domingo, 7 de junho de 2020

Não conseguir respirar!!!!

George Floyd 14 de outubro de 1973 – Minneapolis, 25 de maio de 2020
Same age as me
Meu quinto
Um mártir


A forma como o genial e desconhecido Banksy viu toda esta tragédia...
O motim a pegar fogo à Union Flag (Stars and Stripes)

Desta semana que passou, o Professor Martelo Savimbi (ao melhor estilo Marcelo Presidente, ou mesmo Marques Pendes) seleciona dois acontecimentos para comentar, um a nível internacional e outro, ocorrido entre as fronteiras cá do burgo.

O primeiro é a terrível morte de George Floyd em Minneapolis, Minnesota, a 25 de Maio, captada em primeiro lugar pelas câmaras de segurança da rua onde aconteceu, e pelos smartphones de muitos transeuntes que chocados com a cena de verem quatro gorilas azuis, em cima de um homem no chão que não oferecia qualquer resistência, não conseguiram resistir a captar.

Esta excelente reportagem do New York Times explica que tudo começou porque um homem negro de proporções avantajadas, com um estado de embriaguez notório, pretendeu adquirir tabaco com notas que pretensamente seriam pouco credíveis, e fizeram despertar a desconfiança do proprietário que chamou as forças de segurança. Houve um primeiro contato deste quando se deslocou à viatura, voltando ao relacionamento com o suspeito, e logo após… todo o circo se foi montando.

Tudo isto é incrivelmente difícil de explicar a uma filha de 10 anos, ainda para mais num mundo tão avançado como  nosso, onde a tecnologia chega praticamente a todo o lado, e o homem continua a investir na conquista espacial… 


É importante que se frise que Foyd nunca teve qualquer atitude mais agressiva, de revolta, ou que revelasse que seria difícil de domar. Houve ali uma falha de cobertura, em que as câmaras não captam muito bem, mas houve uma queda do visado, provavelmente provocada pelo seu estado de alcoolemia, e depois, como diz a reportagem, há ali fortes pressões nas pernas, no dorso, e sobretudo no pescoço, com um joelho a fazer pressão durante tempo a mais… (8 minutos e 46 segundos) enquanto, Floyd diz que não consegue respirar, chama pela mãe, nem gritar consegue… até que o sangue deixa de oxigenar o cérebro convenientemente, e o fim dramático ocorre. Na fase final começa a espumar pela boca, deixa de oferecer qualquer resistência, e tem uma paragem cardíaca frente às câmaras, tornando-se numa verdadeira pietá moderna.

Tão duro de ver, mesmo em imagens já tratadas, mas ainda assim, verdade. A triste verdade.

(Toda a reportagem com imagens reais)


Claro que a reação foi do mais violento que se pode imaginar, e não se viam manifestações de revolta tão fortes desde o assassinato de Martin Luther King Jr., a 4 de Abril de 1968. Negros e brancos inteligentes deram as mãos e saíram à rua, um pouco pelo mundo inteiro, manifestando a sua revolta pelo sucedido.


 O louco orangotango de esfregona na cabeça do Trump ameaçou pôr “milhares e milhares de soldados fortemente armados” na rua para travar protestos, e a verdade é que a coisa esteve feia. À exceção de cenas de filmes de ação, nunca esperei ver prédios a arderem nas zonas circundantes à casa branca, por fogo posto pelos civis revoltados, e os serviços secretos não tiveram outra solução que o enfiar no buraco subterrâneo da casa branca, porque os cerca de mil manifestantes que se concentraram de frente à sua residência, gritando palavras de ordem e ateando fogos, numa altura em que Washington registava confrontos violentos noutras partes da cidade, estavam desertos de mais.





O que se passa é que dos 328 milhões de habitantes dos Estados Unidos, apenas 12% são negros, abaixo dos 15% dos hispânicos, e estão muito longe da supremacia branca descendente de europeus, que anda na ordem dos 70%, e é, de longe, a raça/etnia dominante, responsável por manifestações menos KKK felizes por aquelas paragens. Ou seja… muito pode dar em nada.



Agora que o mundo já viu, e confirmou tudo aquilo que já sabia de cor e salteado; internamente, tudo poderá mudar.

Os efeitos desastrosos do Covid 19, aliados e potenciados na forma absolutamente displicente como a pandemia foi tratada nas terras do Tio Sam pelo seu presidente, juntamente com esta agravante mediática, podem comprometer a recandidatura de Trump à Casa Branca e oxalá!

O grande problema é que do lado democrata em vez de haver um candidato forte, jovem, galvanizador, temos um avozinho Joe Biden que… soa sempre a segundo do Barak Obama.

O acontecimento por cá, embora de muito menor importância e quase que de rodapé, surge porque não quero deixar passar o assunto, e tem a ver com a brutal incompetência do meu Benfica, que mostrou com estrondo a sua incapacidade de aproveitar a derrota inesperada do Porto frente ao Famalicão, por 2-1 para os que jogavam em casa, na quarta, dia 3 do 6.





Completamente aparvalhados, sem fio de jogo, sem rasgo de génio algum, os meus foram capazes de desperdiçar as 2 ou 3 oportunidades flagrantes para marcar, e assim ficaram pelo nulo frente ao Tondela, em casa! que… tudo compromete e nos volta a colocar dependentes dos resultados dos azuis e brancos, coisa que antigamente seria impensável, porque até seriam certamente capazes de comerem a relva!

