quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O novo monumento de Marvão (pois então!)

Cavalo? Homem? Certo!

Extraorinário alinhamento de blocos de granito. Nota ++

O caixote do lixo ali,em vez de uma explicação muito breve,
nem que fosse num bloco de gelo, do novo"mono", é cirúrgica.
Para o cavalo se poder alimentar. Xixi não dá para fazer. Não se consegue mexer. 

Eu pensei muito bem, se teria mesmo de escrever isto mas… acho que sim. Devo-o à liberdade, aos capitães de Abril, à democracia em que vivemos. Devo-o porque vivemos em Portugal, num regime que permite que uma besta como eu, tenha o direito de dizer o que entende, sobre o novo monumento de Marvão: uma escultura do mestre João Cutileiro, sobre Ibn-Maruan, o rebelde muladi (cristão islamizado) que ali construiu a primeira defesa, sobre um castro pré-romano, ou visigótico.

Ele, o João, que me desculpe, mas cá vai:

1.Introito à exposição que se segue: há quem defenda que a arte não se discute. Ora, dá-se o caso, de por acaso, este que vos escreve não se encontrar nessas fileiras. Quem produz arte; seja mais, ou menos elaborada; mais ou menos percetível, tem de estar sempre sujeito à opinião dos outros. Quem produz, expõe-se. Tome-mos o ridículo de falar sobre este meu miradouro. Podem-me dizer o que quiserem sobre o meu blogue, as habituais críticas e mais algumas inventadas em cima da hora, que eu não me apoquento nada. Enquanto tiver gente que por aqui passe por este miradouro para o mundo; para o ver com os meus olhos; que comigo comenta isto, ou aquilo que escrevi; estou feliz e bem. Claro que nunca pretendi que concordassem com a minha visão. Apenas quis, sempre, desde a primeira hora, agitar as águas, fazer pensar, questionar, e conseguir resolver-me, fazendo-o.

Pode ser esquisito. Mas é enorme. E lindo. Expressa o horror e a guerra, de uma forma perturbante. 

Tudo isto é poesia visual para mim. Amo tudo. Rembrandt.

João Cutileiro é um artista octogenário respeitado em Portugal e no mundo. É uma referência incontornável na escultura, também conhecido por “mestre”, que isto não o é quem quer, mas só quem o consegue.


Como podem ler aqui https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Cutileiro, (por sinal, peço que ajudem a Wikipédia, façam um donativo para que não morra), nasceu em Lisboa, mas está muito ligado a Évora, terra que ama como sua (a mãe era oriunda daquelas bandas), e à qual já decidiu legar isto http://rr.sapo.pt/noticia/48121/evora_recebe_heranca_de_joao_cutileiro.

Há dias, estava eu a beber café após o almoço, olhando em redor, e dei comigo a pensar, “hum… este velhinho parece mesmo o João Cutileiro”. Mas depois, o senhor começou a murmurar baixinho, num estrangeiro quase impercetível, para a senhora que estava junto a ele. Aí, eu, pensei: “naaaaaa… estás sempre a ver filmes”.


Mas depois, já nem me acordo muito bem como, a conversa veio à baila, e alguém falou na escultura nova do Ibn Maruán, criada por ele, o mestre. Sorri e pensei que, afinal, o Drocas não está assim tão senil.

“Mas onde é que fica?... Ai sim?... E quanto tempo demorará a ser terminada?”, estas foram as minhas perguntas, até que na sexta passada, antes de sair de mergulho para o fim-de-semana, reparei numa “coisa” nova ali como quem vai para o castelo.

- Olá! Cá está ela!
Desamontei-me do meu alão azulado Caguincha, e fui inspecionar.

Epá… aquilo é… digno de, se pensar em.



Para já, é muito difícil perceber-se que aquilo, na realidade, é uma escultura. Mais ainda, que é de uma pessoa. Quase indecifrável é então, conseguir dizer, de quem poderia ser. Se isto fosse uma pergunta para queijo do Trivial Pursuit, era coisa para ser um queijorro. Se fosse no “Quem quer ser Milionário”, ou num daqueles concursos de trazer por casa, com perguntas de pacotilha, nos canais generalistas, ficaria sem resposta.


