segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Simplesmente Alice (sempre no melhor do seu mundo)


A minha Alice é uma criança especial. Acredito que todos os pais dirão o mesmo dos seus, e isso é mais do que legítimo. Quando digo que a sinto diferente, não é que a queira comparar com nenhuma outra, ou valorizá-la mais do que aquilo que ela vale. Só digo que é um orgulho enorme poder ser seu pai, acompanhar o seu crescimento embora… ela não goste muito que seja ajudada, tratada como a… pequena.

É bem diferente da minha Leonor mas… os tempos são outros, os gadgets que tem à mão para puxar pelas suas habilidades são mais avançados, os aparelhos que tem a jeito para explorar as suas potencialidades são bem diferentes e… tem uma irmã mais velha para seguir, admirar, imitar em comportamentos (por vezes, tantas vezes, maus! Adorava tudo o que a outra abominava, incluindo discos de sopa de tomate e agora já não come lá assim muito bem os verdes). Também… os pais que conheceu quando aterrou na terra já estavam nos trinta e muitos… e agora já têm longos, largos e mais que ultrapassados quarentas. Outros tempos…

Vê-la, comigo sempre em silêncio, a observá-la pelo canto do olho, a descarregar no tablet (que a irmã nunca sonhou que pudesse existir quando tinha a sua idade; e se a mim me tivessem dito que seria de verdade, no meu tempo, quando terminei o curso de jornalista há 21 anos atrás… rir-me-ia, incrédulo), e vê-la fazer um puzzle com centenas de peças, na íntegra, com a pontinha dos dedos, enquanto o tal dito cujo esfrega um olho é… todo um feito. De glória.

Privo pouco com ela. Não é que não tente e tento sempre tanto mas, há ali uma personalidade madura demais para a idade (acho eu que com aqueles 6 anos… estava a muitos anos-luz atrás), e tem um espírito inconformado, perguntador, sempre desalinhado, rebelde e… sim. Aqui acho que aí, tem a quem sair.

Na catequese, consigo chegar a ela. Sou o professor que lhe ensina Cristo. Na primeira sessão que tivemos, falámos em encontrar nessa comunidade que acredita e segue Jesus, nas pessoas que vão à igreja com regularidade, uma outra e nova família.

Na segunda aula, já mais enturmados uns com os outros, falámos no valor de um amigo, no importância desse irmão que não é de sangue, mas que nós escolhemos!, pode ter em nós, e nós nele. Aproveitei, claro está, para levar a brasa à minha sardinha.

Esclareci logo que Deus nos ama, acima de tudo, e sempre, sempre nos perdoa (como o nosso papa Francisco, homem bom, não se cansa de dizer. Nós é que nos esquecemos de lhe pedir perdão). Não existe tal coisa como o Deus castigador, o Deus que é mau para quem é menos bom, mas é um Deus que fica triste quando nos portamos mal. Porque nenhum amigo e nenhum pai gosta quando um filho não é obediente. Meti os outros dois colegas pequeninos, dissimuladamente, a jogarem do meu lado, como juízes. Isto mais porque o caso da minha é aquele que verdadeiramente conheço.

Amigos, vejamos, disse-lhes eu: os pais da Alice trabalham para lhe comprar comidinha, roupa, para ela ter livros, esferográficas, lápis de cor e cadernos. Dão-lhe um teto para dormir, mantinhas para ela estar quentinha e roupa linda para vestir (muita que já foi herdada da mana e da prima Maria mas isso não interessava ali para nada). Mas ela por vezes faz birra, chora e grita muito porque:
não quer acordar,
não quer dar e que lhe queiram dar beijinhos,
 não quer tomar banho,
 não quer vestir a roupinha que a mãe lhe escolheu,
não quer comer nada ao pequeno almoço,
não quer que o pai lhe tire as fotografias que ele tanto gosta, e ela vai gostar quando for mais velha, como a mana gosta das dela.

Isto para falar só nas (guerras) matinais. Mas à noite, e durante o dia, vai havendo mais. Ó se vai…

Como enxotar-me da casa dos avós João Manuel e Jacinta porque os quer só para ela, e não me quer lá a mim. Acham que ela a proceder assim está a ser nossa amiga?, pergunto-lhes Acham que ela está a fazer com que mereça prendinhas no Natal e coisinhas boas? Acham que Jesus fica feliz?

Claro que não! É o que eu sempre lhe ensino a ela. É muito difícil sermos como Jesus, que dava sempre a outra face da cara quando lhe batiam numa. Nós, gente de carne e osso, temos muita dificuldade em sermos bons para quem não é bom para nós.

Temos de ser amigos dos nossos amigos. Conseguem? Pode ser? Vamos tentar?

Então para a semana, quando tivermos a nossa lição e fizermos a análise conjunta inicial de como foram estes últimos 7 dias, vamos começar por falar um bocadinho nisto, está bem? A ver quem é que conseguiu ser amigos dos amigos e não se portar mal. A ver se conseguimos pelo menos uma melhoria para apresentarmos aqui. Vamos a ver quantas birras consegue a Alice evitar.

