domingo, 15 de janeiro de 2017

Empate com sabor a (RUI)Vitória




Bem, eu ia-me passando! No estádio da Luz, na catedral da Luz, na nossa catedral tão linda e sagrada, repleta de 60 000 coraçõezinhos vermelhos que estavam batendo, batendo, empurrando a equipa para a frente… ESTAR, AOS 25 MINUTOS DE JOGO, A PERDER POR 3 SECOS, DO BOAVISTA?!?!?!?!?!?!?!?! Livra! Não sei como é que não faleci de imediato, de enfarto do miocárdio lancinante, ou outra cena má qualquer. Caraças… A asma que me assolou a infância e adolescência, já me passou mas… até acho que me faltou o ar.

Caraças, se aquilo era… mau demais para ser verdade. De cada vez que os gajos lá iam… TARÚS!

Eu sabia bem de mim, e o que pensava a minha cabeça, mas antes de escrever, esperei por hoje para ver como é que a imprensa e o mundo do futebol, reagiam a tudo o que se passou.


Aqui nem vale a pena ir mais longe, e vamos já ver o que é que diz o jornal mais azul e branco à venda nos escaparates por esse país fora. Chamada de atenção a cores:
TRIBUNAL UNÂNIME: PRIMEIRO E TERCEIRO GOLO DOS AXEDREZADOS PRECEDIDOS DE IRREGULARIDADES.


Ora bem! Nem mais! Aquilo foi de tal maneira óbvio que nem aqueles foram capazes de dizer que não deveria ter sido apitada uma falta antes que… inviabilizaria o que sucedeu a seguir. Ou seja… barraca.

Ora se até estes viram isto… afinal quem é que não viu? Ora, só quem não viu foi o árbitro Luís Ferreira, da associação de Braga, o meu santo, o meu amore. O grandessíssimo filho da portuguesa, que nem cara tem para ter barba, quanto mais para levar um tabefe daqueles assim bem assentes no final do jogo, com o comentário assim baixinho, ao ouvido: “atão meu grandessíssimo filho da… tua santa mãezinha, então mas és parvinho, ou fazes-te? Atão não viste que fizeram falta sobre o nosso Camões (leia-se Rafa) antes do lance onde apontas falta, de onde nasce o primeiro golo do Boavista, marcado por aquele “faz-me rir” com nome de jugoslavo, que já nos amolou quando estava no moreirense, que o sacana é lagarto até mais não?”

No vídeo que aqui coloco, para que todos possam comprovar, o Rafa até está caído ainda de joelhos no relvado, quando se passa toda a jogada. Ladrões. Porcalhões. Ruins, maus e estúpidos.



Ainda ao árbitro: “já agora… e não viste que no segundo golo, o calmeirão do defesa brazuca, se carregou no nosso André Almeida, cotadinho, que não consegue saltar? Mão no ombro a impedir um defesa, de saltar na grande área, dificultando a sua progressão face à bola é = a FALTA. Nunca te ensinaram isso nos cursinhos de arbitragem que te deram? Ohhh… que pena… Mas olha que é assim. Vai por mim, que não sou estúpido.
Então e agora, mais uma, que até os bons dos tripeiros, se fizeram ceguetas: no terceiro golinho, não há um avançado que está adiantado em relação à defesa e se faz ao lance, esticando a pernoca, fazendo-se à jogada  e ficando off-side? Ai, ai… meu tareco, meu tareco.


Olhem, o que eu digo é que tanto as outras putas se queixaram das arbitragens, tanto ganiram, tanto ganiram, que uma destas tinha de se dar. Deveriam estar a rebolar-se de gozo. Eu já imaginava era a porca da magra que já foi gorda e anda sempre a trocar de mulhere; a javardona da loira platinada de risco ao meio do chiclete; e o cagalhão do labrego do agricultor de Palmela; todas histéricas num jacuzzi, a abrirem garrafas de espumante e a espumarem da boca, com o nosso tropeção.

O que vale... é que saiu-lhes o pombo mocho. O meu Benfica, com uma alma enorme e uma força tremenda, conseguiu dar a volta ao resultado. Primeiro com o meu Barba de Chibo, o meu amore, o meu coração (oportuníssima mexida do nosso mister); depois com um penalte claríssimo sobre o “Marrafinhas” Cervi (e o medo que eu tinha se aquilo não era falta e tinha que os aturar), que o nosso Pistolas carimbou com o seu nível (já passando o incónico Isaías, nos golos marcados. Que saudades…), e… como a sorte protege os audazes, um tal Fábio Espinho, encarregou-se de fazer por nós, aquilo que a malta já não era capaz: um golão de cabeça de levantar o estádio. Cravou-lhes (lagartos e dragões) uma espinha no coração! Mai nada!





Ufa! Respira…

A reviravolta só não ficou consumada porque… já não tínhamos força. Depois de 45 minutos em que saímos atordoados para os balneários, a apanhar ar e a tentar perceber o que nos estava a acontecer; e de mais 45 atrás do prejuízo, com a festa estragada na nossa casa, cheia de amigos, já não nos restavam forças para mais. Estávamos estafados…

Devem ficar registadas algumas perdidas lamentáveis da nossa parte (aconselho a visualização do report do Sapo, sem som, mas com muita e elucidante imagem), mas algumas digníssimas defesas do nosso grande guardião Ederson (alô Barcelona… Queres? Abre a bolsa e chega-te à frente), sobretudo no final.


