
O 7 do 7 de 2007 já se aproxima a passos largos e eu a ver a coisa ao longe. Sei que não me vou enganar. Às vezes, sinto-me como um garoto que já sabe que vai ter a prenda que não quer nos anos e finge que não sabe de nada. Bastaram 2 ou 3 cavadelas para perceber que esta cegada toda das maravilhas de Portugal era uma enorme negociata onde os dados estão mais que viciados.
E dá-me pena.
Dá-me pena porque ainda há quem acredite.
Dá-me pena porque a ferida do Património Mundial ainda não sarou no orgulho marvanense de muitas consciências locais. (nas quais me incluo).
Dá-me pena porque Marvão não merece.
Mesmo!
E o sabor da derrota sabe desta vez ainda mais amargo que o fel.
O meu amigo e agora colega Garraio, trouxe dobradinho, o orgulho embalado com um sorriso cúmplice.
Era uma página inteirinha do nacional “El País”, que está para os do lado como o “Público” para nós, fazendo propaganda à Lusitânia, obra do Turismo Nacional, ou seja, pago por todos.
Ali, numa só foto, numa soberba e majestosa foto, que vimos nós para nos representar, para representar todo um país? Um Marvão esplendoroso que mais parecia um navio encalhado num monte, quando as águas do dilúvio bíblico se esvaíram terra dentro, imponente e altaneiro, numa perspectiva rasante, quase inédita.
A mim, perdoem-me o bairrismo, só me deu vontade de fazer mil cópias para esfregar na fúcia de todos aqueles que escolheram votar noutros, naqueles que promoveram o negócio em vez da qualidade, naqueles que se hão-de rir a pensar que o seu é melhor que o nosso.
À fava! Que se amolem!
Porque nós meus amigos, nós que tivemos a bênção suprema de ter nascido destas pedras cinzentas, nós que ostentamos no B.I. o orgulho da origem neste concelho, sabemos cá dentro que não há jóia como a nossa. Mesmo!
Podem escolher as maravilhas que quiserem e que o dinheiro quer, que nós não vamos em carneiradas.
Podem eleger os outros. Nós por cá, sabemos que há-de ser sempre o nosso Marvão, quando tiverem que escolher a pedra mais preciosa para levarem ao pescoço nas galas internacionais.
Que lhes faça bom proveito!