Nessa segunda sessão, falamos também na figura de Deus, que não é um velhinho de longas barbas como muita gente o viu, mas que para mim é uma força, uma luz que manda em tudo e tudo governa. Na falta de uma figura associada, o mais próximo que temos dele foi o seu filho, nosso irmão, Jesus Cristo. Expliquei-lhes que, tendo nascido no Médio Oriente, na Galileia, seria um homem parecido com os que nascem por aquelas terras. Não teria muito a ver fisicamente com os nórdicos, altos e louros, mas que deveria ser baixo, com uma pele escura, com barba e cabelos grandes como era a moda naquele tempo.

Como o sobrenatural Miguel Ângelo pintou na capela sistina, a mão de quem tudo criou, (como ele o imaginou) no momento em que dá vida a Adão

Mostrei imagens e chegada a casa, dona Alice sentou-se na escrevaninha, para fazer o seu retrato de Jesus. Não porque lho tivesse pedido. Foi porque quis.

Adoro tudo. Mas sobretudo, o pormenor da barba e... a pequena indecisão... no nome

Mas fez mais. Aproveitou para no seu português, nas letras que aprende na escola e sobretudo (que na escola ainda não deve ter aprendido tanta letra) nas suas leituras que faz com a mãe, na cama, à noite, da tanta vontade que tem de aprender a decifrar este mundo dos grandes; fazer este escrito à mana.


VAI PÓ MUCOATO
GOTÁVACTOFOSS
PÓ MUCATO

Tradução: Vai para o meu quarto
Gostava que tu fosses

Para o meu quarto

Com a melhor amiga Laura, num dia tão feliz que passaram juntas



sábado, 29 de outubro de 2016

Sport Lisboa e Benfica: Afirmação e superação


Post dedicado ao nosso grande presidente Luís Filipe Vieira, com votos (95,52%) de que consiga fazer todo o bem que sonha para o nosso clube, neste seu 5º mandato.
Post também redigido sem nenhuma clemência pela arrogância e altivez dos outros, que nem merecem que se diga o nome, pelos os que lá  têm a comandar

Escrito depois de um 3 a 0, em casa, ao Paços de Ferreira e dos coisinhos terem ido empatar à Madeira

Categórico! Como eu gosto. Como eu peço. Como eu quero. Limpinho, limpinho, como o outro parvalhão dizia. Tou cheio de inveja dele se ter ido embora. Eu, refundido, me confesso. Ohhhhh porquêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê???????????

Uma exibição sem mácula.

Um 1º golo cheio de raiva, de afirmação, de querer, de benfiquismo, do miúdo Orelhas.



2º golo que é um hino ao futebol e neste, ao de ataque. A prova mais que evidente que o meu Barba de Chibo favorito é um avançado implacável, que deixa esse bazarouco do pontapé biqueirada Cardosão, a dimensões de luz de distância. Adoro! Era capaz de o ter a noite inteira sentado no meu colo, a cofiar-lhe a barbucha, o meu santo. Um túnel que vale um golo e mestre Sálvio… renascido! Finalmente.


Para finalizar, um rendilhado de Pizzi, a morrer como obra de arte nas malhas adversárias.

Esconde a língua, que é feio, e bate continência à malta!
Cereja em cima do bolo na televisão do Tio Inácio, já em casa, e tanto que estranho esta boa graça, que até tenho medo que seja demais… os outros coisinhos a virem da ilha… a nado! Perdendo lá dois preciosos pontos no mar alto.

Ai ca bom.

A carinha, o cabelo, o desânimo e a desorientação do que se diz “maestro”.

As trombas do pistoleiro que se pensa mais que tudo, que cai no tão grande ridículo de não deixar estacionar o Ferrari de um seu jogador, (que por desgraça até são vermelhos!) no sítio… dos jogadores!
  
O tareco do malvado cheio de urticária e bichos carpinteiros a rabear por ali abaixo.

- Jóta, esconde o que dizes que o cabrão está a ver tudo!

- Prési! Este Sabi devia ter levado caminho! O cabrão escapou-se ao acidente de mota que lhe provocámos... prontos! Portantes... só à bomba! Lá na terra, há forças contrárias que também o querem limpare! Tereremos de nos juntare ao maçude!

Ver as claques, as claques, os deles, a enxovalharem… “joguem à bola!!!!!” Opá, não chateiem o homem que ele parcebe é de lenguas! Olhem aqui ele a dizere "OCHENCHAEOCHO" de uma assentada só sem respirar.



Do nosso lado, graças a Deus, classe, qualidade, nível. Muito nível.


Os cães ladram…

Benfica sempre! (altivo!)



Assim tá bom

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Caly (e/ou como o tempo passa por nós)

O antes (e a assinatura)

O hoje (e a assinatura)

Quando entro naquela sala, elas estão sempre nos mesmos sítios, na mesma posição.


Sei que ali, comprovo de cada vez que lá vou, há muita higiene, respeito, amor.
Ali estão bem.
Bem agasalhadas, com uma temperatura ambiente controlada e mais que devidamente climatizada, estão como os ovos numa incubadora. Só que em vez desses, que estão à espera de eclodir para a vida, aqui aguarda-se o movimento inverso, de saída.


