terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Marvão Folião 2016 - A história e o ponto da situação, pelo vosso Tio Sabi

também conhecido como  padre Jácinto Leite Cápelo Rêgo




Escrito enquanto chove muito, ao lume…

Este depoimento, vulgo post, deu muito trabalho a fazer e é a mais que merecida homenagem ao meu grupo do Carnaval, “Escola de Samba - Unidos da Ramila de Cima”.

Inclui centenas de fotos e hiperligações a arquivos na internet, deu o trabalho do dia inteiro a fazer mas ficou bom. E é merecido!

É um agradecimento e um pedido de desculpa formal, que não tenho de o fazer mas que me apetece. Peço desculpa como pedi ontem aos meus amigos por me ter lembrado de ter tido um acidente de mota que quase me finou e fez com que esse grupo onde me enquandrava tivesse perdido a tesão de continuar. Se eu tivesse sabido a arraia que aquela desatenção na direção (ou lá o que foi) ia dar, que me meteu mês e meio a dormir do outro lado, fora de casa, num sítio chamado coma, tinha apanhado a camionete da carrera naquela noite para o ensaio da Grupa, em vez de ter ido de Vespa, de guitarra às costas, ao melhor estilo Rock’n’roll.
Mas as coisas acontecem não porque a gente quer mas porque há uma força superior à qual chamo Deus, que escreve direito por linhas tortas e acho que, agora aqui que ninguém nos ouve, eu estava a meter-me a jeito, a mijar fora do penico e a precisar de um puxão de orelhas. Que foi dado e acho que aprendi. Todos os dias limo a aresta mas acho que aprendi. 
Mandou-me de volta para trás e eu tudo faço, espero, peço e agradeço por merecer cada novo dia à face da superfície terrestre, neste sítio único chamado Marvão.

Este post teve também uma pesquisa muito grande neste blogue porque eu pensava que todo o meu historial carnavalesco estava cristalizado no separador Carnaval mas nada mais errado e eu ia tendo uma coisa ruim quando comecei a esgravatar e não encontrei tudo o que sabia que cá tinha semeado. Afinal, os separadores tinham sido outros e tive de ir por datas mas estavam cá! Valha-nos ao menos isso. Este blogue é a minha vida. Este blogue tem tanto de mim que me impressiona até a mim! Isso é bom porque é uma vida que fica aqui plasmada no virar do século, com tanto defeito e maluquice mas ainda assim, plasmada. Com tantas visitas, meu Deus, obrigado. Se cada um de cada vez que cá vem deixasse o dinheiro de um café… já dava para ir a Roma.

Então reza assim a crónica…

A tendência da grande maioria de publicar o carnaval no momento em que acontece sobretudo via facebook, essa pistola sempre apontada à atualidade e disposta a disparar, compreende-se. É época de festa e o que a malta gosta é de cristalizar na aldeia global, o fatinho do bebé vestido de pirata, ou as fotografias do disfarce que levou na noite antes ao baile.

Eu, preferi não fazer assim. Preferi deixar que passasse, para que me pudesse pensar sobre o folião, o Marvão Folião, como o batizei quando enquanto vereador da cultura, na tentativa de fazer dele uma ação concertada e um evento cultural que se dignasse desse nome.

É importante que se esclareça bem, porque gosto muito de meter os pontos nos i, que o Marvão Folião não partiu da minha iniciativa. A génese, se bem me lembro, se deveu à iniciativa de pessoas como a Alexandra Sequeira e a Ana esposa do Quim da Luz, creio que Sequeira também. Organizaram um desfile em Santo António das Areias. Eu tive um almoço fora e quando regressei, minutos antes do desfile começar, fiquei boquiaberto a assistir ao desfile enorme de mascarados e à festa reinante aqui. Creio que isso foi por volta de 2005.

Depois, nesse ano, ganhei com Vítor Frutuoso a câmara municipal, como seu vice-presidente e assumi o pelouro da cultura. Se tinha como função máxima dignificar aquilo que melhor se produzia nas mais diversas vertentes no nosso concelho, o carnaval era uma manifestação popular, que tinha nascido do povo e tinha de ser aproveitada.

