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domingo, 15 de outubro de 2017

O Polvo ("O Portugal Podre", ou "Sócrates de Molho")


Prontos! Já não brinco! Chatarrões!!!!! INVAJOSOS!!!!





O menino Pedro Sobreiro, deitado no sofá de casa, completamente estarrecido (e já agora, boquiaberto), a ver as notícias da noite de 11, e o tamanho do iceberg, que suspeitávamos ali estar. 

ZZZZZZZZZZZ... Estou a dormir... este bornal do dROCAS agora?!?!?!?

A investigação mais mediática de sempre da justiça portuguesa, liderada pelo Mistério Público, e pela minha Autoridade Tributária, ao longo de 4 anos, e mais de 4.000 páginas, deu em acusações graves e concretas, ao homem que foi o nosso primeiro—ministro durante tanto ano, e ao banqueiro mas prestigiado de todos.

31 crimes, e 24 milhões na Suíça...

FFFOOOOOOONNNNNNNNNNNN 
Ai mas caganda cena!!!!!

Muito, ou quase tudo para ler... aqui.
(COM MUITA COISA PARA LER, MUITO EXCELSO TRABALHO JORNALÍSTICO, À DISPOSIÇÃO...)


Já rasguei os posters do Stallone em "Rambo — First Blood", e dos Scorpions, do meu quarto. Tenho de convencer a minha Fernanda.


HERE I AM!!! ROCK YOU LIKE AN HURRICANEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!

Onde estavam eles, hoje é só Rosário Teixeira. Amo! É desta que vou deixar crescer o tal bigode... ;)


Adenda: apesar de tudo, lembrando os autocarros cheios de gentalha do povão, que se deslocavam à prisão, para pedir a sua libertação... só posso lamentar.

AI BOM, BOM, BOM...
QUE ME ABALAS!!!!!!!

Tás a ver... nosso tio Sabi? Eu não te dizia? (que ia ser assim?)

Se o Soares não tivesse já falecido... nem sequer imagino...


Dava jeito, não dava?!?!? "Ó Sr. Juíz! DESAPAREÇA!!!!! E DEIXE O MEU AMIGO, QUE ME FARTEI DE IR VER À PRISA, QUE É TÃO DOUTO, TÃO EXCELSO, E SE FARTOU DE COGITAR!!!!! DESLARGUE-OOOOOOO"


Agora, vamos a ver quanto tempo lá estäo...

Ai, ai, Sabi!!!!
Levas tau-tau!!!!
Não te calas, cabrão?!?!?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O principal que a política tem para nos dar


Para a grande maioria das pessoas, a política é uma coisa má, uma coisa ruim, de mal, de se fugir dela. Seja mais ou menos instruído, a opinião é… geral. Os políticos pagam assim por serem todos… farinha do mesmo saco. Corruptos, sem escrúpulos, disfarçudos, mentirosos, interesseiros… esbanjadores. A maior parte das pessoas desliga, e abstrai-se deste mundo. E é por aqui se explicam também, os assustadores níveis de abstenção.

Mas para mim, que vejo a política como uma atitude necessária, que todos temos de realizar ao longo da nossa vida, no dia a dia (a escolha de um, entre vários caminhos; a escolha do melhor, para nós), tenho a política, pelo menos a nível local, que é a que conheço melhor, como um fenómeno necessário. Estar perto da fonte, do voto; dar cara a cara com aqueles a quem podemos melhorar a vida, é profundamente inspirador, e recompensador também. Para quem veste o cargo de alma e coração, como eu o fiz, quando ganhei a vice-presidência do meu concelho, entre 2005 e 2009, deve ser assim. Apesar das tantas limitações e desconfianças, que me afunilaram o caminho para o bem, para o que eu queria fazer na realidade, foram tempos, por momentos, muitos felizes, da minha vida.

Mas a política, para além desta sua essência elementar, é também, para mim, profundamente reveladora, da real natureza das pessoas, que nela se envolvem. Essa é talvez, numa perspetiva muito pessoal, a maior revelação e benesse da política. Claro que isto numa visão muito minha, muito íntima, muito centrado nos meus olhos. Voltemos ao meu ponto local, ao universo onde me movo, Marvão, que tinha a veleidade de pensar conhecer bem.

A quantidade de pessoas que eu considerava amigas, ou pelo menos próximas, com quem me dei bem durante toda a minha vida, há décadas, e agora, pura e simplesmente, de sua livre e espontânea iniciativa, deixaram de me considerar enquanto Pedro Sobreiro...
Como não é uma, nem duas, é claro que já meditei sobre isso. É claro que já me interroguei, já retrospetivei, já tentei encontrar um porquê e… não o encontrei. Porque não existe! Tenho a minha consciência tranquila. Nunca quis na minha vida, prejudicar deliberadamente ninguém. Haja a primeira pessoa que mo diga, cara a cara, olhos nos olhos, como adultos, e eu, aí, caso tenha falhado, não terei qualquer dificuldade em pedir perdão. Em pedir perdão, e em prometer que tudo farei para que não se repita.

Agora… o que tem acontecido, e irá sempre acontecer até ao meu último suspiro, é que o Pedro dirá sempre em público e seja onde for, aquilo em que acredita. Um homem que preza a liberdade como o maior dos direitos, a maior das grandezas da vida humana, jamais poderá ser emudecido, seja por que poder for. O que eu apenas faço, em público, e aqui nesta minha taberna virtual, é dizer o que penso. Comigo não há jogos de bastidores, não há nabos em sacos, não há manobras por trás. Para mim é tudo às claras, pela frente, de peito aberto e coração nas mãos. Os meus amigos e amigas sabem que os quero e amo, como os irmãos que escolhi nesta caminhada da vida. Os meus amigos têm tudo. Sei que sabem que por eles, tudo farei. Como eu sei que eles o farão por mim.

Analisemos o conceito que eu tenho de amizade. Amigo que é amigo, mesmo, de verdade, aceita, perdoa, e compreende. Tomemos o caso, em abstrato, de dois amigos que querem comprar a mesma casa. Vão falar com o vendedor, e esgrimem os seus motivos. Cada um alega os seus argumentos, e chegam a um determinado ponto em que os dois, amigos, percebem que só um deles consegue suplantar a oferta monetária do outro. O derrotado, se é mesmo amigo, lamenta, compreende, e vai à procura de outra casa, quem sabe, se ainda melhor que a primeira.

