quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Carta a Toni (Sir António Costa, prime-minister)



Hoje larguei a jorna quando pouco passava das 16 horas. Depois das 7 horas de trabalho diário, 35h numa semana, contas fechadas, assuntos organizados e arrumados, estava com o dia concluído. O sol brilhava e aquela nuvem espessa, fria, de nevoeiro que tinha envolvido Marvão durante todo o dia, tinha-se dissipado. O sol e a paisagem convidavam.

Apoquentado pela inatividade física destes últimos 15 dias, que me começam a atormentar a alma e a comprometer os movimentos, pensei, que fazer? 
É isso! Vou correr!

Se assim o pensei, melhor o fiz. A pequena estava com a avó Zira, a do meio, ainda trabalhava no Turismo; e a mais alta ainda estudava em Portalegre. A barra estava livre, só para mim!

Enverguei a indumentária, selecionei o novo dos “21 Pilots” para me ir fazendo companhia, e fiz-me à estrada. Atirei-me à volta do Valongo, pela Ranginha, que é, de longe, a minha favorita. Pela extensão e dificuldade. Foram 11,32 km em 1 hora e 32 m.


O que os meus olhos viram… a tarde… o pôr do sol… as paisagens  para o lado do Pé da Serra e Castelo Branco…

E eu só pensava… a quem é que tenho de agradecer isto? A Deus, claro está, é mais do que sabido e conhecido. Mas na terra… quem é que tornou isto possível? E foi então que se foi desenhando na minha cabeça… enquanto corria…


A carta a Toni

Meu caríssimo e querido António Costa, primeiro-ministro de Portugal,

Perdoa-me a informalidade, mas tu pareces ser um gajo tão fixe, bonacheirão, sempre sorridente e bem disposto, que me sinto à vontade para me esticar contigo.

De verdade que acredito que não leves a mal esta minha alarvidade. Depois, o nosso Marcelo, inaugurou uma forma de estar na política que se acaba por estender aos outros órgãos e membros, quer queiram, quer não. Quem entra na Musgueira ou na Buraca, com um à vontade que dá para se meter pela casa das pessoas adentro, como se vivesse lá, acaba por contagiar.

Escrevo-te porque hoje me aconteceu uma coisa tão boa, que me apeteceu agradecer-te. Saí do serviço, depois de cumprir as horas que o governo liderado por ti, aprovou. Ainda tive tempo para ir fazer o que gosto tanto e por motivos diversos, andava estranhamente a adiar: correr. Coisa pouca, dirão alguns; uma excentricidade, dirão outros; mas uma vitamina poderosa sem a qual falha o meu equilíbrio… físico e mental, é o que é.



Como espero sinceramente que chegues a debruçar os olhos sobre estas linhas, passo a apresentar-me. Eu sou Pedro, o Sobreiro, tenho 43 anos mas quando me olho para o espelho vejo sempre o puto com 7. Não sei se isto é defeito, ou doença. Não sei se há mais malta assim, mas eu sofro disso. Sou natural de Marvão, essa vila magnífica entre o Alentejo, com que não se parece nada (tem rio e montes de água), e a Beira Baixa, mesmo aqui ao lado, que se vê bem perto.

Estudei para ser jornalista, estou encartado para tal, mas trabalho nas finanças, aqui na terra. Olha, foi o preço a pagar por querer regressar para aqui, mas não me importo nada. Mesmo. De verdade. Até gosto muito do que faço. Nas horas vagas, quando tudo dorme, exerço a escrita, aqui. Relato a vida, percebes? Isto é tipo "O Diário de Adrian Mole, na crise da adolescência" que eu li e me marcou muito. O meu blogue, que já tem 10 anos (não é de ontem!), e cerca de 525 000 visitas, é o meu livro.. "O Diário do Drocas (aka. Tio Sabi) na intensidade excêntrica da meia idade. A malta até gosta como eu conto as merdas e vem cá ver. Na boa. Sem compromisso.

Sou casado, tenho duas filhas, um cão e acho que sou feliz. Sou mesmo! Não considero que seja mal remunerado mas meti-me a fazer uma casa (sonho de vida) com dinheiro que não tinha, pedi ao banco para me emprestar e… não estás a ver bem. Assim que lá cai… chupam-me logo 1/3. Isto porque as taxas de juro estão baixas. Agora imagina tu…

Há, vai fazer 6 anos, dei um trambolhão de uma vespa e ia-me finando, rapaz. Contra um muro, imagina. Uma cena… Fiquei logo KO. Tinha estado a jantar com amigos, vinha com um grão na asa (não astronómico, como algumas meninas dessa casa grande onde legislas, e ainda assim se safam com a proteção dos governantes, mas algum seria) e safei-me à rasca. Valeram-me os bons médicos, os grandes hospitais e Deus, força em que muito acredito, sobretudo depois deste tropeção.