Se tirarmos o facto de todos terem a natural falta de ritmo de jogo devido à recente pandemia, e de haverem ali jogadores que não têm qualidade para vestiram aquela camisola (quanto mais para correrem com ela e serem pagos para tal!!! Esfero quê?!?!? Dyego quê?!?!?), também é por demais óbvio que o Bruno Lage está a mais, por não lhes conseguir já falar para o coração, e sobretudo para a cabeça.

Os episódios que se seguiram dos apedrejamentos são mais uma prova mais do que evidente que merda... há em todo o lado e aqueles energúmenos gostam tanto do Benfica como eu de levar porrada. Senão, quem é que lhes diz a eles que é batendo à mulher que se faz com que goste muito mais deles?














E porque é que nos metem em 1º... se se acabasse agora, ficaríamos era em segundo?

Se bem que... alguém já conseguiu provar que os homens eram mesmo dos nossos?!? Estava aí uma bela partida...

Ainda falta muito campeonato e nós, de certezinha, que ainda vamos perder mais pontos, por isso, coração ao largo e que seja o que o tal quiser.

Carrrrrrrrrrrreeeeeggggaaaaaaaaaaaaaaa…

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A tal favada (de estalo!)

 



Eu estava capaz de dizer que há coincidências do camandro.


Acontece que sou um gajo que não acredita nisso das coincidências. Sem querer estar armado em Simara, ou Mayra, ou noutra gaja qualquer com dotes de adivinhação que há por aí, tenho de dizer que acredito piamente que a presunção que têm os que vivem deste lado da vida, e da realidade onde felizmente me encontro, de que sabem de tudo e tudo controlam, me soa a ridícula e despropositada.


Há 26 anos atrás, fui acordado pela GNR onde me encontrava. Passava um fim de semana grande, em que se metia e aproveitava um feriado, junto ao mar, em Armação de Pera, com a minha namorada de então, que haveria de ser a mulher com quem partilho a vida, e aqueles que são hoje, os meus cunhados e sogros.


Bateram à porta e disseram: recebemos uma chamada para si. Tem de ligar para casa. Os telemóveis, tão banais hoje em dia, eram ainda uma cena muito ficção científica.


Ainda hoje me recordo da luz daquele dia, do ambiente que se respirava no ar, de serem as primeiras mini-férias do ano, e da minha ânsia até chegar à cabine telefónica, na rua do casino, de frente à Pizzaria.


Assim que consegui estabelecer a ligação…

- O Dai…

- O que foi?!?!?

- Morreu…

Assim.
A seco.
Duro.
Sem uma preparação de que houve um problema, ou que sentiu-se mal, ou foi internado, ou… nada. Foi um soco no estômago que mo colou ao cérebro, e me deixou sem ar, atónito, sem saber o que fazer a seguir…


Aventei com o telefone e saí da cabine onde me faltava o ar. Saí caminhando pela rua paralela à marginal, e fui andado até sei lá onde. Se calhar, até onde quem estava comigo e assistiu a tudo do lado de fora da cabine, me conseguiu agarrar. Foi uma daquelas notícias que marcam a nossa vida. A partir dali nunca mais nada iria ser igual e eu soube-o de imediato.


Andei e acho que parei a chorar, sem saber ainda bem o que haveria de fazer.


Recordo-me que quis apanhar um autocarro, que não quis deixar que isto abalasse os seus tão desejados dias de férias, mas não me deixaram. Acabou tudo ali.


Perdi assim, sem ter podido fazer a despedida merecida à pessoa que mais me marcou na vida, e mais influenciou a minha maneira de ser. O João Sobreiro, o meu ídolo e modelo, sabia estar. Tanto se dava e adequava o discurso aos altos nomes das alfândegas, e dos despachantes com que tinha de se relacionar por motivos profissionais, como ao homenzinho do fundo da rua, a quem davam crédito para pouco mais que nada. Aos seus olhos, todos eram seres humanos iguais, cada um com a sua dignidade muito própria.


Quebrou num momento em que tinha sido engolido pelo progresso, juntamente com a sua esposa, colega que também trabalhava no mesmo ramo, quando a abertura das fronteiras pela criação do mercado único europeu lhe tirou o pão da boca, e os deixou desempregados, com um filho a estudar no 3º ano da faculdade, e um no ciclo preparatório, em Santo António.


Talvez o maior amante da vida e dos seus prazeres que conheci, sempre tudo fez para que nada lhe passasse ao lado. Partiu muito cedo, com apenas 49 anos cumpridos nem há dois meses, com pouco mais de dois anos da idade que tenho atualmente, quando me considero ainda um miúdo (embora saiba que já não o seja).


Foi uma vida na qual não ficou um copo (sempre com um amigo) e um café (muitos) por beber, onde não ficou um cigarro por fumar (dois maços, 20 + 20 não chegavam, durante quantos anos?), onde não havia qualquer preocupação com cuidados com a atividade física, ou alimentação. Foi uma vida onde o estouro que a máquina deu se poderia prever e já tinha dado ameaços. Naquele então, não haviam bombeiros aqui que me salvaram já, não haviam desfibrilhadores, o hospital de Portalegre ficava sempre longe demais, e não houve uma segunda hipótese, não houve um aviso, não houve um ponto de situação a partir do qual se pudesse fazer um recomeço.


A comida favorita do meu pai eram favas. A minha mãe, ou porque não gostava, ou não tinha jeito, ou porque não as sabia fazer, nunca as cozinhava. O que mais não faltava naquela saudosa e frondosa Beirã da minha infância, eram amigos cujas esposas eram extraordinárias cozinheiras e faziam gala em convidar o bom do João. Certamente seriam muitos mas eu aqui recordo-me sempre do saudoso Sr. Sabino que adorava a companhia do meu pai, o que era absolutamente recíproco. Eram sempre boas, bastinhas e muitíssimo bem regadas, como manda a lei.