Aquela maltinha que costuma estar a ver a televisão à noite, em esplanadas de cafés, enquanto vai atirando respostas e palpites, para ver se tem sorte e consegue impressionar os outros, ficaria banzada com a dificuldade.  

A pergunta poderia ser: Diga quem é representado nesta nova escultura de Marvão?
1-    Carlos Cruz, apresentador de tv, acusado de pedofilia
2-    Herberto Hélder, o poeta (e louco?)
3-    Eusébio da Silva Ferreira, bom de bola
4-    A Popota, artista fofinha dos hipermercados, que também dá concertos
5-    Nenhuma das de cima. Aqueles blocos foram ali deixados cair, ao acaso, por um camião da Singravona, de Alpalhão, ao fazer um transporte

Ao admirar a nouvelle oeuvre d’art, pasmei. Como é óbvio, não perdi a oportunidade de tentar saber, se seria eu, um caso isolado. Passavam uns jovens, saídos do monumento-mor, o verdadeiro castelo, e interpelei-os:

- Jovens, olá! Será que vos poderia pedir a vossa opinião, sobre o novo monumento de Marvão?
(Risos e silêncio) - Novo monumento?

- Olhai bem à vossa volta. Eu espero. (zero placas identificativas, rien de rien. Mesmo à moda do nosso edil camarário. Ou seja, uma merda.)
- Não estamos a ver.

- Bom, sendo assim, eu ajudo. Está ali uma estátua dedicada ao fundador de Marvão. Ei-la. (apontando)
- Aquelas pedras?!?

- Olhai bem, e atentai. Quem a fez é conhecido por mestre, é conhecido em todo o mundo, muito famoso e conceituado.
- Eeeeehhhhh

- Não me digam que não vos bate nada... (como se fosse um cacete de erva)
- Epahhh…

- Visitaram o castelo, certo?
- Certo.

- Presumo que gostaram. Tá bonito, não está?
- Muito.

- Agora têm direito a este extra. Podem passar o tempo que quiserem, ali sentados, a admirá-la. Podem tirar selfies, enviar hangouts a amigos, postar no face.
- Ehhhhhhhh (com o ar de quem não achou piada nenhuma à ideia)

- Não me digam que se eu não vos tivesse dito nada, nem sequer reparavam…
- Ahhhhhhhh Há ali muitas pedras e… aquelas… confundem-se.

- Oh. Percebi. Obrigado pela vossa colaboração. Isto não é para os apanhados, ok? Não há câmaras escondidas. Apenas quis saber a vossa opinião, sabem? Ao acaso. Eu também estudei, como vocês. Sou mais que licenciado, porque tirei uma pós-graduação em Gestão Autárquica, quando era vice-presidente desta câmara de Marvão. É que já fui vereador da cultura, supostamente teria de ser um dinamizador da área e, conhecendo como conheço, do pouco que conheço, a obra do senhor, dificilmente lhe pediria que aqui deixasse a sua arte. Pedras já cá a gente tem com fartura, não acham?
- Ehhhhh…

Da obra do Cutileiro, este D. Sancho I, frente ao Castelo de Torres Novas... ainda vá, que não vá
mas, aquila podia ser outro rei qualquer, digo eu. Com barba e coroa, metade da batalha tava ganha.

Esta também está muito bonita. O corpo de uma mulher nú, fica sempre bem e não choca.
Já o do homem, com aquele pedaço de apêndice pendurado, de tamanho variável, cor diversa, maior ou menor rigidez ...

Epá... o 25 de Abril, aqui...
Tá difícil! E o Otelo fica aonde, pá!

Ouve lá!
E o marquês do Pombal aqui, em Vila Real de Santo António, está... potente!

- Mas não conseguem ali vislumbrar nenhuma figura?
Nisto diz um cachopo, tão engraçado: “há ali uns bocados que parecem uns ursinhos fofinhos.”


LLLLLLLLLLLLLLLLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

- Eu só queria ter a certeza que não estou a ficar (mais) maluco. Por isso falei convosco. São daqui?
- Ah... estes são meus amigos, mas o meu pai é do concelho de Castelo de Vide.

- Será que conheço?
- Ahhh… Não sei. É o Tiago Malato.

- Ah, claro que conheço! Bom homem. Todo dinâmico, esperto, bairrista, amante da Castelo de Vide e da política. Dá-lhe lá um grande abraço meu, tá bem?

