domingo, 13 de outubro de 2019

Planeta: Terra / Lugar: Marvão / Ano: 1973

Marvanenses de 1973 em 2019
(Custou mas a foto oficial ficou bem, pois ficou?)

Em cima; Emíla Dias, Maria João Batista, Ana Gavancha, Sónia Carlos, Célia Silva, Helena Pinadas, Maria João Rodrigues, Paula MIlho;
Em baixo: Pedro Sobreiro, João Neto, João Miguel, José Rodrigues, Mário Sérvolo, Joaquim Agostinho, Fracisco Batista.

Palavra de honra que há ideias tão boas que até me custa não as ter tido! Mas tendo havido alguém que as teve; eu aqui, agora e sempre, por tal parabenizo, e a elas aderirei com todas as minhas forças! Não tendo comparecido no ano transato, o da estreia absoluta, por apenas ter dela tido conhecimento após já estar combinado com um compromisso qualquer inadiável, tentarei não mais falhar.

Mas que quer o gajo dizer com isto, que nunca mais desenvolve (estarão vocês, legitimamente, a pensar)? Pois bem, a Ana Gavancha, a Célia Siva e o Francisco Batista, todos nascidos em Marvão nesse lindo ano de 1973, tiveram a brilhante ideia de fazer um almoço/convívio, onde conseguissem reunir à mesma mesa, rapazes e raparigas que tivessem igual data e lugar, no seu cartão do cidadão, onde indica a naturalidade. Não é lindo? É lindo, sim!

A Ana Gavancha, o Francisco Batista, e  a Célia Silva
Os 3 ideólogos da coisa, portanto.
Honra lhes seja feita 
Ora, este rapaz que vos escreve, tendo sido um dos principais responsáveis por se ter conseguido saber quem eram os quintos do seu ano, que são os mesmos de 72 por naquele então ter havido excesso de contingente, e terem ido todos às sortes a Coimbra (a pena que eu tenho de não ter lá ido, com tantas coisas fantabulásticas que se contam dessas noites de… vida boémia); claro que vê isto tudo com os melhores olhos! Pois esse documento com os nomes todos elencados, que me foi fornecido pelo Sr. Bonacho da Câmara Municipal de Marvão, e nos permitiu sermos dos quintos mais antigos em Marvão a fazermos o “Encontro anual de Quintos”; é agora, segundo aquilo que me disseram eles ontem, que para se chegar a este elenco, basearam-se numa listagem de 80(?!?!?!) meninos e meninas nascidos nesse ano. Puxa! É obra, ah? Bem, eu já sabia, e ainda melhor imaginava; que a malta estava farta do cabrão do velho Salazar, da guerra colonial, da falta de desenvolvimento, liberdade, e que andava com a Primavera Marcelista já pelos cabelos, mas 80 nascidos?!?!?!?!? Livra!!! Isso é que foi libertinagem!!!!! A malta queria era mesmo muita revolução! Fixe!!!!

Pois neste diz 12 de Outubro compareceu no local combinado, o bonito número de 15 almas, 8 Senhoras e 7 mancebos, que todos temos de trabalhar para que cresça, e nesse sentido realizei logo uma série de chamadas a convocar alguns meus mais próximos que tinha na cabeça (e no coração), tendo-me quase todos ele atendido ou devolvido a chamada, com a indicação que para o ano, a 10 de Outubro de 2020, no segundo sábado do mês, tudo farão para estarem presentes. Oxalá assim seja.

Olhando a foto percebo que todas elas, claro!, estão muito mais bonitas que nós que, a bem dizer, mais parecemos ser os pais, que esta porra da calvíce, tira muito trabalho e ajuda a poupar muito em água, champô, e eletricidade do secador, mas faz-nos muito mais velhos. Verdade? Verdade!

Todos juntados à espera da landoca


Ao pé de gente gira até pareço menos feio, não é?
Por isso é que a bem ver, deveria andar sempre bem rodeado.