Há dias, a minha querida amiga de toda a vida e cunhada Paula Lança, disse-me por sms: Olá cunhadinho. Vou mandar umas favas à minha mãe, para ela fazer para o meu pai e para ti. Beijinhos.”


Como estive a trabalhar em casa, e em formação pela internet, a favas chegaram cá ao defeso. Era uma bela tupperware que… foi toda! Deu uma tijela bem grande bem cheia, bastinha, mais um resto. Anda brruto!!!


E assim vejam bem: passado este tempo todo de tanta saudade, dou por mim a almoçar sozinho (porque os horários da malta cá de casa meteram programas diferentes), a comer uma favada de estalo (que eu nem sequer comia naquele então, porque não me chegavam, e porque achava que não gostaria), a comida favorita do meu pai, no dia em que ele partiu deste mundo, 3 de Junho, há 26 anos atrás (hoje teria 75… novo!), arranjada por pela minha querida cunhada, trazida pelos meus sogros, que foi quem sempre me ajudou e acompanhou, e tanto naquele dia.


Eu só agradeço. Só posso agradecer tanto.  


Que Deus vos abençoe.



sábado, 16 de maio de 2020

Até sempre, Zé... (Já?!? Assim?!?)

O seu sorriso de menino captado pela lente do seu, e meu amigo
Pedro Silvério, o olho de excelência de Marvão
Foto: Facebook Pedro Silvério

Neste período de teletrabalho, de confinamento em que me encontro, privado do contato permanente com o exterior que tanta me faz, vou vivendo numa espécie de redoma fictícia que me vai dando acesso ao que se passa lá fora… aos bochechos.


Hoje foi o chefe que me avançou que quem tinha morrido… foi o Zé Luís.
O Zé luís?!?!? Diacho! Nem é preciso sobrenome, alcunha, ou outra designação qualquer, porque…o Zé Luís… era o Zé Luís. Mais nada a dizer.
A princípio não percebi bem se também ele tinha sido o seu carrasco, se tinha sido acidental… mas depois já percebi por conversas, que foi um fim natural.


O Zé Luís era novo, era um homem que ainda teria muitos anos pela frente, mas… a sua relação com o álcool, a sua alimentação, a sua atroz solidão, eram ameaças gritantes à sua continuidade.
Assim que eu soubesse, à exceção de alguns bons amigos que o tratavam como se fosse família, o Zé não tinha ninguém. Nunca lhe conheci familiares, nem mulheres, nem filhos, nem nada.
Na volta de bicicleta desta tarde, em que subi Marvão, encontrei a minha madrinha Dona Carminda (já sabem que é assim considerada, por ter sido por ela que soube que estava aberto o concurso para o emprego que tenho hoje, e por isso lhe hei-de estar sempre grato), que também era tratada por madrinha pelo Zé. Éramos assim afilhados adotivos à força, desta Senhora maravilhosa que hoje estava muito abalada e desgostosa. Natural, eu também estou.


Conhecia o Zé desde sempre, mas quando fui para a câmara, tivemos assim um período em que não estivemos tão bem. Na altura de uma festas, creio que de Marvão, num momento em que ele já estava do meio para a frente, e eu não estava nada na onda, foi estranhamente aborrecido, e incisivo comigo, como se me quisesse penalizar por um cargo onde ainda nem sequer tinha estado tempo algum. Eu fiquei magoado e ressenti-me, tendo-me afastado.
Mas depois, o tempo, que tudo cura e tudo traz, que tudo limpa, clarifica, e peneira, devolveu-mo, ou devolveu-me a ele. O Zé Luís era mesmo aquilo a que se pode chamar um pobre de Cristo, alguém por quem é natural que se nutra um amor quase que de misericórdia.


Não conhecendo bem os motivos porque desaguou por estas bandas, sempre o conheci como  trabalhador da Câmara Municipal de Marvão, não sei se por obra do amor a que me referi acima. Pendurado das traseiras do camião do lixo, o Zé percorreu o nosso concelho durante vezes incontáveis, fazendo um serviço que tem tanto de essencial, como de menosprezado, injustamente, pela grande generalidade dos demais. Todos os trabalhos honestos são igualmente dignos, e não é a complexidade que faz distinguir os seus executantes dos demais, como se fosse a balança pela qual se deva orientar a sociedade.

Nos últimos anos, não sei se por já não terá a força física suficiente para dar resposta ao manuseamento dos pesados contentores, passava os dias em Marvão, sempre acompanhado com o seu carrinho com dois caixotes e uma vassourinha, com os quais ajudava a que Marvão seja um sítio absolutamente impecável, de limpeza e asseio.

Muitas vezes parava a contemplá-lo, ao longe, só, e… de forma egoísta e até má, lamento e confesso-o, pedia a Deus que não me deixasse nunca cair assim, naquele vazio adormecido que parece tranquilo, mas que deve ser sufocante.


