segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O regresso de Judas




Como se esta terrível época que ‘ora cessou,

Não fosse já suficientemente má que chegasse,

Ainda precisávamos de uma notícia destas,

Para que o meu coração rebentasse.

 

Depois do bom, íntegro, coerente, bem falante Vitória,

E da inesperada lufada de ar fresco (que vingou) do Lage,

Eu nem queria acreditar nas notícias,

Que davam como certo, o regresso deste Bocage.

 

De tanto treinador no mundo,

Até com valioso passado benfiquista, que poderiam ir buscar,

Voltaram a meter as mãos na merda,

Para um machado de guerra irem desenterrar.

 

Eu já fui muito do Jesus, confesso,

Quando o fomos buscar ao Braga, no final de década passada,

E montou um “rolo compressor”,

Que levava tudo à frente, e cilindrava “com nota artística”.

 

Mas os anos foram passando,

Os erros na bola, nos gestos, no pretuguês,

Foram destruindo a imagem,

E o fascínio que tinha pelo maltêz.

 

Nesses 6 anos (2009-2015), para as super equipas que tiveste,

Apenas 3 campeonatos, uma taça, uma supertaça, e as tacinhas da liga,

Não são motivos suficientes, quanto a mim,

para te idolatrarem e irem buscar, outra vez.



Saviolas, Aimares, Javi Garcias, Davides Luízes,

Luisões, Preud Hommes, Micolis,

Com a melhor fruta pudeste contar,

Mas nem mesmo assim nos conseguiste levar ao altar.

 

O sonho da tal prova europeia,

Que nos faria voltar a ser respeitados (no continente do futebol),

Caiu perante Chelsea (12/13) e Sevilha (13/14),

Deixou-nos antes tristes, adormecidos, esquecidos.

 

E repara bem que já nem falo,

Nos valores das nossas escolas, que deixaste voar (Bernardos Silvas e afins),

Para incentivares grande contratações,

Onde certamente deves ter estado a mamar.

 

Os outros, os pobres, antes de ti,

Tiveram de jogar com o que tinham,

Inventando laterais e avançados,

Desenrascando-se, e mesmo assim… venciam.

 

Mas para ti, o bom do Vieira,

Sonhando já com as eleições,

Promete equipas de sonho,

Para arrasar todas as competições.

 

Pois eu cá não me esqueço,

Que de ti, nunca gostei, apenas aceitei,

E se na brinca, reinava,

Era porque cumprias, e eu aí, tolerava.

 

Mas de tudo nunca jamais hei-de esquecer,

Quando no final do contrato,

Aceitaste ir para o Szeborten,

Só para gozares o prato.

 

Se és profissional e te pagavam,

Apesar da coerência não o aconselhar,

Que poderíamos nós fazer, senão aceitarmos,

O futuro que o Deus Mendes te iria reservar.

 

Mas a imagem de ti a cantares,

o hino, no estádio, para a bancada cheia de lagartos,

É uma visão de horror, que me há-de sempre acompanhar,

Nos anos mais próximos, estou certo.

 

Essa imagem, e a de joelhos, em pleno estádio do dragão,

Depois de perderes o jogo, o tino, e o campeonato,

Hão-de sempre acompanhar-me,

Por mais que viva, estou bem certo.

 

Hoje, entre o Kadafi e o maestro,

Chamaste a pedir união,

Mas sabes bem que isso é coisa impossível,

Porque há outros, como eu, que ainda têm coração.

 

Com o que te pagam e o que te darão,

Quero que metas a equipa a jogar, e possamos ter prazer,

Mas já sabes que de amor por ti,

Nunca me hás-de ver morrer.

 

Gostava muito de ti,

Enquanto humorista do facebook (JJ Bóce)

Mas espero que me faças agora rir mais,

De prazer, e não de outra coisa que fosse.

 

O Benfica é a grande paixão futebolística, de toda a minha vida,

Dali não mudo, esteja quem estiver,

Mesmo apesar que regressos tão maus quanto o teu,

Possam eventualmente acontecer.

 

O teu maior mérito recentemente,

é teres calado com bofetada de luva branca,

Quem sempre apostou que se saísses daqui,

Nada irias conseguir, de certeza.

 

Pelo contrário, foste ensinar os brasileiros,

A jogarem à bola na terra do seu coração,

Ajudaste o flamengo a vencer copa,

E saíste de andôr sobre a multidão.