Tenho 1 metro e 80. Bem, é 79, mas eu queria tanto ter 80, que digo sempre assim: 1,80. Ninguém me vai medir agora, não é? E eu não mostro o cartão a ninguém. Peso 80 quilos e sou atlético. Nado com regularidade, também, e sinto-me bem. Não sou um homem particularmente bonito, mas também não me considero feio. Epá… tenho um nariz muita grande e sou careca, ou em vias de o ser; maneiras que não vivo mal neste escafandro que tenho. Tenho um olho azul, e um verde. Mas sou do Benfica! Grande benfiquista. O meu sogro quase que me obrigou, mas eu já era antes de o conhecer. Ou à filha dele. Minha mulher.

Não to digo para me estares a agradecer, ou para pensares que te estou a fazer algum favor, mas eu votei em ti. Votei no PS porque queria que o país mudasse, porque o discurso de desgraçadinho daquele com pouco cabelo, como eu, que tinha a mania que era cantor; e do pequenino narigudo, como eu, que quis ser vice do que manda; já me estava cá a enjoar. Os gajos eram uns tarecos do catano. O pequenelho bateu logo asa, para aquela empresa para onde o teu ex-colega Coelhone foi ganhar trocos. O outro ainda por cá anda, convencido que ainda vai lá mas… não será fácil. Há um príncipe no norte que lhe vai tomar a corte.

Olha, isto tudo para te dizer que achei aquela tua jogada da Geringonça, de juntares os meninos todos do recreio, do contra, que poderiam alinhar na tua equipa, para ir contra o que tinha mais votos, foi uma cena malaica e genial. Parecia um filme. Parabéns.

Vejo todos os dias as notícias, ao almoço e ao jantar. Sempre na SIC, porque acho que é a melhor. Vejo sempre o Eixo do Mal e o Governo Sombra, e por vezes, a Quadratura do Círculo, onde tu exercitaste a tua retórica, sempre com brilhantismo e bravura. Mas esse, às vezes, dá-me sono e deixo-me dormir. Já não sou novo. 43 já são alguns.

Vejo as notícias mas deixei de comprar o jornal do teu mano, o Expresso, nem foi tanto pelo dinheiro. Também importou… (isto depois da Troika, conta tudo), mas foi porque aquele saco de plástico cheio de coisas que eu queria ler, mas não conseguia porque não tinha tempo, me dava uma ansiedade brutal. Estou mais tranquilo, assim. Mais burro mas mais descansado.

Quero eu com isto avançar que não serei o gajo mais informado para estar aqui a debater contigo as tuas políticas, mas acho que tens estado sempre muito bem. Epá… uma argolada ou outra, como esta da concertação social, em que achavas que a malta tua amiga ia votar como tu, mas a história da Taxa Social Única não te correu como querias, não foi? Deixa lá… Cuidado com os comunas! Eu tenho uma amiga que é, e adoro um veterinário da minha terra que também é… gajo brilhante, que escreve como ninguém, mas é alpalhoeiro e fala muito alto. No entanto, é grande benfiquista e tudo se lhe desculpa. Mas os comunas são como os lellos. Quando os “atacam”, fecham-se sobre si e … mordem. Conta com os teus. Olha, aquele jovem, o Galamba, tem um aspeto desenxovalhado e fantástico. Parece ser porreiro. Desvia-te é do Sócrates. Esse gajo, pá… não acrescenta nada. Vai por mim.

Mas olha, eu acho que quase tudo o que fazes é bem. Tu trabalhas, tu és esperto, tu és gajo para marcar. Curti quando foste lá à China para os gajos virem para cá em força com os telemóveis Huawey. Sabes que é o meu? É uma máquina. Foi-me receitado pela chinesa minha amiga da Hiper Mega Casa China da Citroen de Portalegre, Luana, que agora tem um restaurante. Ainda não fui lá. Mas tenho muita vontade.  

Olha, a razão desta missiva e o que eu te agradeço mesmo, é a hora a que saio do serviço. Quano é que isto não vale? Com os outros dois estarolas, tinha que gramar até às 6h da tarde. Às 6h… Fechava a Câmara às 4h, a Conservatória às 5h e os desgraçadinhos dos impostos, agarrados às mangas de alpaca até às 18h. Era de noite, escuro como o breú, quando descia a encosta de Marvão. Uma pena. Até podia ter tido um acidente. Bom… sou capaz de estar a exagerar… mas era mau.