Ó piqueno: Já foste à tropa? Bela arbitragem! Sim senhore!
Deveria era meter-te o dedo polegar no orifíciozinhho anal. Tens?
Depois disto tudo ainda há alguma coisa a registar? Claro que a briosa postura do nosso treinador, o grande Rui Vitória, me deixa sempre de joelhos, a agradecer ao Senhor, o poder ter um homem desta envergadura, a treinar o clube do meu coração. Quando o mais natural, depois de tudo o que aconteceu e já escrevi sobre, seria criticar a equipa do apito, o homem enaltece o espírito de sacrifício dos seus homens, promete estudar os erros e aponta face ao futuro.

Querem mais? Para mim não. Já chega. Está bom assim. Foram-se 2 pontos, mas este que foi ganho tem valor de ouro.
  
Post Scriptum: Andava a lagartagem já a tocar bombos pelos cafés da minha terra, depois de terem conseguido virar um resultado adverso em Chaves, quando um golão do miúdo Fábio Martins, daqueles de fazer tremer a terra, mandou as beiçolas abaixo no banquinho. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH. O que eu me ri. Ai ca booooooooooooommmmm. CHUPA!


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Adeus, profeta da democracia...



Que homem bom se vai... Que profeta da democracia...

Andei todo o dia a pensar que tinha que ver este discurso na íntegra, a cru, sem cortes televisivos e sem legendas (que me desviassem do real sentido de cada palavra). Queria-o no âmago. Foram 55 minutos do mais puro prazer, de um discurso, a todos os títulos, histórico. Que homem bom vimos chegar… e vemos assim abalar.

Que homem verdadeiro e com tanto sentido em cada palavra.

Que homem é este que chora a agradecer à sua mulher (que esteve sempre lá, quando não fora chamada para tal, à partida), às suas filhas, e aos seus companheiros de luta?

Um discurso emocionante e absolutamente inesquecível. Hoje, em diferido, eu vi a história acontecer, na internet. Onde senão?


O país é outro, mas é a esta forma verdadeira, autêntica, justa, de querer fazer o bem comum e querer levar o bem a todos, que me motivo para integrar e dar continuidade ao Movimento “Marvão para Todos”, com o objetivo de concorrer à câmara municipal de Marvão.

O “se não concordas, não fiques parado, mexe-te e procura em ti, o que tens para fazer  de melhor”, tem de ser para mim e para os meus.

Ao começo da noite, tremi ao assistir à forma abjeta como a atual aberração que comanda o estado mais poderoso do mundo, selecionava os jornalistas na conferência de imprensa, com a elegância de um elefante enraivecido numa loja de porcelanas medievais japonesas.


Aguardaremos, com a tranquilidade possível, a forma como tudo se desenrolará.

Eu não sou melhor que tu. Eu não vou contra ti. Penso apenas diferente. E acho que consigo fazer mais, melhor, e de certezinha, de uma forma muito mais justa e equitativa. Isso me moverá sempre.

Só é derrotado, quem desiste de lutar. Não é Mário?

Não vai ser tão fácil como pensas. A nossa honra e amor à terra custar-te-ão caro.

Artigo dedicado aos meus companheiros (inquebrantáveis e valentes, de há 2 anos a esta parte), Teresa Simão, Luís Barradas, Fernando Bonito Dias, Nuno Pires, João Bugalhão, Adelaide Martins e a todos os bravos que (são muitos!) já alinharam connosco e sairão em breve. Para a frente é que é o caminho!

Alma!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Cantando ao menino, sob a égide dos reis do oriente, com a força lagóia genuína

A extraordinária manifestação dos "Lagóias", que desconhecia e tanto me encantou

Ontem aconteceu o último concerto de Natal, deste ano que passou, promovido (e aqui, os louros têm de lhe ser entregues) por esse extraordinário impulsionador da fé, e já da nossa terra, Marvão, que é o padre Marcelino, que em graça, nos caiu nos braços.

Cantavam os "Lagóias", e eu sabia que de cante se tratava. Levei a minha tia namorada à missa antes, e estava muito longe de esperar a qualidade do espetáculo temático, mini—espetáculo, segundo eles; com que iria ser brindado. Segundo explicou o seu diretor, prof. Domingos Redondo (soberba voz), com espírito e brilhantismo, parece que esta forma de cantar é um exclusivo do baixo—alentejo e não é nossa. Por suas palavras explicou que: sim, a gente também é de além—tejo, também gostamos de dar à goela e estamos dispostos a ir contra preconceitos e opiniões contrárias. Por isso, enquanto a gente puder, têm de nos gramar.


E que prazer... Dei por mim de olhos fechados, a saborear aquele coro de vozes de machos, vividos, sabidos e... aquilo era o Alentejo ali à minha frente: à planície, a saudade, o sol, o calor, e o Natal do Deus Menino feito gente, personificado no Príncipe da Paz.

Numa palavra... Deus é amor. E eu senti—o tanto ali.

Bem hajam. Foi único. Ganharam um fã.


(Aqui, no hino à minha santa padroeira, Nossa Senhora do Carmo. De arrepiar.)

Eu quero é ser veterinária


Há dias, na reunião de notas do Agrupamento da Dona Alice, em representação da encarregada cá de casa, que toma, e faz questão de tomar conta de tudo, e por isso estava numa reunião da maior...

No balanço, a alegria de ver um sorriso da parte da professora, que diz que se considera velha, mas eu sei que é da extraordinária velha guarda (das que ensina). Já encaminhou para o trilho da escola a minha Leonor, que se tem sucedido bem, e agora administra a aprendizagem desta mais nova.

