Epá... foi um jogo do catano! Mas ca granda jogatana! Isto começou muita mal. Ai querias ver em casa? Querias? Pois o bom do Inácio complicou—te a vida e um temporal de pop ups, extremamente irritante e agressivo, sodomizou—te a noite.
Ai querias espreitar no telefone? Se..ri...a...sim...p...á...t..ico....m...a....s.... tinha um delay que não dava para ver.
Só ouvi um... "e o fiscal de linha assinalou bem...", e pensei: já fomos! Agarrei no cão e disse: "ADEUS ATÉ AO MEU REGRESSO, MAS EU NÃO SAIO DO CAFÉ ENQUANTO O JOGO NÃO ACABAR!"
Assim que lá cheguei deitei os olhos ao ecrã e ainda tava a 0. Menos mal. Pensava eu nisto e os maganos mandam uma ao barrote. Todos, todos mamados. Isto é sorte, pensei. Mas não disse, para não dar parte de fraco.
Chegou ao intervalo e pensei: "vou—me tentar outra vez. Vou para o pé das garinas, pá lareira."
Mas qualquer coisa me disse: "não vás!", virei—me para trás e vi o meu Zé Maria Taxista, a sofrer, frente ao televisor. Quase 1 século benfiquismo e eu virava costas? Naaaaa.
"Amigo Zé: vai ser o tal carioca, prá sossega?"
"Então ó Velhaca: sai aqui um à maneira para este jovem; um cházinho de frutos silvestres para o João José (que enverga a belíssima camiseta do glorioso que lhe ofertei), e pró Tio Sabis, uma água tónica com muito limão, que eu hoje estou de cabeça doida."
O jogo estava muito dividido, muito repartido, muita perda de bola, muita inconsequência, e muito poucas ocasiões de golo.Um golo limpinho do Mitro anulado por um fora de jogo que só existiu naquelas cabeças de giz, mas avancemos.
Houve um ou outro lance mais capaz, todos para o nosso lado que eles fizeram o ferro e pouco mais, até que ao minuto 80, o meu Barba de Chibatarro, o meu amor, inventa um golo num espaço ínfimo, com 4 ou 5 cabeçudos bracarenses a fazerem—lhe sombra. Que criatividade, que génio!
Sabis: meu tarequis. Istis vai para tis!
Bem fez o nosso magnânimo presidente Luís Filipe Vieira, que mandou os chineses que o queriam levar, meter as notinhas do dinheiro deles, enfiadas em rolinhos enviezados por aqueles rabinhos acima. Pelo orifício por onde fazem cocó, vá.
Epá, a sério, eu não me lembro de ter no Benfica um avançado com esta craveira! Adoro ele! Ai... se o apanhasse enchia—o de beijos, o meu lindo! <3.
Andámos nós enganados com aquele patudo do Cardozão... AI, E LÁ VEM UM CORO DE CRÍTICOS QUE ELE MARCAVA MUITOS E MAIS NÃO SEI O QUÊ...
Pois é! Marcava aos pontapézorros, ou de pénalti, ou de livre, MAS NÃO SABIA FAZER UM DRIBLE!
Ai, este também não! dizem vocês.
Mas este é uma seta afiada! Nem as deixa pousar! Adoro!
Deste calibre, só me lembro do Nené. Mas esse era muito empaneleirado, e nunca sujava os calções. Eu adoro mais este.
Barbinha, amanhã começo a deixar crescer uma igual a ti! E se não me deixarem em cima (as minhas mulheres mandam em mim :(), começo a pentear igual a ti, a de baixo.
BARBA: TI AMU
Obviamente, o facto do Sabi estar a ver a gente na Velhaca, pesou e influenciou-nos. Como não?
Sherlock Holmes, também conhecido por poeta, ensaísta, pintor José João,seguia a partida... mas pelo canto do olho...
Eu e o meu amigo João Bernardo, duros a torcer pelo Benfas!
O
cenário estava extraordinário para um jogo desta importância, na liga
milionária, onde estavam apurados apenas os 16 melhores clubes da Europa. Desculpem?!?!?!?!
Ouvi um “ladrar nortenho… Bou Bou”, ou “aristocrata, viscondêz, do tipo “ÃO ÃO
sei lá, ou “ÃO ÃO tá a ouvir ?!?”
É favor saírem da frente, ó fachavore!
