domingo, 3 de maio de 2020
domingo, 19 de abril de 2020
Um mundo: Juntos em casa _ contra o Covid... marchar, marchar!
Olhem, lamentavelmente, ontem não consegui acompanhar o megaconcerto
solidário organizado pela Lady Gaga em direto porque… por volta da meia noite… chega a minha hora
da Cinderela e essas aventuras de um gajo ficar noite fora a ver televisão… já
foram.
Mas amante da música e deste mundo do showbizz, não poderia
deixar de ver, não é? De forma que hoje, num dia que me consagrei de férias do
estudo tributário em que tenho andado envolvido, claro que não descansei,
enquanto não o vi. Afinal, este festival
virtual "One World: Together at Home", que reuniu grandes nomes do
mundo do espetáculo que se uniram para homenagear aqueles que estão na linha da
frente na luta contra a pandemia do COVID-19, conseguiu angariar 127,9 milhões
de dólares!!!
Consegui descobrir esta versão no facebook que se assemelha
mais à versão que vi, transmitida através da TVI, porque na net, há diversas
versões, com outros artistas. Esta, para além de muitos testemunhos, imagens, e
relatos, tem uma Lady Gaga surpreendentemente sóbria e discreta, a principal
organizadora deste evento, a abrir com uma versão do Smile do Charlie Chaplin
(!), como que se fosse um grito de esperança para o mundo.
Depois chegou o grande Stevie Wonder, que não consegue já esconder
a passagem do tempo, no aspeto e na voz, que se uniu ao coro com um galvanizador
“Lean on me”. O Elton John que se segue também não consegue esconder que os
anos passam… e pesam, mas o seu “I'm Still Standing” é pleno da garra,
pujança, e palavra que me chegou a emocionar. Que coisa linda! Este seu grito de
quem ainda resiste de pé, será certamente dedicado a todos os que ainda lutam
contra esta enfermidade, e aos profissionais de saúde, que não baixam a guarda.
A emissão adoça com os namorados Shawn Mendes & Camilla Cabello, que protagonizam um lindíssimo dueto interpretando “Wonderful World” de Louis Armstrong. Segue o grandioso Eddie Veder, a interpretar a solo, ao piano, “River Cross”, do seu novíssimo disco a solo, “Gigaton”. Para quem cresceu a ver aquele vocalista cabeludo dos Pearl Jam, que fazia stage dive nas atuações ao vivo, quando saiu o seu seminal “Ten” (que ouvi tantas vezes, até à exaustão), nunca imaginou, 30 anos depois, vê-lo assim, ali, a solo, a tocar ao piano na sua casa, enquanto eu estou sentado na casa de família onde vivo.
Esperava novas vozes, verdade, e a Lizzo, com "A change
is gonna come”, (hope so), encheu-me, numa prestação encantadora.
Também esperava monstros consagrados e os Rolling Stones, que
o puto Sabi viu pela primeira vez em Alvalade, em 1990, com “(You) Can't always
get whay you want” foram uma perfeita delícia, apesar do Keith não estar
ao tocar um cú, e da banda detrás ser por demais evidente. Eu adoro aqueles
homens e merecem tudo só por conseguirem ainda estar vivos, quanto mais!
Em Lisboa foi assim, mais ou menos, que eu lembro-me…
Também
adorei a versão do clássico “Stand by me”,
do Ben E. King, protagonizada pelo
John Legend e pelo Stan Smith, longe, mas tão perto. Sempre clássico e infinito foi o arrepiante “When September ends”, interpretado de forma maravilhosa pelo grande Billie Joe Armstrong, dos Green Day, a solo, à viola.
John Legend e pelo Stan Smith, longe, mas tão perto. Sempre clássico e infinito foi o arrepiante “When September ends”, interpretado de forma maravilhosa pelo grande Billie Joe Armstrong, dos Green Day, a solo, à viola.
A esfuziante Billie Eilish tem então uma interpretação
encantadora do clássico “Sunny”, acompanhada pelo irmão Phinneas ao
piano, num entendimento impressionante.
Antes de fechar, a lindíssima Taylor Swift, também um nome
importante nesta organização, cantou a solo, ao piano, mostrando que talento e
beleza também jogam, e quando assim é, fazem o pleno!
A versão que eu poderia ter visto ontem, e que hoje pude, tranquilamente, degustar termina com um final apoteótico, q.b., com cada um em sua casa, com a Lady Gaga, o Andre Bocelli, e a Celine Dion, ao piano, interpretando um tema não tão conhecido, mas ao qual dão, neste contexto, uma versão galvanizadora! Que assim seja!
Vejam que vale a pena! Bon apetit!
Ligação para o show: https://www.facebook.com/watch/?v=2471652033052027
Labels:
Música,
Vendo o mundo
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Devaneios da caserna
Nestes
dias de pandemia, em que todos pedimos, os que acreditam e não, que ela passe
ao lado e nos poupe (a luta pela sobrevivência é uma constante inata do ser
humano), vivemos confinados como jamais antes, e nunca esperámos vir a estar um
dia.
