sábado, 30 de março de 2013

Sábado de aleluia (com a Alice!)





Eu e a minha Cristina damos-nos muito bem. Muito bem mesmo. Tão bem (e olhem que penso muitas vezes nisto) que parece impossível ser verdade. Conhecemos-nos tão bem, sabemos tão bem o que o outro está a pensar que nem precisamos falar.


Hoje dormimos separados. Cada um na cama da cada filha. Eu, na cama da mais pequena com a qual me tinha ido deitar. Ela com a Leonor com a qual se deitou depois. A mãe esteve nos seus trabalhos manuais pela noite fora e a mais velha a ver televisão. Acordámos precisamente à mesma hora. Encontramo-nos no corredor. Demos um abraço. Ela perguntou: “fazemos já a nossa cama?”. Respondi: “Isto é que está uma casa bem arrumada! Os pais encontram-se para fazer a cama na qual nem sequer dormiram!”.


Damo-nos tão bem que a sintonia até me assusta. Nunca discutimos. Será que isto é possível? Duas pessoas entenderem-se assim tão bem? Isto assusta-me porque me faz lembrar o filme do Drácula do Coppola, um dos meus favoritos de sempre. Nele, o amor entre o Vlad Tepes, o empalador, e Mina era tão grande que eles se iam perdendo e reencontrando ao longo dos tempos, ao longo das vidas. Dou graças a Deus por este amor ser possível, por se terem encontrado duas almas gémeas no mesmo tempo de vida. Até me parece estranho que nós tenhamos sido tão estúpidos que tenhamos encontrado outras pessoas ao longo da nossa vida. Tão estúpidos que fomos que não percebemos o que é óbvio por demais.


Mas hoje estamos bem. Calmos, seguros, a viver um sonho lindo, numa casa linda e com duas filhas lindas. Eu não tenho medo de invejas e macumbas por estar a dizer isto. Quando temos Deus do nosso lado e acreditamos, nada tememos.


Mas a conversa que aqui hoje me trouxe não é sobre o amor, sobre a Cristina e eu.


Venho aqui para vos falar na nossa Alice.


É um ponto e por mais que se diga, nunca é suficiente. Faço votos sinceros que isto do blogger nunca acabe e ela possa no futuro mostrar aos filhos e netos o que escrevi sobre ela. Faço votos que o blogger dure mais tempo que eu. Um diário passa de geração em geração. Um diário online, público, do século XXI é coisa de nível e para durar.


Nos últimos dias tenho estado de férias, por cortesia dos meus colegas e chefes, Emília e João que mo permitiram. Apesar de serem tempos trabalhosos dos últimos dias do IRS, deixaram que tirasse estes dias para estar com a família: pequenas, mulher, o meu irmão, seus filhos e mulher que vieram de propósito do Algarve, onde vivem. Nestes últimos dias, a minha Cris tem trabalhado. Tenho sido eu o encarregado das pequenas em casa. Um problema. Uma alegria mas um problema. Uma porque tem a idade de já não querer tomar banho. Ser alérgica à esponja, vá, digamos assim. Guerras todos os dias por isso. A mais pequena porque quer banho a mais. Uma de menos, outra de mais. A sorte de um pai.


A Cristina disse que hoje, a pequena não precisava lavar a cabeça porque ontem tomou banho. Eu sei que não precisava, mas se tomo banho todos os dias e todos os dias lavo o pouco cabelo que ainda vou tendo, porque não pode ou deve ela? Claro que lhe dei banho, lavei o cabelo e vesti.


De manhã, a Cristina tinha ido às compras cá para casa. Coisas que faziam falta para passarmos a Páscoa todos juntos no domingo, como é tradição na família. Eu, voltei a estar de faxina. Dei banhinho à marquesa. Correu tudo muito bem. Gostou de tomar, gostei de lhe dar e ia tudo muito bem. Perfeito. Até que enquanto a limpava começou (do nada!) a fazer uma birra.


“Alice, filha, mas porque é que tu choras? Se o pai é tão teu amigo e te faz todas as vontades, porque é que choras se estavas tão bem disposta?”


Ela continuava inconsolável. Parecia que era o fim do mundo.


Até que abriu a boca, do nada, diga-se bem claro: “É que eu quero ser loira!”.


“O quê?!?!?!?!”. (Pensei. Não com tantas exclamações mas com o natural ar de parvo, agindo naturalmente, como se não fosse nada comigo).


“Ó Alice: tu queres o quê? (para me certificar, tinha de perguntar).


Em lamúria… “Eu quero ser loira.”


(Nota do redator:  atenção que não é loura! É loira. É como a diferença de dizer touro ou toiro. Mesmo que o gajo nos marre e mate, chama-lo de toiro, tem muito mais nível e cagança).


“Eu quero ser loira.”


Como se não tivesse motivo suficiente para ir construindo este texto na cabeça enquanto fui passear com ela e a Leonor na volta que demos ao bairro depois do almoço, a pequena de bicicleta e a grande de patins, a menina Alice ainda se saiu com outra.


Combinamos que eu ia com elas dar uma voltinha se dormissem a sesta de tarde. Claro que a Leonor já não dorme a sesta mas a pequena tirana, se não dormir, não tem quem consiga aturar durante a noite. Ficou combinado que depois do passeio, era sesta. (Quando comecei este texto ainda não tinha dormido. Já lá esteve mais de uma hora com a mana, agora com a mãe e ainda não conseguiu dormir. Agora está a dizer pelo intercomunicador que já não quer dormir quando ainda não dormiu um segundo. É de desistir”!


