quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

When happiness arrives by mail





Numa cortesia do meu querido Marco António, mentor e frontman dos Lucky Duckies
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Quando eu ainda era vereador, numa tarde quente em que estava de férias, ligou-me a Felicidade do Posto de Turismo a dizer que estava lá o senhor de um conjunto que me queria conhecer.

Eu disse-lhe que compreendia mas que não podia atender todos os músicos e agentes do mundo do espectáculo que me queriam conhecer, sob pena de não poder fazer outra coisa.

Sim, mas este, disse-me ela, era diferente. Era ele que se estava pessoalmente, se deslocava às câmaras para apresentar o seu trabalho. Que era muito engraçado, muito bem vestido, que parecia o Elvis.

Está bem, prontos, uma palavrinha então… (algum chato do caraças… mas prontos).

Lata e capacidade de persuasão ouvi logo eu que não lhe faltavam. Que era diferente, que era muito bom, que me ia deixar material promocional…

Eu disse que ia ver. Prontos… eu prometi-lhe que ia ver e ele não se esqueceu de ligar a perguntar pelo feedback que tardava.

Eu e os Lucky Duckies foi amor à primeira vista porque os Lucky Duckies representam um universo musical que a mim me fascina. Todo aquele imaginário da génese do rock’n’roll, a figura do crooner, do performer que embala a banda e conquista plateias, todo aquele swing à Rat Pack, todo aquele balanço rockabilly me deixaram rendido. Fiquei fã. Desde a primeira hora.

E assim vieram para actuar no feriado municipal, por um cachet especialíssimo, com o compromisso de apresentarem um repertório sobretudo focado nos standarts clássicos do nacional cançonetismo que eles tão bem interpretam. Cumpriram. Encantaram e abriram uma auto-estrada para regressarem no ano seguinte, uma promessa antecipada caso a estreia fosse bem sucedida, como atenção pelo seu valor mais em conta.

Ao longo desse ano fomo-nos falando via Facebook, trocando e-mails, estando em contacto. Acho que falamos a mesma língua e alimentamos a mesma paixão pelo poder que a música tem nas nossas vidas. O Marco ficou encantado na história do meu pai ter sido baterista, ficou encantado com os Cometas Negros, com o poder subversivo que tiveram na juventude albicastrense e de toda a Beira, num momento da nossa história em que não éramos tão livres assim.

Eu fiquei encantado com o Marco porque ele dá-se ao gosto. Pela pinta, pelo savoir faire, pelo enorme talento, pela sua extraordinária capacidade em comunicar, em chegar às pessoas, pela enorme crença que tem em si, no seu talento e nos seus músicos.

Quando os Lucky Duckies regressaram a Marvão já eram vedetas da televisão, já batiam todos os programas de grande audiência e já não passavam despercebidos. Chegaram como amigos e eu recebi-os como tal. Falámos de música, como sempre, e debaixo da frondosa esplanada de tílias do Sever, com o rio a fazer-nos companhia numa tarde quente de fim de Verão, desfiámos gostos e paixões enquanto eles se rendiam aos encantos da nossa gastronomia. Ainda tenho comigo o vinil do “Sandinista” dos Clash que o baixista Rolão me emprestou com o fervor que só um melómano pode entender. Será devolvido, prometo, ou não fosse eu um melómano empedernido também.

Foi nessa ocasião que, ou eles me fizeram o desafio, ou eu lhe fiz a proposta, já nem me recordo bem, de fazer uma “perninha” em palco. Para mim… resultou à mil maravilhas. É certo que as más línguas invejosas aproveitaram a ocasião que rotularam de extravagante, para, na perfídia da mentira que as caracteriza, dizerem que o mais certo era o vereador estar com um copo a mais. Eu, que estava de consciência tranquila e de voz colocada (lamentei desiludi-los, mais uma vez!) acho que cumpri com distinção. Se assim não tivesse sido, os vocalistas não teriam ido dar uma volta em plena show, deixando-me a actuar com a banda porque, Marco dixit com a sua natural piada e bonomia, “com vereadores destes nem nós precisamos cantar”.

Uma vez ligou-me de Castelo de Vide dizendo que estavam lá a actuar para a RTP. “Anda cá almoçar com a gente”. “Eu?!? Nem pensar! Assim, feito penetra?”. “Deixa-te de cenas. Faz de conta que és o nosso agente”. Haviam de ter visto a cara do Pita quando soube que na mesa ao lado estava o novo agente dos Lucky Duckies dando-lhes as dicas para a performance. Eh, eh….