Eu sei que têm o dia-a-dia ocupado com atividades triviais, comuns aos demais mortais, que as preenchem. Sei que têm animações culturais diversas, para ocuparem os tempos livres com técnicos especializados, mas sei que muitas; como a minha tia Cremilde (que será sempre a Cali, ou Caly; como ela escrevia, para dar um toque inglês e mais moderno ao anexim), isso passa-lhe ao lado. O Alzheimer foi o vírus malévolo que lhe assaltou o processador do computador central e nada nunca mais nada será como dantes. Aquela Dona Cremilde, aquela menina Cremilde que nunca conheceu um marido, esmerada, dedicada, sempre prestável, sempre simpática, sempre apaixonada por crianças, é hoje um escombro que vive no habitáculo corporal que nos habituámos a amar. Está lá o Cadillac dos nossos sonhos… mas sem motor.  



Por mais estranho, estrangeiro e difícil de dizer que seja o nome, a tradução é bem nossa e percetível, por muito que nos doa: aquilo é demência.


E naquela sala em que ela nunca está sozinha, também neste sofrimento não está só, que não há médicos que valham perante as leis da vida.


São 7 ou 8 colegas que estão num autêntico hotel (Santa Casa da Misericórdia de Marvão), e olham sempre para o eterno programa da tarde que lhes faz companhia. Cumprimento cada uma delas com um aperto de mão, um toque pessoal, um aconchego. Sorrio e olho-as nos olhos. Por vezes não me escapo ao beijo e ao abraço apertado, a quem se agarra a mim como se fosse um guindaste capaz de as tirar dali para fora, lhes pudesse devolver a força anímica e a vida que deixaram para trás com os anos, sem quererem. Cada uma tem a sua história de vida, a sua maleita, a sua consciência mais ou menos clarividente, o seu estado físico mais ou menos debilitado. Conheço-as pela posição que ocupam. Como as crianças na escola e o eterno retrocesso à meninice.


As que ladeiam a minha tia são as mais conscientes e por isso mesmo, as que mais sofrem com   a falta de condição física. Querem mas… não são já capazes. Pergunto-lhes, “e a minha menina? Como é que tem passado?”
E elas contam.
-Ui, ui… tem passado bem mas é muito teimosinha.
- (Isso eu sabia)
- Quando a querem levantar e ela não quer… parece que pesa chumbo e ninguém a consegue mover daqui.
- E de resto?
- Dorme bem, come bem, não chateia ninguém. É um doce.
- (Sempre foi.)



Lá a da ponta é muito engraçada. É uma autêntica grafonola sempre com um tema antigo que trauteia sem parar, noite e dia. Modas dos bailes de Santo António, da Ranginha, dos Barretos ou da Beirã, que deve ter visto nascer enquanto freguesia, com o comboio.
- Minha querida? Então qual é a moda de hoje, meu amor?
Ela ri-se muito e diz “vou bem, vou bem”. Rindo-se reforça, olhando para mim, quando me vê dançar à rancheiro perante as suas músicas, fazendo de palhaço (que eu adoro quando é de vontade. Detesto é que me façam quando não quero. Ai temos porras.) “ai que engraçado… ai que engraçado…”, que se transforma num “ai tão linda, ainda tão linda, ai tão querida”, quando faz festinhas na minha Alice.


Ao lado, em frente, está uma senhora de um extrato social que parece ser diferente, mais 
alto, com outros tiques, conversas e trejeitos. Deveria de estar numa casa com outros hábitos, porque lhe dá sempre muita lida quem é que vai fazer o comer para tanta gente (as colegas que ali estão.)


Há uma senhora que me trata muito bem e diz sempre que se lembra de mim quando eu era pequenino, na Beirã, e que eu ia muita vez para a sua casa. Não me recordo de nada, nem nunca vi ninguém da sua família que me pudesse fazer a “ponte” com esse passado; mas sorrio sempre e digo-lhe que sim.


Muitas de negro, de desgosto por terem perdido os seus maridos, que eram quem bebia e fumava lá em casa, na maior parte dos casos; nunca elas, gostam sempre de me ver, do meu trato. E eu fico feliz. Saio sempre a sentir-me rico.


Uma outra, já com a visão algo “apanhada” pela idade, está sempre com um olhito cerrado e é de poucas conversas. De vez em quando ralham entre si, ou porque uma se esticou nos comentários, ou porque a cantora se cansou do disco e ralhou com uma qualquer que lhe quis meter travão à matinée. Tão engraçadas de se ver. Aquilo é como uma turma de cachopinhas da escola primária, ou de mulheres presidiárias, porque têm entre si a sua hierarquia e cada uma goza de um status muito seu. Não a minha, coitadinha, que se ri para todas e fala para dentro uma língua imperceptível, que é oficial lá no mundo onde ela vive.