Diz que a surpreendeu, porque temia o "terrorzinho" da boquinha dos demais. Afinal, ela é responsável, muito obediente, concentrada, solidária e muito amiga dos outros meninos.


Começou há três meses e já lê. Pasmo-me. Junta as sílabas pela fonética e constrói palavras. Pensava que isto só sucederia lá pelo calor do Verão... eu sei lá...

Não tive coragem de pedir à professora, mas em conversa informal de dois amigos de há muitos anos, que trabalharam juntos (eu, vereador; ela, nesta posição em que está), comparou as duas. Comparação que fica para nós dois, em segredo. São as duas minhas filhas e o amor tão grande que sinto por cada uma, tolda—me a razão e torna impossível preferenciar uma. Daria a minha vida sem pestanejar, por elas. Se dependesse disso, já vivi mais. Já podia ir. É nestes "baús" com perninhas que me quero eternizar.

Terminámos a conversa na noite fria, a falar da vida de cada um. Abracei—a forte, convicto daquilo que lhe tinha dito de início: "professora Vina, a senhora é um achado que me apareceu. Fiquei tão feliz quando soube que era consigo... A senhora sabe tanto, e ama tanto o que faz... que isso transborda, e chega até nós." 

"Fique tranquilo, Pedro. Esta não escorrega tanto na cadeira... Sabe estar e sabe—se sentar."

Sabe como dizemos na missa, após a homilia? "Assim seja".

Tudo tão certinho e carregadinho... "É perfecionista", disse...
Que bom que quer bem... o melhor...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

So long, 2016... Hello 2017


2016 foi um ano que se foi. Um bom ano que se foi, porque não perdi ninguém dos meus queridos, nesta embarcação que é a vida. Houve saúde, que é o mais importante, e sem a qual nada se faz. Se a camisa não é nova, veste—se a do ano passado. Se não há dinheiro para o bife, come—se uma sopa de couve com feijão. Mas sem a saúde, nossa e dos que amamos, nada faz sentido.

Se já publiquei aquela que é, para mim, a derradeira opinião global do ano que passou, não quero deixar de escrever aqui, no meu diário digital, o que o Drocas quer testemunhar de balanço, muito pessoal, deste ano que ora finda.

A nível internacional destaco, claro está e aqui não há muito por onde fugir, à eleição de um português para secretário geral das Nações Unidas. Se todos os países, que se uniram depois da II Grande Guerra para evitar que um outro conflito tão letal e sangrento se repetisse; escolheram um português para o “chefiar”, é porque o António Guterres é mesmo bom e nós devemos todos unir-nos em torno dele. Quando o primeiro de todos os ministros, poderia até nem saber qual era o PIB 


mas isso são águas que já lá vão e agora o Guterres provou que é mesmo o melhor,


o que só nos orgulha e é mais que motivo de regozijo para todos os tugas worldwide.

Isto pela positiva porque do outro lado da moeda, está o autoproclamado Estado Islâmico que é para mim, a personificação do mal. Contrários, que é o que sempre houve no universo e aqui, toma forma enquanto um… estado? Seres humanos com cérebro, como nós, que destroem estátuas milenares com a mesma facilidade com que exterminam a vida inocente alheia, são criaturas que não merecem senão… a morte. O problema é que isso é mesmo o que eles querem, porque assim acham que vão direitinhos para o paraíso num voo charter VIP com tudo o que é de bom e melhor, a correr para os braços de sei lá quantas virgens que estão à espera deles. Assim também eu.


Pegando no mal, vamos à vitória da comédia Trump como presidente do estado mais poderoso da terra, que nos habituámos a ver como polícia do mundo desde a segunda metade do século passado, quando vieram ao velho continente, para nos salvar a todos das garras da suástica, desde os mares da Normandia. Um milionário porcalhão, sexista, chauvinista, machista e com tudo o que há de pior; saltou de júri de um reality show na ABC para os comandos dos todos poderosos Estados Unidos da América do Norte. Uma palavra: MEDO!


Das duas, uma: ou os norte americanos, que tiveram a inteligência de votar num negro magricelas afro-americano nascido no Hawai, ficaram estúpidos de vez; ou os craques da informática americanos levaram mesmo uma rabeta russa que manobrou as votações e aqui o caldo pode mesmo entornar. Aguardemos pois o que isto vai dar, mas não acho que vai dar bom.

Na Europa destaco duas coisas, ambas más: a desagregação do sonho europeu, aos poucos; e a transformação do mar mediterrâneo, que nos uniu a África e foi o berço da civilização, como uma enorme vala comum onde morrem milhares de homens, mulheres e crianças, famintos, esquálidos, à porta do sonho, cheios de sede, com água por todos os lados.


Com o inqualificável, impensável e de consequências imprevisíveis Brexit, a Grande Ilha largou o continente que sempre a acolheu; e vogou para mares desconhecidos por sua própria conta. A filha do Le Pen, cavalga a França numa Frente Nacional que começou por ser residual e uma piada de radicais, para agora ter uma voz cada vez mais alta e ouvida por todos aqueles que veem o seu lugar na sociedade francesa ser ocupado (“roubado”?, pensam eles) por imigrantes, por gente remota de outros países. Também ela quer um referendo idêntico em terras gaulesas e não é a única.  Na Holanda, Dinamarca e Itália, a cena repete-se. Ou seja… tá difícil. Andaram os outros a semear e a sonhar, para agora ficarmos cada vez mais, cada um por si. O que nunca poderá ser bom.

