quinta-feira, 24 de maio de 2007

LA SQUADRA!


Para os amantes do futebol, a Final da Liga dos Campeões é uma cerimónia tão importante como a 1ª comunhão ou o baile de finalistas. É absolutamente solene e digna de fato de gala. Esta não teve grande história. O espanhol Benitez teve medo de arriscar, quis vestir a pele do lobo e esperar pela subida dos italianos, não apostou forte no ataque e amolou-se. Quando meteu o sempre decisivo gigante Crouch, já os rossoneri esfregavam as barriguitas satisfeitas com a dupla vantagem que lhe tinham metido na pá. Nem o golo tardio deu para animar verdadeiramente as esperanças da horda de ingleses que faz tremer a terra toda de emoção quando lança sobre o mundo inteiro o seu arrepiante cântico, “You will never walk alone” que pode ser visto/ouvido aqui http://www.youtube.com/watch?v=fk1OWidapHs .

Para mim, nos reds, brilharam o sempre incansável Gerrard e o ala Pennant, sobretudo na primeira parte. Nos transalpinos, foi tudo bom demais, mas o sempre discreto e mortífero Pirlo, o letal e acrobático Inzaghi, o mais que soberbo KáKá (este sim com a classe do melhor do mundo!) e o mítico Maldini, estiveram perto da perfeição. Acho um luxo poder ter acesso a estes magníficos espectáculos, mesmo que esteja um ecrã a separar-nos, sem tem de pagar um tostão. É serviço público, sem qualquer margem para dúvidas.

Falando em Maldini, luziu uma impressionante lucidez e jovialidade, e ascendeu com quase 40 anos, com mais uma auspiciosa época pela frente e depois de conquistar o seu quinto exemplar da taça mais importante das competições do velho continente; à galeria dos maiores mitos de sempre desta fábula desportiva, onde pontuam já nomes como Cruyff, o presente Platini, Eusébio (tinha de ser!), Beckenbauer e tantos outros que guardamos nessa ala iconográfica que nos conduz ao Olimpo do desporto rei.

Maldini é um Adónis, uma lenda viva que impressiona há tanto tempo pelo enorme fair-play e pela classe com que espalha a magia do seu futebol pelos palcos mais nobres do nosso planeta. Para mim, ele sim é a figura da noite, pela persistência da sua qualidade.

Mas o que mais gosto de ver nestas noites de glória e desgraça, é o turbilhão de emoções que se seguem ao soar do apito final, quando uns exultam de alegria e outros caem literalmente no chão, tendo apenas o seu desalento e o cheiro intenso da relva molhada por companhia. Emociona-me profundamente ver as lágrimas nos rostos; umas de alegria, outras de tristeza; a multiplicidade de reacções que contrastam a poucos metros; ver os que escondem a cara; os que beijam quem lhe aparece à frente; os que gritam para os adeptos; os que correm tresloucados em todas as direcções; os que parecem não acreditar; os que se resignam aninhados sobre si; os que ainda vão buscar forças para reconfortar e limpar as caras dos seus pares; os que dizem que não com a cabeça para se rirem logo no instante seguinte; os que pulam, saltam e brincam como garotos no parque; os que baixam a cabeça e saem mudos para os balneários; os que se despedem e o que ergue finalmente a taça para que todo o mundo lhe preste homenagem.

Todos sabemos que não sendo a nossa equipa, não havendo esse ímpeto para a festa mais que justificada, todos voltamos à nossa vidinha assim que cortam o satélite.

Mas mesmo assim e antes de desligar, só me apetece mesmo gritar: “que LINDO e que IMENSO é o Futebol!”

1 comentário:

Anónimo disse...

Pedro, a maneira como o meu amigo escreve acerca de futebol em nada o envergonham quando comparado com os nossos melhores cronistas desportivos.
Já pensou em enviar o seu curriculum vitae e tornar-se num excelente director de comunicação ou de marketing de um dos grandes do futebol português?
Um grande abraço e por favor não torne este seu espaço no Núcleo On Line dos Benfiquistas do concelho de Marvão.
Quanto ao jogo permita- me um comentário: Se possivel, deveriam ter perdido as duas equipas, pois ambas fazem do vermelho a sua cor de referência. Upsss.... Acho que meti àgua.