sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Bálsamo para o ego (antes de ser marwanense)






Nem só de pão vive o homem, é certo. Há festins para o intelecto que não são materializáveis, nem quantificáveis. Não consigo expressar a alegria que tive por este gesto do meu Joaquim que há-de sempre distinguir-se dos outros Joaquins por ser o da Ammaia.  Postou ontem este vídeo delicioso no meu mural do facebook e tive de o rever, me deliciar com cada descrição, cada recomposição do ambiente, antes de poder dizer o que quer que fosse sobre isto: 




Comentei na hora mas já era tarde e sinto agora não foi suficiente. Tenho de ser justo e agradecer-lhe aqui em casa própria (na minha taberna virtual).



Bem hajas por partilhares o vídeo, pela tua entrega (e a da tua Sofia) neste sonho que todos nós subscrevemos. Imagino que deve de haver alturas difíceis, de pouco apoio em que o trabalho não é remunerado da forma mais conveniente e recorre a estratégias bolseiras que não se coadunam com a importância do vosso esforço para todos nós, os de Marvão. Mas faço questão de deixar bem claro que se eu mandasse ainda alguma coisa nisto (como se alguma vez tivesse mandado…) uma medalha de mérito do concelho iria direitinha para vós e o vosso empenho.

Adaptado ao que há, sai uma medalha de ouro do Vendo o Mundo de Binóculos do Alto de Marvão para a Fundação Cidade de Ammaia com uma réplica em prata dourada (a crise chega a todo o lado…) para o eng. Carlos Melancia, os arqueólogos Joaquim e Sofia e uma em bronze para o resto da rapaziada.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Rock Pope Rules!


Sempre tive uma esperança enorme no homem.

Depois do Ratzinger que era europeu, caquético, soturno, escolástico, parado no tempo; chega a papa este jovem latino americano adepto de futebol que marca um golo em cada lance e ensina a Igreja a dançar um tango moderno capaz de atrair as novas gerações. A visão que difunde da homossexualidade, da amamentação, da pobreza e das desigualdades fizeram-no chegar a capa da Rolling Stone, a Bíblia do Rock, blindada pelas grandes figuras desse universo. Esta edição marca um sinal dos tempos. Ainda bem que são os meus também.

Agora é mais um da galeria:











O tema do grande Bob que escolheram para intitular o seu número em letras garrafais é mais do que adequado. Perfeito, diria mesmo.





OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR

Juntem-se pessoal,
Vindos de todos os lados,
e admitam que as águas,
à volta cresceram,
e aceitem que em breve,
estarão encharcados até aos ossos,
se o vosso tempo vale a pena ser poupado
então é melhor nadarem ou
se afundarão como uma pedra,
porque os tempos estão a mudar.

Venham escritores e críticos,
Os que profetizam com a caneta,
Porque a hipótese não voltará outra vez,
E não falem muito antes,
Porque as rodas ainda giram
E não há que dizer quem,
será o nomeado  
Porque o perdedor agora,
Será o último a vencer,
Porque os tempos estão a mudar.

Venham senadores, congressistas,
Que encabecem a chamada
Não fiquem na entrada,
Não bloqueiem o hall,
Porque ele que foi ferido,
Será o que nos impediu.
Há uma batalha lá fora
Que está a começar,
Vai abanar as janelas,
E chocalhar os muros,
Porque os tempos estão a mudar.

Venham mães e pais,
De todo o território,
E não critiquem,
O que não conseguem perceber,
Os vossos filhos e filhas,
Estão para além do vosso comando,
A vossa velha estrada está,
Rapidamente a envelhecer,
Caiam fora da nova,
Se não conseguem ceder prioridade,
Porque os tempos estão a mudar.

A linha foi desenhada,
A praga está rogada,
O lento agora,
Será o rápido depois,
E o presente agora,
Será o passado depois.
A ordem está,
Rapidamente a desvanecer-se,
E o primeiro agora,
Será o último por fim,

Porque os tempos estão a mudar.



O delicioso graffiti nas ruas do Vaticano

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Janeca




Pois a vida tem destas coisas e é por isso que é (por vezes) tão difícil vive-la. Não há um livro de instruções. Não há uma relação causa-efeito. De vez em quando lá vem uma bomba assim destas que nos dá a consciência real do nosso papel. A velha estória da quarta-feira de cinzas: “lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar”. Simples, claro, conciso, duro, direto e verdadeiro.