Vou
trabalhando, estudando, fazendo o que tem de ser feito, mas de vez em quando vou-me
entretendo no meu recreio online onde confraternizo, tenho o meu espaço, e dou
largas de mim, porque viver com 3 mulheres, apesar de serem as que eu mais
quero no mundo, e às vezes já não sei se elas me querem assim tanto bem a mim
(fazem cá com cada complot!), é… obra!
Alguns
destes vídeos já não devem ser novos para todos, mas como gostei tanto,
gostaria de os “colar” aqui, para que fiquem.
Estudam
tanto na busca do tal medicamento, da tal vacina que seja capaz de todos
salvar, e afinal a cura… está aqui à mão. Perdoem o linguajar mas o homem é do
norte, carago!
E
há também a versão das beiras…
Quando
puxa ao som, também é agradável e libertador:
Certa
noite… “Hoje, apetecia-me ter umas colunas poderosas capazes de debitar este
som na rua ao ponto de rebentar com as janelas todas, incluindo as minhas!!!,
assim ao estilo do poder de um avião jumbo; e ir dançar para o meio dela em
tronco nú, com a palavra COVID 19 escrita no peito, riscada a vermelho vivo de
um lado ao outro, enquanto gritava também bem alto: F... YOU!!!! I WON'T LET YA
DO WHATCHA WHAT YOU TELL ME!!!!!!!!!!
Depois
era internado e acabava tudo.
(que
som poderoso! Aqui com um Zack de la Rocha estranhamente abaixo da garra dos
colegas, sobretudo ao início (foi crescendo e acaba em ombros), mas com o Tom
Morello em grande, tal como o baixista e baterista. Isto é mesmo a banda sonora
ideal para retratar os piores cenários apocalípticos em Itália, e Espanha, com
que somos confrontados nos noticiários, todos os dias.)
BURN
IN HEEEEEEELLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!
Outra pérola para animar as nossas
noites, porque com o vosso Tio Sabi de Dj, a música é outra: desta vez, o
fabuloso, mirabolante e hipnótico circo dos Rolling Stones serpenteia em
devoção ao diabo, com o malogrado Brian Jones nas maracas, o John Lennon completamente
fora, já com os Beatles em curva descendente, tripando como um louco, e se não
houvesse amanhã.
A música... a MÚSICA... esta música já
acabou, para mal dos nossos pecados.
Se agora quem dá concertos e enche
estádios, são os meus colegas Djs...
Olhem, METAM MAIS ALTOOOOOOOOOOOO e
curtam bem!!!!!!!!
A domaniiiii...
Ontem num
puro exorcismo destes tempos terríveis: "When the music is over"
pelos únicos mestres absolutos, no seu pico de carreira, no seu habitat
natural: on stage, no “Whisky a Go Go”, em Los Angeles
Hearing
the scream of the butterfly...
Amando
este Jim lindo de morrer, nos seus rebeldes vintes e muitos, com as calças de
cabedal bordeaux, o cinto clássico e a camisa branca, repreendendo o público
com um delicioso "is this the way to behave in a rock'n'roll concert...
"
O que teria
sido se não tivesses partido assim, meu monstro sagrado... Respect...
Aqui
numa versão do original, gravado a preto e branco, do extraordinário projeto
colouring the past.
Labels:
Música,
O nosso Portugal
domingo, 5 de abril de 2020
Longa se torna a espera...
E
prontos, vivemos dias em que a grande merda está armada, e não foi preciso uma
invasão extraterrestre, com montes de naves a aterrarem em todo o globo, a vomitarem
homenzinhos verdes com olhos no sítio onde supostamente deveria ser a testa,
com muitos braços a saírem de todo o lado, ou aventesmas gigantes a babarem-se
de um verde tóxico radiativo que furava o globo daqui à Austrália, que fica
dizem que fica do outro lado, abaixo de nós.
Dizem
que é uma merda de um vírus, ainda por cima com um nome de poucas letras, começado
com a letra c e terminado em ona, dando azo à vil verborreia de quem nada sabe
dele, mas que o odeia cada vez mais, pelos danos… irreparáveis, digo eu, que
está a provocar na nossa maneira de ser.
Desde
pequenino que sempre me ensinaram… ó Pedro, dá um beijinho! Ó Pedro… dá um
passou-bem ao senhor… e o Pedro, bem educadinho como sempre foi, dava.
Hoje…
se fosse hoje, FOGE-TE! É que esta manigância é de tal forma perniciosa que
quase sem nos darmos conta, passámos a viver com medo uns dos outros, e já ninguém
consegue falar para quem está à sua frente, aos dois metros de distância de
segurança, claro!, sem no subconsciente estar a magicar se estará perante um
destes novos leprosos, que até podem ter um aspeto do mais natural possível,
mas que têm já o mal a minar-lhe todo o interior, como se de um cancro se
tratasse.
E
“obrigam” entre aspas a gente a ficar em casa, a estar em casa, a permanecer em
casa, e mesmo quando vivemos com as pessoas que mais amamos no mundo, a que
escolhemos, ou nos escolheu a nós, e as que gerámos, o ar começa a ficar… tão
pesado que se torna quase irrespirável, ó valha-me Deus!