Tem dias que vou lá e venho escuro como a noite. De olhos baços, tristes, sem vida, olha para nós como nós para o abismo. Sem conseguir ver o que seja. Anteontem, escondi-me na porta e surgi de rompante, em frente à televisão, para onde olhava com atenção. Num momento de rara lucidez, riu-se para mim e disse: “ Olhó! Então?”
- Então… fui trabalhar! Saí agora. E tu? Está boa? Tudo em cima? Tudo legau?
Ela riu-se e disse que sim. Riu-se mesmo. Riu-se com aquele ar: “agora aparece-me aqui este gajo”. E foi bom. Estivemos de mão dada e fomos passear.


À primeira tentativa fez-se mula e fez força para baixo.
- Então?!?! Não queres vir comigo passear? Anda, senão qualquer dia, as pernocas não querem nada contigo. Anda daí…


As amigas ajudaram. “Vá, vá com o seu… é filho? (algumas ainda procuram)
- Não! É sobrinho, respondem outras. Mas é como se fosse filho. É muito amigo dela.


“Pois sou. Nessa altura não havia infantários. Os meus pais tinham de trabalhar e deixavam-me com ela, a minha avózinha (sua mãe), e a minha tia (que então ficou viúva).


Depois, por vezes, ao final do dia, com a noite, com o frio, dava-lhes pena levarem-me para a rua, e deixavam-me lá ficar a dormir com ela. Tão bem que eu me lembro disso…
Fui o filho que ela nunca teve (porque sempre foi solteira).
Habituou-se a ver-me enquanto tal e eu a ela, como mãe.

Por isso somos tão próximos. Não consegue dizer o meu nome mas, nem precisa. Eu sei que ela sabe quem eu sou. E isso chega-me.”


Como poder beijá-la tanto. Na testa. Quente. Com vida.

Junto do seu altar, da rainha Santa Isabel, na igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Beirã,
que arranjavam com tanto esmero

domingo, 16 de outubro de 2016

O começo da viagem (na casa do Pai... à qual, pela vida, regressei)


Na quarta-feira, dia 12 passado, via facebook, escrevi assim:


Deus move—se em caminhos sinuosos, extraordinários e insondáveis. Hoje mesmo, superando todas as minhas melhores expetativas, ficou acordado numa reunião depois da missa, que assumirei as funções de catequista do 1° ano, em Santo António. Se em 2011, antes de ter tido o solavanco na vida que tive, me tivessem dito que isto poderia ser possível...

Quer assim isto dizer que ajudarei a minha Alice e mais dois coleguinhas, a aprenderem a viver segundo o exemplo de Cristo: a amarem os demais, a serem tolerantes, a aprenderem a dar (para receberem), a fazerem o bem, sem olharem a quem.


Quero sobretudo incutir—lhes que ser cristão, nos dias de hoje, é exemplo enorme de bravura, de coragem. O cristão não é um queque, um larilas, um filhinho da manhã. Dizer que se ama Jesus, Deus feito homem, é não ter medo de ser bom, é querer amar o próximo, neste mundo tão descaracterizado e violento.

Há muitos milhares de homens e mulheres no mundo inteiro que são mortos todos os dias por acreditarem em Deus. Por alguma coisa isto será e temos de ter fé que há algo mais que esta vivência curta, trágica e limitada, de algumas décadas na terra (quando temos a sorte de chegar a isso).


Eu sou mais feliz porque vivo com Cristo dentro de mim. Quero ensinar—lhes a eles (e sobretudo à minha), o feliz que é poder viver—se assim. Isto já que a mais velha deixei—a fugir e pensa que sou o Ned Flanders. Vou fazer como o meu pai fez: não deixar que no segundo filho, se cometam os erros do primeiro. Eu gostava de ter sido do Sporting. Por ele.



Se nesse dia, eu radiava por dentro, por ter conseguido aquilo que me pareceu impossível a muitos pontos do processo; hoje era o dia. O dia.

A equipa de catequistas da paróquia do ano 2016: A Joaquina Coelho que acompanhará o 1º ano na Beirã; este menino que fica com os petizes de cá, a Deolinda (os dois da nova geração), a D.ª Gina, a D.ª Emília Ribeiro e D.ª Maria José (guardiãs da fé há muito tempo) faltando ainda a D.ª Inês Mota, que estava em funções no coro.
Créditos fotográficos: Dona Carla Ramilo. Muito bem haja.
Ontem mandei sms ao padre Marcelino, cheios de cenas mesmo minhas, mesmo do Drocas, do Sabizito. Diziam (claro que noutros termos), então mas a gente não ensaia? Não fazemos assim uma pré-cerimónia como se faz nos casamentos, para cada um saber aquilo que tem a dizer e quando entra, e mais não sei o quê? Ele respondeu-me (claro que noutros termos): tem calma, bebé. Sossega-te que vai tudo correr bem.

Eu confiei. E bem.

Como me ensinou um grande professor meu de muita coisa, que por acaso até trabalha no mesmo edifício, “quem por Deus anda, Deus ajuda”.

Correu tudo na perfeição. Nem que se tivéssemos feito mil ensaios antes, sairia assim tão bem. A igreja estava cheia, pelo início do ano catequético e por serem rezadas diversas intenções por familiares de presentes que adormeceram na esperança da ressureição (que expressão tão bonita para traduzir, o fim óbvio de todos). Passei toda a eucaristia de pé, mas tão feliz.