O Janeca tinha 50 e poucos, creio que 56 anos pelo que me contaram hoje no velório. Um homem na flor da idade, aparentemente bem de saúde, sem nenhum sintoma ou problema conhecido apagou-se num clique, num flash fulminante que o roubou e varreu de espanto e desolação quem o queria. Tal qual o meu pai, com 49 anos. Viver é reviver e isto deixa marca porque é um furacão, um terremoto que abala para sempre a vida de quem está próximo.

E nós? Como será?

Só a autópsia revelará a causa certa mas agora as suposições são sempre mais que muitas e dividem-se entre um enfarte ou uma embolia. Seja qual for a causa, a certeza da consequência e a irreversibilidade da mesma deixam-nos mais pobres. Mais tristes. Mais sós.

O Janeca foi uma amizade que herdei dos meus pais. Grande amigo do meu de quem foi sempre companheiro em patuscadas,aniversários, carnavais na vila e caçadas, habituei-me sempre àquela figura bonacheira e bem disposta de bigode farfalhudo. Grande adepto portista, era costume brincarmos com a bola. Como ultimamente tem ganho sempre, costumava picar e enaltecer o dele e eu, tinha de ceder por saber que não tinha razão. A última vez que estivemos juntos foi nas finanças onde foi pagar creio que um imposto automóvel, se bem me recordo. Em conversa com o colega João recordámos uma cena que sempre ficou: a minha primeira ida a uma discoteca que foi com ele e com a Lena no papel de pais. Eu, puto, estava de férias no Algarve e eles levaram-me com o outro pessoal amigo à Trigonometria. Passaram por meu pai e mãe e nós rimo-nos desse episódio. Sempre preocupados se eu estava a sentir—me bem e a integrar-me, foram-me perguntando se não queria beber nada. Perante tanta insistência, disse que sim.

“E o que queres, Pedro?”

“Uma Coca-cola!”

Já passados tantos anos, quase trinta, ainda nos rimos os três a bom valer da cena. Eu era o puto e creio que para os amigos daquela geração, hei-de sempre ser.

Hoje, até o tempo estava mais triste, chuvoso e com muito nevoeiro que cobria tudo com um manto espesso e cinzento. Apesar disso, centenas de amigos reuniram-se e colocaram este último adeus à frente de tudo o resto na agenda. Por incrível que pareça, é nestes momentos que nos apercebemos que as tecnologias e exigências do mundo moderno não valem de nada. As pessoas são o mais importante. Sempre as pessoas. Únicas, valiosas, insubstituíveis. Abraços que não dava há anos, caras que não ouvia há muito tempo, gente que adorei ver e creio que gostou de me ver. Gente que não veria hoje se não tivesse sido por ele. Creio que o reconhecimento disso é uma bonita homenagem.


As memórias ficarão sempre. Enquanto durarmos. Dias como o de hoje, metem-nos no lugar e fazem-nos perceber o volátil que é tudo. A efemeridade da vida.



Grammy Awards 2014






 




Os Grammy Awards 2014, os óscares da música, foram ontem entregues em Los Angeles. A cerimónia ainda não está disponível na net, ou pelo menos ainda não tive tempo de a encontrar e vai ser difícil vê-la se não for por aí. Os gajos da SIC meteram-se a inventar e transmitiram o espectáculo numa televisão só para gajas que criaram e é exclusivo da Zon. A menos que a Radical seja mesmo Radical e parta a louça toda, a Sic Mulher fica com o exclusivo.

Ó tio Balsemão…: “e os gajos que tenham o MEO não são gente?!?!?!?” Bem, bem… Bem dizia o Portas quando era o puto CDS que tinha medo da televisão do Balsemão.


Do que me foi dado a conhecer pela rádio e pela tv de hoje, os galardoados mereceram mesmo sê-lo. E é bom, quando um gajo que vive aqui atrás dos calhaus concorda e acerta quase em tudo. Vê os artistas de que gosta ganhar e fica feliz. Os Daft Punk compostos dois robots encapacetados em que consta um luso descendente fizeram um álbum daqueles que vale por uma década. Sempre gostei muito e tenho diversos trabalhos deles (datados de uma altura em que ainda se compravam discos…), mas este trabalho é verdadeiramente extraordinário, com um grooove e um feeling tremendo. Esta delirante atuação com o mago Pharrel Williams e a lenda viva Stevie Wonder vai ficar como um marco da história da pop e da soul.