 

Boa sorte para nós,

Espero que cumpras o que prometeste,

Faz-me calar, dobrar, torcer,

Afinal, foi para isso que vieste.




ACAAAAAAARRRRRDDDIIIITTTAAAAARRREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

sábado, 1 de agosto de 2020

Deitar a toalha ao chão, e uma tertúlia (no facebook) à volta do gesto



Tão verdade, bom Sá (mágico!).


Ruizinho... já borraste a pintura toda!

Vai tomar no rabo! Foste!



Antonio Garraio Achei de bradar às nuvens, também. Talvez o comentário mais infeliz que ouvi a políticos em muito tempo. Até me arrepia pensar que há malta (muita malta!!!) que põe a cruzinha à frente do nome destas abéculas. A fragilidade da espécie “bicho homem” está aqui bem patente.


Pedro Sobreiro Antonio Garraio Podes crer, meu caro Garraio. Este Rio, dececionou-me de uma forma avassaladora. Depois da postura tremenda que teve quando ganhou a câmara do Porto, recuperando a alma e a aura do pequenote gigante Sá Carneiro, quando chegou a enfrentar o próprio Papa do Norte (a quem colocou entraves a que fossem celebrar o título para a varanda da câmara, porque aquilo não era baldio, e haviam concessões a fazer, e autorizações a pedir...) esbardalha-se agora contra a falésia, como se fosse uma avioneta completamente desgovernada, daquelas que passeiam tarjas publicitárias pelo areal.

"Se o Chega evoluir para um plano mais moderado, é possível conversar"?!?!?!?!?
COMÁSSIM?!?!?!?!?!?

Se o Hitler ajudar uma velhinha a atravessar a estrada, talvez já possa ir para o céu?

Esse André Ventura, que é muito inteligente e nada parvo (o seu percurso académico e político, comprovam-no bem), é um facínora e um mamão, que se farta de ganhar dinheiro nos escritórios de advocacia onde trabalha, à custa dos projetos que faz para a Assembleia da República, e não só mas também, e sobretudo, sabe manipular os instintos mais animalescos da raça tuga (mesmo assim), por forma a conseguir dominá-la e levá-la onde quer (contra pretos, ciganos e gays, por exemplo).
O Hitler também foi eleito democraticamente, da primeira vez.

Que o Rio diga que "ah, se te portares bem, e se ladrares baixinho, talvez te deixe sentar aqui ao pé de mim. É que os teus... dão-me jeito...", é a morte política de um homem, e a condenação do PSD ao degredo, onde vai andar mais uns anos, à procura do D. Sebastião que todos sabemos que não irá aparecer, enquanto o espetáculo rosa estiver em palco, em S. Bento.

Enquanto isso, D. Costa rebola-se na passarelle, porque assim, quanto a mim, já nem de outro da esquerda precisa para Troikas, porque eu acho que do PSD ainda deve de haver muita gente infeligente, que se recusará a meter a cruz ali, com aquela carraça ao lado.

Obrigado pelo comentário, meu amigo, porque te reconheço parco nestas andanças, e mais prudentemente recolhido! 😁👍


Antonio Garraio Pedro Sobreiro eu raramente vejo entrevistas ou qq coisa que tenha que ver com política (pela minha saúde), mas por acaso, vi esta entrevista quase toda, já tarde, em diferido. As calinadas batiam umas nas outras, qual delas mais absurda que a anterior. É digna de estudo, desde o namoro com os Xenófobos ( e compreendo perfeitamente que o João Bugalhão não veja isso com maus olhos, ele já se posicionou nessa zona anteriormente), passando pela defesa do fim dos debates quinzenais (grande oportunidade para a oposição serrazinar e desgasta.


Pedro Sobreiro Antonio Garraio 👍👏👏 como te compreendo... 😁


João Bugalhão Mas se for o Dr. Costa a fazer acordos com os camaradas do Stalin e do camarada Mao (foram mortos reacionários não fez mal), é giro! até lhe chamam, carinhosamente, "geringonça". Viva a ética do Costa & companhia. Ai estes dois pesos e "muitas" medidas desta cultura esquerdalha. Nota: Nunca fui apoiante de Rui Rio... https://malomil.blogspot.com/.../gulag-mais-um-dia-de...


Pedro Sobreiro João Bugalhão Os extremos, meu João, são sempre horrendos, sejam eles de esquerda, ou de direita.
Sei há muito da realidade dos gulags, e de que esses campos de extermínio à esquerda, eram tão maus quanto os campos de concentração, cujos destroços já pude visitar, nem sei se infelizmente ou felizmente.

