sábado, 9 de dezembro de 2017

Querido Pai Natal tecnológico





A minha filha Alice... me encanta!

Ontem, escreveu uma cartinha ao Pai Natal, com preços e tudo! (que o velhinho também tem de se esmerar, na forma como aplica a pensão.) Amo! <3


Hoje, foi—se à Feira do Livro a Marvão, e achetou um livrinho, mesmo escrito para ela!




:P #tádemais!

Como a Alicia, sua amiga, canta... "This girl is on fire!" 




terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Beirã (sempre ela), para uma festa, e um adeus…


A Beirã é o centro nevrálgico da minha vida. Nela nasci, nela cresci, nela me fiz homem, e quando a vida terminar, é a ela que quero que os meus restos regressem. Dali parti, e ali quero regressar. Aquele que é o meu centro geodésico.

Hoje, dia 5 de Dezembro, a ela regressei, para celebrar uma vida, e lamentar a perda de outra.

O meu amigo, poeta, António Manuel Vaz Gonçalves, fez hoje 53 anos. E mesmo que eu me pudesse esquecer, coisa que certamente não aconteceria, ele fez questão de a assegurar.
Como?
O chefe disse-me: “Pedro… podes chegar ao telefone? É para ti. É o teu amigo António.”

- Alô? Quem falas-me?

- MAAAAAAAAANNNNNNNNNNNN… Crooner!

AMANHÃ FAÇO ANOS!!!!!!!!!!!

- Eu sei, bebé! Sei o teu dia de cor, e o do menino Jasus! Como é que me poderia esquecer?!?!?

- Ah… fixe! Faço 53!

- Graças a Deus. E que queres tu, que o teu tio Sabi te faça, meu amore?

- Nada, nada, man! Era só para saberes.

Claro que hoje de manhã, à primeira hora, lhe liguei. Cantando a minha canção dos amigos especiais (com voz de palhacito): “Hoje é dia dos teus anos, porisso estamos aqui, como ameguenhos que somos, acantare sóparati! Parabénsavocê! Nestadataqueri…da, muitas fe-li-ci-da-des, muitos anos de vida, hojeédiade festaaa, cantam as nossas almas, parao meu amiguinho António, uma salva de… palmas!”


E ele do outro lado, “eheheheheheheh”.


E disse-lhe: “MAN!!! Logo quando sair, vou ter contigo!” (para ele andar o dia todo contente, a pensar nisso)

- A que horas, man?!?

- Sempre depois de sair, mano! Lá para as 4 e tal… vamos lanchar, ok? Tu fazes os anos, mas sou eu que te convido.

- Iá, na boa.

Cheguei assim que saí. Deviam ser perto das 5, ou pouco faltava. Assim que parei o carro, 
toquei a buzina, à porta. Aparece-me de pijama e roupão, de braços abertos:


- “MAAAAAAAAAN!!! Agora já não dá! É quase hora de jantar! Às 6 e meia, é hora da Anta trazer o jantar!

- Ouve, mas… (disse eu, olhando para o relógio), são cinco e…

- Ah, iá, na boa! Podemos ficar aqui a fumar um cigarro. Queres entrar? Queres sentar-te aqui na cadeirinha do jardim? Ainda está sol. Olha vou-te fazer um café bom, na minha máquina de fazer café.


- Isso seria ótimo.

- Man… antes que os meus pais vejam, emprestas-me 5 euros? Paguei os cafés à malta toda dos Barretos, ao pessoal do bairro, da Anta, só recebo dia 20, e fiquei sem guito nenhum.

- (Abrindo a carteira) Não sei se tenho, mas… olha! só tenho 20. Não tenho destrocado…

- Ouve man… esquece o meu café. Vais ali ao Jorge, bebes um café, e trocas.

- Tó, a tua velocidade a pensar, impressiona-me sempre! É vertigionosa!
(rindo baixinho às gargalhadas) Eheheh, va lá, vai, que eu espero aqui (de perna trocada, no jardim).