Eina, eu hoje fui sempre a dar-te beijinhos no ar. A cada paisagem e coisa boa que via. Quando via vaquinhas… gritava “COOOOOOOSTA!!!!!!”… Quando via ovelhinhas, que até se assustavam: “É O MÁÁÁÁÁÀÁÁÁÀÁÁÁÁÁIORE!!!!!!”

Tão bom… tão bom…

Olha, eu sou assim um bocadinho excêntrico. Intenso, como me chama um amigo meu. Maluco, me chamarão outros, e quem sou eu para dizer que estão errados de todo.

Mas uma coisa te digo e agora desculpa o vernáculo e a baixeza: Até podes mandar fazer a maior m***a, tipo mandares entortar a pata direita do cavalo de D. José, (que é a esquerda, AHAHAHAHAH, apanhei-te! Boa?), ou outra cena qualquer má… mas aqui o Drocas, também conhecido mundialmente (tenho seguidoras ali em Valência de Alcântara, Olá Goyi!!!) por Tio Sabi vai sempre votar em ti, enquanto mantenhas este maravilhoso horário de trabalho.

Rapaz… eu contento-me com pouco.

Quando passares por aqui, apita. O mayor é um bronco do catano (fui vice dele. Foge-te! Deixou saudades nenhumas!) e não interessa, mas eu conheço aqui cenas e malta muito fixe para te apresentar. Vem num estilo casual.

Curto-te bués.


P.S.: Tchau! ;)

EU
(A internet tem cenas demais, não tem?)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A fabulástica dissecação do maior espetáculo americano (por RAP)






A fabulástica dissecação do maior espetáculo americano

Tudo o que eu sempre quis dizer sobre esta aberração, mas nunca tive a capacidade para o fazer, de forma tão clarividente e brilhante.

“11 rapazes da Telepizza que combinaram uma zaragata com 11 rapazes da Pizza Hut é muito bom!”


Nota do redator Tio Sabi: estes gajos, que endeusaram esta merda… foram os mesmos que elegeram o Trumpa. É clicar abaixo para ver o vídeo, ó fachavore...



A caminho do calvário...



“O Porto está na disputa do 1º lugar e como é óbvio… tirou-nos da disputa do 1º lugar.”

Este é o magnânime, o brilhante estratega do futebol moderno, JC, o Cruyiff da Reboleira.

Zurziu no Palhinha (cotadinho), zurziu no árbitro (que era dos seus favoritos) porque houve “falta no 2º golo, e uma mão na bola ou bola na mão.”

Depois.. “Foi o Casillas que ganhou o jogo”.
(nota do redator, Tio Sabi: Ai sim, meu palerma?!?!?!? E a merda da estratégia que montaste, não? E o Matheus Pereira que inventaste à última da hora? Tiveste lesionados?!?!? Olha… azar do c******roquete!?)

“Foi uma equipa muito jovem… (chuinf…) Dos 18 convocados, 10 eram da formação”
(nota do Tio Sabi:
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
Essa é uma boa desculpa para dares amanhã, à gorda que anda sempre a trocar de mulhere

“Não ganhou o melhor que o Porto não foi melhor que a gente. O empate seria o mais justo.”
(n. r.: injustiças do caraças, é o que é. Depois ainda me vêm dizer que injustiça é o Trump ganhar as eleições, ou os refugiados a morrerem afogados, em busca da terra prometida.”

“Não é qualquer equipa que aqui, no Dragão, como se diz na gíria, dá dois de avanço e depois faz uma 2ª parte COM ESTA QUALIDADE”.
(n. r.: lindo! Fica lá com a taça, que é de barro e veio das caldas! Cuidado com a cabeça, que tem uma protuberância. Fica-te a matar… na testa! Vai uma foto?)

Hugo Cadete, RTP: “E agora, a partir daqui? A 9 de Porto, 10 do Benfica, se o Braga vencer o Estoril… SCP em quarto, olha para o segundo lugar a partir de agora ou ainda pode pensar no 1º?”
Tambores a rufar………………………………………………………………………………….
TTTTTTTTRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAMMMMMMMMMMMMMM TAM!
“Eu… acho que JÁ LHE RESPONDEI… já lhe respondi à pergunta.”
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA

Até te falta a língua. ViBORA!

E mais…
“Sei que mete muitos “ses” na sua pergunta. A “ses” não sei responder.
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
Cómico!

“Aquilo que lhe disse… depois da vitória… do Porto… que o 1º lugar… torna-se mais difícil, não é? Foi isso que eu lhe disse… portanto… respondi à sua pergunta.” (LÓGICO!)