O local escolhido pela organização foi o distinto restaurante “O Sever”, e tivemos a graça de estar um tempo de Verão (em que fui como podem ver, de calções e pólo de manga curta), e pudemos desfrutar do belíssimo espaço debaixo das tileiras, onde nos deixámos estar à conversa, uns com os outros, a rir e a desfrutar-mos, até por volta das 6h da tarde
Para nos entretermos, abrimos com queijo de Nisa, salada de pimentos com bacalhau, e ovinhos mexidos com farinheira; seguidos de uma belíssima sopinha de hortaliça para fazer a cama. De prato de peixe: bacalhau à casa (frito em azeite) com cebolada, e batata frita aos cubos, seguidos de um típico misto de carne de porco alentejano grelhado com batata frita (com carninha de primeira linha!), legumes salteados e salada mista. Fechámos tudo com uma sobremesa onde se poderia optar por pudim da casa, mousse de chocolate ou serradura. Tudo isto com bebidas incluídas, água, sumos, vinhos e cerveja, o cafézinho da praxe, e a tal ginjinha de estalo que já merecia ser património de uma cena qualquer; tudo por 24,50€ já com uma lembrancinha do evento (fitinha colorida com dizer a relembrar o evento, para pendurar… coisas). É barato? Epá… deve de haver sítios onde se come por menos mas não é tanto, tão bom, e ademais, isto é uma vez no ano, porra! Foi bem bom! Olhem, eu só bebi um yogurtezinho líquido antes de dormir… por isso. (Anda brrruto!!! Hin-Hon, Hin-Hon…)

Com  o nosso Sérginho, o meu amor, que estava a trabalhar. Para o ano, tens mesmo de vir, que tu és da gente!

Aqui com o nosso João Miguel dos Barretos (ao centro), que é o cómico de serviço e uma pedra, este bacano! Ao pé dele, um gajo está sempre a rir-se. 





E depois, epá… estar ali com a nossa malta, do nosso tempo, a falar da vida, para onde fomos, onde estamos, e as cambalhotas que já demos, é sempre algo muito impatante, e isto vai mesmo de encontro com a ideia que eu sempre defendi que a vida, é para ser vivida… na vida! E eu explico para saberem que não é redundância: para mim, não há nada mais triste que a alegria de amigos que se reencontram com felicidade disfarçada e envergonhada, no funeral de um outro, comum. Quer isto dizer, nunca tiveram tempo para aparecer, para saber deles, para se perguntarem, mas agora que morre um, deixam tudo para virem estar presentes no momento me que os seus restos mortais são devolvidos à terra, e ELE JÁ NÃO OS VÊ NESTA DIMENSÃO! Irónico, não é?
Isto faz-me lembrar sempre “Os amigos de Alex” que saiu quando eu tinha 10 anos, e mexeu tanto comigo…


Este almoço é pois motivo de grande alegria e felicidade, embora aqueles que compareceram, estão e sempre estiveram mais ou menos por aqui. Quase todos moramos cá no concelho, vamos sabendo uns dos outros, e só o Mário dos Barretos (que é um 5 estrelas, que vem sempre a todos os encontros, mesmo os dos quintos), e a Emília Silva, vieram de fora.

Vamos todos começar a trabalhar para, no ano que vem, conseguirmos cá ter os 80 e termos de alugar o pavilhão de Santo António, ou, como neste fim de semana é a festa do idoso, imos para o da Anta que na matança do porco consegue sempre meter lá… autocarros e autocarros e autocarros de gente do Entroncamento.

Como já disse, eu ADORO a festa dos quintos, que é sempre bestial, mas ESTA por ter exclusividade do meu ano, e ser extensiva às raparigas, é… MAIS MINHA.

Pois quiseram eles que a direção fosse mudando, para haver mais democraticidade, e assim sendo, é natural que o local de pouso vá mudando, também. Creio que para o ano, a Emília Silva faz parte dos organizadores e aqui, eu só pedi que seja em Marvão, porque faz todo o sentido, não é? E aqui, que me desculpem mas sendo o querido JJ Videira nosso quinto, e tendo um restaurante, também, deve sempre ser considerado como hipótese.

