sábado, 31 de outubro de 2015

O milagre

(porque eles também acontecem de verdade. 3 dias depois do desaparecimento. Depois de muita chuva, muito frio, muita incerteza.)


3 dias também, depois da publicação em tempo real, plena de emoção, no meu mural do facebook, a gravação do momento tal qual foi publicado, desta vez, na minha casa própria.

Como eu sonhava com este momento, amigos: O SIZZLE VOLTOU!!!!! 3 dias depois de ter desaparecido nos canchos após ter sido abalroado por uma carrinha de caixa aberta, chegou-se até casa.

O meu vizinho Zé António, bateu na janela da sala para me dizer que junto à Pizzaria dos seus filhos, no ninho de empresas, tinha aparecido um cão parecido com o meu. Saí em sobressalto e avisei a Cris (Fernanda Sobreiro) para não dizer nada à Leonor, que ainda há pouco, à tarde, tinha estado a chorar agarrada a mim quando cheguei. 

De pijama e de chinelos de quarto, fui a correr de noite até junto da Praça de Touros. Quando lá cheguei, esbaforido, vi algumas pessoas na rua e um dálmata.
- Oh... não é o meu... 

frown emoticon

- Não! Disseram as senhoras que já nem me lembro bem quem eram. É um mais pequeno, castanho, que está ali escondido detrás da casota e que começa a rosnar assim que vê alguém. Olhó! É aquele!


Assim que o vi... não consigo descrever a alegria. Reconheci o vulto de imediato, depois de tantas vezes ter caminhado para ele e com ele. "SIZZLE!", chamei.

Ao ouvir a chamada, correu para mim como um louco, agarrei-o no colo e lambeu-me todo! Deitámos-nos os dois no chão e a comoção ficou no ar.

Trouxe-o ao colo até casa, sempre a correr, enquanto agradecia a Deus e rezava em voz alta, na noite.
Cheguei ao cimo da rua e gritei: LEONOR!!!! Sairam as 3 para a rua a chorar e a agarrarem-se a ele e a mim. Foi uma cena de filme, daquelas de comoverem até as cadeiras do cinema. 

Seguiram-se telefonemas para os sempre incansáveis vizinhos Rosa e Mário, para os meus sogros, mãe e muitos outros que não atenderam. Falei com o Jorge Rosado, o Nuno Pires, o António Bonacho, o meu querido amigo e chefe Nuno Brito que se despediu de mim hoje a dizer que "Deus é grande. Nunca te vai deixar mal".

Que grande verdade e que impossível que já não esperava. Com a falta dele, tinha ido parte de mim. Tanta angústia nas últimas noites chuvosas, nos dias de água, nas manhãs de incerteza, se estaria morto, se estaria ferido, se estaria a sofrer.

Deus move-se em caminhos insondáveis. Há apenas que acreditar que é possível. Apenas.
Como me acontece isto, de passar pelo pesadelo e olhar para ele, lindo, sadio, robusto, como se tivesse estado a dormir à lareira neste tempo todo.

EU DOU GRAÇAS A DEUS, à força que tudo comanda, por me ter posto à prova mais uma vez, e me ter dado tudo de volta de novo.

Nesta casa, graças a Deus, vivem dois sobreviventes, que pisaram o limiar e estiveram quase do outro lado por causa de acidentes que aconteceram a metros um do outro. Na mesma reta.

Aprendi ainda menino, na igreja da Beirã, de Nossa Senhora do Carmo, uma passagem bíblica que me marcou para sempre. "Senhor, eu não sou digna que entreis na minha morada, mas diz uma só palavra e sei que serei salva."

A força de acreditar. Acreditar. Mais uma vez. Quando se quer vencer, é na cabeça que começa a vitória. 

Amanhã, quando a Leonor sair para apanhar o autocarro para as aulas, vou levá-lo a passear. Como já nunca esperei fazer.

Mas eu sabia, eu sabia, eu sabia que estava apenas assustado, que não tinha sido pisado ou atropelado para ficar ferido de morte, como muitos me disseram.

Um grande abraço de agradecimento extensivo a todos e todas os que se preocuparam por mim, por ele, por nós, muito em especial, porque me tocaram de maneira especial, ao ponto de me lembrar deles agora: o meu amigo Francisco Roldão (pela simplicidade e sentimento do comentário profundo), a sempre amiga professora Margarida Mangerona(ele está bem!!!! E nós também!!!!), ao meu companheiro, oh captain, my captain Nuno Alexandre de Brito (pedindo desculpa pelos tantos apelos ao balcão, por tanta vez a mesma história) e à minha querida colega e amiga Susana Teixeira, pela força que me deu quando me via a murchar e desvanecer, pelo tanto que me quis levantar o astral: "ah... isso de andar à chuva não faz mal nenhum. O meu cão adora andar sempre debaixo de água e o frio também não lhe mete medo! Adora a neve. Nunca quer casota quando neva. Ele ainda aparece!". Nem imaginas o abraço que te vou dar amanhã, miúda...