Comecei
em pulgas, endrominado pelas três fêmeas minhas donas, em maré de
amorrrrrrrrrr, numa de dia dos namorados, à luz do São Valentim. Nada de
garagem cheia de amigos, cerveja em barda e ecrã panorâmico com dolby surround.
No fundo, um cenário ideal e justo para qualquer benfiquista que se preze.
Eu
apaixonado, eu feliz, eu tão bem calmo e tranquilo, mas… a ver a bola no telefone
pelo canto do olho. Ele há coisas… O meu Benfica a este nível, catano.
Aquilo,
pelo que me era dado a entender, estava a ser demais. Os gajos estavam a
jogar na Luz como se fossem donos daquela merda toda e nós, encostados às baias
como se fossemos o Varzim. Golos de caretas falhados por milagre, contei 2 ou
3. Bola do pretxinho por cima do travessão, bola ao lado, muitas.
Sessenta e
tal de posse de bola contra 30 e pouco.
Intervalo.
Pelo menos aqui chegámos,
pensei enquanto metia os suspensórios ao cão que feito panasca, estava a fazer
birra e não se queria vestir para sair à rua. Fui todo o caminho a pensar… bem…
chego lá abaixo e vejo logo que não nosdevemos ter aguentado.
Entro
na Velhaca e olho logo para o televisor. “O QUÊ?!?!?!?!?” Mas como é que foi
aquilo?!?!?!? Estamos a ganhar?
"Foi
o teu Barba de Chibo".
O
nome pegou.
"Ai
sim?"
Epá,
um cruzamento e o gajo que meteu o pé.
Lance
de laboratório, pelo que vi eu depois. Centro curto do fantástico Pizzi (tens
de mudar de lentes de contato, amor. Cada vez cerras mais os olhitos, para veres
melhor. Tão estrábico...), o meu amor grandalhão do Luisão que salta e que dá para o mafarrico helénico
que toca, engana o guarda-redes, e depois de a desviar, empurra sem clemência
para o fundo da baliza.
Bem…
sem os Fritz já estavam brutos, a partir dali soltaram os cães e foi um "vê se
te avias". Uma máquina diabólica de jogar à bola, estes sacaneiras. O treinador, o
meu amor, que tem carinha de quem vai fazer a 1ª comunhão a seguir, estava que
não podia, quando caiu na flash interview.
“Então
o que acha deste resultado, senhor?”, perguntou-lhe o 4 orelhas do repórter.
“O
que é que eu acho?!?!?!? Perguntou-lhe ele, incrédulo. “Que é uma comédia, uma
blasfémia, um ultraje”. Pode não ter dito desta forma, mas eu interpretei assim.
“Fizemos
um jogo irrepreensível, criámos inúmeras hipóteses de golo, tivemos uma dinâmica
inabalável e acho difícil, enquanto treinador, conseguir montar uma equipa que
se porte melhor.
O
que se passa é que… o futebol é isto!”
E
está tudo dito, diz o vosso Tio Sabi. Por isso é que é um desporto que
movimenta milhões e faz vibrar um planeta. Porque se passa de bestial, a besta,
num abrir e fechar de olhos. Porque é a coisa mais parecida com a vida. É trágico. Intenso. Apaixonante.
O
meu grego favorito, depois do George Michael ter falecido, foi lá uma vez e…
enrabou-os com uma classe que não tem explicação. Espetou-lhes uma ferroada,
bem no centro dos cornos, que os vitimou.
Depois,
não foi ele sozinho. Toda a equipa esteve muito bem mas de todos, de todos, esteve
um rapazinho cá atrás, a defender os postes, com uma tatuagem no pescoço que
parece que lhe passou a roda grande de um trator por cima, que defendeu… o
impensável.
Assim
por alto, conto 3 lances de golo claro, evidente, mas destes destaco dois: uma
defesa impossível de uma bola desviada por um colega; após um já por si difícil
de parar, remate germânico; e uma defesa de um penálti como eu nunca tinha
visto em toda a minha vida. Sem se mexer. Eu nunca tinha visto. Como é que o
gajo fez aquilo? Que par de tomates tem de o homem ter, que gélido tem de ser o
seu sangue, para conseguir fazer aquilo... De arrepiar. Indescritível.
Para
mim, ganhámos por 2 a zero.
O
problema é que, para nós, benfiquistas, escolheu o pior local para brilhar.