Mas o tema é apenas um detalhe de um disco massivo onde contam colaborações como esta genial com o Julian Casablancas dos Strokes num registo doce,


ou esta versão acelerada de um clássico,


ou este hino ao disco sound que faz mexer até os postes da rua,


MAS HÁ ALGUÉM QUE CONSIGO OUVIR ISTO SEM SENTIR FORMIGUEIRO EM TODO O CORPO?!?!?!?
  
Grammys 2014

ÁLBUM DO ANO
Random Access Memories - Daft Punk

MELHOR PERFORMANCE POP DE DUO OU DUPLA
"Get Lucky" - Daft Punk e Pharrell

SINGLE DO ANO
"Get Lucky" - Daft Punk e Pharrell

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA ELETRÔNICA/DANCE
Random Access Memories - Daft Punk

PRODUTOR DO ANO
Pharrell Williams

ARTISTA REVELAÇÃO
Macklemore & Ryan Lewis

MELHOR ÁLBUM VOCAL POP
Unorthodox Jukebox - Bruno Mars

MELHOR ÁLBUM POP VOCAL TRADICIONAL
To Be Loved - Michael Bublé

MELHOR APRESENTAÇÃO DE ROCK
"Radioactive" - Imagine Dragons

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA ALTERNATIVA
Modern Vampires Of The City - Vampire Weekend

MELHOR ÁLBUM DE R&B
Girl On Fire - Alicia Keys

domingo, 26 de janeiro de 2014

RAP renascido (na série Miranda)



Nota de rodapé a 27/01/2013, no dia que o regresso era para acontecer. A vontade de acordar com o homem era tanta que me baralhei. Pensei que era já hoje que voltava e em vez da esperada alegria,acordei com desilusão. Afinal, ainda tenho de penar mais uma semana. Mas tudo o que escrevi é válido e mantêm-se. O tio Cavaco é que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava. Também, por isso chegou a ser o manda chuva desta coisa chamada país. Eu não tenho um nível tão alto e e vez em quando espalho-me. Mi disculpa. Valeu? Morou?


Amanhã, de certeza que vai ser um dia feliz porque vou acordar com um homem.

Calma! Um dia feliz porque se trata de um tipo a quem quero muito, como humorista. Pensava que o tinha perdido de vez e ele voltou. Depois de alguns soslaios, num quarteto em que costumava aparecer, entrou agora na minha vida do nada, pelo éter. Habituei-me a ele, criei o hábito como se fosse uma droga. Acordei com a graça de ver o mundo pelos seus olhos. Tem o dom de olhar o que o rodeia sempre de uma forma inédita, com um humor tremendo que tudo transforma e transmite pela rádio. O seu trabalho, que menospreza e acha uma miudeza, tem uma acutilância extrema que revela uma noção clara do que é ser português no mundo em que vivemos. Um português inteligente, muito culto, grande benfiquista, com uma noção de timing perfeita e que domina a língua como um mestre.

Enquanto a série durar, os dias vão acordar mais felizes, enquanto tomo duche na primeira edição e quando chego ao serviço, na repetição, para reforçar.


Ainda bem que acedeu aos pedidos dos ouvintes e aceitou regressar à Rádio Comercial. Faço votos que depois desta série venha outra e outra e outra e vá editando em livro o trabalho para que fique. A minha Leonor venera-o e tem a mesma opinião destes parceiros (e atentem bem a quem eles são, de Presidentes da República e do Benfica, passando por grandes escritores e jornalistas) que aqui divulgo num testemunho de rara profundidade. Benvindo Ricardo!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

João Sozinho e os Deixados



O João Só e os Abandonados que o acompanham são um caso sério na música portuguesa. Começam logo pelo nome: o João que está Só, é acompanhado pelos Abandonados num reino onde impera a solidão, pleno de inteligência e bom gosto que começa logo pelo nome.

De estrela rockstar, o João tem muito pouco. Tem cara de bebé e é gorducho, o que não dá jeito nenhum no ecossistema do rock. Não tem pinta, não é magro, não bebe nem se droga, não tem brincos nem piercings, nem tatoos tampouco. Não sei se li algures ou inventei que o rapaz é fã dos Beatles e não podia ter melhor base musical. Os álbuns duplos vermelho e azul que compilam toda a carreira dos fabfour, são a enciclopédia musical de cabeceira de meninos como os manos Gallagher que perceberam a fórmula e a repetiram num expoente potenciado pelo seu talento.