A mãe diz-lhe e com razão: “és feia. Fizemos contigo o que tu querias e agora não queres fazer connosco o que prometeste. Agora disse-lhe que a trazia para baixo mas que se fizesse a primeira birra, levava logo uma nalgada.


Desceram. Agora já tenho a pequena aqui ao meu lado, a olhar para mim com ar sério. Como se não fosse nada com ela.


Cá em baixo, a Cristina contou-me a rir: “Disse-lhe que…”


“Eu ouvi tudo pelo intercomunicador, Cristina. Não precisas…”.


A Cristina continuou, “mas depois de desligar o intercomunicador, ela disse-me que não gostava do meu cabelo. Da cor do meu cabelo. Disse-me que o tinha de ter vermelho. Ou melhor, cor-de-laranja!”.


Dá para conseguir explicar a complexidade de ser pai e mãe de uma criança assim?

quinta-feira, 28 de março de 2013

As minhas medalhas de Mérito, de Pedro Sobreiro: para a Catarina e Nuno Machado




Se fosse eu que mandasse nisto, neste ano atribuía as medalhas do concelho à Catarina Machado e ao Nuno Machado. Teria que rever as regras mas, se não pudesse ser a de ouro, dava-lhe a de prata pelo seu espírito empreendedor, pelo seu arrojo e audácia.


Quem lá está agora certamente não terá a inteligência de o fazer. Agora que eu o defendi aqui, mais difícil se torna. Ou… Deixa cá ver. Não o fazerem seria o que todos esperávamos agora, mas só para serem do contra e para chatear… até pode ser. Bem, deixemo-nos de conversa da treta e vamos diretos ao assunto.


As medalhas de mérito do município são uma honra para a instituição da qual muito trabalhei. Eu e o meu querido amigo Dr. Carlos Sequeira, então presidente da Assembleia Municipal, que também deu o salto no final do primeiro mandato, sem nada termos combinado. Quando se apercebeu da maleita que ia abordo do navio onde embarcamos de boa fé, grande espírito marvanense e peito aberto, marchou. Hoje as medalhas são o que delas fizeram: mais um isco para ganhar votos. Transformaram-se naquilo que quem as criou não as queria. Mas Deus é grande. Mais cedo ou mais tarde, há-de escrever direito por linhas tortas. Como sempre faz.


Para todos os marvanenses que se prezem, que aqui nasceram e cá têm os seus enterrados neste solo do concelho de Marvão, esta Catarina é de se lhe tirar o chapéu. Tem sido uma marvanense à força, mas mérito que ninguém lhe tira. Tem sido persistente. Tem trabalhado para isso. A ver se eu consigo dizer tudo o que quero sem maçar ninguém.


A Catarina quando chegou ao concelho era só Bucho. A filha do Domingos Bucho. Veio para Marvão para ser a técnica responsável pela Casa da Cultura. Licenciada creio que em história, tinha também a incumbência de se responsabilizar pela gestão e recuperação do arquivo municipal. Fazia falta e foi ficando. Não teve, por exemplo, a sorte que teve a minha mulher que entrou para efetiva no tempo do presidente Manuel Bugalho, do Partido Socialista, quando tinha começado a estagiar no tempo do presidente António Andrade do PSD. Fazia falta e ficou, pelo mérito próprio e apesar dos partidos. Pessoas de nível meteram uma funcionária de nível.


A Catarina estagiou no tempo do Dr. Manuel Bugalho e agora, no tempo do Vítor Frutuoso, foi fora. Por puro e simples saneamento político. Aos olhos de quem manda, se faz o mesmo que fazem (ou pretendem fazer) outras já da casa, mais em conta (para quem manda as contas são feitas assim) para quê a manter?


Mas a Catarina não esmoreceu. Soube resistir. Esforçou-se e vai-se restabelecendo e estabelecendo por conta muito própria. Esta mulher, que se fez Machado ao casar com o Nuno é uma resistente. Uma lutadora. Esta mulher que já deu dois filhos lindos a esta terra, não cai à primeira. Sempre com o apoio do seu marido, decidiu não virar costas a Marvão. Ainda bem que decidiu ficar por cá. O mais fácil teria sido sair, virar costas de vez. Mas não! Virou só as costas a alguns, mas não ao concelho.


Hoje tem um projecto grande, lindo que consiste numa pensão e numa mercearia. A parte residencial ainda está ser estudada, preparada com muito afinco. Passo a passo. A parte que está já disponível é a da venda ao público. Uma espécie de Modelo (para quem não tem carro, está longe dos grandes centros, precisa do imediato a bom preço) misturado com uma loja de turismo, uma gift shop para os turistas. Há lá de tudo. Está tão bonito e cuidado que é um regalo. Decorada com imagens das lojas de Marvão, com pormenores deliciosos como o relógio de parede, pormenores que para quem sabe, fazem toda a diferença.