As mães dos meus meninos, a Eva e o António, estavam lá com eles e acertámos qual a melhor hora e dia, para a palavra de Cristo lhes ser passada.

Estamos em sintonia. O que é bom. O que é ótimo. O que é sinal que a terra para a sementeira está trabalhada, adubada, bem ajeitada.

Falava há dias com um querido meu, não daqueles muitos que me gozam “Olha lá vem o catequista”… (essa Velhaca é terrível e eu sei que ela vem aqui habitualmente ler o pasquim… ÉS MÀ!), e ele pediu-me para não martirizar as crianças com padres nossos. Contava-me que quando ele era pequeno, vivaço, rabito, tinha muitas vezes, o táxi do Zé Maria para o levar a ele e aos seus colegas a casa, à espera que ele acabasse de rezar as avés-marias que o obrigavam a saber por castigo.

Nada disso, meu caro! O que eu quero é que os meus meninos (a Eva, o António e a Alice), num ambiente descontraído, acolhedor (sempre na igreja, que é a casa do pai; que comigo não há lanchinhos em casa, porque nem só de pão vive o homem), aprendam a viver com o exemplo de Jesus Cristo, nosso irmão, filho de Deus. Quero que aprendam, brincando, jogando, desanuviando da exigência das aulas, a amarem o próximo, a serem tolerantes, a serem obedientes, a serem responsáveis, a saberem perdoar, e a aprenderem as coisas dos grandes mas a nunca crescerem.

Não haverá ali testes, apertos e pressões. Antes haverá companheirismo, amizade e alegria. Eu serei o professor que sempre quis ser, embora nunca o tenha percebido, e vamos todos enriquecer-nos com a vivência uns dos outros.

Prometeram-me um kit fabuloso que está… esgotado. Mas virá a caminho. Os catequistas de hoje são ministros com pasta que contêm cds, fichas ilustradas de aprendizagem; um caderno da catequese do 1º ano e um guia do catequista, este últimos que já tenho em meu poder.

Vai ser toda uma viagem! Mesmo agora a minha Cris me veio aqui trazer dois livros que encontrou no sótão e que podem ajudar. E muito! Se Deus quiser, vamos ser felizes.






Vamos aprender... Juntos... Vamos aprender...

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A Disneylândia do idoso

As fotos públicas da página do facebook do Município de Marvão, que me envergonham em vez de alegrarem,estão no álbum deste link https://www.facebook.com/cmmarvao/photos/?tab=album&album_id=371709976493736

A coutada do voto
Se praticamente não passam ali carros, para quê tanta segurança?
Seria para manter os intrusos afastados?
Aí entrei eu

A festa do idoso é uma festa linda, uma festa respeitável, uma festa de tributo e homenagem a quem se encontra a viver o seu último período de vida, muitas vezes já sem a saúde, a dignidade e a prosperidade que o levaram até aí.


A forma como o homem, esse ser mais malévolo de entre todos os que habitam a face da terra, que entraria apenas nos segundos finais de um filme da história do planeta; (tal é a diferença de grandezas entre ambos) se tem relacionado com os seus pares neste últimos anos é sintomática do estado atual da humanidade.


Nas sociedades primitivas (e escreve-vos o Pedro que cursou os dois primeiros anos da faculdade em Antropologia), os velhos, os anciãos, eram os que mais sabiam, os que tinham mais experiência e vivências, os que com o passar dos anos iam ganhando um estatuto venerado por todos que nele e a ele iam beber.


Nos nossos tempos, no século XXI, em que as crianças se habituam a com a pontinha dos dedos conseguirem quase tudo o que querem para além do abrigo, comida e vestuário que têm garantidos, os velhos são velhos como os trapos e cada vez deitados fora mais cedo. Falo do que vejo. Do que me entristece e deixa em baixo.


Nesta nossa sociedade, em que o parecer vale muito mais que o ser, em que o que tens vale muito mais que o que és, os velhos são quase sempre um transtorno, um empecilho que os filhos vão muitas vezes aguentando à semana na casa de cada um, e vice-versa que agora vai para ti, ora vem para mim, como um fardo pesado, uma tocha que arde e apoquenta, uma granada prestes a implodir de vez.


Tenho um respeito enorme pelos idosos. Sempre tive. Desde criança. Sempre fui um amante daquelas gentes genuínas, marcadas por rugas que lhe têm tatuada a idade no rosto, que marcam nelas cada cume de vida, cada momento de sabedoria que nelas se depositou.


Neste fim de semana, no dia 9 de Outubro, o Município de Marvão organizou a festa do idoso. Aquilo foi, para quem lá está a mandar na casa grande, na mais alta do cabeço de Marvão; como o que é para mim, uma viagem à Disneylândia, a terra dos sonhos. Conhecendo-o eu como conheço, aquilo foi puro prazer e um deleite imenso. Ter todos os velhinhos e velhinhas reunidos num único espaço, tanto beijinho para dar a cara (como ele mete), tanto abracinho, tanto miminho… meu Deus! Tanto voto mesmo ali à mão de semear… Tudo garantido, tudo dele e aí vem mais uma maioria absoluta que esta gente é coitadinha, pensa pouco, preocupa-se pouco e desde que andemos dois ou três na procura diária do que querem e a fazerem o servicinho à porta… isto está limpo!


