terça-feira, 30 de março de 2010

Na terra dos sonhos

Esta foto é uma daquelas coisas incríveis que acontece uma vez em mil. Não é uma montagem em Photoshop! Foi tirada mesmo assim. Eu estava a focar a faixa que aparece em fundo e o cachecol do Luís passou pela frente da objectiva nesse mesmo instante. Pensei que me tivesse estragado a imagem. O resultado foi este que nos deixou a todos boquiabertos.
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Há quem diga que já não há amigos de verdade…

Que os amigos se movem por interesses…

Que os amigos só servem para os copos e os petiscos…

Que quando se precisa de verdade… nunca estão lá.

Esse não é (nunca foi, felizmente), o meu conceito de amizade. Para mim, um amigo, quando é verdadeiro e sentido, é um autêntico tesouro. Um amigo é como se fosse um irmão, um novo familiar pela via da afinidade que nós escolhemos e nos escolhe a nós para a vida.

E sim, também aqui é importante saber distinguir os amigos dos conhecidos e estes dos interesseiros porque não raras vezes, os últimos quase tudo fazem para se fazerem passar pelos primeiros. Eu, mesmo que as vezes possa conseguir fazer que não percebo, topo-os à légua.

Estes quatro anos de experiência autárquica e sobretudo os complicados meses que se seguiram de pós-operatório foram decisivos para me ajudar a separar o trigo do joio.

Muito me orgulho do património de amizade que consegui reunir ao longo da minha vida: não são assim tão poucos e todos esses, sei que são dos bons.

Tudo isto a propósito do que me aconteceu neste fim-de-semana.

Tínhamos estado juntos uns dias antes por motivos de serviço de ambos. Perguntou-me se ia ao jogo do ano e eu disse-lhe que não… tinha sido lesto no processo de aquisição de bilhetes, tinha feito quase tudo bem mas nem mesmo assim tinha ido a tempo de evitar que a corrida louca aos ingressos via net me deixasse de fora da catedral.

Disse-me então: “deixa lá que eu vou ver o que é que te consigo arranjar…”. A promessa ficou assim… no ar… que eu não sou homem de cobrar. Conhecendo-o eu como conheço, sabendo da sua persistência, da sua lealdade, do seu profissionalismo, da sua rectidão, sabia que só não o faria se fosse mesmo impossível. Mas era um jogo louco. Estava tudo a rebentar pelas costuras e achei que era melhor não alimentar ilusões.

De forma que estava resignado. Era sexta-feira, quase 5 e meia da tarde, hora de largar o servicinho e eu já só pensava no sábado que ia passar em família, de passeio na cidade mais próxima (Castelo Branco, claro! Há outra?) tal e qual como prometido à mais pequena como prémio pelo seu bom comportamento e pelas classificações na escolinha.

O telemóvel saltou então na secretária e eu agarrei-o pelas orelhas: “Viva amigo!”. A voz do outro lado fez-me estremecer: “Então ainda queres ir ao Benfica - Braga? É que tenho aqui dois bilhetinhos para ti… de borla… e podem chegar a ser 3… Vê lá... Vê tu quem queres trazer…”. Quando consegui meter ar suficiente nos pulmões para responder disse-lhe: “Ai homem que tu desgraças a minha vida. Estava aqui tão descansadinho, com tudo tão orientado… e tu entras como um furacão e deixas tudo de pantanas… Se eu quero ir, claro que quero ir! Alguma vez posso recusar uma coisas destas? Deixa-me fazer umas chamadas que eu tenho que falar com o meu pessoal… Mas olha… desde já… bem hajas. Nem sei como te agradecer. Isto para mim é como aqueles favores que se faziam antigamente… de conseguir encaixar o filho na GNR ou meter a filha na PSP. É daqueles que por mais que a gente faça… nunca se pagam”.

Os dois bilhetes sempre passaram a 3 e em menos de uma hora já tinha o line up definido e estava pronto a marchar.

Esse Amigo chama-se Nuno Pires e é, a par do meu sogro e do Gil (o dono dos Correios de Marvão), um dos maiores benfiquistas vivos que eu conheço. Perguntei-lhe se me permitia a inconfidência e me deixava prestar-lhe esta humilde homenagem. Era o mínimo que lhe podia fazer.

Nessa tarde, o Nuno abriu-me as portas da felicidade. Bem hajas, do fundo do coração.


