivesse nascido pela lógica de hoje tinha vindo ao mundo num duplex open space com aquecimento central e todas as mordomias que o mundo moderno tem para dar incluindo televisão Led 3d, Meo, rede wireless, sistemas dolby surround, Bimby, colchão Molaflex e aspirador silencioso da Rowenta. Está tudo virado do avesso…

Quanto à medida por nós decretada, não somos tão radicais como o Sócrates que me roubou para sempre 50 “eres” do ordenadinho que tanto me custou a ganhar. Isto porque a medida tem a validade de um ano. Para o ano logo sé vê. Reunimos de novo em democracia e decidimos como haverá de ser.

Atenção que isto é mesmo para levar a sério! Eu sei que tenho este feitio de andar sempre a brincar com tudo mas desta vez é a valer. E olhem que eu sei que vocês vêem isto! Depois se ficarem com as mãos a abanar… paciência. O Tio Sabi avisou: É só para os pequeninos!

E é muito bem!
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PS: E eu assim sempre me livro dos soquetes brancos das raquetes, das cuecas de gola alta e do sabonete “Eno de Portugal” de glicerina. Ando tão desertinho de experimentar um gel de banho…

domingo, 5 de dezembro de 2010

Filigrana, lantejoulas e "pó de fada"

Não estava (nem de perto, nem de longe) na extensa lista de "filmes a ver quanto antes" mas que valeu a pena... lá isso valeu!

As tardes chuvosas de domingo passadas na cama têm destas coisas…

Damos por nós a fazer ou a ver coisas que não tendo sido programadas, nos “saltam” ao caminho e acabam por ser o “prato do dia”. E foi assim que acabei de ver no Telecine o “This it it”, o filme baseado nos ensaios daquela que seria supostamente a última digressão de Michael Jackson, um sucesso antecipado com 50 shows na O2 Arena de Londres (capacidade: 23.000 almas) esgotados em horas.

Já por aqui dissertei, aquando da sua morte, sobre o magnetismo e a importância deste artista em quem foi puto nos anos 80. Não me quero repetir mas este filme relembrou-me porque assim foi. Eu até estava a ler o jornal, descansadinho, com a televisão ao fundo só a fazer companhia mas fui “sugado” por aquela avalanche de talento que me prendeu a atenção. É impossível resistir.

Para quem gosta de música… é um verdadeiro regalo até porque aquilo que Michael se propunha fazer era (mais uma vez!) algo absolutamente inédito que misturava com maestria números de canto e dança com sumptuosos recursos multimédia, cinema, fogo de artifícioe afins… enfim, um autêntico festim que certamente estaria até para além de tudo o que os grandes “monstros” da pop/rock (U2, Stones, Madonna…) já alcançaram.

Transportados para o palco através dos olhos da câmara assistimos aos ensaios “tal e qual” como decorreram e eu confesso que fiquei maravilhado com o homem… com o seu perfeccionismo (marcando todo e cada passo de dança ao milímetro, dirigindo uma banda de suporte do outro mundo, encarregando-se de cada detalhe…), com o seu enorme sentido musical, com a sua impressionante forma física (afinal, já não era um jovem e elas não matam… mas moem), com a sua enorme generosidade com os jovens artistas que o acompanhavam (que não se fartavam de repetir que estar a seu lado era o sonho de toda uma vida. Pudera…), com a sua concepção única e visionária de espectáculo, com a sua humildade e simplicidade.

Foram meses de trabalho árduo (como se pode bem comprovar) que nunca chegaram a parir um espectáculo gerado com tanto… amor.

A vida, sempre ela, a dar um ar da sua trágica graça, levando-nos pelos caminhos mais inusitados que conduzem onde só ela sabe.

O testemunho é importante. Perdê-lo é passar ao lado do seu legado, de algo que poderia ser único e um marco histórico no mundo do espectáculo.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O inimigo público

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Eu não sei se já viram este magnífico thriller do Tony Scott que me apanhou completamente de surpresa, quando nada dava por ele, numa tarde de “sofá surfing” há já uns anos atrás. Eu sei que o termo “electrizante” é muitas vezes utilizado em vão na promoção de filmes do género mas, acreditem, não há caso em que tenha sido mais bem empregue. É de cortar a respiração do princípio ao fim e nos deixar a pensar… muito!

Nos últimos dias, sempre que ouço falar no caso “Wikileaks” e neste rapazinho…


Lembro-me do “Enemy of the State” e da alhada em que o Will Smith se meteu, por mero acaso, e lhe fez a vida (ainda mais) negra. Então não é que a este jovem australiano lhe deu na bolha, mandado sabe-se lá por quem ou se por pura loucura, de criar um site que divulgou centenas de milhares de documentos “top secret” da diplomacia americana relacionados com temas tão “inócuos” como as guerras do Iraque e do Afeganistão? Assuntos tão “privados”, do foro tão interno como juízos de valor acerca de outros países com os quais se relacionam, alcunhas com que tratam outros líderes mundiais, planos e projectos de manipulação ficaram assim à distância de um clique e o Tio Sam (e não só… que a Portugal também tocou…) “com as cuecas na mão”.