Voltei com o troco na hora e trouxe-lhe o rebuçadinho que oferecem, de cortesia, no café.

- Olha-me bem o que te trouxe…

- Fixe! Esses de café, são ótimos.

- Ouve man… Agora quando receber, não vou lá a Marvão devolver-te estes 5 euros (como faz sempre. Bem cedo. Ainda antes de abrirmos ao público, Depois fica na rua, à espera.) Não vou porque está muito frio!

- Claro, man!!!!! Agora temos as contas saldadas! Pagas sempre os empréstimos, portanto, eu confio em ti, como não?

- Quando for lá um dia a Santo António, vou lá à tua casa, tu dás-me um cafezinho, um “S” daqueles belíssimos da tua sogra, bebemos, comemos e fumamos no teu quintal, como no outro dia, e pago-te.

- Já me estás a impressionar outra vez. Mágico!

Começámos a conversar, o que era para fazermos, afinal.

- Man… já faço 53, já viste? Uma cena... De vez em quando, acordo de noite para ir à casa de banho, venho beber um café, fumar um cigarro, e ponho-me a pensar. Na vida como ela é.


- Sabes, eu sempre fui uma criança muito solitária.

- Talvez por seres filho único.

- Iá… é capaz de ser por isso. Estás a ver aqueles canchos além? Eu passava os dias inteiros a brincar ali. Com o Fernando Belo, o Magafo, o Rui Felino…

- Qual Magafo? O mais velho, ou o mais novo?

- Com os dois. Mas por vezes ficava ali a brincar sozinho. Sempre passei, e gostei de passar muito tempo sozinho.

- Eu, estranhamente (porque sempre me relacionei muito com os outros), também. 


Quando vim do Júlio de Matos, vinha no Lusitânia (Expresso, comboio que passava aqui por volta da 1 hora da manhã). E cheguei aqui sem nada. Tinha apenas uma camisola vestida.

- Tens memória desses tempos, Tó?

- (Fumando, mastigando o fumo) Tenho, man. Aquilo comia-se muita mal. Não valia nada. 

E os enfermeiros batiam no pessoal…

- A ti?!?!? (que sempre foste enorme)

- Não, a mim, não. Nunca me bateram. Mas lembro-me dos gajos, a darem estalos nos pacientes. E nunca me davam tabaco. Naquele período em que lá estive (creio que dois ou três meses), fumei apenas um único cigarro, que me ofereceram.


E foste para lá porquê? Recordas-te?


Falou-me dos ataques de pênico, que chagavam a demorar horas, dias, em que tinha medo de tudo, gesticulava, e não conseguia tomar conta do corpo. Destruindo muitos mitos e conceitos acerca dele, assegurou que nunca tomou drogas duras injetadas, e ao contato com elas, se limitou a cheirar coca. Confessou que o seu grande problema sempre foi o álcool. Hoje em dia, disse-me firme, que a sua doença se resume à bipolaridade, muito atenuada pela injetável, que toma com regularidade, e lhe permite ter uma vida absolutamente normal.

- Man, não me falta nada!

- Que bom que é ouvir isso, Tó.

-Tenho televisão, internet, computador, telefone, boas refeições, casa, durmo muito bem durante 7 horas, e quando assim é… está tudo bem.

- Maravilha.

- Epá, não sabia daquilo que me disseste ontem, que o Zé Pedro dos Xutos tinha morrido. Não vejo televisão e notícias…

- É… chegou a hora dele. Mas, viveu bem a sua parte. Muito álcool, muita droga dura, muito aceleramento. Ainda era novo mas… com um transplante hepático… Teve honras de Estado. Saiu dos Jerónimos com o pessoal todo a cantar o “homem do leme”, às costas dos seus companheiros de sempre… Eu é que já não consigo chorar, porque, tinha sido uma lágrima muita bem vertida. Olha, eu mostro-te no telemóvel… (mas depois, não sei porquê… passou.)  


- Olha, bacano, temos que nos aconchegar que o sol pôs-se, e fica um frio do camandro.