“Falou das contas já, mas tendo em conta a complicação que pode advir das contas desta derrota, pergunto-lhe se mais do que esquecer o 1 lugar, começa a ser obrigado a esquecer os dois primeiros lugares, ou se pelo menos, ainda há margem para chegar ao segundo lugar nesta temporada?”
Hummmm… disse bem… aaahhh… agora temos como… tínhamos que pensar… era jogo a jogo…estamos em terceiro… estamos mais longe do primeiro e do segundo (n.r. BRILHANTE!) aaahhh, portanto as nossas contas hoje… aaaahhhh… baseiem-se nos jogos que faltam e…jogo a jogo… e tentar… e… aaahhhh… recuperar o mais possível… aaaaaahhhh… em relação aos nosso dois rivais que estão à nossa frente (n.r. MAIS BRILHANTE AINDA! SOBREMANEIRA BRILHANTE!!!)… e… tentar… como é óbvio… também… fazer crescer… muito mais… estes… estes… jogadores novos… da formação do Szeportingue para… para… o futuro do Szeportingue… terem mais experiência… e é… neste jogos… não é? O Palhinha amanhã… é de certeza muito mais jogador “co que era” hoje…. Em que aprendeu alguma coisa, não é? E É ASSIM QUE A C’AGENTE OS VAI CRESCERE!

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA

FIM DA TRANSCRIÇÃO
BOA NOITE, COLEGAS BENFIQUISTAS DO MEU CORAÇÃO!


CHUPA!!!!!!!!!!!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Quando o passado nos assombra... (do nada, para nossa felicidade)


A vida tem destas coisas e a internet, é mesmo uma dimensão de uma proporção vertiginosa que vive aqui, no meu pc, no meu telefone, à mão de semear.

Há já, vai fazer, 6 anos, entrei num tambor como o das máquinas de lavar a roupa e fartei-me de dar voltas e voltas, torcer e retorcer. Saí de lá… enxuto. Nem sabia para onde me havia de virar. Também… não podia sair para muito longe da cama, onde estava preso com umas baias, para evitar cair ao chão. Nem para andar dava, catano!

Depois foi um trabalhão volt… epá…. que já contei isso aqui muitas vezes! Tantas que já me cansa… até a mim.

Mas ficam sempre pontas soltas, frases soltas, que se vão apanhando assim ao sabor dos tempos, sem andar à procura delas.

Como esta que reparei só hoje, e escrevi a 5 de Fevereiro de 2013!, quando estava a dar os primeiros passinhos de regresso à internet.  (Em Alcoitão, tínhamos computadores disponíveis para os utentes, e nem sequer me senti tentado. Desliguei.)


Se não os podes vencer, junta-te a eles. Este podia ser o título deste texto. Adequa-se na perfeição. Eu, que durante anos assinei com fervor o blogue “Vendo o mundo de binóculos do alto de Marvão” e ali plasmei a minha vida e paixões, criei o meu sítio no facebook… só por criar. Para saber como é, para que não me tomassem por info-excluso, para marcar presença.
Mas um grave (gravíssimo, diria eu) acidente de mota que me colocou às portas da morte, fez-me pensar tudo outra vez, repensar a vida e as minhas prioridades. Eu, que sempre gostei de escrever e achei que me exprimia melhor por palavras escritas, do que ditas, vi tudo mudar depois do que me aconteceu. O período do acidente deve ter sido terrível para todos os que me amam, porque durante meses viveram com a possibilidade de não me terem, de me poderem perder para sempre. E eu hei-de lamentar isso para o resto da minha vida, embora não me recorde de absolutamente nada, nem dessa noite, nem do acidente. Não faço a menor ideia do que me poderá ter sucedido. Nem vale a pena. O que interessa, não é o que ficou para trás, mas o está e o que há-de vir. E eu aqui, quero ser o melhor homem que for capaz, porque Deus deu-me uma oportunidade única de nascer outra vez, e de regressar à vida. Certamente, nenhum de vós se lembrará do início da vida, dos primeiros dias, das primeiras sensações, das primeiras palavras. Eu não sou diferente e também não me recordo.
As primeiras memórias que tenho são de quando já teria alguns anos de vida, e nem sei precisá-las. Isto da primeira vez que nasci. Porque esta oportunidade que Deus me deu de regressar à vida, permite-me saborear tudo de uma forma completamente diferente. Ser mais calmo, mais sereno, mais apreciador das pequenas coisas. Viver, tendo consciência da nossa finitude e das nossas limitações. Tudo isto me fez crescer como pessoa.

O acidente foi terrível para os que me amam, e para mim também, porque me ia colocando um fim a tudo, mas também foi uma revelação e uma aprendizagem profunda. Há um Pedro até ao dia em que aquilo aconteceu, e um Pedro depois. Muitas coisas se mantêm: a paixão pela minha mulher e pelas minhas filhas, o amor pela minha família e pelos meus amigos, a minha ordem de valores. Tudo isto continua igual, sem mexidas.