Como
o meu pai sempre dizia, “cada um é como cada qual”, e eu só depois vim
descobrir que o resto da frase que ele tantas vezes proferia e nunca terminava,
é: “e cada qual é como a p*** que o pariu”, as pessoas, por mais que se amem,
precisam de espaço.
Espaço.
Essssspaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaçoooooooooooooooooooooooooooooooooo,
percebem?
Espaço
para ter a sua área de existência, para respirarem, para serem elas. Eu tenho a
sorte de viver com 3 mulheres e… tenho a sorte (ou não!) de perceber que a
forma como os cérebros masculino e feminino funcionam, é de maneira diferente,
não me venha cá com porras!
A
qualquer coisa, qualquer ínfima divergência que surja nesta contingência
completamente contra-natura em que vivemos, o dROCAS fica de um lado, e as 3
fêmeas agrupam-se todas do outro lado, como se fossem gladiadoras em fileira
perante a fera que as quer devorar no circo de Roma, com uma naturalidade
estonteante, e impossível de contestar.
Ahhhhh…
coitadinho…
AHAHAHAH…
eu (ou nós) vi(mos) logo que iria ser assim…
Opá,
pai/ou marido, tu não estás a ver bem… (em coro)
São
muitas das lapidares com que tenho de me habituar a viver, para que não hajam
muitas ondas. Por isso, aprendi a tolerar a quase sempre presente SIC Mulher no
ecrã principal cá de casa, ou o programa de casamentos às cegas nos States, em
que as donzelas escolhem o marido de entre diversos candidatos, e vice-versa;
ou a paixão pelo futebol da mais pequena, que me passa a tarde a ver jogos do
Benfica (menos mal) como por exemplo este que dá agora, contra o PSV, para as
competições europeias há 10 (!!!) anos atrás, ainda com o Gaitán, o Saviola, o
Luisão, e o J.J…. MEDO!!!!
Por
falar em bola, se me dissessem a mim, ou a qualquer um do vocês, há 1 ano atrás,
que haveria de haver uma cena qualquer que faria parar o campeonato nacional, assim do nada, semanas
sem fim à vista, eu diria logo que só poderia ser uma guerra nuclear
despoletada por um míssil qualquer marado daqueles que atravessam o globo e
caem do outro lado com uma margem de centímetros, mandado pelo maluco do coreano,
ou pelos barbaças iraquianos que prometem a morte do abrasado do amaricano, que
responderia de imediato.
Semanas
sem futebol?!?!? Semanas sem aquele pica constante do ganha/não ganha, sem a
picardia de que eram feitos os nossos dias, sem aquela bulha diária os jornais,
sem as nossas tardes/noites no nosso Chocolate (a.k.a. Pastelaria Caldeira) a
saborearmos as nossas babosinhas sempre a escorrerem espuma branquinha pelo copo
e depois balcão abaixo até ao pratinho de tremoços, ou amendoins? NUUUUUUUUUNNNCCAAAA
TAL!
Depois,
eu que vou vendo as notícias nos meus pequenos aparelhos, evitando que as
pequenas se apercebam da gravidade e da monstruosidade deste tsunami, fico
sempre boquiaberto e agoniado com as autênticas guerras civis em Itália,
primeiro; e agora em Espanha, que me fazem sempre temer que esta avalanche,
mais tarde ou mais cedo, virá desembocar neste ponto mais baixo da Europa.
Se
pensar nas Américas, no bronco do presidente de raposa morta na cabeça que só
se lhe vê o rabo, que manda meter máscaras mas que diz logo a seguir que ele próprio
não o fará, e no indescritível Capitão Resfriadozinho… piora!
Cada
vez mais me convenço que as teorias da conspiração, a aparecerem, fazem agora
mais sentido que nunca. Todos já sabemos que para o mundo, esta nova pneumonia
surgiu em Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China,
num daqueles mercados de animais vivos em que os gajos comem tudo aquilo que
mexe. Mas cá para mim, essa teoria que envolve um pangolim a fornicar com um
morcego, ou vice-versa, que originou esta desgraça à escala mundial… não cola!
Opá… pelu amôr dji
DDDDEEEEEEUUUUUSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS…
Os
chinocas duram que se fartam, comem muito pouco, só coisas que não fazem mal, e
esses bacanais inter-espécies, devem ser coisas usuais há milénios.
![]() |
| Um panglim é isto... |
![]() |
| Este sabem o que é. É pichalhudo mas...naaaaa |
Já
vos falei naquele médico com idade avançada que trabalha numa das frentes de
batalha em território nacional, no Porto, e sobre aquilo que ele disse, creio
que na RTP? Pois o Sr. que lida, e sempre fez toda a sua carreira, com as
doenças infeciosas, e as lesões por elas provocadas no corpo humano disse que
já lutou contra a gripe A (que me levou o meu Chefe e querido Amigo António
José Correia, de Nisa, paz à sua alma boa!), com a gripe das aves (barraca da
China e tudo aquilo que eles comem, outra vez), com o Ébola (em que os manos
rebentam todos por dentro e deitam sangue fora, das orelhas ao olho do cú), e
nunca viu nada com o poder disto. Para ele, o Corona Vírus, É O Vírus.
