segunda-feira, 7 de março de 2016

O meu Curso de Cristandade. O 88º.


Nota do redator: Uma vivência destas, teria de ter um  testemunho assim. Pode estar grande. Mas ainda não saiu tudo. Mas muito...


As mensagens e notificações da grande rede social entopem-me o telemóvel e o computador. Têm sido muitas as perguntas desde que me despedi quando entrei no retiro espiritual. O mergulhar nesse 88º Cursilho de Cristandade, que decorreu na Casa Diocesana de Mem Soares, nos arredores de Castelo de Vide, na passada 5ª feira, dia 25 de Fevereiro, foi toda uma experiência. Tenho aguentado o meu feedback que gostaria que tivesse sido rápido, e ainda nem sequer me dei ao trabalho de espreitar a sério as notificações. Se mergulho no calor que dali há-de certamente vir, desfaço-me e… não tenho tido tempo para isso.

Tenho passado os dias a meditar e, uma vez que a vida tem separado a minha família que não mais voltou a estar junta (texto escrito e começado na 5ª feira) (a mãe a trabalhar em Lisboa na FIL; a mais velha a estudar e a pernoitar em Portalegre, a mais nova que me quis tocar pelos avós maternos).

Este curso foi uma das maiores descobertas pessoais que tive da vida inteira. Os cursilhos nasceram em Espanha nos anos 40 em Marbella….https://pt.wikipedia.org/wiki/Cursilho.

Se renasci para a vida em 2011, pela história que já todos sabem (ou basta andarem para trás para saberem) este curso foi o verdadeiro renascimento espiritual, quando não pensava possível.

Se me tivessem dito há 5 anos atrás, antes me ter acontecido o acidente, que haveria de entrar num curso de cristandade na Mem Soares pelo meu próprio pé, eu diria que… era coisa para ser impossível. Mas essa lobotomia porquê? 
Impossível seria. Mesmo. “Mas eu fi mal a quem?”, seria o comentário mais simpático.

Para quem me conhece bem, seria assim uma coisa do género como entrar para os jeovás. Coisa mesmo fora, tipo seita, tipo a Davidiana do David Koresh, que assombrou o mundo há mais de 20 anos quando queimou o Texas todo.

Mas a verdade que digo a todos os meus leitores e leitoras habituais, sem medo nenhum ou qualquer tipo de reserva, é que fui porque… Deus assim o quis.

Senão vejamos e pensem comigo. Vai na volta, tudo é atribuído a Deus porque não acredito mesmo que existam acasos. Tudo acontece porque tem de acontecer.
É um bocado aquela versão tão portuguesa do destino, misturada com o Masterplan dos Oasis. (aqui https://www.youtube.com/watch?v=pMtD4tR8M44 numa versão dobrada no português que os brasileiros inventaram, para quem não compreenda o inglês que sei de cor.)

Não há o Deus castigador, vingador, superpolícia que tudo controla e supervisiona.

DEUS é amor. Todos nós nascemos porque um homem e uma mulher se uniram e a vida foi gerada. Podem vir um coro de críticos alegando que muitas crianças nascem de situações não de amor, mas de abuso e… eu, aí, respondo que quem quer barafustar, encontra sempre um rol sem fim de razões para isso.

Antes de ter feito o curso tinha muito medo, ou receio mesmo e vergonha até, de atribuir a Deus o papel que ele tem na minha vida. Mas isso mudou. Porque eu hoje sou um homem novo. Considero-me um cristão novo, como disse numa preleção que fiz no final do curso, no Gavião, perante o Bispo da Diocese.

Não façam juízos de valor antes do tempo. Não sejam os primeiros a me apedrejarem, como tantos fizeram com Jesus de Nazaré. Ouçam, leiam primeiro. E falem depois, caso queiram.

Não pensem os mais incautos que irei aqui explicar seja o que for da extraordinariamente bem orquestrada ação de formação a que estive submetido entre 5ª feira, 25, a domingo, 28 de Fevereiro. Nada disso farei. Até mais porque fui aconselhado, eu que sou desbocado por natureza, a, como todos os outros, ter noção dos limites que se me impunham.

Um curso deste género é uma vivência.
É como o nascimento e a morte.
Cada um tem de passar por ele por manifestar qual é a sua experiência dele.

