terça-feira, 10 de junho de 2008

Na Iª Maratona BTT de Marvão

Na linha de partida

Saída da Beirã

Ao cimo do Vale de Ródão

Descendo para a Escusa

A pique para as Caleiras


Uma armadilha mesmo ao lado

Vista do Prado

Subindo para a Portela

Os perseguidores imediatos

"Óstia!"

Vista para o Vale

Avistando Marvão

Sem travões!

Uma banana, uma água

Descendo para Portagem

Pela calçada medieval

Miradouro natural

Por corredores verdes

Missão cumprida!

Um brinde à Organização!

Gostei mesmo muito, mesmo assim tanto de participar na 1ª Maratona de BTT de Marvão.

Estava uma manhã com sol e uma temperatura fantástica, mesmo a convidar à aventura. Levantei cedinho, preparei a “cabra”, atestei os pneus de ar e “cá vai o gajo”. Registe-se que ao chegar à linha de partida já levava 4 quilómetros de aquecimento.

Aquilo, para quem não saiba, é de intimidar qualquer um. Eu comparo este mundo das bicicletas, um bocadinho ao pessoal das montarias. Há sempre aquela turma toda equipada a preceito, com gajos todos pipis, grandes máquinas, cheios de gadgets XPTO, capacetes da marca “não sei quê”, sapatilhas e acessórios da linha “não sei quantos”, munidos de suplementos e de barras energéticas e eu, com a minha princesinha comprada ali na esquina, na oficina do Arlindo, a entrar no meio daqueles galifões todos. Escusado será dizer que quando a gente se quer fazer duro, não ajuda nada ter a mãe e a tia a dar um beijinho de boa sorte mas eu gostei tanto e compreendo tão bem a boa vontade delas que até acho que correu melhor por isso. Os outros nem repararam e se repararam, que se amolem.

O meu grande objectivo era claramente chegar ao final, se possível inteiro e sem nenhuma mazela. Havia no entanto, uma intenção mais longínqua que era fazer uma figura que não fosse tão má ao ponto de me dar alento para participar na Maratona de Portalegre do próximo ano. Isso é que eu queria!

A prova, para mim, teve claramente duas partes completamente distintas.

Como não ia para entrar em competição, parti em ultimíssimo lugar e fui durante algum tempo à conversa com os meus amigos João Abelho e Zé Luís. Curtindo um somzinho no ipod, fui parando para tirar fotografias, fazendo alguns vídeos, isto com a maior das calmas e rezando sempre para não furar. Não me esqueci da câmara de ar suplente mas como me pediram na Sportzone, 40 euros que eu não quis dar por uma bomba, se o pneu fosse abaixo, ficava a pé na mesma. Ao subir o Vale de Ródão senti que ia bem e podia dar mais e comecei a andar ao meu ritmo. Desci bem pelos trilhos que nos levaram às caleiras da Escusa e aí começou a segunda parte.

O pessoal dos controlos começou a entusiasmar-me e a incentivar-me e eu, galvanizado, comecei a dar mais e a passar por muitos. Fizemos o Prado, seguimos ao longo do Sever e eis que deparo com aquele Adamastor chamado Serra da Selada, caminho da Portela. Uma coisa indescritível, uma barreira gigantesca que parecia ir até è lua e que fazia o espanhol que ia à minha frente suspirar “óstia” a cada passo que dava. Uma coisa sobrehumana! Aquilo parecia um treino dos Comandos. Muito engraçado, ver o pessoal todo com as bicicletas à mão que aquilo não havia quem conseguisse trepar. No alto, o prémio: maravilhosas as vistas para Marvão, para a Portagem, Apartadura e sobretudo para todo o vale da Aramenha. Simplesmente encantador. É caso para dizer, perdoem-me a linguagem mas não encontro outra expressão: “Foda-se! O meu concelho é lindo!”. Já está!

A descida era íngreme e tão dura como a subida. Os bracinhos tremiam, as perninhas abanavam e os travões guinchavam de não poderem mais. No final, a seta indicava “para riba” outra vez e 3 ou 4 quilómetros duríssimos ao longo da estrada em direcção à fronteira, até à Fonte dos Coelhos onde dei o meu primeiro grande malho do dia. Uma coisa épica! A roda meteu-se sei lá onde, o pneu de trás empinou-se como se tivesse ganho vida e lá vai o artista. A parte eléctrica foi toda pró maneta! Luz da frente, luz de trás e conta-quilómetros, num prejuízo de largas dezenas de euros. “E para que levavas as luzes?” perguntavam alguns idiotas, nunca pensando que eu jamais imaginei acabar a prova antes da meia-noite. Eu perdoo-lhes. Não sabem o que dizem…

Ao atravessar a estrada, ia matando dois bombeiros e um era o meu querido colega de escola João Francisco Padeiro que ficou virado de roleta só com a movimentação do ar à minha passagem. A descida para a Portagem foi alucinante e mais parecia uma montanha-russa cheia de loopings e derrapagens. Ali, no meio da poeira e do cascalho, senti que nasci para os rallies.

