segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Na terra dos sonhos


O terceiro e derradeiro (snif, snif…) capítulo da saga Toy Story vale cada um dos quase 200 quilómetros que tivemos de percorrer para podermos ter acesso a uma sala digna desse nome, capaz de nos propiciar todos os luxos e maravilhas que o 3D tem para oferecer.

Na verdade, os cinco minutos iniciais são mais do que suficientes para o fazer. O virtuosismo e o brilhantismo com que somos brindados na sequência de abertura são de deixar mesmo os mais prevenidos de boca aberta.

E é aqui que constato, mais uma vez, que se o cinema é a maior máquina de sonhos que o homem foi capaz de inventar, a Pixar é, de há mais de uma década a esta parte e na minha modesta opinião, dona e senhora dos comandos do melhor que se faz na dita sétima das artes.

É certo que é animação digital, mas este maravilhoso “mundo-novo” inventado por aquela que foi um dia uma pequena companhia independente, está povoado dos mais nobres valores e mais lindos sentimentos que um ser humano pode experimentar em vida.

Sou fã absoluto e incondicional da trilogia. Comprei e devorei (vezes sem conta…), a aventura original e a sua sequela quando foram lançadas em Espanha no formato dvd, ainda a minha Leonor não era nascida. Quando a sua atenção começou a despertar para este género de coisas, passei-lhe as fitas que herdou de imediato porque eu acho que se há legados que os pais devem deixar aos filhos ainda em vida, estas cápsulas de puro encantamento são uma delas. Tornou-se uma fã tão grande ou ainda maior do que eu. Até a mãe, que não liga tanto e vai vendo este tipo de filmes pelo canto do olho, também não resistiu e ficou derretida, sobretudo pelo segundo capítulo.

Pois este Toy Story 3, é todo ele perfeito. Pode um filme ser um clássico no dia da estreia? Pode! O Toy Story 3 é a prova mais do que evidente desta realidade.

E é perfeito porque tem tudo! TUDO! Uma narrativa belíssima, um ritmo estonteante que nos hipnotiza por completo, cenários deslumbrantes, as personagens que nos habituámos a amar e um rol de novas figuras que não são feitas de carne e osso mas que são tão realistas que tenho a certeza que todos nós seríamos capazes de identificar, de entre as gentes que conhecemos, alguém que se lhe parecesse.

O Toy Story 3 começa como um western vertiginoso mas tem momentos de drama e de comédia, pisca o olho a detalhes sci-fi mas a dada altura mergulha de cabeça nos filmes de espionagem e naquelas fitas dos anos 70 e 80 em que grupos de reclusos se evadem de estruturas de alta-segurança. Se tivesse de o caracterizar numa palavra diria… intenso.

Falo por mim. Quem me conhece de verdade, mas mesmo quem me lê por aqui, sabe como eu sou, que hei-de ser sempre (com muito orgulho nisso), uma criança aprisionada num corpo de gente grande. Garanto-vos que se em muitas coisas não cresci mais foi porque não quis, por opção, porque quero preservar em mim essa chama da infância. Hei-de querer sempre ver o mundo com esses olhos.

Eu sempre quis ter um Woody, uma Jessica, um Buzz e o resto da turminha toda mas estes 3 pelo menos, vá! Com uma filhota a legitimar a aquisição tudo se tornou mais fácil mas nesse então, Portugal não tinha loja Disney e não havia forma como. Numa tarde em que fomos visitar a minha mãe ao hospital, a minha filha chegou-me ofegante e de olhos a brilhar, correndo para me contar o que tinha encontrado numa caixa velha de brinquedos que tinham sido doados por outros meninos (Um golpe do destino! Quem vir este Toy Story 3 cedo perceberá porquê). Eu sei que não foi o gesto mais bonito mas aqueles dois estavam mesmo a pedir um lar que os conhecesse, compreendesse e soubesse amar. Ainda hoje, de cada vez que os arrumo, fico com a sensação que assim que se fechar a porta, eles ganham vida e saem casa fora.

Há dias trouxe-lhes o companheiro inter-galáctico, chegado dos confins do universo e mais-além e… imaginem a festa. Não se viam há anos…

Neste domingo quente de Agosto, a família saiu em peso para conhecer a última página desta história linda sabendo que se tratava de muito mais que um filme. Falei com a minha pequena e sei que o nosso sentimento era um só: devoção.

A dada altura, Andy, o rapazinho que cresceu entre estes bonecos referiu-se ao Woody com emoção e disse: “Sempre foste especial porque sempre me ensinaste que nunca se deixa um amigo para trás”. Já imaginaram como seria o mundo se assim fosse?

Aos pais peço que não deixem de passar aos filhos a lição dos “Toy Story”. Garanto que farão deles, seres humanos muito maiores.

PS: Mas há alguém que consiga assistir a isto sem que os olhos fiquem húmidos (digamos assim?). Eu não resisto… Parte-me todo...


2 comentários:

ACÁCIO disse...

Off topic:
Quero entrar em contacto contigo e não tenho o teu e-mail. Posso?

Pedro Sobreiro disse...

Viva! Podes enviar para sabisobreiro@sapo.pt. Ok?

Um abraço