E prontos, estamos nesta fase em que esta “coisa”, vai cá ficar. Não tenho muito tempo, nem me quero estar a ralar com o assunto, mas de verdade que gostaria de saber quem foi que pagou por isto, de que forma foi realizado, se foi uma oferta (para lhe limpar-mos o quintal), ou se foi por adjudicação direta (como fazem quase em tudo, nesta época de caça desenfreada pelo voto).

Eu dava era um dedo mindinho, até poderia ser um indicador, para poder ter assistido ao momento em que o artista, e o interlocutor (ligado a Évora, claro que imagino quem seja), retiraram o véu e os responsáveis pelo município, puderam, boquiabertos, admirar a obra, assim ao primeiro impacto. Deve ter sido um momento único. Aqueles queixos devem ter ficados boquiabertos, pasmados com tanta beleza.

Se tivesse sido o senhor presidente, homem de cultura, que puxou para si o pelouro nestes últimos anos, só queria ver-lhe a cara. E tirar uma selfie com ele, nesse instante.

O homem sabe. Muito de tudo, e de cultura, sobremaneira. Quem pudesse tê-lo visto, num dos concertos de música clássica do castelo, no último festival, ficaria admirado com o grau de conhecimento que apresentava, das obras ali reproduzidas. Era vê-lo abanar a cabeça ao ritmo do compasso, e dizer que sim, era menear-se todo como se estivesse a curtir o “Pelos caminhos de Portugal” do Mário Gil. Muito bom. Dava gosto. E orgulho. É o meu presidente!

Se fosse o senhor vice-presidente… ahhh… também gostava, mas era só de ver. Sem mais comentários. Mas quem é que é tão parvo que não conhece, o profuso passado e ligações do Sr. Vitorino com a escultura? Pelu amôôôôôôôôô^rrrrrrrrrr dji Deuuuuuuuuuuuuuuuuussssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

Mas também aqui, vos ponho à vontade. Se tivessse sido eu naquele lugar de vice-presidente/vereador da cultura (o que muitos dos meus denegridores, dizem que é o combustível que me alimenta o mal estar… tansos!), eu teria de fazer das tripas, coração; e teria de lhe dizer, ao próprio, que não podia ser. Arranjando uma forma delicada de não lhe ferir o estatuto, a dignidade, o historial, meteria as questões políticas ao barulho e tentava sair de fininho.

Mas será que na minha terra, não há ninguém capaz de lhe dizer, que o reu vai nú?

Os espanhóis de Badajoz, filhos do mesmo pai, nossos irmãos na fundação, também têm lá, na parte alta, na zona mais antiga da cidade, uma escultura de homenagem ao fundador. 





Mas porra! A gente olha para isto, é como quando estamos a olhar para a imagem, daquele que pode ter sido Jesus Cristo. A ter nascido naquela zona do médio oriente, naqueles anos tão idos, há 2017 atrás, deveria mais ser um homem baixo de tez escura, de barba preta e cabelos pretos, como eram quase todos os daquela área; do que um lindinho louro, de olhos azuis, como o viu o realizador italiano Franco Zeffirelli.

O do Zeffirelli era mais... angelical.
Toda a cena da cruxificação deve ter tido uma violência brutal!

Ahhhh. Era capaz de ter sido mais assim... não acham?

Agora, comprar a maneira que o mestre Cutileiro o viu, com aquela que os espanhóis o viram; nem sequer é comparar o Jesus Cristo como pode ter sido de verdade, com o do Zeffirelli. É… um desastre! De um camião da Singranova, cheio de experiências de novos alunos dos cursos de cortar pedra, que ali teve um acidente, e se virou.

Há 4 forças que se perfilam na corrida das eleições municipais, com suposto peso (isto se o camarada Carvalhas, não pressionar o nosso Caldeira Martins):
- o Partido Socialista;
- o CDS/PPM, que apoiam o renegado José Pires, hoje estrela das paletes (sorrindo numa curva perto de si), que se faz passar por uma candidatura independente, que não o é (o habitual nele, portanto. Perito em fazer o filme, render o peixe);
- a verdadeira candidatura independente “Marvão para Todos”
- os que lá estão. Os tais. Os coisos,

E eu só peço muito, nos pedidos que faço, para que isto mude. Mesmo. Por favor. Para que haja diálogo e possamos sair desta tenebrosa idade das trevas, em que vivemos.