Causei frissom na passagem pelo quiosque da Portagem, acenei aos turistas que passavam e meti-me que nem uma flecha pela calçada romana acima. Ena, meu Deus! Tão alta! Tanto calor! Ia fazendo nas calcinhas que o meu estimadíssimo Vilela “Ases do Pedal” me ofereceu e eu guardo com tanta estimação. Durinho, durinho! Nunca eu quis tanto que o teleférico com que sempre sonhei já estivesse construído. Cruzei-me com o André Costa, o pobre, que tinha acabado de rebentar com a cremalheira da sua “bichinha” ao apertar tanto com ela. Azar! Ou será que foi sorte?

Ao chegar a Marvão, quando cada célula do organismo já pedia uma descida e aparece-me um cromo de colete fluorescente a mandar-me para o castelo. O castelo?!?!?!? “Tá maluco, chefe?”.

“Dizem todos o mesmo”, respondeu ele sem pestanejar e eu meti a cabeça entre as orelhas e fiz-me à ribanceira. Enganei-me numa rua, perdi 5 ou 6 preciosos segundos e parti em voo picado para a Abegoa. Foi demais, meu!

Quando pensava que a meta estava tão próxima, nem calculava o tanto que havia para vir. A parte da Vedeira, que eu imaginava fácil, foi a minha grande prova de fogo. Nesse troço digno do Dakar, quando nem sequer uma vereda tínhamos para circular, protagonizei 3 trambolhões de alto gabarito, um dos quais me obrigou a enfiar para um balseirão para garantir a manutenção dos sinais vitais. Brutal! Os buracos eram tantos, a minha velocidade tamanha… que aquilo só filmado! Num dos solavancos, aterrei no banco com tamanha dureza que sempre fiz que me tivessem de amputar um testículo. Acho que era o esquerdo, aquele a que chamo Sócrates. Menos mal… ainda cá está!

Na Ranginha, sorri a pensar que estava quase. Nada mais errado! Estes masoquistas da “Rota das Antas” não descansaram enquanto não espetaram connosco nas barreiras do Rio Sever, muito para lá da Murta e já no Matinho, na zona das Àguas que para mim era o fim do nosso planeta quando era miúdo.

Na subida, custosa! para a Beirã, ainda ultrapassei mais dois com camisolas da Maratona de Portalegre, o que para mim correspondia a mais duas medalhas de ouro e terminei em êxtase e para gáudio da minha querida tia Cremilde, coitadinha, que esperava por mim na meta, quase de lágrimas nos olhos a pensar que eu ia sucumbir na prova e nunca mais regressar.

Ena pá! Que grande coisa! Fiquei mesmo contente comigo e ainda mais com o espanto do Vítor Silva que estava no cronómetro. Feitas as contas, em 62 participantes, cortei a meta em 19ª posição com um total de 3 horas, 24 minutos e 30 segundos e isto a tirar dezenas de fotografias e a arrancar em velocidade caracol como arranquei!
Portalegre, aí vou eu!

PS1: as corridinhas e o regime zero fazem um efeito do cacete!

PS2: Grande abraço ao André e ao Joãozinho, pela boleia e pela tarde bem passada! Valeu!

PS3: Muitos e mais sinceros parabéns à notável organização. Foram pouco mais de 60 mas vocês provaram ter capacidade e logística para receber 600. Não tenho dúvidas que assim, Marvão vai mesmo ser um destino BTT. Felicidades!
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2 comentários:

Andre disse...

Amigo,

O BTT é sem dúvida um desporto que está na moda e para ficar.
Comecei há 2 anos com uns passeios em Évora e pouco a pouco fui fazendo umas maratonas que me aumentaram o bichinho por esta modalidade.
As vistas são maravilhosas, o companheirismo é fantastico e o prazer de estar na natureza alivia o stress acomulado dia a dia. Quem pratica sabe do que falo e aconselho todos a experimentarem.

Todo o nosso concelho tem caracteristicas fantásticas para esta modalidade e acredito que muitos mais eventos destes irão acontecer...assim espero.

Parabéns a toda a organização e força para continuarem para a próxima. Por mim seria já no próx. fds.

Um abraço,
André

P.S. Já me passou a azia!

John The Revelator disse...

3 malhos em 3 horas... estás na média.

Parabéns pelo resultado, o que faz levantar suspeitas se não terás ligações com a equipa da LA-MSS.

Já a tua companhia da tarde, não podia ter sido melhor escolhida.

Abraço