O mesmo se poderá passar, com uma mulher. Imaginemos que ambos gostam da mesma, ambos se esforçam para lhe agradar. Ela, depois de muito pensar, decide-se por um deles. Ora o outro, se é verdadeiramente amigo do eleito, se não o quer perder, decide não ter uma atitude revanchista, vingadora, e opta por partir para outra mulher. Quem sabe se será essa a companheira da sua vida com que sempre sonhou.

Ora eu sou sempre o mesmo. O Pedro. Aquele que à primeira vista, quando se olha ao espelho, vê o puto da Beirã, com as oportunidades todas da vida pela frente. Não me vejo com quarenta e tal anos, não me vejo como um homem, vejo-me assim. Depois de alguns momentos a fitar-me ao espelho, vem a minha vida, as minhas filhas, a minha mulher, os meus trabalhos, aquilo que tenho conseguido contruir. Eu sou sempre o mesmo. E serei sempre assim.

Não sei, de verdade que não sei, o que é que estas pessoas, que se tornaram neste últimos meses “políticas” comigo, pensam da vida, ou pensavam que eu era. Não que fossemos amigos do peito, mas certamente também não éramos desconhecidos. Haveria ali uma familiaridade, uma empatia, uma proximidade que… com esta sua atitude, se esvaiu. E nisso aí, sou muito cruel, como as crianças. Meto dentro quem amo, mas a quem vejo o cú, nunca mais me ganha. Está morto/morta. E nem um pedido de desculpas, o poderá remediar. Ardeu.

Da minha parte, não houve uma ofensa, um ato mau, deliberado, com a intenção de ferir. Disse o que eu penso, como sempre, sem nunca ofender ninguém, e se por acaso fossem meus amigos, como eu pensava ser deles, viriam ter comigo, pessoalmente, não por conversas de putos, mensagens privadas de merda, nas redes sociais. Chegar-se-iam ao pé de mim, e perguntariam: Pedro, qual é?
E o Pedro explicaria, como sempre, qual a sua cena.
Mas qual foi o mal?

Assim não foi, assim não quiseram, preferiram deitar para trás das costas, tantos anos de contato, até profissional, e amuaram. Pois a mim, de mim, garanto que já não me verão o branco dos dentes outra vez. Amigo da família, que continuo; próximo de familiares, como antes estava deles, não misturarei as águas, saberei separar o trigo do joio. Eles fora. Continuará tudo igual, exceto na relação que tenho com eles, que se perdeu irremediavelmente. Agora té podem vir carregados de ouros e oportunidades, que para mim, não valem mais que nada. Somos adultos ou quê?

Não sei, de verdade, o que é que esta gente pensa desta vida. Não sei que raio de ideia farão das outras pessoas, dos valores que devem existir, para deitarem tudo abaixo, a um simples virar de cara.

Será isto por eu fazer, de há dois anos até agora, parte de um movimento cívico com amigos, pessoas de bem, do concelho, preocupados com a forma como a câmara tem sido conduzida, que sempre sonharam com uma alternativa sólida, democrática, e agora propõe uma hipótese? Será por agora andarem vestidos com as opas políticas, e já eles, a exemplo daquilo que lá está em cima, defenderem que quem não concorda com eles, está contra si?

Tão engraçados… Eu gostava era de os ver escrever um texto, fazer um discurso em público (já que até ler é tão difícil…), ser naturais.

E até eles sabem, que  não estou a ser mau. Estou, como sempre, a dizer a verdade.

“Ai mas essas pessoas, preocuparam-se muito contigo, quando tu estavas no hospital, Pedro. Pensa bem…”, aconselham-me.
Eu agradeço os conselhos, porque nunca ninguém sabe tudo, e eu serei dono apenas da minha opinião. Mas… essa preocupação, para mim, é algo em que não consigo acreditar. Não bate a bota com a perdigota. Então era assim… e… por nada… isto?

O que as pessoas, a grande maioria das pessoas gosta é… de ter pena. Fazer o filme para fora, dar a impressão de que. Chamar coitadinho. Mas se há coisa que a Dona Alzira Sobreiro me ensinou, entre muitas, quase todas, é que os coitadinhos, pedem a Deus que os levem.

Azares na vida, todos temos. Como eu sempre defendo, grande homem não é aquele a quem tudo correu sempre bem. Grande, é o que cai, se levanta por si, não esquece por onde passou, e tenta ser melhor, a cada dia que passa.

Eu agradeço sempre a Deus, todos os dias, todas as noites, esta nova oportunidade que me deu de viver. Como agradeço a todos e todas os que me apoiaram, visitaram, ajudaram, porque sem eles não conseguiria chegar onde estou, e da forma que estou hoje.

Mas no meio deste rebanho de almas caridosas, é bem fácil de ver, os lobos disfarçados com peles de cordeiro que, poderiam querer muita coisa, mas não estavam verdadeiramente preocupados com o Pedro.

Eu imagino, se o desfecho tivesse sido outro, o enorme folclore de flores, coroas, de lágrimas e gritos… não por mim, pela minha companheira, pelas minhas filhas, pela minha família, pelos meus amigos que, pela minha insensatez, quase se viram privados da minha presença, mas… para o espetáculo, que tanto comove e tem tanta gente a chorar.

Eu sou uma pessoa de bem. Eu sou um homem de bem. Eu sou um seguidor de Jesus Cristo, o meu exemplo enquanto homem, mas eu sou humano. Eu erro. E não perdoo.   

E não estou minimamente preocupado com as pessoas que possam ir ao meu funeral, quando Deus entender que devo partir. Já cá não estarei, nesse então, mas gostaria de ter nesse adeus terreno, as pessoas que me amaram durante a vida, as pessoas que eu amei, familiares e amigos próximos. Dispenso, como é óbvio, o ter que se ir porque… para depois se dar um enorme burburinho de conversas cruzadas, e os homens cá fora a falarem de tudo e de nada, menos de quem, a partir desse dia faltou.