Agora, que ninguém tenha dúvidas que o vêm cá buscar.
Até
parece que já estou a imaginar aviões cheios de chineses (como os do outro), e
sheiks da Arábia a postrarem-se aos seus pés.
Não
há nada que o dinheiro não compre. Que o paguem bem. E que a canarinha lhe faça
justiça. Lindo miúdo!
Nós
estamos aí.
Na
Alemanha tudo será mais difícil.
Mas
na Alemanha, levamos o Pistolas já pronto a disparar e, como disse o mister deles,
podem marcar antes mas se marcamos lá um, têm de marcar 3.
O
Barbas vai.
E
eu fico cá a torcer.
PS:
Dormimos bem melhor que em Barcelona, não? Sossegadinhos…
O
que eu ando agora a ouvir? Sempre entre muitas coisas? Um puto de 29 anos que
me embala na rádio, que “diz” coisas naquilo que canta, que tem uma banda com o
seu nome porque… veio depois dele e… acha que é um nome giro. A letra já me
fascinava, mas quando pesquiso é descubro que é autobiográfica fico… quite all
right!
Descobri
que o Lukas Graham é uma personagem fascinante, com uma educação alternativa
que nasceu numa ocupação anarquista em Copenhaga, chamada Chistiania, lugar com
população menor que mil pessoas, onde moradores rejeitam governo e dinheiro,
aceitam tráfico de erva e vivem de forma mais precária que no resto do país. Em
entrevistas, o cantor compara o local às favelas do Brasil. Ele conta que a
maioria dos seus amigos de infância estão na prisão e os retrata como pessoas
que não tiveram sorte na vida mas que, se tivessem tido, seriam pessoas boas.
Toda
a gente o ouve com “Mama said”, mas creio eu que poucos perceberão o que está
por trás das linhas que canta. Dr. Sabi não é mais que os demais, apenas
diferente. Gosta de saber, tenta sempre conseguir saber o que está por detrás,
seja do que for.
E
assim… “Mamã disse”
Quando
a mamã dizia que estava bem,
A
mamã dizia que estava bastante bem,
A
nossa gente ia para a cama,
E
estava tudo bem.
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque
éramos bons miúdos.
Lembro-me
de perguntar à mãe e ao pai,
Porque
nunca viajávamos para sítios exóticos,
Na
verdade só visitávamos amigos,
Nada
a contar quando o Verão acabava.
Na
verdade, nunca íamos comprar roupas,
Chegávam-nos
à mão em grandes quantidades,
Sapatitos
novos numa vez ao ano, e então,
Era
jogar à bola logo para rebentá-los.
Quando
a mamã dizia que estava bem,
A
mamã dizia que estava bastante bem,
A
nossa gente ia para a cama,
E
estava tudo bem.
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque
éramos bons miúdos.
Não
me percebam mal, eu não passei mal,
Tive
amor suficiente da mãe e do pai,
Mas
acho que eles não perceberam,
Quando
lhes disse que a minha cena era Hollywood,
Disse-lhes
que poderia estar a cantar na televisão,
Os
outros miúdos diziam que era maniento,
Os
mais velhos começavam a gozar-me.
Mas
agora estão todos à minha frente (ha ha)
Quando
a mamã dizia que estava bem
A
mamã dizia que estava bastante bem
A
nossa gente ia para a cama
E
estava tudo bem
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam
Porque
éramos bons miúdos.
Porque
éramos bons miúdos,
Eu sei de onde sou,
Eu conheço a minha
casa,
Quando estou em
dúvidas e a lutar,
É para lá que vou,
Um velho amigo pode
dar-me um conselho,
Quando os novos
apenas sabem metade da história,
E é por isso que os
quero sempre junto a mim,
E é por isso que
estou feliz,
E estou bem,
E sabes o que a
minha mãe dizia?
Sabias
o que é que ela me dizia?
Quando
a mamã dizia que estava bem,
A
mamã dizia que estava bastante bem,
A
nossa gente ia para a cama,
E
estava tudo bem.
A
mamã dizia-nos que éramos bons miúdos,
O
pai dizia-nos para não ouvirmos aqueles,
Que
apontavam dedos maldosos e gozavam,
Porque
éramos bons miúdos.