- Pois é. Podes crer. Vou ali levar-te ao carro.
(E ficou a dizer-me adeus, de robe, todo sorridente, caminho do leitor de DVD, para ver o dvd do “Rattle and Hum”, dos U2, que lhe ofereci dos meus.)

- Este ainda nunca o vi. Deve ser demais.

- Os putos irlandeses a descobrirem o maior país do mundo (em termos culturais, para nós).
Mr. Teacher: it’s an hell of a ride!


Nesse mesmo instante passou a carrinha funerária, com o corpo do Sr. Joaquim Viegas, mais uma figura icónica da Beirã, que se vai. Colega de escritório do meu pai, sentado na secretária à frente da dele, conhecia o Jaquim de toda a vida. O Jaquim… maluco, como era tratado por quase por todos. A loucura aqui, era um cognome não depreciativo, de tonto, de menor; mas sim de arrojo, porque ele era um homem, ao qual ninguém ficava indiferente. Ou se adorava, ou não se gostava nada.


Inteligente (o meu pai estava sempre a gabá-lo), era um gajo de repentes, de convicções fortes, e expansivo. Grande lagartão na 5ª casa, tal e qual como o meu pai, vivia a paixão sportinguista de uma forma, absolutamente avassaladora. Lembro-me dele, quando o Sporting foi campeão, ao fim de muitos anos, de ter subido em êxtase a rua do Café Nicau, vestido com uma bandeira de manto, e um leão enorme debaixo do braço.


Viveu a vida, como quis, e os vícios, de forma muito convicta, também. Nisso, era tal e qual como o colega João Sobreiro, quer no que diz respeito ao álcool, quer no que respeita ao fumo. No auge das suas vidas, não eram alcoólicos, daqueles que nos habituámos a ver na televisão, na vida, nas séries e nos filmes, mas era raro o dia em que não bebiam um copito. E muitas vezes, tantas vezes, demais. Como demais eram os maços de cigarros que fumavam ao dia, que certamente, muitas vezes, passavam dos dois. Nunca menos, sempre para mais. Ora, 40 x 365, dá 14 600 por ano. A multiplicar por 10 anos = 146 000. Vezes 20… e por aí fora. Ou seja, muito cigarro, nada de bom. Mas… quem nada disso faz, também marcha, e eles, tiveram o prazer de terem podido fazer isso.


Ultimamente via-o mas, ficava sempre triste por o ver. Tentava encobrir isso, brincar com ele, meter-me por causa da bola, ou outra cena qualquer, mas… estava sempre com dificuldade de respirar, sempre com a malinha do oxigénio atrás, passava.


Soube há dias que estava muito mal nos paliativos do Hospital. Quando ali se entra… as pessoas sabem que o regresso à vida, pelo menos da forma que os que os amam, queriam, será difícil.


Falei há dias com a Carla Alexandra, que trabalhou no infantário, de quem gosto muito e tenho muito respeito e admiração (quanto mais não seja, pela forma como se tem adaptado às diferentes ocupações que tem tido depois do infantário, onde a conheci), e ela foi-me dando notícias dele.
Sabia pela minha mãe, amiga profunda, como família, que estava mesmo por um fio.


Pedi a Deus, tenho pedido há dias, que lhe fizesse o melhor.


Agora, espero, peço que esteja em paz.

Entre o esplendor da luz perpétua. (que é uma imagem belíssima, e me dá imensa paz).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O derradeiro Xuto (e Pontapé) nesta vida (de rock'n'roll... na terra)

Morreste-me… (também tu, Zé Pedro?) 
1956-2017

Escrito a ouvir as cassetes dos Xutos online. Já não lhes metia os ouvidos em cima há… pelo menos, 30 anos. As maravilhas da tecnologia… A net, hoje, é tudo. Ainda bem que a temos.


Descia a encosta de Marvão, ao final da tarde, com aquela glória estranha, um pouco impercetível, e inexplicável também, de ter fechado bem mais uma semana de trabalho. Sem stress, sem problemas, agigantada porque estava à beira de um fim de semana grande.