Respeito. É o que peço, e exijo. Depois destas eleições, em que concorrerei a membro da assembleia municipal, e em que pretendo nesse órgão, caso seja eleito, defender a minha terra e as suas gentes; nada ficará como dantes. Espero que em termos políticos, mas sobretudo pessoais.

Quem comigo reagiu assim, irá sentir o mal que esteve. Nem sequer me devolver as boas noites, quando passo no café de bairro? Virar a cara num aniversário de um amigo comum?
Passa muito bem.

Para mim não serves. Cresce.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Abertura oficial (abençoada) da caça (ao voto) - por Professor Sabi



Os meus runnings, as minhas corridinhas, são mais assunto de mural de facebook, que de blogue. Um assunto para subir ao blogue tem de ter outra estaleca e outro alcance. Os runnings, com uma frequência semanal, são motivos de apontamentos, de desabafos e picanços para a malta que me segue naquela rede e que me estimula. Malta que por ali convive comigo.
Depois, a minha aplicação de registo de corridas, o Runtastic, entra com o perfil do facebook e aquele registo é mais para consumo privado, para histórico da evolução.

O registo de hoje é de relevo, por dois motivos concretos, e por isso não se esgota no facebook.

Um dos grandes fascínios desta minha capacidade de correr pelo concelho que me viu nascer, é não ter um percurso fixo, concreto, limitado. Não se trata de um campo, ao qual dou voltas, ou um circuito fechado. A cada manhã que saio para correr, rezo e nem sei bem por onde vou.

Hoje tinha pensado dar a volta dos Galegos ao contrário do que faço habitualmente, isto é, descer para a ponte Velha, subir até à parte mais baixa dos galegos (não é contrasenso, é mesmo assim), e regressar pela Relva da Asseiceira. Estava uma manhã linda, fria, de sol, com um ar fantástico. Reparei que o fluxo de trânsito era muito avolumado e percebi então, pensando nas horas, que deveria estar para acontecer a missa nos Galegos, em honra de São Sebastião, que era o 1º grande happening político do concelho em 2017, onde todas as forças que estarão a votos, marcariam presença.  



Motivo 1: Abertura da época de caça aberta (deliberada) ao voto
Gente da minha (leia-se Marvão para Todos) passava de carro e tocava a buzina. Eu dizia adeus e sorria, dando alento para o cenário que haveriam de encontrar. E ia pensando, pensando, sozinho, olhando a beleza do mundo à minha volta. Aquela “guerra” não é a minha. É, mas não é.

É a minha guerra porque estou convicto, com força e sei que a minha equipa é um conjunto de homens e mulheres boas, que querem o melhor para a nossa terra e para as suas gentes. Boas, não porque sejam, ou por se considerem melhores que todos os outros, mas sim porque têm um espírito cristão, de ajudar, de tornar possível, mais fácil, de aproximar a câmara aos munícipes.

Não é a minha guerra porque seria incapaz de trocar aquilo que estava a fazer por… uma manhã de falsidade. Supostamente, o que deveria ter ali levado as pessoas seria a fé, que foi a última coisa que ali os levou. Aquilo foi uma passerelle de fachadas, de sorrisos, de abraços, cumprimentos e mãozadas. No fundo, muito… de nada. Os meus não quiseram faltar, quiseram não deixar de marcar presença e eu apoiei-os, tanto que até fiz questão de passar pelos Galegos, para lhes dar um abraço. Nestas coisas, quem não aparece… esquece e todos nós sabemos como é o nosso povo. Envelhecido, pouco alfabetizado, e com tudo aquilo que é muito natural e comum à natureza humana, onde a solidariedade e a entreajuda, caem com estrondo aos pés da inveja e maledicência. Depois, são facilmente levados por festas, conversas mansas, palmadinhas nas costas. Só assim se pode encontrar a explicação para este prolongamento de um executivo onde não há espírito de equipa, de missão.

Contudo, e este contudo é muito importante, eu acredito que os marvanenses (habitantes do concelho de Marvão) são muito diferentes dos habitantes dos concelhos vizinhos. Acredito que são mais genuínos, mais autênticos, mais terra a terra e essa vertente é-me confirmada por colegas que já trabalharam outros sítios, e mesmo por outros profissionais que aqui vêm.  
Ainda há dias um dos carteiristas que por aí andam a distribuir correio, licenciado sem licença para ter o emprego que merece, me disse que “este concelho é demais! Nos outros a gente anda, distribui e as pessoas passam por nós como pelas cartas de publicidade manhosa. Aqui há sempre uma brincadeira, uma atenção, uma boca. Por isso é que a gente gosta de andar aqui.”

O que ali sucedeu nos Galegos hoje, pode ser analisado de diversos prismas, que se resumem maioritariamente a três: o da religião, o da população e, em último mas não por último, da política.


A visão da Igreja não pode ser destrinçada da figura que é o padre Marcelino. É este homem jovem, extremamente dinâmico, sempre a correr de um lado para o outro, (que até cansa só de o ver) que em sagrada hora nos caiu no regaço, que fez com que a relação do concelho com a Igreja, nunca mais seja a mesma. Para ela, para ele, tratava-se uma eucaristia para homenagear um santo daquela localidade, mas também um evento de suposta beneficência, a fim de recolher fundos para a recuperação das madeiras e dos tetos.

A população viu, para além da devoção de quem crê; a oportunidade de conviver, confraternizar, viver um daqueles bocadinhos que se costumam dizer que, são os que se levam de cá (da terra). Muita comida (sempre extraordinário porco assado do mestre Carlinhos), muita bubida (o que convém sempre), e quando assim é: animação e alegria. Não houve baile porque aquilo é… de respeito.

A visão da política tem sido um aviar de facas. Agora nesta fase, já todos saíram da toca e é um fartar de exposição. Os que lá estão, que nunca conseguiram esconder o transparecer da sua desunião, estão, até ver, a viver umas terceiras núpcias de sonho. Curioso estou eu de ver se o que sempre se encostou, se continua a sentir bem, relegado para terceiríssimo plano (recordo-me que não se ganha assim tão mal; trabalho, desde que se queira, não dá assim muito; e não há limites para mandatos de vereação, creio eu); de que forma as pedras se conjugam e para onde entra quem tem mesmo muita força de entrar. A novela Rondão de Almeida terá aqui a sua versão de Marvão? Será que avança mesmo um arlequim manipulado pelo exterior? E como será que conseguirá agir nos diretos? Papelinhos dobrados com respostas, guardados nas mangas do casaco? O cinto já está!