Se algumas coisas mudaram, creio que foi para melhor. Daquilo que vos interessa e diz respeito, fechei o blogue e passei a dar mais importância ao facebook porque não há como lhe resistir. Está todo o mundo ligado a isto, e eu não quero ser como aquele bacano, “o Salvador, o único português sem telemóvel” (nr: o grande Salvador Martinha, o humorista que eu agora sigo por esta via). Eu não quero ser o “Pedro, o único português sem facebook porque tem facebook mas não lhe liga peva”. Eu agora quero ser o “Pedro, o português renascido que na nova vida sim sabe dar valor ao facebook, porque é um grande instrumento que pode e deve ser utilizado nos tempos que correm”, ou “Pedro, o homem da comunicação social que não quer estar fora das novas tendências, e não quer ser velharasco”.

Falando em facebook e saber utilizá-lo, não resisto a contar-vos uma história, para quem tem vagar porque eu aprendi que no facebook não cabem só vaidades e cusquices. O facebook também pode ser bem utilizado, como tudo na vida, e dá para meter tudo o que se quer dentro.

Eu não sei como o acidente se desencadeou, qual a causa, nem como foi, mas…. foi muito mau. Eu sei que os dentes da frente, do maxilar inferior, são os meus mas… foram todos recolocados no sítio, um a um, porque estão ligeiramente deslocados. E são os meus porque Deus quis que no hospital de São José, em Lisboa, tivesse a oportunidade de encontrar um médico muito jovem, mas fabuloso, que bateu os pés por mim.

 Numa escala de Glasgow que classifica os estados de coma de “3 a 15”, o meu estado era apenas o de “6”. Muito baixo, sobretudo se tomarmos em linha de conta que no estado “3”, a taxa de mortalidade é de 85%. Só se safam 15 em 100. Pois apesar deste meu baixo ranking, este médico afirmou que eu me iria salvar. Em boa hora o encontrei. Uma coisa é trabalhar com papéis, como eu trabalho, onde os erros são facilmente e sempre solucionáveis; outra é trabalhar com vidas humanas e se ele não tivesse feito força por mim, ter-me-iam colocado uma placa dentária para o resto da vida. Isso lhe disse numa consulta, na qual me revelou que o queixo se mantem no sítio graças a duas placas de platina que o suportam. Mostrou-mas num raio x que o provou. (Tenho de passar a ter cuidado nos detetores de metais dos aeroportos…). Nessa mesma consulta, o homem cujo brilhantismo não é apenas clínico, com muita piada e inteligência, chamou-me Lázaro. Ao ver a minha cara e reação, perguntou-me a razão porque tinha revelado tanta admiração. E eu respondi-lhe que “sou cristão e sei bem quem foi Lázaro”.
Ele, respondeu-me com finesse: - “Ai sim? Então, diga-me lá quem foi Lázaro?”.
- “Oh Dr… Lázaro é o nome da figura bíblica que regressou do mundo dos mortos quando Cristo o mandou caminhar e sair da cripta”.
- “Ai sim? Regressou do mundo dos mortos? Então… foi o que você fez!”
E com esta me calou, me deixou boquiaberto, e com um sorriso de parvo.
Nunca mais me hei-de esquecer o episódio.
Pedro dixit in Facebook.

Este foi o texto que publiquei no mural de facebook de Pedro Sobreiro, “o nome artístico do verdadeiro Tio Sabi”, local que passei a chamar uma lanchonete no calçadão de Copacabana, um sítio menos oficial do que a taberna do blogue, o local onde servia uns chopes e umas sandes frugais.

Agastado, à toa, sem ânimo para mais, sem forças nas pernas (nesse então, nem 50 metros, para grande infelicidade minha, era capaz de correr), fechei o tasco numa quarta-feira, a 30 de maio de 2012. Triste e desolado.



No facebook, a vida era mais light. Ali, qualquer um escreve, partilha ou replica. Ali a vida era boa, boa ia ela, mas… as saudades mandavam muito. Um blogue, por muito louco e alucinado que seja, como o meu, tem às suas costas a responsabilidade de ser apelativo, de poder continuar, de chamar as pessoas por terem um motivo para regressarem. “Mas a gente vai ali àquele canto ouvir o maluco porquê? Diz alguma coisa que nos intrigue? Comova? Toque? Surpreenda? Reconforte? Esclareça? Incomode? No fundo e só… faça pensar… sentir vivo?

