Meus amigos, como disse há pouco, acabei de ter uma epifania!
Os meus queridos Amigos Lucky Duckies (Marco Antonio Singer III) com quem fui tão feliz quando os contratei quando era vereador da cultura do Município de Marvão, e de quem tenho tantas saudades, fizeram o hino definitivo da minha vida, que já transcrevi, e aqui partilho, bem como o vídeo, para quem tenha a mesma paixão.
Vou mencionar queridos que sei que têm a mesma adoração, e vou passar a noite acordado a decorá-la! Agora sim, tudo faz sentido!
(Epifania (do termo do latim tardio epiphanīa, por sua vez do grego ἐπιϕάνεια, de ἐπιϕανής, "visível", derivado de ἐπιϕαίνομαι, "aparecer") é um sentimento que expressa uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. Também pode ser um termo usado para a realização de um sonho com difícil realização. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem". O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminante acontece, que parece ser divino em natureza (este é o uso em língua inglesa, principalmente, como na expressão "I just had an epiphany", o que indica que ocorreu um pensamento, naquele instante, que foi considerado único e inspirador, de uma natureza quase sobrenatural).
Lembrando os bons velhos tempos...
Embora este rapazinho também não se tenha saído mal...
Por estas alturas do Verão, já todos os meus leitores sabem que a escrita por aqui diminui, por ser para mim, uma atividade mais de recolhimento, mais dada às noites frias de instrospeção.
Contudo, este dROCAS Sabi continua a ver o mundo mesmo durante o calor, a pensar e a escrever, a brincar e a desfrutar da vida, só que em vez de partir do pc de casa, fâ-lo a partir do smartphone, da janela que tem no bolso, para o mundo.
Então, como "vivo" nos dois lados da moeda, para nenhum deles ficar mais esquecido, em vez de escrever no portátil e partilhar no facebook, no Verão, parto do faceboook (muito a pensar nos meus amigos que são avessos à rede, e apenas seguem o site) para aqui deixar o registo.
Então, do que se passou ultimamente (e prometo que vou ser mais respeitador da atualização atempada)...
Porrrrrrrrrrrrraaaaaaaaaa!!!! Se isto não é sacado a ferros, não sei o que quererá isso dizer!
Bom, o vosso Tio Sabi viu a partida, sofreu a sua parte, e tirou os seus apontamentos no caderninho respetivo com a carinha do nosso Rei Eusébio, e quer partilhá-los com os meus sobrinhitos espalhados pelo mundo fora, via Internet.
Quem foi abençoado pela graça divina de também ser do Glorioso, pode desfrutar, rir, guardar, partilhar, ou imprimir e meter debaixo da almofada. Quem não foi agraciado por Deus... olha, sejam felizes em tudo na vida, e deixem a bola pá gente, pá!
Quando começou, já estávamos fartinhos de empates, e derrotas, e de esbanjar pontos sem conseguirmos aproveitar as escorregadelas dos tripões. Parecia que esta merda do COVID tinha desensinado a malta de jogar à bola!
Ainda meio aparvalhados, mamámos logo um de cagada, de um bacano qualquer do estado Islâmico que está para lá enfiado! Vejam as imagens! Os defesas, embasbacados, deixaram a bugalhinha ir ter-lhe aos cor... às frontes do mustafá aquele, e lá estava a malta a correr atrás do prejuízo!
Que c'um cacete!!!!! 🤬
Lá tentàmos marcar e o meu Camões pequenino, rapidíssimo como sempre, faturou para... o video árbitro anular o golo!!!!
Épáh... eu sou a favor da lei, da justiça, mas... ANULARAM O GOLO POR UM PINTELHO!!!!!!!!!! FOSGASSSEEEE!!!!
Esta cena faz-me rir! Com o vídeo árbitro, este jogo de homens nunca teria permitido o golo com a "mão de Deus" do Deus Maradona, que encavou os "bifes" à pála da briga pelas ilhas Falklands. Mas isto também é demais!
As notas do caderninho do vosso Tio Sabi são as seguintes:
1 - Anyway (que em Português significa: que é como quere dizere) o Benfica tem um mister Lage que mexe, muito e bem, para conseguir ir ver dos 3 pontos!
2 - A equipa está bem, motivada, organizada e bem gerida. Há liderança!