Por cá, a geringonça que os meninos de esquerda decidiram montar na Assembleia da República, para fazer a folha ao descabelado do Passos e ao narigudo do Portas, revelou-se, não um fiasco, mas um sucesso. Felizmente, ao ponto de, o camarada Costa, ter as coisas de tal forma amparadas que agora sabe que por si só já lá chega e já lá fica, se houvesse necessidade de ir às urnas. Assim, os companheiros bloquistas e comunas da velha guarda, que lhe valeram para conseguir o crédito que por si só, não obteria nas urnas; já sabem que não podem miar muito, senão vão ter de saltar da carrocinha.


E como se a direita não ficasse já bem vista pela saída do vice-primeiro-ministro (brilhante cargo inventado bem à sua medida) Portas para a Mota Engil, só seis meses após ter abandonado o governo, desrespeitando qualquer período de nojo que se tornasse como aceitável; Durão Barroso, o nosso cherne de estimação, sai de presidente da Comissão Europeia para novo presidente não executivo do conselho de administração do Goldman Sachs, aquele que é considerado o banco mais polémico do mundo, por vender dívida pública. Um vampiro contrata para a sua confraria, um ganadeiro que conhece muito bem os hábitos de pastagem das vaquinhas dos prados vizinhos, que sabe as horas a que saem e o que comem. Elucidativo, não é?


Eu votei na geringonça, porque estava farto do fado do desgraçado que davam as outras duas cachopinhas, que andavam na mestra da Merkel. Que ranço, metiam. Sempre tão desgraçadinhos, sempre tão mal…

E ainda bem que assim andam as coisas. O país nota-se mais feliz. O défice está abaixo dos 3% (embora nem eu, nem a grande maioria dos portugueses fazem a ideia clara do que isto significa. Bom, calma, que eu não sou assim tão estúpido. Eu sei que o défice é quando se gasta mais do que se ganha. Mas esta do ser 2 ou 3 ou 4 ou 5 ou 6, ainda por cima, virgula um outro algarismo qualquer é que… não. Mas o desemprego está a baixar; o poder económico está a subir e o povo anda mais sorridente.

Uma das coisas boas que me aconteceram neste ano foi a aprovação do horário das 35 horas semanais. Como sou egoísta nesta apreciação, mas é tão bom… Desculpem-me mas eu acho que consigo explicar. Muito simples e em 3 linhas, querem ver? Eu e minha mulher. Os dois funcionários públicos. Eu estatal, ela municipal. Com o cataclismo P.P. (Passos/Portas), quando ela entrava às 9h, saia às 16h; quando entrava às 10h, saia às 17h. Contínuo e lindo. A dar para viver e para se dedicar às filhas e às coisas de casa. Eu, o cão, entrava às 9h e só largava às 18h, já de noite, no Inverno. 1 hora de almoço mas isso não interessava para nada, que a gente come na cantina da Troika (micro-ondas de casa) em meia-hora.
Fechava a Câmara às 16h, a Conservatória às 17h e nós… BINGO!
Agora tudo mudou e que bem mudou. 9h às 16h em horário contínuo e sou eu que toco a buzina, quando passo à porta do Turismo.


Se falarmos de coisas boas… tem de vir a sagração do meu BENFICA TRICAMPEÃO, com uma equipa com muitos jovens da nossa prata da casa (muitos deles já vendidos por muitos milhões! Alô Renatinho no Bayern, por 65 milhões, my heart is with you) e um treinador que.. é uma cagança! Que nível, que postura, que ca-te-go-ria. Ao princípio a malta ainda andava por aí a rosnar que “ah… e o Marquinho Silva é que era e… ah, este não é lá assim grande treinador… e ah… CALEM-SE, SUAS PUTAS!!!!! Não viram já o que o homem vale? Dinamiza, potencia, valoriza, mexe nas equipas… ah, meu Deus, obrigado por ouvires as minhas preces e colocares à frente do meu clube o homem com que sempre sonhei e te pedi.

Olha, tal e qual como o que meteste a chefiar o meu serviço (sem nome, que o homem não gosta de propagandas. É ir lá ver quem é). Quem não conheça aqui o Drocas, o Tio Sabi, pode pensar que “ah… lá está o gajo a dar graxa e a fazer-se ao filme do chefe”…
Nada disso, bebés. Aqui com o mangas, o que é, é! D-o-a a quem doer. Os elogios são para se dar, em vida de preferência; o que está mal, é para ser apontado logo para ver se a coisa ainda muda a tempo de valer a pena.
O meu chefe tem a mesma categoria que eu, mas é só no papel. Porque o homem sabe milhões mais. Sabe estar, sabe ajudar, sabe facilitar e fazer as coisas andar, sabe ser cristão ao balcão, fazendo o que tem de ser feito, mas tendo sempre a consciência que a pessoa que está sentada à sua frente, é seu irmão e precisa de ser ajudado. Sempre servindo o Estado em primeiro lugar, que é quem nos paga, mas tratando sempre com toda a consideração quem a nós se aproxima. Vou sempre bem-disposto quando vou trabalhar e venho de lá, sempre satisfeito. Na verdade, aquela que é a segunda família (com a qual passamos mais tempo no dia-a-dia, do que com aquela da qual gostamos mais), é fundamental para o nosso equilíbrio e bem-estar.
Com a nossa equipa, o serviço de finanças de Marvão, liderado por ele, e comigo de fiel escudeiro / Sancho Pança (embora em forma), tem obtido um lugar de destaque quando comparado com os congéneres do distrito e até tivemos um realce a nível nacional, o que faz sempre a gente ficar inchados.
Olhamos 2017 com esperança, otimisto, humildade e convição.