Um agradecimento também sentido ao prof. Domingos Bucho e à sua esposa Isabel Bucho, pelo comentário que fez hoje quando andava a passear o seu Popov sob o meu olhar cheio de inveja e pena por já não ter o meu. "Hoje ao almoço estivemos a falar sobre o que lhes aconteceu e... nem digo nada..." Bem haja pela solidariedade. 

Um muito obrigado ao mano Broki por me ajudar a expiar a culpa e à Guarda Nacional Republicana, por estarem sempre de vigília e atentos. Agradecimento personalizado ao meu querido Adelino Miguens que hoje de manhã ao balcão, quando me viu tão em baixo quanto eu estava, me animou ao dizer: "ele ainda aparece! Houve um que desapareceu nos Barretos durante 14 dias e sabes onde é que ele apareceu, sabes? Em Castelo de Vide!! O teu ainda aparece!"

Para fechar, um abração pela disponibilidade e vontade de ajudar do meu Rui Pousadas, e dos meninos Bruno Fonseca e ''Tania Gaio.

DEUS É GRANDE! DEUS NÃO DORME!

Um abraço a todos os que se preocuparam. Que tenham uns boa noite. A minha tem tudo para ser. Obrigado

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sizzle. Vem... (que nós estamos à tua espera. O portão está aberto...)

 


Linhas que me saem cá de dentro, do fundo, enquanto continuo sempre a acreditar que tu vais voltar. Mesmo agora, enquanto já tudo dorme, fui abrir a janela da sala porque me parecias tu às cabeçadas à porta como só tu sabias fazer quando querias sair.



A chuva que tem caído ininterruptamente, cai pesada, dura e fria sobre a minha cabeça.

Já lá vão dois dias, sem ti, companheiro, alto, forte, açabarcador dos amores cá de casa, fonte de ciúmes, rival do meu lugar de rei neste harém de mulheres belas onde vivo.

Por mais que viva, que sinta, que respire, nunca hei-de conseguir tirar a responsabilidade do que te aconteceu. É certo que fui incauto, ingénuo, desprevenido, mas Deus e a minha consciência sabem, e só a eles devo real submissão, que apenas queria que tu pudesses caminhar livre, sem coleira, enquanto caminhavas comigo e a Alice, a caminho dos cavalitos do Dr. José.

Naquela limpa, naquele largo frente à zona industrial, sempre me pareceu que não corrias perigo. Previa meter-te a trela alguns metros à frente, quando tivéssemos de caminhar na berma reduzida, naquela estrada sem passeio que conheço tão bem quanto as palmas das minhas mãos, pelas centenas de vezes que já passei ali a correr.

Depois, tu nunca, nunca, NUNCA te meteste à frente de um carro das muitas voltas que demos os dois. Por vezes corrias atrás deles mas nada que um “olhá bolacha!” não te chamasse para trás, para saltares bem alto até a apanhares do na minha mão. Foi a primeira vez, Sizzle. A primeira vez e nem sequer simulaste antes, ou esboçaste um gesto que deixasse antever o que irias fazer. Se eu me tinha lançado de cabeça atrás de ti. Na verdade; e meu julgador que dorme dentro da minha cabeça, e a força que domina tudo o que vemos sabem que se me fosse dado a escolher, antes preferia ter partido um braço ou uma perna do que ter deixado que isto acontecesse. A falha foi minha. A pena também deveria ter sido.

Depois, foi o azar que nos bateu de frente na cara. Aquela carrinha strakar cheia de jovens da cidade vinha depressa demais, a muito mais que 50 quilómetros por hora que tinham dado perfeitamente para eles terem podido travar e para eu te ter impedido.

O teu ímpeto que me surpreendeu. O excesso de velocidade vermelha que parecia te chamar. A minha ingénua opção de saber que nunca farias aquilo que nunca fizeste. A Diguidoga, a cadelinha dos meus sogros, sempre passeou comigo assim pela estrada do Valongo.

Tu, cachorro, pequenino, foste mais impetuoso e mergulhaste dos teus 5 meses para baixo da carrinha, sem nunca teres sido passado por cima pelas rodas. Apenas te agachaste. Sentiu-se um barulho em que enrolaste e depois, quando só queria saber de ti e abraçar-te, começaste a correr como um louco, assustado, à procura sei lá do quê, até que não acudiste aos meus gritos e te enfiaste pelo meio das giestas e dos cabeços em frente, em direção à Relva. Onde deixei de te ver. Onde te perdi.

Agradeço tanto, ainda assim, não teres ficado morto logo ali, e não teres criado na cabeça da Alice uma imagem daquelas que têm a força de nunca se esquecerem.

