terça-feira, 11 de abril de 2017

(7 anos depois) O magnífico plano do lobo (revisitado, por Alice)


A Biblioteca da escola da Alice promoveu há dias, as leituras partilhadas entre alunos e pais. Numa iniciativa muito interessante que visava incentivar esse ato de ler, pretendeu-se também o intercâmbio entre gerações, e a promoção da leitura, cada vez mais em desuso nesta era audiovisual.

A Alice quis, claro, que os dois pais participassem. De entre tantas histórias lindas que poderia ter optado, quis que repetíssemos a leitura que fizemos com a mana, acreditava eu que há 9 anos atrás (os que têm de diferença), mas só há 7, como pude reparar agora.


Sei que a Alice gosta de nós, pais, que é uma criança com uma esperteza e sensibilidade que por vezes nos deixa a pensar, e a bater mal com as suas reações. Mas se de nós gosta… venera a irmã. A Leonor é o ídolo único, a imagem do que ela quer, os passos de quem segue para saber como quer ser. Eu só lamento, muito, enquanto pai, que a diferença de idades que têm seja um fosso separado com um abismo, por vezes medonho, que as deixa a coabitar em mundos que parecem à parte.

Se a mais velha quer estar esticada no sofá, há guerra porque ela se cola ao lugar da outra.
Se a Leonor quer o VH1 e o MTV, há zanga porque a Alice quer o Disney Channel.
Se uma quer estar a namorar, há briga porque a outra quer atenção e ir andar de bicicleta.
Se uma quer estar a falar com as amigas e o namorado ao telefone, a outra porque quer atenção e brincar.

Sempre dois mundos.

- Alice, que historinha queres ir ler?
- “O Magnífico plano do lobo”!, sem pestanejar.
- Mas… essa foi a que lemos com a Leonor…
- SIM! EU SEI! POR ISSO É QUE A QUERO!

Claro que a quer… Se já a apanhei, vezes e vezes sem conta, a ver o nosso vídeo no youtube…

- Mas, se vamos fazer igual…

- Mas pai, os meus amigos nunca viram. Para eles é a primeira vez!


- Claro que ensaiamos, Alice. Temos de ensaiar. Se queremos fazer boa figura, temos de nos preparar. Nada se consegue na vida sem trabalho, sem preparação.

O azar foi que a boa da piquena enganava-se sempre nas mesmas falas, que a Leonor se tinha enganado. A vontade de ser tão igual dá nisto.

- Filha, não é assim. Tu, és tu. Tens de fazer as coisas à tua maneira! Nunca queiras imitar a mana, nem ninguém. Tu, és tu! Isso é das coisas mais valiosas que tens.

E assim foi. Eu gostei muito. Um lobo já mais velhote, um narrador mais batido, uma ovelhinha muito ilusionada e creio que foi bem.



Quero dar os parabéns às Sra. Professora responsável, e a todos os pais que se animaram a colaborar. Todos eles estiveram muito bem, desde as participações mais intimistas, às mais colaborantes, com mais do que uma família no mesmo grupo; e mesmo as mais simples, foram enriquecedoras.






Assim, separados por 7 anos de tantas histórias, o magnífico plano do lobo Sobreiro.   

O de hoje...



E o 1º.


sábado, 1 de abril de 2017

Viagem ao passado (numa tarde diferente)



Larguei o serviço ainda bem de dia, pouco passava das 4h, depois de 7 horas de jorna cumpridas e a minha cabeça, cá dentro, só dava vivas ao Costa. Fui todo o caminho pela frente dos paços do concelho, museu, castelo, fonte do concelho, sereno, mudo, mas cá dentro de mim a gritar: Costa! Costa! Costa! Costa sempre, meu grande, caro e querido primeiro ministro que nos devolveste à vida! Ou este, ou os outros dois artistas, os outros artolas da porra que nos enclausuravam até se fazer de noite, quando já tudo (serviços públicos) estava fechado na vila, já ia para duas horas. (16h-18h)

É isso aí, nosso Tio Sabi! ;) Thanx, mate!