Mas ao julgares a parte pelo todo, estás a ser injusto, e a deitar por terra tudo aquilo que são os méritos do governo de esquerda orquestrado por este homem, a nível de redução do défice, reorganização das contas públicas, aumento das exportações, limpeza do nome de Portugal no mundo...

E não falamos de pandemia, porque isso é inédito, inesperado, e baralha tudo.

Cada um é como cada qual, e este é como a p... que o par..., não é?

Um abraço!


João Bugalhão Pedro Sobreiro , "Sei há muito da realidade dos gulags, e de que esses campos de extermínio à esquerda, eram tão maus quanto os campos de concentração, cujos destroços já pude visitar, nem sei se infelizmente ou felizmente." . Se assim é, porque te referiste apenas a "Hitler"? Ouve menos SIC notícias e lê menos espresso e pensa mais pela tua cabeça... Quanto ao "deus" costa, lamento mas não passa de um aldrabão e vendedor da banha da cobra...


Pedro Sobreiro João Bugalhão Ahahah... és tão engraçado... 🤣😂🤣😂🤣🤭 A forma como categorizas, classificas e julgas os outros, os conhecimentos que têm, bem como a forma como os obtêm, só te faz... grande!, o único a pensar só pela sua cabeça, incólume, sem defeitos! 😘

Olha, segue o guru, e junta-te ao Mr. Ventura, tb... 😁



Antonio Garraio João Bugalhão quando só te resta este tipo de retórica, é sinal inequívoco do que a tua retórica vale.


Pedro Sobreiro Antonio Garraio 👍👏👏🤭😁


João Bugalhão Antonio Garraio , é muito mais que retórica, algumas das coisas que refiro são factos, olvidados por uma certa "coltura" educacional dos últimos tempos e formatada por uma cs deficiente. Quanto à valia de retoricas: a minha vale sempre pouco quando comparada com a "tua"!!!! Mas isto, camarada, é como a outra coisa..., cada um tem a sua!!!


Joaquim Barbas Pedro, quem tinha razão era o Sr Prof Dr Marcelo José das Neves Alves Caetano, um dia este lindíssimo País ficaria nas mãos de escroques, infelizmente o homem não se enganou numa única vírgula. Aquele Abraço.


Pedro Sobreiro Joaquim Barbas Meu querido, agradeço como teu Amigo, e por seres um Homem que prezo muito, o teu comentário. Mas esse tal Marcelo Caetano que elogias, apesar de ser uma sumidade em Direito, era também o delfim favorito do Prof. Oliveira Salazar, o tal ditador que ofuscou todo o nosso século XX, entre os anos 30 e 60, desde que subiu ao poder enquanto ministro das finanças, após a revolução de 1926; até que caiu da cadeira em 68.

Falando de pulhas, eles, embora diferentes, não eram melhores e cerciaram a população portuguesa de alimentação, educação, e sobretudo e mais importante de tudo o resto, de liberdade, que para mim, é o maior valor que um homem pode ter na vida: poder escolher onde quer estar, com quem quer estar, casar, viver, e dizer o que lhe dá na real gana, desde que respeite o seu próximo.

Por isso, das mãos de malfeitores, sempre o nosso país esteve refém, ainda muito antes destes, quando os reis exploraram até ao limite, as riquezas das colónias, estivessem elas em África (Angola, Moçambique), Ásia (Índia), ou América (Brasil).

Passas daqui para os nossos tempos, para o BPN, e os milhares de milhões de buraco que o Banco de Portugal não controlou... e concordarás comigo que o comentário mais acertado a fazer sobre estes maduros descendentes de Viriato, é aquele atribuído a um dos primeiros governadores romanos na península, que enviou por carta ao Imperador: "há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!»

Perante isto... que fazer?

Grande abraço!


Herminio Felizardo Joaquim Barbas Prefiro uma democracia onde há escroques, do que uma ditadura onde não havia nem liberdade, nem os mais elementares direitos de opinião, sem os quais, este pequeno debate, nem sequer, poderia existir. Estoques no tempo do Marcelo, o Caetano, também os havia e não eram poucos.


Herminio Felizardo Escroques, corrijo!