O carnaval sempre me passou ao lado, até então. Não achava piada alguma à coisa e os corsos de mascarados que via na televisão pareciam-me uma loucura de pindéricos que tentavam lutar contra as variáveis e por vezes terríveis condições climatéricas de Portugal, em Fevereiro. Carnaval, à séria, era no brasil, no calçadão do Rio de Janeiro onde as cabritas e as mulatas sambavam mostrando todos os atributos que Deus lhes deu quase ao léu, espalhando sensualidade e erotismo no ar. Isso sim.
O carnaval português era o da ilha da Madeira que está calor para isso e num ou noutro ponto do país quando o tempo o permitia. Coisa esporádica e breve que estava sempre um frio do catano.
O carnaval de Castelo de Vide, o único verdadeiro mais próximo (que Elvas fica muita longe), vinha há muitos anos a desiludir os marvanenes que ali se deslocavam para lançar umas serpentinas, ver mascarados e comer uma massa frita. Tinha grupos realmente muito bons como o da arqueologia, mas muitas vezes o teor alcoólico da rapaziada dos outros grupos dava para eles se divertirem uns com os outros e pouco mais. É que ir daqui à vila, fazer mais de uma dezena de quilómetros para, por vezes, ter de levar com um balão de água a cheirar mal em cima ou um ovo podre, não era agradável.

Foi por isso que vi com os melhores olhos o nascimento do carnaval de Marvão. É que o carnaval é um período de festa e folia antes da clausura e meditação da quaresma que aí vem a passos largos e é extensivo ao mundo inteiro, Marvão incluído. E se assim era e já tinha despontado, a minha missão enquanto responsável era dignifica-lo e fazer com que funcionasse. Fazer com que as ruas da minha terra animassem, com que as gentes do meu concelho brincassem e rissem que tristezas não pagam dívidas e já é tudo tão triste e complicado que há que saber aproveitar.

Se havia carnaval em Marvão, eu também tinha de participar, que isso de ficar à porta não é para a minha maneira de ser. A primeira vez, se bem me recordo, já tinha sido eleito e o grupo onde me inseri queria imitar os patinhos da música dos patinhos.



Com uns instrumentos a imitar os das imagens, a minha maneira vernácula de ser transformou o braço da guitarra de esferovite numa extensão do falo e era uma delícia ver o ar escandalizado das velhas beatas que íamos encontrando pela avenida 25 de Abril, que se calhar até tinham votado em mim! O poder chocar e dar largas à minha forma excêntrica de ver o mundo, foi uma das aliciantes que mais me tentou a descobrir o espírito carnavalesco que pensava que não existia em mim.

Nessa investida, da qual penso que não terei grande registo fotográfico, (o nosso Banana - captador oficial de registos, ainda não tinha sido empossado) pelo que penso que apenas um vídeo feito pelo nosso Hernâni Sarnadas, que ainda ontem visualizámos no jantar que realizámos, creio que é a única memória física. Nesse então estava eu gordíssimo, ainda antes de ter descoberto as corridas, e pesava um valor astronómico que rondava os 3 algarismos. Estava então uma besta bem redonda e a precisar de ir ao Tallon. Depois foi a presença desse Hernâni Sarnadas e do Vítor Ramos, duas velhas glórias dos carnavais na vila com o grupo da arqueologia, que me fizeram acreditar que isto poderia ter pernas para andar. Se o tempo, sempre o tempo, ajudasse. Mas mesmo quando não ajudou, nós não falhámos, quase sós, como aqui em que assaltámos o posto da GNR vestidos de metralhas!


A partir deste fantástico grupo, eu, que posso ter por cognome “Pedro, o ajuntador”; ou “Pedro, o aglutinador de amigos”; consegui reunir mais elementos de quem sou grande amigo há décadas, apesar de alguns deles não terem apetência nenhuma para a brincadeira. Como o meu cunhado, irmão pelo casamento, Fernando Manuel Bonito Dias, por exemplo. Quem nos conhece bem sabe que o Bonito é um gajo muito mais sério, mais completo, com tudo muito certinho, tudo muito bem definido. Eu, sempre fui e serei o enfant terrible. Nunca lho perguntei abertamente mas a minha sogra sempre preferiu certamente ter um genro como ele, do que como eu, que ainda por cima era da Beirã! O Bonito sempre teve aquele ar impecável, cabelo bem cortado, sempre muito bem barbeado, a vestir clássico. Agora estão a ver a cena quando a minha Fernanda Cristina lá apareceu lá em casa a dizer que namorava com o gadelhudo lá da Beirã, o filho do João Sobreiro… Eu imagino. O que vale é que o meu santo sogro sempre me soube grande benfiquista e um gajo bem visto por toda a gente, amigo de todos menos de um (que até estava no meu lugar, até que fui buscar o que achava que era meu por direito), pelo que… isso ajudou.