Muita
coisa pode dali nascer, podem existir mutações, os medicamentos que amortecem o
efeito e a vacina podem tardar, e uma coisa está a ficar certa: nunca mais nada
vai ser igual! Como disse, se o vírus pode ficar sei lá quantos dias nas
estradas, também pode ficar perfeitamente numa nota, ou numa moeda se um
contaminado lhe tossir para cima. E aí, todo este nosso mundo vai ruir e… não
faço ideia do que poderá vir depois.
Agora
acordo sempre sozinho porque falo alto de noite, a pequena assusta-se, e a mãe
vai fazer-lhe companhia. Como não falar de noite?!?!?
Porra,
onde é que eu me imaginei metido numa destas?!?!?
Eu
sonho é com uma tarde das nossas, com o meu pessoal, no nosso sítio… mas depois
penso naqueles que estão de barriga para baixo, ligados aos ventiladores, sem
verem ninguém… penso naqueles que já foram… e nos seus familiares que nem
sequer se puderam abraçar uns aos outros, e só me apetece chorar. Se ao menos conseguisse…
Labels:
O nosso Portugal,
Vendo o mundo
quarta-feira, 25 de março de 2020
A angústia da suspeição (que nos sufoca... a todos)
(nota do Tio Sabi, o vosso escriba: esta publicação foi muito elaborada, trabalhosa, e contém profusa informação que convém ser aproveitada, porque o assunto é sério, e só não tem consciência que os nossos tempos estão a mudar, quem também olhou para o 11 de Setembro e achou que aquilo dos aviões irem contra os prédios, os tontos, foi apenas um azar. Aconselho vivamente a visualização da entrevista ao Dr. Fernando Maltez, que estando à frente do Hospital Curry Cabral, está a comandar as operações no olho do furação. Tudo, como sempre, gratuito e a pensar em vocês, meus fiéis leitores. Forte abraço e que a sorte vos proteja. A todos nós)
Nasci em democracia, num mundo de comodidades, e tenho levado a minha vida toda a pensar que poderei chegar a velho. Sempre imaginei isso mesmo, o Sabi idoso, sem cabelos brancos porque já não os tem, mas capaz de se reformar e andar a passear os netos pela mão. Agora, da maneira que as coisas estão, o mais certo é termos de andar de bengala a trabalhar até que caíamos redondos sobre o balcão, e esta do novo corona vírus, vem baralhar tudo. Pergunto mais: e será que poderá ter mutações? Novas vidas? Atrás desta versão, poderão vir mais?!?!?
Parece que já é muito comum que haja quem não entre em casa com os sapatos que usa na rua, porque pode ser um veículo transmissor. Quem está por dentro da matéria, já me fala em meter a lavar a roupa que se usa lá fora (quando se vai passear o cão, ou trabalhar, como eu faço, ainda que seja de porta fechada, em backoffice) assim que se entra em casa; que, em vez de se tomar banhinho de manhã, se faça assim que se regressa, e POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORRRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!
![]() |
| Centros lúdicos de grande espetacularidade transformados, de um dia para o outro... em hospitais e... morgues gigantes |
![]() |
| Essa dor dilacerante de um nem sequer poder abraçar os seus entes queridos, na partida de outro que já foi |
Tenho
de começar por dizer que estamos todos, repito, todos a viver um pesadelo
tremendo, que revira por completo tudo aquilo que tomávamos por certo,
garantido, intocável, e… encharcado de suor nos lençóis, exaspero porque nunca mais
toca a porra da campainha para que possa ir mijar!
Nunca
tinha visto isto e pensava que nunca haveria de o viver. Parece que o mundo
está em suspenso e foi tirado do seu eixo habitual! Só dá isto nas notícias,
não se vê ninguém nas ruas, tudo parou.
Bem
sei, e insistem que não é um vírus criado por mão terrorista, num bunker
qualquer escondido nessas zonas do globo, que vivem numa paranóia de exterminar
o nosso modo de vida, ocidental, civilizado, mas de verdade que é só o que
parece. Só falta o vírus transmitir-se mesmo pelo dinheiro para… isto ser tudo de
certeza, uma obra maquiavélica para exterminar a nossa forma de viver.
Nem
os fins de semana antes deste verdadeiro tsunami de medo, que eram
habitualmente dias tranquilos, desafogados, para se estar com a família e os amigos,
a fazer aquilo que mais gostamos (desporto, imperiais e futebol, escrever e ver
filmes, séries e documentários); deixamos de ter esta nuvem de suspeição
invisível que paira sobre nós, que nos ameaça, nos sufoca, pesa sobre a
passagem dos minutos. Já devo ter “ouvido” esta imagem algures, mas a verdade é
que sinto como se estivéssemos, num mergulho forçado num túnel que ninguém sabe
quando terá fim à vista, ou sequer se o terá, um dia.
Falo
com amigos comerciantes cá da terra, e em jeito de abertura de conversa,
deixo-os sempre falar. “E esta merda?”, pergunto eu, seja à porta da sua loja,
ou perto da carrinha onde habitualmente mantêm os seus negócios.