Houve muita comida, muita bubida, dança e os habituais homens e mulheres do regime estavam nos seus postos a servirem, a fotografarem, a ajudarem à dança, a dançarem e a fazerem a festa também. Está tudo impecavelmente montado e a máquina a faturar. Quem precisa, porque a vida deu as voltas que deu e ficou à mercê; precisa e gosta de receber. Eu até compreendo. Até compreendo de verdade. Mas há uma coisa dentro de nós que devemos de ouvir e que se chama consciência. Essa tal coisa de consciência é construída pelos valores e princípios que aprendemos dos pais e dos demais colegas, pela nossa experiência de vida, da espiritualidade e do acompanhamento religioso que tenhamos (seja ele de que natureza for), por coisas que a nossa própria natureza nos dizem que está bem e está mal.


Se não te passava cartão quando andavas a estudar no mesmo tempo que eu e te achava um labrego e um verbo de encher, porque raio te glorifico agora? Valho assim tão pouco? 


Há uma grande diferença entre um homem que dá e um homem que dá… mas quer algo em troca. Este bem que foi feito aos idosos, sei bem do que falo porque conheço, não é abnegado, desprovido de interesse, de quem quer mesmo que se divirta e que passe bem porque já merece neste final de caminhada da vida, passar nem que seja um dia longe de preocupações, lidas e doenças. Esta mão que embala, não o berço (que ainda não vota e pouco importa), mas a urna (que acompanha sempre porque quem está à volta, gosta muito de ver) quer uma coisa que pode parecer de somenos importância, um pormenor: um X. Um simples X num papel que lhe hão-de entregar, para meter num sítio onde há-de ir em carrinhas da câmara que o/a/os/as irão buscar à terra ou a casa, com instruções convenientemente esclarecidas, relembradas, treinadas em papéis iguais aos que vão encontrar nesse dias para que não se caia no erro. Um X que quase abre os portões da bonança na terra.


O evento é montado com um ar enganador refinado. A festa é pública, aberta ao público, feita com o dinheiro de todos mas… é o senhor presidente que a dá, coitadinho, que é tão bom, que é tão amigo, porque parece que se ele se for embora, que vai!, ou melhor, se o que vem a seguir (que parece que não tem assim tanto jeito e tanta palavra para lidar connosco) não continuar, isto acaba tudo! Deixa de haver festa do idoso, deixa de haver Feira da Castanha, Festival de Música… prontos! Acaba tudo e o castelo vem por aí abaixo aos trambolhões. Que parvoíce, que lamechice, que pena.


Pois como quero sempre ver pelos meus olhos para que seja eu a interpretar o que vejo, depois de ter feito o almoço para mim e para as pequenas que a grande trabalhava, arrumei a cozinha, e saí para beber café na minha velhaca favorita com o 4 patas, já com ideia de passar pelo pavilhão gimnodesportivo, onde o encontro se dava.


No caminho fui pensando que a porra do pavilhão pode ter sido um erro de engenharia tremendo, onde quem está sentado nas bancadas não vê o jogo (quem é que deu a licenciatura a esta besta que eu nem faço ideia quem foi, mas que é um 0 à esquerda, é!), mas para isto, pelo menos uma vez no ano, serve na perfeição. Olaré!


Ia pensando também, porque eu penso muito, sempre, até consigo fazê-lo quando estou a andar!, da última vez em que estive ali naquele sítio com aquele que é hoje o “paizinho” daquela gente toda, na altura em que nos candidatámos à Câmara de Marvão (hoje é Município e em vez do castelo, tem uma guarita). Estávamos nesse ido ano da graça do senhor de 2005 e nós, um pouco contra natura e despernados, andávamos a espalhar aquela que eu sonhava que fosse a boa nova de um concelho mais próximo das pessoas, mais presente, mais cara a cara, mais mão na mão, mais integrado e integrante. O todo poderoso PS do Dr. Manuel Bugalho brilhava em todo o seu esplendor, com grandes obras muito recentes (o Centro de Lazer da Portagem e a Piscina Municipal de Santo António ainda tinham a pintura fresca), a cultura estava em velocidade cruzeiro e o património mundial era o santo graal que parecia mesmo ali à mão de semear. As eleições e a campanha metiam medo e nós, sem nada a perder, com alguns bravos combatentes que como eu, caíram fora assim que se aperceberam da podridão do não sistema por dentro e agora estão comigo renascidos no movimento “Marvão Para Todos”, fomos à luta. Nesse dia, o Dr. Bugalho apadrinhava o Dia do Idoso e nós queríamos lá ir, não provocar, não causar distúrbios, mas apenas ver, como eu fui agora.