Todos os direitos reservados, da minha querida amiga, supra citada

Pessoalmente, o que me dói mais a mim, Pedro Sobreiro, cidadão que se presume informado e esclarecido (não muito, mas algo. Certamente.), é que as forças antagónicas ao que está (mas não está), não tenham conseguido chegar a um consenso. Juntos seria muito mais fácil, mais tranquilo, mais certeiro. Mas o que aconteceu nas longas negociações que foram prolongadas durante muitos meses, foi que não se conseguiu chegar a um consenso entre as partes.
Houve pessoas, entre nós, que sempre defenderam que estariam no seio do grupo Marvão para Todos até ao último dia, mas que ao primeiro aceno de possibilidade de acesso ao poder, nos viraram costas.
Outras saíram porque as questões de filiação falaram mais alto, e trilharão o seu próprio caminho. Ou não.
Essas pessoas saíram, por si, e deixarão de estar entre nós em aparições futuras. Facilmente serão identificáveis. Já não estão na nossa demanda.


Quem lhe deu guarita, quem está disposta a avançar por essa via sozinha, não falhou ao movimento ao qual pertenço. Fomos nós que requacionámos bem as questões de acordo com a nossa carta de princípios, e optámos por seguir o nosso caminho a sós, como tinha sido previsto desde o início. O Marvão para Todos não é um grupo de garotos, de miúdos e miúdas que querem brincar aos políticos. É feito de homens e mulheres experientes, com provas dadas na sua vida profissional, familiar e política, que não estão contra o que está. Têm sim, uma visão e uma forma diferente de ver, pensar e programar as coisas.


Essa pessoa que veio de fora agitar as águas, não falhou com o grupo, mas falhou-me a mim. Porque tive muito tato na primeira abordagem, muita sensatez na forma como as negociações foram conduzidas e fiquei com a sensação, admito que possa estar errado, que apenas equacionaria regressar e apresentar-se a votos “pelo amor ao concelho e a Marvão”, se as partes oponentes ao que está, se unissem. O que não veio a acontecer. Infelizmente, digo eu, agora. Espero não o lamentar tanto, no futuro.


Existirão assim 3 vias: mais do mesmo (que é fraco e pouco); a alternativa de sempre, da mão, com algumas nuances; e nós, o movimento independente “Marvão para Todos!."

A humildade é a nossa base de trabalho, o saber que nada temos e ainda nada conseguimos é sempre o nosso novo ponto de partida, para cada dia. Mas o nosso fôlego de esperança tem ganho alento e para mim, tem resultado de uma forma absolutamente inesperada e esperançosa, com o calor humano e o alento que nos chegam das pessoas. Apesar das ligações de teia que esta câmara tem com tudo o que é instituição e organização, há muita gente, tanta gente que está a dar-nos a mão, a dizer-nos que sim, que podemos contar com ele, ou com ela, com um sorriso nos lábios.

Lançámos há dias o nosso primeiro comunicado (aqui, no nosso blogue, onde está também toda a nossa informação, e carta de princípios) e vamos sim, sair em força, em breve.


É importante que fique registado que é nossa garantia que este movimento, é um projeto a longo prazo. Isto é, não pretende esgotar-se nestas eleições autárquicas, mas antes tem um período de longevidade que extravasa este espaço temporal.

Temos perfeita consciência que nestes concelhos do interior, sobretudo, quem está no poder pode administrá-lo à sua maneira e só muito dificilmente poderá deixá-lo fugir.
Mas também temos consciência que este presidente não se pode mais candidatar (3 longos mandatos para tão pouca obra concreta e palpável, com tanto de dinheiros comunitários que certamente não foram aproveitados da melhor forma, e fugiram) e esta é uma boa altura para nos apresentarmos. Quaisquer que sejam os resultados que conseguirmos, será por aí que começaremos a esmiuçar os podres do regime, e a clarificar, ouvir, projetar ajudar a construir um amanhã melhor, a todos os órgãos a que nos candidatemos.

O “Marvão para Todos” tem sido, como já referi, o produto de um longo trabalho de mais de 2 anos, a caminho de sítios recônditos para trabalhar na penumbra. Tudo tem sido pensado entre todos, e realizado com o trabalho de todos. Isto é nosso mas para si, para ti também. O “Marvão para Todos” é seu, é teu, é de todos aqueles que estão descontentes, são daqui, gostam disto e se preocupam com Marvão.

Segundo motivo porque este relatório de running não se esgota no facebook: A distância face às meias ou a entrada numa outra dimensão que merece ter lugar de destaque aqui, no blogue. 15 km é obra! Foram feitos com uma facilidade tal (com subidas de arrasar… a da Ponte Velha… mata!), que já posso pensar em fazer uma meia maratona. São só mais 6 km do que o que fiz hoje. Era ir de casa até à Beirã. Era continuar pela autovia em direção a Valência. Dava. Se quisesse… dava. E saber isso é muito bom. E motiva muito. Para outros embates do dia a dia.


Como dizem na missa após as leituras: assim seja.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Marcelo, o primeiro (ou quando o comentador pega nas rédeas de uma "carroça" (em desgoverno?)





E já está quase a fazer uma semaninha que Marcelo se instalou no T0 de Belém.

Marcelo não é um português qualquer. Agora muito menos, que é o primeiro de todos, mas já há muitos anos que não é igual aos demais. Intelectualmente muito desenvolvido, arguto, conhecedor como muito poucos da realidade política nacional, é o homem certo no lugar certo.

Mesmo que não tivesse acreditado nele para desempenhar esta função, também seria o meu presidente, mas assim, falo com muito mais propriedade.

Comunicador nato, animal político, nunca antes desempenhou um cargo assim tão relevante para Portugal (antes se esgotou em presidente do Partido e candidato à Câmara de Lisboa), mas sabe do assunto e agora é hora de o provar.