3 - O Esferovite regressou! Que força, que vontade, que querer! Mandou uma ao ferro, da baliza, não ao jogador, e foi ele que catapultou a equipa! ⭐⭐⭐⭐⭐ Já gosto dele, outra vez!
4 - Aqueles pretinhos dos lados não fazem um!!!!!! F&€#-se!!!!! O "irmãos" Tavares (devem ser!) têm de comer muita alpista, e levar muita castanha!!! Do Tomás, só vejo é a cabeleira, e o Nuno... ... deu-lhe "A Bola", 7 de nota porque centrou para o primeiro da reviravolta mas... pelo amorrrrr dji Deuzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...
5 - O Rúben, com aquele cabelo à proxeneta, lambido, poderia ter feito mais, e o guarda redes... também ficou a ver navios...
6 - Gostei do Weigl! Raçudo, e já vai justificando a transferência. Para a próxima, no autocarro, levas menos padrada.
E é isto!
Temos os mesmos pontos dos tripas, mas nos ganham porque entre nós, sempre levaram a melhor. Está mau. Mas ainda vai haver malta a perder pontos até ao fim. Da parte deles e nossa, também.
Ainda vamos ter de ambos defrontarmos os lagartos e toda a gente sabe que esses bazaroucos adoram estragar a vida ao Benfica, os seus aqui - rivais de sempre. Ganhar-nos a nós, e tirar-nos o campeonato, vale por um a eles.
George Floyd 14 de outubro de 1973 – Minneapolis, 25 de maio de 2020 Same age as me Meu quinto Um mártir
A forma como o genial e desconhecido Banksy viu toda esta tragédia... O motim a pegar fogo à Union Flag (Stars and Stripes)
Desta
semana que passou, o Professor Martelo Savimbi (ao melhor estilo Marcelo Presidente,
ou mesmo Marques Pendes) seleciona dois acontecimentos para comentar, um a
nível internacional e outro, ocorrido entre as fronteiras cá do burgo.
O
primeiro é a terrível morte de George Floyd em Minneapolis, Minnesota, a 25 de
Maio, captada em primeiro lugar pelas câmaras de segurança da rua onde
aconteceu, e pelos smartphones de muitos transeuntes que chocados com a cena de
verem quatro gorilas azuis, em cima de um homem no chão que não oferecia
qualquer resistência, não conseguiram resistir a captar.
Esta
excelente reportagem do New York Times explica que tudo começou porque um homem
negro de proporções avantajadas, com um estado de embriaguez notório, pretendeu
adquirir tabaco com notas que pretensamente seriam pouco credíveis, e fizeram
despertar a desconfiança do proprietário que chamou as forças de segurança.
Houve um primeiro contato deste quando se deslocou à viatura, voltando ao
relacionamento com o suspeito, e logo após… todo o circo se foi montando.
Tudo
isto é incrivelmente difícil de explicar a uma filha de 10 anos, ainda para
mais num mundo tão avançado como nosso,
onde a tecnologia chega praticamente a todo o lado, e o homem continua a
investir na conquista espacial…
É
importante que se frise que Foyd nunca teve qualquer atitude mais agressiva, de
revolta, ou que revelasse que seria difícil de domar. Houve ali uma falha de
cobertura, em que as câmaras não captam muito bem, mas houve uma queda do
visado, provavelmente provocada pelo seu estado de alcoolemia, e depois, como
diz a reportagem, há ali fortes pressões nas pernas, no dorso, e sobretudo no
pescoço, com um joelho a fazer pressão durante tempo a mais… (8 minutos e 46 segundos) enquanto, Floyd diz que
não consegue respirar, chama pela mãe, nem gritar consegue… até que o sangue
deixa de oxigenar o cérebro convenientemente, e o fim dramático ocorre. Na fase
final começa a espumar pela boca, deixa de oferecer qualquer resistência, e tem
uma paragem cardíaca frente às câmaras, tornando-se numa verdadeira pietá
moderna.
Tão
duro de ver, mesmo em imagens já tratadas, mas ainda assim, verdade. A triste
verdade.
(Toda a reportagem com imagens reais)
Claro
que a reação foi do mais violento que se pode imaginar, e não se viam
manifestações de revolta tão fortes desde o assassinato de Martin Luther King
Jr., a 4 de Abril de 1968. Negros e brancos inteligentes deram as mãos e saíram
à rua, um pouco pelo mundo inteiro, manifestando a sua revolta pelo sucedido.
