sábado, 27 de setembro de 2008

Som e devoção


Eu sei que os meus posts sobre música não são dos mais apreciados/lidos/comentados desta minha casinha virtual. Mas se isso é uma verdade, não é menos verdade, aliás, até é muito mais verdade que este estaminé não foi criado para agradar aos outros mas antes para eu poder, num único sítio do mundo que seja, dizer aquilo que me dá na real gana.

Sendo assim, gostava então de dizer que esta minha paixão/devoção/ligação à música em geral, esta minha melomania compulsiva que me faz devorar tudo o que é suplemento cultural de jornais, que me faz encomendar no meu dealer habitual revistas importadinhas directamente de Inglaterra só para mim, que me faz mergulhar horas a fio na net e navegar serões a fio no You Tube, tudo isso, é feito para que eu possa ter um momento como o que vivo actualmente.

Porque eu vivo numa constante caça ao tesouro e todas essas horas de pesquisa a garimpar conteúdos musicais, têm como objectivo encontrar a minha nova banda favorita, os meus mais recentes heróis de culto, aqueles que quando tocam e cantam e respiram, parece que o fazem só para mim.

Estou em permanente busca da minha nova luz, da banda sonora ideal para este período.

Falei neles ao meu irmão, o meu fiel companheiro nestas andanças (sim, acho que te peguei o vício…) e a reacção foi de arrebatamento.

Já comentei com um ou outro amigo, já os espalhei de mão em mão e do outro lado fica sempre um ar de espanto e a descoberta maravilhada.

No sms que troquei com o Júnior disse-lhe qualquer coisa como: este é para guardares na prateleira especial, ao lado do “Queen is dead” dos Smiths, do “Standing on the Beach” dos Cure, do primeiro e homónimo dos “Stone Roses”, do “Different Class” dos Pulp, do “Nude” dos Suede, do “Definetly Maybe” dos Oasis, do “Parklife” dos Blur, do “Ok Computer” dos Radiohead e do “Whatever people say I am, that’s what I’m not” dos Arctic Monkeys, isto só para citar assim de cabeça aqueles dos quais sou contemporâneo e são parte de mim.

Discos para a vida.

Os Glasvegas são desse campeonato.

Assim que vi o vídeo do primeiro single, “Geraldine”, um arrepio percorreu-me a espinha e quase entrei em transe. Vestidos de negro, num círculo luminoso, jovens demais, charmosos demais, humildes e sinceros demais para serem de verdade nos dias de hoje.

Depois… um baixo arrastado, uma muralha sónica a evocar décadas de guitar bands, uma bateria de ritmo pesado e tribal, uma poesia digna de estudo clássico, um sotaque irresistível e muita atitude encarregam-se do resto.

Na frente, James Allan, que recorda um jovem e belo Joe Strummer, canta com a vontade de quem nos quer anunciar um mundo novo.

Como disse e bem, o crítico inglês do New Musical Express, “que outra banda no mundo seria capaz de criar uma música sobre uma trabalhadora social e fazê-la soar como se fosse a tua alma a subir aos céus?”.

E que verdade que isso é!

O resto da história já nós sabemos e há-de-se encarregar de ajudar a criar o mito destes quatro jovens escoceses que hão-de influenciar tanta gente mundo fora. De resto, ninguém saberá porque é que James Allan convidou o primo para a sua banda em vez do melhor guitarrista de Glasgow, ou porque é que escolheu para a secção rítmica uma rapariga que conheceu casualmente numa loja, em vez do mestre das tarolas lá do sítio.

A honestidade que reclama em “Daddy’s gone”, dá-a de bandeja em cada estrofe porque há muito tempo que ninguém cantava “so fuckin’ sincerely”, como ele diz.

E depois, eu e música e a música e eu e a primeira linha que lhes conheço e me chega às mãos nesta altura e diz simplesmente: “quando a tua faísca evadir a tua alma, estarei ao teu lado para te consolar…”.

Bom, desde que os Jesus and The Mary Chain acabaram que a música não era para ser ouvida tão alta.

Toquem-na alta então e em bom som... e deixem-se levar pela maré.

Até dá vontade de levantar voo.


Como o vídeo não dá para sacar, vá lá… não sejam perguiçosos.
É só clicar aqui…


Tu
(tradução livre da minha lavra. perdão aos puristas)


quando a tua faísca evadir a tua alma,
estarei ao teu lado para te consolar,
quando estiveres no parapeito da janela,
hei-de convencer-te a voltar do limite,
eu hei-de virar a tua maré,
ser o teu pastor e o teu guia,
quando estiveres perdida no sítio mais fundo e escuro das redondezas,
que as minhas palavras te acompanhem a casa, segura e salva.

quando dizes que não sou bom e te apetece sair andando,
preciso certificar-me que sabes que é conversa fiada,
quando os teus pés decidem levar-te por caminhos incertos,
subindo pelas escadas e descendo pelo corrimão,
eu hei-de virar a tua maré,
fazer tudo o que possa para te apaziguar,
Serei o anjo no teu ombro,
O meu nome é…

Vejo que precisas de mim,

Eu sei que sim…

3 comentários:

John The Revelator disse...