Para mim, está ao nível de Mourinho no relvado. Sabe.

Portugal precisa de um homem hábil que saiba manobrar esta jangada de pedra num tempo tão complicado, em que manda não foi quem teve a maior votação, mas quem conseguiu juntar mais meninos e meninas da sua cor no recreio. Este é um tempo de pensar nas famílias tão fustigadas pela pesadíssima carga fiscal e não para avarias e hipocrisia. Marcelo já começou a dar um ar da sua graça.

Para já, rebentou e tudo marcou com este renascimento da presidência da república em que escancarou as portas, os portões e chamou a populaça. O cheiro a mofo da casa sempre fechada sobre si mesma do Aníbal, já desapareceu mais. Há-de desaparecer na íntegra. Com o tempo...

Destes primeiros dias, destaco também o apelo que fez para que o Porto e o Oceano, tenham um papel decisivo nos anos que se seguem; e no apelo na oração conjunta com as outras fés e religiões para que exista um diálogo consensual comum. O tio Cavaco agradecia à virgem de Fátima as aprovações de tranches da Troika e ponto. Algo está a mudar. E ainda bem.




O Presidente da minha República foi a pé da casa dos pais para a Assembleia no dia da tomada de posse. Pode parecer um pormenor de somenos à grande maioria mas para mim, é revelador de um a forma claríssima do homem que temos a chefiar os nossos órgãos de soberania.

Oxalá consiga tornar tudo tão claro na vida real como a política que esmiuçava com habilidade na TVI.

Nós todos esperamos isso dele. Mesmo quem não acreditou logo a princípio.

Católico (como eu); habituado a falar com o pai em qualquer lado (como eu), mesmo nos semáforos; grande benfiquista (como eu), tem tudo para dar certo. Oxalá.

As coisas vão estando bem entregues. Tudo vai estando composto: temos um grande Homem à frente do País, um grande homem à frente do Benfica, um grande homem à frente à frente da igreja. Só não temos uma grande figura assim dessa dimensão á frente do governo, mas que por enquanto ainda goza do benefício da dúvida.


De certezinha absoluta que não temos esse grande homem é à frente do concelho de Marvão. Há que tentar mudar essa faceta que está a destoar do quadro geral que elogio aqui. Ali, está um sujeito que ajudei a sentar no lugar (errei de boa fé, sem querer, sem saber o mal que estaria a fazer), mas que não descansarei enquanto não o consiga "desamontar" dos destinos da minha terra. Tenho trabalhado para isso, de acordo com as minhas possibilidades, com os meus outros colegas, pessoas de bem e sem interesse pessoal no Movimento cívico Marvão para Todos, onde o nosso único objetivo é ajudar Marvão e as suas gentes. 

A presidência da câmara de Marvão é uma função de grande honra que se desempenha, não um posto que se atinge (que no caso dele mais para o generalato). A câmara é um lugar de honra, de destaque, para o qual não reconheço que tenha o perfil adequado.

Há que mudar.

 Esperança.


Esq.- Dir.: Jorge Rosado, Adelaide Martins, Luís Barradas, João Bugalhão, Fernando Dias, Nuno Pires, José Manuel Baltazar, Teresa Simão, Susana Teixeira, Pedro Sobreiro, este vosso escriba.

Unidos, despidos, com o mesmo objetivo: meter Marvão no seu trilho de sucesso, ajudando as suas gentes a serem mais  felizes.

Esperança

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Marvão Folião 2016 - A história e o ponto da situação, pelo vosso Tio Sabi

também conhecido como  padre Jácinto Leite Cápelo Rêgo




Escrito enquanto chove muito, ao lume…

Este depoimento, vulgo post, deu muito trabalho a fazer e é a mais que merecida homenagem ao meu grupo do Carnaval, “Escola de Samba - Unidos da Ramila de Cima”.

Inclui centenas de fotos e hiperligações a arquivos na internet, deu o trabalho do dia inteiro a fazer mas ficou bom. E é merecido!

É um agradecimento e um pedido de desculpa formal, que não tenho de o fazer mas que me apetece. Peço desculpa como pedi ontem aos meus amigos por me ter lembrado de ter tido um acidente de mota que quase me finou e fez com que esse grupo onde me enquandrava tivesse perdido a tesão de continuar. Se eu tivesse sabido a arraia que aquela desatenção na direção (ou lá o que foi) ia dar, que me meteu mês e meio a dormir do outro lado, fora de casa, num sítio chamado coma, tinha apanhado a camionete da carrera naquela noite para o ensaio da Grupa, em vez de ter ido de Vespa, de guitarra às costas, ao melhor estilo Rock’n’roll.
Mas as coisas acontecem não porque a gente quer mas porque há uma força superior à qual chamo Deus, que escreve direito por linhas tortas e acho que, agora aqui que ninguém nos ouve, eu estava a meter-me a jeito, a mijar fora do penico e a precisar de um puxão de orelhas. Que foi dado e acho que aprendi. Todos os dias limo a aresta mas acho que aprendi. 
Mandou-me de volta para trás e eu tudo faço, espero, peço e agradeço por merecer cada novo dia à face da superfície terrestre, neste sítio único chamado Marvão.

Este post teve também uma pesquisa muito grande neste blogue porque eu pensava que todo o meu historial carnavalesco estava cristalizado no separador Carnaval mas nada mais errado e eu ia tendo uma coisa ruim quando comecei a esgravatar e não encontrei tudo o que sabia que cá tinha semeado. Afinal, os separadores tinham sido outros e tive de ir por datas mas estavam cá! Valha-nos ao menos isso. Este blogue é a minha vida. Este blogue tem tanto de mim que me impressiona até a mim! Isso é bom porque é uma vida que fica aqui plasmada no virar do século, com tanto defeito e maluquice mas ainda assim, plasmada. Com tantas visitas, meu Deus, obrigado. Se cada um de cada vez que cá vem deixasse o dinheiro de um café… já dava para ir a Roma.

Então reza assim a crónica…

A tendência da grande maioria de publicar o carnaval no momento em que acontece sobretudo via facebook, essa pistola sempre apontada à atualidade e disposta a disparar, compreende-se. É época de festa e o que a malta gosta é de cristalizar na aldeia global, o fatinho do bebé vestido de pirata, ou as fotografias do disfarce que levou na noite antes ao baile.