Então, comprei uma vassoura, chamei meia dúzia de amigos e clientes especiais, varri as teias de aranha, pintei as paredes, voltei a ligar ao fornecedor de vinho (e mandei vir grades de cerveja preta, sem álcool, para consumo interno), comprei um fogão em segunda mão para o petisco e numa terça-feira, dia 19 de fevereiro de 2013, voltei oficialmente a esta minha velha casa.

A mágica reabertura das portas:




Vida tão feliz na vossa companhia, meus amigos e amiguinhas. Tão boa. Eu vos agradeço voltarem sempre porque este espaço… é vosso também! Se o Tio Sabi falasse sozinho, era tam-tam e o mais certo era ir de canoa. O que eu gosto de ver as estatísticas e perceber que estão cá, que estão aqui!

A homenagem que fiz ao amigo Adriano após ter partido, já foi visualizada por mais de 1.500 pessoas. 1.500! Se no concelho há menos de 4000… Ele certamente ficaria tão feliz, como eu fico. Bem hajam, muito obrigado e desculpem se alguma vez magoei alguém… sem querer. Se foi por querer… ai têm de desculpar mas isto aqui é mesmo no duro. Se gosta, gosta. Se não gosta… é a doer que aqui não há concessões.

Só li hoje, os comentários que fizeram no facebook, em 2013. Hão-de estar a receber as notificações de volta, agora. Passados 4 anos. Desculpem o atraso. E obrigado a cada um, a cada uma, a vossa força. O sorriso que eu fiz ao lê-las. Diferente e pessoal para cada um de vós. Como se estivesse a falar contigo. Sim, contigo… querido, querida.

Vejam comigo os rostos… Alguns já desapareceram, entretanto, deste mundo. Como um, logo dos primeiros a interagir comigo, com o qual tinha a melhor relação nesse então, mas que depois de uma fricção no meu serviço, perdi a ligação, embora eu tenha a consciência tranquila de ter sido assertivo, e prestado o melhor serviço.

Quanto à força que recebi pelas vossas palavras, pelo vosso carinho, por incrível que pareça: senti-a. Agora e… quando estava lá.

Humildemente digo: Bem hajam. Teve de ser muita força positiva a puxar pelo Drocas de volta.

Nestes tempos, retomei a publicação em pleno de cartazes novos que afixo no “lugar de estilo” da tasca (4 publicações na última semana), e vou fazendo uns pipis para vender na lanchonete do calçadão (facebook), alguns de tão boa qualidade, que depois sobem à vitrina de petiscos da taberna.

Digo o mesmo de sempre: Sirvam-se.

E muito merci.

Do vosso sempre,

Tio Sabi


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Happily wandering in Alice Wonderland (since 2010)



O dia começou com uma publicação no facebook (não no tweeter como o americano, mas no faceboook, como os políticos cá do burgo):


Em dia de Alice, o orgulho e a alegria de poder partilhar os dias e a vida com esta pequena grande senhora. 7 anos deste milagre feito gente, desta tão desejada que tardava em querer chegar.

Acordar com ela a entrar aos gritos no meu quarto, e a enfiar—se debaixo dos lençóis: 

HOJE FAÇO ANOOOOOOOOOOOOOOSSSSSSSSS! 

Que Deus te proteja sempre, minha querida. Que tenhas tudo do melhor. Por mim, por nós, nada te faltará. Nem que eu tenha de comer o pão que o diabo amassou.

Sê sempre feliz! <3


(agora dito baixinho para que ninguém nos ouça, e elas não tenham ciúmes: TU ÉS A ESPECIAL. A MINHA FAVORITA!)

Depois houve muitos trabalhos diversos ao longo do dia, tirado especialmente de férias para ser dedicado em exclusividade à princesa, hoje coroada rainha por um dia. Tudo à espera do momento em que chegaria das aulas, acompanhada dos colegas. Aí, nesse então, este escriba/fotógrafo/pai/cronista/mula-de-carga-para-as-mochilas-tão- pesadas-(trouxe algumas cinco! Ou seis!)que-tiveram-de-vir-a-pé-porque-não-havia-carro-onde-coubessem-todos deu conta  ao portão da escola, pela mesma rede social, das últimas demárches que tinha realizado antes.

Disco "Sabi" está prestes a abrir, pequenada!!!!!
(Já estou à vossa espera na porta da escola)...







A disco tinha um aspeto extraordinário (modéstia aparte), e tinha tudo para resultar mas... não resultou.

A net não chegava lá acima, e a merda do relicador que comprei no leclerco em Portalegre, não replica um cacete. Feito estarola não saquei as músicas antes, fui displicente e não resultou. Desenrasquei-me com o telemóvel mas não havia a abrangência sonora de disco que os permitisse acalmar. Depois, os cachopos, também convidados para esta festa de meninas, são piores que índios, valha-me Deus. Andam sempre porrada, uns com os outros. 