Na rádio, na minha rádio, o Diogo Beja lamentava a alteração da habitual orientação do programa, por uma notícia triste.
Morreu alguém, pensei. Para tanta consternação que passava nas ondas hertzianas, teria de ser alguém importante.


Ouvi mais um pouco e… o Zé Pedro, o Zé dos Xutos.


Porra… 61 anos.

Eu, como acompanhante destas andanças do rock, conhecia bem a sua debilidade física, da sua luta tremenda com a hepatite C, que contraiu numa fase em que dava duro no cavalo. Sabia, e tinha acompanhado o seu transplante hepático, mas… não estava nada à espera desta.


Sabia que ele continuava a tocar, que continuava a manter acesa a chama, a meter o povão a delirar, e a delirar ele também. O Zé Pedro era um amante do rock. Mais que um rocker, ele era um fã que… também tocava. Fazia programas de rádio, era DJ, não falhava a concertos cá, e ia lá fora, ver o que adorava.

T-shirts e memorabilia a lembrar... ídolos seus, e meus

O Zé não era um grande músico. Não era o virtuoso (solos, eram mais com o Cabeleira), não era o criador (sobretudo o Tim a escrever), mas era, sem dúvida absolutamente nenhuma, o corpo onde vivia o espírito dos Xutos e Pontapés (que não sei como é que resistirão sem ele). Sempre bem disposto (pudera! Fazia o que amava, onde amava!), boa onda, simpático, cortez, irradiava alegria e nisso aí, sim era um ser adorável. Passar a vida ao pé dele, deveria ser o máximo. Lembro-me, e lembrar-me-ei sempre, do Zé a rir. E a fazer aquele riff de guitarra, com a bichinha de lado.


Vi-o da primeira vez nas Carreiras, em 88. Quando os Xutos eram o Rock Português, e se vivia o boom dos “Contentores”, o vosso tio Sabi, com 15 anos, lá foi caminho das Carreiras, ver O concerto. Não guardo grande memória, a não ser um cheiro do catano a resmenga, que aquela malta das filas da frente acendia uns, nos outros. Foi fixe, foi bem, foi bem fixe.



Depois, fui acompanhando. Fui tendo outras bandas de eleição, outras ondas mais britânicas, mas as cassetes do “Cerco”, do “78-82”, e da “Aventura homossexual com o General Custer” (nome bizarro), nunca me deixaram. (links para os discos na íntegra)


Os Xutos foram crescendo, foram evoluindo, eu também, mas nunca os perdi de vista. Estavam sempre cá. Uma vez Xutos, os braços ficam sempre a fazer o X. Da última vez que os vi… (no CAEP, acústicos, em Portalegre)




Onde encontrei esta prenda... (da qual sou tão fã...)

O Zé foi-se, e caiu mais uma estátua da galeria dos ídolos de sempre, desde que me lembro de existir. Foi o Bowie, foi o Lou, foi o Cohen, vai o Zé, vão indo todos e, pela lógica da batata, ao vê-los ir, também nós somos levados a pensar, mesmo que não queiramos, que não ficaremos cá para semente.


Olha, não faço nada ideia onde é que isto tudo irá ter. Tenho fé que não acabe. Tenha esperança que isto continue, não sei onde e sob que forma, mas hoje gosto de imaginar que o Zé Pedro estará algures a conhecer todos aqueles que toda a vida adorou. Imagino-o num bar bem cool, a falar de riffs e acordes com o Jimmy Hendrix, de pose e atitude com o Kurt Cobain, de poesia e forma de viver com o nosso rei Morrisson. A rir, a curtir, como sempre fez em vida.









É bem melhor que o imaginar acabado, a ser comido pelo bicho, num buraco escuro, sem luz.

Até sempre, homem do leme! Fica bem. 
Fica em paz… 
Insubmisso!