Com Jesus... os milagres acontecem de forma natural! Aqui, assistimos ao da multiplicação do pão na versão cartões de sócio / bilhetes, pelo apóstolo Nuno
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A nossa sorte grande e os felizardos contemplados

As litronas antes de partir para o estádio são um must e ademais... dão-nos sorte! Esta foram pagas pelo Jesus que mandou meter na conta do ceguinho.
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A gente boa encontra-se onde quer que esteja. Aqui celebrámos com os nossos conterrâneos que alinharam na excursão da Casa do Benfica de Castelo de Vide. Da esquerda para a derecha: Sérgio, João António, Nuno Pires, Bonito, Barradas, Manel Joaquim Mota, Tio Sabi e Vítor Malaquias, uma coqueluche que nos quiseram arrematar por meio milhão de euros. Nem assim a gente o vendeu!

É tão lindo... o mar de gente

O céu deve ser assim... uma águia gigante como estas vem, abraça a gente já muito velhinho e leva-nos para o pé do Eusébio e do Rui Costa que nessa altura tb já marcharam...

Ó primo... Já cá estou! Olaré!

O Cardozo ou o Kardec?

Acho que já tenho o 11 inicial!


Quando vínhamos no carro de regresso, pensei que gostava de conseguir transmitir aos outros o que é que me faz tão feliz quando vou à catedral em romaria para mais uma joga do meu Benfica. O que é que me move? E defini alguns momentos que acho que conseguem passar em parte o que pretendo:

Momento 1: Quando conseguimos os bilhetes e finalmente nos chegam à mão. Aquela alegria já ninguém nos tira.

Momento2: Quando deixamos Portalegre para trás e passamos a estação dos comboios. Ali atingimos o “ponto de não retorno” e a boa disposição dispara. Apesar de estarmos quase todos nos quarenta (alguns dos convivas que costumam alinhar já os passaram há muito) não conseguimos deixar de nos sentir como os cachopos quando descobrem onde o padre guarda a ginja. É demais!

Momento3: A chegada às rulotes junto ao Colombo. Estamos na nossa praia. Aquela Terra Média é a fronteira para o palco dos sonhos. Ali, debaixo do viaduto, embrenhados no fumo dos grelhados, admirando a barbela na chapa ou desfrutando de uma imperial geladinha, participando nos cânticos ou apenas estando de pé e de vermelho, sentimo-nos partes de um organismo superior, de um todo gigantesco, de um mito colectivo que nos arrebata e inebria.
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Momento 4: Quando acabam as escadas e começa o verdadeiro interior do estádio. Quando acaba o cinzento do betão e vislumbramos o tapete verde e as bancadas cheias de milhares de fiéis como nós. Tanto pormenor, tanto detalhe, tanta coisa que ver.

Momento 5: O momento do hino “Ser benfiquista” com o bailado dos cachecóis em coreografia. É uma coisa do outro mundo. Sempre de arrepiar!

Momento 6: Quando as crianças chamam a Vitória e ela mergulha na multidão. O estádio bate palmas, grita por ela, fica em suspenso e é como se tudo se passasse em câmara lenta. Eu olho-a e imagino como será poder ver tudo com os seus olhos. Tanto sorriso, tanta lágrima, tanta alegria. Quando aterra no símbolo do Clube, a catedral vem abaixo num orgasmo de emoções colectivo. Aquilo não se explica. Sente-se. (Coisa que os lagartos e os tripas jamais poderão ter. Mas agora que penso nisso, largar uma boa dúzia de leões famintos ou de dragões lança-chamas nas bancadas nem era má ideia).

Momento 7: O jogo em si e reparem que quando começa, já temos tanta coisa boa que já podemos dizer que tudo valeu a pena. O jogo são 90 minutos da mais pura emoção, com o coração na boca e o corpo a estremecer a cada passe, cada corte, cada lance, cada remate, cada defesa. Acreditem: por muito que se veja na televisão… não há nada, nada como a excitação de ver um jogo ao vivo.

E prontos, só estes 7 já são bem ilustrativos mas poderia falar em muito mais coisas… no almocito no excelente Rodízio de Peixe do “Âncora Azul” do Clube Naval de Setúbal ou no “Barbas”… na paragem obrigatória nas bifanas de Vendas Novas no regresso… no que a gente se ri uns com os outros quando dizemos parvoeiras ou alguns se deixam dormir… enfim… é um pagode! Que bom que é, Meu Deus!

Como dizia o Manel Gavancha (segundo o meu sogro): “Nunca deixem acabar isto!”.

E já falta tão pouco para 5ª Feira…
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LÁ ESTAREMOS ENTRE OS BIFES!
CONTRA OS BIFES… MARCHAR, MARCHAR!