Ele tinha medo do que poderia suceder. Muitos tinham medo mas ele sobretudo, porque trabalhava lá em cima na Secção de Obras e não queria afrontar quem o chefiava. Recordo-me bem que na altura, dei o primeiro passo em frente, seguro e assertivo, dizendo que uma vez que ali estávamos em Santo António, iríamos. Dizia eu que se aquela era uma festa feita com dinheiros públicos, com o dinheiro de quem paga os seus impostos e não era exclusiva de quem mandava, ninguém nos poderia barrar à entrada, como se fazia nas discotecas de Lisboa quando não se tinha uma beldade feminina a segurar-nos a mão. Não posso dizer que nesse então, as altas patentes de cá foram antipáticas mas os olhares de esguelha, enviusados, assim ao longe, e um cumprimento amarelo de circunstância, mostraram-nos que não éramos bem vindos. Nós sabíamos porque vimos quem queríamos e fomos vistos, que foi a maior das conquistas, o olhar dos olhos e o dizer que não tínhamos medo.


Eu, desta vez, quis fazer o mesmo. Fui só, é certo, mas a coisa não estava programada para ter acontecido. Fiz porque eu, cidadão livre, esclarecido, que entra em todo o lado, todo, desde que queria, fiz questão.


À chegada, altas patentes do regime esfumaçavam enquanto mandavam a piada fácil, simples e circunstancial para um dos lacaios de serviço, que inevitavelmente, sorria.


Deixei o Lulu cá fora e entrei por ali a dentro. Eu imagino as caretas que aquela alma deve ter feito: “Então mas este?!?!?!!?!?!?!”


Ah pois é, bebé! Ainda não sei como é que a vais montar, mas tens de saber que neste concelho, não somos todos tão parvos como tu pensas que são os que aqui vivem. Nem tudo são velhinhos caquéticos, tontos, dependentes das instituições dedicadas ao apoio da terceira idade que pensas controlar, pelas tuas mãos ou por cabeças que te colocavam, a ti e aos teus, pelas ruas da amargura e agora, pelo deslumbre, pela ganância do poder e também do nada fazer, venderam a sua alma ao diabo.


Quem pensa como eu penso, respeita e tenta elucidar. Vocês manipulam e vão ao osso. Mas nós estamos preparados para isso. Temos do nosso lado, a boa fé e a inteligência, que faz falta e dá sempre jeito.


Pois te digo a ti e a todos, que esses e a essas, ao menino Pedro não enganam mais. Tenho por escola de vida que de cada vez que começo uma relação humana, de amizade ou companheirismo, seja com um homem ou uma mulher desconhecida, dou sempre tudo. À partida, abro o jogo todo, sem nada esconder. Depois, à medida que os tempos vão passando e se vai revelando, ou reforço, ou vou retirando (confiança, gosto, querer). Depois por vezes caem em desgraça e mostram o cú. Revelam uma parte de si que me mostram o seu verdadeiro eu. E aí, o Pedro é pouco cristão, é pouco de perdoar, é cruel como o seu homónimo que mandou arrancar o coração aos assassinos que roubaram a vida à sua Inês. Depois de o mal estar feito, e eles e elas sabem do que falo, podem vir vestidos de oiro e apregoar maravilhas do que quer que seja que eu… não faço intenções de me mexer um metro por eles ou elas. Tenho de aprender a ser cínico. Mais ainda. Acho que já consigo, o que matou um pouco da criança em mim, mas até me faz bem crescer. Dói menos.


Aqui nesta santa terrinha há gente que é mesmo de cá, nascida e criada, que tem aqui os seus investimentos de vida, os seus enterrados e não vive tranquilo, sem sentir desgosto, quando olha para o tão lindo monte de Ibn Marúan e sente que ele está a ser dominado por um Califa que ajudou a meter lá, enganado, e ele por inveja, por se sentir menorizado, por ter medo da sua própria sombra, quis passar a dominar e a ter a seu lado quem o não incomode, quem mame sem muito barulho fazer, quem lhe estique a alcatifa sempre que ele quer passar, devagarinho, deslizando, para não fazer muito pó.


Uma coisa te prometo, a ti que te conheço muito bem (por o estilo ser clássico) e a quem te conhece ainda melhor: neste ano vim só. Mas para o ano vamos ser mais. Da minha parte e de outras, mais. Vai vir gente que pode não ganhar, mas que vai. Com garra, força e convição porque se não for, de certeza que nada se consegue. E seja o que for que se consiga, será para fazer mossa, para vos beliscar, para saberem que não somos carneiros, que temos o nosso orgulho e muito orgulho em ser assim. Sempre lisos, sempre justos, sempre honestos, sempre fazendo tudo o que possa ser feito para que isto mude.


E diz-me tu, porque eu quero saber, aqui que ninguém nos ouve… Vai o 2º em 1º para o 1º poder mandar na sombra como o Rondão fez em Elvas, sabendo de antemão que este 2º jamais terá força suficiente para bater o pé como o outro fez ao paizinho? Chegaste tu à frente? Isso é que era muito engraçado.


Aqui vai estar o Sabi, o Sobreiro, sempre no seu posto de vigia altaneiro (lembraste do jornal? Quem escrevia, quem dirigia, quem mandava? Quem só aplaudia e… ameaçava trabalhar?), a aplaudir o que acha bem e azurzir no que está mal.


Uma pedrinha orgulhosamente incómoda no sapato de quem está, ou a pedra que faz falta para a mó do novo moinho, mexer.