O que era primeiro-ministro, um tal Passos, levou um nó e uma chicuelina, que ainda hoje, o deixam atarantado, o pobre. Ele, cotadinho, cada vez mais calvo e sozinho, insiste em dizer que quer ser, que quer voltar, que não foi assim tão mau, mas já ninguém lhe consegue dar razão. Se o homem tem menos ímpeto que o frango acabadinho de assar no Zé Francisco da Portagem, quanto mais. Dali, só para a goela. Está por dias, certamente. Bem fez a outra boneca que brincava aos vices, que assim que lhe cheirou a esturro, bateu asa e moscou-se para a Mota-Engil, onde ganha umas massas a dirigir um Conselho Internacional. Coisa de nível!

- Ai meu vice, meu vice... saiu-nos o pombo mocho! E a gente a pensar que tínhamos ganho esta brincadeira...
Levamos uma abada na secretaria...
- Eh, eh... eu vou bater asa daqui... Do Paulinho não se riem...

Eu sei bem porque votei neles. Sei porque quis que a esquerda fosse capaz de levantar tanta negatividade, tanta subjugação à Fräulein e ao seu terrível paralítico de estimação. E como fico feliz de cada vez que ouço notícias que nos aliviam, engrandecem e ajudam a retomar o amor-próprio enquanto nação.

Podias chupar, podias, mas o dedo era o outro, ó Schauble. Ora experimenta lá o do meio...

Com a gerigonça de esquerda, como eles lhe chamam, subiu o nosso ânimo enquanto país, porque subiram as exportações, desceu o desemprego, e atingimos o deficit(num orçamento, o défice ocorre quando osgastos ou despesas superam os ganhos ou receitas. Nesse caso, "falta"dinheiro para a receita igualar a despesa, e o orçamento é chamado"deficitário") mais baixo desde que vivemos em democracia, ou seja, desde que os capitães de Abril, mandaram os lacaios do Esteves (Esteve aqui, Esteve ali a inaugurar aquilo), irem bugiar para outra freguesia.

Com a geringonça eu sou mais eu, eu vivo mais.

Com o tempo estava tão primaveril, depois da invernada das chuvas incessantes que não nos têm largado, decidi, ao contrário do que é habitual, ser eu a ir buscar a Alice à escola. Ela estranhou a minha presença ali tão cedo e, influenciada pela mãe que como trabalha aos fins de semana, folga dias durante a semana, perguntou: hoje não trabalhaste?

- Trabalhei Alice. Esta hora é a hora a que saio, na verdade. Quando não tenho nada para estudar, preparar, ou fazer, posso vir-te logo buscar. Hoje, pensei numa tarde diferente: como tenho de comprar tabaco que gosto e só há em Espanha, aproveito para dar de beber ao Kaguincha que está a ficar seco (a água dele lá, é mais barata), e levo-te a passear comigo. O que achas?

- Já no caminho… “pai! Assim é demais! Eu prefiro que tu me venhas sempre, sempre buscar.”.

- Sabes Alice, até poderia. Com esforço mas poderia. Depois das 4h, eu aproveito para fazer coisas que quando tenho lá “clientes” não posso, ou fazer coisas que gosto, com calma e paz (leia-se em paz, longe de vocês mulheres que mal me deixam pensar), como escrever, ou preparar as catequeses. Poderia evitar isso tudo só que a questão aqui é outra, mais profunda.

- Então…

- Então… tu és minha filha, mas também és neta. E se eu tenho o direito a te ter, os pais da tua mãe e a minha mãe também gostam muito de estar contigo. E tu de estares com eles, não é? Por isso é que deixamos que tu estejas durante o dia, após a escolinha, um pouco com eles. Depois à noite, já podes estar connosco. Assim ficamos todos contentes, tás a ver?

Convenci-a, mas não muito. “Está uma tarde tão bonita…”

Sabes Alice, esta viagem para mim também está a ser bonita e importante. Eu estava habituado a vir a Valência, todos os sábados, com as minhas tias Maria e Cali, e os meus pais, quando tinha a tua idade. Quando era tal e qual como tu. Naquela altura, não existia a União Europeia. Havia fronteiras entre os países. Havia Portugal e Espanha. Nem todos os produtos se podiam passar de um lado para o outro. Tinham de se pagar os impostos nas alfândegas, na fronteira. O meu pai, o avô João, trabalhava numa empresa de senhores que, tratavam dos produtos passarem de um lado a outro. Toda a gente aqui o conhecia, do lado português e espanhol, e recordo-me que ele estava sempre em suspenso e cheio de medo que trouxéssemos connosco, alguma coisa que não pudéssemos e nos chamassem a atenção. Em vez de estar mais à vontade, por os conhecer a todos, ficava mais preocupado.