Pois o Sabi conseguiu juntar ao Hernâni e ao Vitinho (que quando me convidou para o casamento com a sua Margarida, em vez dos seus nomes tinha o boneco do vitinho e da companheira do Donald no envelope, lembraste amigo? É esse o espírito dele…), o Bonito e os amigos de toda a vida, há décadas, com milhentas histórias vividas em conjunto: João Carlos Anselmo, Luís Barradas, José Carlos Costa (Zeca, oficialmente), Rui Pousadas (Careca, para abreviar), Benvindo Trigueiro (o driver) e last but not least, o vezenhança da Rua Fernando Namora da Beirã, Manel Coelho. Uma equipa de sonho, de luxo, a quem se juntou enquanto operadores de iluminação, o amigo António Machado, eletricista da câmara municipal de Marvão de profissão, um castiço de alta escala no qual é difícil entrar porque é de carater muito fechado e sisudo; e imagem, o nosso Bananita, também conhecido no registo civil por Cláudio Gordo, embora o gajo não goste nada que o tratemos por esse nome próprio: C L Á U D I O. :P

E o Carnaval, para nós passou a ser assim: um divertimento. Um divertimento fantástico e tremendo. Tanto, tanto, tanto, que nem consigo explicar.

Cada um encarnou à sua maneira, a personagem que melhor se lhe adequava.

Eu e o meu filho Manuel Gira Bodes, quando ainda tinha mão nele. Levava-o a brincar e ele gostava. Agora...
Quaresma Bonito. Tão Bonito, o certinho

Paula Lança e a filhota Maria Dias. Muito animada! ;)

El gran Coelhoni

Zecarini Cortes y su burrito (como é que não ficou bêbado. Tanto vinho lhe demos...)

El Chino motorista também artista

El Pilao

Estrela convidada: Mané Gira Bodes

Ai todá famíliaaaaa

Pai ciganorro a vender das suas
"AI DONAS COMPRÉM; COMPRÉM QUÉTUDO GAMADUUUU AI EUUUU"

Ai ciganas mai lindas! A mais nova ainda não tinha chegaduuuu

Ai lelluuuu... que fomi...

Sem comentários. Até de ciganorra ficas linda!

Ai euuuuuuuuuu Até o presadente da Junta cantava...

El platanito - Il fotógrafu
Don Machado, o expert tauromáquico

Eu era sempre ou o chefe ciganorro que era grande a vender a droga, como aqui,


Ai a Família Sobreiruuu

Eu vendia de tudo... Ai euuuuuu Era tão aplicaduuuuuuu....

A sairmos da nossa sede na Ramila de Cima

Ai mandarimes fazeri uns calendáriuus mas nunca nus touxerimmmmm

Pum!

Andarim-me estas desgraçadas a venderim pensus e nã fizerim nenhummmmm aaaaaaaaaaiiiieeeeeeeeeeeuuuuuuuuuuuuuuuu

Ai a genti sobreviveu ao fimmmmm! AIIIIIIIiEUUUUUUUUUUUUUUUU

Ai até me tirarem uma futugrafia a dari um calduuuuuuuuuuu
A queimare o cavaluuuuuu

Com o grande Joselito Maia: "Aie... mas entãou o vereadori é esti?!?!? Ai quísto está tudo desgraçadu"

Que grande farrraaaaaaaaaaa. O Joselito encontrou os primes!

Ou como Estanislau Cardinas, proprietário, designer e apresentador do fantástico e inesquecível Circo Cardinas,

Bonito cartaz.
Levou dias a fazer.
 E as pessoas que o viam na aldeia pensava que era verdadeiro! 






Como baterista da escola de samba Unidos da Ramila de Cima, num post que inclui diversos vídeos como o do enterro,




Como cozinheiro de um grupo marado de chefs italianos, que terminou me banquete oferecido, outra vez,




Ou como padre Jácinto Leite Capelo Rêgo (leia-se Já Sinto O Leite Cá Pelo…) que encerrava sempre o carnaval.