Foste dar uma passeio. Foste dar uma volta. E eu hei-de estar sempre à espera do teu regresso, que voltes para o teu ressonar descansado naquele puff que antes era só meu.

Tenho ouvido muitos e muitas pessoas amigas a falarem. Uns dizem que vais voltar de certeza, outros que deves ter batido com a cabeça e já não voltas mais, todos têm o seu palpite. Eu não. Apenas uma saudade imensa e este luto terrível porque estamos todos a passar, como se os 5 meses fossem 5 anos, que em amor já mais pareciam 50.

Corto o queijo para levar no farnel, para fechar a suculenta feijoada que o vizinho Mário ofereceu ontem… mas não tenho a quem dar as côdeas e se fique a lamber com aquele ar deliciado e os lindos olhos castanhos a pedirem mais.

Sofro tanto por ti, Sizzle. Sofro tanto sem ti.

Limpei a cozinha há pouco e a porta do caixote do lixo estava aberta. Sem que tu tivesses virado tudo à procura sei lá do quê.

Tu eras o menino que eu nunca consegui ter. Já eras.

Agora é preciso dar tempo ao tempo. Que tudo cura e tudo apazigua.

Há que fazer um período de nojo que será tão demorado quanto cada um quiser.

Elas olham para mim. Dizem que já me perdoam mas eu sei que não. Vejo-as chorar. Sinto-as chorar. E se aqueles olhos fossem facas…

Mas eu, que não sou mais que nada, nem ninguém, devo prestar verdadeira submissão é à minha consciência. Dizem que sou teimoso, mas é a essa mesa de juízes composta pelos valores e princípios que fui aprendendo durante toda a vida; que me tenho de nortear e orientar. E ela sabe que aqui nunca poderá haver culpa. Porque a intenção de que tal acontecesse, nunca existiu. Não houve dolo, mas sim negligência. Infantilidade, talvez. Infantilidade quase de certeza, de tão naif que foi, que eu sempre olho para mim como um puto da Beirã, que apenas quis deixar o seu cãozinho ser feliz e brincar, antes de se fazerem horas para fazer o almoço para as pequenas.



Corri tudo a ver de ti, Sizzle. Fiz aqueles canchos acima e abaixo. Fui aos cafés do Joaquim Pinheiro e do primo Zé Fernando; fui às casas do Dr. José, onde a simpática família jogava volley de praia num retângulo de areia com os cavalinhos à volta; fui a diversas casas que por ali nem sabia que existiam; falei com uma família da cidade que desfrutava deste fantástico tempo quase primaveril na Tapada do Cancho; perguntei a estrangeiros, gave my phone number to several lads, they gave me british mobile phone numbers because they didn’t have a protuguese one; apanhei o companheiro Durão, do meu tempo do ciclo em Castelo de Vide, que pôs os seus putos nas bikes a rondarem o pedaço; fui ver do meu 1º Sargento e grande Amigo Vitor Ramos que não estava mas a quem já solicitei via telefone que pusesse todo o seu vastíssimo conhecimento daquele território a nosso favor; já falei há poucos instantes com o grande Carlos Ramos que conhece aquela área melhor que ninguém para ver se encontrava o cãozinho castanho e sim, já lá vou amanhã buscar os 3 sacos de pinhas que tenho encomendados, que a Dona Balbina não há-de ter a despensa ocupada por minha culpa. O Neto que tem ali a propriedade também já está por mim solicitado e a Cristina, sua mulher, disse-me hoje que vai insistir com ele para que esteja atento. A minha Cristina ligou logo para a GNR que estão de sobreaviso.

Sizzle: está toda a gente a ver de ti. Amanhã quero ver se tenho tempo de dar uma volta pelo rio, para onde tu podes ter chegado em desespero, até aos Galegos. Ver se falo com a Dona Laurinda que pagou IUCs em excesso e me está agradecida porque sempre lhe mostrei boa vontade e lhe garanti que o seu dinheiro há-de chegar. Às vezes, pode ser que aquela busca frenética de nada te tenha impulsionado até ali.

Ou apareces por aí, ou quiseste descansar do susto aí num buraco qualquer e te deixaste cair no sono dos justos, bom amigo.

As gargalhadas das minhas filhas a correrem à volta da mesa da sala atrás de ti, uma atrás e a outra a fazer surpresa. A Alice a dizer: “ó pai… gosto tanto do nosso bebé. Este Natal vai ser tão lindo… Nunca esperei ter um cãozinho de que gosto tanto…” como me disse nos instantes antes de tudo acontecer.

Há pouco falei com o meu vizinho Mário que com tanta chuva e tanto frio, as esperanças desvanecem-se e  que… depois do período de nojo que todos tempos o seu e há que respeitar, se tu não apareceres, Sizzle, outro corpo igual ao teu, tão dócil e carinhoso, teremos de arranjar para amar. Como ele me disse que fez com o seu Sami, meu primo, quando lho envenenaram que neste bairro há gente para tudo e maluqueiras dessas, todos sabem só podem vir do mesmo sítio.