Naquela altura, não havia tantos sítios em Portugal onde se fazer compras, e Valência era um mundo. Não havia, como agora, folhetos coloridos a anunciarem tudo e mais alguma coisa: peixe, carne, vinhos, doces, roupa e até produtos para carros. Dantes, quando se precisava de mantimentos, ia-se à loja e comprava-se. Não havia Modelo em Portalegre, nem Pingo Doce em Castelo de Vide e nós tínhamos sempre Espanha. Metíamos gasolina, na fábrica em frente à avó Alzira, na avenida 25 de Abril em Santo António das Areias; e fazíamos compras na Beirã, na mercearia que depois foi comprada pelas minhas tias, quando o tio Miguel era pequenino.

Outros tempos, filha. De outro século, que mais parece outro milénio. Só tínhamos 2 canais de televisão portugueses, que abriam num horário reduzido. Os desenhos animados eram poucos e… esquisitos. Também aí nos valeu a TVE espanhola que tinha programas bestiais como um que era a “Bola de Cristal. Foi aí que eu aprendi a falar o castelhano, que é a língua dos espanhóis.


Aqui em Espanha éramos muito mimados. Haviam chocolates, sugos, rebuçados, torrões, granizados, berlindes e outros brinquedos. Recordo-me tão bem que as minhas tias me compravam sacos de bilas, berlindes lindíssimos, olhos-de-boi e eu, chegava à Beirã todo contente com eles e… perdia-os todos.

- Ó pai, então? Eras tonto?

- Um pouco. Ainda sou. Eu sempre gostei de andar com os meninos muito maiores que eu. Com os grandes é que era fixe. Depois, era esse o preço que eu tinha de pagar para estar com eles. Jogava, por exemplo, à roda e fffsssssssccccccchhhhhhhhhhhiiuuuuuu, levavam-me os bilas todos. Tinham um abafador grande, uma esfera, e de cada vez que passava na roda… lá iam meia dúzia deles. Ao final do dia, tinha poucos, ou nenhuns. Mas tinha-me sentido tão bem entre a maralha.

- E depois?

- Depois? Olha… ia chorar para o pé das minhas tias e elas diziam-me: “deixa lá, filho. Para a semana vamos lá outra vez e compramos-te mais.” E era assim. Assim me fizeram tão mimado que depois, me vi à rasca para conseguir crescer.


Olha, esta loja era uma das minhas favoritas. Tinha umas vitrines sempre muito arranjadas e estava sempre cheia de bonecos. Adorava vir cá. Era um deslumbre. Tudo e mais alguma coisa da Playmobil, do Action Man, que era o que eu mais adorava.

E esta mecercearia… era o sítio! Era aqui, nesta esquina, não entro cá há tantos anos… e imaginava aquilo tudo já em liquidação total ou à beira do fim.


Aproximo-me da porta e… tive o choque visual de encontra a dona, que estava tal e qual a deixei eu, há mais de 30 anos atrás! Lembrei-me das minhas tias, de tão suas amigas que eram, como estão, e ela… com a mesmíssima pose.

Entrámos e ela… sorriu, tal e qual como fazia para o Pedro de caracóis de San Marcos.

- “Guapa!”, para a Alice, ao entrar. “Que pelo más bonito tienes…”

- Diz assim Alice, “gracias”, que quer dizer “obrigado”.

Comprámos um chocolatinho, porque não podem ser muitos doces, e quis pagá-lo antes de me apresentar, para evitar parecer que me estava a meter a jeito. Mais um carinho à pequena, mais um sorriso e as figuras que eu faço, que são uma coisa de filme.

Não consigo explicar o que se passou comigo. Não encontro palavras que o exprimam. Mas foi estranho. Estar eu ali, mais de 30 anos depois, com a minha filha, em frente à mulher igualzinha a como a conheci, foi… tão estranho, quanto belo. Tive a sensação que um túnel do tempo tinha desviado aquela imagem para o passado, e fiquei ali eu e a minha filha, como se de um triângulo das bermudas de memórias e afetos se tratasse. Realidades, tempo e prespetivas diferentes geraram uma sensação tridimensional.