O louco orangotango de esfregona na cabeça do Trump ameaçou pôr “milhares e milhares de soldados fortemente
armados” na rua para travar protestos, e a verdade é que a coisa esteve feia. À
exceção de cenas de filmes de ação, nunca esperei ver prédios a arderem nas
zonas circundantes à casa branca, por fogo posto pelos civis revoltados, e os
serviços secretos não tiveram outra solução que o enfiar no buraco subterrâneo da
casa branca, porque os cerca de mil manifestantes que se concentraram de frente
à sua residência, gritando palavras de ordem e ateando fogos, numa altura em
que Washington registava confrontos violentos noutras partes da cidade, estavam
desertos de mais.
O que se passa é que dos 328 milhões de habitantes dos Estados Unidos, apenas
12% são negros, abaixo dos 15% dos hispânicos, e estão muito longe da
supremacia branca descendente de europeus, que anda na ordem dos 70%, e é, de
longe, a raça/etnia dominante, responsável por manifestações menos KKK felizes
por aquelas paragens. Ou seja… muito pode dar em nada.
Agora que o mundo já viu, e confirmou tudo aquilo
que já sabia de cor e salteado; internamente, tudo poderá mudar.
Os efeitos desastrosos do Covid 19, aliados e
potenciados na forma absolutamente displicente como a pandemia foi tratada nas
terras do Tio Sam pelo seu presidente, juntamente com esta agravante mediática,
podem comprometer a recandidatura de Trump à Casa Branca e oxalá!
O grande problema é que do lado democrata em vez de
haver um candidato forte, jovem, galvanizador, temos um avozinho Joe Biden que…
soa sempre a segundo do Barak Obama.
O acontecimento por cá, embora de
muito menor importância e quase que de rodapé, surge porque não quero deixar
passar o assunto, e tem a ver com a brutal incompetência do meu Benfica, que
mostrou com estrondo a sua incapacidade de aproveitar a derrota inesperada do
Porto frente ao Famalicão, por 2-1 para os que jogavam em casa, na quarta, dia
3 do 6.
Completamente aparvalhados, sem
fio de jogo, sem rasgo de génio algum, os meus foram capazes de desperdiçar as 2
ou 3 oportunidades flagrantes para marcar, e assim ficaram pelo nulo frente ao Tondela,
em casa! que… tudo compromete e nos volta a colocar dependentes dos resultados dos
azuis e brancos, coisa que antigamente seria impensável, porque até seriam certamente
capazes de comerem a relva!
Se tirarmos o facto de todos
terem a natural falta de ritmo de jogo devido à recente pandemia, e de haverem
ali jogadores que não têm qualidade para vestiram aquela camisola (quanto mais para
correrem com ela e serem pagos para tal!!! Esfero quê?!?!? Dyego quê?!?!?),
também é por demais óbvio que o Bruno Lage está a mais, por não lhes conseguir
já falar para o coração, e sobretudo para a cabeça.
Os episódios que se seguiram dos apedrejamentos são mais uma prova mais do que evidente que merda... há em todo o lado e aqueles energúmenos gostam tanto do Benfica como eu de levar porrada. Senão, quem é que lhes diz a eles que é batendo à mulher que se faz com que goste muito mais deles?
E porque é que nos metem em 1º... se se acabasse agora, ficaríamos era em segundo?
Se bem que... alguém já conseguiu provar que os homens eram mesmo dos nossos?!? Estava aí uma bela partida...
Ainda falta muito campeonato e
nós, de certezinha, que ainda vamos perder mais pontos, por isso, coração ao
largo e que seja o que o tal quiser.
Eu estava capaz de dizer que há
coincidências do camandro.
Acontece que sou um gajo que não
acredita nisso das coincidências. Sem querer estar armado em Simara, ou Mayra,
ou noutra gaja qualquer com dotes de adivinhação que há por aí, tenho de dizer
que acredito piamente que a presunção que têm os que vivem deste lado da vida,
e da realidade onde felizmente me encontro, de que sabem de tudo e tudo controlam,
me soa a ridícula e despropositada.
Há 26 anos atrás, fui acordado
pela GNR onde me encontrava. Passava um fim de semana grande, em que se metia e
aproveitava um feriado, junto ao mar, em Armação de Pera, com a minha namorada
de então, que haveria de ser a mulher com quem partilho a vida, e aqueles que
são hoje, os meus cunhados e sogros.