RENASCENÇA JÁ! 

Tio Sabi e Sr. Presidente da República de Portugal


E o senhor da gravata disse assim:

— TIO SABI! NOSSO TIO SABI!!!!! DÁ PARA SACAR UMA FOTO????????

A cara dele não me era estranha... Acho que o conhecia de imitar o grande Ricardo Araújo Pereira, numa fábula de comentador de notícias. De resto, ele vinha beijando tudo o que mexia e, uma foto, não me pareceu mal de todo. Não gostei muito, foi dos gorilas mal encarados que o acompanhavam, com auricu
lares muito estranhos. Mas acedi. Logo após sussurou—me: "sou tão, mas tão seu fã.  Há uma década que o "Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão" é um dos meus blogues favoritos. Esta gentuça que corre sempre atrás de mim, pensa que eu vim cá por causa da música. Mas eu quero lá saber da música!!!! Eu vim cá foi por causa de SI, SR. SABI!!!! Já ganhei o dia! 
Créditos fotográficos: GRANDE André Relvas, o repórter que está sempre no sítio certo! Apareceu do nada, ali.  Ai Manuel, Manuel, se eu tiver dinheiro para um jornal, um dia, vou—te—o roubar! Ai vou, vou!

Era a foto que faltava neste blogue. Finalmente.

Nesta aqui,o senhor estava a dizer, baixinho: olha-me este...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Saber agradecer (porque para mim, nunca é demais falar nisto…)

Epá… desculpem lá outra vez o mesmo assunto mas… o blogue é meu, que porra! Se não falo aqui… Falo onde? Obrigado.


Sempre que falo no meu acidente, recordo-me do Pedro Reis, que foi o meu anjo da guarda. Antes dos incansáveis e valorosos bombeiros de Marvão; antes da prestimosa Guarda Nacional Republicana (que foi dar a notícia a casa… obrigado, Rui!); antes do fundamental INEM; antes de todos os profissionais de saúde, que me ajudaram a conseguir recuperar do nível 6 da escala de traumatismos cranianos de Glasgow (de 3 a 15, em que com menos 3 pontos que eu, já não voltam 85, em 100), foi ele quem me deu a mão.


O meu agradecimento será para sempre, enquanto eu viva. Se não tivesse sido ele, eu já não estava aqui a fazer o que mais gosto: viver. E amar, vivendo.


Nas trocas de mensagens e agradecimentos da minha mãe, nestes dias, para ele, apercebi-me mais dos momentos que sucederam aquele instante terrível. Depois de tantas curvas, tão difíceis, com escarpas junto a elas (Ponte Velha), fui contra um muro ali, a escassos metros de casa, numa reta. Não acredito em animais que se atravessaram à frente, nem em “qualquer coisa” que me deu, mas que foi estranho… foi.


Passado este tempo todo, o assunto ainda continua a ser tabu.


Porque a memória me falha, porque o cérebro varreu tudo o que se passou nos momentos e dias antes, não procuro muitas respostas. Tento encontrar um caminho assim, olhando para a frente, sem olhar muito para trás. Sei que não ganharei nada e… prefiro assim.


Mas um dia, quando calhe, falarei melhor com o Pedro, que está a viver no estrangeiro, não conhece muito as pessoas e a realidade daqui. Não quero saber quem foram as pessoas que fizeram isto que conta, nem os dos carros que conseguiram passar por um acidente, ver que uma pessoa poderia estar a necessitar de ajuda para poder viver e… não só passarem ao lado, como, ainda por cima, lançarem impropérios e bocas.



A natureza geral da pessoa humana é má, invejosa, egoísta, ruim. Um homem tem de conseguir lutar todos os dias, contra estes elementos, para conseguir ser bom. Somos tentados a ser assim. É preciso orar, refletir, ter os pés bem assentes no chão, para conseguir fugir a isto.