Ouvi há dias um “testa de ferro” do “establishment” catalogar o episódio como “a mais terrível acção de espionagem contra a nossa nação em toda a história”.

Têm mau perder, estes yankees… Coisa para já terem fechado o site e instigado os cães da Interpol que por esta altura devem andar a esvoltear cada caixote de lixo dos becos deste planeta à procura do rapagão. Muito maus lençóis… Até já lhe arranjaram uma acusação por uma suposta violação na Suécia…

Não imagino como deve ter sido a vida de Julian Assange até aqui mas tenho a certeza que daqui para a frente é capaz de complicar. Se tiverem duas horinhas disponíveis… agarrem-se a esta pérola. São capazes de ficar com uma ideia mais clara do que vos digo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

9 anos... de ti

2 de Dezembro de 2001

2 de Dezembro de 2010


E é assim… que nos apercebemos, na pele, quão rápido passa o tempo. Quase uma década…

Nove anos passaram sobre aquela noite gelada de Dezembro, quando me pousou nos braços, ainda a deitar fumo e a cheirar ao ventre da mãe. Eu sabia que era o começo de uma grande aventura. Não consigo sequer imaginar como seria a nossa vida, as nossas vidas, onde estaríamos e como estaríamos sem termos a sua imensa alegria de viver a encher-nos os dias de sorrisos.

A maternidade do hospital estava em obras. Nasceu na Ortopedia. Era o destino a dizer-nos, até aí! o torta que seria…

Hoje é um projecto de adolescente (medo!) que ainda pede de presente, bonequinhas e jogos de tabuleiro aconselhados para “a partir dos 6 anos”.

Eu queria que ela nunca crescesse… que ficasse sempre pequenita, a dormir tranquila no meu colo… e eu a ver a chuva a bater na vidraça da nossa casinha de Marvão. A ouvi-la respirar…

Pode ser a cara chapada da mãe, que é, mas para estar a toda a hora a ver temporadas dos Simpsons de penálti… a mais alguém há-de sair.

Diz-me a Cris ao ver as fotos que “sabes que mais? Estamos a ficar velhos…”.

Eu sei… e tem valido tanto a pena…

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Corte e costura (Parte 2)

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Nota do autor: Há uma fórmula, simples mas eficaz, para ler os meus textos que consiste em não olhar para a extensão. Se o fizerem, desistem porque há sempre outras coisas mais importantes para fazer. Compreendo... O conselho é começarem e deixarem-se levar. Acho que vale a pena. Dou tanto de mim a escrevê-los que me parece um desperdício, perdoem-me a imodéstia, deixarem-nos no prato, ao lado dos bróculos. A gerência agradece.

Tempo estimado de leitura (tendo como referência a capacidade de um jovem licenciado em engenharia, com um curso de inglês técnico tirado nas Novas Oportunidades): 10 minutos.



Bem…

Já que tanta gente (felizmente) se preocupa e pergunta…

Já que assumi, ao expor-me publicamente neste blogue, um estatuto de semi-figura pública (isto numa micro-escala, claro está!);

Já que já passaram quase 15 dias da intervenção, já se foram os pontos, já se ultrapassou a fase crítica…

E já agora… só porque sim, falemos então desta segunda operação.

Uma operação, sobretudo quando envolve anestesia geral (e atenção que isto é um leigo a opinar!), nunca é um acontecimento inócuo, sobretudo para os estreantes. Envolve tanta gente, tanto medicamento, tanto aparelhómetro, tanto químico, tanta perícia, tanto corte, tanta coisa que há sempre uma dose de risco... de algo que pode correr menos bem.

A intervenção a que fui sujeito no dia 20 de Outubro, para eliminar uma hérnia discal de proporções assinaláveis que me estava a esmagar a raiz do nervo ciático, correu bem. Na sala de operações tudo se passou conforme o guião e a recuperação parecia encaminhada. Logo no dia seguinte, consegui levantar-me e tomar banho sozinho. Assim que me ergui da cama, percebi de imediato (com grande alegria e alívio) que a dor tinha desaparecido. Tive alta no dia seguinte e assim rumei a casa, amassado mas ilusionado.