Eu conheço bem a Catarina. Tenho o prazer de poder dizer que sou seu amigo. Fui chefe dela enquanto vice-presidente da câmara e vereador da cultura. Como funcionária é inexcedível. Preocupada, meticulosa, simpática. Tratava tudo como se fosse de uma importância extrema. Dava gosto vê-la a esmerar-se assim. Recordo que dantes (ainda não sei se hoje funciona) dinamizava a biblioteca itinerante da câmara que ia de terra em terra, emprestar livros e filmes. Um festim de cultura! As crianças adoravam-na. Vê-las correr para a carrinha quando chegava fazia-me lembrar a importância que tinha no meu tempo a carrinha da Gulbenkian. Os leitores adoravam a biblioteca da Catarina. Os mais idosos adoravam-na. As minhas tias da Beirã, as donas da mercearia da Beirã, esperavam por ela e iam sempre cumprimentá-la.


Todos sucumbem perante o seu fascínio. Hoje, os clientes, todos os que visitam o espaço e as televisões que não se tiram de lá. No dia que lá fui tirar as fotos para ilustrar este texto, era a TVI que captava imagens. Todos percebem a sua importância, menos os da casa grande que fica no cimo da colina. Menos os da câmara. Os que quando lá passaram nas comemorações do 25 de Abril, do dia da liberdade, ela presenteou com um cravo a cada um. Uma coisa de nível! Não sei se perceberam o gesto da Catarina mas se percebessem (não sei se é pedir muito), haveriam de ter pensado que há estalos que doem mais.


E quem escreve isto sou eu, Pedro Sobreiro, no seu púlpito virtual pessoal, sem medo de nada, nem ninguém. O Pedro que apenas ouve e respeita Deus. Mas o Pedro que nada, nem ninguém, teme.


Tenho dito.


PS: Querem saber como é boa a loja? Têm de lá ir. Eu fui, para estes bons motivos e saí logo a ganhar: uma deliciosa boleima de castanha. Se querem ganhar também, têm de visitar e conhecer. 

Abram o apetite...


























quarta-feira, 27 de março de 2013

Ontem fui à peixaria do Bento (no facebook)

Paulo Bento não aceita postas de pescada



Sempre dormi pouco. Poucas horas de sono chegam-me para conseguir repor os níveis. Depois do acidente, fiquei ainda pior.

Durmo, por hábito, 6 horas.

7 horas, só em dia de festa. Muito raramente. 

No outro dia, encontrei-me com o doutor espanhol Vitoriano no serviço de finanças. Como somos amigos, perguntei-lhe se estas não seriam poucas horas de sono. Ele perguntou-me: "y porque quieres dormir más?".

Sorri e percebi.

Como acuerdo muy temprano, vejo sempre as notícias madrugadoras.

Hoje, assim que acordei, vi a resposta do Paulo Bento às bocas do Pinto da Costa. Aqui.

Realmente, verdade seja dita que a selecção tem jogado pouco ultimamente.

Mas ataques vis e rasteiros, habituais no papa do norte, não têm jeito de nada.

Maldade.

Qualquer dia, aquele homem morde a língua e morre envenenado.

O Bento respondeu-lhe com nível. Encheu o peito de ar e fez frente à besta. Disse que quem manda na selecção é ele. E bem. Assumiu e assinou por baixo.

Postas de pescada não, digo eu. Postas de alforreca. Cobarde, má e silenciosa.

domingo, 24 de março de 2013

Twilight zone: O regresso de José Sócrates à RTP




Tenho lido e visto muito sobre o regresso de Sócrates à RTP. E já falta pouco, menos de um mês. É um assunto que me fascina, me espanta e assombra. É uma questão que acho passível de múltiplas leituras.


De todos os que me merecem respeito e vejo com atenção, foi aos Homens da Luta, do programa Sábado à Luta da SIC que gravo sempre e nunca perco que ouvi a melhor frase sobre o regresso. O grande Jel e o seu irmão Falâncio disseram que o regresso de Sócrates ao comentário político à RTP era tão disparatado como meter o Carlos Cruz a apresentar a Rua Sésamo. Muito bom. Nota máxima para isto. Humor um pouco negro mas do mais fino recorte. Há coisas que não se fazem. Pensar já é mal. Fazer é pior.


Com isto disseram tudo.


É muito cedo. A ferida ainda está muito aberta. Eu, ao contrário dos que assinam petições, vou fazer aquilo que não deveria fazer: vou ver e seguir com atenção.


O Sócrates é como o Relvas. Um fiasco. Ou mais: é pior. É mais refinado. É um pantomineiro de primeira. Tem classe no que faz. O Relvas é brutinho e ponto. Este não. É elaborado. Uma coisa é um indivíduo dizer que não sabe nada. Outra é um indivíduo não saber, dizer que sabe e sair-se bem ao dizê-lo.


Este engenheiro da treta só se meteu em trapalhadas. Não fez uma certa.


O Sócrates é uma cabra refinada.


Quero ver o que aí vem. E quem é que paga?


Este regresso é uma jogada muito positiva para o PSD. É tão rebuscada e tão elaborada que não pode ser do Relvas. Mesmo que ele quisesse, não chegava lá. É jogo demais para ele.


O homem andou a estudar filosofia em França. Imaginem bem. Filosofia! Um curso da tanga mas certamente com nível.


O único triste que não consegue compreender o absurdo de tudo isto é o António José Seguro,


Pudor, meus senhores. Pudor. Será que esta gentalha compreende o poder desta palavra?


 Pudor.


Tudo se resume a isto.