Ai o carapauuuuuuuuuuuuuuu

Cora Luís, chora. Que o gajo tá teso!





Pois como disse atrás, e este é um post que dá para muitas horas de leitura, o carnaval deste ano 2016 para mim, não prestou nadinha. E passo a explicar,

Para já, enquanto descia a avenida para começar o desfile, a minha cabeça era um misto de emoções, e toda a tristeza de estar de fora disto tudo me atormentava a alma. Porque é que tudo tem de ser assim?, perguntava-me. Mas a Maria, a Leonor, a Alice e a Joana iam todas contentes por irem vestidas e eu estava muito feliz por elas, que seguiam todas engaladas e importantes com o fato que foi das mães, há poucos anos atrás. Cheguei ao ponto de partida do início da avenida e constatei, para ainda maior pena minha, que os responsáveis pela câmara municipal, presidente e vice-presidente, estavam a dar as boas vindas aos foliões, numa mistura horrível, e para mim, inconcebível, de realidades que não devem ser misturadas. É como os poderes legislativo, executivo e judicial. Para haver democracia, têm de ser separados. Aqui é igual: quem dá, não deve ir a receber… a esmola.

Eles têm o dever, são pagos para isso, para fazerem funcionar. Mas não têm o direito de estarem à espera dos foliões num beija mão medonho. Se eu fosse folião ali, por certo teria feito algo que não quero e não gosto, e ter-lhes-ia virado as costas. O presidente nunca ligou um caracol ao Carnaval enquanto eu o organizava mas o fato de agora ter surgido um movimento de cariz político “Marvão para Todos”, onde me incluo, de descontentes com a podridão instalada e com vontade de fazer a revolução tranquila da liberdade em Marvão, fez com que saíssem da casca e atuassem em alcateia, conversando e presumo eu, prometendo, aos carenciados aquilo que necessitam. Quando se joga sujo, rente se irá. Atacaram frente ao GDA no fim do desfile da escola para quem quisesse ver, falarem com pessoas carenciadas. Muito feio.

Depois fui caminhando pela avenida e foi um processo algo penoso. Passar ali, naquele dia, quando antes olhava para aquilo como sendo o meu sambódromo, encarar todos os que esperavam o desfile, não foi fácil.
- Então Pedro? Ainda não é este ano que volta o teu grupo? Vá lá a ver, já é tempo!

Mais à frente,
- Ai… isto sem vocês… está morto! Nem vale a pena.

E eu não podia comentar. Era baixo comentar. Apenas sorria mas aquilo que a nossa câmara fez foi ajudar a matar o Carnaval.
Isso me disseram montes de pessoas que estavam junto a mim, no final dos desfiles quando habitualmente o meu grupo dava um grande banquete com coisas que ofertávamos aos presentes.

Para começar não colocaram um som ambiente no largo da Igreja e ninguém se preocupou a dinamizar, nomeadamente, o final, para que quem estava a ver o desfile, desse o seu tempo por bem empregue. Na perspetiva do visitante, que vinha ver, valeu ZERO!

Depois, conduziram as pessoas todas para aquele mamarracho chamado pavilhão municipal que nem bancadas tem de jeito para se poder ver aquilo que era para ser visto ali: futebol. Quem quer ver, tem de estar de pé, porque sentado não se vê o campo. O engenheiro que desenhou aquilo, e mais, quem deveria ter vistoriado e analisado a obra. deveria ter visto o que um leigo na matéria vê à primeira vista. Merecem da minha parte o mesmo prémio. Imaginam qual é!

Depois a câmara, sempre na busca predadora do voto, quis favorecer a UJA, que caiu nas graças deles e nas de nosso senhor (já votam todos), com os bares disponíveis no pavilhão. Com uma sala de espetáculos nobre como é o Grupo Desportivo Arenese, ainda por cima com uma discoteca na Cave, foram-se para o pavilhão. É que as contas fazem-se mesmo assim: o presidente do GDA, Luís Barradas, faz parte do movimento “Marvão para Todos” e está de fora. É para queimar. Uja sim, sempre!