Eu com tudo limpo, tudo aspirado, tudo pronto e os gajos, num ápice encheram tudo de miolos, entornaram sumo nos sofás, viraram tudo do avesso. As meninas conversavam, brincavam e eu pedia-lhes a eles, "ó pessoal, comer é aqui na mesinha que está preparada só com coisas boas, valeu? Depois podem reinar à vontade."

Mas nada. :(

O fascínio de estar lá fora era o cão. Que estava louco do outro lado da rede por ver tanto ser vivo para brincar. Eles a atiçarem-no. A meterem-no ainda mais maluco. A fugirem para cima dos muros, como nas touradas nos Açores. 


"Torinho! Torinho!!!! Eh, Torinho!!!!!!

"WWWAAAAAUUUFFF, WWWAAAUUUFFF, WWWAAAAAAAUUUUUFFFFFF"

E eu: "Cris... posso soltá-lo? Pleeeeaaaasssseeeee... Ele não morde! Quer é brincar..."

E ela: "NEM SONHES!!! TU ÉS PIOR QUE ELES!!!! AINDA MORDE A ALGUM, OU ALGUM CAI E PARTE A CABEÇA E LÁ TEMOS NÓS DE IR PASSAR O RESTO DO DIA DOS ANOS PARA O HOSPITAL."

"Tudo bem... (baixinho) Mas foi uma pena! Deveria de ser a puta da loucura. Bem... havia de me partir a rir. E se houvesse algum problema, eu entrava em jogo. Maneiras que foi uma pena. Isso é que foi"

Olha... tiveram de reinar na rua. Eles com a bola de futebol, elas com as bicicletas. O pai, de guarda. Foi fixe.



E como a estrela da festa, foi a mesma da prenda dos pais, do bolo e de toda a decoração, não faltou o fatinho a condizer.





Lady Bug herself




Do álbum, para recordares...

Sala do 1º e 2º ano de Santo António das Areias 
Com a amiga especial Laura (que estava doente... e ficou boa, de propósito, para vir aos anos da Alice)

Com Afonso Barradas e Maria Ribeirinho

Com Guilherme Anselmo e a Sofia "não me lembro o último nome dela, pai"

Com a Inês e Janine "não sei quantas"

Com o António Meira e Tiago Magro

Com a Cristina Oliveira e a Inês

Foi um dia muito feliz, princesa. Obrigado

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Morreu o Adriano Duarte


Morreu o Adriano Duarte.


Dito assim… poucos saberão identificar quem era. Mas se disser, o ”papa-teatros”, toda a gente da minha geração, ou das imediatamente anteriores, saberá de quem se tratava. Isto das gerações tem que se lhe diga. É que eu habituei-me toda a vida a olhar para as tantas que seguiam à minha frente, mas, à medida que as vejo a extinguirem-se, e as tão antes da minha a criarem famílias e filhos, a gerarem umas novas, percebo que estou a dar passos cada vez maiores na prancha da vida, face ao desconhecido.



O Adriano foi hoje, terça, a enterrar. O seu corpo desceu à terra, para se tornar pó, e ele viverá apenas na memória daqueles que o recordarem com amor e saudade. Família, mulher, filhas, genros, netas e colegas que com ele partilharam momentos da sua vida, de ambos.


Quando me desloquei à casa mortuária, onde o seu corpo estava a ser velado, para prestar as minhas condolências aos mais próximos, rezei junto à urna e reparei que as bandeiras de duas grandes instituições vivas da cultura e do desporto desta aldeia, Grupo Desportivo Arenense e Rancho Folclórico da Casa do Povo de Santo António das Areias, repousavam sobre a urna. Não devem ter existido muitos homens com esta abrangência, com esta projeção. E isto sim, é um legado de vida.


O Adriano pode não ter sido grande em escolaridade, em património pessoal, mas foi grande na cultura da sua terra, na família que criou (três filhas e um filho), que lhe deram netos e netas em vida. Teve o prazer de ver a sua continuidade.


O Adriano era sócio fundador do Grupo Desportivo Arenense, e foi o seu exímio e incansável cobrador de quotas. Eu até acho que o cobrador do fraque andou a receber formação do nosso Papa. “Epá… eu deixei de pagar quotas do GDA quando o Adriano as deixou de cobrar”, ouvi tantas vezes ontem, dia do óbito. E eu pensei, “é porque não és lá grande sócio. A atual, funcional e brilhante direção, presidida por Luís Barradas, da qual tenho a honra de fazer parte, realiza um almoço de confraternização no dia do sócio, dia 1º de Maio, gratuito para quem tem as quotas em dia. Por 1 euro por mês, apenas, perfaz-se um total que mal paga o sempre belíssimo repasto, e ainda assim, contribui-se para o clube da nossa terra.”