O João escreve em português, utiliza a métrica e a língua de uma forma elegante, dizendo no universo pop, coisas que ficam.

Depois do acidente, tive de reaprender a organizar os hábitos que tinha antes de quase ter visto o fim da coisa. Tornei-me então menos egoísta, ainda mais social, menos virado para mim e mais para os outros, sobretudo para as pequenas. Se já muita atenção lhes dava, passei ao dobro ou ao triplo, ou quádruplo. Passaram a ser a prioridade única e intocável. Passei a ver televisão em família depois de jantar, o que era para mim impensável antes disto acontecer. Comecei com a Gabriela (sim, confesso, muito por causa do mulherio brasuca que enchia a vista, sobretudo a divinal Juliana Paes e o trabalho soberbo do romance do Jorge Amado) e via também uma portuguesa Dancing Days onde este tema delicioso fazia parte da banda sonora. Um dueto doce com a Lúcia Moniz e uma música de amor tremendamente bela.




Passei a olhar com outros olhos e a gostar do trabalho deste rapazola que tem ar bonacheirão de bom rapaz e não parou de me surpreender…







segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

AI SPIK DA TRÚ!


A cena é absolutamente hilariante e tem feito as delícias das redes sociais nesta semana que passou. A mim divertiu-me imenso porque é inimaginável e do nunca visto. Não acredito que não haja quem não tenha visionado mas ainda assim, para que conste nos anais, eu explico: o Vítor Pereira nunca soube grande coisa de futebol mas em Portugal teve a sorte de cair no Porto, onde a máquina está mais que bem montada e foi por 2 vezes campeão nacional, a última das quais quase sem saber ler nem escrever. Caiu-lhe do céu com um remate e ele agradeceu de joelhos . Não contente com todo este fortuito foi ganhar ainda mais para as arábias, para onde foi treinar o Al-Ahli.

A cena dá-se numa conferência de imprensa. Um bornal qualquer que está a traduzir as palavras do mister, começa a repreendê-lo. Desautoriza-o em direto dizendo aquilo que pode e não dizer. Uma cena de antologia.


Disse-lhe: ““Epá, ó Zezinho, olha lá que não te podes meter a falar disto e daquilo e nem pensas em falares do outro. Tens que falar só sobre o jogo, ok? Olha lá a tua vida!”



Só consegui apanhar a reportagem da RTP, feita pela RTP norte que claro defende o treinador deles, quando a da SIC o deixava exibir o ridículo. O que safa é que na busca, apanhei esta versão de ir às lágrimas do Nilton num nível altíssimo.




Pois o que realmente aconteceu é que o Vítor tentou levantar cabelo respondendo de uma forma e num inglês delicioso, pela entoação e vocabulário. A brilhante marca Cão Azul já se soube muito bem aproveitar assim:


  
E o Markl também esteve muito bem quando utilizou as palavras para fazer com elas uma versão clássica do tema dos Spandau Ballet.



Não esteve tão bem quando classificou a atitude do mister Vitor Pereira de ter tido uma atitude punk, do tipo de rasgar tudo. Na verdade, o Vítor Pereira foi um derinho, um bornal a quem disseram como é que era. Se ele os tivesse no sítio e bem grandes como ouvi dizer nos comentários, tinha batido com a porta e vindo-se embora, deixando o árabe a falar sozinho. Mas aquilo com que se compram os melões fala mais alto e o Arafat aquele avisou-o: “Ó rapazinho, nota bem: estes moços estão aqui para te ouvirem falar do jogo como eu quero e não lhe vais fazer essa desfeita de te ires embora.” Ele sentou-se e amouchou como um bezerrinho. Caro Markl, foi punk o catano! Punk punk, foi o grande Toni numa atitude “punk à Benfica” que meteu os Ayatollahs jornalistas no lugar. Assim, sim! “Punk à Benfica”, c***lho!




www.youtube.com/watch?v=YmRK4cPmMI0

sábado, 18 de janeiro de 2014

O grande Bruno Mars


Depois de um dia inteiro passado em limpezas (aspirar, limpar o pó, fazer as camas, arrumar, não é exclusivo das mulheres e a mim não me custa nada nem me caem os parentes na lama, antes pelo contrário que até gosto de ajudar no que também é meu), termino o dia dando-me banhinho também a mim que até fico a destoar em tanto asseio.