Olhem, eu adorei tudo! Adorei todos, e o sítio e nisto gostaria de fazer duas notas que me impressionaram:

Nota 1 - As avós! Pois é! Já temos, entre nós, duas avós! Isto está tudo a mudar, e nós estamos a aproximar-mo-nos de sermos velhos, mas avós assim?!?!?!? Com este visual, este look, esta aparência e apresentação?!?!? Tão bonitas?!?!?!? No meu tempo, eu fazia assim mais a imagem de uma ser como a minha, que me ajudou a criar: viúva, sempre de preto, de poupinho nos cabelos brancos, com muitas rugas e já dificuldade a andar. Estas agora… nível!!! Olha, pelo menos aproveitem melhor a vida, que se Deus quiser, ainda as vou ver nesta festa de… bisavós!


Nota 2 – Tive oportunidade de ir parabenizar a D. Julieta Garraio pelo sucesso do restaurante, tendo-lhe dito que se o seu paizinho, o fundador, tivesse oportunidade de vir cá abaixo ver o que ela conseguiu fazer de um restaurante grande mas pequeno, que eu conhecia de ir com a minha família, habitualmente aos domingos, e até tinha uma lojinha de venda de produtos típicos; meteria as mãos na cabeça, de felicidade. Como a sua mãe tem oportunidade de poder fazer!
Pois aquilo é gente, e mais gente, e autocarros de gente que chegam aos magotes, despejados de buses daqueles que vêm repletos de malta da América latina, da China, e eu sei lá de onde mais, par ali, por um valor combinado com a agência de viagens, comerem do bom, do melhor, num preço em conta, e seguirem. Epá, dá gosto estar ali sentado e ver aquela malta. Palavra! Aquilo é demais! Depois estão divertidos, riem, e cantam os parabéns como uns fizeram ontem lá, é muito fixe. Eu cá gramei muito.


E o dia, gramei MILHÕES! Malta, bem hajam… Vamos já começar a trabalhar para o ano, ok? Vamos pensar em grande!!!  Muitos beijinhos!!!

(nota do redator: o simpático João Miguel Ramos, que anda por lá a bolir às mesas, fez o favor de nos sacar A Foto e fez mais do que isso, foi tirando instantâneos que espelham bem o esforço enorme deste vosso amigo enquanto consultor de imagem, para conseguir a foto perfeita, que encabeça este post! Não estava à espera mas...é de ver... é de ver... Obrigado, companheiro!)


Espera lá...

Tu vens mais para aqui, amore...

Tu deixa-te estar aqui...

Tu vais mais lá para trás, está bem? Não me leves a mal...

Assim...

Deixa cá ver...

Assim...

QUIETOS!!!!!

Agora não mexe!!!

Agora eu vou gritar pata ficarmos firmes e hirtos, ok?

Do que é que andas a ver, Zé?!?!?!?

Ao meu grito, quietos!!!!





5 estrelas! Faltas cá tu! Anda já!!! Em 2020, quero ver-te cá! Valeu?

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Calçando, de novo, as sandálias do Pescador


Então foi assim: o meu amigo Padre Marcelino ligou-me duas ou três vezes na manhã de ontem, sem que eu tivesse podido atender o telefone, porque estava no atendimento ao público, ao balcão. Ao tentar devolver-lha, não consegui, e só à terceira chegámos ao diálogo. 

- Pedro, preciso de um favor teu...

- Mesmo não sabendo do que se trata, permita-me que lhe responda já que sim.

- Muito obrigado. Não tenho catequista para o 5° ano de Santo António. 

- Assim seja.

- Obrigado pela disponibilidade.

- Deus já me deu tanto na vida (sempre deu, mas sobretudo desde o meu regresso a ela, em 2011), e está sempre tão junto de mim, sobretudo quando dele mais preciso; que assim que me chama, direi sempre: presente!

- 😊 "Teremos uma reunião hoje (ontem) de tarde após a missa, e ali definiremos as coisas.