Para
provar que não é um one hit wonder, um fogacho de sucesso que surge e estoura
como muitos outros, todos os dias, reouvi o seu primeiro hit “7 years”
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos, a mãe disse-me,
Vai
arranjar amigos ou ficarás sozinho,
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos.
Era
um mundo grande, grande; mas nós pensávamos que éramos maiores,
A
empurrar-nos uns aos outros para os limites, estávamos a aprender depressa,
Aos
onze, fumando erva e bebendo água ardente,
Nunca
ricos mas na rua para fazer figura grande,
Uma
vez, quando eu tinha 11 anos, o meu pai disse-me,
Arranja
uma mulher ou ficarás sozinho,
Uma
vez, quando eu tinha 11 anos.
Eu
sempre tive aquele sonho, como o meu pai antes de mim,
Então
comecei a escrever canções, comecei a escrever histórias,
Alguma
coisa sobre essa glória, parecia sempre aborrecer-me,
Porque
apenas aqueles que amava na realidade, poderiam conhecer-me de verdade.
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos, a minha história foi contada,
Antes
do sol da manhã, quando a vida era solitária,
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos.
Apenas
vejo os meus objetivos, não acredito no fracasso.
Porque
sei que as vozes pequenas, te podem fazer maior,
Tenho
os meus rapazes comigo, pelo menos com esses conto,
E
se não nos encontramos antes de eu sair, espero ver-vos mais tarde,
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos, a minha história foi contada,
Escrevia
sobre tudo o que eu via à minha frente,
Uma
vez, quando eu tinha 20 anos,
Em
breve teremos 30, as nossas canções estarão vendidas,
Teremos
viajado pelo mundo e continuaremos a rodar,
Em
breve teremos 30 anos.
Ainda
estou a aprender acerca da vida,
A
minha mulher trouxe-me crianças,
Então
posso cantar todas as minhas canções para eles,
E
posso contar-lhes histórias,
Os
meus rapazes estão comigo,
Alguns
continuam a procurar a glória,
E
alguns tive de deixar para trás,
Meu
irmão, continuo a senti-lo.
Em
breve, terei 60 anos, o meu pai tinha 61,
Recorda
a vida e a tua será melhor,
Uma
vez fiz um homem tão feliz, quando escrevi uma carta,
Espero
que os meus filhos venham e me visitem, uma ou duas vezes por mês.
Em breve, terei 60,
irei pensar que o mundo é frio?
Ou terei um monte
de filhos para me aquecerem?
Em breve, terei 60.
Em breve, terei 60,
irei pensar que o mundo é frio?
Ou terei um monte
de filhos para me aquecerem?
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos, a mãe disse-me,
Vai
arranjar amigos ou ficarás sozinho,
Uma
vez, quando eu tinha 7 anos.
E
não é sobre isto que é o sentido da vida? Quando formos velhinhos, teremos
filhos e netos que nos estimem e considerem? Que façam tudo ter valido a pena,
quando nós desaparecermos? Que façam a nossa vinda a este mundo ter deixado
marca?
Os
funerais… valem sempre muito menos do que o que as pessoas pensam que valem.
Poucos estão lá de verdade, com sentimento, lamentando verdeiramente a falta de
quem partiu. Muita gente “tem” de estar porque sim, porque fica bem. Muita
gente está solidária, mas a sofrer com a desgraça dos outros, a admirá-la como se estivesse dentro de um reality show. Há muitas conversas
cruzadas sobre tudo e nada. Cá fora então, no território macho, a distância do
defunto é chocante para quem está em homenagem, e há mas é que ir provar o vinho novo da taberna ali em baixo. O
meu e o teu não serão certamente diferentes.
Lukas
canta-nos sobre pessoas, sobre vidas e o que realmente importa. Já está nos favoritos. A
seguir.
Então é
assim… apertados pelo porto que já se chegou a imaginar fora da corrida, e
agora nos cheira as chuteiras, apenas a 1 ponto de distância, quando já lá
esteve bem atrás; o Benfica tinha de defrontar um Arouca desenhado de forma
raçuda, à imagem do seu treinador Lito Vidigal. Já perdemos pontos com eles.
O
Benfica jogou e… ganhou por 3 a zero. Uma exibição plena de concentração,
esforço e sábia gestão do plantel, porque teve de alinhar toda a segunda parte
com menos um, devido a um vermelho direto duríssimo, que encostou Ederson às
boxes, por uma saída menos inteligente em que houve contato com o adversário.