Eu sei que para quem não compreende isto é difícil perceber a complicação da coisa. Mas eu posso tentar explicar.


Aquilo que o bom do Sócrates vem fazer é tudo menos comentar política. Ele vem fazer política. Fazer política, mesmo! Recordar más lembranças aos portugueses, a bem do PSD. Recordar o seu ainda muito recente mau tempo, a bem do PSD. Colocar entraves à liderança do PS, a bem do PSD. É uma cartada de luxo do Passos Coelho que a joga sem sequer sonhar o jogo que tem.  Ou melhor, nem sequer a joga a carta. Esta cai-lhe no colo.


Quanto aos comentadores, eles têm que saber do assunto e estar distantes quanto baste. Exemplo: um jogador de futebol pode, depois de pendurar as botas, ir fazer o papel de comentador. Já lá esteve, sabe como é e fala sobre isso. Compreende-se. É plausível. Isso é um comentário.


Sempre tive medo que isto pudesse vir a acontecer. Não desta forma, tão rápida e óbvia. Temia que o homem se enchesse de coragem e viesse de aqui a uns anos, candidatar-se à presidência da república. Sempre esperei que caso isso acontecesse, o povo português soubesse dar uma resposta cabal e metê-lo no seu lugar.


Veremos agora se sabe estar ao nível.


O problema não é ele só. Nem é o culpado de todo o mal que nos aconteceu. Nem é todo o culpado da situação em que nos encontramos agora.


O problema é que ele pode ser a mola que pode reabilitar e ressuscitar todo um exército de militantes da sua “guarda” privada.


Sempre que os via nas notícias, estremecia apenas de rever o seu semblante. Agora que o mestre está de volta. Quem é que segura a maldição? (É que o Seguro nem sequer a vê).


 Quem é que consegue prever onde tudo isto irá parar?

Vendo o mundo pelo facebook (semana 18 a 24 de Março de 2013)


O facebook é fantástico. Ainda estou a aprender a surfar nele mas gosto e muito. Só que o facebook é uma coisa mais rápida, mais frugal. Para se ver o mundo por lá não é preciso binóculos e do alto de Marvão. Pode ser de telemóvel, num instante. Ali é que nós nos apercebemos que o mundo é mesmo uma aldeia global. Desta semana quero deixar aqui no meu poleiro no galinheiro da net, para mais tarde recordar, momentos desta semana que só vi por lá:

A boleia que dei ao meu filho Manuel Gira e o por do sol de Marvão.



A boleia ao Gira


(a fazer um fixe para a imagem. Só style... Tudo estudado ao pormenor!)


Tinha acabado de sair quando dou com ele à porta do serviço, à minha espera. “Então, filho? O que te traz por cá?”. Fez-me com as mãos o sinal de andar de bicicleta. “Ai vieste ver a volta ao Alentejo, foi?”. Que sim com a cabeça. “Então e vieste ver de mim porquê? Sabias onde eu trabalhava, não tinhas boleia e vieste a tentar ver se eu estava. Foi isso?” Que sim com a cabeça. “Vamo”, disse ele. “Que sim, filho, vamos já. Passam das 5 e meia e posso ir contigo”. Saquei-lhe a foto para a posteridade.  E escrevi no facebook:


Foi por telemóvel mas não é todos os dias que se tem a possibilidade de estar junto a um ídolo. Estou como se tivesse dado boleia ao Ronaldo. Melhor quer o Ronaldo, vá. Não desgosto do moço da Madeira. Mas este está anos luz à frente. Grande gira!
Olhem que se mandarem fazer t-shirts com esta imagem, terão de pagar royalties.
Entrem nessa. Boa! Ajudem. A ver se vamos os dois passar férias num iate no Mediterrâneo. Grande classe... Já nos estou a imaginar de óculos de sol, a torrar ao sol, bebericando um dry Martini. Bom!
O turista Manel Bodes à minha espera à saída das finanças para me pedir boleia. Boleia? Claro que dou! No banco da frente. De gala…

E assim viemos. Eu a conduzir, ele de co-piloto e as técnicas de Turismo, as caras de Marvão para o mundo, a minha Cris e a Felicidade sentadinhas no banco de trás. Assim é que está certo.

E o meu filho nem sequer agradeceu. Uma coisa de classe como só ele sabe fazer. Parei à entrada de Santo António das Areias para a Felicidade descer e ele, como quase eram horas de jantar, marchou-se para a Casa do Povo, antes que se atrasasse.




Pôr-do-sol à saída do serviço




Verdade seja dita que quando queremos ver uma coisa, conseguimos.

Exemplo: olhar as nuvens e reconhecer objetos. É brincadeira de criança mas resulta.

Isto pode ser um ponto contra. Mas a verdade é que consigo reconhecer a presença de Deus muitas vezes ao longo do meu dia. Não fisicamente, mas sinto que há ali algo de divino, de superior. Algo que faz sentir que jamais a mão humana poderia alcançar essa coisa. Uma grande obre de arte tem a presença do divino. É a isso que me refiro.

Esta imagem foi capturada ontem pelo meu telemóvel à saída do meu serviço de finanças.

Tem ou não tem o toque do divino? Jamais o homem poderia criar algo tão belo. Ainda bem que criou o meu telemóvel Samsung que só custou 40 euros mas permite capturar o divino na perfeição.