Depois os bares que costumavam ganhar algum com o carnaval, ficaram a bater charuto. A pastelaria Caldeira e o Sr. Saúl Anselmo, ficaram apenas com alguns resistentes que se recusaram a entrar no engodo e irem atrás do Flautista de Hamelin.

E assim, com duas ou três más jogadas, se ajuda a matar o que deu tantos anos e trabalho a fazer.

Podem ser excelentes pessoas, coisa que sei que não são e não acredito que sejam, mas a incompetência, meu Deus…

Por usarem o pavilhão tiveram de fazer um gasto de certeza enorme, para protegerem o chão. E fizeram com que a equipa local tivesse de ir jogar para… Portalegre ou Castelo de Vide. Uma coisa de nível.

Eu estava agastado com isto tudo e já escrevo há imenso tempo, mas o meu historial de Carnaval, e sobretudo o meu grupo, mereciam isto.

Meu grupo no qual tenho tanto orgulho e que de minha iniciativa e do Hernâni, não quisemos deixar de celebrar a amizade e o Carnaval, e nos reunimos para jantar na segunda feira gorda, ontem. Fui à Conceição do Pau de Canela perguntar antes se nos albergava e organizou-nos um repasto verdadeiramente único com febrinhas com pimentos e castanha. Por pouco mais de 10 euros (que a Troika abalou mas a carteira ficou vazia na mesma) fez-nos felizes ao ponto de lhe fazermos uma ovação e um louvor.

Tínhamos acertado por vota das 7h, 7h e meia e não combinamos levar um chapéu ou qualquer outro adereço.,
A verdade é que chegámos todos, todos, TODOS vestidos. Sinal que o espírito e o Carnaval não morreu em nós, como ia morrendo eu. Mas graças a Deus não morri e decidimos todos ontem que VAMOS VOLTAR. Nas palavras que dirigi e no pedido de desculpas que apresentei, disse que apesar de todas as burradas que estes senhores estão a fazer, o carnaval está vivo e está cá. Eu tenho ESPERANÇA que a coisa mude e que “Marvão seja mesmo para Todos” como o nosso grupo se apelida. Tenho esperança que o nosso grupo consiga ganhar a confianças dos marvanenses e consigamos meter o nosso concelho no bom rumo outra vez. Eu tenho esperança e a esperança é forte em mim e sempre a última coisa a morrer. Oxalá a teia acabe neste mandato e possamos voltar a investir no carnaval de Marvão, para que possa estar ao nível do que se faz por aqui. Não dispendioso, não com grandes estrelas, mas com os marvanenses puros, genuínos, com direito de brincarem com todos os outros. A rirmo-nos daquilo que somos, que não há nada mais saudável.























O post já vai longo e não publicarei nele as fotos fabulosas que tirei do carnaval de Marvão Folião 2016 realizado pelos alunos das escolas (soberbos!), pelos utentes da Santa Casa de Marvão (geniais!), pelos utentes do Lar da casa do Povo que souberam defender e muito bem as cores da sua terra (fantásticos), pelos enternecedores utentes da APPACDM de Portalegre aqui do meu bairro. Esse farei amanhã, ou noutro dia.

Disse ontem aos meus amigos e digo-o aqui hoje: o Marvão Folião com que tanto sonhei e sonhámos juntos, está vivo e funciona! As instituições estão envolvidas e participam! O mais difícil está feito. Só faltamos nós! Ficou decidido e assinado em grupo que para o ano voltaremos! 2017 será o ano das eleições e a mudança começará logo no Carnaval. O meu grupo, o grupo “Escola de Samba Unidos da Ramila de Cima” vai voltar e será, como eu sempre sou, em força. Não beliscando ninguém, não afrontando ninguém, mas defendendo aquilo que é nosso, que o carnaval é de todos! E Marvão será de Todos. Que a bola se agigante e comece a formar-se ali.

A começar pela recuperação do Enterro da Sardinha. Não tenho nada contra quem é o padre dos últimos anos, nem contra as viúvas de hoje em dia, mas para o ano o padre Jacinto voltará, a concurso, certo que muitas beatas gostarão de o ver regressado. Faremos uma votação com todos os grupos, discutiremos os assuntos de cada um. Acertaremos. Mas jacinto foi o primeiro e aguentou o barco sozinho pelo que terá de haver essa oportunidade. Estamos na brincadeira! Estamos na luta!