Ai os árbitros roubam a gente? Ai pois roubam! E é muito!!!!! Vermelho ali?!?!?
Nas nalgas, senhor professor. Nas nalgas!
Dois
golos do meu Barba de Chibo favorito e o melhor do jogo… Carrillo! A deixar a
lagartagem cheios de urticária e hemorroidal. Um lance de antologia começado
pelo meu Semedinho (ai vais render milhões, vais!) e o menino peruano a
afirmar-se cada vez mais, com grande classe e suplesse. Parecia que tinha
olhinhos.
Tio Sabi: Este vai para ti!
Classe! MAis de 40 000 000 (está bem assim, Nuno Mota?) nas bancadas e o momento da noite, ao cair do pano, com todo o
estádio a cantar em coro : “EU AMO O
BENFICA!!!!”. De arrepiar…
(Obrigado pelo vídeo, mestre Zé Belo! ;)) A conversa que se segue no meu mural de facebook é, de resto, simpática de se seguir. De um homem que joga na minha divisão, nestas andanças, modéstia aparte.
Perguntaram
ao nosso Adjunto Arnaldo Teixeira, o que foi aquilo, do estádio todo a uma só
voz. Resposta: “Isto é o Benfica! É o Benfica!”
E
o vosso Tio Sabi carrega: pois nem que eles, os outros todos, se pintem da cor
que quiserem. Isto é lindo, é magia, é futebol, é saúde! Os rostos dos
executantes, os sorrisos, o companheirismo e a amizade. Não há aqui ódios,
raivas, maus fígados. O futebol é lindo e nós somos futebol. #Páputaqueospariu!
#aculpaédobenfica
O estádio todo a cantar…
E
agora os outros que amanh… ! Eu quero que os outros se amolem!!!!!!! Não vou
sequer ver! O Benfica só precisa dele! E desta garra, deste brio, deste fervor!
BBBBBBBEEEEEENNNNNNFFFFIIICCCCAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAASSSSEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEMMMMMMMMMMMMPPPPREEEEEEEE!
Os finalistas pediram à Leonor
para ir cantar na sua noite de fados. E ela acedeu. Sempre amiga de ajudar,
desde que me lembro, nem pestanejou e disse logo que… sim. Sem pedir cachet
(também, era o que mais faltava), ou qualquer outro tipo de mordomia. Deu um
sim, sem pedir, pois, qualquer coisa em troca. Quando a causa o justifica, tem
a quem sair, digo eu, com evidente imodéstia.
Alguém soube que cantava bem,
outros insistiram, ao concordarem, e lá foi ela. Nós, pais, fomos também numa
terrível noite de Inverno, com a televisão do Inácio a dar um bestial (o
resultado seria sempre bom. Um, ou ambos, teriam de perder pontos para nós) dérbi
de futebol, em que os tripas recebiam a lagartagem, em casa.
O recinto estava muito bem
composto, que estes eventos que mexam com as famílias do intervenientes,
resultam sempre num sucesso. Muita, muita gente para um menú que era apelativo
mas… não mais do que isso. A sala estava cheia e a política já se sentia no ar.
Não havia candidato com pretensões, que não estivesse por lá. Os dados estão
mais que lançados e a rolar.
Fiquei sentado num sítio do qual
sempre fujo: junto à parede, de frente para ela, e de costas para a sala. Não
gosto porque quem fica assim, perde sempre tudo o que se passa no recinto onde
se encontra. Ora foi essa mesmo a razão porque me procurei alocar ali. Eu fui mesmo
foi para assistir à atuação da Leonor e da minha afilhada Maria, para poder
desfrutar do talento das demais participantes, para conviver com os meus
familiares que estavam entre os comensais e admirar os artistas mais velhos
convidados.
O que demais se passava na sala,
eram manifestações capazes de me causarem uma certa repulsa. Ou muita repulsa.
Desconfio da verdade da palavra que os move, uns mais que outros e… não quero
nem assistir. Levei o espetáculo de costas, a ouvir o empolgante relato com um
ouvido, e a conviver com o outro.
De vez em quando via-os passar no
espelho à minha frente e deixava-me rir, cá dentro. O que move as pessoas… pode
ser o poder, a influência, o dinheiro, a consideração dos outos… mas nada é
dado com despojo, sem querer algo em troca. Nos antípodas da minha Leonor, nessa
noite.