A vida, os ensinamentos, deveriam ser muito mudados para se conseguir isto. Como? Olhem, por exemplo, todos deveriam aprender nas escolas, onde se ensinam tantas coisas que de nada valem; suportes básicos para se salvar uma vida humana (como evitar o engasgamento de uma criança, ou um adulto, que são diferentes; como ser o primeiro a auxiliar a vítima de um choque elétrico, que não pode ser tocada diretamente na descarga, senão fica-se lá também agarrado), e sobretudo, toda a gente deveria ser habituada a olhar, para a cova de um cemitério, onde se enterram os defuntos. Ensinar aos nossos pares, desde pequenos, que é ali onde tudo vai acabar. “Lembra-te que és pó, e em pó te vais tornar”, deveria ser um chavão sempre pendente sobre a nossa existência, como se de uma espada de Dâmocles se tratasse. 


Talvez assim se fosse ganhando consciência de quão efémero é tudo isto. Quão vago. Quão fugaz.


Poderia ser tentado, e sou, a perguntar ao Pedro, se se recorda de quem passou por ele, me viu a morrer, e assobiou para o lado.


Mas esse não é o meu caminho. Não sei bem por onde vou, irei por onde Deus quer, mas sei que não vou por aí.


Eu nunca, nunca, nunca, fiz nada que quisesse prejudicar ninguém. Posso, admito, ter estado menos bem nalguns casos. Mas peço que me digam onde, para que eu possa pedir desculpa, se entenda que o devo fazer. Asseguro é que não foi intencionalmente.


Que mal poderei ter então feito, para que fosse possível, para alguns seres vivos, verem-me em tamanha agonia, e assobiarem para o lado? Desenrasca-te? E a sua consciência? Não têm?


Tive quem passasse ali, quem não me deixasse, e tive essa luz que me iluminou. Graças a Deus.


Esses que agiram de má fé para comigo, esses que me negaram o apoio, hão-de ser julgados por esses gestos. Nesta vida ou noutra. Mas haverão de um dia, prestar contas.


Só me custa é que nesta sociedade em que vivemos, haja tanta mentira, tanta falsidade, tanta ralé. O ter-me envolvido no movimento político Marvão para Todos, junto de Homens e Mulheres minhas amigas, de Bem, já me granjeou alguns afastamentos súbitos de pessoas, que eu só lamento tê-las considerado amigas. E a vontade de lhe cuspir na cara, de cada vez que me estendem a mão, quando não tenho coragem para lha negar?


O tempo tudo traz.


No meu coração só quero que haja paz, e amor.


O resto, eu deito fora.


O meu agradecimento vai para todos os que me ajudaram, os que rezaram, os que pediram por mim. A minha gratidão é imensurável.


Oxalá, Deus queira que vos continue a maçar com esta lamechice durante muitos anos.


Obrigado. Fiquem bem.


Nem aos que me querem mal, eu consigo querer mal.


Amanheço a agradecer. Agradecer é a minha última ação do dia.



Eu sou um bem haja.

A sério?!? Eina...


E isso da Guito?

domingo, 23 de julho de 2017

Isto é para mostrar o quanto eu gosto de vós (para que possam ver o vosso passado)

Saídos da piscina para este almoço... em cima da hora... fez-me ir a casa, para (ela) se pintar, meter rímmel e baton...
Estava capaz de perguntar em alta voz: QUE FIZ EU PARA MERECER ISTO?!?!?!?
Mas não o faço. Desconfio...


A minha filha Alice... é demais. Todos os pais devem pensar isto dos seus próprios filhos. O que, para além de ser legítimo, é mais do que justificado. Às vezes, tantas vezes, não parece que tem só 7 anos. 

Escrevo isto aqui, para que fique registado. Para que daqui a muitos, muitos anos, ela possa recordar. Como eu gostaria hoje, que os meus pais o tivessem feito, quando tinha a sua idade. 

A minha mãe Alzira, para além de toda a vida ter tido centenas de livros (eram muitas dezenas, naquelas prateleiras, não eram? Certamente seriam mais de muitos 100), sempre escreveu muito bem. Recordo bem alguns textos que escreveu sobre mim. Como daquela vez, em que me portei mal (acho que lhe mandei pelas escadas abaixo, o rádio que tinha comprado com o 1º ordenado), me deu uma nalgada e depois ficou a olhar para mim, a ver—me chorar, de mão no rosto, com pena de ter sido tão austera comigo. Escreveu como lhe perguntei depois, soluçando: Ó Zira (como eu a tratava): Doem—te os dentes?!?! 