Quando teenager, era bem rebelde, adolescente, e nunca deixei ser o puto da Beirã. Apesar de ter sempre companheiros que me foram próximos, e alinharam comigo desde que os conheci, logo desde o 7º ano, amigos de vida como o Banana, o Jaimita e a Paula Lança; nunca consegui, sobretudo, a princípio, tirar de mim a capa de “gajo de fora”.


Como consegui a proeza de não ter entrado na 1ª fase de candidatura para a Universidade, no curso de comunicação social, por milésimas e pela hierarquia de escolas ter sido realizada de uma forma que me inviabilizava o acesso ao ensino superior, vi-me na necessidade de ganhar dinheiro e trabalhar. Consegui meter-me no bar do Grupo Desportivo Arenense, onde fiz uma dupla imbatível com o meu querido Carroça (já desaparecido. Saudade…), e onde vivi momentos muito felizes e intensos, dentro do meu mau momento.


Nesses tempos fiz-me mais de cá, da aldeia, de aqui de cima. Privei com figuras absolutamente notáveis e marcantes na minha vivência. O Sr. João Machado, o Sr. António Machadão, o Ti Júlio da Bica, o Sr. Carroça pai, o Vítor Maluco, o “meu filho” Manuel Bodes (eu era o pai. O Sérgio era a mãe), e o Adriano Papa Teatros.


O Adriano era um homem sabedor. Com bagagem. Exímio tocador de harmónica, também se atrevia com as palavras. Lembro-me que numa noite de conversa a dois ao balcão, me deixei maravilhar com uma coisa qualquer que disse, e ele, acho que que achando graça, abriu o livro. Ou um pouco do livro.
“Mas ó Senhor Adriano: o Papa Teatros veio de onde?”
Já não me recordo bem do que me disse mas certamente que teve com o facto de na realidade, ter gostado muito de assistir a eles e, em dada altura da sua vida, o ter feito em abundância.
“Ai viu, muitos? E quais? A minha curiosidade jornalística… e eis que senão quando me saiu com um verso, disse-me ele que da sua autoria, e eu não tenho como duvidar: Abalei do Cais do Sodré.
Abalei do Cais do Sodré, vi Lisboa tão linda…e lá vai ele por aí fora num passeio por entre os telhados e os beirais, as vielas e as praças, a muita gente e os barcos… e eu só a mandá-lo esperar que tinha de ir ver de uma esferográfica para apontar numa folha ali à mão e ele… a fazer-se de parvo e de esquecido. “Isso agora…”
O Sr. Adriando era muito desconfiado. Acho que ele tinha medo que lhe roubasse os versos… Eram bons!


Ao longo dos anos, fomo-nos sempre cruzando. Quando casei, quando vivi em Marvão, quando fui vice-presidente, como funcionário das finanças e entre nós, houve sempre um trato afável, porque eu o tratava com uma deferência, que se calhar a maior parte das pessoas não fazia. Habitualmente era o papa, mas para mim, sempre foi o Sr. Adriano Ele sabia-o.


Sempre viveu aqui na terra, acho eu. Trabalhava nas fábricas e quando foi o 25 de Abril, sei que foi um valentão e quis-se chegar à frente das fábricas, com os funcionários. Ouvi por alto.


Ultimamente estávamos mais próximos na tasca da “Cavaca do Adro”, também chamada de “Velhaca”, sempre que jogava o nosso Benfica do coração. Ali comentávamos, ali sofríamos, ali exultávamos. Ultimamente foi operado às cataratas da vista.
Perguntava-lhe as melhoras e ele… “Pxxxxxxxxxxxxxxxxxx… uma diferença… Agora tudo é clarinho, clarinho. Se eu soubesse. Já tinha sido há mais tempo… Agora é à  outra…”
“Ai ó Senhor Adriano… você começa-me a dizer que isso é tão bom, tão bom, que eu ainda vou mas é lá pedir para ser operado, mesmo sem ter catarata alguma. Só para ver se isto fica mais nítido.”


O Adriano não era velho, nada disso. Estaria na casa dos 70 e muitos, talvez 80s e picos. Mas mexia-se, coitadito, lá andava com a Bengalinha, já muito mouquinho, mas ainda mexia.


Há tempos teve um problema grave na cabeça. Deu-lhe qualquer coisa ruim. Soube dele que mal dava razão da sua existência. As filhas… ficavam muito abatidas quando perguntávamos por ele. Diziam que era um estar, mas não estar. Tudo sofria até que Deus o chamou. Que o tenha em descanso, entre essa imagem belíssima que é a luz perpétua. Que descanse em paz.