A brincar, a brincar… (isso mesmo!)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Alice, há 6 anos a espalhar maravilhas no nosso "país"


Eu queria ter escrito sobre o dia de ontem. Queria mesmo porque foi muito especial. A minha Alice celebrou 6 anos desde o dia em que chegou a este mundo, como relatei aqui, neste blogue.


Mas ontem estava tão cansado de ter dado tanto de mim; de me ter entregue tanto a ela e às suas alegrias e brincadeiras que cai na cama esgotado, sem ter forças para mais.

Tirei o dia de férias, que elas existem para isso mesmo, para vivermos os dias importantes perto de quem mais queremos também. Eu e a mãe, não trabalhámos para podermos ter o dia todo para ela.


A Alice queria ser a princesa Elsa do Frozen. A avó Jacinta, mãe da mãe, a esmerada avó Jacinta, criou-lhe um fato igual ao dá princesa e a vizinha Rosa Guedelha fez questão de lhe fazer a trança para que ficasse mesmo igual. E ficou. Mas ela queria o cabelo branco como a original e a mãe Cristina não foi nessa. Eu, pai louco, tinha assinado de cruz. Só se faz 6 anos uma vez. Mas eu… homem… tenho de me dar feliz por poder estar a ver e a viver isto. E chega…


A dada altura, de manhã, em casa, quando a mãe saiu para a ajudar a avó a confecionar o lanchinho para tanta criançada, quando fossemos apanhar os coleguinhas na escola, disse-me “estava a ver que este dia nunca mais ia chegar… (suspirando), eu nem acredito!”

Passeamos o Sizzle que parece que estava louco também a cheirar a alegria no ar. Comemos um almocinho rápido, a preparar para o que haveria de vir a seguir, e às 3 horas em ponto lá estávamos, para irmos à sala e chamarmos a turminha. A festa Frozen seria na garagem dos avós, a poucos metros da escola, que estava livre e decorada como se fosse uma unidade sempre em festa à espera da criançada. O reino gelado tinha ali chegado. Não foi um espaço preparado com muito dinheiro, algum pouco dinheiro, mas decorado com algo que muitas crianças infelizmente não têm: AMOR. Muito amor. UM amor terno, verdadeiro, empedernido, comovente até para quem está no meio.


Dei por mim a pensar nisto tudo e a pensar se faremos bem, se o caminho será por aqui. Se a Alice será daqui a amanhã, uma criança que sabe estar e ajudar, justa, solidária, amiga. E acalmei-me a pensar que nós temos de dar o melhor que temos, que estimar e acalentar esta semente que tanto queremos desde a primeira hora, e esperar que dê frutos, que sejamos recompensados com uma criança que será merecedora e nos fará sentir recompensados por tudo o que lhe demos.

Eu lembro-me que aos 6 anos, os meus pais me ofereceram uma bicicleta Janota (de sua marca), cuja foto está para aí guardada num dos meus arquivos digitais. Eu de pijama, desdentado, a sorrir com ao volante da Janota no corredor da minha casa.


À Alice vejo-a mais madura, mais senhora de si do que eu acho que era na altura.


A mãe defende-se sempre das quezílias generation gap que tenho com a mais velha, a que era a minha Leonor (que agora vive lá na estratosfera e está inalcançável), dizendo “tu estás sempre a defender a mais pequena”.

“E como não?, se é o elo mais fraco da rede? Tenho mesmo de a defender! Esta era aquela que custou a chegar. A que tivemos de pedir e acreditar muito para que viesse. E que Alice (chamada como a nossa vizinha de Marvão então) é esta… A Alice é um poço de força e vivacidade. A Alice é como os seus caracóis, fortes, ternurentos, rebeldes. A Alice é uma mãe Cristina em ponto pequeno; mas também louca e brincalhona como o pai. A Alice adora andar de patins em linha em casa, jogar no tablet e no computador da mana. A Alice domina e brinca com as gravações automáticas. O comando do MEO nas mãos dela é… um domínio como eu nunca vi. Tem personalidade para dar e vender. Tem o seu tempo e o seu espaço. Que criança é esta em que lhe vou dar um beijinho à cama de manhã a desejar-lhe bom dia e me responde: “ó pai, já?!?!? Estou a acordar!”


