terça-feira, 17 de agosto de 2010

Quando és estranho (entre estranhos, numa terra estranha)


Assisto, estarrecido e deliciado, ao novíssimo documentário sobre os Doors que me chegou às mãos numa hora bendita por obra e graça do maravilhoso mundo tecnológico em que temos a sorte de viver. Tinha visto o trailer há tempos na televisão e lembro-me de ter ficado histérico. Estreado nas salas há apenas 5 meses, já seleccionado para Berlim e para o cotadíssimo Sundance (escrevam isto: tudo o que é premiado em Sundance é muuuito bom) deixou-me em ponto de rebuçado, derretidinho no meu sofá. Aahhhhhhhhhhh… Bom djimáis…

Vou fazer-vos uma confissão: eu tenho um desgosto enorme que os Doors sejam uma banda mainstream, da qual tanta gente gosta. Quando se fala nos Doors toda a malta diz que: “yá, man… bué de fixe… curto milhões” e nisto começam a fazer a linha rítmica do “Roadhouse Blues”, provavelmente, a música que melhor conhecem deles... Ta tana tana tananana na, tana tana tananana na… Ah, Deus meu, como eu odeio quando isto me acontece.

E digo isto porque os Doors são, também muito provavelmente, a minha banda favorita. Tenho tudo! Toda a discografia em vinil, toda a discografia em cd, todos os livros, os concertos, os documentários, os filmes, box sets especialíssimas só com raridades… TUDO! Ouvi-os de fio a pavio centenas de vezes. Acho que era capaz de cantar de memória os alinhamentos de todos os discos, reproduzir com a boca os solos de viola, bateria, tudo. Os Doors foram gigantescos, os Doors deixam-me em transe. Nenhuma outra banda no mundo, nem Beatles, nem Stones foram capazes de criar um universo tão único e peculiar. Os Doors são rock’n’roll mas também são blues e jazz e música de carrossel.

E se os Doors foram os maiores de sempre, o Jim foi O (com o maiúsculo) verdadeiro artista rock’n’roll. Único e irrepetível. Poeta, performer, visionário, músico, agitador-mor, xamã, foi um ícone sem igual algures perdido entre o céu e o inferno. Eu não resisto ao homem. Fico de joelhos de cada vez que lhe ponho a vista em cima. Mas há alguém na merda da história da música com tanta pinta como ele? NUNCA! Há-de estar para nascer e vai morrer na cesariana. Alguém usa um colar de contas, um cabelo à herói de tragédia grega, um cinto de conchas, umas calças de cabedal grenás (ainda por cima), umas botas à chulo como ele? NINGUÉM!

Bom, dito isto, estão a ver a catarse que a película esta provocou no escriba. Muito bem feito. Traça a história da banda, espelha o perfil dos intervenientes, estabelece ligação com a conjuntura histórica do período em que emergiu conseguindo assim um enquadramento sociológico de grande nível, enfim… Vale mesmo a pena. Foi feito por um fã e isso diz tudo. Só as imagens inéditas de arquivo pela primeira vez reveladas arrebatam qualquer um.

Questões avulsas:
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P: Se eu acho que o Jim está vivo?
R: Não. Mas deve de estar algures a beber um bourbon com o Elvis, a Janis, o Jimmy, o Kurt, o Dean e essa rapaziada toda bravia. Granda Jam Session!

P: Qual é o meu disco favorito?
R: Certamente o L. A. Woman, o derradeiro, aquele em que voltaram de mergulho às raízes.

P: Se é verdade que se ouvir os discos todos de penálti posso ter reacções secundárias como sair a dançar todo nú pelo quintal fora uivando à lua?
R: É!

Jim disse um dia que não há nada tão eterno como a música e a poesia. Concordo em absoluto. É por isso mesmo que daqui a trilhões de anos há-de existir algures no universo, um adolescente mutante com um poster do Rei lagarto colado na parede da sua nave espacial, que passa as tardes a dançar como um louco ao som do “Break on trough”.
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3 comentários:

Felizardo Cartoon disse...

Ouvir o magnífico tema "The end", num igualmente arrebatador filme:
Apocalypse now, é uma experiência transcendente! De certeza que viste, não?

Abraço!

Pousadas disse...

Então meu tarequinho,já tou com saudades de umas rubricas sobre o teu maravilhoso e massacrante S.L.B.! Cumprimentos do Pinto da Costa e Laionel.

Pedro Sobreiro disse...

Viva meus amigos e companheiros!

Caro Hermínio… inesquecíveis, de facto, quer o filme, quer a extraordinária banda sonora. Esse dvd consta da minha colecção pessoal, na magnífica versão de realizador (Redux) e é daqueles filmes que gosto sempre de recordar nem que seja quando reencontro a caixa com o olhar quando sentadinho no meu sofá. Basta revê-la para ter um prazer enorme ao relembrar essa verdadeira obra-prima.

Já a mensagem para o meu querido carequinha (onde é que tens andado?) é outra: ai queres tourada? Olha que agora há para aí muita! Na tua terra, no Porto da Espada, em Valência…

Tem calma… Ganhaste bem a Supertaça mas não faças já a festa que o campeonato é prova longa e o primeiro milho é para os pardais. Eu, como os ciganos, também não gosto de ver bons princípios aos filhos. Prefiro que terminem bem a começarem melhor.

Sossega a passarinha!

Beijinhos!