Bateram à porta e disseram: recebemos
uma chamada para si. Tem de ligar para casa. Os telemóveis, tão banais hoje em
dia, eram ainda uma cena muito ficção científica.
Ainda hoje me recordo da luz
daquele dia, do ambiente que se respirava no ar, de serem as primeiras
mini-férias do ano, e da minha ânsia até chegar à cabine telefónica, na rua do
casino, de frente à Pizzaria.
Assim que consegui estabelecer a
ligação…
- O Dai…
- O que foi?!?!?
- Morreu…
Assim.
A seco.
Duro.
Sem uma preparação de que houve
um problema, ou que sentiu-se mal, ou foi internado, ou… nada. Foi um soco no
estômago que mo colou ao cérebro, e me deixou sem ar, atónito, sem saber o que
fazer a seguir…
Aventei com o telefone e saí da
cabine onde me faltava o ar. Saí caminhando pela rua paralela à marginal, e fui
andado até sei lá onde. Se calhar, até onde quem estava comigo e assistiu a
tudo do lado de fora da cabine, me conseguiu agarrar. Foi uma daquelas notícias
que marcam a nossa vida. A partir dali nunca mais nada iria ser igual e eu
soube-o de imediato.
Andei e acho que parei a chorar,
sem saber ainda bem o que haveria de fazer.
Recordo-me que quis apanhar um autocarro,
que não quis deixar que isto abalasse os seus tão desejados dias de férias, mas
não me deixaram. Acabou tudo ali.
Perdi assim, sem ter podido fazer
a despedida merecida à pessoa que mais me marcou na vida, e mais influenciou a
minha maneira de ser. O João Sobreiro, o meu ídolo e modelo, sabia estar. Tanto
se dava e adequava o discurso aos altos nomes das alfândegas, e dos
despachantes com que tinha de se relacionar por motivos profissionais, como ao
homenzinho do fundo da rua, a quem davam crédito para pouco mais que nada. Aos
seus olhos, todos eram seres humanos iguais, cada um com a sua dignidade muito
própria.
Quebrou num momento em que tinha
sido engolido pelo progresso, juntamente com a sua esposa, colega que também trabalhava
no mesmo ramo, quando a abertura das fronteiras pela criação do mercado único
europeu lhe tirou o pão da boca, e os deixou desempregados, com um filho a estudar
no 3º ano da faculdade, e um no ciclo preparatório, em Santo António.
Talvez o maior amante da vida e
dos seus prazeres que conheci, sempre tudo fez para que nada lhe passasse ao
lado. Partiu muito cedo, com apenas 49 anos cumpridos nem há dois meses, com
pouco mais de dois anos da idade que tenho atualmente, quando me considero
ainda um miúdo (embora saiba que já não o seja).
Foi uma vida na qual não ficou um
copo (sempre com um amigo) e um café (muitos) por beber, onde não ficou um
cigarro por fumar (dois maços, 20 + 20 não chegavam, durante quantos anos?), onde
não havia qualquer preocupação com cuidados com a atividade física, ou
alimentação. Foi uma vida onde o estouro que a máquina deu se poderia prever e
já tinha dado ameaços. Naquele então, não haviam bombeiros aqui que me salvaram
já, não haviam desfibrilhadores, o hospital de Portalegre ficava sempre longe
demais, e não houve uma segunda hipótese, não houve um aviso, não houve um ponto
de situação a partir do qual se pudesse fazer um recomeço.
A comida favorita do meu pai eram
favas. A minha mãe, ou porque não gostava, ou não tinha jeito, ou porque não as
sabia fazer, nunca as cozinhava. O que mais não faltava naquela saudosa e frondosa
Beirã da minha infância, eram amigos cujas esposas eram extraordinárias cozinheiras
e faziam gala em convidar o bom do João. Certamente seriam muitos mas eu aqui
recordo-me sempre do saudoso Sr. Sabino que adorava a companhia do meu pai, o
que era absolutamente recíproco. Eram sempre boas, bastinhas e muitíssimo bem
regadas, como manda a lei.
Há dias, a minha querida amiga de
toda a vida e cunhada Paula Lança, disse-me por sms: Olá cunhadinho. Vou mandar
umas favas à minha mãe, para ela fazer para o meu pai e para ti. Beijinhos.”