Temos de ir pensando em alugar um quartito por lá…

SLB!!!!!!
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O Padre Luís, feliz, minutos depois de ter sido ordenado sacerdote da Igreja da Glória de Jesus

Vê-los ali... à nossa frente...

Bonito...


É isso aí, malta!

quinta-feira, 25 de março de 2010

"O Magnífico Plano do Lobo" desvendado pelos Sobreiros


Na semana passada, a Biblioteca da escola da pequena (com blogue aqui) organizou mais uma semana da leitura, idealizada e dinamizada pela incansável Professora Paula Morgado.

Como sempre, a pequena pediu-nos que lêssemos uma historinha com ela (e por ela seleccionada) e nós… claro… acedemos… apesar de a essa hora, o Benfica estar a defrontar o Marselha…

Valores mais altos se levantaram…
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Desta vez ficou assim...
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Obs.: A gravação está em Full HD e não consigo configurar isto de forma a aparecermos os 3... Se houver por aí um ou uma artista que saiba como... a gerência agradece a pista. De qualquer das formas, se acederem ao You Tube (aqui) poderão sempre visualizar na totalidade e em Technicolor. Ah! E um muito bem haja à Catarina Bucho (realizadora) e à sua Isabel (assistente de produção), pela gravação. Merci!)
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Et voilá! Foi a própria Prof. Paula Morgado, ela própria uma internauta e bloguista convicta, a safar a coisa. Assim fica mais pequenito mas... aparecendo os 3, muito mais engraçado. Obrigadinho!
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Ainda a Meia Maratona

Com duas cenas incríveis…

Graças à dica do Professor Domingos, descobri duas fotos do momento em que terminava a prova. Numa, apareço na ponta final e na outra, no preciso instante em que cortava a meta, abraçado ao André Costa. Uma cara de felicidade… demais!






Não mandei vir os originais porque pedem 4 contos por uma cópia digital. Grandes chulos! Quando deveria ser oferecida! Que fiquem lá com elas para as deitarem às galinhas.

A outra cena é ainda mais rebuscada… o vídeo da chegada! Ora atentem lá ao minuto 48,42…


O vídeo está alojado neste link
(Demora um pouquinho a carregar mas é giro ver a malta a chegar toda rebentada)

terça-feira, 23 de março de 2010

Jornada de Glória

Companheiros de Jornada:
Bonito Dias, Nuno, André Costa, Nuno Machado, Tio Sabi, Prof. Domingos



Perguntam vocês como é que foi? Foi do caraças, pá!

A Meia Maratona de Lisboa, esta, a da Ponte 25 de Abril é, para mim, o corolário da época desportiva. O meu ano lectivo de treinos culmina neste dia, que é o maior de todos na matéria. É uma festa do camandro e eu adoro pensar que valeu a pena ter passado tantas horas a correr sozinho, ao frio e à chuva, de noite com a lua por única companhia ou sob um sol abrasador para poder chegar ali, àquela prova, e apresentar-me em grande nível no meio de tantos atletas chegados de todos os pontos do país e do estrangeiro (só os espanhóis eram mais que as mães).

O ego cresce logo assim que a gente chega à zona de partida, onde a organização separa o pessoal que vai para a Mini Maratona do da Meia. Os que vão para correr ou andar a prova de 8 km têm um corredor enorme e não têm outro remédio senão irem-se apertando. Já quem vai para a Meia entra num corredor estreitinho que passa mesmo ao lado dos que esperam e vocês não estão bem a ver a sensação que é passar por ali, com os olhos dos mais lentos a fitarem-nos cheios de inveja. É uma vaidosice pegada… mas sabe tão, tão bem. Quase que valia a pena a viagem só por aquele instante.

Depois, imaginem o que é poder correr aquela ponte, ver milhares de cabeças aos saltinhos, o rio imenso e esverdeado em baixo, a neblina que envolvia uma Lisboa que acordava, o céu azul e imenso da nossa capital… Ahhh….. é muito bom!






Saímos com um bom ritmo que mantivemos com frescura até ao Terreiro do Paço, quando se deu a 1ª viragem, surpreendente para muitos que a esperavam ter tido logo no Cais do Sodré. Ao décimo quilómetro acelerámos e fartámo-nos de passar pessoal até Belém. Foi o nosso momento de ouro. Passámos o ponto de ruptura (em que o corpo diz que já não quer mais…) aos 16 km (eu) e aos 18 Km (André) e a partir daí, saímos para uma excelente ponta final com um ritmo bem acelerado.