A banda sonora vem, como é habitual, da Comercial onde ouço o João Vaz a apresentar o itunes Chart. Assim de empreitada, ouço dois temas seguidos do Bruno Mars e enquanto o ouço, penso no post que ando a pensar fazer sobre ele há muito tempo. Decidi no chuveiro que não pode passar de hoje.

A notícia indicava que o Bruno vai atuar no intervalo do Super Bowl que é o momento televisivo de maior audiência nos Estados Unidos. Os americanos ficam doidos a ver esta transmissão de um jogo que só eles percebem e só eles têm paciência para aturar.

Espero que não mostre uma mama como a mana do outro mas de certeza que vai dar espectáculo, porque este menino é grande, este rapaz é ENORME. Vai a todos os estilos de música, toca tudo e compõe. Acho que a haver um rei da Pop no tempo da minha vida não é certamente o Michael Jackson que tinha o Quincy Jones por trás, e não vai de certeza aparecer outro como o Bruno tão depressa. Só espero que ele não queira ficar branco como o outro, nem se meta nas drogas, nem nas velocidades porque vai com toda a certeza compor muitíssimos belíssimos temas para figurarem na banda sonora da minha vida, como expliquei aqui.

Para provar o grande que é aqui em casa, a minha filha tem um poster dele colado na porta do armário, de raibantes, camisa havaiana e um estilo do catano. Com a idade dela, eu tinha os Scorpions e os A-ha no meu. L A miúda está muito à frente.

A primeira música que passou hoje na rádio é um tema belíssimo que graças a Deus não me serve porque estou casado com a que amo. Quem canta é um homem que ama uma mulher que perdeu, presume-se que por ciúmes. Mas apesar dessa perda, o amor perdura e continua a quere-la bem e a desejar-lhe o melhor. Se se pensar bem, dói até de ouvir.



A segunda música continua a ser um tema de amor, mas desta vez é dançável e típico dos anos 70 que recria na perfeição a nível sonoro e visual (coreografia incluída) num vídeo absolutamente delicioso. 



Ponho-me a ouvir isto e só me apetece dançar. Eu que nunca fui assim um dançarino de nível, tive a sorte de partilhar a pista de dança com monstros sagrados dos anos 80 como os amigos “Chico da Cavalinha”, “Dimas”, ou “Palita”, autênticos reis d’ “A Cave” cujas coreografias ainda sei imitar de cor. Mas com esta banda sonora só me apetece ligar ao Luís Barradas que agora preside o Grupo Desportivo Arenense e muito bem, para chamar o DJ Luís Reis e voltar a fazer matinées aos domingos como dantes. Isso é que era! Quem sabe? Vou publicar na página de facebook do GDA a ver se cola. J


Se não se tentar… o não está certo. J

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Enfim salvo



O portátil é muito bem capaz de ser hoje o eletrodoméstico mais importante cá de casa. Isto numa altura em que comprovo que o computador tem uma força incrível que nunca imaginei que pudesse vir a ter. Bem sei que há outros domésticos eletrónicos importantíssimos como a televisão, o frigorífico, as máquinas de lavar a roupa e louça, o microondas, o fogão, a aparelhagem, o dvd, o vídeo, o esquentador (que se deixou minorar há anos pelas placas solares), a máquina de café mas… o computador, o computador tem que se lhe diga porque conjuga muitos deles. Ainda não tira cafés mas dá para ver filmes e ouvir música, por exemplo.

         Para já, o pc dá para nos relacionarmos com o mundo que com ele conseguimos reduzir a uma aldeia global. Dá-nos assim uma forma privilegiada para nos envolvermos com esse meio e os seus habitantes. Potenciado pelo facebook que transforma essa mesma aldeia numa rua, agora desde que o ligamos, podemos encontrar o pessoal todo que agora sempre tem que dizer, que comentar, que potenciar e hiperligar. Toda a gente domina, toda a gente é um blogger. O facebook está para os blogues como as “Novas Oportunidades” do Sócrates estão para a escolaridade convencional.