Passei bem a Sexta, o Sábado e no Domingo, ao final do dia, notei uma dor momentânea mas intensa que disparou ao longo da perna esquerda, precisamente a que era mais castigada pela hérnia. Ainda pensei que fosse uma inflamação num tendão ou um dano colateral da cirurgia, ou talvez até, o resultado de algum movimento mais esforçado (as operações a esta secção da coluna obrigam a que o acto de levantar e deitar sejam autênticos exercícios de ginástica, em que nos temos de “empinar” como se fossemos uma tábua de passar para a proteger, com recurso a muita força de braços e alguma agilidade).

Os dias sucederam-se, mais tristes do que o esperado. A dor não só persistia como aumentava à medida que o tempo passava. Como tinha consulta marcada em Portalegre na sexta-feira seguinte para retirar os pontos, decidi aguentar até então para falar com a médica e procurar explicações. As dores atingiram o limite máximo do suportável nessa tarde. Quando me tentei vestir, percebi que não era capaz de dar passo. Eram de tal forma insuportáveis que assim que tocava com o pé no chão tinha a sensação que tinha acabado de pisar um cabo de alta tensão que me desferia uma descarga pela perna acima e demorava minutos a desaparecer. Era o tipo de dores que eu imaginava que ser poderiam sentir com uma fractura exposta e com isto acho que digo tudo.

Arrastei-me literalmente até ao carro e dali até ao consultório. Não me lembro de ter sequer conseguido abrir os olhos durante a viagem. Senti, a cada curva do percurso, que a perna iria explodir a qualquer momento. As dores eram cem vezes piores que antes da cirurgia.

Se mal ia, pior fiquei quando percebi o ar de espanto da médica ao ver-me. O seu “mas Pedro?!?! O que é que se passa? Isto é tudo tão estranho… tão inédito...” não me animou por aí além. Saí de lá directo para uma injecção “de cavalo”, com acertos na medicação, indicação de repouso total e uma guia de marcha para nova ressonância magnética, o mais preciso dos exames a este nível.

Uma ressonância não é fácil. A ideia de ter de me enfiar de novo dentro daquele aspirador gigante, apenas vestido com uma bata e uns auriculares para me protegerem dos ruídos (imaginem…), durante meia hora sem me poder mexer, sob pena de se caso isso acontecesse, ter de começar tudo de princípio… não era animadora.

Assim que de lá saí, não podia ter tido “melhores” notícias. Disse-me o técnico: “ foi operado mas a perna ainda lhe dói, não é? É natural… há ali “algo” a comprimir o nervo. Vai ter de ser operado de novo!”.

Não me disse nada que não esperasse já, sinceramente, atendendo a tudo o que aqui vos descrevo, mas “levar” com a notícia assim de chofre… É dose!

A comparação com os exames anteriores confirmaram a necessidade de nova intervenção. Tenho, mais uma vez, de agradecer à minha médica, a Dr.ª Anabela Nabais, o cuidado e a preocupação que teve comigo, bem como a prontidão com que marcou a nova cirurgia.

“Quanto mais cedo, melhor” e assim regressei aos Lusíadas, disposto ao que quer que fosse. Dentro de mim, não conseguia deixar de ouvir em repeat, uma frase que ouvi na primeira consulta e que foi determinante para a minha opção pela cirurgia: “com a sua idade, peso, altura, físico e massa muscular, as possibilidades de ficar completamente bom são de 99,9%”. E eu só pensava: “Onde raio fui cair… logo no 0,1%”. Isto é tão típico em mim… para o bem e para o mal. “One in a million? That’s me!”.

E prontos… assim foi. No passado dia 17, foi mais uma anestesia geral e depois de quase 3 horas de operação, já estava cá fora, à espera de melhores dias.

Depois de aberto, e só então, lá se descobriu que afinal tinha sido um osso. Um osso?!?!? Sim, um osso com 1 centímetro (não é propriamente despiciendo) que se libertou sabe-se lá de onde e se foi alojar no espaço onde antes estava a hérnia, estando agora a castigar o nervo já magoado que, coitado, entretanto desenvolveu uma fibrose que o relatório de alta classificou de “exuberante”. Nem aqui me safo da excentricidade que alguns me catalogam…

Desde então aqui estou, desta vez já sem dores, rezando e esperando que este upgrade tenha sido o definitivo. Receitaram-me, pelo menos, mais 1 mês de cama (a juntar ao mês e meio que já cá canta), com levantes muito curtos e períodos sentado nunca superiores a 15/20 minutos. Por mais que mudem os lençóis, por mais banhos que tome e pijaminhas lavados que vista… acho que já estou a ganhar musgo. Com esta cacimba gelada que vai caindo pela manhã, já só falta que me comecem a nascer cogumelos selvagens detrás das orelhas.

Tenho tantas saudades da minha vida… de ser independente, de poder ir para onde quero, fazer o que quero, às horas que quero sem ter de incomodar ninguém… poder conduzir (saudades!)… estrear a minha bichinha… correr, nadar, andar de bicicleta, caminhar… estar com a minha família… com os meus amigos, cozinhar… até trabalhar… Quero!