Como disse e bem, o Prof. Domingos, “houve (no nosso grupo) tempos para todos os gostos”: o Nuno de Évora na casa da hora e 20 (6 treinos por semana, corredor desde tenra idade), o Nuno Machado na casa da hora e 30, eu e o André na casa da hora e 48 e logo depois, o Professor Domingos e o Bonito, todos a chegarmos ao final antes das duas horas e com o melhor tempo possível.

O decurso natural da corrida fez com que eu e o André tivéssemos feito quase toda a prova lado a lado, ora puxando um, ora o outro e acabámos mesmo por cruzar a meta abraçados, que é daquelas coisas que ficam para sempre. Foi lindo!

Cada Meia Maratona é um enorme desafio. Há nervosismo, há apreensão, há dúvidas e incertezas. Somos nós a pôr-nos à prova a nós mesmos. Não se corre contra ninguém… corre-se contra nós próprios. Depois, fazer uma Meia Maratona é SEMPRE uma prova de fogo e a mim, enche-me de orgulho de cada vez que a dobro. Fazer 21 quilómetros em 1 hora e 48m, com uma média de 5 minutos ao quilómetro para um tipo que teve problemas de asma durante toda a infância e adolescência, que corre a sério há apenas 4 anos, que treina somente 3 vezes por semana e que está (quase) na casa dos 40 é obra! e aqui (que me desculpem…) tenho mesmo de ficar inchado. Passei tanto atleta, tanto pintarola, tanto estiloso… 1804 classificado em 5475!

Foi GRANDE e estamos todos de parabéns!




Foto antológica! Quem é que eu ali havia de encontrar? O meu amigo de Nisa, Zé Maria "Papa Azeite" que se disponibilizou de pronto para sacar uma foto connosco no pódio da Olá. Em 1º, obviamente. Uma classe! "Manda a fotografia lá para a Câmara de Nisa", disse ele à menina... Genial!
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Depois, foi hora de rumar à Costa da Caparica, cheia de surfistas, banhistas e passeantes, para um duche retemperador (gelado!) e para um almocinho de altíssimo gabarito na nossa Catedral do Barbas. As imperiais, os queijinhos frescos, as célebres chamuças, a carne e o peixinho fresco… aaaahhh… delícia!




Quando regressávamos pensei… “correu tudo tão bem… tão certinho… para este dia memorável ser fechado com chave de ouro, só mesmo… claro! O meu Benfica espetar uma sova no Porto!” E não é que foi mesmo?

Ganhar um jogo aos tripeiros é das melhores coisas que me podem dar. Se essa vitória significar limpar-lhe uma taça, então… é ouro!

Eu não sei o que é que vocês pensam… Se calhar até estou a ser tendencioso… parece-me que não… mas tentando ver o jogo de forma objectiva, parece-me claramente que os do Benfica são os “bons” da fita e os de azul, “os maus”. E já nem sequer falo no gritante desnível da qualidade futebolística, porque esse é por demais evidente. Levar 3 secos na pá e vir dizer para a televisão que não houve superioridade de nenhuma das equipas, só mesmo vindo de um anormal senil como o Jesualdo. Devem-lhe ter dado xarope azul a mais... Já não tem cura…

Estás em óptima idade para seres internado também. Anda que o Pintinho já te arranja um lar para idosos jeitoso lá para Santa Maria da Feira. Já estás com elas calçadas!

Mas dizia eu que a ruindade do Porto não engana. Aquele jagunço do Bruno Alves fartou-se de “aviar fruta” em tudo o que mexia e o árbitro, como convinha… lá foi fechando os olhos. Foi cacetada de 3 em pipa, cotoveladas, pisadelas, entradas no limite e nada! A tudo isto respondemos com estofo de… campeão. E isso é que os mata! Há um lance que espelha o que aconteceu durante toda a partida. O capitão do Porto tem uma entrada “a matar” sobre o Pablo Aimar e não satisfeito com a truculência da sua acção, volta a abordar o benfiquista com violência, ainda no chão. Este responde-lhe com um sorriso irónico e tenta passar-lhe a mão pela cabeça, gesto que ainda agravou a ira louca do animal que foi direito a todo aquele que lhe saiu ao caminho. É assim, respondendo com classe à brutalidade, que vamos construindo a nossa glória.

ESTA JÁ É NOSSA!

Que dia… Se os há que valem por dois, este foi claramente um deles!

Escusado será dizer que mal me instalei, tive de ouvir logo a minha filha: “PAI! Já estás a ressonar!”.