Certas derrotas preparam-nos para grandes vitórias


(nota do autor: este texto foi copiado diretamente do facebook, daí o tamanho da letra e a estranha grafia sublinhada nos bombeiros e no jornal para que também reconheçam que o texto era sobre eles no linguajar facebookiano)


A Associação Bombeiros de Marvão foi importantíssima para mim.





Foi ela, foram eles, os bombeiros que me salvaram.



Foram eles que me deram a mão depois do acidente de mota. 


Quando realizei a minha festa de aniversário de 2012, não no dia 8 mas no dia 9 de Junho que foi num sábado, pediram para celebrarem uma missa de acção de graças na igreja da minha padroeira, a Nossa Senhora do Carmo da Beirã. Estiveram presentes o padre Fernando Farinha e o padre Luís. O primeiro foi meu professor no liceu e um homem que marcou muito a minha vida. O segundo, é o pároco da paróquia, pelo qual nutro grande simpatia, quis-se unir à intenção e vi isso com os melhores olhos. Foi tudo muito lindo e sentido.


Depois, seguimos todos para a associação de caçadores da Fonte da Viola, nos Cabeçudos e realizamos uma grande festança. Usando lá da palavra e com aqueles amigos todos à minha volta, falei de peito cheio. A verdade, como sempre. Disse então que desde que sofri o acidente nunca mais tinha chorado. Passei momentos muito duros, muito difíceis, muito sós. Mas nem nos piores tinha chorado. Disse então que por aquilo que sabia, deveria ter perdido a capacidade de chorar, de me emocionar às lágrimas. Mas disse nesse dia, que se me fosse permitido chorar, choraria ali, de alegria, por os ver todos à minha volta. Quem eu mais queria neste mundo à minha volta. Uma sala cheia de amigos. Deveriam passar das 100 pessoas. E não estavam todos! Algumas pessoas não estiveram presentes.


O maior presente foi a presença de todos mas alguns fizeram ainda questão de me oferecerem mais algo. Os bombeiros voluntários de Marvão que me salvaram, a Manuela e os Josés ofertaram-me a t-shirt com estes dizeres sábios. 


E é bem verdade, o que diz nela. Sem medo de quaisquer invejas, ou macumbas, posso hoje dizer que desde o acidente, todas as decisões que tenho tomado na minha vida são certas. São vitórias.


Das coisas mais pequeninas, às mais importantes, todas foram decisões acertadas.


Decisões a todos os níveis, certas. 


Decisões das quais me orgulho.


Tantas,que por vezes até tenho medo de tanta coisa a correr bem. 


Olhem, por exemplo a descoberta do facebook que me tem ligado imenso a amigos e me tem dado muita alegria. O início da colaboração com o Jornal Alto Alentejo do meu querido Manuel Isaac e do amigo André Relvas. A redecoração de partes da minha casa. Coisas que andavam para ser feitas à muito tempo e que aconteceram depois deste clique.


Há quem agradeça a quem quiser. Eu dou graças a Deus. Mas um Deus que está presente em tudo. Que não é físico mas está presente. Tenho medo que o nível esteja muito alto e penso por vezes que melhor é impossível.


Mas desde que Deus esteja do nosso lado, temos de riscar as letras “i m” antes de possível, como aprendi nos escuteiros, para que tudo seja possível. O segredo para se ser feliz é pensar que pode sempre ser melhor.


A t-shirt é sábia. 


Aos bombeiros que me salvaram, mais uma vez, obrigado.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Mergulhando no azul







Hoje foi dia de piscina. Já não a frequentava há mais tempo do que era desejável. Decidi que de hoje não podia passar. A vida é sempre a correr de um lado para outro e quando damos por ela, já passou. Há que dar tempo ao tempo, desfrutar dos prazeres que estão ao nosso alcance e não são exuberantes. Às 18 e pouco já lá estava. A piscina municipal é um luxo que nós, marvanenses, arenenses temos e não podemos desperdiçar. Vem do tempo da presidência do Dr. Manuel Bugalho e é uma obra que há-de sempre marcar a sua passagem à frente do município. Daquelas obras que ficam.


É uma pérola preciosa que fica aqui a 500 metros da minha casa. 3 minutos a pé. Uma delícia.


Hoje então, foi um primor. A piscina estava como muito poucas vezes a tenho encontrado. Deserta. Sem ninguém. Como se fosse minha. Como se fosse privada. Toda só para mim! Tanto prazer estava a sentir ao nadar que pensei: tenho de escrever sobre isto. Tenho de partilhar. Tenho de dar isto a conhecer. Porém, se espalho muito, estrago o divertimento e fica mais difícil encontra-la assim. Mas eu não sou egoísta. Nunca fui de fazer caixinhas. Na faculdade até passava os meus apontamentos aos colegas que se baldavam às aulas. Como os meus cadernos tinham tudo a preceito, eram muito cobiçados. Eu partilhava. Nunca fui de guardar só para meu uso.


Nadar para mim é muito mais que apenas um desporto. É revigorante. É como ir ao psicólogo. Um daqueles psicólogos que também sabem fazer massagens. Sai-se de lá novo. Não sei se é por estar envolto em água e naquela história que nos faz recuar a quando estávamos na barriga da mãe, envoltos no líquido amniótico. Mas tem muita força, muito poder.