“Ó vizinho, arranjei um igual ao primeiro Sizzle e ao fim de 6 meses já nem me lembrava do outro.”

Isso há-de ser difícil. Impossível, mesmo. Que há buracos no nosso coração que ficam preenchidos pela saudade.

Mas eu tenho o sonho que as minhas filhas possam voltar a ser felizes com aquilo que a MINHA imaturidade LHES tirou.

Uma trela. Uma simples trela. E esta chuva que mais parecem agulhas a caírem sobre mim, seriam apenas a doce banda sonora para mais um adormecer tranquilo na casa dos meus sonhos, dos nossos sonhos, quando nos despedíamos ao portão dos teus pais.

Companheiro, eu rezo todos os dias e digo: Sizzle, espero por ti. Sempre. Até que possa.

O meu agradecimento a todos os amigos e amigas que se têm preocupado com o nosso sofrimento. Aos que têm perguntado, aos que têm ligado; muito em especial ao meu sogro João Manuel Lança e à minha sogra Maria Jacinta, pela busca incessante; ao meus vizinhanças Mário e Rosa Guedelha, pelo apoio incondicional, é bom ter vizinhos assim dedicados que largam tudo por nós; à Esperança Rosado e ao marido Pires que trouxeram a Alice para casa para eu poder procurar logo lá; bem haja ao Manuel Vaz Guedes que tanto ajudou, logo nas primeiras horas; ao Bruno e à Tânia, os papás, pelo suporte; ao Jorge Rosado pelo auxilio também tão prestável; ao António Bonacho que ligou preocupado; aos Pires, pai, que até ligou para o serviço, e o Nuno também; bem hajam todos os que se preocuparam e eu não mencionei aqui, incluindo os muitos no facebook que divulgaram e partilharam a notícia, e que ainda nem tive tempo de ler. São muitos. Eu olho para vocês e reconheço. Desculpem sem me esqueci de alguém. Estão aqui. Cá dentro.

O meu sincero e profundo pedido de desculpa às minhas rainhas, pelas quais faço tudo, sem pestanejar: Alice, Leonor e Cristina.

Este era o texto que nunca quis fazer e esperei que levaria mais de uma década. Desculpem. Mesmo. Foi sem querer. 





A quem nos quer mal, digo apenas que esta família tem muito amor para dar, que isso não se compra nas raspadinhas. Aqui não há ódio, nem rancor, apenas muito amor. Para dar entre nós, aos nossos amigos e ao bebé de quatro patas que já criou o lugar no nosso seio.

As infraestruturas que nos fizeste preparar, estão à tua espera, Sizzle. Quando puder e a chuva passar, meto a rede nova que a dona te comprou.


Esperamos por ti, companheiro.

sábado, 24 de outubro de 2015

É o bicho, é o bicho! (de volta!)


O animal político saiu da gaiola, de onde sempre se considerou que fora injustamente colocado.

Regressou ao seu território, às suas beiras e botou a boca no trombone, zurzindo com a acutilância e acidez que sempre lhe conhecemos.

(nota deste vosso escriba: dei-me ao trabalho de transcrever porque se trata de um testemunho único na nossa democracia)


Até a este desgraçado se comparou! E nós a Angola! ;)

Recados para Cavaco e o governo, “Não pode governar quem tem a maioria do parlamento contra ele! Esse é que não pode governar! Essa é que a boa regra democrática;

Para os nossos vizinhos, endereçado a Mariano Rajoy, presidente do governo conservador que defendeu a posse de um executivo da coligação PSD/CDS, “Talvez não fosse má ideia recordar ao primeiro-ministro espanhol, (rindo jocosamente), que nós temos aqui um parlamento que foi eleito por soberania popular”; 

Para o passado, “quando me apercebi que tinha um parlamento que tinha uma maioria contra mim, demiti-me imediatamente”; “e já agora observo também, porque alguns parece que têm uma memória seletiva, que essa maioria que se formou no parlamento contra o governo não foi uma maioria construtiva, não apresentou alternativa nenhuma! Foi uma maioria destrutiva, uma maioria negativa, uma maioria que serviu apenas para deitar o governo abaixo, para criar uma crise política e para provocar eleições;  

Para Cavaco e a maioria absoluta que o presidente pediu antes das eleições, “diz-se que o Presidente da República enquanto figura constitucional, é a pedra angular do sistema. E a perda angular é… em… basicamente… (vacilando muito, deixando muito óbvia a forma como conseguiu a engenharia civil com a qual conseguiu licenciar o bacharelato que já tinha há 15 anos, aos domingos e aos bochechos no tal sítio do costume, que não o Pingo Doce. Alô Relvas! Alô, alô!) é a pedra que fecha o arco, (brilhante!) é a pedra que está no centro, e que tem a particularidade… ela não deve mexer! por uma única razão: é que quando mexe... desaba tudo. (Risos e palmas). (Muitos risos e palmas). É por isso que com um comportamento que… o Presidente da República possa ter, quando essa pedra angular deixa de querer cumprir a constituição… então temos, realmente, um problema!