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

XXI Governo Constitucional de Portugal: Agora escolha/Quando o telefone toca




Nestas alturas, já ninguém duvida que sou do António Costa.
Como sou bem transparente na forma de pensar, e gosto de me reservar o direito de tornar público aquilo que opino, este dado de ser Costista, já não é surpresa para ninguém.




Já lhe escrevi uma carta de amor, assim que montou a brilhante estratégia da gerigonça (ai não tens maioria absoluta, ó pré-calvo armado em baritono?!?!? Então vou juntar no pátio às escondidas, a rapaziada toda de esquerda, e eu vou passar a mandar na escola!).
Mas desta vez, apetece-me outra.


Epá… é que esta cena do executivo que lidera, ter organizado neste domingo, uma sessão de hora e meia de perguntas, feitas por um grupo de 50 cidadãos, escolhidos pela universidade dos ovos moles, onde tudo se realizou, tem que se lhe diga!
Bem sei que no ano passado já tinha armado esta gracinha. Acho que passou mais despercebida, nem sei bem porquê.


É que isto é uma cena do arco da velha! Claro está, que da oposição choveu bordoada de alto a baixo! Os laranjinhas (que andam tão atazanados a darem tiros nos pés, em suspenso entre a suplesse do Pedroca Santana Lopes Bond, e abstração do Mister Rio do Norte, falam em “encenação vergonhosa”; o CDS de Miss Cristas Thatcher disse que se o Executivo “tivesse um pingo de vergonha, cancelaria a iniciativa”. E nem dos teus parceiros da coligação te safaste!


A rapaziada do camarada Jirome, zurzem que te andas a armar ao pingarelho, que queres mais parecer, que ser; e que deves “ter como preocupação e prioridade, a resposta aos problemas da população e do país, e não atos de promoção pública.”


As coisas não estão fáceis, e valeu a ensaboadela que a mana mortágua te deu ontem no parlamento, onde frisou a "deslealdade", e te acusou de "teres rasgado o compromisso com o BE", quando falou da distinção entre da palavra dada, e palavra honrada (leia-se cedência do todo poderoso PS, aos lobbies das energéticas, que faz com que a taxa extraordinária sobre as energias renováveis não avance.)






A verde, é que o cenário este do teatro das perguntinhas, foi habilmente manipulado e manietado. Pensaste (que eu sei que sim): epá, a gente vai fazer dois anos que manda nesta brincadeira, e não faz uma janta, uma cena?
Deixar a populaça perguntar, o que lhe der na real gana, parece mesmo ser assim uma cena muito à frente!
Pois é… mas da mesma forma que não há almoços grátis, a malta do executivo não metia assim a cabeça num cepo, à espera que um mancebo qualquer mais afoito, se lembrasse de por ali passar, e afiar a lâmina do machado no real pescoço dos dirigentes.


Então, o que fez?


Duas saídas para a frente, altamente… espertas: envolveu uma universidade (a anfitriã, de Aveiro; que isto de envolver uma universidade dá sempre um ar de isenção, e maturidade) e uma empresa de sondagens (neste caso, a Aximagem, do meu professor Jorge Sá, do qual não tenho, de todo, boas referências) para darem credibilidade e isolamento.


Carlos Jalali, o coordenador do estudo, garantiu que o Executivo não conhecia as perguntas que lhe iam ser feitas.
Está bem abelha… Conta-me mais historinhas, para ver se durmo…


Muita malta se pergunta também, sobre as verbas que foram despendidas, que isto nada se faz por acaso.
Segundo “O Sol”, que estes cabrões dos jornalistas têm esta mania persecutória de andarem a meter o bedelho em todo o lado, a brincadeirinha ficou em 36.750 euros, pagos a um grupo de 50 cidadãos, que participou nesse estudo na Universidade de Aveiro, que depois fez perguntas ao executivo.




Na plataforma dos contratos públicos online deram-lhe um nome pomposo e de circunstância: "aquisição de serviços de recrutamento de participantes para integrar um estudo quantitativo e uma sessão pública no âmbito da iniciativa de avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional" (escrito sem vírgulas! Mesmo assim!), realizado com a Aximage Comunicação e Imagem Lda.
TOMA IÁÁÁÁÁÁÁÁ!