Esse texto perdeu—se (ela se calhar ainda o tem. Guarda tudo...), e aqui, ficaria para sempre na net. Outros tempos...

A Leonor, está a dormir na casa dos avós, com amigas, e encontrei este escrito, da Alice para a mana, em cima da secretária do quarto desta.




Por elas, quanto mais não fosse, sou feliz.

Ficaram as duas, no quadro de honra da sua escola. Cumpriram. Com distinção. Agora estão de férias. 





Sou babado, orgulhoso, não sou de me vangloriar mas... desculpem. Tem de ser.

Leonor  Alice 








domingo, 16 de julho de 2017

Adeus, meu Zé Maria! Adeus, meu amor!

Até que nos encontremos por aí...


Sabia que tinha fotos nossas. Nos meu discos rígidos, só teria de as procurar. Estas foram tiradas no dia tão feliz de 27 de Junho de 2004 (há 13 anos atrás, com eu, bem cheínho; tu, igual, como eu sempre te conheci) quando a nossa Junta inaugurou a bandeira e o símbolo. Tenho certamente muitas centenas delas contigo, onde tu estás. Mas agora... está tudo ainda muito a fresco, e não as consigp procurar. O tempo... só o tempo...


Este texto… é daqueles que tinha mesmo de escrever. Tem andado a viver comigo, há mais de 15 dias, de férias, no mar, a correr, assim que acordo. Tem andado a ser desenhado na minha cabeça. Como se tivesse nela, uma folha em branco, que começava a ser rabiscada, onde iam sendo colocadas notas, de por onde deveria seguir.

E perguntam-me, muitas vezes, muitas pessoas diferentes: (e eu vou classificando as opiniões, de acordo com o crédito que elas me merecem, umas muito, outras menos) mas porquê é que escreveste aquilo? Tinhas mesmo de o fazer? Mas quem é que te paga para dizeres sempre as verdades? Teria vindo mal algum ao mundo, se não tivesses escrito aquilo? Porquê?!?!?

E eu penso, ou respondo, mesmo: Eu sei lá! Aquilo tinha de sair de mim. Quando eu escrevo, faço a minha justiça. Resolvo-me. Oiço-me. Poupo dinheiro em psiquiatras.

E depois… é apenas um blogue. O Sousa Tavares, que adoro e muito considero, abomina os blogs e os bloggers. Diz que é um mundo de calúnias, de invejas, de gente mal formada, indecente e covarde. Eu concordo quase sempre com aquilo que ele defende, mas neste caso, quero que ele tenha mas é, um filho pela barriga das pernas. Eu sou livre e… é apenas um blogue. Por Deus! É apenas um blogue. Por exemplo, em relação ao meu último texto que aqui publiquei, tive as mais diversas reações, de gente que muito considero, e senti-me… bem. Sinto que é feita justiça à arte, que fui para Lisboa aprender a aperfeiçoar, durante 4 anos seguidos. E ademais, se o visado tivesse um blogue e tivesse tido o arrojo de escrever um texto sobre mim, assim, às claras, sem nada nas mangas… provavelmente nem o ia lá ler. Eu quero lá saber disso! Daquilo que ele pensa sobre mim!  Apenas estimo e considero, ouço, e prezo, quem quero. A minha liberdade dá para isso. Quanto mais não seja.

Hoje traz-me aqui a perda de um amigo. Que dói. Porque inesperada. Porque fortuita. Porque nos prova, mais uma vez, de forma dura, quão efémero é tudo isto. A vida… é um período de férias que a morte nos dá. Cada vez mais me convenço disso. Passamos tão pouco tempo cá, aqui, por muito que cá passemos, que não vale a pena, a maior parte das coisas que deixamos que nos aconteçam. Animosidades, invejas, discussões, pretensões, usura, vaidade… nada disso. Vimos nús, sem nada; e assim nos marchamos. Seja o Américo Amorim, que tinha conseguido amealhar na vida, os 4 mil milhões, que fazem falta ao país para sair do buraco; ou o mais pelintra dos pelintras… sai tudo pelo buraco dos fundos.

Sempre que pensava neste texto, e na homenagem que quero fazer a este homem, a este querido Amigo, pensava nesta música:

Para ir ouvindo, enquanto se lê...

Porque é assim que me sinto, cá dentro. Algo me morre na alma, quando um amigo parte para sempre.