Mudo, embargado pela emoção, enquanto ela elogiava a minha filha, a minha filha sorria e brincava, fui comentando, respondendo às perguntas, e perguntei, antes de me apresentar: te puedo dar un besito?

Ela, com ar de espanto, respondeu um claríssimo “No”. Na sua mente hispânica deve de ter pensão “Y este?!?!?!? Como es que este calvo quiere que le bese, si tampoco lo conozco de parte alguna?”  

E aí, abri o jogo todo. “Sabes que tenia yo su edad quando empezé a venir a Valencia, por la mano de mi madre y mis tias? Eran las dos hermanas del ferrocarril, que su padre fue el Jefe, e tenian un comércio en Beiran, sabes?!?!? Una com el pelo blanco e la outra,de pelo negro cogido atrás.

- Oooooohhhhhhhhh siiiiiiiii. Oye… hace quantos años?

- Muchos. Más de 30.

- Y ellas?

- Pues solamente me queda una, ya. Está muy mal de la cabeza, y se encuentra en una casa de jubilados de misericordia, sabes? La outra se murió, no en la primera noche que se cambio allá, pero en la seguinte. Le he dicho yo que no se hiba para aquel hogar por si misma, pero porque queria seguir junto a su hermana, ya que no tenia mas fuerza para ayudarla. Si fue pero contra su voluntad y se fue alli.

- Ui, ui, Pedro. Que dolor.  

- Si, pues… es la vida. Y yo me encanto muchissimo de te poder ver asi tan bien…

E continuámos a conversa já com a presença do seu filho, historiador e escritor, com livros publicados, que também estava a ouvir a conversa e se juntou a nós. O filho conhece-me de quando eu era vereador da cultura da Câmara de Marvão, e recorda-se bem quer das minhas tias, quer da minha mãe, quer de mim, garoto, como a Alice.

Devemos ter estado algum tempo na conversa porque a pequena começou a dar sinal e tivemos de regressar. Mas antes ainda fizemos uma pausa na Iberia para una caña sin alcohol maravilhosa que têm lá, e uma cola para ela, que era dia de festa.


- Pai: nena quer dizer menina? Ele chamou-me assim. E ración é batatas fritas?

- É. Aqui em Espanha, metem sempre um  pratinho de qualquer petisco quando a pessoa pede uma bebida. Assim… bebem mais. É esperto, não é?

- Mas chamar ração, como a do Sizzle não é.

Antes de virmos embora já de saída, encontramos o João, um meu amigo filho do Mota que morreu, e da cabeleireira Candy.

- Companheiro, como é que é? Tá a dar bem?

E ele falou na boa, como se nos tivéssemos visto ontem, quando já não o via há um bom par de anos.

- Sabes, Alice, este menino é especial. Tem trissomia 21. Tem um crescimento diferente do teu. Não vês os olhitos? Há mais meninos assim.

- Olha, para mim está tudo bem e não tem nada de especial. Isso é o que eu acho.

- Alice, olha lá que bonita é a nossa terra. Esta é uma das vistas de Marvão que mais gosto.
- Parece o monte do filme Vaiana que vimos ontem, não é pai?

sexta-feira, 31 de março de 2017

Certas derrotas, preparam-nos para grandes vitórias


Recorda-me o facebook que há 4 anos, por esta altura, numa em que estava a reaprender a viver, até na internet; numa fase em que escrevia mais nesta rede social que na minha blogoesfera, tinha escrito que” certas derrotas nos preparam para grandes vitórias.”

Escrevi então que a Associação Bombeiros de Marvão foi importantíssima para mim, porque foi ela, foram eles, os bombeiros, que me salvaram. Foram eles que me deram a mão depois do acidente de mota.

Quando realizei a minha festa de aniversário de 2012, não no dia 8, mas no dia 9 de Junho, que caiu num sábado, pediram que celebrassem uma missa de ação de graças na igreja da minha padroeira, Nossa Senhora do Carmo, na Beirã. A presidir a manifestação religiosa, estiveram presentes, o padre Fernando Farinha e o padre Luís. O primeiro foi meu professor no liceu e um homem que marcou muito a minha vida. O segundo, é o padre da paróquia, pelo qual nutro grande simpatia, que se quis unir à intenção e eu, claro que vi isso com os melhores olhos. Foi tudo muito lindo e sentido.