Eles…
carregam a cara, fazem uma careta, metem a língua de fora, deixam cair a cabeça
e dizem que não, enquanto deixam fugir um “isto está a ser terrível!” entre os
dentes. Lamentam que as pessoas deixaram de lhe comprar o seu produto porque
fecharam, outro teve de mandar fechar todas as suas lojas porque… as pessoas,
pura a simplesmente deixaram de ir lá, e as funcionárias estavam amedrontadas,
em stress, sem nada para fazer…
O
mal é geral. Assisto a uma reportagem sobre as estufas do Algarve e… não há
palavras porque… está lá tudo dito.
![]() |
| https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-03-22-Dispensados-100-trabalhadores-de-viveiros-de-plantas-no-Algarve |
Nasci em democracia, num mundo de comodidades, e tenho levado a minha vida toda a pensar que poderei chegar a velho. Sempre imaginei isso mesmo, o Sabi idoso, sem cabelos brancos porque já não os tem, mas capaz de se reformar e andar a passear os netos pela mão. Agora, da maneira que as coisas estão, o mais certo é termos de andar de bengala a trabalhar até que caíamos redondos sobre o balcão, e esta do novo corona vírus, vem baralhar tudo. Pergunto mais: e será que poderá ter mutações? Novas vidas? Atrás desta versão, poderão vir mais?!?!?
Se
um indivíduo pratica uma alimentação cuidada e sem excessos, se não os tem
habitualmente, seja de que ordem for, se pratica exercício e leva uma vida
realizada, feliz com a família, pode não ter assim uma segurança tão grande em
que tudo correrá bem.
Do
nada, aparece-me esta barraca e… já foste!
Agora, até mesmo
os que não tinham o hábito de acompanhar diariamente a comunicação social, não perdem
as últimas desta vaga avassaladora, colados ao ecrã, e tremem por constatar que
o que devastou a Itália, lá semeou o medo, o pânico e a morte; continua a vir
pela Europa abaixo, como se de uma mancha de petróleo se tratasse. Neste
momento, esta pandemia arrasa Espanha, e hoje, dia 25 de Março de 2020, registou
ali 3.434 mortes, tendo-se transformado no segundo
país com mais mortes, apenas superado pelo drama vivido em Itália, onde se contabilizam
mais de 6.800. Por cá, no cantinho à beira-mar plantado,
dizem-nos que o pico poderá chegar em Abril. Será?!? E até lá?!?!?
Eu
próprio, que não me considero dos mais desinformados, parece-me muitas vezes
que já não sei bem para onde eu, e os meus, nos havemos de virar. Felizmente, o
Alentejo tem continuado a resistir heroicamente a esta intempérie de desgraça,
quase como os gauleses resistiram aos romanos, mas…
Por
aqui… resguardados, mas sempre preocupado com os meus mais queridos que vivem
em cidades, e estão mais em contato com pessoas, ajuntamentos, e infeções.
Tento
reunir a maior informação possível, muita da qual, difundo aqui (se puderem,
não deixem de ver esta belíssima e muito clarificadora entrevista, a um dos
homens da frente de combate, o Dr. Fernando Maltez, responsável pelas doenças
infeciosas do hospital Curry Cabral. É uma hora que vale muito a pena!), e o
folheto da Direção Geral da Saúde.
Vivi
muito tempo a pensar que para que houvesse contágio, teria de existir contato
direto com gotículas expelidas por uma pessoa infetada através de um espirro,
ou “gafanhotos”, que entrasse no corpo do novo rector pelos olhos, nariz, ou
boca. Pensei por isso que para ficar livre da doença, bastaria a distância
mínima de segurança de uma pessoas infetada (metro e meio/dois metros), evitar
espaços com muita gente, que favorecessem a proliferação do vírus (idas às
praias aos primeiros calores, e grandes saídas noturnas foi mesmo uma
ultra-mega-burrice à tuga); evitar partilhar objetos com sinistrados
(teclados/telemóveis/beijos e apertos de mão… todo o contato físico, afinal),
mas agora… um vírus que aguenta 8 dias num ambiente hostil?!?!? O
grandessíssimo filha da puta!!!
Com
a atual razia em Itália (que guerra desgraçada!!!), em Espanha, na Alemanha, no
Reino Unido, nos Estados Unidos do louco com o cabelo amarelo, nas praias do
maluco do capitão brazuca, enfim, à escala planetária!, e a força que vem a
descer por aí abaixo, que faz com que as previsibilidades apontem para o auge
do flagelo no nosso país em Abril. JÁ NÃO SEI ONDE É QUE ME HEI-DE
ENFIAR!!!!!!!!!!!AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH
![]() |
| Sic - Reportagem - Mortos na Europa por Covid 19 |
É
que o planeta está todo apanhado, e já não há sítios limpos para onde bater
asa!