Alguns (breves apontamentos) sobre mais esta experiência:

1) Nestes dias tenho pensado imenso. Não há como não. E foi assim que descobri que acho que a doença é um mecanismo que foi inventado por quem inventou o mundo (seja Deus, Alá, Buda, ou ninguém… de acordo com a confissão) com o objectivo de nos trazer de volta à nossa mera humanidade, à condição de reles seres mortais. É sempre um banho de humildade. Quem está doente sente-se sempre diminuído, esquecido pela sorte, deixado para trás (por mais carinho que tenha à sua volta). Porquê eu?, pergunta-se. E isso traz-nos de volta à estaca zero. Limpa-nos de algumas ideias e conceitos, de algumas impurezas que se vão colando a nós (tantas vezes inconscientemente..) e nos conduzem a uma imagem errada de nós, dos outros e do que nos rodeia. Eu acredito que nada acontece por acaso e espero, sinceramente, sair daqui como uma pessoa melhor.

2) Quero fazer um agradecimento que será sempre especial para todos os que trataram de mim, muitos deles ao quais nem sequer vi o rosto, tão somente os olhos, mas que tanto me estimaram e acarinharam. Do enfermeiro benfiquista que me foi chamar para a operação com um “atão pá, mas ainda não te vestiste? Olha que o gajo já tem a motosserra ligada e está-se quase a acabar a gasolina!”, à enfermeira que me acordou de mansinho já no recobro, passando, claro está, pela médica responsável. BEM HAJAM! Eu sei que é o vosso serviço, mas os serviços têm muitas formas de serem feitos.

3) Eu sei, porque se passou comigo, que um dos grandes medos de quem é operado está relacionado com a operação em si, com a anestesia, com o momento em que a luz se apaga e a gente vai para sei lá onde… “E se eu não acordo? E se me dói? E se desperto durante a coisa? E se acordo dentro de um caixão? E se acordo com o Malkovich e o Clooney à briga por um punhado de cápsulas Nespresso numa nuvem à nossa frente? E se acordo num caixão? E se, pura e simplesmente, não acordo?”. O medo da morte, sempre ele... o medo do nada, do deixar de existir, do deixar de ser… Vou-vos ensinar uma coisa: não se preocupem. Apenas deixem-se ir. Que será, será…

Da outra vez, como vos contei, já devo ter ido drogadíssimo para o “banco de ensaio” porque toda a gente à minha volta só se ria com as tarequices que eu dizia. Desta vez não! Entrei completamente lúcido para a sala das operações. Até pude comprovar, deitadinho na maca, que naquele trajecto é mesmo tudo como dá na televisão, nas séries do costume. Só vemos as luzes do tecto a passar, os caixilhos das portas e um ou outro olhar complacente que se cruza com o nosso por um segundo. Estranhei a lucidez e comentei com um camarada que por ali andava a passear de bata: “Veja lá… não se estão a esquecer de mim? Não falta darem-me qualquer coisinha? É que eu, da outra vez, a esta altura do campeonato já estava bem “do lado lá” e hoje estou aqui fresquinho da Silva. Vejam lá… não me abram para aí a sangue frio, ãh?”. Nisto surge-me por cima da cabeça, só que ao contrário, um senhor muito educado e bem falante, que se apresentou dizendo o nome todo e me disse com ar de prestidigitador e voz de João Chaves (o tal do Oceano Pacífico): “Agora esteja calmo, muito calminho... porque eu vou-lhe dar uma coisa que o vai acalmar muitooooo…” e nisto, vejo uma máscara amarela vir em direcção a mim e à primeira sorvidela… marchei para Morfeu. Coisa poderosa, aquela! Ainda senti o ar, uma dormência a entrar por mim adentro mas no segundo seguinte já tinham passado 3 horas, já tínhamos espetado 4 “secos” nos espanhóis sem eu ter sequer ajudado, e já me estavam a acordar.

Não temam. Não temam mesmo. Seja o que for que esteja para vir… é um ar que nos dá. Custam mais as dores que se seguem, o sentirmo-nos mexidos por dentro, mas isso são outras conversas…

E as últimas palavras vão para:

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Os meus amigos, os meus leitores, quem me estima. Pelas visitas, pelos telefonemas, mails, sms, pensamentos e orações. Obrigado!

Os que me querem, os que me têm amado e amparado… a minha gente, a minha família, por me tomarem ao colo mais uma vez. Tenho poucas certezas mas uma delas, estou certo que bem certa será: sem vocês, nada seria.