- Tudo bem. Por acaso tenho uma semana até muito ocupada, com diversos processos a correrem em paralelo (arrumar lenha para o Inverno, fazer teste de direito Tributário interno para o qual tenho andado a estudar tanto) mas já tinha intenção de por lá passar, para saber se poderia ajudar em algo.

- Ótimo!

(Fizemos o habitual compromisso de catequisandos, catequistas, e ali demos o primeiro avanço no início do ano catequético 2019/2020)



 Os manuais estão bem mais esclarecidos, que os dos anos anteriores. Têm muitos exercícios, texto e imagem.

No final da eucaristia, uma das mães, a Maria João Costa, uma miúda do meu tempo; mãe da Carolina que sempre foi muito próxima da minha Leonor, e mãe da Sofia, também dela amicíssima da minha Alice; ou vice-versa em qualquer um dos casos, segredou-me ao ouvido, enquanto sorria: vais ser o catequista da Sofia! 😊

Achei aquilo de tal forma terno, e encorajador, que, por dentro, estremeci. Tão bom... ♥️

Já no final, tentei saber quem mais constituiria a minha turminha. A filha da Júlia do Mouchão, uma mulher dos 7 ofícios, trabalhadora nata que muito admiro, também vai ser; e a Janine, do meu amigo Benfiquista André Padeiro, estava escalada mas... como foi viver para a Portagem, provavelmente já não virá.

Eu meti-me nestas vidas, sem nunca o ter esperado, porque voltei a Cristo, muitos anos depois de o ter "deixado", embora isso nunca tivesse acontecido, na realidade, e Ele sabe (tendo-me ele recebido sempre, como sempre, de braços abertos); muito para tentar "captar" a minha Alice para que não tresmalhasse já como a mais velha (Leonor Sobreiro), dei a minha tarefa por cumprida, depois de ter sido o seu catequista durante 3 anos, quando soube que a sua catequista em 2018/2019, era a experiente D. Joaquina Coelho, que a iria levar ao altar para fazer a primeira comunhão, quando uniu as turmas da Beirã e Santo António, aos sábados.

Estes anos pregando Cristo, foram, para mim, uma experiência fantástica. Para ela nem tanto. Ainda hoje me perguntou, senti eu, com algum ciúme: "com que então, diz que vais ser o catequista da Sofia..." 🙄😲

E eu, mau, "Pois sim! Vou tentar uma turma diferente... A ver se me valorizam mais do que os que tinha... 😨, porque..." 😂

Empertigando-se no sofá: OLHA, FICAS JÁ A SABER QUE PAI E CATEQUISTA, NÃO DÁ!!!! PARA MIM NÃO DÁ!!! PRONTOS!!!! OU ÉS PAI, OU ÉS CATEQUISTA!!!!

(nota do redator: pois eu cá acho, que nem uma coisa, nem outra!

Mas enfim, cá estaremos, abnegadamente, para transmitir os valores que importam, em paz, respeito e amor. 

Nestas idades, será já mais um papel de quem ouve, quem apoia, quem ajuda a orientar.

Peço a Deus que, como faço todos os dias assim que os meus olhos vêem a luz, me proteja, me ilumine, e me encaminhe, na senda do bem. 🙏😇

Para além de reuniões exploratórias, para nos conhecermos melhor, a primeira grande lição será:  ser cristão, ser seguidor de Cristo é, nos dias que correm, um ato de coragem tremendo!  Basta ligarem a televisão para verem nas notícias que todos os dias são mortas milhares de pessoas que se renegam a renunciar a fé no criador, e sucumbem às balas e maus tratos.

Assim, como era no princípio, agora e sempre, Amén.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Era uma vez em… Lisboa (d’aprés Tarantino)



Foi uma semana de formação nos Mártires da Pátria, perto de S. José, para determinados funcionários de Autoridade Tributária detentores de uma licenciatura não específica, ou seja, não direcionada em concreto para a área (contabilidade, fiscalidade, economia…); mas que têm a ambição de chegarem à categoria em que deixam de ser adjuntos e chegam ao posto efetivo, principal. Mas foi também uma semana para ajudar a minha filha Leonor a encaixar-se na grande capital; e tomar eu, aquilo a que chamo, um banhinho de civilização.