Mas não se ficou por aqui, que houve ainda um segundo contrato, mais baratucho, no valor de 19.000 euros, que foi realizado com a Universidade de Aveiro tendo como objecto a "aquisição de serviços de desenho, realização de estudo quantitativo e moderação do grupo de inquiridos" no âmbito da mesma iniciativa.


Tudo isto embrulhado num invólucro dourado, com as inscrições: “Conselho de Ministros extraordinário, ao domingo, para assinalar os dois anos do Governo.”




Para provar que foi tudo ao acaso, uns ministros, brincaram muito, e tiveram inúmeras solicitações; quando outros, só não ficaram a brincar ao pau com os ursos, porque a entrada foi-lhes vedada. Aos com pêlo. Porque dos outros, havia-os lá. E muitos!


O zarolinho do Vieira da Silva, o meu amore, do Trabalho e da Segurança Social, ainda se queixou: ai querem lá ver que só me veem a mim e ao Adalberto da Saúde?!?!? Porra! Está práqui a Van Dunnen sem fazer um c***te, a jogar à batalha naval com Caldeira Cabral da Economia e eu… sempre a dar-lhe!


Tiro no porta aviões!


EHEH... Nem mais!

Já não jogo mais!


O tio Sabi aplaude o nosso primeiro, porque mais uma vez, deu uma de mestre, ao mostrar que a velha máxima da mulher de César, quando invertida, (a máxima! Não a mulher do imperador! Claro está…) funciona em pleno!


Não interessa se o governo está realmente a funcionar. O que interessa, é se parece que sim. Enquanto o desemprego for diminuindo, as exportações aumentando, o dinheiro regressando ao bolso dos tugas (seja em forma de vencimento, ou dos famigerados subsídios), a coisa vai indo.


Por isso, avance-se com estas operações mediáticas, impressione-se, caia-se bem, que no fundo, isso é tudo o que interessa.

E ao nível do país, o vosso Tio Sabi, diz o mesmo que diz aqui no concelho: enquanto a grande maioria silenciosa for dando força a quem lá está; enquanto forem legitimando os seus devaneios; essa meia dúzia de bornais que têm a mania que sabem e são intelectuais, e que eles é que têm razão… que ladrem, ladrem…


Que a caravana passará… Nem que seja aos trambolhões! Nem que seja atropelando um e outro.


Nota do editor: estava eu a pensar escrever este texto, quando me recordei do último que lhe endossei, quis relê-lo para acertar detalhes e, tive a muito agradável surpresa, de ter conhecimento deste comentário que aqui transcrevo, por mim desconhecido até agora (que palavra de honra, não sou nada de andar a ver o que é que este ou aquele, pensaram sobre o que eu escrevi. Escrevo aquilo que me parece que tem de ser escrito, e já está! Mas fiquei tão feliz, Quadratim.

http://vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.pt/2017/02/carta-toni-sir-antonio-costa-prime.html




Desta vez, foi uma alegria muito grande, meu caro Quadratim. Desculpe (não o ter lido antes) e obrigado. São feedbacks como o seu, acredite, que me instigam a continuar. Bem haja por isso, mesmo.


domingo, 26 de novembro de 2017

A vida, como ela á... (your uncle Sabi, goes philosophical, this time)



Peça 1 do puzzle: Esperando o que não chega (e que nunca queremos que venha)

Quando vou fazer, a minha visita semanal à minha tia Cremilde, a minha querida Cali, à Santa Casa da Misericórdia de Marvão, a minha cabeça é um turbilhão tão grande de sentimentos e sensações, que nem os consigo bem explicar.

À media que me aproximo daquele edifício secular, gigante, imponente, labiríntico, sinto-me sempre pequeno. Mais pequeno ainda do que o seu corpo frágil, rígido, sem maleabilidade, sem controlo, duro.