Pedro Sobreiro Herminio Felizardo Corriges?!? Mas... 🤨 se estava bem... Ah... no final! 😁👏👏👏👏🤭 👍Grande abraço, meu velho amigo! 🤗  



Ainda (e sempre) o ódio


Lendo as notícias de dia 29, recordo com tristeza que Bruno Candé, ator, de 39 anos, pai de 3 filhos, foi assassinado no sábado, dia 25/7, em Moscavide, por volta das 13 horas, por um homem de 76, que antes o brindou antes com "preto, vai para a tua terra!", "volta para a sanzala!", ou "vou violar a tua mãe!".


Este é o nosso país, em que um homenzinho que combateu por ele no ultramar, nos 60 se início dos 70s, se acha no direito de tratar os de cor diferente da sua, menos homens que ele, e que, achando-se superior, se encontra no direito de ofender a sua mãe, a cadela que o auxiliava após o grave acidente que sofreu de bicicleta (que o deixou com graves sequelas físicas), e ainda por cima, de lhe tirar a sangue frio, o bem mais precioso que tinha, a sua própria vida.


Este é o país que temos, e merecemos!


Certamente passará por lá o resto da vida, mas até acho que consigo imaginar os elogios com que será recebido por uma certa comunidade.


Lá comerá, terá teto, roupa lavada, assistência, e ócio que eu lhe pagarei com os meus impostos.

Às vezes tenho tanta pena de viver numa sociedade que se diz desenvolvida (onde?!?!?), e num Estado de direito (mais torto que isto?)


O medo das más utilizações e aproveitamentos, faz-me temer o regresso da ancestral "Lei de Talião", do "olho por olho, dente por dente". Mas raios! Como me custa pensar que talvez assim, pudéssemos afastar estas mentes criminosas de vez!


O "quem mata, morrerá", pelo menos, seria inibidor, e um travão à loucura reinante.


O Bruno era católico. Paz à sua alma. Que esteja em paz...



quarta-feira, 15 de julho de 2020

Porquê?


Pensei muito se deveria, se conseguiria, se seria capaz de escrever este texto.

Dói muito, dói demais e faz perceber que a vida pode ser tão injusta quanto cruel, como se fosse  um sonho sem sentido.

Quando a morte, o pesar da partida de alguém se torna no assunto do momento, numa moda, fico sempre reticente, e a minha consciência manda-me recolher ao silêncio.

 

Mas este blogue é a minha janela para o mundo, a forma como eu vejo tudo o que me rodeia, e tenho sempre este sonho vão de que isto possa um dia ainda ser apanhado, como uma cápsula do tempo, e seja capaz de ilustrar um fresco deste tempo. Seria engraçado se daqui a 80 anos, quando a população de Portugal for apenas de metade dos habitantes (5 milhões?!?), como disseram há pouco nas notícias (https://sicnoticias.pt/pais/2020-07-14-Daqui-a-80-anos-Portugal-pode-ter-5-milhoes-de-habitantes), ainda houvesse internet, e alguém descobrisse o blogue deste maluco.


Pois este blogue, seguindo esta linha editorial, tem de falar neste desaparecimento, terrivelmente trágico.

 

Toda a gente de Marvão, sobretudo a que fosse ligada ao desporto (que sempre foi a sua vida), ou à terceira idade (que era a sua profissão, na Santa Casa de Misericórdia de Marvão) conhecia o Rui Moura. O Rui casou com uma rapariga de Marvão, a Carla Salgueiro, e com ela teve dois filhos maravilhosos, um menino e uma menina, numa família que era, em tudo, perfeita. Sendo um atleta de sempre, começou há tempos a queixar-se de umas dores estranhas nas costas, que o levaram a exames, que finalmente lhe trouxeram o pior dos cenários.

 

Tudo enfrentou com resignação e a força de vontade próprias de um lutador.

 

Sempre o acompanhei, dando-lhe força e ânimo, estando consciente que o meu processo de recuperação pós-acidente lhe serviria de estímulo.9

 

Na sexta feira “encontrei-o” na rede social Telegram e disse-lhe que fiquei muito feliz por o ver ali. Falou-me nos novos tratamentos que o mantinham ilusionado, e estimulavam.

No domingo soube que tinha falecido, subitamente, de um ataque cardíaco, ou de um AVC, e o tinham encontrado caído, já sem vida.


38 anos...