Pudera…

NE: Um abraço valente a todos os companheiros de jornada… ao Bonito, ao André e ao Nuno, ao Nuno e ao Professor (bem haja por tudo e tb pelos dorsais e pela companhia) e também ao Jorge Jesus, ao Rui Costa e a todo o plantel benfiquista. Felizes!


sábado, 20 de março de 2010

O dia P (de Ponte 25 de Abril)



É já amanhã!

Não se esqueçam que está tudo dispensado de ver a missa na TVI.

Amanhã vai estar todo o mundo ligado à RTP1 e à 20º Meia Maratona de Lisboa.

Olhos postos na frente da corrida, ok?

Se virem um gajo branco metido lá na frente com os quenianos, já sabem!

É o vosso TIO SABI! Até os esturrico, caraças!

Beijinhos!


“Ó SÓCRATES! SAI-ME DA FRENTE C*****O!”

Dia do Pai 2010



A minha Leonor, entre outros miminhos, deu-me estas duas prendas.

Adorei tudo, mas foi o desenho (no fundo, a sua verdadeira criação) que me partiu todo.
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Gostei de me ver com muito mais cabelo, com os sapatos bem atacados (coisa rara em mim…) e nem sequer faltou, claro está, a t-shirt do Glorioso e os olhos, cada um de sua cor, um verde e um azul…

Mas de tudo, de tudinho… se tivesse que escolher um detalhe, ficava com o tamanho do sorriso dela quando de mão dada comigo.

Ser pai é do caraças!

A dobrar, então…

sexta-feira, 19 de março de 2010

Allez le Benfica!


A noite no Vélodrome foi mágica e inesquecível.

O Benfica viveu mais uma jornada de glória europeia ao derrotar o poderoso Marselha e está cada vez mais próximo de tornar realidade o sonho que muitos achavam impossível.

Eu vi o jogo na Catedralzinha do Choca (leia-se Patelaria S. Marcos), acompanhado do meu amigo Miguel Barradas, no meio de mais Benfiquistas e de um ou outro lagarto, de língua afiada e figas nas mãos. No intervalo fui logo ali ao lado ao talho da Marina (que se fartou de rir quando me viu trajado a rigor, com camisola, cachecol e boina oficial) e comprei uns enchidos para o lanchinho e para tapar as fresquinhas (maravilhosas!).

Entretive-me por lá à conversa com ela e com o seu marido António, ambos espanhóis e interessados nestas coisas do futebol. Ela, ferrenha do seu Madrid, sabedora da minha devoção Benfiquista, perguntou-me a dada altura: “Y que te trae el fútbol y el Benfica a ti?”.

E eu respondi (quando ainda estávamos empatados, note-se): “A mim? (Suspiro) Ui… (Suspiro) O futebol e o Benfica enchem-me o coração. Fazem-me vibrar. Fazem-me sentir vivo. É uma paixão e acho que as paixões são mesmo assim… inexplicáveis de tão arrebatadoras”.

Quem é que me havia de dizer que nos restantes 45 minutos haveria de sentir tantas e tão boas emoções?

Este Benfica (que assim não era desde que o malvado do Artur Jorge, há quase década e meia atrás, numa missão encomendada pelo Pinto da Costa, liquidou um plantel inteiro), dizia eu que este Benfica faz qualquer um sentir-se rico mesmo que não tenha um cêntimo furado na algibeira.

Isto faz-me lembrar uma anedota que uma amiga minha de mais idade me contou há muitos anos atrás e eu achei demais…

Um rapaz da província foi a Lisboa tratar de vida e acabou por ter de ficar. Como não tinha onde pernoitar, lembrou-se de ir bater à porta de uma tia viúva de um irmão do seu pai que vivia no Arco Cego. Apresentou-se assim sem avisar e a senhora, que ficou muito contente com a visita inusitada, não foi capaz de lhe dizer que não o acolhia, apesar da casita ser pequena e ter apenas um quartito, o suficiente para um casal sem filhos. Que sim, que podia ficar mas, não havendo outra opção, teria de partilhar o leito com ela, sempre dentro do devido respeito, como é óbvio!

Por ali jantaram, fizeram serão, meteram a conversa em dia e quando a noite já ia longa, encaminharam-se para o humilde aposento. Ela emprestou-lhe um pijama do falecido e deu-lhe instruções para que se vestissem de costas voltadas um para o outro, para que não houvesse réstia de tentação que a carne é fraca. Mas a senhora, coitada, que já andava baldada há tanto ano, não resistiu a mirar de soslaio, pelo cantinho do olho, o corpo forte e espadaúdo do gaiatão seu sobrinho por afinidade, pensou então, que de sangue não lhe tinha nada. Subiram-lhe de imediato uns calores por aquele corpo todo a cima que a deixaram afrontada e pior que tudo, desejosa.