(Desculpem,
é só um desabafo aqui, que eu tenho filhas pequenas que tenho de acautelar…)
![]() |
| SIC_Reportagem_Mortos no mundo por covid 19 |
Parece que já é muito comum que haja quem não entre em casa com os sapatos que usa na rua, porque pode ser um veículo transmissor. Quem está por dentro da matéria, já me fala em meter a lavar a roupa que se usa lá fora (quando se vai passear o cão, ou trabalhar, como eu faço, ainda que seja de porta fechada, em backoffice) assim que se entra em casa; que, em vez de se tomar banhinho de manhã, se faça assim que se regressa, e POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORRRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!
Quando
era mais puto, era muito mais hipocondríaco e abrasado! Estou com medo que esta
fobia me dê um amok e passe a andar
feito queimado, maluquinho das limpezas. Começam-me a falar nisto, e todo eu
sou comichões e formigas imaginárias a andarem em correria nas costas! No outro
dia até me fui despir à casa de banho lá do serviço só para ver ser eram de
verdade! Opá, não se brincam com coisas sérias que o homem... sofre!!!
Se
me ponho a lavar as mãos à vontadinha… quando for renovar o cartão do cidadão
aos colegas da Conservatória… tenho de pedir o dedo emprestado a um, para fazer
a impressão digital.
Dos
líderes do grande mundo, para além do meu amigo Marcelo que ainda é pior que
eu, que certamente já fez uma ronda de inauguração pelos hospitais de campanha,
que foram propositadamente criados, só para fazer um teste em cada um; destaco
o pequanelho Macron que grita “nous sommes en guerre”; o convencido do Trump,
que respondendo aos jornalistas classificou a sua posição perante o infortúnio
com um 10; e sobretudo a Angela Merkel, a Dona da Europa que com um nível
impressionante, catalogou a presente guerra como a maior desde a segunda
mundial, a tal em que o mundo todo se uniu aos americanos e aos russos, para
bater nos seus ascendentes.
Oxalá
esta também a ganhemos!
Tenho
de aqui, publicamente, manifestar TODA A MINHA ADMIRAÇÃO E PROFUNDO
AGRADECIMENTO A TODOS OS SOLDADOS DA FRENTE MÉDICA QUE LUTAM A NOSSO LADO, E
TÊM SIDO VERDADEIRAMENTE IMPRESSIONANTES! Têm feito um esforço sobrenatural,
sobrecarregados de horas e mais horas, colocando a sua própria vida em risco, e
comovendo por nunca baixarem os braços.
Aqueles
e aquelas que regressaram às funções depois de aposentados, os que chegaram a
abandonar os cargos que ocupam atualmente, como o Dr. Varandas, Presidente do
Sporting, dão um exemplo tremendo de força, entreajuda e solidariedade que é
capaz de arrastar montanhas.
Também
a Sra. Dra. Graça Freitas, Diretora Geral da Saúde, tem tido uma, quanto a mim,
extraordinária atuação, conseguido fazer esquecer-nos de pensar qual seria a
postura do seu antecessor, Francisco George, que conseguiu manter sempre um
nível altíssimo.
Uma
pergunta continua a ecoar na minha cabeça, e ainda não consegui reunir
informação sobre isso: os recuperados recuperam mesmo?!? De que forma se
consegue?!?!? E aqueles pulmões.. como ficarão no futuro? Qual será a sua
capacidade de regeneração?
![]() |
| Raro momento de humor, para quebrar o gelo, em que a Diretora Geral da Saúde despediu os tradutores de língua gestual, que só sabem tirar macacos do nariz (ver ligação), e ela própria tentou reproduzir as caretas da ministra da saúde, o meu amor, que para celebrar, fez uma carinha tão engraçada |
Depois,
haverá sempre a tal história da vacina que hoje é o santo graal da saúde, tendo
destronado a cura para o cancro, SIDA, e outras doenças terríveis do nosso
tempo. Era bem positivo, se as grandes potências mundiais corressem todas para
ver qual sairia vencedora, e pudesse assim dar um grande contributo para a
humanidade.
Poderiam
ganhar dinheiro com isso, poderiam fazer jogo branco e jogo sujo, mas que
salvassem caramba! Tantos cientistas no mundo inteiro, tantos
super-computadores, e não haverá uma saída?!? Só daqui a um ano?!?!?
Suspenso.
Em suspenso estará o nosso futuro, e as nossas, outrora, tão programadas vidas.
![]() |
| Um resumo muito bom da pandemia, em 40 fotos legendadas, sempre atualizadas, no link abaixo: https://www.dw.com/pt-br/coronav%C3%ADrus-as-principais-not%C3%ADcias-sobre-a-pandemia-04-04/a-53016139 |
![]() |
| https://www.rtp.pt/play/p6954/e463671/especial-covid-19 |
Labels:
Mundo Real,
O nosso Portugal,
Saúde
segunda-feira, 23 de março de 2020
As manas rock'n'roll
Este vídeo marca um tempo. Nunca mais nada foi assim, e ele há-de sempre recordar-nos como foi, um dia.
23 de março de 2014 às 17:14. Uma com 4, a outra com 13.
No início, acharam muita graça, e por isso acederam a deixar fazê-lo.
Era uma brincadeira delas… que o pai pôde filmar.