Assim que entrei na imensidão do azul e senti a tranquilidade em volta, perguntei-me por que razão não há mais gente a aproveitar isto. Ter e não saber… ter e não saber dar valor é como não ter.


O mundo lá debaixo de água é só calma, paz e azul. Uma imensidão azul polvilhada por luzes ténues e amarelas.


Para além da beleza, a vertente desportiva, o meter o esqueleto a trabalhar e mexer os membros todos é um aliciante que deve ser levado em linha de conta. Fiz o mesmo de sempre: duas séries de 40 piscinas em crowl e bruços alternados. 80 no total. 16,66 metros x 80 voltas = 1.332,80. Quase 1500 metros em duas séries de +- 20 minutos cada. Nada mau, digo eu.


Um cartão para 12 sessões vale 18.40 euros. 1 euro e meio por viagem, tá barato. Antes isso que um maço de cigarros ou um tintinho. É mais bem aplicado.


Olhem, desfrutem e se não desfrutarem, não se importem que aqui o tio sabi não diz que não e sabe-a fazer.


Beijinhos molhados. Glu glu.

terça-feira, 19 de março de 2013

Dia do pai



Os anos passam e continuo sempre a pensar que este dia não é o meu dia. O dia do Pedro pai. Para mim, o dia do pai é sempre o dia do meu pai.


As minhas filhas bem me quiseram fazer acreditar que o dia também era meu. A Alice entrou na casa de banho quando eu ainda estava a tomar duche e disse-me logo que me tinha trazido o balão mais lindo que tinha no seu quarto. Depois disse-me que tinha feito uma prenda para mim no infantário.



A Leonor que já é uma mulherzinha, ligou-me logo de manhã da casa dos avós maternos, onde está acampada nas férias da Páscoa com a prima Maria, a desejar um bom dia e dizer que tinha uma prenda.


Apesar de tudo isto, para mim, este é o dia do meu pai. Já passaram 19 anos desde o dia em que recebi a notícia do seu fim por telefone. Estava em Armação de Pêra a passar o fim de semana com os meus futuros cunhados e sogros. Nesse então ainda não existiam telemóveis. A GNR foi-me acordar para avisar que alguém queria muito contatar-me.


Para mim, o dia do pai será sempre o dia do meu pai. Lembrando o meu, pergunto-me muita vez que homem terá sido este capaz de marcar a minha existência para sempre. Que coisa tão especial teria dentro dele para nos deixar a todos quanto o conhecíamos bem, esta saudade imensa.


Não tenho certezas de nada, mas tenho algumas pistas. Em primeiro lugar, sei que era dono de um coração imenso. Uma bondade generosa, abnegada, total. Ser amigo dele era ter um estatuto de luxo. Junto a ele, ninguém ficava indiferente ou infeliz. Dar para ele era tudo. Dar não. Entregar. Entrega é a palavra certa.


Depois tinha um sentido de humor único. Inigualável. Um sentido de humor como eu nunca conheci igual. Uma noção de timing perfeita. A certeza de acertar sempre na mouche. Sabia sempre onde estava o botão.


Muitos conheciam apenas a sua personalidade boémia. Os fados, os petiscos, os ajuntamentos. Amigo de um bom prato, de um bom copo e sobretudo, amigo da uma boa companhia, a todos alegrava e todos o queriam para eles.


Mas também gostava de acalmia, do sossego do lar. Gostava de ler o jornal. Gostava de fazer as palavras cruzadas. Gostava de ouvir rádio (na cama nunca perdia os discos pedidos da rádio Monsanto). Gostava muito de ler, sobretudo romances sobre a guerra. Gostava muito de bola. Gostava muito do seu Sporting. Gostava de muita coisa.


E nós gostávamos de o ter cá, junto a nós. Para conhecer os netos. Para conhecer as minhas filhas. Lembro-me que quando morreu, a minha mulher me disse da pena que sentia por saber que nunca o poderia ver a brincar com a descendência. Sempre o tinha imaginado a brincar com eles.


Esta é a minha prenda para ele. Esteja lá onde estiver, sei que vai ler. Não sei onde e como mas acredito que há-de ler.


Daqui, para ele, vai um abraço. Bem apertado como aqueles que nós dávamos quando nos despedíamos.


Até sempre.


Até que Deus queira.



Galeria de presentes:

Alice








Leonor






Os presentes não foram apenas para o pai. As pequenas também ganharam um saco xl  de pipocas e um dvd  da Sónia Araújo.


segunda-feira, 18 de março de 2013

A goleada da Alice




A minha filha Alice é um ponto!

Fico de boca aberta com aquilo que ela diz e faz. Tem apenas 3 anos. E anos recém celebrados em 1 de Fevereiro!

Não me recordo de nada quando tinha essa idade. Eu não sei mas devíamos ser mais aparvalhados. Também, nesse tempo não tínhamos tudo aquilo de que eles dispõem hoje.

Ela hoje brinca sozinha com o Magalhães que era da mana. Vai à internet e pratica os jogos do baby tv. No meu tempo ainda nem se sonhava que um dia haveria internet.

Hoje, como é habitual, acordou cedo demais. Ainda nem eram 7 da manhã e já ela chorava. A mãe que estava junto a ela, tinha de se levantar para resolver assuntos do seu ministério doméstico. Roupas, comidas e outras coisas diversas.