Como me conhecia desde miúdo, e é daqueles que ainda recordava sempre com saudade, a forma envolvente que o meu pai tinha de viver, perguntava-me sempre de forma carinhosa pela minha mãe, e mandava sempre, sempre, mas sempre, cumprimentos para o meu irmão Miguel, de quem ele nunca se esquecia, por saber que tinha a sua devoção clubística, e é um lagarto de alta escala.
Isto ao ponto de eu ter pensado tantas vezes, meu Deus, e sabes que é tão verdade, “tenho de cá trazer o meu irmão para estar com ele.”
Já não vai a tempo…

Aquelas brincadeiras que sempre tínhamos com a bola, as gargalhadas que dava quando se ria das minhas parvoíces, dos meus desgostos quando mamava cabazadas, das minhas neuras pelos jogos menos conseguidos, da seleção, caraças!!! que quando jogava eu lhe dizia, antes de ir de fim-de-semana: AI ZÉ!!! NESTE FIM DE SEMANA SOMOS OS DOIS DO MESMO, C#&Fo!!!!!”…

Foi-se.

O Zé era uma Figura de Marvão! Não tão importante como os monumentos que cá chamam os turistas, óbvio; mas uma guarita que, para mim, sempre lá esteve, e já não estará mais, de agora em diante.

É assim por estas (tristes) faltas que percebemos, que o nosso tempo também se está a esfumar.

O estilo calmo, completamente à vontade, as gargalhadas, a boa onda. A bondade...


Agora que todos te choram nas redes sociais, embora saiba que muitos eram mesmo muito amigos, e fizeram coisas por ti, creio que importa aqui, a meu ver, prestar homenagem e aprender, para que possamos ajudar mais e melhor no futuro, quem está a viver nestas zonas limítrofe da nossa comunidade local.

Neste caso concreto, sei que seria muito difícil conseguir retirar os hábitos que preenchem, dão alento e companhia, quando… do outro lado, o que temos para oferecer… é praticamente uma mão cheia de nada. Lamento a vida adiada, adormecida, sem ter frutificado, porque o fundo era bom.

Eu, que tenho a benesse de acreditar:
nas escrituras milenares,
na força que a força nos dá,
que esta dimensão que conhecemos não pode ser a única, porque se assim fosse, as injustiças seriam por demais e gritantes;
que quem sofre aqui, há-de ter a sua recompensa algures;
que a vida terrena é a aprendizagem constante, não sei é para o quê, e espero que ainda falte muito para que descubra;
creio que consigo compreender a inevitabilidade da nossa finitude, de outra forma, queria eu mais tranquila e serena.

Se houvesse este intercomunicador para o lado de lá, dir-te-ia: “Juízo, Zé! Aproveita para ser feliz. Vais deixar falta.
Grande abraço!”

N' "O Castelo" do Jorge Rosado, como este outro seu amigo, o captou.
Como eu o vi tantas vezes, depois de tomar um café largo, olhando a luz e o infinito,
com o ar abstrato de quem não tem obrigações...

Foto: Facebook Jorge Rosado

sábado, 9 de maio de 2020

(Nova) Crónica do confinamento (da reclusão?)


Durante o dia, trabalho, depois estudo, e à tardinha, como não tenho o meu “Cheers, aquele bar” aberto (leia-se Pastelaria Caldeira), venho aqui, ao cimo do miradouro de Santo António das Areias, a escassos metros da minha casa, (talvez seja a descoberta mais fantástica desta pandemia, que percorro sempre com o cão após o almoço, e à tarde) perante este cenário absolutamente magnífico, que é o meu: beber uma cerveja Sagres média, e fumar um cigarro orgânico enrolado com mortalha e filtro vegetal (único do dia, porque o meu amigo Vítor Arnelas me explicou que é muito mau), que me sabe A OURO! Recarrega baterias!!!

Na passada quarta-feira fez um mês que estou retido em casa...


Um mês.


Há qualquer coisa de tão estranho em todo este fenómeno covid 19, que acho sinceramente que ainda ninguém está capaz de aferir ao certo, o impacto que tudo isto está a ter na nossa vida.
Um mês a trabalhar remotamente a partir de casa, um mês… fechado em casa. Um mês inteiro sem estar nos meus espaços, no serviço, com os meus amigos, a conviver, a descomprimir… um mês retido.

Graças a Deus tenho estado com quem eu mais quero no mundo mas, esta coabitação, nem sempre, como é óbvio, e seria de esperar, tem sido a mais perfeita e angelical das partilhas de um espaço comum. Teoricamente, será um pai, a esposa e as duas filhinhas. Na realidade, é um homem e três fêmeas... 3 mulheres... 3 gaijas, que têm uma forma muito própria e particular de pensar. À mínima “ofensiva”, defendem-se em bloco, e reagrupam-se como as gladiadoras em pleno circo de Roma, para aniquilarem a oposição que lhes faz frente.

As filhas têm tido aulas (através da televisão, ou de um computador), a esposa tem trabalhado (através de um pc ou de um telefone), eu tenho trabalhado (através do pc e muito através de quem tem o meu contato e me chama, me tecla, ou me apanha na rua e pede o meu apoio), mas… é tudo tão diferente que… nem sei explicar.

"Casa"?!?!?
Engraçadinha... a setôra...

Certamente também elas sentirão falta dos seus colegas, dos seus amigos, dos seus pares, e as pessoas, por muito que se amem, precisam do seu espaço, precisam de variar os contatos, precisam de respirar lá fora. Tenho saudades de termos saudades uns dos outros, e de queremos chegar a casa. Aquela sensação do dia feito, e do guerreiro que chega ao seu espaço para descansar, baixar as armaduras e as armas, e estar em paz, é dos sentimentos dos quais sinto mais falta.

Como muita gente daqui, temo-nos abastecido mais do que nunca nos pontos locais cá da terra, que prestaram um serviço absolutamente fundamental durante a pandemia, mas nesta semana fui a Portalegre, como um labrego quando vai à cidade tirar sortes! Parecia que nem o caminho conhecia já!

Lá chegado, estava tudo muito bem organizado, preparado para enfrentar esta nova realidade.