2016 foi um ano em que uma pop star subiu a Presidente de todos os portugueses. Marcelo, o popularucho que esmiuçava a política desde a beiçuda Manuela Guedes aos portugueses, serviu-se dessa enorme vantagem mediática de entrar todas as noites nas casas dos que o ouviam para arrasar.


“Política? Qual? Oh, tem de ser este que a gente conhece bem e fala daquilo de trás para a frente e de frente para trás. Pimba!”
Quem se fornicou, mas ainda não ardeu de todo, está a queimar em lume brando foi o tal do Coelhone, tadinho, que não dizendo mal, não disse nada bem. E o outro viu. Vais ao castigo…


Portugal foi campeão europeu de futebol mas, com um paio do catano. Merecemos, sem dúvida que merecemos, porque jogámos bem. Mas não fizemos um campeonato brilhante e parece que as equipas, nos foram caindo no regaço mesmo à mão de semear. Com empates, à pele, mas mesmo à maneirinha. O Ronaldo pode ser aquele super-homem de querer e de trabalho, pode ser o melhor futebolista do mundo mas o futebol que eu amo não é de SSSSSSSSSSSSÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍs. O futebol que eu amo é rebeldia, genialidade, fratura. É Maradona, é Messi, é Cantona. E o Fernando Santos, o engenheiro do penta, não é os melhor treinador do mundo


Este foi o ano também em que um serial killer de Arouca meteu meio país a ter medo do escuro e a dormir cheio de frio, a pensar que Arouca não é assim tão longe e numa noite de lua cheia, ou quarto minguante, o gajo pode muito bem bater aí.


Embora isto não seja novidade para ninguém, o país continuou a arder, num bailado de chamas digno de Nero, na Madeira;


No festival Andanças, aqui bem perto, num sítio onde ironicamente sempre houve muita água, na barragem da Póvoa;


E em Arouca.


2016 ficou marcado também pelas manifestações e queixas dos lesados do BANIF, que agora parece que têm, finalmente, alguém do lado de lá quem os ouça.


O país ficou marcado pelas mortes nos Comandos que deixaram toda a gente boquiaberta quando para mim, tudo não passou de um… azar. Poderia ter acontecido noutra altura. Estranha-me como nunca tal aconteceu, uma vez que a negação de água após esforços extremos, parece-me que seria uma prática habitual. Selvajaria e desumanidade sempre foram caraterísticas que associei àquela tropa de elite, onde os soldados eram preparados para o pior e também eles, esperavam o pior tratamento por parte de quem os formava.


Um ano fica sempre marcado pelo fim de existência de todos aqueles que nos marcaram, tendo este ano sido particularmente castigado pelo adeus dos que nos deixaram o seu legado incomparável nas artes:
- o mago cavaleiro das palavras doces, certas, fortes e a voz temperada, calma e inconfundível, Leonard Cohen;



- o camaleão multifacetado que coloriu a música pop como se ninguém, Bowie;


- o génio gigante de Minneapolis, Prince;


- o compositor, performer, e intérprete único que ficará sempre associado à luta pelos seus direitos sexuais, George Michael;


- Uma princesa de uma trilogia única que ficará sempre eterna num papel;


Ou na história:
- Fidel Castro


No meu concelho, na nossa política, este foi um ano de muito trabalho na sombra, em silêncio, em segredo. O movimento cívico “Marvão para Todos”, no qual me incluo, encetou esforços para que se conseguisse dar corpo a uma candidatura oponente à atual forma de governação dos corpos eleitos. Achando nós que muitos aspetos poderiam e deveriam ser melhorados, a começar pela forma de trabalho entre a presidência/vereação, a articulação entre os órgãos eleitos, os muitos assuntos a serem alvo de um programa eleitoral consistente, por todos os meios tentámos falar a uma só voz com as demais forças políticas do concelho, mas esse esforço revelou-se infrutífero. Perdemos muito tempo, mas estamos muito a tempo de dar continuidade a dois anos de trabalho que temos vindo a desenvolver e 2017, vai ser O nosso ano. Oxalá as pessoas nos ajudem a ajudá-las.


Do ponto de vista pessoal, este ano foi um ano de consolidação, da minha recuperação, do meu regresso a mim. Não considero, de todo, que tenha ficado diminuído depois do acidente que tive. Na verdade, sinto que foi um solavanco, que me fez avançar. Perdoem-me a galhardia. Lamento o que me aconteceu, e sempre o lamentarei, e não poderei nunca conseguir compensar todos quantos me amam disso, do tanto mal que os fiz sofrer. Mas, sendo eu o único culpado, não me consigo sentir culpado, do turbilhão que aconteceu depois.

Consegui voltar onde queria do ponto de vista físico. Do zombie que mal conseguia caminhar, quanto mais correr, em 2016 consegui fazer 35 atividades/sessões de running semanais entre 9 e os 14 quilómetros, por esses trilhos do meu Marvão, à volta de casa; ou à beira do mar grande e infinito, num total de 348,26 Km.

Semanalmente, nado também 1.500 metros em bruços/crawl/mariposa/costas, em cerca de 40 minutos.

Com cuidados com a alimentação, frugal e variada, consigo manter um peso a rondar os 80Kg.

Para o ano novo, peço que… tudo o que tenho se mantenha. E mais algumas coisas que gostaria. Peço aquilo que todos pedem: paz, amor, trabalho, mas Deus sabe que estou no mundo às suas ordens e cumprirei o que espera de mim. É a ele, meu refúgio, minha força, que me entrego todas as noites como se fosse a última e lhe peço paz (interior, sobretudo interior, uma vez que no mundo os interesses nunca a deixarão estender-se), e clarividência.