Por casualidade, que ele há coisas do diabo, o mancebo reparou que o espelho mesmo à sua frente lhe revelava as curvas tentadoras do corpo desnudo de sua tia, ainda bem roliço e parecendo bastante mais rijo do que seria suposto para aquela bem mulher de meia idade.

Depois de devidamente ataviados com indumentárias que lhes realçavam os atributos, ela apenas de camisinha de dormir de linho, ele com um pijama branco que lhe ficava colado ao corpo, ajoelharam-se para a oração da noite e foi assim, ardendo de rebarba, que quebraram o estabelecido.

O jovem não se aguentou e avançou destemido: “Santa Virgem Luzia, que eu não me aguento e vou fazer o mesmo que o meu tio fazia”.

Ao que a senhora respondeu em êxtase: “Ai santa Virgem sagrada… que coisa tão boa sem ser esperada!”… e nisto caíram nos braços um do outro, para uma noite de loucura!

Que coisa tão boa sem ser esperada… Isto digo eu também do meu Benfica, depois de tantos anos de sofrimento...
Que coisa tããão boa sem ser esperada.

Que venham o Braga, o Liverpool, os lagartos e o Porto!
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Ninguém pára este Benfica!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Nova caderneta! – Os cromos da minha terra

A ideia de produzir uma caderneta com os cromos da minha terra surgiu-me num dos meus flashes criativos. Esses flashes… por muitas vezes que passe por eles, nunca estarei suficientemente preparado para o que se segue… Estou muito bem num sítio qualquer e de repente… começo a ver luzinhas a piscar, a ouvir sinos e sirenes e cornetas e trombones, o coração acelera, os olhos piscam-piscam, as pernas tremem e de repente… TARÚZ!, entro num transe em que recebo instruções divinas e começo a ver as ideias, mesmo ali à minha frente, a tomarem forma em câmara lenta, como se assistisse em directo à criação de um fresco renascentista.

Esta da caderneta dos cromos também foi assim. Estava sentado ao serão com a minha Leonor a passar para o disco rígido uns cds de fotografias antigas (de 2002 e 2003) e dou com uma foto fantástica do não menos fantástico “Cadáver” numa festinha do PSD nos Alvarrões. E disse para mim: “epá… eu tenho de fazer justiça a isto. Tenho de arranjar forma de homenagear e perpetuar as figuras míticas da minha terra…” e se há quem ache que há forma melhor de o fazer que através de uma caderneta de cromos, que atire a primeira carcaça.

Agora… é importante que se explique previamente o propósito e o espírito da coisa, para que não surjam mal entendidos. A “Caderneta de cromos da minha terra” não pretende gozar ou menosprezar os visados mas muito antes pelo contrário, homenagear as figuras típicas, castiças, autênticas que com o seu brilhantismo, exuberância e classe natural ajudam a dar cor ao cinzentismo da maioria.

Estes cromos não são para fazer troça. São para bater palmas enquanto desfilam pela vida como se fosse uma passarelle gigante.

Não é cromo quem quer. É cromo quem consegue!

Para que fique bem clara a minha intenção… nada como começar… por mim! Realmente, se há cromo que se preze, eu tenho de dizer “presente!”. Lá virão alguns mais maldosos com a conversa do “lá está ele a pôr-se em bicos dos pés, armado em não-sei-quê”… mas não é nada disso, bebés. É precisamente o inverso. O facto de ser eu o primeiro dos cromos da caderneta, para além de ser clarificador quanto ao objectivo da iniciativa, é sobretudo uma questão de honestidade intelectual e de humildade. É tipo aquela história que eles contam lá na missa do “carneiro (ou será cordeiro?) de Deus que tirou o pecado do mundo…”. É uma cena do género “dar o corpo às balas”, de dizer: “prontos, pá… eu estou aqui e chego-me à frente, dou o corpo ao manifesto”. Também acho que sendo eu o primeiro… nenhum dos outros visados me poderá levar a mal. (Eh, eh, digam lá se esta não foi de mestre! Olaré!).