Para mim, o mundo está estranho, e as pessoas podem dividir-se em 3 tipos:

A – As que percebem que têm de lidar com isto, se resignam, cumprem o estabelecido, mas não conseguem deixar de se sentir incómodas com a liberdade que lhes é sonegada;

B -  As que até parece que gostam e se recriam com esta nova forma de existir, exibindo as mascarilhas, fazendo show off enquanto se besuntam com álcool gel sempre que apanham um;

C – As que lidam com tudo como se tudo isto fosse a coisa mais natural do mundo, com um transtorno praticamente indelével.
Perante o já exposto, já viram para onde vou de cabeça.


No Modelo, que agora é Continente, e foi onde fomos porque calhou, uma vez que todos os outros hipers também são bons, e cada um tem as suas vantagens que o torna diferente dos demais, senti-me muitas vezes como se estivesse num pesadelo, ou num filme de ficção científica, com as pessoas todas com um ar alucinado que creio está muito relacionado com o facto de não se ver a boca. Eu sabia da importância de se verem os olhos, claro, que também falam, mas nunca pensei que ver-se a boca tinha uma importância tão grande na fisionomia, e na expressão de uma pessoa.


Passando entre as prateleiras parecia que estava a bordo da “Imperial Star Destroyer” do “Star Wars”, com toda a gente a viver assim uma trip marada, onde reconheci, mas não falei à muito simpática arquiteta Ana Pestana, sempre só com um beijo! (porque não me reconheceu a mim, armado em mascarilha com a máscara de ganga hand made by Fernanda Cristina), nem ao meu ex-colega da Autoridade Tributária e hoje deputado Cristóvão Crespo (que não me falaria mesmo que eu fosse a descoberto, porque só falava quando não era deputado e era só colega. Agora é deputado da nação, importante, pois).
É estranhíssima aquela sensação de se ter de estar tapado. Falta o ar, sufoca, tira a alegria. Custa-me imenso.

eu...a ver de manteiga...

À medida que nos vamos apercebendo que este tsunami, não chegará cá com a força com que todos tememos que poderia ter no início, sobretudo quando vimos a dantesca destruição em Itália, Espanha, e agora Inglaterra e Rússia, não me canso de felicitar a forma feliz como António Costa, soube gerir a orquestra que teve uma prestação absolutamente notável. Nem parece que este foi o mesmo homem que esteve à frente da jangada esta, aquando dos fatídicos incêndios de 2017.
Foi bom aluno. Aprendeu a lição.

De elogiar também, como não?, está o pessoal da linha da frente da saúde, que… completamente exaustos, com horas e horas de combate ininterrupto,  rostos marcados pelas máscaras, a viverem sós, longe das famílias; foram absolutamente determinantes nesta tremenda guerra.

Depois, acho sinceramente que o que nos safou mesmo foi termos tido estes exemplos tão maus e gravosos antes de nós, que nos fizeram abrir a pestana. Os italianos, latinos, borrifaram-se para a cena quando apareceu e quilharam-se.
Estão a imaginar um bar em Espanha antes do jantar, a promiscuidade de espaços, a proximidade entre as pessoas, e o vírus por ali fora a lavrar, entre cañas e cigarrillos, como os fogos?
E um pub em Inglaterra, à noite, com tudo grosso?!?!?!? Ah... pois é, bébé! Foi fartar vilanagem!

Nós… comedidos, cautelosos, fechámos escolas, mandámos trabalhadores para casa, metemos as empresas em lay-off… fizemos quase tudo bem, porque… há sempre algumas falhas, e a perfeição é aqui impossível de atingir.

Agora, ainda há muito pela frente para reaprender, até que possamos voltar à normalidade que… nunca mais será a mesma, convenhamos. Ou esta “guerra” das nações pela vacina, que mete israelitas e russos, americanos e ingleses, sem esquecer os chineses, que parece que são as nações que estão na pole position; dá frutos depressa, ou o medo que o arrefecimento depois do Verão traga tudo de volta, não nos vai deixar descansar.

E como vão ser estas férias? E como vão ser as nossas festarolas? E como vão ser as nossas praias (chuinfff!!!), a nossa piscina municipal (que remédio…pelo menos!)? E os nossos restaurantes? E o meu Choca?!?!?!?!? (que me disse agora, quando lá fui pagar a décima da coleta do euromilhões, que vai fazer no dia 12? 2 meses que fechou as portas… 2 MESES?!?!?!?!?!?!?!? JÁ ESTOU HÁ TANTO TEMPO SEM UMA MARAVILHOSA?!?!?!!? Quando voltar, eu acho que… pelo menos, uma por cada dia… seria o justo. Teria era de arranjar era alguém que me viesse cá a casa no dumper da junta. Nem 15, quanto mais, para além de 60?!?!?!?!?
Para casa não, que elas não me haveriam de querer cá. Olha, que me levassem assim para um armazém onde pudesse ficar a destilar em paz.

AAAAAaaaarrrrrgghhhhhhhhh... faleci!
O meu reino por uma, agora...
O fresquinho a passar nas goelas... as bolhinhas... o bater no estômago... tum!!
Saudades imensas...

Eu que vivi tanto tempo longe da igreja, e que regressei depois de um curso de cristandade onde redescobri esse meu lado interior, sou agora, desde que começou a pandemia, assíduo das missas ao domingo, a partir da basílica do Cristo Rei, na RTP 1. Nunca pensei que pudesse vir a sentir tantas saudades das celebrações, e homílias do nosso amigo Padre Marcelino, das quais sempre gostei tanto. Quando se redescobre o prazer de conseguir pensar que tudo isto (da vida) poderá ter um sentido e não acabar aqui, nem se consegue lembrar da falta que isso lhe fazia quando nem sequer pensava nisso.