Entretanto, terminei o mandato, os Lucky não voltaram a Marvão, mas nunca mais deixámos de nos falar, de estarmos em linha, de sabermos novidades em longas conversas por telefone. Deles fui sabendo do andamento do disco, das últimas evoluções e mesmo de fora, tentei mover as minhas influências para conseguir que fossem recebidos pelas altas instâncias autárquicas de Portalegre, a ver se os encaixava de vez naquela capital. Têm um espectáculo só com canções de Natal que deve de ficar uma maravilha no CAEP. Enfim…

O disco saiu e esgotou. Roda nas rádios. Roda na televisão. Escala nos Tops. E eu, que sempre disse ao Marco que nos dias de hoje ainda precisava do cd, do suporte físico, que se deixasse de pen’s e downloads, nunca consegui meter os olhos em cima de tão cobiçado artefacto.

“Já compraste o cd?”.

“Como? Nunca o vi em lado nenhum! Não queiras apertar com os gajos da editora, não… Eles que não revejam essa distribuição...”.

“Mas se já esgotou nas Fnacs…”.

“Está bem, mas… aqui não há Fnacs! Isto é campo!”.

Um dia mandou-me um sms “diz-me lá a tua morada completa” e… dias depois… a magia chegou por correio.

Depois de apurada audição, constatei que está um trabalho magnífico. A produção é primorosa, os músicos (todos eles) excelentes, a selecção musical é de um bom gosto e de um acerto ímpar e tudo aquilo soa magnífico. Os Lucky Duckies são um dos mais coerentes e bem sucedidos projectos de espectáculo (nem sequer é só musical) do nosso país e eu não tenho dúvida nenhuma que se estes gajos tivessem nascido nos States estariam de certeza a tocar todas as noites em Las Vegas. Sold out! Têm qualidade para isso. Se lhe meterem os ouvidos em cima, atentem na qualidade dos temas compostos pelo Marco e digam-me se os acham abaixo dos grandes clássicos que interpreta como ninguém.

Marquinho… está de parabéns. Tu, a tua musa Cláudia e a tua rapaziada toda. Se algum dia mandares fazer t-shirts com o dizer: “Eu sou fã dos Lucky Duckies”, reserva-me 4 cá para casa que eu pago o que for. Não há aqui quem não dance ao som do “É tão bom”…

E é mesmo tão bom…

Grande abraço!









terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O meu blogue


Há dias vinha eu a descer uma rua da minha terra com as minhas duas pequenas (todo babado… não há coisa que eu mais adore) quando esta senhora me abordou:

- Ai tão lindas… Esta é a mais pequenina, não? Tão gira… Eu li lá no seu blogue quando ela nasceu. Eu gosto muito do seu blogue, sabe? Todas as semanas lá vou. (Olhando para o lado e rindo) Eu acho aquilo um espectáculo.

-Ai sim? Olhe… fico muito contente com isso. Obrigado.

E fiquei a pensar…. Isto vindo de uma pessoa que eu estava longe de pensar que fosse frequentadora do meu blogue. Não porque eu tenha uma ideia pré-concebida de quem é o meu leitor/a tipo mas porque pensava sinceramente que aquela pessoa deveria ter mais coisas com que se ocupar/entreter do que com o meu blogue. Fiquei lisonjeado. Fico sempre quando me dizem coisas simpáticas do meu blogue.

Ter um blogue não é fácil, sobretudo quando o tratamos com o carinho e a assiduidade com que trato o meu. São muitas horas de trabalho que acabam sempre por compensar, sobretudo nestes momentos.

Já são anos e há dias em que não nos apetece. Há dias em que pensamos se valerá realmente a pena e depois há momentos como este. Que dão sentido a tudo.

Há dias comentava com uns colegas a triste situação em que o nosso país e o nosso concelho se encontram. Falávamos de um Portugal em crise, desempregado, cabisbaixo, taciturno, apático. Falávamos de um Marvão despovoado, sem iniciativa, sem perspectivas de futuro, com os serviços públicos cada vez com menos movimento. Arrematei a parte que me tocava com um “ainda assim… eu digo como o outro: quando a tristeza me invade… canto o fado!”.