Eu, preferi não fazer assim. Preferi deixar que passasse, para que me pudesse pensar sobre o folião, o Marvão Folião, como o batizei quando enquanto vereador da cultura, na tentativa de fazer dele uma ação concertada e um evento cultural que se dignasse desse nome.

É importante que se esclareça bem, porque gosto muito de meter os pontos nos i, que o Marvão Folião não partiu da minha iniciativa. A génese, se bem me lembro, se deveu à iniciativa de pessoas como a Alexandra Sequeira e a Ana esposa do Quim da Luz, creio que Sequeira também. Organizaram um desfile em Santo António das Areias. Eu tive um almoço fora e quando regressei, minutos antes do desfile começar, fiquei boquiaberto a assistir ao desfile enorme de mascarados e à festa reinante aqui. Creio que isso foi por volta de 2005.

Depois, nesse ano, ganhei com Vítor Frutuoso a câmara municipal, como seu vice-presidente e assumi o pelouro da cultura. Se tinha como função máxima dignificar aquilo que melhor se produzia nas mais diversas vertentes no nosso concelho, o carnaval era uma manifestação popular, que tinha nascido do povo e tinha de ser aproveitada.

O carnaval sempre me passou ao lado, até então. Não achava piada alguma à coisa e os corsos de mascarados que via na televisão pareciam-me uma loucura de pindéricos que tentavam lutar contra as variáveis e por vezes terríveis condições climatéricas de Portugal, em Fevereiro. Carnaval, à séria, era no brasil, no calçadão do Rio de Janeiro onde as cabritas e as mulatas sambavam mostrando todos os atributos que Deus lhes deu quase ao léu, espalhando sensualidade e erotismo no ar. Isso sim.
O carnaval português era o da ilha da Madeira que está calor para isso e num ou noutro ponto do país quando o tempo o permitia. Coisa esporádica e breve que estava sempre um frio do catano.
O carnaval de Castelo de Vide, o único verdadeiro mais próximo (que Elvas fica muita longe), vinha há muitos anos a desiludir os marvanenes que ali se deslocavam para lançar umas serpentinas, ver mascarados e comer uma massa frita. Tinha grupos realmente muito bons como o da arqueologia, mas muitas vezes o teor alcoólico da rapaziada dos outros grupos dava para eles se divertirem uns com os outros e pouco mais. É que ir daqui à vila, fazer mais de uma dezena de quilómetros para, por vezes, ter de levar com um balão de água a cheirar mal em cima ou um ovo podre, não era agradável.

Foi por isso que vi com os melhores olhos o nascimento do carnaval de Marvão. É que o carnaval é um período de festa e folia antes da clausura e meditação da quaresma que aí vem a passos largos e é extensivo ao mundo inteiro, Marvão incluído. E se assim era e já tinha despontado, a minha missão enquanto responsável era dignifica-lo e fazer com que funcionasse. Fazer com que as ruas da minha terra animassem, com que as gentes do meu concelho brincassem e rissem que tristezas não pagam dívidas e já é tudo tão triste e complicado que há que saber aproveitar.

Se havia carnaval em Marvão, eu também tinha de participar, que isso de ficar à porta não é para a minha maneira de ser. A primeira vez, se bem me recordo, já tinha sido eleito e o grupo onde me inseri queria imitar os patinhos da música dos patinhos.



Com uns instrumentos a imitar os das imagens, a minha maneira vernácula de ser transformou o braço da guitarra de esferovite numa extensão do falo e era uma delícia ver o ar escandalizado das velhas beatas que íamos encontrando pela avenida 25 de Abril, que se calhar até tinham votado em mim! O poder chocar e dar largas à minha forma excêntrica de ver o mundo, foi uma das aliciantes que mais me tentou a descobrir o espírito carnavalesco que pensava que não existia em mim.

Nessa investida, da qual penso que não terei grande registo fotográfico, (o nosso Banana - captador oficial de registos, ainda não tinha sido empossado) pelo que penso que apenas um vídeo feito pelo nosso Hernâni Sarnadas, que ainda ontem visualizámos no jantar que realizámos, creio que é a única memória física. Nesse então estava eu gordíssimo, ainda antes de ter descoberto as corridas, e pesava um valor astronómico que rondava os 3 algarismos. Estava então uma besta bem redonda e a precisar de ir ao Tallon. Depois foi a presença desse Hernâni Sarnadas e do Vítor Ramos, duas velhas glórias dos carnavais na vila com o grupo da arqueologia, que me fizeram acreditar que isto poderia ter pernas para andar. Se o tempo, sempre o tempo, ajudasse. Mas mesmo quando não ajudou, nós não falhámos, quase sós, como aqui em que assaltámos o posto da GNR vestidos de metralhas!


A partir deste fantástico grupo, eu, que posso ter por cognome “Pedro, o ajuntador”; ou “Pedro, o aglutinador de amigos”; consegui reunir mais elementos de quem sou grande amigo há décadas, apesar de alguns deles não terem apetência nenhuma para a brincadeira. Como o meu cunhado, irmão pelo casamento, Fernando Manuel Bonito Dias, por exemplo. Quem nos conhece bem sabe que o Bonito é um gajo muito mais sério, mais completo, com tudo muito certinho, tudo muito bem definido. Eu, sempre fui e serei o enfant terrible. Nunca lho perguntei abertamente mas a minha sogra sempre preferiu certamente ter um genro como ele, do que como eu, que ainda por cima era da Beirã! O Bonito sempre teve aquele ar impecável, cabelo bem cortado, sempre muito bem barbeado, a vestir clássico. Agora estão a ver a cena quando a minha Fernanda Cristina lá apareceu lá em casa a dizer que namorava com o gadelhudo lá da Beirã, o filho do João Sobreiro… Eu imagino. O que vale é que o meu santo sogro sempre me soube grande benfiquista e um gajo bem visto por toda a gente, amigo de todos menos de um (que até estava no meu lugar, até que fui buscar o que achava que era meu por direito), pelo que… isso ajudou.