Faço as minhas orações, todas as noites, todas as manhãs, e peço por todos, mas muito pelos que estão a sofrer, pelos que estão a lutar, para que os que já não conseguem voltar, possam partir de vez; e para que os que ainda conseguem regressar, que  tenham a bênção de o conseguirem fazer.

Nunca pensei estar tanto tempo sem ver a minha tia Cremilde, mas sei que está protegida por uma estratégia muito inteligente e cuidadosa da Santa Casa da Misericórdia de Marvão, que colocando o pessoal por turnos e de quarentena, conseguem zelar pelo melhor de quem protegem. Se Deus quiser, hei-de vê-la depressa.

Oxalá passe tudo e… fique mesmo tudo bem.

Continuem a cuidar-se! Saúde!

domingo, 3 de maio de 2020

Parabéns Sr. Sizzle

Obrigado. Tão obrigado, Amigo... <3

domingo, 19 de abril de 2020

Um mundo: Juntos em casa _ contra o Covid... marchar, marchar!


Olhem, lamentavelmente, ontem não consegui acompanhar o megaconcerto solidário organizado pela Lady Gaga em direto porque…  por volta da meia noite… chega a minha hora da Cinderela e essas aventuras de um gajo ficar noite fora a ver televisão… já foram.

Mas amante da música e deste mundo do showbizz, não poderia deixar de ver, não é? De forma que hoje, num dia que me consagrei de férias do estudo tributário em que tenho andado envolvido, claro que não descansei, enquanto não o vi. Afinal, este festival virtual "One World: Together at Home", que reuniu grandes nomes do mundo do espetáculo que se uniram para homenagear aqueles que estão na linha da frente na luta contra a pandemia do COVID-19, conseguiu angariar 127,9 milhões de dólares!!!

Consegui descobrir esta versão no facebook que se assemelha mais à versão que vi, transmitida através da TVI, porque na net, há diversas versões, com outros artistas. Esta, para além de muitos testemunhos, imagens, e relatos, tem uma Lady Gaga surpreendentemente sóbria e discreta, a principal organizadora deste evento, a abrir com uma versão do Smile do Charlie Chaplin (!), como que se fosse um grito de esperança para o mundo.

Depois chegou o grande Stevie Wonder, que não consegue já esconder a passagem do tempo, no aspeto e na voz, que se uniu ao coro com um galvanizador “Lean on me”. O Elton John que se segue também não consegue esconder que os anos passam… e pesam, mas o seu “I'm Still Standing” é pleno da garra, pujança, e palavra que me chegou a emocionar. Que coisa linda! Este seu grito de quem ainda resiste de pé, será certamente dedicado a todos os que ainda lutam contra esta enfermidade, e aos profissionais de saúde, que não baixam a guarda.

A emissão adoça com os namorados Shawn Mendes & Camilla Cabello, que protagonizam um lindíssimo dueto interpretando “Wonderful World” de Louis Armstrong. Segue o grandioso Eddie Veder, a interpretar a solo, ao piano, “River Cross”, do seu novíssimo disco a solo, “Gigaton”. Para quem cresceu a ver aquele vocalista cabeludo dos Pearl Jam, que fazia stage dive nas atuações ao vivo, quando saiu o seu seminal “Ten” (que ouvi tantas vezes, até à exaustão), nunca imaginou, 30 anos depois, vê-lo assim, ali, a solo, a tocar ao piano na sua casa, enquanto eu estou sentado na casa de família onde vivo.

Esperava novas vozes, verdade, e a Lizzo, com "A change is gonna come”, (hope so), encheu-me, numa prestação encantadora.

Também esperava monstros consagrados e os Rolling Stones, que o puto Sabi viu pela primeira vez em Alvalade, em 1990, com “(You) Can't always get whay you want” foram uma perfeita delícia, apesar do Keith não estar ao tocar um cú, e da banda detrás ser por demais evidente. Eu adoro aqueles homens e merecem tudo só por conseguirem ainda estar vivos, quanto mais!


Em Lisboa foi assim, mais ou menos, que eu lembro-me…

Também adorei a versão do clássico “Stand by me”, do Ben E. King, protagonizada pelo
John Legend e pelo Stan Smith, longe, mas tão perto. Sempre clássico e infinito foi o arrepiante  “When September ends”, interpretado de forma maravilhosa pelo grande Billie Joe Armstrong, dos Green Day, a solo, à viola.

A esfuziante Billie Eilish tem então uma interpretação encantadora do clássico “Sunny”, acompanhada pelo irmão Phinneas ao piano, num entendimento impressionante.

Antes de fechar, a lindíssima Taylor Swift, também um nome importante nesta organização, cantou a solo, ao piano, mostrando que talento e beleza também jogam, e quando assim é, fazem o pleno!

A versão que eu poderia ter visto ontem, e que hoje pude, tranquilamente, degustar termina com um final apoteótico, q.b., com cada um em sua casa, com a Lady Gaga, o Andre Bocelli, e a Celine Dion, ao piano, interpretando um tema não tão conhecido, mas ao qual dão, neste contexto, uma versão galvanizadora! Que assim seja!

Vejam que vale a pena! Bon apetit!




quinta-feira, 9 de abril de 2020

Devaneios da caserna

Nestes dias de pandemia, em que todos pedimos, os que acreditam e não, que ela passe ao lado e nos poupe (a luta pela sobrevivência é uma constante inata do ser humano), vivemos confinados como jamais antes, e nunca esperámos vir a estar um dia.