Quanto aos intervenientes: os
guitarristas estiveram ao mais alto nível. Epá, para quem não tem conhecimentos
suficientes para analisar o nível de execução, aquilo foi bom demais! Sem
abébias, sem falhanços, com pinta, com gosto, com qualidade. Gostei muito. E
disse-o ao amigo José Roberto que fez o favor de ensaiar a Leonor, já para a
atuação de Marvão: “quando se faz com amor… salta cá para fora!, ó mestre.”
Dos consagrados, já mais velhos,
é um prazer poder admirar quem canta o fado com tanto prazer. Artistas que já
vou conhecendo destas andanças, o Sr. José Claudino é um homem que canta o fado
com devoção. Carrega de emoção cada palavra que diz e enche a sala de
sentimento e paixão.
Tal qual como a da Dona Júlia
Ferreira que diz sempre sim e nunca se nega a ajudar a quem lhe pede para dar largas
ao seu talento. Por mim, parecia-me que poderíamos ficar ali o resto da noite a
ouvi-la.
Uma novidade foi o Sr. Alfaia (do qual não consegui tirar uma foto boa. Peço, por isso, desculpa),
que eu creio que ainda não conhecia e foi toda uma revelação. Um tipo de fado
mais clássico, bem dito, cantado de olhos cerrados, para sentir cada sílaba.
Levei-lhe um recado do seu primo que mantém aberta a Piscina Museu-Arqueológico
ali no Tragasal, e creio que entreguei bem a carta a Garcia. Missão cumprida!
Será que vamos ter fadistagem cá pela aldeia?
Passemos agora então, para as
verdadeiras estrelas do evento, sem contar com todos os finalistas que
estiveram muito bem na apresentação do evento, no serviço de mesa, na
organização geral.
A fantástica Marisa Garção é um
docinho. Não sei bem se aquilo de cantar o fado foi um dom natural que nasceu
com ela, ou então foi algo que herdou por via de um pai que ama tanto a música,
que lhe foi dando uma forcinha para a frente, até que não descansou senão
enquanto não a viu lá cair. Um pouco como a história do filho do caçador, que
quase que tem de dar um caçador também. A Marisa impressiona não por ter uma
voz cristalina e poderosa, mas por ser aquele projetinho de mulher tão bonita
(não sairá às pedras da calçada…, seguramente) que toda ela é força, querer,
vivacidade e ímpeto. Desejo que cresça sempre com esta graça e esta paixão.
Impressiona.
A Joana Vieira era a estrela da
companhia, sejamos francos e lisos. Esta já mulherzinha, cuja paixão pelo fado nos
habituámos a admirar desde que quase andava de fraldas, tem sido um projeto de
artista lindo de acompanhar. Ela, pequenina, quase que enfeitiçava o Grupo
Desportivo Arenense com a sua paixão. Tanto se gosta, que se entranha e fica
dentro. Esta menina nasceu, no, e para o fado. Com muito sentimento, um lindo
cabelo, pose e saber estar em palco, parecia a artista convidada. Lindo de ver
era o pai Fernando que a seguia e segue sempre, alimentando este amor do seu
rebento. Boa sorte, ó companheiro!
Por falar em artistas com alma,
com garra, com querer e com talento, falarei na minha afilhada Maria. Esta
mulher (dói dizer isto… tou velho…) nasceu para estar à frente de um holofote,
ou atrás de um micro, como preferirem. Desde sempre pá! Havia qualquer coisa e…
a Maria estava lá. Pois a Maria tem voz, tem pose, tem à vontade e saber estar.
Ela ajeita os cabelos, ela dedica um fado ao avô, a quem agradece por ter esta
paixão por este tipo de música; ela tem, como os americanos dizem: what it
takes! É sempre um prazer poder admirar quem faz tão bem o que está a fazer, e
é tão feliz a fazê-lo. Parabéns, minha querida. Tudo bom! O pior disto tudo É
QUE COM ESTAS MERDAS ME SINTO HORRIVELMENTE VELHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
que neura! Se elas estão assim… Ai vais de canoa, vais!