 

Este desaparecimento tem em mim um efeito absolutamente devastador. Custa-me meter cercaduras de pêsames no facebook, não me consigo juntar ao coro dos lamentadores no seu mural, muito menos no da sua esposa (de quem respeitarei o luto, com pesar); nem sequer ver em direto a cerimónia de balões lançados aos céus pelos seus colegas. Tudo é tão triste, tão revoltante, tão agonizante que nem sequer consigo pensar.

 

Como é possível, meu Deus? (pergunto eu, sabendo que não há qualquer resposta que se possa obter.)

Como pode haver sentido nisto tudo? Que será desta mulher, tão jovem, com dois filhos pequeninos a seu cargo?

 

Um amigo comum, o Francisco Abrantes, manifestou o seu pesar no seu mural do facebook:

Definitivamente este macabro ano de vinte-vinte, nem precisava ter existido. Não está cá a fazer falta nenhuma, podíamos simplesmente ter alongado a perna e ter passado por ele à meia-noite de vinte-dezanove.


Que grande desilusão, que tristeza tamanha, por que motivo no espaço de uma semana nos levaram dois seres humanos maravilhosos? Primeiro foi o “três-vezes-nove” (David Vieira) e agora tu “puto Moura” porquê?


As atitudes mostram quem realmente as pessoas são e tu mostraste-me quem eras, quando naquele dia no atelier, por curiosidade te aproximas do painel de azulejos que estava a pintar e derrubas parte dos azulejos do trabalho que ia já numa fase bastante adiantada.
Não sabias onde te havias de meter, estavas incrédulo, pediste quinhentas vezes desculpa, quiseste saber de imediato em que podias ajudar para resolver a situação, com prontidão ofereceste-te a cobrir do teu bolso aquele prejuízo.


Assim são os Homens de carácter, aqueles que assumem os erros sem pestanejar.


Eu não te conhecia o suficiente por estes tempos, mas com esta atitude, ganhei simpatia e respeito por ti e passámos a ser amigos.


Uns anos mais tarde, quando a madre da Santa Casa de Marvão precisou de um restauro de azulejos para o convento, tu imediatamente te lembraste de mim, como que para pagar aquele infortúnio ocorrido no passado, ainda não tinhas esquecido, ainda te estava a atormentar,


Agradeci, fomos juntos ver o local e fazer o levantamento e concluímos juntos o trabalho, percebi que nessa altura finalmente tinhas ultrapassado o episódio.


Eu, como te disse na altura no atelier, junto da pilha de azulejos escavacados no chão, desculpei-te nesse dia, nesse momento.


Apanhámos juntos os cacos e depois disso ainda vi um Homem empreendedor, dinâmico e activo, dirigir com empenho duas associações, criar uma empresa, casar, ter filhos, enfrentar uma doença terrível e tudo isto com um sorriso e determinação só ao alcance de alguns...


Descansa em paz “puto Moura”

 

Comentei: Amigo, tudo isto é tão triste que comove, e nos deixa quase sem forças para seguir em frente... Que trágica é a vida, e que duro é sempre que nos apercebemos de que não valemos nada, porque tudo se esvai num ápice.

 

O Rui era tudo isso que contas no teu triste, mas tão bonito testemunho. Era sorriso, era luz, era meninice, simpatia, jovialidade, beleza, empreendedorismo, força, excelente forma física (ainda me lembro da admiração que senti por ele, quando me disse que estava a preparar-se para fazer o 'Iron-Man", uma prova só aberta a super-homens, que combina atletismo, natação e ciclismo em doses pesadas).

Ainda há dois dias troquei mensagens com ele pelo Telegram, onde fiquei tão feliz por o ver. Estava animado com os novos tratamentos, dei-lhe força e ânimo. Agora isto.

Continuarei a rezar por ele, como fazia, mas agora para que descanse em paz; e pela sua esposa e filhinhos, para que tenham força para seguir em frente, e que Deus os proteja..

Nestes casos, lembro-me sempre deste guru, porque "a morte não é um fim...", mas um princípio… 


O Rui era um de nós… da nossa idade…

Visitar a sua pegada digital, é destroçador…





 Que Deus proteja quem está, e que ele descanse em paz…

sábado, 4 de julho de 2020

Sair da vida



Escrevo sempre, apetece-me escrever, quando me deparo com situações que enquanto ser humano, ser (que se quer) pensante, mexem comigo.