Pois a menina Alice, como a mãe se ia levantar e deixa-la só, chorava porque era contra a sua vontade. Eu levantei-me e disponibilizei-me para ficar junto a ela, para poder ficar mais um pouco a dormir.

Eu sabia que ela acordava nem sempre estava bem humorada para os outros. Mas hoje nem me quis ver. Nem me deu hipótese! Nem o olhar me disponibilizou! Enterrou a cara na almofada e só grunhia enquanto falava para ela.

De tal forma foi que a larguei da mão e desci para tomar o pequeno almoço.

Conformado.

Sua majestade desceu depois. Com o seu ar imperial e sobranceiro. “E a mana?”, perguntou.

Não lhe disse nem ai, nem ui. Impávido e sereno, como se não tivesse ouvido nada. Continuei a comer.

Ela, estranhando a coisa, foi fazer queixas à mãe. “O pai não fala para mim…”.

E eu, aproveitando a deixa, disse-lhe: “Foi o que tu me fizeste a mim há pouco. Gostas? É para saberes se é bom”.

Ela, sem saber como reagir, foi de novo fazer denúncia à mãe.

“O pai está triste contigo porque tu não lhe falaste lá em cima. Dá-lhe lá um beijinho e pede desculpa”, disse a Cris.

Abençoado juíz, pensei.

“Anda lá dar-lhe um beijinho e pedir desculpa”. E tomou-a ao colo.

Agora que a bola estava do meu lado, disse-lhe tranquilamente: “Tu já não és bebé. Tu já és crescidinha e percebes as coisas. O pai ficou triste porque foi teu amigo, quis ir para junto de ti e tu não o quiseste lá. Agora fez-te o mesmo para perceberes que isso não é bonito. Não se faz. Se queres que os adultos sejam bons para ti, tens de ser amiga dos adultos. Senão fores, ficas sozinha. Se não queres o mal, não podes fazer mal”.

E ela ouvia tudo, compenetrada e com muita atenção.

“Percebeste?”. Disse que sim com a cabeça.

“Tenho razão?”. Que sim outra vez, com a cabecita.

“Então agora, tu que já és crescidinha, explica lá o que o pai te disse por palavras tuas. Explica lá o que percebeste.”

“Não sei”, disse.

Eu sorri. Alice 1. Pedro 0.

Já no carro, para ficar a bem com ela, deixei-a carregar no comando que fecha o portão da garagem e no comando que fecha o botão da rua. “Linda. Tu és linda e grande. Consegues fazer as coisas que só os grandes fazem. A tua irmã, com a tua idade, não conseguia fazer isto tudo”.

Quando a irmã dela tinha a idade dela, nós morávamos em Marvão e nem casa própria, nem garagem tínhamos, quanto mais. Mas isso agora para aqui não interessa nada. Avancemos.

Ainda na tentativa de a meter cá à vontade do meu lado, disse-lhe aquilo que ela costuma dizer: “aquela Leonor é impossível, aquela miúda... Só quer ver os Simpsons e a Fox e não liga a mais nada”.

“Pois é, pai”, disse à vontade, jogando na sua casa. E foi mais longe: “Mas a avó Alzira também gosta de ver a Fox. E os Simpsons também gosta. E eu também gosto”.

Acho que o meu sorriso ficou amarelo. Risinho amarelo.

Mas feliz.

O placard electrónico marcava: Alice-2, Pedro-0”.  

Quem é que disse que não se pode ser feliz ao perder?

sábado, 16 de março de 2013

Sábado é dia de mercado

Hoje foi uma manhã de sábado feliz. Desde que regressei à vida, todas as manhãs o são, mas esta manhã particularmente. Já há muito tempo que não estávamos os quatro em casa num fim de semana. A Cristina tem trabalhado sempre nos últimos e não temos estado todos juntos. Esteve em Lisboa na Fil a representar o município, esteve no posto de turismo, enfim. Hoje estávamos todos juntados, como diz a minha filha Alice.



Como estávamos todos, eram necessário realizar algumas compras do mercado. Como tinha de sair para comprar o Expresso, hábito ao sábado, dei o corpo às balas. Deixei as mulheres em casa e saí de peito feito e orgulhoso fazer os recados que a mulher me mandou.


Ao fazer as compras do dia apercebi-me que a nossa terra é pequena mas tem de tudo. Somos poucos mas bons.


De recado aviado fui em primeiro lugar à padaria do meu querido amigo de infância Filipe Maridalho comprar um pãozinho de mistura para o almoço.


De seguida, encaminhei-me para o mercado comprar feijão verde e bróculos para o almoço. A patroa mandou-me ir ter com o senhor Garção.




Assim que se entra na porta principal, logo à esquerda. Lá estava ele, todo sorridente, a cumprimentar-me. A esposa e ele estavam contentes por me ver bem. Disseram-me que estava bem. Eu, fiquei feito parvo a rir-me e disse a piada que agora vai sendo habitual: “vou bem, graças a Deus. Sabe que isto quando a erva é ruim, não é qualquer mal que lhe chega!”. Eles riram-se, não sei se por graça, se por complacência.


Feijão verde disse que tinha, sim. Bom, belo e gordinho. Bróculos já não. Já se tinham acabado. A minha Cristina bem me tinha avisado que quando lá chegasse já seria passado a hora de ponta. Ele, muito querido, ainda foi procurar aos vizinhos de venda se algum ainda tinha. Tiveram mas já se tinham acabado. Que pena... Bem, como já realizei mais de metade dos deveres graças ao pão, o saldo não era mau.