Como estive a trabalhar em casa,
e em formação pela internet, a favas chegaram cá ao defeso. Era uma bela
tupperware que… foi toda! Deu uma tijela bem grande bem cheia, bastinha, mais
um resto. Anda brruto!!!
E assim vejam bem: passado este
tempo todo de tanta saudade, dou por mim a almoçar sozinho (porque os horários
da malta cá de casa meteram programas diferentes), a comer uma favada de estalo
(que eu nem sequer comia naquele então, porque não me chegavam, e porque achava
que não gostaria), a comida favorita do meu pai, no dia em que ele partiu deste
mundo, 3 de Junho, há 26 anos atrás (hoje teria 75… novo!), arranjada por pela
minha querida cunhada, trazida pelos meus sogros, que foi quem sempre me ajudou
e acompanhou, e tanto naquele dia.
O seu sorriso de menino captado pela lente do seu, e meu amigo Pedro Silvério, o olho de excelência de MarvãoFoto: Facebook Pedro Silvério
Neste
período de teletrabalho, de confinamento em que me encontro, privado do contato
permanente com o exterior que tanta me faz, vou vivendo numa espécie de redoma
fictícia que me vai dando acesso ao que se passa lá fora… aos bochechos.
Hoje
foi o chefe que me avançou que quem tinha morrido… foi o Zé Luís.
O
Zé luís?!?!? Diacho! Nem é preciso sobrenome, alcunha, ou outra designação qualquer,
porque…o Zé Luís… era o Zé Luís. Mais nada a dizer.
A
princípio não percebi bem se também ele tinha sido o seu carrasco, se tinha
sido acidental… mas depois já percebi por conversas, que foi um fim natural.
O
Zé Luís era novo, era um homem que ainda teria muitos anos pela frente, mas… a
sua relação com o álcool, a sua alimentação, a sua atroz solidão, eram ameaças
gritantes à sua continuidade.
Assim
que eu soubesse, à exceção de alguns bons amigos que o tratavam como se fosse família,
o Zé não tinha ninguém. Nunca lhe conheci familiares, nem mulheres, nem filhos,
nem nada.
Na
volta de bicicleta desta tarde, em que subi Marvão, encontrei a minha madrinha
Dona Carminda (já sabem que é assim considerada, por ter sido por ela que soube
que estava aberto o concurso para o emprego que tenho hoje, e por isso lhe
hei-de estar sempre grato), que também era tratada por madrinha pelo Zé. Éramos
assim afilhados adotivos à força, desta Senhora maravilhosa que hoje estava
muito abalada e desgostosa. Natural, eu também estou.
Conhecia
o Zé desde sempre, mas quando fui para a câmara, tivemos assim um período em
que não estivemos tão bem. Na altura de uma festas, creio que de Marvão, num
momento em que ele já estava do meio para a frente, e eu não estava nada na
onda, foi estranhamente aborrecido, e incisivo comigo, como se me quisesse
penalizar por um cargo onde ainda nem sequer tinha estado tempo algum. Eu
fiquei magoado e ressenti-me, tendo-me afastado.
Mas
depois, o tempo, que tudo cura e tudo traz, que tudo limpa, clarifica, e
peneira, devolveu-mo, ou devolveu-me a ele. O Zé Luís era mesmo aquilo a que se
pode chamar um pobre de Cristo, alguém por quem é natural que se nutra um amor
quase que de misericórdia.
Não
conhecendo bem os motivos porque desaguou por estas bandas, sempre o conheci
como trabalhador da Câmara Municipal de
Marvão, não sei se por obra do amor a que me referi acima. Pendurado das
traseiras do camião do lixo, o Zé percorreu o nosso concelho durante vezes
incontáveis, fazendo um serviço que tem tanto de essencial, como de
menosprezado, injustamente, pela grande generalidade dos demais. Todos os
trabalhos honestos são igualmente dignos, e não é a complexidade que faz
distinguir os seus executantes dos demais, como se fosse a balança pela qual se deva orientar a sociedade.
Nos
últimos anos, não sei se por já não terá a força física suficiente para dar resposta
ao manuseamento dos pesados contentores, passava os dias em Marvão, sempre
acompanhado com o seu carrinho com dois caixotes e uma vassourinha, com os
quais ajudava a que Marvão seja um sítio absolutamente impecável, de limpeza e
asseio.