Vou trabalhando, estudando, fazendo o que tem de ser feito, mas de vez em quando vou-me entretendo no meu recreio online onde confraternizo, tenho o meu espaço, e dou largas de mim, porque viver com 3 mulheres, apesar de serem as que eu mais quero no mundo, e às vezes já não sei se elas me querem assim tanto bem a mim (fazem cá com cada complot!), é… obra!

Alguns destes vídeos já não devem ser novos para todos, mas como gostei tanto, gostaria de os “colar” aqui, para que fiquem.

Estudam tanto na busca do tal medicamento, da tal vacina que seja capaz de todos salvar, e afinal a cura… está aqui à mão. Perdoem o linguajar mas o homem é do norte, carago!


E há também a versão das beiras…


Quando puxa ao som, também é agradável e libertador:

Certa noite… “Hoje, apetecia-me ter umas colunas poderosas capazes de debitar este som na rua ao ponto de rebentar com as janelas todas, incluindo as minhas!!!, assim ao estilo do poder de um avião jumbo; e ir dançar para o meio dela em tronco nú, com a palavra COVID 19 escrita no peito, riscada a vermelho vivo de um lado ao outro, enquanto gritava também bem alto: F... YOU!!!! I WON'T LET YA DO WHATCHA WHAT YOU TELL ME!!!!!!!!!!
Depois era internado e acabava tudo.

(que som poderoso! Aqui com um Zack de la Rocha estranhamente abaixo da garra dos colegas, sobretudo ao início (foi crescendo e acaba em ombros), mas com o Tom Morello em grande, tal como o baixista e baterista. Isto é mesmo a banda sonora ideal para retratar os piores cenários apocalípticos em Itália, e Espanha, com que somos confrontados nos noticiários, todos os dias.)
BURN IN HEEEEEEELLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!


Outra pérola para animar as nossas noites, porque com o vosso Tio Sabi de Dj, a música é outra: desta vez, o fabuloso, mirabolante e hipnótico circo dos Rolling Stones serpenteia em devoção ao diabo, com o malogrado Brian Jones nas maracas, o John Lennon completamente fora, já com os Beatles em curva descendente, tripando como um louco, e se não houvesse amanhã.

A música... a MÚSICA... esta música já acabou, para mal dos nossos pecados.

Se agora quem dá concertos e enche estádios, são os meus colegas Djs...

Olhem, METAM MAIS ALTOOOOOOOOOOOO e curtam bem!!!!!!!!

A domaniiiii...


Ontem num puro exorcismo destes tempos terríveis: "When the music is over" pelos únicos mestres absolutos, no seu pico de carreira, no seu habitat natural: on stage, no “Whisky a Go Go”, em Los Angeles

Hearing the scream of the butterfly...

Amando este Jim lindo de morrer, nos seus rebeldes vintes e muitos, com as calças de cabedal bordeaux, o cinto clássico e a camisa branca, repreendendo o público com um delicioso "is this the way to behave in a rock'n'roll concert... "

O que teria sido se não tivesses partido assim, meu monstro sagrado... Respect...

Aqui numa versão do original, gravado a preto e branco, do extraordinário projeto colouring the past.

domingo, 5 de abril de 2020

Longa se torna a espera...



E prontos, vivemos dias em que a grande merda está armada, e não foi preciso uma invasão extraterrestre, com montes de naves a aterrarem em todo o globo, a vomitarem homenzinhos verdes com olhos no sítio onde supostamente deveria ser a testa, com muitos braços a saírem de todo o lado, ou aventesmas gigantes a babarem-se de um verde tóxico radiativo que furava o globo daqui à Austrália, que fica dizem que fica do outro lado, abaixo de nós.



Dizem que é uma merda de um vírus, ainda por cima com um nome de poucas letras, começado com a letra c e terminado em ona, dando azo à vil verborreia de quem nada sabe dele, mas que o odeia cada vez mais, pelos danos… irreparáveis, digo eu, que está a provocar na nossa maneira de ser.

Desde pequenino que sempre me ensinaram… ó Pedro, dá um beijinho! Ó Pedro… dá um passou-bem ao senhor… e o Pedro, bem educadinho como sempre foi, dava.
Hoje… se fosse hoje, FOGE-TE! É que esta manigância é de tal forma perniciosa que quase sem nos darmos conta, passámos a viver com medo uns dos outros, e já ninguém consegue falar para quem está à sua frente, aos dois metros de distância de segurança, claro!, sem no subconsciente estar a magicar se estará perante um destes novos leprosos, que até podem ter um aspeto do mais natural possível, mas que têm já o mal a minar-lhe todo o interior, como se de um cancro se tratasse.

E “obrigam” entre aspas a gente a ficar em casa, a estar em casa, a permanecer em casa, e mesmo quando vivemos com as pessoas que mais amamos no mundo, a que escolhemos, ou nos escolheu a nós, e as que gerámos, o ar começa a ficar… tão pesado que se torna quase irrespirável, ó valha-me Deus!

Como o meu pai sempre dizia, “cada um é como cada qual”, e eu só depois vim descobrir que o resto da frase que ele tantas vezes proferia e nunca terminava, é: “e cada qual é como a p*** que o pariu”, as pessoas, por mais que se amem, precisam de espaço.
Espaço.
Essssspaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaçoooooooooooooooooooooooooooooooooo, percebem?