Toda a gente já sabe de ginjeira que o bicho Sabi não é animal que se dê em grandes urbes. Se forem daquelas que tenham uma aldeia lá dentro, como o bairro onde a minha pequena ficará, daqueles que dá para dizer bom dia a toda a gente, de conhecermos o padeiro, o sapateiro, o homem do talho, a senhora da peixaria, e o barbeiro, que também há lá! embora eu saiba, e ele também, que não era gajo para o ajudar a enriquecer; ainda vá que não vá! Mas, quem me tira o cheiro a campo, a vaquinhas nas estradas onde corro, a ovelhinhas na tapada aqui ao lado da minha casa à noite, ao meu bar onde tomo a cerveja de glória ao final do dia, aos meus 5 minutos para o trabalho sem trânsito, tira-me tudo!

Mas… de quando, em quando… gosto muito de ir ver as montras, de ir andar de metro, de viajar de pé nos autocarros, de ver gente e o que não vejo por aqui. Assim, foram 5 dias, 5 noites, de concentração e estudo, mas também para laurear a pevide.




Há muitas fotos, muitos momentos lindos a dois, muita coisinha que fica nos nossos telemóveis, nos nossos discos rígidos, até e sobretudo nos corações, mas há aqui impressões que gostaria de trocar com os meus leitores, com vocês, a quem sempre agradeço que me queiram ouvir. Quem é que gosta de estar a falar para uma parede?

Esta é uma publicação de muito entretém, que dá direito a muita hora de qualidade, se forem aproveitados todos os brindes multimédia, séries e documentários.

A primeira impressão daquela cidade e que gostaria mesmo de partilhar é que esta Lisboa de hoje em dia, está a anos-luz daquela em que estudei e conheci no início dos anos 90, quase há 30 anos atrás. Bem, desta vez, eu sai do cinema no Amoreiras, era meia-noite, e, como não vinha nenhum autocarro… como me farto de correr por aqui… e aquilo é tudo perto… desci a avenida para o Marquês, e deste para o quarto que tinha ali por cima dos Restauradores, sem qualquer tipo de insegurança, sem qualquer vacilação, sempre a cruzar-me com polícias, municipais e dos outros, turistas nipónicos, americanos e ingleses com sacos cheiros de compras, e por aí fora. Se fosse no meu tempo… o aqueduto das águas livres é ali tão perchinho, o Casal Ventoso morava logo na encosta que dá para a Avenida de Ceuta e… sabem como é que era… desciam para o “56” que me levava para as Olaias como se fossem figurantes da série Walking Dead, com os braços magrinhos todos furados, como se tivessem estado a fazer de tapete numa turma da creche de pontilhado, cheios de caminhos para o tesouro do prazer. Ar esgazeado, olhos baços, calças velhas cheias de linhas de sangue, totalmente alienados, enfim…
Já passou.

Depois, os alfacinhas deixaram de ser como o namorado da minha antiga senhoria, o senhor Rogério, o terceiro depois de dois que tinham morrido lá em casa, nas Janelas Verdes, perto de Alcântara: cabelo curtinho às ondinhas penteadas para trás, nariz bem vermelhinho e redondinho assim pró inchado, a deixar perceber que sempre que ia à tasca da esquina não deixava de fazer gasto, e não era bem em Laranjina C; calça vincada, camisinha de manga curta de malha, palito ao canto da boca, não fosse estar para comer um petisco qualquer sem se estar à espera.
  