Depois, seguimos todos para a Associação de Caçadores da Fonte da Viola, nos Cabeçudos e realizamos uma grande festança, à antiga. Usando lá da palavra e com aqueles amigos todos à minha volta, falei de peito cheio. Falei, como sempre, a verdade. Disse então que desde que sofri o acidente, nunca mais tinha chorado. Passei momentos muito duros, muito difíceis, muito sós. Mas nem nos piores tinha conseguido chorar. Disse então que por aquilo que me era conhecido, devo ter perdido a capacidade de chorar, de me emocionar até às lágrimas.

Mas nesse dia, disse que se isso ainda me fosse permitido, certamente choraria ali, umas lágrimas muito bem empregues. Mas de alegria, por os ver todos à minha volta. Quem eu mais queria neste mundo… Uma sala cheia de amigos. Deveriam passar das 100 pessoas. E não estavam todos! Sabia que muitas faltaram, muitas não conseguiram estar presentes.

O maior presente foi… a presença de todos. Mas ainda assim, alguns fizeram ainda questão de me oferecerem mais algo. Os bombeiros voluntários de Marvão que me salvaram, a Manuela e os Josés, ofertaram-me a t-shirt com estes dizeres sábios.

CERTAS DERROTAS, PREPARAM-NOS PARA GRANDES VITÓRIAS

E isto é bem verdade. Sem medo de quaisquer invejas, ou macumbas, posso hoje dizer que, desde o acidente, todas as decisões que tenho tomado na minha vida têm sido certas, vitórias, das coisas mais pequeninas, às mais importantes.
Decisões a todos os níveis, certas. Decisões das quais me orgulho. Tantas que, por vezes, até tenho medo de tanta coisa a correr bem. Terei crescido e ganho maturidade com esta reviravolta?

Exemplos de coisas boas, muito boas, tem sido por exemplo, a descoberta do facebook, que antes desdenhava, mas agora me tem ligado imenso a amigos. Com eles interajo, e tenho tido muitas alegrias. O início da colaboração com o Jornal Alto Alentejo, do meu querido Manuel Isaac e do amigo André Relvas. A nova decoração de partes da minha casa, que andavam para ser feitas há muito tempo. Coisas que aconteceram assim quase por magia, como se fosse um clique.


Há quem agradeça a muita gente, muita coisa. Eu dou graças… a Deus. Mas um Deus que está presente em tudo, um Deus que não é físico, mas… que se sente.

Tenho tantas vezes medo que o nível esteja muito alto, e que daqui, melhor seja impossível.

Desde que Deus esteja do nosso lado, temos sempre de riscar prefixo “im” antes de possível, como aprendi nos escuteiros, para que tudo se torne ao nosso alcancel.

O segredo para se ser feliz, é pensar que se pode sempre ser melhor.

Esta t-shirt traz saber.

Para os soldados da paz que me salvaram, sempre o meu muito obrigado. Jamais esquecerei.

domingo, 26 de março de 2017

O demónio de Barcelos




Um casal, um homem e uma mulher, que viveu junto mais de 80 anos e agora viu assim os seus dias terminarem de forma abrupta; uma mulher com 62 anos, e uma grávida de 7 meses de gestação, com apenas 37 anos de idade.

Dificilmente me consigo recordar de um crime de tal forma hediondo.

Esta notícia, que encheu as televisões anteontem, ontem, hoje e amanhã passará à história, depois de bailar na espuma dos dias, faz-me pensar, muito.



Este ser, que estava já a cumprir 3 anos e dois meses de pena suspensa, por ter espetado uma surra na sogra e na filha grávida, era um problema adiado, que estava à espera de rebentar.

Foi ontem presente no Tribunal de Braga para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação. Fica em prisão preventiva. Também, mal feito fora.

Uma sociedade na qual vigora a lei de Talião do ”olho por olho, dente por dente”, é uma sociedade primária, básica, injusta e perigosa. Não é democrática e digna de um estado de direito.

Mas a nossa sociedade, não é menos atrasada. Uma sociedade que deixa um homem mal resolvido, que bate na sogra e espanca a filha grávida porque não o apoiou no divórcio, à solta e não o mete de quarentena... Um< sociedade que o deixa andar assim, por onde quer, a fazer e a comprar tudo o que quer, a ter liberdade para matar desta forma… terrível... não é de bem.