E dizem-me do outro lado do balcão: “é o que vale é a alegria deste Pedro e as coisas lindas que escreve no blogue. Sabes, Pedro? Vou-te dizer uma coisa que tu podes não acreditar mas é muito verdade. Uma vez mostraram-me um texto que tu escreveste quando morreu um amigo teu… um mocinho lá de Santo António… sim, esse… e eu li aquilo e fiquei de uma maneira que nem te consigo explicar. Achei aquilo uma coisa tão linda, tão linda que só de pensar nela até parece que me sobe uma coisa no peito e me fica aqui na garganta. Sabes o que fiz? Guardei-o! E de vez em quando… leio-o. Quando me sinto triste e aborrecida com a vida… lembro-me do texto, vou lê-lo e fico logo melhor. Palavra de honra”.

Se algum dia eu precisar de me explicar porque faço isto, vou voltar aqui.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Viva o Arenense…



Foi um fim-de-semana verdadeiramente extraordinário para o Grupo Desportivo Arenense e… já agora… se me permitem, para Santo António das Areias. Pena é que haja quem não o tenha aproveitado mas isso aí… como diz o outro… o azar foi deles.

A noite de sábado foi de fados e guitarradas. Quando me perguntaram o que achava da decoração da sala respondi um óbvio “parece que estamos em Alfama”. E assim, de facto, era. A sala nº 1 estava irreconhecível… caseirinha, aconchegada, polvilhada de mesinhas redondas à volta das quais se foram reunindo os convivas que a haveriam de encher por completo. A escassa iluminação conferia-lhe um ambiente intimista que convidava a estar e sendo assim… o resto foram cantigas.

Quem não gosta de fado não pode ser português porque o fado tem esta característica ímpar de nos “ligar à corrente”. Há ali uma faísca de portugalidade que é única, nacional e intransmissível. Cada um sente o fado à sua maneira e cada fado é uma cápsula do sentir português, da nossa forma melancólica e saudosista de ver o mundo e a própria vida. O fado é bom e recomenda-se, sobretudo agora que assiste ao triunfo de uma nova geração de interpretes/compositores que lhe dão nova vida quando está à beira de se tornar património da humanidade.

Quem é que não se sentiu bem numa sala assim castiça (onde nem sequer faltaram os xailes a decorar o palco), ainda por cima com uma temperatura ambiente que fazia esquecer esta invernada já tardia? E que dizer de belo tinto, do magnífico caldo verde, das saborosas chouriças assadas à medida que os artistas desfiavam o seu vasto e bem urdido repertório?

Ah… meus amigos e amigas… Bom demais para ser verdade.

Após uma noite assim apoteótica, nada melhor que um exercício físico logo pela manhã para enrijar o corpo e purificar o espírito… na caminhada do GDA! Bem… foram quase duas horas e meia a bater com os calcanhares no cú, sempre em ritmo acelerado e sem dar abébias a ninguém. Dureza! Ao subir a Fonte Souto ainda cheguei a pensar se não me teria enganado no grupo. Parecia um teste para os fuzileiros e a porradona de água que caiu já na parte final só veio tornar tudo mais fácil, sobretudo para os que se fartaram de gozar com o meu guarda-chuva. Foi engraçado. E o melhor estava para vir…

Então não é que tinha sobrado um caldinho verde que repousado ainda ficou mais apurado? E a entremeada grelhadinha com mestria pela dupla imparável de argentinos ao serviço do clube, Ti João “Beba” e “Romeninga”? Fogo… nível! Foi o que eu chamo um pleno! Melhor não pode haver.

Quando é que há mais?

Agradecimentos da minha parte: à rapaziada amiga que me fez companhia quer na fadistagem quer na caminhada que isto de fazer as coisas sozinho não tem piada e…

À Direcção do Grupo Desportivo, a toda a Direcção, na pessoa do seu Presidente Luís Barradas que é o rosto desta malta. Rapaziada de valor, digo eu. Rapaziada trabalhadora, intrépida, que não tem medo de arriscar e que vai calando a má língua com sucessos atrás de sucessos. Afinal a nossa terra não está morta. Afinal as pessoas aparecem, as pessoas enchem, as pessoas gostam porque quando se trabalha com galhardia, com afinco, com brio, com seriedade e de forma abnegada para a comunidade… o resultado final só pode ser este. Assim dá gosto!