 Os habitantes de Lisboa agora são de todo o mundo, desembarcam aos magotes de barcos enormes que estacionam do cais das colunas para Santa Apolónia, e invadem tudo o que é rua, numa busca desenfreada por souvenirs, sejam eles poscards, ímanes para o refrigerator, ou uma tisherte de Lisabona. Enchem e inflacionam tudo, ao ponto de me ter sentado numa esplanada no Terreiro do Paço de um estabelecimento com o sugestivo nome “Catedral da Cerveja”, mas ter esperado tanto, ter chamado de igual forma, e ter passado tão despercebido, que me levantei e sai sem escusas para… ir beber uma imperial no “Martinho da Arcada” onde costumava penar um outro ser confuso, mas bem mais esclarecido, genial e visionário, também homem mas como se fosse Deus… para desta vez ali beber não um absinto como ele tanto gostava, mas uma imperial por 2 euros, ou seja, 400 paus! Livra! E eu e esta minha mania de me estar a lembrar sempre dos escudos, onde é que eles já vão…! Depois a baixa é sempre a baixa e tem ali uma mistura de história que está nas catacumbas debaixo dos pés de quem lá anda, e tragédia que ainda paira no ar desde que a terra tremeu em 1755, e ainda apor ali suspende em todos aqueles espaços ordenados às patas do cavalo de D. José, sendo a direita, a da esquerda. Pergunta para queijo no Trivial Pursuit.


Pois de dia, deu sala de aula, voltámos ao tempo de estudantes, e sobretudo ouvimos. Assim que deu ordem de largueza, da parte depois das 18h, cada um se moscou para onde queria e eu, que fui ter com o piquena assim que pude, fiz com que o banho de civilização fosse de imersão com bolhinhas coloridas e aproveitei para tentar fazer, e ter acesso a tudo o que me está vedado, na simplicidade bucólica do sítio onde tenho a graça de viver.

Na segunda fui aos filmes, coisa que tanto adoro, e faria parte do meu serão tantas vezes, se tivesse um por perto. Pois se o cinema é paixão, e o Burton, o Lynch, o Kubrick, são dos maiores profetas; Tarantino é o Midas e se há um novo por perto, a via encontrada para a sala tem de ser a mais rápida. Qualquer título da sua obra é uma aula de cinema, e desde as câmaras à história, dos atores escolhidos aos diálogos, da BANDA SONORA sempre suprema, tudo ali é perdição. Amo, adoro, quero e espero. Desta vez, a fasquia subiu e já não conta apenas com os atores de fim de catálogo como o esfuziante Steve Buscemi, ou o já infelizmente desaparecido Chris Penn, como no início; mas dispõe de duas estrelas de 1ª água de Hollywood, das mais altas que nenhuma outra desta vez, para encherem uma história que não é rocambolescamente genial como em “Reservoir Dogs”, ”Pulp Fiction”, “Kill Bill”, “Jackie Brown”, “Os oito odiados” e “Django libertado”, mas que é um mergulho profundo na meca do cinema, e num dos episódios mais estranhos e macabros da sua história, o assassinato da Sharon Tate, a coqueluche de luxo que estava grávida de Polanski. Tarantino, vale sempre a pena! Nem que seja para ver um belíssimo Di Caprio com ar lunático a queimar bacanos numa piscina com um lança chamas industrial. Muito bom.


Isto em excelente companhia! Ai se eu os pudesse casar como fazem os meus primes ciganes...
Os filhos haveriam de parecer bonequinhos da Benetton, de tão bonitinhos... Mas enfim...

Olhem, H3O me gusta! É assim que se diz?!?

Há lá idas a Roma sem tentar ver sua santidade, o Papa?!?!?!? Pode um gajo ser feliz a passar uns dias na capital sem ir assistir a uma “missa” do glorioso na catedral?!?!? Impossible! Aqui tenho de agradecer ao meu mano João Carlos Anselmo, o se ter recordado deste jogo nesse dia, e tudo ter conseguido fazer, o meu amor, para com o meu santo sogro terem esticado a passadeira que nos levou aos dois, ao piso 1, num lugar central, para uma noite de sonho. Dirão os más línguas e inbajosos que perdemos, que foi um tropeção, uma cabeçada. Pois digo eu que de cada vez que ali vou, nem sequer é só o resultado que não interessa, como a própria exibição da equipa é o que menos conta. Opáh! Aquilo ali é lindo, é sempre uma emoção, é sempre algo grandioso e uma noite enorme na minha vida! Os alemãos (escrito mesmo assim) ganharam? Olha, que se Volskswagen pelo rabo acima! Eu cá fui muita feliz. Chupem!!!