Já não entrava no mercado há séculos. Fiquei espantado por ter visto tão pouca gente. Poucos a vender e poucos a comprar. Já vamos sendo realmente muito poucos. Os gajos lá de Lisboa bem querem acabar connosco mas vão-se ver à rasca. Se fosse pela vontade deles o país reduzia-se às cidades. Só elas tinham futuro porque têm muitas pessoas e muitos votos. O interior não interessa. O interior é só meia dúzia de gatos pingados. Gatos que dão mais trabalho que sei lá o quê. Qual povoamento uniforme? Que se lixe a violência nas urbes. Amontoados estão melhor. É mais fácil distribuir autocolantes para apanhar os votos.






Apesar de poucos, gostei muito de ali entrar. Falar com as pessoas. Conviver. Sentir o pulsar da terra. Passeei-me pelo mercado. Tirei umas fotos com o telemóvel. Dei os bons dias. Que bem sabe dizer e ouvir os bons dias numa aldeia. Eles sabem lá.


Enfeirei na barraquinha das farturas. Carinhas, a 1 euro, mas boas. A dona tinha ao colo uma bébé que não reclamava. Nem do poleiro, nem do frio.










Como não tinha conseguido os bróculos, lembrei-me de passar na nova venda da terra. Nos “Mimos da Aldeia” que abriram na venda junto ao sr. João do Bento. O proprietário é um rapazinho novo do concelho, creio que dos Alvarrões. Recebeu-me muito bem e tinha bróculos, claro que tinha. Uma venda pequenina mas muito simpática que tem de tudo um pouco. Muito adequada a quem por aqui vive. Muito boa para quem tem idade, está só e não tem transporte para se deslocar a Castelo de Vide ou a Portalegre. Perguntei-lhe como estavam a correr as coisas e ele respondeu-me que bem. Pareceu-me satisfeito com os resultados. Eu fiquei muito satisfeito com a ida à sua venda. É capaz de ter futuro. Oxalá que sim.




  



Junto ao sr. João do Bento, parei para dois dedos de conversa. Parei para estar com ele. É um querido, um amigo de longa data, um grande benfiquista. Uma daquelas amizades que herdei ainda do meu pai que tinha uma enorme estimação por ele. Estimação que sei que era mútua.



O sr. João permitiu que lhe tirasse uma foto na sua loja. Negócio já encerrado mas que continua a abrir só para estar com os amigos. Eu compreendo. Conheço bem essa realidade.

É o que acontece com as minhas querida tias paternas e o seu comércio na Beirã. Já fecharam a porta. Já cessaram a atividade. Mas continuam a deslocar-se para a loja todos os dias porque é ali o seu lugar. Entram as vizinhas para as cumprimentar, tomam um cafezinho, conversam, fazem-se companhia umas às outras. Fico descansado porque estão melhor ali que em casa, fechadas, à braseira. A envelhecer de dia para dia.



Lutam assim contra a desertificação de uma Beirã que já não conheço. Eu que sempre serei e hei-de ser da Beirã, já não me revejo naquela Beirã. Aquela não é a terra que era a minha de criança. Já não é a Beirã pujante, viçosa, de pleno emprego. Uma terra que era de serviços num Alentejo onde mandavam os trabalhos ligados à terra. 


Dali segui para o outro comércio. A terra é pequena mas tem um pouco de tudo. Vamos resistindo em todas as frentes. Segui para a Ana Boto onde estive com o meu querido amigo Rui Boto. Ali dei mais dois dedos de conversa. Conversa, simpatia… coisas boas que ainda há nestas terras pequenas. 

 


 O pai ajudava e o filho, o meu grande amigo Rui Pedro trabalhava afincadamente para escavar as raízes da árvore no jardim em frente à junta de freguesia. Apesar de ser sábado, trabalhava sem cessar, a ver se ajudava o país a sair da crise.



A vida numa aldeia. A vida na minha aldeia.


Dali ainda poderia seguir para muitos lados, para mais um estabelecimento resistente, por exemplo. Poderia ir ao snack bar “O Adro” da Estrela Bernardo que há-de sempre ser o bar do Sérgio (o bar do seu marido, o meu querido e grande amigo que nos deixou cedo demais) e beber um branquinho traçado, ou passar no meu Zé Manuel da pastelaria S. Marcos para beber uma maravilhosa fresquinha das suas.



Mas a hora já era tardia e as minhas mulheres esperavam-me para o almoço. Tive de regressar para o salmãozinho grelhado que estava quase pronto




Entrei na minha sala e parecia que tinha entrado no Silicon Valley ou no MIT! As duas pequenas agarradas aos computadores, como já vai sendo habitual. A Leonor no Toshiba que eu e a mãe lhe comprámos de prenda de anos e natal. A pequena Alice que já quer ser como os grandes, com o Magalhães da mana que sobreviveu mais que o Sócrates e renasceu enxertado com a bateria oferecida por cortesia dos queridos amigos Hernâni, Fernanda e Afonso Sarnadas.


Finalmente, lar doce lar. Ou com tanta tecnologia, mais vale dizer home sweet home.
   


Já tinha fome. Mas tinha a barriga estava cheia. Cheia da vida da (agora) minha aldeia.