Vou tentar ser o mais isento possível. Ora cá vai…


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quarta-feira, 17 de março de 2010

The Special One



A vingança serve-se fria. Mourinho entrou ontem em Stamford Bridge como um elefante numa loja de porcelana e deu uma bofetada de luva branca nas aspirações de Abramovich de ver o seu Chelsea campeão europeu. Um português entrou em Inglaterra para, de uma assentada, dar um piparote para fora da Liga Milionária num russo e num italiano. Digam lá se não é coisa de classe?

Ontem, só ontem, vi 3 coisas que me fazem adorar o homem:


1) A entrevista que antecedeu a partida é uma coisa antológica. Falar mais claro é impossível. Com o ar mais natural do mundo e uma simplicidade desarmante, disse quais são os 3 próximos objectivos da sua carreira, a saber:

a) Voltar à Liga inglesa;

b) Ganhar a liga espanhola, para poder ser o primeiro treinador campeão em Inglaterra, Itália (como ele já foi) e no país vizinho;

c) Quando já for velhinho… treinar a selecção de Portugal.

Assim, sem mais nem menos, sem papas na língua. Claro, curto e conciso. E ainda há quem confunda frontalidade com arrogância…

2) Nessa mesma entrevista, Mourinho afirmou: “Durante os 90 minutos do jogo não conheço ninguém. Antes do jogo conheço toda a gente (e gosto muito de alguns), depois do jogo conheço toda a gente, mas durante o jogo… não conheço ninguém”.

Enquanto dava o biberão à pequena, vi pelo canto do olho, a entrada em campo da equipa do Chelsea para o aquecimento antes do jogo. Mourinho, que não dá ponto sem nó, foi-se colocar estrategicamente à saída do túnel e eu pude assistir ao seu reencontro com os ex-jogadores, muitos deles contratados por sua iniciativa e digo-vos que foi uma coisa comovente. A alegria de muitos deles ao revê-lo foi uma cena indescritível. Ele, nunca perdeu a compostura e manteve sempre intacto com o mesmo ar combativo mas aposto que lá por dentro, o sentimento era bem diferente. Foi lindo, porra!

3) Aquela de “encavar” o Chelsea em casa, ser apurado para os quartos de final e virar as costas ao triunfo… preferindo ir para o balneário antes do apito final em vez de poder desfrutar de uma saborosíssima vitória nas barbas do ex-patrão que o despediu e dos detractores… preferindo respeitar os supporters e os vencidos… é de uma classe que me arrepia todo.

Sim, o Homem é mesmo grande!

E estás certo, “Júsei” como os bifes te chamam… Hás-de sempre ser o Special One.

Até para mim!

PS: Mas também adoro o meu Jesus. Vá lá, Jorginho… Não fiques ciumento. Epá, que feitio… Anda lá que eu no próximo domingo vou-te lá dar muitos beijinhos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Marque o código pessoal


Eu estava a terminar um levantamento de dinheiro no único multibanco disponível na aldeia onde vivo e não me apercebi que entretanto alguém tinha chegado nas minhas costas.

Quando me virei, abordou-me, delicada: “Boa tarde. O senhor não se importava de me fazer um favor?...”.

Conheço-a apenas de vista. Devemos ter trocado dois ou três cumprimentos de circunstância, pelo que estranhei a confiança implícita na pergunta.

“Depende do favor, minha senhora. Só lhe posso responder depois de me dizer o que pretende de mim…”.

“Queria-lhe pedir se me levantava dinheiro. É que eu não sei ler… Nem sequer os números conheço… e ando desconfiada que ele me anda a tirar daí dinheiro sem eu saber…”.

Nisto levou as mãos à carteira de onde retirou o cartão e o envelope com o código secreto que me confiou de imediato, num gesto que me desarmou e deixou sem defesa.

“E quanto é que a senhora quer levantar?”.

“Tudo! Levante tudo!”.

“Isso não pode ser... Os levantamentos têm limite. O máximo por dia é de 200 euros. A máquina não dá mais que 40 contos”, disse-lhe eu, pecando por excesso como haveria de descobrir de seguida.

“200 euros?!?! Ahhh… mas isso não tem lá tanto…” e ficou a olhar à espera que eu tivesse uma resposta.

“E se eu visse o saldo primeiro? Assim já podia decidir melhor…”.

“Isso! Veja-me lá isso então!”.

“Olhe, são 129 euros…”.

“AI SIM? Ai o bandido… eu bem desconfiava… Ele tem andado fugido… Eu tenho mas é de me ver livre dele… Ainda ontem chegou bêbado… quis-me matar a mim e à minha mãe com um ferro… veja bem… ai eu… que sorte a minha… olhe! Levante-me tudo! É da maneira que assim já não me rouba mais nada! Prontos! Anda uma pessoa a trabalhar para um bandido destes… Levante-me tudo, se faz favor”.