E agora, meus meninos e minha meninas, caríssimos leitores e leitoras, pergunta para queijo enquanto sirvo uma rodada à conta da casa e coloco mais um pratinho de moelas e pipis por conta da casa nesta taberna virtual:
Quem é o mau, quem é?
Quem falhou, quem foi?
Quem meteu dentro só porque só eles é que sabem que tudo isto está em segredo de justiça?
Ou foi o Joselito que esteve engavetado este tempo todo, a fazer joggings aborrecidíssimos à volta do pátio da prisa em Évora?

E a culpa morre solteira?

E fica no ar?

E será que nós podermos ser felizes assim e continuar com esta suspeita a pairar?

E o Super Juíz pode continuar a sorrir, e caminhar com aquele ar bonacheirão de quem sabe muito mais do que nós sabemos?

Mas o homem está mesmo fora ou não está?

E eu a escrever isto… posso acordar amanhã a pensar que vou trabalhar?

Será que posso ir dentro também?

Ou “O Processo” do Kafka, o assombroso, lúcido e cínico processo do Kafka que me deu a volta ao miolo (aos 16/17 anos, só podia...) pode mesmo ser real?

Logo vou tentar dormir. Prometo.

Chama o Pedroca, chama o Pedroca...


O Tio Cavaco chamou o Pedroca à frente. “Anda cá meu rapaz, bora lá aí fazer um goveno.” 

E o mundo blogosférico/facebookiano implodiu/explodiu de histeria.

Confesso que não compreendo tanta indignação generalizada.

Afinal fez o que sempre se previa. Foi apenas igual a si próprio.

Ó mestre: E acham que eles s'aguentam?


O homem que agradeceu à virgem de Fátima o facto de a Troika ter anunciado mais uma tranche em dia de aparição, atribuindo o comentário e a ligação (com grande fineza e savoir fair) à sua Maria aqui, desta vez chamou apenas o homem que liderou a coligação mais votada, e aproveitou para relembrar a pequenada que nestes 40 anos de democracia foi sempre chamado para formar governo quem ganhou as eleições. Ah pois é, bebés!

Recordou que assim aconteceu em todos os atos eleitorais em que a força política vencedora não obteve a maioria dos deputados à Assembleia da República, como aconteceu nas eleições legislativas de 2009, em que o Partido Socialista (olha quem) foi o partido mais votado, elegendo apenas 97 deputados, mas não tendo os outros menino lá do hemiciclo feito barrela para assumirem funções.

Disse mesmo que "este é o pior momento" para alterar o regime” e meter-se (sem citação e o português é meu) com modernices de gajos esquerdistas e comunas que não querem a Europa e questionam até a presença na moeda única; que defendem um governo com apoio de partidos anti tudo!: anti-euro, anti-integração europeia e anti-NATO.



“É aos deputados que compete decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem".

O espanto para quê, meu Deus? É apenas um artista português.


Passos agora tem 10 dias após a nomeação para formar governo.


Os meninos lá da sala já se fizeram ouvir no recreio e o Ferro já é o número 3 da nação. Para mim, um “Portugal em Festa” em direto do Palácio de São Bento com o Baião e a filha a sambarem nas bancadas já! Isto vai ser giro de ver. A vai, vai.

domingo, 18 de outubro de 2015

Eu não estava à espera disto...

E um grande vídeo...

Eu não estava à espera…

- que um miúdo com menos 2 anos que eu fosse capaz de (ter vida para conseguir) fazer uma música assim.

- (e ele também não estava à espera!) que este tema lançado na Irlanda em 2011, tivesse de ser reeditado em 2015 no Reino Unido para chegar a 1º lugar do top

- que este primeiro artista contratado pela editora do já grande Ed Sheeran (que é de ver e rever aqui) (de apenas 24!!!) fosse assim um sucesso retumbante. 

Cheers, lad!


Há músicas que… são tratados. 

E dizem tanto…



Eu não estava à espera disso...
(tradução livre, como todas as que querem ser bem feitas têm de ser, do vosso Tio Sabi)

Foi apenas um sorriso,
Mas o meu coração ficou louco,
Eu não estava à espera disso.
Apenas um beijo delicado,
Que qualquer um podia ter perdido,
Eu não estava à espera disso.

Não percebi o sinal?
A tua mão deslizou na minha
Eu não estava à espera disso.
Passaste a noite na minha cama
Acordaste e disseste
“Bem, eu não estava à espera disso!”