         Depois, como em minha casa manda o M4o, com a fantástica opção do Meo go!, o ecrã do computador é também a televisão que anda pela casa toda, até onde dantes não havia uma. Anda pela cozinha onde deixou de funcionar a que lá estava em cima do frigorífico por causa da TDT, anda pelas casas de banho, anda pelo sótão… Hoje, o pc é também tv!

          Além disso, o pc é também a discoteca ideal, ou seja, a discoteca que vamos construindo à medida dos desejos diários, daquela música que ouvimos e procuramos. O mais fácil é recorrer ao Spotify ou a torrents, mas sacamos o que queremos em mp3 até do youtube, quanto mais. Vêem como o computador vale muito?

         Quem fala em discos, fala em filmes, programas, livros, revistas, jornais e até o futebol que se vê à borliú.

Pois o computador é muito importante… quando trabalha. Há dias empancou e nem para trás, nem para a frente. O Sony Vaio é uma boa máquina mas estava lento, pesado, sem andar e eu, o craque a informática na ótica do utilizador, mais parecia um boi a olhar para um palácio. Zero, nada, niente. Quem me valeu, como sempre, foi o meu amigo Márcio Almeida que pelo preço da amizade me ajudou e salvou do vazio. Ele com a sua forma bonacheira, calma e tranquila de ver o mundo disse que não fez nada demais. Ah pois é… Ajudar um amigo não custa mas… só o ajudado sabe realmente valorizar o apoio.

Neste dias andei feito crava a suplicar à Leonor para me deixar dar uma voltinha no Toshiba, à Alice para me emprestar o tablet dela mas hoje, com tempo e vagar, desfruto finalmente do renascimento do meu pequenino, depois de estar refém do Alien Nation, o vírus zombie que me fez quase regressar à idade da pedra e me tem mantido afastado destas lides.

Regresso assim, salvo pelo Márcio, o meu endireita informático, que fez com o meu computador o que o tio Chico de Alter do Chão fazia com os pés inchados e torcidos das quedas e correrias.


Bem hajas, amigo. I´m back. Again. J

domingo, 12 de janeiro de 2014

A Ana do Infantário



A Ana Pinheiro é amiga de longa data, mesmo muito longa data e só não digo quão longa é a data porque pode dar azo a pensarem que a gente é velhos e a gente não é, prontos. Eu posso já não ser assim um rapazola e ter pouca penugem no casco (sim, porque olheiras sempre tive!) e ela pode ter cabelinhos brancos mas ainda somos novos. Sempre me habituei à presença dela e da mana que, quando eu era puto, eram duas cachopas novas ali das beiras que tinham vindo trabalhar cá para o infantário. Depois a mana casou e emigrou para Espanha mas a Ana sempre foi ficando por cá. Sendo das amizades dos meus pais, foi uma amizade herdada por mim, em muito reforçada pelo seu casamento com o Zé Manuel Baltazar, um companheirão das Covilhãs, a quem sou muito chegado.

Maneira que a Ana e o Infantário foram sempre, no meu universo mental, dois conjuntos interligados. A Ana foi responsável pela sala da minha Alice e sempre nos demos do melhor. Neste tempo de atividade, nestes anos todos, ajudou a educar gerações de arenenses e marvanense que hoje têm com ela uma boa relação. Pelo que me é dado a saber, é uma relação mais ou menos próxima porque nem todos podemos agradar a toda a gente e cada um nutrirá por ela maior ou menor afeto, e é natural que assim seja. Como eu costumo dizer, “Cristo que foi Cristo, com 33 anos já estava cravado no barrote. Se isto aconteceu com ele e tinha a cunha do Pai, não se pode mesmo agradar a toda a gente”.´

Já estive muito ligado à câmara municipal, à educação e à ação social. Agora, de longe, vou acompanhando o que posso e apanho. É certo que não me esforço muito. Não vou assistir às reuniões de câmara, nem às assembleias municipais porque não quero e estou a viver assim uma fase de negação, de “euquélásabêdisse”, como era o grupo do meu amigo Manuel Coelho.

Entretanto, a minha Alice passou para o pré-escolar que funciona na escola, mas sei que quanto ao infantário houve recentemente grandes alterações. Penso que com anuência do município, a segurança social deu espaço à APPCDM de Portalegre e a Ana foi convidada a sair. Aconselhada a descontinuar o seu trabalho naquele local. Foi transferida para a Segurança Social em Marvão e ela diz-me que se sente feliz ali, que gosta de estar onde está. Eu sei que pode estar, de facto, e quero muito que esteja. Não tenho falado muito com ela sobre o assunto, nem tenho intimidade para tal. Mas preocupo-me.