Vou ficando velho, sabem? Isto pode soar ridículo, a quem apenas tem 44 anos, mas… já são 44!
São 4 décadas, mais 4 anos. Não sou propriamente um puto. E de cada vez que desaparece um dos pilares que me habituei a ver desde sempre, vai-me dando a sensação que o meu tempo se está a desintegrar. Não sei se me consigo explicar mas, a ideia é de que, quando se nasce para o mundo, há uma série de referências, na família, na terra, no país, no mundo, na música, nos filmes, no showbizz em geral, e… há medida que eles se vão esfumando, outras vão surgindo, mas… o nosso tempo já não é delas. É dos putos.

Por mais que se ame um neto, ou uma neta; este amor temporal nunca será o mesmo para um pai, ou um filho. Acho que é isto que quero dizer. Há cadência, mas a intensidade… nunca será a mesma, para um e para outro.

Recebi a notícia da forma mais abrupta. Ia dançar à vila de Castelo de Vide, com a marcha dos Outeiros, a convite do Sr. Presidente António Pita, e descemos junto o Cine Teatro, onde nos íamos vestir. Dispararam-me um “sabes quem é que morreu?”, o que me deixa sempre em suspenso, a ler a expressão de dor, espanto e mágoa, de quem ma dá.

Em suspenso.

- “O Zé Maria!”

Mas qual? Fui pensando. Conheço tantos…

- Estava lá a carrinha da VMER na Beirã, à porta dele, e já não havia nada a fazer…

Zé Maria… Beirã… foi o da Graça!  
- Como?!?!?!?!?!?
- Foi uma coisa que lhe deu. Não sei se coração, cabeça… estava na horta e… caiu redondo.

- Caraças! Precisei de respirar e desviei-me.

Porra… Nem velho, nem doente, nem… nada!
O Zé… Sessentas largos, setentas?

Conhecia o Zé desde sempre. Era guarda fiscal na minha terra, na Beirã. Tinha 3 filhas, todas mais velhas que eu, minhas amigas, e uma esposa que é um amor. Daquelas mulheres autênticas, verdadeiras, trabalhadoras, da terra. Aliás, todas elas são!

O Zé Maria tinha idade para ser mais que meu pai, e tinha sido bem amigo dele. Quase que dava para ter sido meu avô. Mas gostava tanto de mim… e eu dele!

A tratar de mim... A pentar-me e a arranjar-me os óculos nesse dia de festa.




Quando nos encontrávamos…

- Ehhhhhhh… o meu Zé Maria! Anda cá meu amor. Quando vejo o Zé Maria, é como ça visse o Deus do céu!
(ele agarrava-se a mim, deixava-se rir, e dizia: ai este cabrão deste gaiato…)
Davamos sempre um beijinho. Era como a gente se cumprimentava.

Quando eu era miúdo, ele era o Sr. Graça, como havia o Sr. Gonçalves, o Sr. Felino, o Sr. Leandro, o Sr. Curinha, o Sr. Sabino, o Sr. Cardoso… E eu era o amigo dos filhos e filhas. Eram senhores. Senhores, e nós, só os tratávamos assim.

Depois andei a estudar por Lisboa. Quando regressei, ao fim de 4 anos, entrei para as finanças, em 2000, para Nisa. Aí foi quando passámos a privar mais os dois, como companheiros. Eu usava muito a estrada da Póvoa, sobretudo à sexta-feira, quando entrávamos no fim-de-semana, e encontrava-o no Nicau, onde parava quase sempre para dar as boas vindas ao período de descanso. Ali molhava o bico, ali tirava um petisco, ali dava dois dedos de conversa a quem estava por lá. E aí entranhei o Zé Maria.

O Zé Maria era um homem genuinamente bom. Era bom. Naturalmente bom. Nunca o vi zangado com ninguém. Estava-se bem ao pé dele. Por isso é que eu nunca o largava. Na Casa Nicau, fomos seguramente, dos melhores clientes de camarão frito da Dona Teresa, aos sábados à tarde. Eu e o Zé, sempre tivemos esta capacidade de atrair amigos e assim, conseguimos ir juntando um grupo, onde contavam os indefetíveis Manuel Coelho e Careca, por exemplo, e outros que por lá iam passando.