Agora, vai para a cadeia às nossas expensas, a dormir à pala, vestir e dormir sem lhe cair água em cima, vai viver. Vai à biblioteca, fumar um cigarrinho e, quem sabe, fazer um jogging no recreio da prisão, como o outro. Pode ler livros na biblioteca, jogar xadrez, apenas não é livre. Vive ali intramuros mas não lhe falta nada.



Pois eu, (e vocês podem dizer o que quiserem, que eu também venho para aqui botar a boca no trombone, dizer o que me dá na bolha), resolvia bem a coisa de outra maneira.

Sem qualquer tipo de perdão católico (que eu sou cristão novo e sei que falho muito, em muita coisa. Sou humano, afinal.), arranjava assim um sítio em praça pública, onde toda a gente visse, e fazia-lhe precisamente o mesmo! Agarrava-o pela pouca penugem que tem na cabeça, peles incluídas, e com um granda facalhão, muita bem afiado, cortava-lhe lentamente o pescoço, para que os seus gritos aflitos ensurdecessem a minha raiva, e os da menina mulher que sucumbiu às suas mãos, com a barriga cheia de esperanças, que, por ele, nunca se materializarão.

Nem mais um cêntimo contigo, desgraçado. Nem sonhar com os dois ordenados mínimos, que é o que dizem que custa um preso por mês.

“Epá… isso era desumano. Era primitivo”, dizem.

Tudo bem, mas para grandes males, grandes remédios

.

Ficaria a esvair-se em sangue. Depois, deixava os animais famintos, comerem-no todo.

Não gastaria nem mais um cêntimo contigo, desgraçado.

“Epá… isso era desumano. Era primitivo… Mas que raio de tipo és tu, ó Sabi?”

Tudo bem. Aceito. Mas… para grandes males, grandes remédios.

Eu sou a favor que existam tipos que defendam o bem comum, espertos em leis que ajudem quem precisa. Mas não sou nada a favor de advogados que, a troco do dinheiro que lhe pagam, defendam quem se vê que não tem razão nenhuma. Este gajo pode lá ter safa nalgum lado? Prá puta que o pariu!

Se houver gente que me acha grotesco, só lhes pergunto, e se uma dessas pessoas que foi degolada fosse a sua mulher, que estava grávida de si? Se fosse a sua mãe, ou o seu pai, pensaria da mesma forma?  

Degolado vem do verbo degolar. É o mesmo que: decapitado, guilhotinado. Para se cortar a cabeça a uma pessoa, tem que se lhe ter muita raiva e é preciso muita força. O pescoço tem muitos nervos, músculos e a coluna vertebral. Tem de se cortar com força, com uma faca bem afiada. Fez isso a quatro.

O demónio este, era problemático, dava estrilho e sinais óbvios de destempero. Porquê nunca, ninguém, lhe deitou a mão e o engavetou? Quantos assassinos destes haverá por aí? Gajos que se vê mesmo que estão, na beirinha de saltar o precipício da sanidade para o outro lado?




Quanto vale isso?

Quem remedeia essa falta e essa desgraça?

Se fosse a minha justiça que mandasse, pelo menos, da próxima vez, pensariam duas vezes se era isso que queriam para si. Ao menos isso.

sexta-feira, 24 de março de 2017

A matança do porco (12ª) na minha terra... em mais de 90 imagens (de hoje, de ontem, de sempre)

Como chegaram hoje as fotografias que mandei revelar em Portalegre, sai agora a publicação das imagens, do dia magnífico que passei com a minha Alice (as outras, uma trabalhava, outra estudava), naquela que há-de sempre ser a minha aldeia. É um texto que sai com uma dedicatória, do peito, para o meu querido António José, do Porto, que por aqui trabalhou com o Sr. Duarte de Almeida, quando eu era menino, garoto, há bem mais de 20 anos. Tanto marcou e ficou marcado que a sua filha, que nasceu quando aqui trabalhava, tem a naturalidade desta freguesia. Uma história tocante. 
Abrem-te o apetite para cá voltares, meu velho? Anda daí!

Bonito cartaz, meu Tonho Manuel, ilustre presidente da freguesia. Ficou digno. Uma categoria.

Ao chegar... permitiu a selfie, que fica para todó sempre

Eina bem... a tanta maltucha que não quis falhar às migas (deliciosas. Soberbas!), ao bom do tócinho (não é erro, é mesmo escrito assim) e ao cafézinho preto, da puchera. Tudo do mais saudável que há.