“Tem a certeza?”.

“Sim, sim. Levante-me tudo”.

E eu assim, fiz. Quando lhe entreguei o dinheiro ainda lhe disse: “Veja lá… não me envolva em nada disto… Eu não quero arranjar chatices. Não quero ter problemas com ninguém. Já me bastam os que vêm ter comigo…”.

“Fique descansado”.

E cada um seguiu o seu caminho.

Enquanto caminhava para o carro. Na viagem para casa. Nesse serão e até hoje desde então, de cada vez que me recordo do episódio, apenas uma pergunta persiste sem resposta: “como é que é possível?”.

O cortejo (fúnebre e humorístico)



O Inimigo Público, o suplemento humorístico do Público que por aqui muito tenho elogiado e que constitui uma das principais razões porque nunca falho a edição de sexta-feira, prima muitas vezes por conseguir dizer aquilo que os seus supostos congéneres mais “sérios” querem dizer e não conseguem (ou não podem).

A 1ª página desta semana que apresenta um genial cartoon do António Jorge Gonçalves, com os três candidatos à presidência do PSD de cangalheiros da politicamente defunta Ferreira Leite, é digno de ser impresso e emoldurado em formato gigante.

Reparem bem no sorriso amarelo do Passos Coelho, no ar “arreganhado” do advogado do Porto, na satisfação do bonacheirão do Rangel… e que dizer da líder que nem ao marchar larga o porquinho em forma de mealheiro? E a coroa de flores com as iniciais PEC? E a eterna saudade do Pacheco Pereira? Muito, muito bom.

Realmente… depois de um congresso como o do passado fim-de-semana, onde o grande destaque dos meios de comunicação social acabou por ir direitinho para o Presidente das Caldas que fez toda a gente rir com o seu inflamado e alucinado discurso… durante o qual, entre outras alarvidades, pediu vinho em vez de água e afirmou que se não fosse mentiroso, não poderia ser presidente de câmara… concluímos que não resta muito mais aos militantes que dar uma boa e sonora gargalhada.

Valha-nos ao menos isso…

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ammai (-a)

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Eu não sei se acontece o mesmo convosco mas para mim é sempre uma emoção quando (re)encontro Marvão num qualquer órgão de comunicação social nacional ou internacional.

Sei que pode soar assim possidónio mas a verdade é que me sinto vaidoso quando vejo a minha terra brilhar aos olhos dos outros.

Desta vez foi no Público de sexta-feira passada que dei de caras com um bom artigo da Alexandra Prado Coelho, publicado na sequência do prémio que a Fundação Calouste Gulbenkian atribuiu à Fundação Cidade de Ammaia pelo seu esforço na valorização do património.

São duas páginas que transmitem uma ideia clara da importância desta cidade (da que teve então e da que pode vir a ter) e que fazem o ponto da situação dos trabalhos desenvolvidos no sentido de nos revelar tudo o que ainda há por descobrir. Merecem uma leitura atenta.

Só é pena que este diamante (ainda) em bruto, que poderia ser a nossa nova jóia da coroa em termos de dinamização turística, esteja localizada neste triste país que não sabe valorizar e rentabilizar o riquíssimo património que tem nas entranhas. Estivesse a nossa Ammaia nos States ou até mesmo nas vizinhas Espanha e França, enfim, em qualquer país que não do terceiro mundo, e outro galo cantaria. Estaria tudo mais do que escavado, catalogado, ressuscitado, exposto, preparado para receber os visitantes em jeito de Parque Temático repleto de actividades lúdicas, serviços e merchandising. Não faltaria o dinheiro para apoiar uma coisa à séria. Assim…

Venham antes estádios de futebol para regiões que nem sequer equipas tinham no escalão maior, condenados a estarem sempre vazios; venham aeroportos desnecessários construídos apenas para alimentar os lobbies; venham TGVs, venha tudo e mais alguma coisa… menos o que nos faz realmente falta.

Apesar de não ser a sorte grande, o prémio e a mediatização serão certamente um merecidíssimo estímulo e um reconfortante aconchego para os homens, mulheres e instituições que têm lutado e se têm dedicado (tantas vezes de forma inglória…) a esta tão nobre causa.

Oxalá um dia consigam tudo aquilo que sonham.

Se tudo fosse tão certo quanto a minha admiração e gratidão…
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PS: Abraço particular ao Quim e à Sofia. Sabes bem o quanto gostava de estar presente mas…