Espaço para ter a sua área de existência, para respirarem, para serem elas. Eu tenho a sorte de viver com 3 mulheres e… tenho a sorte (ou não!) de perceber que a forma como os cérebros masculino e feminino funcionam, é de maneira diferente, não me venha cá com porras!

A qualquer coisa, qualquer ínfima divergência que surja nesta contingência completamente contra-natura em que vivemos, o dROCAS fica de um lado, e as 3 fêmeas agrupam-se todas do outro lado, como se fossem gladiadoras em fileira perante a fera que as quer devorar no circo de Roma, com uma naturalidade estonteante, e impossível de contestar.

Ahhhhh… coitadinho…

AHAHAHAH… eu (ou nós) vi(mos) logo que iria ser assim…

Opá, pai/ou marido, tu não estás a ver bem… (em coro)

São muitas das lapidares com que tenho de me habituar a viver, para que não hajam muitas ondas. Por isso, aprendi a tolerar a quase sempre presente SIC Mulher no ecrã principal cá de casa, ou o programa de casamentos às cegas nos States, em que as donzelas escolhem o marido de entre diversos candidatos, e vice-versa; ou a paixão pelo futebol da mais pequena, que me passa a tarde a ver jogos do Benfica (menos mal) como por exemplo este que dá agora, contra o PSV, para as competições europeias há 10 (!!!) anos atrás, ainda com o Gaitán, o Saviola, o Luisão, e o J.J…. MEDO!!!!


Por falar em bola, se me dissessem a mim, ou a qualquer um do vocês, há 1 ano atrás, que haveria de haver uma cena qualquer que faria parar o campeonato nacional, assim do nada, semanas sem fim à vista, eu diria logo que só poderia ser uma guerra nuclear despoletada por um míssil qualquer marado daqueles que atravessam o globo e caem do outro lado com uma margem de centímetros, mandado pelo maluco do coreano, ou pelos barbaças iraquianos que prometem a morte do abrasado do amaricano, que responderia de imediato.

Semanas sem futebol?!?!? Semanas sem aquele pica constante do ganha/não ganha, sem a picardia de que eram feitos os nossos dias, sem aquela bulha diária os jornais, sem as nossas tardes/noites no nosso Chocolate (a.k.a. Pastelaria Caldeira) a saborearmos as nossas babosinhas sempre a escorrerem espuma branquinha pelo copo e depois balcão abaixo até ao pratinho de tremoços, ou amendoins? NUUUUUUUUUNNNCCAAAA TAL!

Depois, eu que vou vendo as notícias nos meus pequenos aparelhos, evitando que as pequenas se apercebam da gravidade e da monstruosidade deste tsunami, fico sempre boquiaberto e agoniado com as autênticas guerras civis em Itália, primeiro; e agora em Espanha, que me fazem sempre temer que esta avalanche, mais tarde ou mais cedo, virá desembocar neste ponto mais baixo da Europa.
Se pensar nas Américas, no bronco do presidente de raposa morta na cabeça que só se lhe vê o rabo, que manda meter máscaras mas que diz logo a seguir que ele próprio não o fará, e no indescritível Capitão Resfriadozinho… piora!

Cada vez mais me convenço que as teorias da conspiração, a aparecerem, fazem agora mais sentido que nunca. Todos já sabemos que para o mundo, esta nova pneumonia surgiu em Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China, num daqueles mercados de animais vivos em que os gajos comem tudo aquilo que mexe. Mas cá para mim, essa teoria que envolve um pangolim a fornicar com um morcego, ou vice-versa, que originou esta desgraça à escala mundial… não cola! Opá… pelu amôr dji DDDDEEEEEEUUUUUSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS…
Os chinocas duram que se fartam, comem muito pouco, só coisas que não fazem mal, e esses bacanais inter-espécies, devem ser coisas usuais há milénios.


Um panglim é isto...

Este sabem o que é. É pichalhudo mas...naaaaa

Já vos falei naquele médico com idade avançada que trabalha numa das frentes de batalha em território nacional, no Porto, e sobre aquilo que ele disse, creio que na RTP? Pois o Sr. que lida, e sempre fez toda a sua carreira, com as doenças infeciosas, e as lesões por elas provocadas no corpo humano disse que já lutou contra a gripe A (que me levou o meu Chefe e querido Amigo António José Correia, de Nisa, paz à sua alma boa!), com a gripe das aves (barraca da China e tudo aquilo que eles comem, outra vez), com o Ébola (em que os manos rebentam todos por dentro e deitam sangue fora, das orelhas ao olho do cú), e nunca viu nada com o poder disto. Para ele, o Corona Vírus, É O Vírus.

Muita coisa pode dali nascer, podem existir mutações, os medicamentos que amortecem o efeito e a vacina podem tardar, e uma coisa está a ficar certa: nunca mais nada vai ser igual! Como disse, se o vírus pode ficar sei lá quantos dias nas estradas, também pode ficar perfeitamente numa nota, ou numa moeda se um contaminado lhe tossir para cima. E aí, todo este nosso mundo vai ruir e… não faço ideia do que poderá vir depois.

Agora acordo sempre sozinho porque falo alto de noite, a pequena assusta-se, e a mãe vai fazer-lhe companhia. Como não falar de noite?!?!?

Porra, onde é que eu me imaginei metido numa destas?!?!?

Eu sonho é com uma tarde das nossas, com o meu pessoal, no nosso sítio… mas depois penso naqueles que estão de barriga para baixo, ligados aos ventiladores, sem verem ninguém… penso naqueles que já foram… e nos seus familiares que nem sequer se puderam abraçar uns aos outros, e só me apetece chorar. Se ao menos conseguisse…