Para finalizar, uma felicitação especial e pessoal para o Luís Barradas que tem feito o favor de ser meu querido amigo desde os bancos da escola primária. É assim… sendo autêntico, sendo humilde, fazendo uso dessa tua capacidade mobilizadora única, sendo dedicado e esforçado como só tu… que nos levas lá. É assim que os calas. Até tremem…

Um abraço!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sobre a inveja

"O tempo salvando a verdade da falsidade e inveja"
François Lemoyne
1737
Completado no dia antes do suicídio do autor



A propósito de uma conversa…

A inveja é o mal maior nacional.

Temos o Fado, Fátima, o Futebol…

E a inveja.

A inveja é o desporto-rei de Portugal.

Ele tem um carro maior. A casa dele tem piscina. O emprego é melhor. De certeza que ganha mais. Anda mais bem vestido. É mais bonito. Tem melhor voz. É mais engraçado.

Por mais que eu faça… ela é sempre mais elegante. É mais bem feita. É mais sensual. Eu bem vejo como os homens olham para ela. Ainda por cima… sabe falar estrangeiro.

E os filhos?... parecem sempre mais arranjados, mais bonitos, mais bem dispostos. Aposto que vão ser maiores que os meus. Quando os meus estiverem doentes… vão encontrar os dela nas urgências. Só que os dela vão estar vestidos de bata branca e ter um Dr. antes do nome na placa que usam ao peito. Aposto.

Eu tenho casas e vales, montes e contas milionárias, eu tenho dinheiro a magotes, carros e riquezas várias.

Mas eu não sei vestir. Eu não sei trajar. Eu invejo tudo o que vejo. Eu não sei falar.

Eu podia viajar. Todo o mundo percorrer. Passar os dias no bem-bom. Tudo comer e beber.

Mas definho na mesquinhez. Vivo a vida amordaçado. Cobiço tudo o que vejo. Nunca me sinto realizado.
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Eu facturo milhões, eu tudo aproveito, mas por muito que eu ganhe, nunca fico satisfeito.

Por mais que guarde e poupe, nunca é suficiente. Eu lamento o ar que respiro. Até estar vivo é pouco prudente.

Eu podia dizer bem… mas prefiro dizer mal. Assim pareço maior. Sinto-me menos anormal.

Neste país de miséria, onde a inveja é desporto nacional, sou atleta de alta competição, eu mereço a selecção nacional.
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PS: E digo eu…

E que triste que é, viver num país assim, assolado por esta gente que parece não ter fim.

E só há uma forma, desta pobreza combater, é seguir a nossa vida, sem nunca o rumo perder.

Ser fiel aos nossos princípios, ser genuíno e frontal, ser verdadeiro, ser humilde, tratar o outro como igual.

Trilhar o nosso caminho, sem nunca nos deixarmos abater, nunca nos mudarmos por eles...

Só assim os podemos vencer.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

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Será que vale a pena viver tanto tempo para chegar a isto?

Será possível que esta senhora que faleceu há quase uma década e apodreceu no chão frio da sua casa, não tenha tido mesmo ninguém que se preocupasse com ela ao ponto de a procurar e não descansar enquanto não a encontrasse?

Será que naquela sua casinha não tinha fotografias de pessoas sorridentes de quem ela gostava e ao lado das quais aparecia também ela sorridente, de cabelo arranjado, mala e sapatos novos a condizer, em dias festivos, em dias que ela recordava com saudade quando limpava o pó, ou quando um rosto lhe chamava a atenção enquanto via televisão, sentadinha no seu sofá.

Nem uma vizinha mais persistente. Nem uma amiga. Nem o dono de um estabelecimento qualquer lá da vizinhança. Ninguém.

E o cãozito, coitadinho, o pobre… a sua única companhia. Imagino o que não terá ladrado para chamar a atenção de alguém que ajudasse a dona. Imagino o que não terá sofrido, a fome e o frio que não terá passado…

E imagino o quadro… o corpo inerte em decomposição… os dias e as noites a assomarem-se da janela… as estações do ano a sucederem-se… as festividades… tudo isso a acontecer e ela... ou o que restava dela, ali à espera que alguém aparecesse e restitui-se alguma dignidade à sua finitude.

É tudo tão triste...