Pelo que me foi dado a saber, a sua mudança foi motivada pelas queixas de alguns pais e é isso que me preocupa. Que queixas terão feito dela quando nada em concreto lhe foi apontado? Se não foi acusada de nenhuma agressão, nenhum gesto óbvio que a incompatibilizasse com uma criança/pai/mãe, porquê esta mudança? Será que desaprendeu aquilo que sempre fez ou será que “dantes comiam porque estavam menos informados e não tinham novas tecnologias, internet e smartphones?”

Ou será que são os pais de agora que estão mais despertos, a quererem melhores profissionais que a Ana que ajudou a criar tantos arenenses? Será que os pais de hoje estão mais preocupados com a educação dos filhos do que estavam os nossos? E será que a gente, os produtos daquela educação que agora não querem, não presta?

Há dias, a Ana pediu-me boleia de Marvão e eu trouxe-a até casa. Falou-me vagamente neste texto que aqui vou publicar. Disse-me que tinha escrito um agradecimento a quem a tinha apoiado e gostava de o publicar num jornal. Falou-me se não conhecia ninguém no “Fonte Nova”. Disse-lhe que sim, que conhecia o Aurélio Bentes Bravo que era o diretor, mas disse-lhe também, sem me ter perguntado, que esse jornal é mais lido na cidade e tem pouca expressão aqui no concelho. Falei-lhe que era muito amigo do Manuel Isaac do “Alto Alentejo”, desde os tempos (curiosamente) em que ele era jornalista do “Fonte Nova” e eu, diretor do “Altaneiro”. Falei com ele e acordámos o valor para esta publicidade pessoal por forma a não ferir susceptibilidades nas entidades envolvidas.

A Ana tem uma sobrinha que está a fazer uma pós-graduação em jornalismo que a ajudou a fazer o texto. Publico-o como o recebi, como o publicou no jornal.

Percebendo-o, sentindo-o, desejando-lhe o melhor.


Espero ter ajudado a fazer justiça, querida.


Eu, Ana Maria Serôdia Pinheiro, venho por este meio, deixar uma palavra de agradecimento a todas as pessoas que de uma forma ou outra, estiveram do meu lado, me apoiaram, ajudaram e tiveram sempre uma palavra amiga para me confortar, numa fase complicada e desagradável, a qual também aproveito para clarificar.

Há cerca de 33 anos que me encontrava a trabalhar no Centro Infantil de Santo António das Areias, 7 anos dos quais como responsável, possuindo um contrato de trabalho com afectação à Segurança Social. Em 2013, face à reestruturação imposta ao nível Governamental e após a realização de um Protocolo entre a Câmara Municipal e a APPACDM, esta entidade assumiu a gestão do Infantário. Assim, a partir Setembro 2013, a Direcção do Centro Infantil de Santo António das Areias ficou a cargo da Instituição APPACDM. 

Antes de mais gostaria de deixar claro, que nunca pertenci nem pertenço contratualmente a esta Instituição. Aquando da reunião de tomada de posse desta entidade, bem como, da definição e atribuição das funções da equipa constituída, fui confrontada com uma série de situações que considero injustas e as quais pretendo aqui descrever e esclarecer, visto nunca me ter sido dada essa oportunidade.

Logo no primeiro dia de trabalho após a entrada desta entidade, a mãe de uma criança referiu-me que não pretendia que o seu filho ficasse na minha sala, situação à qual a educadora lhe referiu que qualquer tipo de queixa que pretendesse fazer, só seria aceite por escrito. Nos dias seguintes, o pai da criança só deixava a criança na minha sala caso eu não estivesse lá sozinha.

Posteriormente numa conversa com a nova Diretora foi-me comunicado, que este era apenas um caso de entre outros existentes, observação que mais uma vez me surpreendeu visto o Infantário ser detentor de um livro de reclamações onde até à data, não existia nenhuma reclamação com referência ao meu nome. Sublinho, que também nunca me foram mostradas provas evidentes das acusações que me estavam a ser efectuadas, facto que me leva a crer a inexistência das mesmas.