De resto, se é que sou mesmo um fazedor de opinião, (coisa que o número de visitantes diário e semanal do meu blogue; conjugado com o número de hits do meu mural do facebook, o faz antever) o meu conselho, a todos os que quero bem e perguntam sei lá quantas vezes ao que foi e como foi, é: VAI. VAI. VAI!

Não perguntes. Inscreve-te e vai experimentar. Por certo que próximo de onde vives, existem pessoas que andam à procura de voluntários que te queiram alinhar. Prescinde de 4 dias da tua vida e vai à procura de ti, dos outros e de cristo, por esta ordem.

Não se pode dizer que seja de borla, mas… também não se pode dizer que seja caro. A quantia pelos 4 dias, alojamentos, refeições, banhos, equipas sempre a trabalharem connosco e em nós, não ascende de todo ao montante que tive de pagar na semana passada a uma psicóloga, ou a um psiquistra que procurei para me tentar resolver a questão do sono e porquê não só um cálice de vinho?; que terminou a consulta dizendo: “Em quase 10 anos de carreira que tenho num hospital da capital, você é para aí o terceiro paciente que atendo, a quem não acho falta alguma.”

Aconselho todos a quem quero bem, que são muitos, ou quase todos porque, à luz do que aprendi, todos somos irmãos, filhos do mesmo pai; que entrem nesta experiência, porque pode certamente mudar também a forma como vêem o mundo.

A minha educação sempre foi católica. A igreja e Cristo sempre andaram perto de mim, pela mão da minha mãe e tias, que frequentavam muito a igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Beirã. Cresci sentado naqueles bancos a ouvir a palavra de Deus. O ordinário da missa (que me causou imensa estranheza quando aprendi a ler e vi aquilo pela primeira vez. Mas quem será o ordinário da missa?!?!? O padre?) era  por mim sabido quase na ponta da língua de trás para a frente e de frente para trás. Eu ouvia, eu respondia quase de cor e salteado mas era uma experiência tipo a dos cães do Pavlov. Não perguntava realmente. Não questionava. Apenas comia e calava.


Depois cresci e a adolescência aproximou-me dos copos, da discoteca e das miúdas, como a todos os outros jovens. A seca de ter de acordar no domingo de manhã quando a madrugada de sábado terminava sempre a altas horas vindo d’ A Maluka, nos Fortios, já tantas vezes bem disposto demais, foi-me afastando da igreja.

Fui voltando esporadicamente à igreja porque o vínculo familiar nunca se perdeu. A oração em silêncio com uma força superior que sempre achei que certamente regulará a ordem das coisas, nunca foi perdida. A igreja da minha aldeia e a sua santa padroeira sempre estiveram no meu coração. Ali casei e batizei as minhas filhas e sempre fui um católico não daqueles beatos sempre de mãozinha no peito, mas um bastante rebelde e cheio de perguntas.

Sempre rezei mas... esta minha relação tem tido altos e baixos. Antes do acidente rezava ao deitar… já deitado. E muitas vezes, assim adormecia, sem saber muito bem se teria terminado a oração.

Depois do renascimento em 2011, assim que o pude fazer (e me consegui meter nessa posição), passei a rezar antes de dormir, de joelhos, em contato com o chão. Passei a fazer o meu exame de consciência, a analisar os bem e os menos bem do dia e a tentar limá-los. Assim procurei através da introspeção, tentar refrear este meu feitio mimado, egoísta, egocêntrico e algo, ou muito velhaco, vá! cruel, como as crianças são.

Pensava eu então que estava de bem com a vida. Pensava que tinha percebido que Deus tinha metido este acidente no meu percurso de forma que parasse e pudesse repensar a minha posição no mundo e no meu papel perante os outros. Naquela noite quente de Verão, depois de um jantar com os amigos de ensaio para uma atuação da minh’ A GRUPA, montado na Vespa que tinha decidido comprar de minha autorrecriação, de guitarra às costas e já com algum, muito combustível na cremalheira, eu era o Jim Morrisson na Venice Beach da Califórnia. O rei do mundo. Um ego inflamado e maior que o concelho, que cheguei a vice-presidir.

Deus deu-me este tropeção na linha da vida que quase terminou para mim, penso eu que para repensar tudo.