Já vai sendo tempo do homem parar, se sentar e pensar em que sentido caminha. Há coisas que são uma verdadeira afronta ao nosso intelecto.


PS: Numa aldeia isto jamais aconteceria...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Está lá? Estou sim?



Há dias, ligou-me um sujeito aqui para casa que queria falar com o Sr. Pedro Sobreiro.

- É o próprio. Diga fachavor.

- Sr. Pedro Sobreiro, estou a ligar-lhe para lhe dar uma boa notícia…

(Como a coisa me cheirou a esturro, apressei-me a esclarecê-lo…)

- Olhe… se é para vender alguma coisa, digo-lhe já que não vale a pena perder o seu tempo. Eu tenho mais que fazer e o senhor certamente não vai querer estar a falar em vão, pelo que podemos fazer um favor um ao outro.

- Não, não! Nada disso. Estou só a ligar para lhe dizer que o seu crédito foi aprovado.

- O crédito foi aprovado? Mas… que crédito, homem?!?! Se eu não pedi crédito nenhum…

- Eu sei, Sr. Pedro Sobreiro. Trata-se de um crédito pré-aprovado no valor de 4.000 euros, a não-sei-quantos-meses com uma taxa xpto…

(Isto num banco com o qual nem sequer tenho grande relação/montante em depósito)

- Ah… assim sem mais nem menos? Pois… mas eu não quero esse dinheiro.

- Compreendo, Sr. Pedro Sobreiro. Mas não tem desejos, aquisições que queira concretizar já?

- Então não tenho?! Se eu tenho… Mas não assim. Não se pode ter tudo, sabe…

- E pode dizer-me o motivo específico pelo qual não vai aceitar a nossa proposta?

- Não.

- E porque não, Sr. Pedro Sobreiro?

- Que não porque não. Eu não lhe tenho que dizer tudo, pois tenho?

- Claro que não, Sr. Pedro Sobreiro. Queira então desculpar o incómodo e tenha uma boa tarde, Sr. Pedro Sobreiro.

- Olhe, já agora… boa tarde para si também.

(E fiquei a pensar naquilo…).

Percebe-se, pois então, porque é que das mais de 17 mil famílias sobreendividadas que pediram ajuda à Deco, só 16% estavam em condições de serem apoiadas. As outras estavam irremediavelmente arruinadas. Para além dos créditos óbvios para quem não tem pais ricos (casa/carro), muitas delas chegavam a ter mais 5 créditos pessoais destinados a suprir desejos supérfluos (viagens, electrodomésticos, roupas, gadgets electrónicos, enfim…).

A crise, o desemprego, a instabilidade surpreendeu-os ao virar da esquina e deixou-os com a corda da garganta.

E o que me custa é que estes “pilantras” da banca que são co-responsáveis pelo agigantar de egos que tantos levaram à desgraça pela via do crédito fácil, continuam a operar impunes no mercado sem serem chamados à responsabilidade.

É a actividade deles, dirão alguns (já os ouço…) em jeito de advogados do diabo.

Será certamente, respondo eu, mas há muita maneira de matar tordos. Que “vendam dinheiro” e ganhem com isso eu até acho bem. Já não concordo nada é com esta política de “ir a todas e sugar até ao tutano”.

Nos tempos que correm, isto é quase como mandar um pacotinho de coca pelo correio a um junkie em reabilitação. Ou oferecer uma garrafa de uísque no Natal a um alcoólico anónimo. Isto é quase extorsão. É esmifrar.

E eu acho que o Estado, o Estado que existe e faz sentido por nossa causa e é suportado por todos nós não deveria deixar os cidadãos assim expostos à rapina destes abutres. Devia injectar bom senso no mecanismo. Devia instigar a prudência e não permitir que este tipo de aliciamentos acontecesse, sobretudo em tempos assim…

Seria bom que assim fosse.

Entretanto e enquanto for permitido, eu imagino quantos não cairão todos os dias… quanto mais não seja, tentados a aceitar este dinheiro (que pagarão a peso de ouro) para tentarem com ele colmatar brechas noutras partes do navio. Mal saberão eles que… jamais o conseguirão assim levar a bom porto e o mais certo é irem ao fundo… a pique.


Eles deviam era levar com mais como este da carta em baixo…

(com um abraço para o meu querido amigo Rui Pescada, pela foto via mail)



(Clicar para ampliar)

Nível, rigor e isenção... ou talvez não!