E chegamos à Leonor, peça central
da minha existência, já há 15 anos, quando descobri que um gajo tão tonto e tão
palerma (hipocondríaco, também), era capaz de gerar uma vida. Pois assim, nada
de mal formações congénitas nos testículos, ou incompatibilidade entre os cromossomas
entre mim e a Cristina, nada! UUUUUUUUUUUFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFAAAAAAAAAAAAAAA…
Já tinha contado que a Leonor
disse que sim, que ia. Comecei por isso. Mas a Leonor… é o ser mais parecido no
mundo que há comigo. Se a dona Alice é a mãe escarradinha, esta, como lhe
costumo dizer, “os livros que anda a ler… fui eu que os escrevi.”
Disse que sim mas… o clima de
guerrilha que se instalou depois, em minha casa, é coisa para eu pedir de
joelhos quando for a próxima vez: ou dizes logo que não, ou pensas duas vezes.
Compromisso, é compromisso.
- Se és crescida e tens palavra,
tens de a assumir, senão passam a não te dar crédito. Pensa lá nisso.
Para ela não havia nada a
ensaiar, não lhe metia medo se não acertava com os guitarristas, e a mãe,
claro, apertava. Uma apertava, a outra fugia com o rabo à seringa e o Drocas
impava.
Foi muita pressão, muita pressão.
Mas essa noite, como de resto aconteceu em Marvão e em São Salvador, as coisas
não correram nada mal.
Eu sei que ninguém me leva mal de
dizer isto. Quando muito podem achar-me presunçoso e maniento mas eu quero lá
saber disso! Este blogue é meu. Faço o que quiser. Não tenho de dar
justificações a ninguém. Se não gostarem, podem deixar de cá vir, olhem! Ou
criem um vocês. Mas eu… se não digo aqui o que penso… então é que não digo
mesmo em lado nenhum. A Leonor é muito bonita. É a única mulher que acho mais
bonita que a mãe. Tem os brilho dos teenagers e a minha, já algumas rugas nas
covinhas. Está a ficar um pouco larga nos quadris mas… a porra dos chocolates e
dos doces são tão bons… e o pai é tão careta com aquela seca da importância de
fazer desporto e correr que… que se amole!
Depois, tem presença, tem muita
piada e sabe estar… no seu jeito. Muito descontraída, muito show off, muito
outside. Brincou com a colega Liliana quando a chamou ao palco por… Bruno
Sobreiro. Ao ver todos a rirem, disse que… “na boa… Bruno também dá.”
Tão “fora” é que quando a
chamaram, tive de lhe ir segredar ao ouvido que não se esquecesse de agradecer
a quem a convidou. Ela: “claro! Faço sempre isso, pai!”.
Fui lá porque nem em Marvão, nem
no Porto da Espada aconteceu tal atenção.
A Leonor tem uma voz muito
bonita, muito diferente de cantar o fado e nada é ali forçado. Sai tudo com as
maiores naturalidades e caso estivesse treinada, poderia ampliar os sons que
consegue atingir e quem sabe, dar uma boa fadista.
(Aqui com a extraordinária prestação da Alice, nos backing vocals. Ouviu-a tanto a aprender a letra... que a aprendeu também. A minha pequenina, que eu digo sempre que é a minha favorita cá de casa, mesmo à frente das outras. A diferença de idades (9 para a mana) permitem-me estas alarvidades. Ela merece, coitadinha. É tão pequenna... E eu noto o grau de satisfação do seu sorriso quando me ouve dizer isto... Pisca-me o olho! A mãe não consegue...
Mas para isso, como para tudo na
vida, tem de haver trabalho. Muito trabalho, humildade, abnegação, capacidade
de acreditar. E eu creio que… as prioridades da menina são outras. Como pai,
não me resta outra coisa que aceitar, como as coisas são.
Se ela fosse uma Joana, uma
Maria, alguém que quisesse muito, eu teria todo o gosto em apoiá-la, em ser um
como os Fernandos (Vieira e Dias). Faria-o com gosto. Ela sabe, que eu o sei.
Assim, há que apenas conseguir transmitir-lhe que… estarei sempre aqui.
Aconteça o que acontecer. Mas a vida… essa… será sempre a dela. E é a coisa
mais preciosa que tem. Só se vive uma vez e há passos que se dão, que não
permitem volta atrás.
Eu, aqui estarei. Sempre!
Se for para cantar, para cantar
será.
Amo-te, como tu sabes. Mais do
que a vida minha.
Sê feliz, Leonor. Eu tou cá para
ajudar
Com o bigode que eu adorava e tu odiavas. E tudo o vento levou...