Que me ajude Deus.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Let him down, easy... Um tributo (George Michael 25.06.1963 - 25.12.2016)



Esta é A música. A mais significativa, a mais profunda. O tema emblemático de um artista que desapareceu, embora tenha nascido para viver da imagem. Um vídeo de palavras. Em que não aparece. Em que… diz tudo e toca na questão. Rezando por tempo. Por aquilo que é mais precioso nas nossas vidas e do qual apenas nos apercebemos da real importância quando ele afunila por uma doença que o vai reduzir a zero. A nossa maior riqueza: o tempo que temos. Porque desde que nascemos… é sempre a perder. E esta experiência
 de vida, de aproveitar tudo ao máximo, é a nossa maior valia do tempo em que estamos vivos.



O George Michael representava tudo aquilo que detestava na música, quando apareceu. Era uma carinha laroca, de uma banda que despejava hits orelhudos, para deitar fora logo a seguir. As miúdas ficavam todas malucas, a colecionarem posters para colarem nos quartos. Tudo era o que eu não queria sequer ouvir. Abominava o gajo, as poses, os trejeitos, os tiques, os sorrisos e a forma de dançar. A bem dizer, nada se aproveitava ali.


Mas os Wham acabaram e o artista foi dando provas de querer mudar. No seu disco de estreia a solo, em 87, ainda agarrado à pele de artista sexual disposto a partir corações femininos…


Já ia dando sinais de querer mudar de tom, ainda com o mesmo visual,


E ao quarto single, lança este portento escrito, composto e interpretado de forma a, nunca mais deixar nada como dantes.


Tudo apontava para um caminho que haveria de chegar e em 90 o gajo trocou-me as voltas. A mim e à Sony, contra a qual travou uma gigantesca batalha judicial, que perdeu. O menino bonito, lançou um vídeo de uma música composta por si em que, em vez dele a brilhar no ecrã, dava o palco a todas as supermodelos da altura que eu admirava todos os dias onde quer que as visse (Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington, Cindy Crawford) num clip brilhante em que surgem elas a cantar, num vídeo mágico e histórico do David Fincher (7 pecados mortais). Vi aquilo e lembro-me de ter pensado: "e esta agora?!?!"


Não era um caso isolado. O fascínio continuava à medida que o seu talento de escritor de canções e compositor de melodias se estendia. Sempre com o mesmo nível, sempre com as mesmas (boas) companhias.


Nos finais de 90, a sua conduta nada ortodoxa, os seus ímpetos sexuais e consumos alternativos colocaram-no nos tablóides de todo o mundo.


Mas era sempre capaz do melhor, para além do pior,


Fazendo a fusão com Adamski (nova geração)/ com os clássicos (Temptations) em 93



Sempre que me voltava a sentir mais distante dele outra vez, surpreendia-me. A 1 de Dezembro de 98, lança “Ladies & Gentlemen: The Best of George Michael”, com dois discos: um "para o coração" e outro "para os pés". Claro que foi o primeiro que me bateu mais, e foi a minha banda sonora numa altura muito concreta da minha vida: casei-me, fui viver com a minha mulher para Marvão, deixei de ser professor de Inglês na GNR, em Portalegre (após 3 anos e centenas de alunos); e fui trabalhar para a Amatoscar para Castelo Branco, como chefe de vendas da Opel.


Em muitas noites que depois de um dia inteiro de trabalho, depois de muito papel, muito contato, muita responsabilidade, rodar pela cidade e terras vizinhas, metia-me no carro de regresso a casa e ali tinha a minha cápsula de regeneração, o meu momento zen. Com este disco quase sempre por companhia, pensava, programava e refletia. O George Michael passou a ser dos meus, também. De odiado, a revelado, foi todo um percurso que tardou anos, mas fez-se.

Estive lá apenas uns meses e depois, saiu a nota do concurso para liquidadores tributários estagiários, que tinha feito nesse ano, em que a minha mãe teve a queda e foi pela primeira vez operada. Saiu a nota e, não fui chamado na primeira fase, mas sim, na 2ª, com o nº 2 053 dos mais de 80 000 que participaram nesse que foi um dos maiores concursos a nível nacional para a função pública. A partir daí, a história mudou. Veio Nisa, veio a Leonor, veio a casinha em Santo António, veio a colocação em Marvão. Nesse entretanto, sempre recorrente, o George ficou. Até hoje. Até sempre. Até que me lembre dele. Não sairá.












Pelas veredas de Marvão... em repeat... parece que corro sob veludo...


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

As 5 fotos para 5 dias, finalmente em exposição na taberna

Dando voltas aos meus baús de textos e posts, dei com este tão engraçado que se ia perdendo (embora o que fica na net, fique para sempre), na espuma dos dias do facebook. Um post tão bonito, publicado em 5 dias diferentes, nem sequer teve uma exposição aqui na taberna virtual… Tá mal!! Ora vamos lá corrigir isto porque este é que é o sítio.

A minha amiga Isabel Bucho, casada com o meu amigo Domingos, o professor, que levou Elvas a Património da Humanidade e em Marvão acharam que… talvez fosse melhor ser com outro, que nunca foi; com idade para ser minha mãe, mãe de meus amigos da minha idade, é uma mãe moderna, como a minha. Escreve na net, publica a forma poética como vê o mundo, divulga imagens do seu Marvão de paixão como o vê, como sendo seu, apesar de ter vindo da cidade. Há tempos lançou-me um desafio que tinha recebido e cumprido. Desafiou-me então para publicar 5 imagens, em 5 dias.