Tempos houve, anos foram, em que a SIC era a minha referência obrigatória em termos de informação televisiva.

Contrariando o incontornável “mandamento” de qualquer curso de comunicação que define que notícia é quando um homem morde um cão e não o contrário, a SIC, embalada pela guerra de audiências, decidiu-se, tristemente, por esta via.

E eu lamento…

Onde é que isto vai parar…

(Um coelho foi caçado no Alentejo? Pescaram uma sardinha em alto mar? Um homem tomou o pequeno-almoço numa pastelaria? Há pessoas que se levantam para ir trabalhar?...)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

De vez...


Já por aqui tinha falado nesta desgraça… quando soube da notícia.
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Mas há coisas em mim… que até a mim me surpreendem.

E assim me vejo, sobretudo desde que deixei a minha missão autárquica, a passar ao lado de coisas e de causas que me deveriam mobilizar. Ter-me-ei porventura apercebido que a maldade humana é um realidade perene e que há males no mundo, que por mais que se combatam, jamais se extinguirão.

Os comboios de passageiros deixaram de circular no Ramal de Cáceres e a Beirã, a minha Beirã, a minha terra de sempre e para sempre, já ferida de morte desde a abertura das fronteiras, levou a estocada final.

Para o momento da despedida, a essa derradeira partida, compareceram políticos e populares, gentes da terra e de Portalegre, cidadãos mobilizados, cidadãos preocupados, gente que se mexe.

Faltei eu. Mas eu devia ter estado naquele funeral.

Devia ter estado porque os comboios, aquele comboio, aquela automotora fazem parte de mim e da minha vida. Eu passei centenas e centenas e centenas de horas a viajar naquela linha. Eu percorri centenas de vezes os quilómetros que aqueles carris tatuaram na paisagem até Lisboa. Eu vi o mundo a passar por aquela janela. Eu devia ter estado porque quando penso nisso, vem-me à memória o cheiro intenso a querosene das travessas e sinto na ponta dos dedos a superfície rugosa das pedras que aconchegam o caminho-de-ferro.

Eu devia ter estado porque o comboio me traz milhares de recordações… O meu avô foi chefe de estação. A minha avô viveu naquele edifício da estação. O meu pai trabalhava naquela estação. Eu aprendi a viver sempre com o comboio ali ao lado. Respeitando-o. Temendo-o. “Vê lá não fiques debaixo do comboio! Tem cuidado com a linha!” devem ter sido das frases que mais ouvi na minha infância.

E as memórias… as cervejas Sagres médias de “bujão” e as sandes de presunto que comprávamos no Sindicato dos Ferroviários do Entroncamento... A vez em que assámos chouriços durante a viagem… A história em que os funcionários fugiram atrás dos perdigotos... A avaria que quase me amolou o exame de Direito. Tanta história que dava para estarmos uma noite inteira sem parar.

Eu compreendo que aquele serviço há muito deixou de ser rentável mas a questão tem de ser colocada ao contrário. É preciso é perguntar a que ponto se deixou chegar aquela linha, a que ponto se deixou chegar o interior para que o serviço tivesse deixado de ser rentável. Quantas horas se demora a chegar? Quantas mudanças de composição se têm de fazer? Quanto se paga e que contrapartidas se tem?

Eu compreendo que o serviço já não seja rentável. Não compreendo é que se diga que tem um custo insuportável. Há custos bem mais insuportáveis que ninguém tem coragem de cortar. Ainda há pouco li que a direcção da RTP tem à disposição 60 viaturas diferentes. Por que razão não acabam de vez com esse enorme elefante branco que não faz falta para nada nem ninguém e ainda por cima concorre deslealmente com outros canais privados? Acabava o país se acabasse a RTP?

Eu digo isto muita vez: se os espanhóis se lembrarem de entrar por isto adentro… dantes ainda podiam ser detectados nas portagens. Agora… com o pagamento automático, já só dão por eles no Terreiro do Paço.

O interior não conta e este Governo e os Governos que o antecederam fazem uma gestão absurda do território. Em vez de gerirem de forma harmoniosa este país tão pequeno, tão rico e tão belo; em vez de promoverem uma distribuição coerente da população, dando incentivos à interioridade, descentralizando serviços… enfim, fazendo aquilo que todos sabemos e esperamos… entra e alinha com esta cruzada lunática de querer tudo “encafuado” nas grandes cidades, cada vez mais violentas e descaracterizadas.