Depois, a mais velha deixou de gostar, pela mudança de idade e por se passar a sentir incómoda e comprometida.
A mais pequena, deixou-se influenciar pela exposição (e os
medos que lhe incutiam), por ser pequena, e deixou de gostar também.
Hoje, eu, que o sabia perdido no facebook, e ele mo
recordou, quero “colá-lo” aqui, no sítio certo, para que fique para sempre.
Revemo-lo em conjunto, e vê-las a divertirem-se tanto hoje com a memória, uma rindo
de cada lado, faz tudo valer a pena.
Hoje já gostam. Imagino daqui a 10, a 20 anos, quando o
puderem ver com os seus filhos, numa altura em que eles tenham a mesma idade.
Obrigado...
Obrigado...
sábado, 21 de março de 2020
Parabéns, Calyzita!
| Uma foto do meu querido amigo Pedro Silvério, creio eu, da última vez que te levei à torre de menagem do castelo de Marvão. Hoje seria impossível. E a tu cara? Ai meu Deus... que alto| |
Nestes
últimos estranhos tempos de recolhimento e aprendizagem comum, tenho-me
apercebido que muitas pessoas têm, de sua livre e espontânea vontade, iniciado
diários digitais nas diversas redes sociais, que funcionam como um manual de
sobrevivência ao isolamento, pois o convívio é, para nós, seres vivos,
absolutamente essencial, por sermos gregários e necessitarmos uns dos outros
como de ar para respirar. Perante esta manifestação, constato que o que está
realmente ali de essencial, não é aquilo que mostram aos outros, os jogos que
os entretêm em família, os ambientes onde vivem, mas o facto de combaterem a
solidão, por mais acompanhados que estejam. Aquilo pode não chegar a ninguém, o
que certamente não será o caso, mas a eles sabe-lhes como se fosse um maná dos
céus: aquece, consola, satisfaz, tranquiliza, rejuvenesce, é um sinal de
esperança e sanidade.
Sorrio
por dentro e percebo que este blogue é também precisamente não mais que isso, e
quem por cá costuma passar, ou o segue desde o início, há mais de 10 anos desta
aventura que é, no fundo, a minha vida; sabe-o perfeitamente.
Hoje
vivo um enorme dia de festa e aqui o quero partilhar, embora seja uma festa tão
completamente diferente da festa que poderia ser se tudo fosse tão diferente,
mas a verdade é que é festa na mesma! A minha Calizita completa hoje 89 anos de
vida, no dia em que começa a Primavera. Eu, que de todos os seus tão amados
sobrinhos, sinto que fui sempre diferente pelas contingências que rodearam a
minha vinda a este mundo, quero felicitá-la como o filho que nunca teve, porque
ela sempre foi uma segunda mãe para mim. Só não pariu, termo técnico utilizado
pelos que sabem, mas sempre foi uma fonte de amor, de aconchego tremenda, que
sempre me acompanhou ao longo da minha vida.
Calizita,
falo-te como se percebesses o que estou a dizer, a conversa fosse percetível, e
assim para ti, entendível. Faço-o porque para mim é mais fácil assim, porque é
melhor.
Fazes
anos e… não só não te lembras do que isso significa, como não te posso ir ver.
Gosto
tanto de ti…
Quero-te
tão bem. Amo-te tanto…
Não
me consigo lembrar de uma única vez na vida que te tenhas zangado comigo! Das
vezes em que tentaste, se é que o fizeste, porque não me lembro de uma só, antes
te deixavas rir e acabávamos os dois sem saber porque tinha começado tudo.
Falam-me
em ti, e eu… que passava os dias contigo na casa da tua mãe, a minha querida avózinha
Joaquina, lembro-me de estar muito pequenino, deitado na tua cama à noite,
resguardado do frio, embora morasse apenas a escassos metros dali, ao cimo da
rua. Nunca ouve pessoa no mundo da qual recebesse um amor tão puro, tão
benevolente, tão condescendente, tão sem pedir nada em troca. A mãe de verdade
sempre exigiu, e bem (comportamentos, pessoais e cívicos, prestações escolares…),
ralhava sempre que tinha de ensinar; a mulher sempre esperou um companheiro e
tudo o que ele deve dar, em todos os campos da vida conjugal, e desde que há
filhas, mais ainda; as outras tias tinham os seus próprios filhos, que
obviamente lhe ocupavam a atenção; mas… sei que sempre fui o teu menino, que
nasceu quando solteira como sempre foste, tinhas 42; e nem o meu irmão, que
chegou 6 anos depois, mereceu a mesma atenção porque, lá está, as tuas
contingências eram outras, a mercearia já estava aberta, e tudo era tão
diferente nesse então.
Agora acatamos, claro, as
orientações da Santa Casa da Misericórdia onde te encontras, que reduziu as
visitas a um familiar, e é a minha mãe quem habitualmente te visita, mas quando
assim não era, não passava uma semana sem que fosse ver como estavas, embora já
não saibas o que é isso do tempo. No final de cada visita, em vez da felicidade
do dever cumprido, ficava sempre antes com um sabor amargo na boca, e era
incapaz de deixar de me sentir um canalha, por deixar a sós que tudo fez por
mim.