Pois o Sabi conseguiu juntar ao Hernâni e ao Vitinho (que quando me convidou para o casamento com a sua Margarida, em vez dos seus nomes tinha o boneco do vitinho e da companheira do Donald no envelope, lembraste amigo? É esse o espírito dele…), o Bonito e os amigos de toda a vida, há décadas, com milhentas histórias vividas em conjunto: João Carlos Anselmo, Luís Barradas, José Carlos Costa (Zeca, oficialmente), Rui Pousadas (Careca, para abreviar), Benvindo Trigueiro (o driver) e last but not least, o vezenhança da Rua Fernando Namora da Beirã, Manel Coelho. Uma equipa de sonho, de luxo, a quem se juntou enquanto operadores de iluminação, o amigo António Machado, eletricista da câmara municipal de Marvão de profissão, um castiço de alta escala no qual é difícil entrar porque é de carater muito fechado e sisudo; e imagem, o nosso Bananita, também conhecido no registo civil por Cláudio Gordo, embora o gajo não goste nada que o tratemos por esse nome próprio: C L Á U D I O. :P

E o Carnaval, para nós passou a ser assim: um divertimento. Um divertimento fantástico e tremendo. Tanto, tanto, tanto, que nem consigo explicar.

Cada um encarnou à sua maneira, a personagem que melhor se lhe adequava.

Eu e o meu filho Manuel Gira Bodes, quando ainda tinha mão nele. Levava-o a brincar e ele gostava. Agora...
Quaresma Bonito. Tão Bonito, o certinho

Paula Lança e a filhota Maria Dias. Muito animada! ;)

El gran Coelhoni

Zecarini Cortes y su burrito (como é que não ficou bêbado. Tanto vinho lhe demos...)

El Chino motorista também artista

El Pilao

Estrela convidada: Mané Gira Bodes

Ai todá famíliaaaaa

Pai ciganorro a vender das suas
"AI DONAS COMPRÉM; COMPRÉM QUÉTUDO GAMADUUUU AI EUUUU"

Ai ciganas mai lindas! A mais nova ainda não tinha chegaduuuu

Ai lelluuuu... que fomi...

Sem comentários. Até de ciganorra ficas linda!

Ai euuuuuuuuuu Até o presadente da Junta cantava...

El platanito - Il fotógrafu
Don Machado, o expert tauromáquico

Eu era sempre ou o chefe ciganorro que era grande a vender a droga, como aqui,


Ai a Família Sobreiruuu

Eu vendia de tudo... Ai euuuuuu Era tão aplicaduuuuuuu....

A sairmos da nossa sede na Ramila de Cima

Ai mandarimes fazeri uns calendáriuus mas nunca nus touxerimmmmm

Pum!

Andarim-me estas desgraçadas a venderim pensus e nã fizerim nenhummmmm aaaaaaaaaaiiiieeeeeeeeeeeuuuuuuuuuuuuuuuu

Ai a genti sobreviveu ao fimmmmm! AIIIIIIIiEUUUUUUUUUUUUUUUU

Ai até me tirarem uma futugrafia a dari um calduuuuuuuuuuu
A queimare o cavaluuuuuu

Com o grande Joselito Maia: "Aie... mas entãou o vereadori é esti?!?!? Ai quísto está tudo desgraçadu"

Que grande farrraaaaaaaaaaa. O Joselito encontrou os primes!

Ou como Estanislau Cardinas, proprietário, designer e apresentador do fantástico e inesquecível Circo Cardinas,

Bonito cartaz.
Levou dias a fazer.
 E as pessoas que o viam na aldeia pensava que era verdadeiro! 






Como baterista da escola de samba Unidos da Ramila de Cima, num post que inclui diversos vídeos como o do enterro,




Como cozinheiro de um grupo marado de chefs italianos, que terminou me banquete oferecido, outra vez,




Ou como padre Jácinto Leite Capelo Rêgo (leia-se Já Sinto O Leite Cá Pelo…) que encerrava sempre o carnaval.

Ai o carapauuuuuuuuuuuuuuu

Cora Luís, chora. Que o gajo tá teso!





Pois como disse atrás, e este é um post que dá para muitas horas de leitura, o carnaval deste ano 2016 para mim, não prestou nadinha. E passo a explicar,

Para já, enquanto descia a avenida para começar o desfile, a minha cabeça era um misto de emoções, e toda a tristeza de estar de fora disto tudo me atormentava a alma. Porque é que tudo tem de ser assim?, perguntava-me. Mas a Maria, a Leonor, a Alice e a Joana iam todas contentes por irem vestidas e eu estava muito feliz por elas, que seguiam todas engaladas e importantes com o fato que foi das mães, há poucos anos atrás. Cheguei ao ponto de partida do início da avenida e constatei, para ainda maior pena minha, que os responsáveis pela câmara municipal, presidente e vice-presidente, estavam a dar as boas vindas aos foliões, numa mistura horrível, e para mim, inconcebível, de realidades que não devem ser misturadas. É como os poderes legislativo, executivo e judicial. Para haver democracia, têm de ser separados. Aqui é igual: quem dá, não deve ir a receber… a esmola.

Eles têm o dever, são pagos para isso, para fazerem funcionar. Mas não têm o direito de estarem à espera dos foliões num beija mão medonho. Se eu fosse folião ali, por certo teria feito algo que não quero e não gosto, e ter-lhes-ia virado as costas. O presidente nunca ligou um caracol ao Carnaval enquanto eu o organizava mas o fato de agora ter surgido um movimento de cariz político “Marvão para Todos”, onde me incluo, de descontentes com a podridão instalada e com vontade de fazer a revolução tranquila da liberdade em Marvão, fez com que saíssem da casca e atuassem em alcateia, conversando e presumo eu, prometendo, aos carenciados aquilo que necessitam. Quando se joga sujo, rente se irá. Atacaram frente ao GDA no fim do desfile da escola para quem quisesse ver, falarem com pessoas carenciadas. Muito feio.

Depois fui caminhando pela avenida e foi um processo algo penoso. Passar ali, naquele dia, quando antes olhava para aquilo como sendo o meu sambódromo, encarar todos os que esperavam o desfile, não foi fácil.
- Então Pedro? Ainda não é este ano que volta o teu grupo? Vá lá a ver, já é tempo!