Este era o pratinho do dROCAS. Hummmm... mnham, mnham. Migas frias?!?!?!?
Nem as assopro!

Esta fotografia merece uma brochura de ouro! Eu e um mítico da minha infância, da minha aldeia, da minha vida: o menino Augusto (Forte). Pelo que sei, o pai tinha uma posses fortes e eles viviam na Broca, uma quinta de grande dimensões com animais, vacarias e um tanque maravilhoso onde a gente ia tomar banho quando íamos gamar melancias. Uma cena do outro mundo.

O menino Augusto olhou para mim, eu olhei para ele, e disse-me:

- Menino? Eina pá! Estás tão bom... Disseram-me que quase tinhas morrido!

- Eh, eh... olha, e a mim, disseram-me o mesmo de ti, Augusto. Mas estás igual! IMPECÁVEL!

Expliquei: Epá tive um acidente de mota, andei pelo outro lado cerca de 1 mês e meio e depois, mandaram-me de volta. Diz que ainda não era a minha altura e eu agradeço. Tanto, sempre, todos os  dias. E tu?

- Tive uns problemas (creio que um AVC). Mas estou bem melhor. (O irmão João Forte, mais velho, o Pêras, na foto de baixo, fartou-se de ralhar porque disse que toma montes de comprimidos, e na noite antes, apanhou uma bubadeira daquelas à antiga! Até tinha unhas!)


O Augusto era um poeta, um pensador livre, um bebedor fantasmagórico que dissertava sobre tudo e sobre nada. Uma das memórias que tenho da minha infância/juventude era ficar maravilhado, a ouvi-lo falar de olhos fechados em público, pouco a cagar-se se alguém o ouvia ou não.

Disse-lhe: (com ele sempre de sorrisinho enternecedor no rosto, o mesmo que tem na fotografia) "Eh Augusto, tanto que  me lembro das tuas histórias que ficaram para a vida.
Eu, Augusto da Mota Forte, plantei umas alface.
Veio o coelho, comeu a Alface.
Veio o caçador, matou o coelho.
Eu, Augusto da Mota Forte, tenho ou não tenho direito de uma pata desse coelho?"

Ora isto é filosofia pura, ciência política, demagogia e eloquência.
Pode perfeitamente ser aplicado ao caso Salgado/BES, ou ao descalabro na CGD e a implicância que nós, contribuintezinhos, ainda vamos ter para apagar estes incêndios, antes que Portugal arda todo como a Madeira.

Augusto Forte: EU AMO!




Na minha ponte, no meu ribeiro...

Em frente a um dos santuários do avô João Sobreiro: a casa Nicau. Ali passou muitas das horas, dias, meses por ano, se contabilizássemos o tempo todo. Eles habituaram-se a viver com ele, como se fosse de família. E ele sentia-os enquanto tal. Na taberna... faz-se o que se faz numa taberna. Mas fosse a ler o jornal, a jogar ao truco e à sueca, nos matraquilhos, ou nas flippers, o tempo voava.

Por falar em lugares de uma dimensão que extravasa os limites físicos...

- Pai... eu lembro-me muito de vir aqui comer laranjas com a Ti Bia; e da Cali. Elas eram muito minhas amigas.

Ainda bem (que te lembras. Eu fiz tanto para que as apanhasses, ainda...) 

,
Se tu sonhasses como era essa loja, essa aldeia, quando eu tinha o teu tamanho, filha...

É.
Esse era o meu trono, nos canchos em frente à escola. Podes sentar-te lá.
 O meu trono... 
Quer dizer... desde que não se quisesse sentar lá nenhum menino maior e mais velho que eu. Era tão pequenino e mimado... que só podia ser rei quando os outros não queriam/podiam.

E este recreio, Alice? Cheio de tantos meninos e meninas, cujos pais trabalhavam nos serviços ligados ao caminho de ferro, guardas, ajudantes-despachantes, alfandegários, ferroviários, com dinheiro, com saúde, com alegria, com espírito comunitário e hoje...
Era tão grande...

Isto não existia antes... e está tão bem...
O repuxo não tem água? Deixa lá. Bebemos lá em baixo.

Se eu fosse como os elefantes, se escolhesse o sítio onde viria a morrer de velhinho, cairia aqui.
Esta é a minha terra. Este é o me lugar.