 

Esta situação que se tem passado com amigos meus, a quem quero muito bem, tem mexido muito comigo. Um seu familiar muito próximo, com quem privava pouco mas do qual gostava bastante, encontra-se na fase terminal de uma doença prolongada, na fase final da vida, portanto, e encontra-se internada no 6º piso do Hospital Distrital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, naquele que ninguém nunca quer, ou quererá estar, por ser o dedicado aos cuidados paliativos.

Naquele que é o mais alto, o mais perto do céu, todos sabem, tanto quem lá está, como quem lá vai de visita, que os internados não poderão voltar ao solo pelo seu pé.

 

Nenhum de nós sabe onde estava antes de ser concebido, e ganhar consciência. Os céticos certamente dirão que em lado nenhum. Eu opino que é para onde iremos voltar, no final de tudo, depois desta aprendizagem que é a vida.

 

Nascer não custa nada. É força motriz que nos arrasta para a luz, mas o mesmo não se poderá dizer do fim da vida, que tanto pode ser brusco e repentino, como longo e arrastado.

 

Uma das razões que me faz acreditar que tem de existir uma força superior que regule tudo isto, que consiga dar sentido a todo este processo da vida, e acredito que para tal tenha de existir mais de uma dimensão, são as tremendas injustiças que existem à partida:

Porque é que à nascença, uma alma tanto possa nascer numa criancinha da Faixa de Gaza que não conhece outra coisa senão bombardeamentos, fome, morte e destruição, como numa família de classe média que para nós, é alta, na Suécia, com tudo o que é do bom e do melhor?

Porque é tanto se poderia ter nascido num campo de concentração em Auschwitz, onde não se conhecia outras coisas senão horror, dor, e privação; como se poderia ter nascido numa família principesca monegasca qualquer, onde o luxo e a opulência eram tantos que até enjoavam?

Porque é que tanto se pode cair no seio de uma família refugiada síria, como numa família abastada dos Estados Unidos?

 

Eu sei que há a carga genética, que é o mapa de que somos feitos todos nós, que vai beber aos pais e antepassados, mas é de almas que estou a falar! Falo de saberes, de formas de sentir, de consciências!

Porquê tanta arbitrariedade, pergunto eu?!?

Os céticos responderão em coro e até parece que os estou a ouvir: olha, azar do c…! Ou tens sorte, ou não!, e com isto reduzem toda a possibilidade de haver algum sentido nesta misteriosa e complexa equação da vida, ao simplismo aleatório de um jogo de azar.

 

Pois eu posso ser mais parvo que os outros, o que até assumo com naturalidade, mas acredito mesmo com veemência, que após o último estertor, quando os pulmões se esvaziarem de ar pela última vez, não se seguirá apenas o nada, o fim, mas que a alma há-de abandonar o corpo que lhe serviu de casa, e levitar para outro lugar qualquer como é relatado nas experiências de pessoas que tiveram paragem cardíaca, mas obviamente não cerebral, e voltaram para testemunhar o que viveram, que tem assombrosas semelhanças em todos.

 

Com esta idade para ter juízo, sei que não acredito que existam tais coisas como o céu ou o inferno, mas acredito na reencarnação, e nem sequer tem de haver afinidade de espécies, vejam bem!

 

Uma morte repentina, que rasga a realidade e a vida de todos os que com ela se relacionavam, a chamada “morte santa”, é absolutamente arrasadora para quem cá fica, leva anos ou nunca mais se refaz, mas é seguramente muito menos sofrível para quem vai, que acredito que nem sequer se chega a aperceber ao certo do que lhe está a acontecer.


Não gosto, e a ninguém será agradável certamente, pensar na forma que terá o seu fim. Graças a Deus, o meu não foi dos fatídicos e repentinos, naquela noite de Verão de 2011, mas... como será? Esta é daquelas conversas que volta ao início, para concluirmos que o melhor, é nem sequer pensarmos nisso, com tantos problemas que temos para resolver na vida. 

 

Esta de que falo, não tem sido assim e á absolutamente demolidor só de imaginar a devastação de todo este processo, de um arrastar sem fim de dor e lamento. O que tem valido a todos tem sido o tremendo amor (de dar e receber) de quem a quer bem, e a tem rodeado ao longo deste penoso caminho, pois não existe sentimento mais forte, mais bonito e poderoso no mundo que esse.

 

E se há Amor com A maiúsculo, carinho e dedicação por parte dos seus que chega a ser comovente, é este. Para mim, não há maior prémio de vida.

 

Fazem parte das minhas orações há muito.

 

Que Deus vos ajude a todos...