Com o Xico da Blusa... entre os amigos, num dia de festa, como gostava de estar

Quando me via:

- Pedro, como é? Hoje há meio quilinho delas? (gambas fritas)
- Ó meu Zé Maria, é claro que sim!


E foram muitos, muitos, muitos meios quilinhos delas, sempre muito bem regados, com umas fresquinhas à maneira, que a gente até vinha de lá regalado.

O Zé era um esmerado cozinheiro, e adorava fazer petiscos na garagem, onde tive o prazer de comer alguns. Aperfeiçoou a arte nos tempos do posto da Guarda Fiscal, quando lá se cozinhava, e, segundo dizem as más-línguas, se consumia algum vinho, ao ponto de terem existido queixas de casas comerciais da terra, desta concorrência… desleal?  

O Zé era muito novo. Não era velho, nem nada que se pareça, não sofria de males, e parecia que ainda teria muito para viver. Quem diria...
Sofreu muito com a doença do irmão, de Marvão, que teria abatido muito e perdido muitos quilos. Foi-se a ver… foi ele, mais novo.
Isto a vida…

Se havia coisa que o Zé adorava, para além de gostar dos amigos, de um petisco e de um copinho com eles, era da família. O Zé adorava as filhas, a mulher, os genros, e do neto Ricardo. Não sei se tinha mais netos mas deste, como estava tão próximo e foi o primeiro... Falava deles com um gosto, uma veneração, que dava prazer. Percebia-se que eram a melhor coisa no mundo, para ele.

Não resisto a contar-vos uma história, que conta muito sobre mim e, sobre o Zé. Quando eu trabalhava em Nisa, andei a juntar dinheiro para comprar uma televisão. Mas não era uma televisão qualquer, atenção! Era para comprar uma televisãzorra! Que eu já era casado desde 97, já vivia numa casinha própria com a minha Cris, na Rua do Espírito Sano, nº 8; já ganhava o meu dinheirinho, e já merecia uma televisão, que não fosse aquela caguincha pequenina que lá tinha. Fui-me direitinho ao Electro Narciso e comprei um aparelho Sanyo, que me custou 230 contos! Caraças! Era um maquinão! 80 centímetros de ecrã plano, P.I.P. (picture in picture, que dava para ver 2 ecrãs diferentes ao mesmo tempo), P.O.P. (picture outside picture), capaz de durar o resto da vida. Ou quase… que a gaja só berrou há 2 anos atrás quando comprei esta que tenho agora.

Convidei o meu amigo Zé Maria para ir lá a casa, para ver o que eu tinha comprado. Sentámo-nos os dois no sofá a ver e… não foi notícias, não foi tourada , e muito menos futebol. Foi… filmes de homens, que me tinham emprestado! Ou melhor, para homens verem, se é que me faço entender. Ou seja, com gaijas… pouco vestidas. Aquilo são películas sem história, sem enredo, com muita ação, que quanto mais tiver, melhor! Meti aquilo a bombar, com a música ambiente bem altinha, postigos fechados, e eu a ver o Zé Maria regalado. Nem dizia nada…
Até que lhe perguntei: atão Zé, o que achas da televisão? Tem uma boa imagem?

- Porra, se tem! Os cabelos (de baixo) das gajas parecem troncos!
EHEHEHEHEHEHEHEHEHEH… tanto que a gente se riu… Parece que o estou a ver…

O meu Zé Maria… Tenho tanta pena que ele tenha abalado, e já nunca mais no possamos ver, nem malhar meio quilinho delas, como agora, na festa da Beirã, que é hoje o dia!

Estive no teu funeral, assisti à missa na casa mortuária. Senti, com pesar, o teu fim. Lamentei o som das tantas conversas lá fora. Não quiseram deixar de estar. Compreendo. Mas foram falando de outras coisas, triviais, da vida, do quotidiano. Lamento tanto que seja assim. Mas o meu, não será diferente. Eu estou de luto, cá dentro, por ti, amigo. Não sou da tua família, mas de cada vez que vir os teus, ou te vir a ti (nas tuas coisas), ou falar de ti, lamentarei a falta, com muita saudade.


Foste na frente, companheiro. As leis da vida assim o ditaram. Até que nos vejamos por aí, outra vez. Que a tua alma fique em paz…