E o último abraço vai para o meu primo Carlos que prontamente (mais uma vez…), se disponibilizou para abandonar tudo e ser meu chauffeur privado, e confidente nestes momentos sempre difíceis. Obrigado pela companhia, pelas conversas, pelos jornais e revistas que garantiste que nunca me faltassem, por tudo o que fizeste e te levou a que, por mim, estivesses longe no momento em que Deus chamou a tua mãe. Que esteja em descanso e em paz. A ti te digo que há favores que nunca se pagam.

A todos… um abraço!

Do vosso,

Tio Sabi

Cabeçalho especial comemorativo - Cimeira da Nato

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Na Casa dos (muitos) Segredos



Se eu vejo o “Big Brother” novo, aquele da “Casa dos Segredos"?

Mas é claro que sim! Claro que sim… isto é, calma… vejo… mas com moderação e de forma selectiva. O que é que eu quero dizer com isto? Para já não vejo desde o princípio, depois, nunca vi uma gala, não sei bem os nomes deles nem quantos saíram e, devo confessar, ainda não cheguei a perceber bem como é que funciona aquela cena do dinheiro e da revelação dos segredos e afins. Ah, também não dou atenção aos diários com o Granger e a outra piquena.

Mas a verdade é que de vez em quando, passo por lá. Quando não estou a ver nada de interesse ou quero a tv apenas como companhia de fundo… lá vou eu ao canal 10, em sinal aberto no Meo, 24 horas por dia.

E vou lá porque aquilo é interessante. Acreditem! Deve ser a coisa mais parecida com ter uma gaiola com hamsters, com o acréscimo de interesse de os animais aprisionados serem humanos como nós, por mais que isso nos custe, às vezes. Só a disponibilidade para a prostituição mental já serve para incomodar.

Quem conseguir transpor o filtro mental do ridículo e se dispuser a assistir, garanto-vos que muito poderá aprender sobre a forma como nos relacionamos. Há ali, naquela casa, muito do que vemos no nosso próprio dia-a-dia. Quem disser o contrário, mente! Afinal, são nossos similares. É um produto televisivo muito interessante dos pontos de vista sociológico, psicológico e até antropológico.

É certo que é um jogo mas para quem se dispuser a ler nas entrelinhas verá que há ali muita matéria-prima. Mesmo muita… Às vezes também vejo os debates em directo da Assembleia da República mas são muito menos entretidos e esclarecedores, por muito que eles tentem…

Há aqueles concorrentes com os quais simpatizamos de imediato (o jovem agricultor do Norte é um prato, claramente o novo Zé Maria, mas mais autêntico e verosímil. O outro fazia um pouco o “desgraçadinho”…), há aqueles com que antipatizamos, há gente divertida e gente muito interessante. Há ali histórias de vida complicadas e se nos esforçarmos um pouco… há ali muito substracto.

Perdeu-se a ingenuidade e a genuinidade da primeira edição, dos saudosos concorrentes que serviram de cobaias, mas depois de estalado o verniz… a essência vem toda ao de cima.

Ontem, a produção que os manipula como ratos de laboratório e os “esmifra” até ao tutano organizou uma festa e disponibilizou-lhes litros de álcool, o que geralmente lhes é vedado no economato. Claro que a rapaziada aproveitou e “encheu a cara”, quanto mais não fosse para ajudar a esquecer a condição de “passarinhos na gaiola”. A “voz” que os domina como se de marionetes se tratassem, pediu, às tantas da manhã, voluntários para um strip e a coisa deu para o torto.

Quando acordei hoje de manhã, liguei a televisão para ver como estavam os ares pela casa e percebi logo que tinha havido “arraia”. O ar estava pesado e um dos concorrentes andava de cama em cama a tentar perceber o que é que tinha acontecido, o que é que tinha feito na noite passada. Não se lembrava de nada!

Pelos vistos (isto porque ao escrever ainda não vi as imagens), esse concorrente, o Vítor, apanhou uma bubadeira de tal ordem que virou a casa “de pantanas”. Como a namorada se ofereceu para o strip, entrou numa cena de ciúmes de tal ordem que fez de tudo um pouco: despiu-se também, intimidou os outros concorrentes e culminou com uma lamentável cena de violência com a sua companheira onde não faltaram as agressões verbais e corporais, incluindo puxões de cabelos, empurrões e outros amassos que tais.

Isto, para cúmulo, no Dia Mundial da não violência contra as mulheres.

O concorrente Vítor, que confesso, desde sempre achei o mais frio, calculista e manipulador, não teve um acordar fácil. Tinha a casa e o mundo contra ele e nem se lembrava porquê!

Durante toda a manhã, estive coladíssimo ao ecrã. A forma como os concorrentes foram lidando com a situação (cada um à sua maneira e à luz das suas vivências e personalidades) e sobretudo, a absolutamente inacreditável remontada que o Vítor fez ao longo das horas seguintes foram dignas de registo e de serem televisionadas em horário nobre. A vida em directo e em tempo real. Não é isso a que se propõe o programa?