O mais complicado da noite foi a piquena que nunca mais chegava ao pé de mim, e eu já a salivar com as imperiais a jorrarem da rulote do Alto dos Moinhos;- e o cheiro a belíssima sande de leitão de ficar jantado de uma assentada só, por 5 paus, a desorientarem-me (a melhor parte para um pré-jogo, meu querido Rui Felino! Quem é que depois de conhecer aquilo pela tua mão, quer outra vez as bancas debaixo do viaduto? Nunca!). Liguei, liguei e ela… nada. Até que me atendeu e tinha-se enganado. Estava na Buraca, ou noutro sítio de desterro qualquer e eu, enquanto a aconselhava para perguntar sempre ao condutor que não custa nada e eles sabem sempre tudo, antes de embarcar, influenciei-a a meter-se mas é num uber ou num drone qualquer que a trouxesse para ao pé de mim, e me deixasse ver aquela coisa que queria tanto.


Olha, entrámos a tempo, correu tudo bem e eu, claro, fiz merda ao tentar encontrar a cadeira certa, e fui-me sentar junto ao relvado onde não se via nada bem, e… era o lugar de outros que chegaram logo depois com ar sorumbático.
- “Na, na”, disse-lhe eu, “olha aqui o número no meu bilhetinho, bébé!”!
- “Ahhhh… esse é no piso de cima, amor”, disse o gajão. “AA, não é aqui”, ou o contrário.
- PARIU!!!! Ehhhhhh… Epá. A gente ajeita-se agora aqui, senão vou a estorvar essa gente toda, estás a ver? Queres o meu colinho, ou fazes um jeitinho?”
Depois, foi-se a ver, o nosso lugar era mesmo no sítio mais espetacular, ali ao meio, a meia altura. 5 estrelas! Tão bom que só faltou… ganhar!






Perderamos...
Os macacos dos meus amigos do Puorto...

Dia sim, dia não. Depois de variarmos o peixinho para não comermos sempre carne, já pude ir descobrir se o tremendo hype que há à volta do filme Variações, é apenas o reflexo de uma paixão assolapada de um povo inteiro por um menino que vivia anos-luz à sua frente, que lhe foi roubado pela mais terrível doença do século XX; ou um filme, enquanto obra, que vale algo mais. E vale. Vale cada cêntimo pago em cada bilhete, porque tem um realizador apaixonado que tem a perspetiva certa de dar arte ao público, para que este a consuma e caso queira, admire, venere; e não se esgota na imagem de culto dele próprio como quase todos os portugueses da área sofrem, e por essa mesma razão, é que jamais sairá do casulo.






A propósito deste cometa encantador, e no seguimento da conversa de hoje com o meu amigo Dr. Vitoriano de Sanvimed, sai este documentário mágico que passou há muito, mas estará como a sua música, sempre atual.







E a homenagem a António Variações


A banda a seguir, a que quis dar nova vida à alma das músicas que o génio tinha depositado em cassete, é esta: “Os humanos”, uma superbanda com alguns dos mais geniais dos jovens artistas da música portuguesa, com a grande Manuela Azevedo dos Clã (a seguir, também), o grande Camané (gigante do fado em baixa estatura), ou o querido David Fonseca (um multi-instrumentista multi-facetado).

  
Para fechar a semana com chave de ouro, apesar de tanta insistência, fui só, assistir ao deslumbrante espetáculo “A Severa”, que conta a história desta icónica figura do fado. Após a magnífica francesinha na Tasca Pombalina do Rossio, segui só, depois de a ter deixado no autocarro que a levaria até casa. Enquanto admirava aquilo, só agradecia em silêncio, a sorte que temos de podermos contar com este La Feria em vida. Que nível absolutamente “a la” Brodway, de deixar qualquer um rendido.












Por tudo isto e muito mais, agradeço, peço, e agradeço outra vez.
Era uma vez… uma bela viagem.



Graças a Deus...

Recordando... quando a fomos lá levar...