E há meses atrás, eu pensava que tinha pensado tudo. Depois do acidente, tornei-me mais sensato, mais maduro, mais comedido. Distanciei-me do álcool, substância com a qual tive uma relação não de dependência, mas esporadicamente algo abusiva e problemática. Recuperei o gosto de fumar um ou outro cigarro mas sem cair em dependência. Pensava que estava equilibrado.

Não estava, como a minha companheira, pequena de tamanho mas gigante de dimensão lá dentro, muito maior que eu, me dizia.

Como os bons dos U2, “God moves in misterious ways”. Assim,

1 - Meteu na minha vida um chefe novo que é um Homem católico, um cristão daqueles que até dá gosto, que deixa ajudar e promove a ajuda ao próximo (contribuinte) ao pé do qual me sinto em casa, quando dantes estava habituado a ouvir que naquele sítio se cobravam impostos e não era a Santa Casa (para andar a ajudar os outros).

2- Como o ponto 1 por si só não bastava, meteu no meu caminho um cão, o Sizzle, um labrador que me foi oferecido pelo Bruno Fonseca e pela Tânia Gaio, que é amado por todas as piquenas lá de casa, mãe incluída. A história é por mais conhecida dos leitores e está por aqui escrita neste blogue e no meu mural do facebook (basta andarem para trás). Mas para quem ainda não sabe, o cão, comigo, passeava em liberdade, sem a amarra da trela sempre agarrada ao pescoço. Naquela manhã, caminhava a meu lado com a Alice, tranquilamente na nova zona industrial, sem carros, quando num gesto nunca antes visto (porque se já antes o tivesse simulado, jamais teria permitido que tal pudesse acontecesse) correu para a estrada para se meter debaixo de uma carrinha Strakar que seguramente não se deslocaria apenas aos 40 km por hora, porque se assim tivesse sido, teria dado tempo para eu o ter impedido.

Consegui reparar que não tinha sido atropelado, magoado, ferido de morte. Segundo a minha impressão, apenas teria ficado debaixo da carrinha que lhe passou por cima e o assustou ao ponto de ter fugido para os montes de pedras das barrocas nas redondezas a alta velocidade. Para não mais ser visto apesar das buscas incessantes naqueles dias de chuvas pela minha mulher, pelo meu vizinho Mário Guedelha, sua esposa Rosa e por mim, que corri todas as casas e cafés, tabernas e espaços públicos das redondezas.

Durante 4 dias, o Sizzle estava morto, até para os mais otimistas. Mas Deus não quis que a alegria desta vida nova da casa tivesse desaparecido, nem quis que eu me derretesse numa culpabilização que nem a minha autocomiseração diluía. Depois de tanta água que caiu na terra e caía mesmo em cima da minha cabeça, na cama, o Sizzle apareceu junto da Pizzaria dos Brothers, a 500 metros de casa. 4 dias depois.

Quando eu ainda não sabia da alegria do regresso desse tão querido amigo, quando a angustia ainda pintava de cinza os meus dias, o Nuno, meu chefe, que já me tinha falado nos cursos de cristandade mas que eu tinha metido nume hipótese muito, muito remota; meteu-me a mão no ombro e disse-me algo como “quem em Deus confia, Deus nunca falha”.

E não falhou. Mesmo. O Sizzle reapareceu a 28 de Outubro e eu, como sou homem de palavra, aceitei de plena vontade e com o melhor agrado o convite que me tinha sido feito.

Mas marquei num dos meus calendários de secretária, esses dias, entre 25 e 28 de Fevereiro, como uma escalada ao Evereste que não me apetecia mesmo nada fazer. Foi o Nuno que me foi lá levar à Mem Soares, acompanhado de outro cursilhista, o amigo Forte, que também tinha sido convidado por ele. E eu não podia ter ido mais contrariado. Tentando sempre educado, como manda a minha educação, mas nada animado. Durante a sessão de apresentação, onde nos foram passadas as diretrizes para os dias que se seguiriam, estive para me levantar e vir embora mais que uma vez. Mas e que argumento? Que justificação teria depois?

Fui-me deixando ficar.

Ainda bem que fiquei.

As condições do lugar são absolutamente espartanas. Não falta nada, mas tampouco nada sobeja. Tem tudo o que faz falta para se viver com conforto mas q.b.. O homem aprende ali que o que tem de se desenvolver… é dentro de si.