É capaz de ir do melhor ao pior numa fração de segundo. É capaz de me enxotar agora e depois me dizer agarradinha ao meu pescoço: “és o meu melhor pai de sempre!” (frase chavão nela)
 

Nunca vai para a cama sem mim, sem as cambalhotas no colchão; sem o trapézio em que lhe seguro os pés e fica com a cabeça a centímetros do chão. A mãe, incrédula de cada vez que vê,  diz: “MAS QUE GRAÇA É QUE TEM ISSO?!?!?”

E eu digo-lhe baixinho: “toda, Alice! É ver o mundo ao contrário! Ela é que já não se lembra! Já cresceu! É adulta!” Mas eu não e a Alice sabe. Ela sabe que vivo num mundo dentro de um corpo de 42 anos mas a minha cabeça diz que o herói de sempre é o Peter Pan. Eu já tenho quase 1 metro e 80 (falta apenas 1 centímetro), trabalho no mundo dos grandes, pago as contas, tento fazer aquilo que os grandes fazem mas nunca por nunca conseguirei olhar para o mundo sem ser com estes olhos de criança. Há quem diga que isso aborrece, mas também há quem diga que o meu fascínio é mesmo esse: ver o mundo pelos olhos deles. Que ele assim é muito mais divertido e engraçado.

A Alice levou-me há dias ao cinema. A mãe, que trabalhava nesse sábado, disse que tinha visto que haveria matinée baseada na obra o Principezinho em Castelo de Vide, e nós, fomos os dois. Tenho uma paixão assolapada por cinema e não ia há muito tempo. Ir pela mão dela e para ver aquele filme, teve um fascínio adicional.


Conta a história do principezinho de uma forma adaptada, através de uma menina cuja mãe quer calendarizar e cronometrar tudo para que um dia seja alguém, mas se esquece que o grande fascínio da vida é poder viver cada dia de sua maneira, sem limites e com liberdade. O filme é lindíssimo e no final só não me coreu um a lágrima porque o acidente me tirou essa capacidade de deixar sair a emoção. A grande lição que lhe recordei no carro enquanto lhe ia perguntando o que tinha achado, para ver se tinha apanhado bem a coisa, foi que o mal não é crescer (que tem de ser). O mal é esquecer (como tudo era bom).  


E por isso lhe disse que o pai faz um esfoço todos os dias por se lembrar daquilo que é mesmo bom e importante. É por isso que o pai nunca há-de crescer, há-de continuar a dizer sempre aquilo que lhe parece engraçado e divertido. Disse-lhe que o meu pai também era assim.

Fomos buscar os amiguinhos à escolinha e tivemos a ajuda do chapeleiro louco da Alice no País das Maravilhas, também chamado Vera Barroqueiro, que nos encontrou nessa altura e foi um achado e o segredo para domesticar esta cambada doida por doces e maluqueiras. Com pinturas e balões, com muitas brincadeiras e boa disposição, conseguiu manter o povo feliz e calmo. A festa prolongou-se pela noite dentro e ficou recheada com amigos que também têm meninos da mesma idade e nos convidam para os anos deles e divertimo-nos. Fomos felizes.






Pensei duas vezes se haveria de escrever este texto. Vive-se agora aqui em casa uma fobia à internet provocada pelo facebook, que come os meninos e as perseguições e blá, lá, lá - blá, lá, lá. (Não sei onde é que foram ver desta!)

Duas certezas me deram luz verde para continuar.

1 - Sempre escrevi sobre a minha vida no meu blogue. Escrevi sobre as mulheres e as crianças da minha vida  e nunca me as roubaram, ou raptaram, que diacho! O meu blogue sempre me deu muito mais alegrias e… agora que penso nisso, acho que nunca me deu nenhuma tristeza. Eu sei que este desabafo virtual (já com quase 10 anos, mais de 500 mil visitas) é um património de que se orgulha um jornalista que nunca exerceu, e se vendeu à causa fiscal.



http://vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.pt/2007/12/ai-o-natal-esse-malandro.html

2 – Tenho muito poucas certezas. Mas tenho por certo que as minhas filhas terão um dia orgulho, quando lerem aquilo que escrevi sobre elas e se regalarem ao saber a força do meu Amor por elas. Que é incomensurável!

Amo-te ALICE!