![]() |
| Com as amigas da tua nova família, que tanto te tratam bem... A mina gratidão não tem fim... |
Depois das despedidas feitas fico sempre a olhar a sala onde costumas estar sentada, com todas as tuas colegas, tendo uma imagem da tua Nossa Senhora do Carmo colocada em cima do armário em frente, e respiro sempre fundo, pensando duas coisas: no bem que estás ali, e até quando cá te terei.
O
facto de ter conseguido que entrasses para a Santa Casa foi o garante que fez
com que pudesses estar ali mais 6 anos tão tranquilos, já desde 2014, quando
entraste; tão bem vigiados, tão higienizados, tão bem alimentados, tão felizes.
O
darem-te a comidinha na boca como aos passarinhos, muitas vezes passada, porque
até de mastigar te esqueceste; o estares sempre asseada, a cheirares bem; bem
vestida e aconchegada, bem vigiada medicamente, deixam-me estar tranquilo.
Das
vezes que lá estou, sempre que entra uma funcionária com quem tenho mais
proximidade, ou porque tem uma filha um pouco mais nova, mas da minha idade; ou
porque tem um filho a quem já dei explicações, de quem sou amigo e vizinho; ou
porque somos da mesma idade e mais próximos, diz: olha Cali…. Ai quem temos cá
hoje? É o menino? É o Pedro da Cali? Derreto-me todo por ver a alegria nos teus
olhos, com o ar de quem está mesmo a perceber e quase diz que sim, que o amor
ainda está em ti.
Há
muito que acredito que todos temos um plano a seguir nesta vida, e não somos só
nós que o definimos. Tu que lês, pensa na tua vida, e cedo perceberás que para
estares no sítio onde estás hoje, muita coisa aconteceu para teres essa
família, esse emprego, essa situação na vida, e muitas delas não foram
decididas por ti.
Não
sou egoísta ao ponto de pedir a Deus que te mantenha por cá mais um ano nesta
vida, embora isso seja aquilo que mais sonho e desejo. Não vegetas mas apenas
estás. Eu adoro sempre ver-te porque és minha, e esse corpo onde vives, foi
sempre o que me habituei a amar durante a vida toda. Esta situação é como se
tivesse um Ferrari na garagem… sem motor, que sei que já não me pode levar a
passear com grande estilo por onde quer que passe, nem dos 0 aos 100 km em
escassos segundos, mas que me enche de orgulho e amor apesar de estar já muito marcado pelo tempo, por ter de estar
suspenso por um guindaste. Mas está!
Causa-me
muita estranheza ver ao ponto em que podemos chegar. Como eras, meu Deus, que
primor de elegância, sempre muito bem arranjada; com uma delicadeza sóbria de
estar, uma perfeição nos trabalhos bordados que fazias (aprendidos na escola
das máquinas Singer, em Castelo Branco, onde viveste durante tantos anos); e como
estás hoje, na verdade, já de há muitos anos a esta parte, quando te foste
esvaindo como as ligações do teu mapa cerebral que te permitiam estar à tona e
ao nível dos outros.
![]() |
| As manas Sobreiro... |
A
tua mãe partiu com 86 num Dezembro azedo que me mostrou que assim do nada,
podemos mesmo perder quem adorávamos que estivesse cá, e sempre pensámos que
entre nós ficasse até que deixássemos de existir (embora soubéssemos que isso
seria impossível). Com a mesma idade da mãe, partiu a tua companheira, a tua irmã
mais velha, Maria, que descansou de vez, na segunda noite em que chegaram a
esta nova casa, derrotada por já não poder mais tomar conta da mais nova, mas
descansada por te saber tão bem. Os casos do teu pai (70), do teu irmão João,
meu pai (49), da tua irmã Mirene (56), e do seu filho João (44), foram mais
prematuros ainda, e até dói só de pensar no quanto poderíamos ainda desfrutar
deles, e eles de nós.
Por
isso, que eu saiba, tu que atinges hoje os 89, és a recordista da família. Obrigado por resistires,
também!
![]() |
| Saudade imensa... |
Se as
coisas fossem como eram dantes, tu hoje terias vestido um tailleur daqueles
clássicos que compraste numa loja qualquer em Barcelona, numa das tuas muitas
idas a acompanhar a tua amiga enfermeira Teresinha, às suas consultas
oftalmológicas; e terias nos convidado a todos, para irmos almoçar fora, ao
Sever, que era onde gostavas tanto de ir.
![]() |
| Na última grande alegria que te demos, quando as primas da Covilhã, e a Belinha cá vieram... |
Lembraste do nosso assobio? Pfui, pfu, pfiuuuuuuu. Na esquina, fosse a que horas da manhã fosse, e lá aparecias tu, a dizer adeus, e até amanhã.
De
todas, serás sempre a minha Cali. Um amor diferente.
Quero-te
tanto…
Enquanto
eu cá estiver…
![]() |
| E te puder continuar a dar estas alegrias... |
Subscrever:
Mensagens (Atom)








