Tudo isto, pai. <3





Aqui nesta casinha, vivi a minha vida quando tinha o teu tamanho, até ir viver com a mãe Cris para Marvão. Dentro do meu lugar que era a Beirã, este era o meu ninho.

Também espreitei pelo friso e o passado deu-me um empurrão que me fez estremecer. Tanta memória...
A minha rua. Será sempre...

Aindas te lembras da casa da Cali?


Se visses como isto estava tudo dantes... Tão limpinho, tão arrumadinho...


Ali dormiam as andorinhas que começavam agora a chegar, quando vinha o calor e só abalavam com o frio. Como era um beirado muito alto, faziam fila. É em memória delas, das duas andorinhas que cá viviam, das duas que me deram vida, das duas que eu gerei, que as tenho tatuadas no peito. 





Aqui, quando eu era um pouca mais velhinho que tu, vinha-me confessar, ao senhor padre.
Ele sentava-se aí, onde estás, e nós metiamo-nos de joelhos, do outro lado.
Contávamos o que fazíamos mal e pedíamos perdão.
Tipo tu agora, "ah, eu nunca quero vestir a roupinha linda que a mãe me escolhe, tás a ver?"
Depois ele dizia: "vá! Não faças isso. Não reepitas, está bem? Reza um pai-nosso, uma avé- maria e um ato de contrição. Vai em paz, e que o Senhor te acompanhe" 






Igreja da Graça
Évora
Castelo de Marvão

Praia de banhos
Nazaré
Mosteiro de Alcobaça

Alice: agora um quiz que nós fazíamos sempre, e aproveitávamos para impressionar as estrangeiras quando paravam 10, ou 15 minutos no TER e no Lusitânia Expresso, para conferirem passaportes:
Qual de todos estes azulejos está mal colocado? 

E ela sozinha... esperta!

Deu com qual era. Nem sequer consegue lá chegar.
"É aquele, pai!"

Convento de Santa Clara
Portalegre

Praia de Banhos
Figueira da Foz

Convento de Cristo
Tomar

Jardim de Santa Cruz
Coimbra

Sé da Guarda

Trajes regionais de Marvão

Torre de Belém

Templo de Diana
Évora

Pórtico e cruzeiro de Marvão

Este é o da Cali...

A estação... Não há 1000 palavras que consigam expressar tanta memória, tanta história, tanto sentir...



A casa Vivas, a mais nobre da terra. No final do jardim privado, a igreja que abriram à comunidade, em honra da santa em memória de Carmen Berenguel Vivas



<3

 Na portinha do meio, o escritório do Sr. Sobreiro

A nova encarnação do clube pelo milagre Trainspot







Com a Bê êfe êfe (B. F. F.), como elas se chamam: best friends forever, Laura.
Tinha medo porque ela, infuenciada pelo outra, mais velha, dizia-me que não gostava de sopas de sarapatel, nem de sopa de couves.
Para a grande, tudo que sai da dieta fast food, é intragável! Tudo o que não sejam pizzas, lasanhas, hamburguers, não é comestível. Até as folhas de legumes das sopas, mete de lado no prato! Eu hein...
Ora se eu já tinha visto esta comer tão de gosto estes acepipes... tinha de lhe conseguir dar a volta! Até lhe disse que lhe dava de colherzinha à boca.
Conclusão: não foi preciso. Papou 3 discos de sopa! Espetacular. ;)

Meteu muita gente. Aquilo é uma organização do comandro!
Ah granda Maria do Céu e suas muchachas, que fizeram comer para 1000?

Eu a olhar para isto, pareço o Homer Simpson a salivar quando vê um hamburguer





Ei-lo! Magnífico momento que gravei e tenho guardado comigo. Nele, faz uma apreciação sobre coisas diversas da vida, que dizem pouco mais que nada ao comum dos mortais, como eu. E bem que tento... Talvez daqui a uma geração, ou alguns anos luz.

O ar seguro de quem sabe bem o que está a dizer... 

Atente-se na certeza da mão no micro 

AHAH... trés bon

O organista, o chefe da Malta do Cabo D'Aço, e o Pronto a Vestir3 bonecas de Nova Iorque

Grande mestre Chico, a explanar toda a sua arte

A reinar entre o fumo das grelhas...

No lanchinho que orientei para as peques

Verdade Laura! Fui eu!


Até deu para jogar à larga! :)