Eu sei que ela não sabe dizer quem eu sou, não sabe o meu nome, não consegue dar resposta às suaves e subtis provocações das amáveis funcionárias, quando a tentam espicaçar com um “e este Cali?!?!? Quem é este homem? É meu? De quem é Cali?”

Ela sorri.
Sem um brilho no olhar que deixe antever qualquer emoção, qualquer sentir, qualquer saudade.

Mas, quando me aproximo da sala onde habitualmente a encontro, sempre sentada no mesmo lugarinho, vejo que o sorriso se acende, assim que o seus olhos tocam os meus. Olham-me como se, no mesmo vislumbre, me fizesse as perguntas “tu, tu… só agora?” e “onde é que andaste?”

Eu caminho para ela, sorrindo, como se estivesse estado sempre ali, e estivesse de volta ao fim de poucos minutos fora. Vou sentindo da parte das suas companheiras, sentadas em volta, reações pela minha chegada, que depois confirmo, quando as cumprimento, uma a uma.

Não estou muito tempo ali. Porque me dói.
A ver se me faço entender, que eu sei que muita gente vem espreitar, o que é que este jornalista que nunca o chegou a ser, tem a dizer sobre a vida.
Eu agradeço sempre muito, tanto, tudo, à Santa Casa da Misericórdia de Marvão, pelo serviço que nos presta. É a ela, mas sobretudo a mim, que sou o filho que nunca teve; e à minha mãe, sua cunhada, que sempre a amou como irmã, e por ela foi amada enquanto tal. A Cali, sempre solteira, sempre sem marido e sem filhos, tem-nos apenas a nós, para a supervisionarmos, nestes últimos tempos que passa na terra.

Dramático, não é? Eu acho que é. A vida… como contava o grande cometa António Variações, é DAR E RECEBER.


Quando não dás vida… é difícil que ela venha por ti. A Cali não gerou vida, e por isso, não tem perto de si, vidas que a acompanhem. Embora isto, não seja líquido, e certo. Porque há muitos filhos que viram costas a pais, nos seus últimos estertores; e muita gente que está acompanhada, por outros amigos e família.
Não quer dizer que tenha que ser assim, mas a verdade é que o Pedro e Alzira, são os que estão pela Cremilde. A vida levou os outros, os que sempre estiveram longe; ou que foram ver do ganha-pão; ou foram por opção, para outras paragens. Mas por nós, filho e mãe, ela está acompanhada.  Os outros sabem que podem estar tranquilos.

A verdade é que por muita atividade, por muito acompanhamento, encontro-a sempre ali. Sentada, a sorrir, com uns olhos que olham, mas não fitam.
Da dezena de colegas, umas dormem, outras mantêm conversas com mundos e entes só deles, outras estão. Apenas estão. Vivem porque respiram, têm os órgãos todos a funcionar, tem a centelha de vida a vibrar dentro deles. Mas só isso.

Uma delas, uma mulher que toda a vida me habituei a conhecer por vizinha, que sempre viveu na minha rua, mãe de um querido amigo meu de infância, que faleceu na flor da idade, a desmantelar um artefacto explosivo na sua profissão de GNR; está lá. Quando a vi, há dias, nem queria acreditar que ainda fosse viva. Fiquei tão feliz que tentei, pausadamente, chegar até ela, explicando-lhe quem era. A senhora é tao antiga, que os seus olhos, apenas parecem que nos vêem. A idade pode dar para nisto.

Quando lhe falei na rua, e na minha mãe Alzira (nome aqui estranho, que destaca), pareceu-me ter vislumbrado alguma reação. Mas… pouca.

Estas pessoas, muitas destas pessoas, estão vivas porque a vida continua agarrada a elas. Têm visitas fortuitas de familiares de quando em quando, ou talvez não. Mas estão lá. Até que Deus queira. Cumprindo o seu Masterplan, 



Porque é que estamos neste mundo?

O que é que cá fazemos?

O que é que nos falta fazer?

Porque é que não acabámos já?

Para onde vamos?

O que é que nos falta aprender?