Pensei que o amor não fosse feito para durar
Pensei que estavas apenas de passagem,
Se alguma vez tiver coragem para perguntar,
Que fiz eu para merecer alguém como tu?
Eu não estava à espera disso.

Foi apenas uma palavra
Que quase não foi ouvida
Eu não estava à espera disso.
Mas veio sem medo
Um mês virou um ano
Eu não estava à espera disso.

 Pensei que o amor não era feito para durar
Querida, eu pensei que estavas apenas a passar
Se alguma vez tiver coragem para te perguntar
Que fiz eu de certo para merecer alguém como tu?
Eu não estava à espera disto

Oh, e não é estranho
Como uma vida pode ser mudada
Na centelha de um sorriso doce
Nós casamos na Primavera
Sabes que não mudaria uma coisa
Sem aquele beijo inocente
Que vida teria perdido

Se não tivesses tentado a sorte
Naquele pequeno romance
Quando não estava à espera daquilo
O tempo não demora muito
Três crianças crescidas e que já partiram
Eu não estava à espera disso

Quando as enfermeiras vieram
Disseram: “voltou outra vez”
Eu não estava à espera disso
Então fechaste os olhos
Levaste o meu coração de surpresa
Eu não estava à espera disso.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

E a esquerda, não pode mandar?

Todos em coro: "Ai pode, pode!"
Por esta é que ninguém esperava,
Quando se pensava que a aliança ia ter continuação,
Que fosse esquerda a tomar posse,
Agarrada à boa da constituição.

Já fomos?


O segredo não tem mistério,
E já aconteceu no passado,
O Paulinho explicou-o bem ao Coelho,
Como tudo se passaria e assim foi televisionado.


O tio Cavaco não tem de escolher pra formar governo,
Quem ganhou na votação,
Mas sim quem consegue ter mais lugares unidos,
Lá dentro do barracão.

Vai daqui e está o baile armado,
Com socialistas de cravo na mão,
A cantarem "esquerda unida",
Dançando kizomba no hemiciclão.


O Cavaco diz que ficou sereno,
Que o que queria era estabilidade,
Que não quer é que a Troika venha,
Apertar de novo com a mocidade.

O tio Costa garantiu-lhe,
Que com ele, podia descansar,
Que ia cumprir todas as regras,
Pra não ter de os voltar a deixar entrar.


A minha dúvida agora,
E penso que a de todos os portugueses,
É que se isto assim funciona,
E não acordamos amanhã, chineses.

Será que assim tudo o que passámos,
De dureza e mal estar,
Não voltará outra vez a assustar-nos,
E a deixar-nos a penar?

à venda em t-shirts, sweat shirts e edredões
Será que tantos galos a cantarem,
Dentro da mesma capoeira,
Não acaba em grande bulha,
E a Europa a apagar a fogueira?

Tenho esperança, lá isso tenho,
Que se consigam tolerar,
Que se aturem uns aos outros,
E não nos mandem mais apertar.

Vamo nessa, Catarinessa?
Este Costa é sabido,
Teve de trepar pelo Seguro,
E não ganhando nas urnas,
Levou a secretaria à frente e tudo.

Só espero que a mandar,
À frente desta orquestra desalinhada,
Consiga levar o nosso país a bom porto,
E dar a obra concretizada.

O espertalhão, apelou para não votar nos comunas,
Que era tirar ao PS e dar à maioria,
Mas agora teve de ir a correr,
Fazer o que disse que nunca faria.

Este é que é o Carlos! Vá lá uma mãozada!

Epá, ó Jirome: não fiques com essa carantonha que mais pareces o Fidel!
Para a próxima ganhas tu à moeda!

Pra quem se fartou de chamar aos outros,
De mentirosos e a todos enganar,
Está a começar bem a coisa,
Que é bem diferente, como já está a mostrar.

Há quem passe o serão a ver novelas,
E outros filmes e enredos,
Mas é às 20h que começa,
O maior enleio de bruxedos.

Desculpa aí!
Eu gosto e sempre me fascina,
Este fantástico cozinhado,
Que hoje foi de tal forma bem servido,
Que é bem capaz de me tirar o sono e deixar acordado.

Amanhã às 13h,
Há cenas de novos capítulos,
Deste insólito e soberbo romance chamado Portugal,
À venda perto de si, em colecionáveis fascículos.

domingo, 11 de outubro de 2015

Joaquim Rosado, uma lição de vida

O cunhado Barbas (irmão), o afilhado (como se fosse um filho), o presidente da câmara e o colega Ricardo Catarino que esteve sempre próximo e escreveu o prefácio


Tinha de ir a este lançamento. Tinha mesmo de ir.

Mais que tudo, era um dever moral. Poder ter acesso a este relato contado pelo próprio, dos dias, dos 4 anos trágicos que viveu no mais tremendo sofrimento lutando com um cancro no sangue; ciente de que depois do transplante, o pior já passou; é uma oportunidade única, tão rara quanto feliz, que não podia deixar de testemunhar.