O pérfido concorrente (descobriu-se então que a cena entre ele e a namorada não foi inédita. Há um historial de violência e manipulação com anos…) foi reunindo a informação necessária e quando na posse da que achava suficiente, envolveu a vítima como uma pitão e foi-lhe dando um nó cego de tal ordem que em poucas horas a fez passar do estado “o que é que tu me foste fazer? Nunca mais te quero ver!”, ao estado “beijinhos e abraços, amor (dito por ela) perdoa ter-te prejudicado”. Ela a ele!

Percebi então porque é que muitas das senhoras que foram entrevistadas ontem nos noticiários por terem sido vítimas de violência doméstica repetida ao longo dos anos respondiam daquela forma quando lhe perguntavam : “mas se ele lhe batia, porque é que nunca o deixou?”. “Porque o amava. Porque ainda assim, o adorava.”

Lá canta o meu velho Bono… “love moves in mysterious ways…”

Fiquei a aguardar o desfecho do “episódio”. O elo mais fraco estava conquistado. Os outros concorrentes entretanto amotinaram-se no quarto ao lado onde, entre dentes, criticaram a súbita rendição e se revoltaram interiormente pela inércia, pela apatia, pela submissão.

Estou plenamente convicto que se “a voz” não se tivesse metido ao caminho, até ao final do dia, o Vítor teria dado a volta aos colegas, um por um, caso a caso, do mais fraco ao mais forte, amealhando apoios e firmando-se neles para ir avançando as tropas até à conquista final. Ele estava convicto do seu poder.

A “voz” decidiu então reuni-los na sala de estar e como era previsível e incontornável, expulsou o Vítor, condenando de forma veemente o seu comportamento da noite anterior, apesar dos avisos que lhe tinha ido fazendo.

O álcool é fodido. Uma mini gelada sabe muita bem. Um bom tinto eleva uma refeição à excelência. Um gin tónico para ajudar a digestão é receita sagrada. Quem é que não gosta? Mas quando se abusa e se perde o controlo, a coisa descamba e dá sempre maus resultados. O Vítor teve 5 minutos para abandonar a casa onde esteve voluntariamente aprisionado durante 47 dias, com a sua relação afectiva por um fio, (certamente) condenado por um país inteiro e sem sequer saber porquê!

Atordoado pelo que lhe aconteceu, não conseguiu responder de jeito a uma única pergunta da repórter que o aguardava à porta. Limitou-se a pedir perdão. Lá dentro, a “sua” Ana Isabel chorava como uma Madalena arrependida, inconsolável por se ver virtualmente viúva da noite para o dia.

Mal o culpado saiu e a porta se fechou, toda a tripulação reagiu e se uniu em torno da vítima, dando-lhe conselhos e precauções para a vida.

Em vão, digo eu. O ascendente que ele tem sobre ela é assombroso. Assim que sair, correrão para os braços um do outro, de onde nunca teriam saído por sua vontade. Admirável, não é? Isto com gente real, como nós. Ela é advogada e segundo me pude aperceber, tem planos para a vida. Não estamos a falar de indiscriminados ou inimputáveis.

No momento em que escrevo estas linhas, as pedras reajustam-se no xadrez. Os pretendentes que a ela se declararam já no decorrer no programa, rendem-se de novo à sua óbvia e incontestada beleza e tentam a sua sorte, aproveitando-se (inconscientemente?) da sua debilidade emocional. Uns ajudam a arrumar a mala com os pertences do seu “mal-aventurado” companheiro, outros, mais afoitos, passam-lhe a mão pelos longos e sedosos cabelos castanhos, tentando (fingindo?) apaziguar a sua dor.

Jogando num programa, como de resto todos fazemos (por mais que digamos o contrário…), na vida real.

Admirável, não é?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Via Sacra (Paixão e morte de Jesus)



Conforme escrito ontem, logo após o cataclismo.


Mais do que o meu clube, eu amo o futebol.

Nós, os verdadeiros adeptos, não ganhamos nada em concreto com as vitórias e os títulos. Não nos aumentam o vencimento, não nos sobem a gama do carro que temos estacionado na garagem, não nos constroem uma piscina naquele canto livre e sombrio do quintal. Não nos resolvem os problemas, não nos mitigam a dor.