Muitas
vezes parava a contemplá-lo, ao longe, só, e… de forma egoísta e até má,
lamento e confesso-o, pedia a Deus que não me deixasse nunca cair assim,
naquele vazio adormecido que parece tranquilo, mas que deve ser sufocante.
Como
me conhecia desde miúdo, e é daqueles que ainda recordava sempre com saudade, a
forma envolvente que o meu pai tinha de viver, perguntava-me sempre de forma
carinhosa pela minha mãe, e mandava sempre, sempre, mas sempre, cumprimentos
para o meu irmão Miguel, de quem ele nunca se esquecia, por saber que tinha a sua
devoção clubística, e é um lagarto de alta escala.
Isto
ao ponto de eu ter pensado tantas vezes, meu Deus, e sabes que é tão verdade, “tenho
de cá trazer o meu irmão para estar com ele.”
Já
não vai a tempo…
Aquelas
brincadeiras que sempre tínhamos com a bola, as gargalhadas que dava quando se
ria das minhas parvoíces, dos meus desgostos quando mamava cabazadas, das
minhas neuras pelos jogos menos conseguidos, da seleção, caraças!!! que quando
jogava eu lhe dizia, antes de ir de fim-de-semana: AI ZÉ!!! NESTE FIM DE SEMANA
SOMOS OS DOIS DO MESMO, C#&Fo!!!!!”…
Foi-se.
O
Zé era uma Figura de Marvão! Não tão importante como os monumentos que cá
chamam os turistas, óbvio; mas uma guarita que, para mim, sempre lá esteve, e
já não estará mais, de agora em diante.
É
assim por estas (tristes) faltas que percebemos, que o nosso tempo também se
está a esfumar.
O
estilo calmo, completamente à vontade, as gargalhadas, a boa onda. A bondade...
Agora
que todos te choram nas redes sociais, embora saiba que muitos eram mesmo muito
amigos, e fizeram coisas por ti, creio que importa aqui, a meu ver, prestar
homenagem e aprender, para que possamos ajudar mais e melhor no futuro, quem está a viver nestas zonas
limítrofe da nossa comunidade local.
Neste
caso concreto, sei que seria muito difícil conseguir retirar os hábitos que preenchem,
dão alento e companhia, quando… do outro lado, o que temos para oferecer… é
praticamente uma mão cheia de nada. Lamento a vida adiada, adormecida, sem ter
frutificado, porque o fundo era bom.
Eu,
que tenho a benesse de acreditar:
nas
escrituras milenares,
na
força que a força nos dá,
que
esta dimensão que conhecemos não pode ser a única, porque se assim fosse, as
injustiças seriam por demais e gritantes;
que
quem sofre aqui, há-de ter a sua recompensa algures;
que
a vida terrena é a aprendizagem constante, não sei é para o quê, e espero que
ainda falte muito para que descubra;
creio
que consigo compreender a inevitabilidade da nossa finitude, de outra forma,
queria eu mais tranquila e serena.
Se
houvesse este intercomunicador para o lado de lá, dir-te-ia: “Juízo, Zé!
Aproveita para ser feliz. Vais deixar falta.
Grande
abraço!”
N' "O Castelo" do Jorge Rosado, como este outro seu amigo, o captou. Como eu o vi tantas vezes, depois de tomar um café largo, olhando a luz e o infinito, com o ar abstrato de quem não tem obrigações...
Durante
o dia, trabalho, depois estudo, e à tardinha, como não tenho o meu “Cheers,
aquele bar” aberto (leia-se Pastelaria Caldeira), venho aqui, ao cimo do
miradouro de Santo António das Areias, a escassos metros da minha casa, (talvez
seja a descoberta mais fantástica desta pandemia, que percorro sempre com o cão
após o almoço, e à tarde) perante este cenário absolutamente magnífico, que é o
meu: beber uma cerveja Sagres média, e fumar um cigarro orgânico enrolado com
mortalha e filtro vegetal (único do dia, porque o meu amigo Vítor Arnelas me
explicou que é muito mau), que me sabe A OURO! Recarrega baterias!!!
Na
passada quarta-feira fez um mês que estou retido em casa...
Um
mês.
Há
qualquer coisa de tão estranho em todo este fenómeno covid 19, que acho
sinceramente que ainda ninguém está capaz de aferir ao certo, o impacto que
tudo isto está a ter na nossa vida.