Mais à frente,
- Ai… isto sem vocês… está morto! Nem vale a pena.

E eu não podia comentar. Era baixo comentar. Apenas sorria mas aquilo que a nossa câmara fez foi ajudar a matar o Carnaval.
Isso me disseram montes de pessoas que estavam junto a mim, no final dos desfiles quando habitualmente o meu grupo dava um grande banquete com coisas que ofertávamos aos presentes.

Para começar não colocaram um som ambiente no largo da Igreja e ninguém se preocupou a dinamizar, nomeadamente, o final, para que quem estava a ver o desfile, desse o seu tempo por bem empregue. Na perspetiva do visitante, que vinha ver, valeu ZERO!

Depois, conduziram as pessoas todas para aquele mamarracho chamado pavilhão municipal que nem bancadas tem de jeito para se poder ver aquilo que era para ser visto ali: futebol. Quem quer ver, tem de estar de pé, porque sentado não se vê o campo. O engenheiro que desenhou aquilo, e mais, quem deveria ter vistoriado e analisado a obra. deveria ter visto o que um leigo na matéria vê à primeira vista. Merecem da minha parte o mesmo prémio. Imaginam qual é!

Depois a câmara, sempre na busca predadora do voto, quis favorecer a UJA, que caiu nas graças deles e nas de nosso senhor (já votam todos), com os bares disponíveis no pavilhão. Com uma sala de espetáculos nobre como é o Grupo Desportivo Arenese, ainda por cima com uma discoteca na Cave, foram-se para o pavilhão. É que as contas fazem-se mesmo assim: o presidente do GDA, Luís Barradas, faz parte do movimento “Marvão para Todos” e está de fora. É para queimar. Uja sim, sempre!

Depois os bares que costumavam ganhar algum com o carnaval, ficaram a bater charuto. A pastelaria Caldeira e o Sr. Saúl Anselmo, ficaram apenas com alguns resistentes que se recusaram a entrar no engodo e irem atrás do Flautista de Hamelin.

E assim, com duas ou três más jogadas, se ajuda a matar o que deu tantos anos e trabalho a fazer.

Podem ser excelentes pessoas, coisa que sei que não são e não acredito que sejam, mas a incompetência, meu Deus…

Por usarem o pavilhão tiveram de fazer um gasto de certeza enorme, para protegerem o chão. E fizeram com que a equipa local tivesse de ir jogar para… Portalegre ou Castelo de Vide. Uma coisa de nível.

Eu estava agastado com isto tudo e já escrevo há imenso tempo, mas o meu historial de Carnaval, e sobretudo o meu grupo, mereciam isto.

Meu grupo no qual tenho tanto orgulho e que de minha iniciativa e do Hernâni, não quisemos deixar de celebrar a amizade e o Carnaval, e nos reunimos para jantar na segunda feira gorda, ontem. Fui à Conceição do Pau de Canela perguntar antes se nos albergava e organizou-nos um repasto verdadeiramente único com febrinhas com pimentos e castanha. Por pouco mais de 10 euros (que a Troika abalou mas a carteira ficou vazia na mesma) fez-nos felizes ao ponto de lhe fazermos uma ovação e um louvor.

Tínhamos acertado por vota das 7h, 7h e meia e não combinamos levar um chapéu ou qualquer outro adereço.,
A verdade é que chegámos todos, todos, TODOS vestidos. Sinal que o espírito e o Carnaval não morreu em nós, como ia morrendo eu. Mas graças a Deus não morri e decidimos todos ontem que VAMOS VOLTAR. Nas palavras que dirigi e no pedido de desculpas que apresentei, disse que apesar de todas as burradas que estes senhores estão a fazer, o carnaval está vivo e está cá. Eu tenho ESPERANÇA que a coisa mude e que “Marvão seja mesmo para Todos” como o nosso grupo se apelida. Tenho esperança que o nosso grupo consiga ganhar a confianças dos marvanenses e consigamos meter o nosso concelho no bom rumo outra vez. Eu tenho esperança e a esperança é forte em mim e sempre a última coisa a morrer. Oxalá a teia acabe neste mandato e possamos voltar a investir no carnaval de Marvão, para que possa estar ao nível do que se faz por aqui. Não dispendioso, não com grandes estrelas, mas com os marvanenses puros, genuínos, com direito de brincarem com todos os outros. A rirmo-nos daquilo que somos, que não há nada mais saudável.























O post já vai longo e não publicarei nele as fotos fabulosas que tirei do carnaval de Marvão Folião 2016 realizado pelos alunos das escolas (soberbos!), pelos utentes da Santa Casa de Marvão (geniais!), pelos utentes do Lar da casa do Povo que souberam defender e muito bem as cores da sua terra (fantásticos), pelos enternecedores utentes da APPACDM de Portalegre aqui do meu bairro. Esse farei amanhã, ou noutro dia.

Disse ontem aos meus amigos e digo-o aqui hoje: o Marvão Folião com que tanto sonhei e sonhámos juntos, está vivo e funciona! As instituições estão envolvidas e participam! O mais difícil está feito. Só faltamos nós! Ficou decidido e assinado em grupo que para o ano voltaremos! 2017 será o ano das eleições e a mudança começará logo no Carnaval. O meu grupo, o grupo “Escola de Samba Unidos da Ramila de Cima” vai voltar e será, como eu sempre sou, em força. Não beliscando ninguém, não afrontando ninguém, mas defendendo aquilo que é nosso, que o carnaval é de todos! E Marvão será de Todos. Que a bola se agigante e comece a formar-se ali.

A começar pela recuperação do Enterro da Sardinha. Não tenho nada contra quem é o padre dos últimos anos, nem contra as viúvas de hoje em dia, mas para o ano o padre Jacinto voltará, a concurso, certo que muitas beatas gostarão de o ver regressado. Faremos uma votação com todos os grupos, discutiremos os assuntos de cada um. Acertaremos. Mas jacinto foi o primeiro e aguentou o barco sozinho pelo que terá de haver essa oportunidade. Estamos na brincadeira! Estamos na luta!

A brincar, a brincar… (isso mesmo!)