Tenho de confessar que nunca fui muito próximo do autor. Sempre o conheci, daqui, de vista mas, sendo ele um bom par de anos mais velho que eu, nunca privámos. Conhecia-o de vista, da camioneta. Era o filho do Sr. Manuel, o condutor da rodoviária nacional. Não estudámos juntos, não passámos muito tempo a conviver, mas temos esta ligação a esta terra que nos faz sempre sentir próximos. Somos de Marvão e contemporâneos. E isso chega.

Quando entrei na Câmara Velha, uns bons minutos bem antes das 15 horas (como eu sempre gosto), a anunciada para a apresentação, encontrei-o a ele, à esposa, os filhos e apenas às pessoas mais próximas. Sorrindo para mim disse-me. “então companheiro, como é que tu andas?”
Eu agradeci o cumprimento, aproximei-me, dei-lhe um abraço e respondi-lhe: “isso pergunto-te eu a ti. E por isso é que cá estou…”

Estando nós sós na sala, comentei que com aquela invernada outonal era difícil que muita gente acorresse à chamada, já preparando e precavendo para o possível flop que não se veio, de todo, a verificar. E ainda bem. Houve muita gente que certamente pensou como eu. E a sala ficou bem “quentinha”.

Tratou-se de uma apresentação perante a qual ninguém podia ficar indiferente. Com uma emoção e um nível da parte de todos os intervenientes, sobretudo o cunhado (irmão pela via do casamento, como eu vejo o meu) e o afilhado, que achei notável. Muito sentimento (muito narizito a fungar) e muita generosidade da parte deste homem, destes homens e da grande Mulher que sempre o acompanhou (e me fez tanto lembrar a minha e o que ela fez por mim, largando tudo, todos e indo para Lisboa para me dar força. Com outra gravidade mas com a mesma entrega e o mesmo amor, que nos passa a unir mais do que nunca antes.); até ao ponto de nos revelarem factos tão íntimos da sua vida, para nos ajudarem a crescer.

Quando ao entrar, o Joaquim perguntou-me como é que eu andava. Eu, que tenho a mania que sou mais do que realmente sou e acho que toda a gente conhece o Pedro Sobreiro, pensei que ele sabia do meu acidente e de toda a minha recuperação, ao perguntar-me isto, assim. Mas quando lhe pedi um autógrafo quando lhe disse que aquele testemunho tinha outro valor tendo o “carimbo” de quem o escreveu, tantas vezes numa cama do hospital para não se sentir só, mais do lado de lá que do lado dos vivos; e me perguntou o nome para meter na dedicatória, percebi que era vaidade a minha e que para quem teve um percurso como o seu, de descida ao mais profundo dos infernos, era a mais natural das reações.

Na preleção, ali no seu testemunho, nas suas palavras, revelou inteligência (a todos os níveis, até ao estudar afincadamente a doença que o levou até a questionar a equipa de médicos que o acompanhava em alguns tratamentos (!); frieza (para lidar com a gravidade da doença e em não deixar que tivesse mais impacto na sua teia de amigos e familiares; maturidade (como um homem cresce quando vê o fim…); Coragem (para nunca desistir, até quando as hipóteses de poder voltar a estar como ali nesse dia eram tão remotas que até as equipas médicas desmoralizavam) e um grande sentido de humor, que sempre o ajudou a ele e a todos os que o rodeavam, a superar todas as dificuldades e a voltar a viver.

Que grande tarde! Como foi tão bom ter podido ir ali. Que rico e que bonito é este testemunho e que bonita história de Amor está por trás. Muito importante nos apelos que foram feitos, que eu, como dador de sangue, inscrito numa rede internacional de dadores de medula óssea há alguns anos, compreendi; e muito generoso a todos os títulos, até na doação de parte da receita das vendas para os nossos bombeiros.

Foi bom e ao Joaquim, a mensagem não poder ser outra senão muita FORÇA companheiro, como me trataste, para continuar a viver cada dia como uma bênção e um grande BEM HAJA pelos ensinamentos.

Já és livro de cabeceira.

Grande abraço, CAMPEÃO!

Fica(quem) bem!

Não tenho desistido, amigo. Não tenho.
(e agradeço profundamente a todos os que me amam e me protegeram com o seu calor, da dureza da vida. Como tu agradeces aos teus.)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

displicência

I
s.f. Disposição daquele que não tem o menor cuidado com as coisas.
Qualidade ou particularidade daquilo que está ou permanece displicente; aborrecimento, desgosto.
 (Etm. do latim: displicentia)

dis·pli·cên·ci·a
(latim displicentia, -ae, desgosto, descontentamento)
substantivo feminino
1. Qualidade ou estado do que é displicente.
2. Desgosto, desprazer, dissabor.
3. Qualidade do que é insípido ou sensabor. = INSIPIDEZ, SENSABORIA
4. Negligência, desleixo, desinteresse. ≠ DEDICAÇÃO, EMPENHO, INTERESSE

"displicência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/displic%C3%AAncia [consultado em 07-10-2015].~~


II
O nosso concelho, o meu concelho chegou a isto: hoje quando saí, pensando no assunto, cheguei à fonte da Pipa e… voltei para trás de propósito, para fotografar esta imagem. 