Nós, os que amamos o futebol, o que verdadeiramente queremos é o frémito, a vibração. A jogada genial, o drible inventado naquele segundo, o corte impossível em cima da linha de golo, a defesa que desafia as leis da gravidade, a transição que sai perfeita como se tivesse sido traçada a “régua e esquadro”, o golão que nos dá a vitória no último segundo, quando o árbitro já morde o apito e enche os pulmões de ar para o assobio final. Nós queremos o Messi e o Ronaldo, o Mourinho e o Guardiola porque nos fazem sonhar… esquecer tudo o resto e acreditar que toda a vida se joga dentro daquele rectângulo sagrado. É esse o poder do futebol. É esse o fascínio que lhe confere uma dimensão religiosa à escala planetária.

Logo eu, que sou do tipo de adeptos que é bem capaz de saltar a grade e fintar os stewards só para abraçar, ali bem junto à bandeirola de canto, o craque que acabou de marcar. Arrisco a detenção e (já agora!) o cheiro a suor por aquele momento mágico de alegria. Nunca me emocionei pelos pontos conquistados mas ainda há dias fiquei de olhos rasos com uma cena assim, quando um dos “meus” correu para abraçar o “Chicharito” do Manchester depois do seu golo vitorioso ao cair do pano frente ao Stoke City. Com a adrenalina toda ao rubro, o jovem escorregou, caiu, mas até os seguranças, ao vê-lo bem intencionado, o deixaram ir abraçar o seu ídolo que o chamava de braços abertos junto à bancada. A cena de uma vida… para contar aos netos.

É por amar o jogo que sigo cada partida com emoção sempre renovada. É esse o motivo pelo qual acompanho todas as Ligas que posso (pagando uma fortuna pelos 3 canais da Sport Tv), é por isso que salvo raríssimas excepções, prefiro o jogo memorável do qual infelizmente saímos derrotados, à exibição vergonhosa na qual ganhámos 3 pontos pouco honrados.

É por amar o jogo que me custa tanto perder assim, como hoje… de braços caídos. Hoje, só houve uma equipa em campo com vontade de vencer e essa equipa não foi seguramente o Benfica. Perder por 3 golos “secos” com um clube de 2ª linha e ser assim escorraçado da Liga dos Campeões, da liga milionária, pela “porta do cavalo”… é mau demais para ser verdade.

O Benfica de hoje foi a namoradinha que era perfeita até à noite em que se embebedou na festa de Natal da nossa empresa e decidiu fazer um strip em cima da mesa de honra, frente ao Director-Geral. Um escândalo. Um vexame. Uma vergonha.

Jorge Jesus inaugurou a temporada a dizer que queria (e que sabia que podia!) ganhar a Liga dos Campeões. Estranhei a lisonja. Pagou cara a ousadia.

Também vaticinou que neste grupo alguma equipa haveria de “pendurar as botas” em Israel. Só lhe faltou dizer que os palhaços na fotografia eramos nós.

E bem me pode vir falar nos vinte e tal cantos, nas oportunidades de golo escandalosamente falhadas, na posse de bola… em todas essas desculpas de mau pagador. Foram 3, na pá, sem resposta e ponto final.

Tirando o Aimar, ninguém mais neste Benfica quis ganhar o jogo. A equipa não teve chama, não teve alma, não teve vontade de vencer. Pareciam autómatos desgovernados que perderam a ligação à central, entrando em curto-circuito, cada um esperneando para seu lado. Sem estratégia, sem orientação, sem querer…

A quantidade de passes falhados… de bolas passadas para trás… mastigadas entre a defesa… Parecia que tínhamos voltado ao tempo do Artur Jorge ou do Fernando Santos. Medo!
O Benfica de hoje foi um fantasma, uma alma-penada cuja lamentável figura assombrou as glórias do passado.

Este Benfica está a anoz-luz do Benfica campeão da época passada e não me venham dizer que é pela perda do Di Maria e do Ramirez. Eram jogadores fundamentais mas não tão cruciais assim. No meu entender, a grande diferença é mais do foro psicológico que do nível físico ou táctico. A equipa está triste, apática, distante… Há jogadores que se sentem “presos” por não terem podido voar mais alto (David Luiz é o caso mais emblemático, mas há também Cardozo e afins), há jogadores que perderam brilho e se banalizaram (Saviola…), há jogadores com manifesta falta de qualidade (Sidnei, Peixoto…), há jogadores que tardam em se afirmar (Jara e Gaitán), há jogadores com qualidade que estão claramente subaproveitados (Nuno Gomes e Wender) e há um Jorge Jesus que mete dó. Dó maior!

Eu já nem critico o homem pelas suas sempre mirabolantes invenções como esta hoje de ter deixado apeado no banco um Martins super-motivado pelo nível exibicional demonstrado na selecção, leia-se papel fulcral na “cabazada” frente à Espanha. Jesus envelheceu 100 anos em 10 meses!!! Nem parece o “nosso” Jesus do ano passado… enérgico, combativo, esfuziante, que fazia disputar cada lance e cada jogo até ao fim. Uma sombra do que era… Será hoje a antítese perfeita de Mourinho. Aquele faz dos jogadores autênticos gladiadores que o seguem fielmente até ao infinito, se tal fosse preciso. Este parece que está a fazer um frete, um sacrifício por ali estar.