Há coisas em que somos um país de merda. Ponto final.

Não tenhamos ilusões: agora foi o comboio mas qualquer dia vão as juntas, as câmaras, as Finanças e a Conservatória. Qualquer dia vai tudo, de vez!

Eu compreendo, admiro e aplaudo as pessoas que fizeram questão de estar nessa última viagem mas eu já estou noutra. Eu sei que as boas intenções não chegam. Para mim… ficar na fotografia não chega. Eu como e calo e acumulo e sei que um dia vai chegar o dia em que a gente tem de dar um passo em frente e esse dia é capaz de não estar tão longe quanto eles… os que mandam… pensam que está. Isto um dia vai dar merda e é da grossa e aí… há muita coisa que vai mudar. Fenómenos como este que agora alastra pelo norte de África não acontecem por acaso.

Eles podem levar o comboio centenário mas jamais nos tirarão a nossa dignidade.



PS: Resta-me mandar um abraço a todos os que têm lutado para que este assunto seja falado e não seja esquecido, sobretudo para o meu amigo Tó Mané que, gerindo a complicada dualidade de papéis Presidente de Junta/Funcionário da C. P., tem sabido sempre estar ao lado da população, defendendo os interesses da sua/nossa terra. Tão triste… mas firme e hirto. De pé!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sonhando…

Afinal... és pequenino. Olha aqui onde eu chego com o pé!
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Eu não sei se quem me lê já esteve numa final do Jamor…

Se não esteve, eu explico: aquilo é a festa mais linda que há no futebol português!

Não podia haver coisa que eu quisesse mais hoje que bater o Porto no seu reduto.

E, com duas “secas” no bolso, já me sinto a pairar naquele ambiente sem par, num mês de Maio a saber a Verão. Já me imagino por entre a multidão, a provar o tinto carrascão e o morangueiro vertido em generosas golfadas de garrafões de gente amiga. Naquele dia toda a gente é amiga. O Jamor é um céu feito de grelhadores fumarentos apinhados de sardinha gorda. Um paraíso de carvão, frangos assados e bela entremeada.

A Taça de Portugal é uma sandes de barbela (com pintelho!) a transbordar pelos lados da carcaça. Colesterol a 500.

E o futebol? É lindo mas é o que menos interessa que ali não há clubes ou partidos. O que se quer é um bom jogo e um justo vencedor. O resto são histórias para contar aos netos.

Hoje levei o dia a pensar nisso e já só pedia a Deus e à Senhora de Fátima que nos ajudasse. Eu mereço. Estou farto de padecer. E o milagre, ou melhor, os milagres aconteceram:

O Milagre de Acreditar por São Coentrão, ou a magia de perceber que um lance nunca se dá por perdido. A magia pode estar mesmo ali… onde menos se espera… nascida da desatenção de um defesa titubeante e um guarda-redes indeciso. Se o Cardoso ao menos tivesse visto a luz… nunca teria rematado com o pé esquerdo, minutos depois. Não se pode ter tudo…

O Milagre da confiança por São Xavi Garcia, ou a certeza de bem meter o pé à bola e bater a puta a 94 km/hora, agradecendo da melhor forma a oferta de um defesa (o cabeçudo do Fernando) que cortou para terrenos proibidos.

Ainda tentei convencer o meu pessoal a fazer uma caravana, mesmo que fosse só aqui no quintal mas elas disseram que amanhã é dia de escola e está muito frio. Já estavam deitadas.

Tudo bem. Eu compreendo. Não sou teimoso.

Mas que vou levar a noite a sonhar com fogareiros, eucaliptos e GNRs montados a cavalo… Disso ninguém duvide!

Amanhã começo a fazer as malas. O palhinhas e a viola já estão na mala do Twingo.

Deus é grande! Aleluia!


PS: E um abraço ao meu grande amigo Luís Barradas, cuja companhia me deu sorte. Estamos aqui… estamos lá!

Revolution Rock

E duas moedas na Jukebox com dedicatória para aquele pessoal do Egipto que é bravio e anda mexido!

Som na caixa!

Qualquer dia é por cá!

Eu ando deserto…

Alguém sabe onde é que se vendem elásticos para as fisgas?