Cá estaremos para ver.


O tempo… tudo traz, tudo cura e tudo revela.


O que eu, Pedro Alexandre Ereio Lopes Sobreiro, licenciado em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa; Pós-Graduado em Gestão Autárquica pelo Instituto de Línguas de Santarém, viajante pelo mundo com bolsas de estudo em Küsamo, na Finlândia; ou em castelo o Piaui, no Brasil, em representação do Município onde fiz a geminação com o castelo de Marvão de lá; digo é que: O LIVRO QUE ANDAM A LER, FUI EU QUE O ESCREVI.

Tenho dito.


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Fizeremos a folha aos faraós! (TUGAS 6 - Pirâmides 0)



Epá… o que eu não sabia mesmo era que se a gente queria ser campeões do mundo de futebol, como o Brasil, como a Itália, como a Argentina, a Alemanha e essa seleções de países grandes que sabem jogar muita bem, tínhamos de ganhar a essa coisa que é a ilha dos Faraós!


O puto do FêCêPê é barra. Oxalá o Jorge Jesus e a Maga Patológica não o comprem. Eles que não tinham dinheiro nem para comprar desodorizantes e agora se banham em leite de cabra (ão)...


Ilha que, ainda por cima, se situa acima de nós, perto da Islândia e da Noruega, onde as águas devem estar frias como ó carapau e cheias de bacalhauzorros.


Depois de espetarmos meia dúzia de pastelinhos de Belém a Andorra; repetimos a dose frente aos faraós e diziam os nossos que o jogo era difícil, os brincalhões. Então se os bacanos nem a porra de um relvado de relva de verdade tinham e era um sintético certamente de 3ª linha, bem atrás do “FIFA 5 estrelas de Santo António das Areias”... Olaré! Que coisa! Detesto gente pobre.

O arquipélago, esse conjunto de ilhas como nos temos nos Açores, tem assim 18 pedacinhos mai grandinhos e outros mai piquaninos que metem nos 1500 km2 que têm acima da água, à volta de 50.000 mânfios (duas Portalegres cheias de gente que há lá agora). Alguns sabem jogar à bola. Dá para nos estorvarem mas não para nos ganharem.

Essas ilhas são pixotes a jogar mas mandam nelas desde a 2ª guerra. Nunca quisera aderir à Europa.

Hoje, 6 marradas...



Ganhámos! Estas já estão. Próximos…


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Um dia aberto a...


O "Dia aberto da Celtex" foi mais uma operação de charme do alcaide Frutuoso, que quis assim, piscar o olho à população de Santo António das Areias, de caráter de matriz urbana, e tendencialmente avessa aos seus elencos, o que é bem visível pela natureza da freguesia, uma das duas que foge ao seu monopólio totalitarista.


Para poder opinar, fui ver. Sempre com os meus olhos. O Município de Marvão anunciava "uma visita guiada ao edifício, projeção de vídeos e fotografias da Fábrica em funcionamento, e apresentação do projeto de reabilitação do espaço. Prometia uma tarde a recordar uma importante época da aldeia de Santo António das Areias e do concelho de Marvão, onde seria possível partilhar memórias, histórias e testemunhos, acerca da CELTEX, com o Sr. João Serrano Sequeira, outrora sócio da Fábrica, e com antigos funcionários desta indústria, que chegou a empregar centenas de pessoas."

Na realidade, a montanha pariu um rato. Não houve visita guiada ao edifício e ficámos—nos apenas pela sala de entrada; foram projetados uns slides muito antigos e mal tratados do acervo do Sr. João; a projeção do video não foi convenientemente testada e mal se ouvia a locução; o projeto foi apresentado mas não devidamente... esmiuçado.

Os detalhes não foram, como é hábito, conferidos. O Sr. João Sequeira, fez o favor de fazer uma preleção sobre a história daquela casa e das empresas que albergou, de pé, apesar da sua idade já avançada, e teve de pedir água... que não havia.


Apesar dos muitos presentes, a partilha de memórias, histórias e testemunhos, acerca da fábrica não foi assim tanta. Alguns recordaram com saudade os tempos que ali passaram, outros quiseram desabafar algum mau estar sob forma como tudo se processou e os lesou do ponto de vista económico, mas foram... abafados pelo silêncio.


Não sou de todo contra a reabilitação e refuncionalização da antiga unidade fabril, para Parque de Máquinas Municipal, o que vai permitir, como eles dizem, "a recuperação de um património edificado que se encontrava abandonado, melhorar o ambiente e a imagem urbana, proporcionar melhores condições de trabalho e aumentar a eficiência na prestação dos serviços à população."

E até concordo muito que o Arquivo Municipal, agora incorretamente acomodado no Armazém da Beirã, seja reinstalado e organizado, de forma condigna e segura. Fiquei bastante bem impressionado com o trabalho da Dra Patrícia Marques, que me pareceu muito proativa e esclarecida.

Compreendo que tenha que ser assim. Mas a nossa sede de concelho, vai ficando cada vez 
mais só.

Qualquer dia só restarão lá em cima as "minhas" finanças...