Não posso negar que a minha paixão pela música se deve somente a ti! Claro que nos corre nas veias o som dos Cometas Negros, e os gostos dos nossos pais não podiam ser melhores para nos ajudar a arrancar nesta busca constante pelo som perfeito. Começamos com os Beatles, os Rolling Stones, o Leonard Cohen… tudo som do melhor. E depois tu, que deste a descobrir a sensação da musica. Não é ouvir e gostar, é aquele arrepio de que falas. Deste-me os Bauhaus, os Smiths, a Siouxie, os Cure, os Joy Division, o Lou Reed, o Nick Cave e muitos mais que provavelmente não cabiam aqui e que me iniciaram no melhor da altura. Sinto-me como se tu fosses o Mister e eu o olheiro. É como aqueles gajos que vão para a China aprender Kung Fu com os grandes mestres, eu não precisei porque tinha um em casa. Mas também já te dei muito bom som. Lembro-me de ter estado a sacar o primeiro dos Black Rebel Motorcycle Club até as 5 da manha quando ainda demorava 40 minutos a fazer downlod de uma musica. Nessa altura foi a tua nova paixão, lembras-te? E de te ter dado os Keane uns 4 meses antes de aparecerem. De te falar num vídeo lindo de um gajo a cantar junto a praia e agora todos adoram que são os Coldplay. E recentemente uns sons que não te agradaram muito, mas de que sou fã, os Clap Your Hands Say Yeah, os The Whip, os The Maccabees e a Feist ou a Lykke Li.
Estes Glasvegas são a tua nova grande descoberta e a nossa nova mina de ouro, os gajos são mesmo muito muito grandes. Daqueles discos para ouvir para sempre.
We make a great team!!!!

(não sei se reparaste mas não falei no jogo de logo à noite; que ganhe o melhor)

Abraço

Pedro Sobreiro disse...

Ah, Júnior…

Amo-te tanto, puto! Se não fosses meu irmão, eu havia de arranjar maneira de fazer aí um contrato qualquer numa Conservatória manhosa de vão de escada e passavas a ser.

És o maior, pá. Modéstia a tua, embora eu tenha adorado essa do mestre de Kung Fu. Sabes que um dos meus maiores sonhos era entrar para o Templo dos Jovens Heróis do Shaolin e poder dar pulos como os gajos directamente para o alto dos telhados e de costas!!! Uma vez ainda tentei na varanda da vizinha Henriqueta e abri o sobrolho. Podia ter sido pior…

Essa do mestre e do aluno já passou à história quando tiraste as sortes. Agora fazemos é uma equipa tipo Batman e Robin, tipo Starsky and Hutch ou aqueles bacanos dos 3 duques, que eram só dois e tinham uma prima belíssima chamada… acho que Daisy.

Tu também já deste muito mais. Depois de vacinado, tu próprio tens trilhado o teu percurso sonoro e tens dado imenso a esta confraria.

Lembraste do fabuloso “Thirteen tales from urban bohemia” dos Dandy Warhols que tivemos em mãos semanas antes de sair para as lojas? Graças a ti, my man!

E os Arctic Monkeys? A minha anterior coqueluche da qual estou cada vez mais ultra fã, casa sónica desse génio Alex Turner, tão imberbe quanto consagrado… Tua descoberta, também!

“Hás-de ouvir uma cena que é “"I Bet You Look Good on the Dancefloor"! Tá demais…”.

Eh, eh.

E muitos mais… Os Libertines também foram teus, embora os Franz Ferdinand já fossem da minha lavra.

E tudo isto e nem sequer falarmos do outro lado do Atlântico… dos Strokes; Yeah, Yeah, Yeahs; White Stripes ou Kings Of Leon que tu tanto adoras e agora têm um devastador novo registo. Capa da NME: “Drugs ruined us. Now it’s time to be huge!”. Grandes mesmo!

É Júnior, eu dei-te a mestra, a licenciatura com o santo Graal, a base celestial Beatles/Stones e depois é quase só variações da matriz. A diferença de idade justificam-no e não poderia ser de outra forma. Lembra-te que ainda tu te alimentavas a tigelas de Nestum com mel e já eu tinha derretido muitas semanadas a comprar a saudosa Bizz que vinha fresquinha do Brasil e eu devorava de fio a pavio.

Mas tu foste sempre, de longe, o melhor dos alunos, ao ponto de te ter convidado para assistente e hoje partilhares comigo a reitoria deste domínio.

Uma irmandade sónica, é o que é!

Vê lá mas é se ouves o novo dos Black Angels e a colectânea de singles dos Coral que estão demais.

May the force be with you!

Vai em paz e que o som te acompanhe.

Ps: Quanto ao derbi de logo, nem vou ver. Vou estar de serviço em Espanha no Al Mossassa e como tenho receio que me dê alguma coisa ruim… até é melhor assim. Amanhã vou correr a meia maratona e não posso ter emoções fortes. Depois de tanto tempo a treinar, não quero falhar.

Mas sei que sabes que te desejo o de sempre: se puderes papar 5 na pá, que não sejam só 4.

Abração apertado!

Rui Nunes disse...

Os manos têm de postar umas bandas de cabo de aço:)
Não é só essa bandas todas arranjadinhas:)
Experimentem Airbourne...