quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A mãe de todas as greves

Digam lá se não fico bem como revolucionário... Ai não repararam? Atentai... Onde está o Sabi?
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“Portugal não é um país, é um sítio.
Ainda por cima… mal frequentado.”
Eça de Queiroz



A mãe de todas as greves
Por Pedro Sobreiro
Aprendiz de poeta popular
Lírico, boémio e personagem de banda desenhada


Nota do autor: este projecto de poema deve ser lido imitando a voz e a entoação do Manel Alegre, porque senão não resulta. De preferência, deve ser lido de olhos fechados, para enfatizar a emoção. Sim... eu sei que deve ser difícil ler de olhos fechados mas se não tentarem... nunca saberão se conseguem!


Nesta manhã… nem o sol,
Quis trabalhar, é normal…
Afinal hoje é o dia,
Da tão esperada greve geral!

Páram barcos e comboios,
Páram metro e aviões,
Não saem os autocarros,
Não há quaisquer opções.

Páram todos os serviços,
Páram escolas e hospitais,
E até mesmo as morgues,
Não aceitam funerais.

Páram finanças e conservatórias,
Cartórios e tribunais,
Pára a Segurança Social,
Manicómios e outros que tais.

Até as centrais sindicais,
Decidiram dar as mãos,
Meter de lado as divergências,
Trabalharem em cooperação.

O país está fartinho,
Do governo que tanto tem roubado,
Que nos vai ao bolso a toda a hora,
Que deixa o povo empenhado.

O Sócrates tira as reformas,
Corta subsídios e o ordenado,
“Pinta-nos” o “nosso” ao fim do mês,
E até o pouco que temos de lado.

Andamos muito descontentes,
Com toda esta situação,
Por isso gritamos bem alto,
E em coro dizemos que “não!”

O país está na última,
Endividado, sem solução,
Está sem rumo e sem futuro,
Está com as calças na mão.

Na tardará muito e a Europa,
A Merkel ou o FMI,
Virão puxar-nos as orelhas,
Tentar tirar-nos daqui. (Onde estamos há quase 10 séculos...)

Por tudo isto eu concordo,
Com os outros camaradas,
Que dão o corpo ao manifesto,
Que lutam com bandeiras desfraldadas.

Como estou doentinho,
Nesta cama aprisionado,
Decidi juntar-me a eles,
Fazendo um protesto adaptado.

Vou fazer greve de fome,
Hoje não me irei alimentar,
Nada comerei em todo o dia,
Excepto ao almoço e ao jantar.
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Vou dispensar os remédios,
Vejam bem como me sinto…
Decidi trocar os comprimidos,
Por uns “martelos” do tinto.

Por cada antibiótico,
Mamarei dois ou três,
E por cada supositório,
Um jarro de cada vez.

Oxalá o protesto ajude,
O Governo a pensar melhor,
A respeitar mais quem trabalha,
Quem tem brio e valor.

Em vez de defenderem,
Os “barões” que os financiam, (Com aeroportos, TGVs e afins…)
Que pensem mais no dia-a-dia,
Das famílias que atrofiam.

Camaradas, o dia é de luta,
Uma luta sem igual,
Viva a greve, viva a gente,
Viva o nosso Portugal!

4 comentários:

Joãzinho disse...

És grande, as melhoras e espero que esteja a correr bem essa recuperação... desculpa não ter ligado, mas deve ser tanta gente a ligar que deves estar cheio de atender telefones... lol.. Se precisares de algo numa das tuas vindas a Lisboa não te evites em dizer.. Ajudo no que puder, abraço, Joãozinho..

fraxinum disse...

Caro Amigo Pedro
Um grande Abraço e o Desejo sincero de Rápidas Melhoras e cá te espero um dia destes.

Fiquei Feliz por ver que voltaste
Até Já

João Junceiro
Rest. Regata Alpalhão

Helena Barreta disse...

Fica bem de revolucionário, sim senhor e na linha da frente, sempre.

Palavras certeiras, como sempre.

Continuação das melhoras.

Um abraço.

Artur Sequeira Portela disse...

Uma rápida recuperação amigo Pedro! Aquilo que fizeram ao Benfica em Tel Aviv foi uma judiaria...