Eu cumpri mas… em sede própria. Tinha sido um repto lançado através do facebook e por lá dei azo à minha verve fotográfica. Maravilhado por ter descoberto nos smarphones, a câmara fotográfica que sempre quis ter no bolso, passo os dias a fotografar tudo, como se quisesse cristalizar o momento e guardá-lo para sempre. Quero sempre tornar o instante imune ao tempo, à dor e à própria morte.

O facebook tem ganho muito espaço ao meu blogue porque o smartphone é um fotógrafo que dorme no bolso e é muito mais rápido. Nem necessita de computador, Mas a minha taberna, é a minha taberna e há coisas, como esta, que só aqui brilham e merecem ter o destaque para todó sempre.

A voragem com que os dias se consomem não me tinha ainda permitido abrir uma exposição fotográfica desse tempo na parede mais bonita da minha taberna virtual. Até hoje.

Ao desafio, respondi:
Minha caríssima Isabel. Se há coisa a que não resisto, é a um desafio. Pode ser amistoso e trivial, como foi o seu, mas para mim, é um "põe-te à prova", a que não resisto. Posso encostar, mas a cabeça fervilha num "deixa lá ver se sou capaz..." E gosto disso. Muito. Estreichado no sofá, a ouvir a lareira e a viver na net no telemóvel, com a princesa mais velha a estudar no meu, emprestado, aqui ao lado; comecei a pensar em vasculhar o meu arquivo no google photos, essa ferramenta prodigiosa de tão útil que tem quase a nossa vida toda lá dentro; e em menos de 15 minutos, selecionei não 5, nas 20 (!!!) fotografias que agora irei ajeitar e dar um tratamento gráfico, com tempo. E só recuei até Setembro.
Sempre fui um homem de palavras, porque me saem de enxurrada, em conversa ou numa folha em branco; mas a imagem sempre despertou em mim um fascínio tremendo. Eu, jornalista, sou da opinião que uma boa imagem vale sempre mais que 1000 palavras.
Sou muito público, (quem quiser sabe tanto sobre mim...) e por ano, desde que inventaram este prodígio chamado smartphone, tiro milhares de fotografias. Dantes arquivava-as em discos rígidos, que mantenho e guardo com zelo, mas desde que a Google criou este armazém virtual de baixa/média resolução gratuito, vivo siderado.
Bom, e como a conversa já vai longa, e tenho que arrepiar caminho, vou direto à Foto 1 para o desafio da amiga Isabel. (Sempre com uma legenda antes, para contextualizar.)

Dia: 8 de Dezembro
Título: O Altar



Aqui me encosto todos os dias de manhã antes de entrar ao serviço, ficando mesmo na muralha em frente; e à noite, quando recolho. Aqui, falo em silêncio com quem creio que me ouve. Aqui agradeço por mais um dia. Aqui peço paz, tranquilidade e proteção. Aqui, humilde, me prostro e entrego. Aqui me reencontro.

E sim, nós que cá estamos, também damos valor a Marvão. Tanto valor. Não é verdade, amiga?

Dia 9 de Dezembro
Foto 2
As (minhas) donas


Deixamos as paisagens, que sempre durarão mais que nós, e centro-me nas pessoas. Na minha rainha, Fernanda Sobreiro, e princesa mais velha, Leonor. As pessoas são o que de mais importante há no mundo, para mim. E dessas, estas. A mulher mais importante da minha vida, e uma das que amo mais que nesta.

A minha Fernanda Cristina, é uma pessoa muito recatada. Vê esta minha atitude de eterno papparazzi, de colecionador de instantes, sempre com o obturador a tiracolo; não como uma extensão da minha veia de fotógrafo, de jornalista, de colecionador de instantes, como forma de contornar a finitude; mas como uma devassa do que é seu, do que é nosso, do que é íntimo e privado; logo, algo incompreensível. Eu, embora dê muitas vezes liberdade à minha rebeldia e espírito aventureiro, sou muitas vezes limitado por essa clausura caseira. E, das centenas que saco por semana, (seguramente. Que passam...) publico apenas una ínfima parte (verdade...) das que o meu smartphone regista.

Esta foi um desses casos não publicado.

Tendo-as apanhado a rir na casa de banho de baixo, afoitei-me e captei o instante, antes sequer delas repararem. A minha mão surge apenas ao canto inferior direito. De raspão. Sem querer ser travado.

O momento ficou lindo e único. Já tem dias, mas só por si e pelo seu desafio, viu a luz do ciber espaco. Bem haja por isso.

Certamente verei um cartão amarelo mas eu, membro adotado do grupo "KEKÁSABEDISSE" (para ler bem alto e sem paragens, para captar o sentido, alô Manel Coelho!), estou disposto a aceitar os embargos.

A minha esperança verdadeira, é que as minhas filhas tenham um dia prazer quando perceberem que, quando o pai já esteja velhote, ou já cá não esteja; foi feliz a viver e a registar o momento. Como eu gosto de ver as que o meu pai, João Sobreiro, me tirou. Isso para mim, basta-me. Acredite.

Estes momentos sim, são eternos. Este, já ninguém nos o tira.