Um
mês a trabalhar remotamente a partir de casa, um mês… fechado em casa. Um mês
inteiro sem estar nos meus espaços, no serviço, com os meus amigos, a conviver,
a descomprimir… um mês retido.
Graças
a Deus tenho estado com quem eu mais quero no mundo mas, esta coabitação, nem
sempre, como é óbvio, e seria de esperar, tem sido a mais perfeita e angelical
das partilhas de um espaço comum. Teoricamente, será um pai, a esposa e as duas
filhinhas. Na realidade, é um homem e três fêmeas... 3 mulheres... 3 gaijas, que
têm uma forma muito própria e particular de pensar. À mínima “ofensiva”,
defendem-se em bloco, e reagrupam-se como as gladiadoras em pleno circo de
Roma, para aniquilarem a oposição que lhes faz frente.
As
filhas têm tido aulas (através da televisão, ou de um computador), a esposa tem
trabalhado (através de um pc ou de um telefone), eu tenho trabalhado (através
do pc e muito através de quem tem o meu contato e me chama, me tecla, ou me
apanha na rua e pede o meu apoio), mas… é tudo tão diferente que… nem sei
explicar.
"Casa"?!?!? Engraçadinha... a setôra...
Certamente
também elas sentirão falta dos seus colegas, dos seus amigos, dos seus pares, e
as pessoas, por muito que se amem, precisam do seu espaço, precisam de variar
os contatos, precisam de respirar lá fora. Tenho saudades de termos saudades
uns dos outros, e de queremos chegar a casa. Aquela sensação do dia feito, e do
guerreiro que chega ao seu espaço para descansar, baixar as armaduras e as
armas, e estar em paz, é dos sentimentos dos quais sinto mais falta.
Como
muita gente daqui, temo-nos abastecido mais do que nunca nos pontos locais cá
da terra, que prestaram um serviço absolutamente fundamental durante a
pandemia, mas nesta semana fui a Portalegre, como um labrego quando vai à
cidade tirar sortes! Parecia que nem o caminho conhecia já!
Lá
chegado, estava tudo muito bem organizado, preparado para enfrentar esta nova
realidade.
Para
mim, o mundo está estranho, e as pessoas podem dividir-se em 3 tipos:
A
– As que percebem que têm de lidar com isto, se resignam, cumprem o
estabelecido, mas não conseguem deixar de se sentir incómodas com a liberdade
que lhes é sonegada;
B
-As que até parece que gostam e se
recriam com esta nova forma de existir, exibindo as mascarilhas, fazendo show
off enquanto se besuntam com álcool gel sempre que apanham um;
C
– As que lidam com tudo como se tudo isto fosse a coisa mais natural do mundo,
com um transtorno praticamente indelével.
Perante
o já exposto, já viram para onde vou de cabeça.
No
Modelo, que agora é Continente, e foi onde fomos porque calhou, uma vez que
todos os outros hipers também são bons, e cada um tem as suas vantagens que o
torna diferente dos demais, senti-me muitas vezes como se estivesse num
pesadelo, ou num filme de ficção científica, com as pessoas todas com um ar
alucinado que creio está muito relacionado com o facto de não se ver a boca. Eu
sabia da importância de se verem os olhos, claro, que também falam, mas nunca
pensei que ver-se a boca tinha uma importância tão grande na fisionomia, e na
expressão de uma pessoa.
Passando
entre as prateleiras parecia que estava a bordo da “Imperial Star Destroyer” do
“Star Wars”, com toda a gente a viver assim uma trip marada, onde reconheci,
mas não falei à muito simpática arquiteta Ana Pestana, sempre só com um beijo!
(porque não me reconheceu a mim, armado em mascarilha com a máscara de ganga
hand made by Fernanda Cristina), nem ao meu ex-colega da Autoridade Tributária
e hoje deputado Cristóvão Crespo (que não me falaria mesmo que eu fosse a descoberto,
porque só falava quando não era deputado e era só colega. Agora é deputado da
nação, importante, pois).
É
estranhíssima aquela sensação de se ter de estar tapado. Falta o ar, sufoca, tira
a alegria. Custa-me imenso.
eu...a ver de manteiga...