Eu não sei o que se passou para que tal sucedesse, mas que está mal… disso ninguém duvida.

Isto bem pensado… foram 5 com o Porto que já nos levam 10 pontos… (Sejamos realistas: o campeonato ardeu!) A Champions já foi… Coentrão e David Luiz vão em Janeiro mas antes disso, a jogar assim, o mais certo é o Braga meter-nos já no dia 12 a ver o Jamor por um canudo. Isto está belíssimo…

Eu, se fosse o Rui Costa, se fosse o Presidente… começava já a fazer contas de cabeça… e não demoraria muito a tocar os sinos a rebate.

PS: Dica de boca para os lagartos: “vocês estão tão mal que nem em Israel, Jesus vos salva!”

Dassssssss…

Quem é amigo? Quem é?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A mãe de todas as greves

Digam lá se não fico bem como revolucionário... Ai não repararam? Atentai... Onde está o Sabi?
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“Portugal não é um país, é um sítio.
Ainda por cima… mal frequentado.”
Eça de Queiroz



A mãe de todas as greves
Por Pedro Sobreiro
Aprendiz de poeta popular
Lírico, boémio e personagem de banda desenhada


Nota do autor: este projecto de poema deve ser lido imitando a voz e a entoação do Manel Alegre, porque senão não resulta. De preferência, deve ser lido de olhos fechados, para enfatizar a emoção. Sim... eu sei que deve ser difícil ler de olhos fechados mas se não tentarem... nunca saberão se conseguem!


Nesta manhã… nem o sol,
Quis trabalhar, é normal…
Afinal hoje é o dia,
Da tão esperada greve geral!

Páram barcos e comboios,
Páram metro e aviões,
Não saem os autocarros,
Não há quaisquer opções.

Páram todos os serviços,
Páram escolas e hospitais,
E até mesmo as morgues,
Não aceitam funerais.

Páram finanças e conservatórias,
Cartórios e tribunais,
Pára a Segurança Social,
Manicómios e outros que tais.

Até as centrais sindicais,
Decidiram dar as mãos,
Meter de lado as divergências,
Trabalharem em cooperação.

O país está fartinho,
Do governo que tanto tem roubado,
Que nos vai ao bolso a toda a hora,
Que deixa o povo empenhado.

O Sócrates tira as reformas,
Corta subsídios e o ordenado,
“Pinta-nos” o “nosso” ao fim do mês,
E até o pouco que temos de lado.

Andamos muito descontentes,
Com toda esta situação,
Por isso gritamos bem alto,
E em coro dizemos que “não!”

O país está na última,
Endividado, sem solução,
Está sem rumo e sem futuro,
Está com as calças na mão.

Na tardará muito e a Europa,
A Merkel ou o FMI,
Virão puxar-nos as orelhas,
Tentar tirar-nos daqui. (Onde estamos há quase 10 séculos...)

Por tudo isto eu concordo,
Com os outros camaradas,
Que dão o corpo ao manifesto,
Que lutam com bandeiras desfraldadas.

Como estou doentinho,
Nesta cama aprisionado,
Decidi juntar-me a eles,
Fazendo um protesto adaptado.

Vou fazer greve de fome,
Hoje não me irei alimentar,
Nada comerei em todo o dia,
Excepto ao almoço e ao jantar.
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Vou dispensar os remédios,
Vejam bem como me sinto…
Decidi trocar os comprimidos,
Por uns “martelos” do tinto.

Por cada antibiótico,
Mamarei dois ou três,
E por cada supositório,
Um jarro de cada vez.

Oxalá o protesto ajude,
O Governo a pensar melhor,
A respeitar mais quem trabalha,
Quem tem brio e valor.

Em vez de defenderem,
Os “barões” que os financiam, (Com aeroportos, TGVs e afins…)
Que pensem mais no dia-a-dia,
Das famílias que atrofiam.

Camaradas, o dia é de luta,
Uma luta sem igual,
Viva a greve, viva a gente,
Viva o nosso Portugal!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um coro chamado Vega



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E uma versão de “Creep” dos Radiohead que tem tanto de angelical como de arrepiante… (descoberta no visionamento de “A Rede Social – The social network”, de David Fincher).

Site:
Facebook:
http://pt-pt.facebook.com/pages/Vega-Choir/117616228293625

Não tão magníficos mas igualmente surpreendentes:

“Fix you” dos Coldplay aqui:

“Come as you are”, Nirvana:
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Nota: O cd saiu no mês passado e está disponível no itunes.