Dia 10 de Dezembro
Foto 3
No topo do mundo


No terceiro dia do passeio pelas 5 imagens em outros tantos, o regresso ao morro que molda a minha paisagem e desenha o meu horizonte, a sul. Hoje, divulgo um instante captado neste, durante o meu momento do ritual "cigarro pós almoço". Sentado no meu ponto da muralha, ali encostado à guarita que um relâmpago quis derrubar durante uma trovoada medonha, quando ainda morava lá em cima, onde me sinto como o Di Caprio no Titanic do Cameron: "KING OF THE WOOOOOOORLD". Ali, tudo o que os meus olhos contemplam é meu. Ali sinto-me rei e senhor, dono de tudo, não sendo dono de nada. Fosse eu tão importante como o bom do Pessoa e ali, quando faltasse, poderiam mandar erguer uma estátua, não na Brasileira de perna cruzada, mas encostado à sentinela de pedra, a esfumaçar. Admirando o infinito que Saramago descreveu como chegando à terra toda.

Ali, pequenino, contemplando o que é grande e imenso, sinto-me mais uma rocha da escarpa, uma daquelas que ampara um dos pinheiros que, apesar do difícil que isso é, insistirem em crescer direitos, de pé, em direção ao céu.

Eu nasci ali. Eu sou dali. Eu sou Marvão.

Dia 11 de Dezembro
Foto 4
As pequenas


Eu, homem de palavras, mas no entanto, apaixonado pela imagem que já se confessou um predador incansável delas, idealizei, perante o seu desafio, revelar as minhas diferentes abordagens a estas. Pensei em mostrar a forma como vejo o mundo que me rodeia (paisagem panorâmica, foto 1); (algumas d)as pessoas que me preenchem a vida e enchem o coração (Cristina e a Leonor, foto 2); a paixão pela minha terra, a que me viu nascer (Marvão, foto 3) e tinha, como lhe disse no início, umas dezenas de fotografias selecionadas para escolher e lhe revelar melhor algumas das minhas facetas. Mas neste ponto em que recuperei o meu computador, alugado até então pela herdeira para o estudo, pensei que tinha de mergulhar num dos meus dois discos rígidos guardados a sete chaves no meu lugarinho da prateleira e encontrar aquelA foto, a preferida dos milhares (verdade!) que já tirei às minhas filhas, para fechar este desafio com chave de ouro.
Seria amanhã que a sairia.

Mas na minha busca, fui à pasta que tinha a etiqueta “A MINHA FOTO PREFERIDA DAS PEQUENAS” e não achei a que queria, mas a outra que detinha esse título antes da que buscava. O seu achado, nas minhas pastas que por vezes estão tão bem guardadinhas que nem eu consigo encontrar nelas o que procuro, desmobilizou o alinhamento que tinha na cabeça e fê-las sobrepor-se a tudo o resto.

As minhas filhas são, de todos os bens que possuo (e materiais não são assim tantos, acredite), o mais precioso. São o fruto do meu amor pela mulher mais importante da minha vida (que abomina esta publicidade, garanto), a minha força e a minha maior razão de ser.
Que melhor maneira para fechar este passeio pelas minhas imagens?

Esta foto foi tirada nas traseiras da minha casa, creio que numa altura em que estava de convalescença de uma das minhas duas operações às costas e recordo-me perfeitamente de a ter tirado. Tendo conseguido que ficassem as duas mesmo em pose e a mão de semear, quis que tivessem naturalidade e um ar descomprimido. Tirei diversas, dezenas. Até ao momento em que me lembrei de dar um roncanito à procura de um sorriso, houve uma gargalhada e fez-se luz! Ficou com este ar assombroso que ainda hoje, passados estes anos todos, a faz estar sempre na parede da minha sala de estar.
A que fui feliz e ficou bem?

Dia 12  de Dezembro
Foto 5
Filhas no Natal



E para fechar, minha cara Isabel Bucho, era esta.

Tirada na tarde da noite de Natal em 2012, há já 3 anos atrás (agora 4), quando as duas brincavam descomprometidas e expectantes no quintal da nossa casinha.
Tirei uma sequência delas, sete ou oito seguidas com a máquina da Leonor (que a minha não era má mas “morreu” de tanto uso) e de todas, em que corriam às gargalhadas, com a Alice às cavalitas da Leonor, saiu esta, que é… um portento.

Apenas a melhor foto que tenho das minhas filhas. A melhor entre milhares.

Se morasse numa casa daquelas modernaças, tinha-a a cobrir a parede toda da sala de estar. Como não moro, e a minha é convencional e tradicional, tenho-a colada no monitor do meu computador nas finanças e de cada vez que olho para ela, sinto-me bem. Sinto-me feliz. Sinto que o meu lugar na terra, que ainda está a ser construído, todos os dias, faz sentido. É uma foto que irradia luz e me enche de alegria.

Esta foto sou eu. Eu, que continuo. Eu, que não acabo quando acabar. Eu que viverei sempre delas e nelas.
O amor não pode caber numa imagem?
Uma imagem não pode valer mais que 1000 palavras?

Pode sim.

E a prova está aqui.

Para si, um grande abraço e bem haja pelo desafio. Se não tivesse sido o apelo de uma pessoa amiga, que conheço pouco mas considero bastante, que utiliza muitas vezes esta ferramenta poderosíssima que é o facebook, não para divulgar o trivial, o banal e os lugares comuns como tanta gente; mas que antes divulga fotos que nos trazem algo mais aos nossos dias e partilha pensamentos poéticos que revelam que nessa alma há sempre um mundo… diferente; que é uma utilizadora que considero da minha divisão; provavelmente nunca revelaria estas fotos que nunca antes revelei.

Vivi feliz ao fazê-lo.


Obrigado.