À
medida que nos vamos apercebendo que este tsunami, não chegará cá com a força
com que todos tememos que poderia ter no início, sobretudo quando vimos a
dantesca destruição em Itália, Espanha, e agora Inglaterra e Rússia, não me
canso de felicitar a forma feliz como António Costa, soube gerir a orquestra
que teve uma prestação absolutamente notável. Nem parece que este foi o mesmo
homem que esteve à frente da jangada esta, aquando dos fatídicos incêndios de
2017.
Foi
bom aluno. Aprendeu a lição.
De
elogiar também, como não?, está o pessoal da linha da frente da saúde, que…
completamente exaustos, com horas e horas de combate ininterrupto,rostos marcados pelas máscaras, a viverem
sós, longe das famílias; foram absolutamente determinantes nesta tremenda
guerra.
Depois,
acho sinceramente que o que nos safou mesmo foi termos tido estes exemplos tão
maus e gravosos antes de nós, que nos fizeram abrir a pestana. Os italianos,
latinos, borrifaram-se para a cena quando apareceu e quilharam-se.
Estão
a imaginar um bar em Espanha antes do jantar, a promiscuidade de espaços, a
proximidade entre as pessoas, e o vírus por ali fora a lavrar, entre cañas e
cigarrillos, como os fogos?
E
um pub em Inglaterra, à noite, com tudo grosso?!?!?!? Ah... pois é, bébé! Foi
fartar vilanagem!
Nós…
comedidos, cautelosos, fechámos escolas, mandámos trabalhadores para casa,
metemos as empresas em lay-off… fizemos quase tudo bem, porque… há sempre
algumas falhas, e a perfeição é aqui impossível de atingir.
Agora,
ainda há muito pela frente para reaprender, até que possamos voltar à
normalidade que… nunca mais será a mesma, convenhamos. Ou esta “guerra” das
nações pela vacina, que mete israelitas e russos, americanos e ingleses, sem
esquecer os chineses, que parece que são as nações que estão na pole position;
dá frutos depressa, ou o medo que o arrefecimento depois do Verão traga tudo de
volta, não nos vai deixar descansar.
E
como vão ser estas férias? E como vão ser as nossas festarolas? E como vão ser
as nossas praias (chuinfff!!!), a nossa piscina municipal (que remédio…pelo
menos!)? E os nossos restaurantes? E o meu Choca?!?!?!?!? (que me disse agora,
quando lá fui pagar a décima da coleta do euromilhões, que vai fazer no dia 12?
2 meses que fechou as portas… 2 MESES?!?!?!?!?!?!?!? JÁ ESTOU HÁ TANTO TEMPO
SEM UMA MARAVILHOSA?!?!?!!? Quando voltar, eu acho que… pelo menos, uma por
cada dia… seria o justo. Teria era de arranjar era alguém que me viesse cá a
casa no dumper da junta. Nem 15, quanto mais, para além de 60?!?!?!?!?
Para
casa não, que elas não me haveriam de querer cá. Olha, que me levassem assim
para um armazém onde pudesse ficar a destilar em paz.
AAAAAaaaarrrrrgghhhhhhhhh... faleci! O meu reino por uma, agora... O fresquinho a passar nas goelas... as bolhinhas... o bater no estômago... tum!! Saudades imensas...
Eu
que vivi tanto tempo longe da igreja, e que regressei depois de um curso de
cristandade onde redescobri esse meu lado interior, sou agora, desde que
começou a pandemia, assíduo das missas ao domingo, a partir da basílica do Cristo
Rei, na RTP 1. Nunca pensei que pudesse vir a sentir tantas saudades das
celebrações, e homílias do nosso amigo Padre Marcelino, das quais sempre gostei
tanto. Quando se redescobre o prazer de conseguir pensar que tudo isto (da
vida) poderá ter um sentido e não acabar aqui, nem se consegue lembrar da falta
que isso lhe fazia quando nem sequer pensava nisso.
Faço
as minhas orações, todas as noites, todas as manhãs, e peço por todos, mas
muito pelos que estão a sofrer, pelos que estão a lutar, para que os que já não
conseguem voltar, possam partir de vez; e para que os que ainda conseguem
regressar, que tenham a bênção de o
conseguirem fazer.
Nunca
pensei estar tanto tempo sem ver a minha tia Cremilde, mas sei que está
protegida por uma estratégia muito inteligente e cuidadosa da Santa Casa da
Misericórdia de Marvão, que colocando o pessoal por turnos e de quarentena,
conseguem zelar pelo melhor de quem protegem. Se Deus quiser, hei-de vê-la
depressa.