Para além deste facto, e segundo me foi relatado, no decorrer da primeira reunião de pais com a nova Direção, foi também questionada a existência de um atestado médico o qual justificava a minha permanência definitiva como responsável do Berçário 1. Sublinho, que este atestado existe já desde 2002, o qual apesar da sua veracidade dei indicação que ignorassem, com receio não me trouxesse futuros dissabores.

Bem, perante a minha perplexidade face a esta situação, na medida em que, e quem me conhece sabe, nunca apresentei comportamentos que levassem a algum tipo de descontentamento por parte dos pais das crianças, solicitei que me fosse mostrada ou me fosse dado conhecimento do conteúdo exato da referida reclamação, o que nunca chegou a acontecer. Solicitei uma reunião conjunta com a anterior Diretora do Infantário, a nova Direção e os pais da respectiva criança o que também nunca veio a acontecer. Os pertences queixosos, tem certamente muito pouco conhecimento sobre o trabalho até aqui desenvolvido por mim, desconhecendo o elevado desconforto e descontrolo profissional que a partir daqui se gerou.

Ora perante tudo isto, gostaria de deixar claro, que sempre tentei primar por uma postura de elevado profissionalismo no decorrer destes 33 anos de serviço no mesmo estabelecimento, não admitindo por isso que o meu bom nome seja posto em causa desta forma.

É importante que se perceba, que quando se acusa alguém, devemos ter provas concretas das afirmações que fazemos, quem analisa deverá ter pois a capacidade de, já que mais não seja, analisar e debater os factos, não os tratando de forma banal, e acima de tudo conhecer as pessoas de quem falamos na medida em que podemos estar a cometer uma forte injustiça a alguém, tomando as posições erradas.

Porque esclarecer é necessário, porque confiar no trabalho dos outros é importante e porque há histórias que merecem ser conhecidas, obrigada a todas as pessoas que continuam a merecer a minha consideração.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eusébio



Não quero destoar do sentimento geral porque também lamento a perda de um homem cuja grandiosidade futebolística, humildade em campo e na vida, fizeram dele um caso único. Mas também não me posso deixar enrolar na onda de consternação gratuita que leva crianças e gente que nunca o viu jogar, chorar comovidos só porque sim, só porque ele morreu, com muitas lágrimas para a câmara que sabem que está ali a registar cada gota.

Era muito novo, como disse o grande Ricardo Araújo Pereira, mas ainda assim, passava dos 70 e a sua morte, atendendo ao seu estilo de vida muito pouco regrado, não foi tão chocante como a da princesa Diana que foi ainda mais trágica pela sua tenra idade, beleza, contornos palacianos conspirativos e pela forma acidental como aconteceu.

Custa-me a sua perda mas choca-me muito viver num país onde ontem não houve mais notícias em qualquer um dos canais. Só aquela notícia interessava. Nem crise, nem tempo, nem qualquer problema. Um homem morreu.

Choca-me como me chocou o funeral transmitido em direto quando caia a noite e só a luz das câmaras iluminava, num espectáculo que ainda me custa descrever. Ainda não mastiguei cerebralmente e acho que vou passar a noite e talvez o dia de amanhã a ruminar a coisa.

Estranho país, este. Estranho país, o nosso. Estranho mundo.

Por grande que fosse, era apenas um homem que dava uns chutos na bola. Carlos Mozer tocou no cerne da questão com este comentário, partilhado pelo meu Chico da Portela.



Nelson Mandela foi um homem cuja alma ultrapassou em muito a nossa vivência de comuns mortais. Viveu numa cela exígua durante quase 40 anos, soube perdoar a quem o torturou e chefiou a sua nação, espalhando o bem e o amor quando o ódio era o sentimento mais óbvio.

Há que saber separar as águas. O meu, o nosso campeonato é um. O do Eusébio é outro e o de homens como o Nélson Mandela é outro, à parte, de outra galáxia.

Como neste caso não se aplica o “rei morto, rei posto” porque não há quem possa ocupar o cargo, marco a data com as publicações no meu mural do facebook, de amigos que muito estimo e aos quais agradeço o gesto: o meu querido primo e amigo Jorge Rosado e da minha querida amiga Maria da Conceição Mota, com as queridas Cidália, Teresa Maria Reis e auxiliares que nos acompanharam nessa visita inesquecível.