O cartaz tinha sido colocado no sentido de quem desce de Marvão, ou seja, de quem já vem da festa que está a anunciar. O erro grosseiro começa logo por aí. Mas não encobre o maior: anuncia a festa a 2, 3 e 4 de Outubro. Hoje estivemos a 7.
3 dias depois do fim. E a minha cabeça só pensava, naqueles breves quilómetros de Marvão até ali, na quantidade enorme de funcionários da câmara, de pessoas ligadas à autarquia que passaram pelo cartaz e assobiaram para o lado. Muitos destes com razão, pensando que isto seria o trabalho de outros. Outro pensariam que seria o trabalho de ainda outros e… a pensar, a pensar, foi ficando. A imagem de desnorte que este episódio dá, é perfeitamente sintomática e reveladora de tudo quanto está para trás e nós não vemos.

Conto um episódio da minha vida particular. A minha filha Leonor está a atravessar a adolescência com toda a rebeldia e trejeitos da fase. Por vezes, ao ter que colocar a mesa em casa, faz o que tem de ser feito com um desleixo… que se nota. E eu digo-lhe: “Leonor, o amor com que se faz as coisas passa para os outros. É o amor que nos distingue dos outros. A mesa colocada assim, dá um ar que foi posta à pressa, sem ordem, com os talheres para um lado e os guardanapos para o outro. Se isto fosse um restaurante, não me surpreenderia se os clientes saíssem e temessem pelo que se passa na cozinha, a ser este o aspeto da sala...”

Eu sei que a comparação pode ser excessiva, mas por certo que resulta. Consegue transmitir tudo o que quero dizer.

Se numa simples targa que toda a gente vê ao passar, transparece este “deixa andar”, o que dizer de tudo aquilo que vai no convento, que só sabe e bem conhece quem está lá dentro?  

É importante que quem está hoje em funções, aos comandos do navio, perceba que há gente livre, que não tem medo, que não depende de um empregozinho que merece o seu amén, que tem o cadastro limpo, os impostos pagos, e liberdade para agir e pensar e dizer, olhos nos olhos se for caso disso, que há outra maneira de fazer as coisas. Diferente, mas certamente melhor.

No meu tempo, no tempo em que o pelouro da Cultura dependia de mim, raios ma partam se eu deixava que isto acontecesse. Aquele cartaz, colocado num sentido contrário, a cada dia que passa depois da festa é um sufoco e um garrote a apertar o pescoço de quem manda. Desde que se rale.

Só podem ter outras preocupações, outras coisas em que meditar, tantas, muitas outras coisas porque a imagem que passa, a mensagem é de desleixo, de displicência.

Daí a definição que abre este desabafo.

A propósito, lembrei-me da alegoria da caverna do Platão cujo resumo encontrei e alinhavei aqui.

III
O Mito da Caverna, também conhecido como “Alegoria da Caverna” é uma passagem do livro “A República” do filósofo grego Platão. É mais uma alegoria do que propriamente um mito. É considerada uma das mais importantes alegorias da história da Filosofia. Através desta metáfora é possível conhecer uma importante teoria platônica: como, através do conhecimento, é possível captar a existência do mundo sensível (conhecido através dos sentidos) e do mundo inteligível (conhecido somente através da razão).


O Mito da Caverna
O mito fala sobre prisioneiros (desde o nascimento) que vivem presos em correntes numa caverna e que passam todo tempo a olhar para a parede do fundo que é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos; mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros dão nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações.

Vamos imaginar que um dos prisioneiros fosse forçado a sair das correntes para poder explorar o interior da caverna e o mundo externo. Entraria em contato com a realidade e perceberia que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real ficaria encantado com os seres de verdade, com a natureza, com os animais. Voltaria para a caverna para passar todo conhecimento adquirido fora da caverna para os seus colegas ainda presos. Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois os seus colegas só conseguem acreditar na realidade que vêm na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros lhe chamarão louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas ideias absurdas.


O que Platão quis dizer com o mito
Os seres humanos tem uma visão distorcida da realidade. No mito, os prisioneiros somos nós que vemos e acreditamos apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e informações que recebemos durante a vida. A caverna simboliza o mundo, pois apresenta-nos imagens que não representam a realidade. Só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturais e sociais, ou seja, quando saímos da caverna.


Para terminar…

Se querem, conseguem e ficam bem apenas a ver as sombras…