Que portas nos faltam abrir, in life’s endless corridor? (no corredor infinito da vida?, como cantam os manos Galagher?)



Peça 2 do puzzle: Quando o fim nos surpreende



Pensava eu nisto, numa semana em que sou (eu, e todo o país) completamente atropelado pela morte, absolutamente absurda (como se pudesse existir essa tal coisa, de mortes com sentido) de dois jovens na flor da idade, com apenas mais 9 anos que eu, 53: o ator João Ricardo, e Pedro Rolo Duarte. Se o primeiro era bem conhecido pelas massas, muito por graça da sua graça em  em telenovelas de horário nobre; o segundo, era mais conhecido pelas minorias consumidoras da comunicação em geral, e por uma fasquia mais elitista da comunicação.

A verdade é que ambos eram jovens de mais para morrer. Quando assim é, parece que o livro é rasgado a meio, de forma abrupta, e nunca mais cabe na prateleira da vida.

Para quem perdeu o pai com 49, como eu, subitamente, muito pelas mesmas causas, estes desaparecimentos são sempre um vento ciclónico que abala as galerias da memória, e fazem tremer este edifício de que somos feitos. Manda a razão que consigamos encontrar um sentido para que tal aconteça, e no caso do Pedro, o seu modo de vida bom vivant, e sobretudo, a sua adição ao tabaco e à nicotina, conseguem explicar o porquê deste fim. Escreveu na sinopse do seu livro “Fumo , Deixar de fumar é lixado”, que “30 anos depois do primeiro cigarro - três maços por dia quando as noites não acordavam coladas aos dias seguintes…”. Assim,  meu querido, chegar aos 80 é que seria de espantar.
Depois, junte-se a esta morte lenta, um estilo de vida sempre em contra-relógio (entre as diversas atividades e publicações); uma alimentação apenas possível entre tanta solicitação; e um modo de vida completamente errático, sem qualquer tipo de atividade física regular, e… facilmente se percebe que não há sorte, nem providência que aguente tanta desfaçatez. Inteligente? Todos os que tiveram o prazer de o conhecer, juram a pés juntos que sim.


Com o seu grande amigo João Gobern. O "Hotel Babilónia" da Antena 1... já não aceita mais reservas.


Esteve sempre entre a nata da nata. Aqui, ladeado de Paula teixeira da Cruz, Miguel Sousa Tavres e José Eduardo Moniz

No caso do João Ricardo, que sofria de um tumor cerebral, tudo faz muito menos sentido. Até porque não se consegue encontrar nenhuma razão entre a forma de se viver, e este crescimento anormal de células, no cérebro. O tragédia assume aqui um caratér devastador.



Ambos levaram vidas que conseguiram, na arte que cada um abraçou, e se especializou (comunicar, ou representar), tocar os demais. Fazer com que as vidas dos outros fossem por si influenciadas, fosse através de uma gargalhada, ou um pensamento. Creio que isso fará, no final, muita coisa valer a pena.




Juntando as duas peças…

Percebo que este puzzle da vida não tem fim possível. Neste mundo, pelo menos.
A fé que me acompanha e alimenta, serve para, quanto mais não seja, me dar conforto, aconchego, e instigar a acreditar que um dia, tudo isto fará sentido. Chamem-me louco, naif, tonto, ou insensato, a verdade é que não me resigno a acreditar que isto é tudo tão efémero, que quando termina, termina de vez.

Haverá alguma lógica entre poder comparar, a vida de uma criança que nasce em berço de ouro, tem todas as facilidades e mordomias da vida, e vive, sem desgostos e com qualidade (a todos os níveis, sentimental, económico) até aos 85; e uma criança judia que nasce num campo de concentração, e nada mais conhece em vida senão dor, sofrimento, opressão e medo, sendo morta antes dos 12 anos, numa câmara de gás, agarrada à mãe?

Ou isto é mesmo para não ter lógica alguma?

Saber, não sei. Mas constato.
E asseguro que não tenho vontade nenhuma, de chegar ao dia em que perceba.

Mas entretanto… vou perguntando.