Ali estivemos durante 3 dias, um grupo mais de 20 homens que não se conhece de lado algum mas que tem em comum o facto de ter fé em algo que nos superintende. Permanecemos sem televisão, sem rádio, sem net, com um horário que nos preencheu todos os dias com muito trabalho a fazer. Aprendemos a rezar juntos, em voz alta, com humildade.

Uns estavam mais próximos da religião, outros nem tanto, mas todos tinham em comum vontade de acreditar mais. Penso que a felicidade que lhes brilhava no olhar no final, era visível a todos.

Confesso que as primeiras orações, interjeições e frases que quase todos respondiam por saberem o que dizer, tinham como interlocutor um Pedro que quase nunca respondia numa eucaristia, num silêncio auto-comprometedor.

Claro que sei e rezo diariamente o Pai Nosso, a Avé Maria, o Ato de Contrição. Mas em tudo o resto, um pequeno guia do peregrino, repleto de tudo o que interessa e faz falta para quem quer seguir as pisadas de Cristo, foi uma ajuda imprescindível.
No curso aprendemos a relacionarmos, primeiro connosco próprios, depois com os outros e finalmente e sempre, com Cristo, nosso irmão, que morreu na cruz pelos nossos pecados; e com o Pai, com o qual podemos sempre falar porque está sempre ao nosso lado.

O curso, como eu já escrevi no facebook numa entrada antes deste texto que queira que fosse o primeiro
Mural do facebook BOM DIA MUNDO!!!!! O Pedro Sobreiro não queria regressar a este mundo virtual sem antes contar a todos a experiência verdadeiramente fantástica e rejuvenescedora que teve no passado fim de semana no Cursilho de Cristandade, na Mem Soares, em Castelo de Vide. Ali descobri o verdadeiro poder de Cristo em mim e a aprender a rezar a Deus tratando-o como pai, que me acompanha durante todo o dia. Nunca mais me senti só. Ali descobri-me a mim, a Cristo e aos outros. A minha vida e a forma de ver o mundo foi bastante alterada. Redifini prioridades e objetivos. Reajustei-me e recalibrei-me. Hoje sou um Cristão Novo, que tem a real noção da força de Deus em mim, consciente da dificuldade que irei ter de passar a mensagem aos outros, que certamente pensarão: "passou-se de vez!!! Não foi quando bateu com a marmita no acidente, foi agora! :P" Mas ser cristão, acreditar em Cristo, nosso irmão e em Deus, pai de todos nós, é um ato de enorme coragem e bravura. Há pessoas, tantos milhares de homens, mulheres e crianças que são mortos, por exemplo às mãos assassinas do autoproclamado Estado Islâmico porque renunciam dizer que não acreditam. É a esses que eu vou buscar o exemplo de força que me permitirá refazer a minha vida, com as limitações que as contingências me deram. Deus mudou a minha vida. Oxalá seja capaz de me agarrar sempre a este mastro. Com Cristo comigo, estou livre de ansiedade, sentimento de culpa, limitações ou pressões. Com Cristo, sou capaz de dizer que não a uma imperial babosa no meu Chocolate (Pastelaria Caldeira) de sorriso nos lábios, quando antes até sonhava com elas, porque a minha Fernanda Sobreiro e os médicos me pedem que não o faça. Apesar de ser só uma ou duas, e não 10 ou 15 como antes do acidente (sábado de um Sporting × Benfica era limpinho! E se ganhássemos... amanhã andava todo o dia doente.) :P Mas se é não, é não. Força, determinação, fé, esperança. E atenção que não é um não refundido, contrariado, mas um não com um sorriso nos lábios. Não, porque eu não quero e Deus não quer. Não posso revelar, nem contar o que me aconteceu. Um cursilho de cristandade é uma vivência. Como a vida e a morte. Diferente de cada um porque cada um tem a sua própria visão. Quero, com calma, tentar explanar no meu blogue, alguns episódios da minha experiência, para tentar levar Cristo aos outros de quem gosto. Hoje sinto-me um líder, porque todos os que fazem o Cursilho o são, que tentará levar aos outros a palavra de Deus. A religião não pode ser uma coisa de cotas, de "padrecos", de chatos como os Jeovás. Deus é para os espertos, para os inteligentes, para os bravos que não têm medo de se afirmar. Nasceu um Pedro novo. Pedro, o Apóstolo, como me chamava a minha querida amiga fisioterapeuta, e visionária!, Rita Barreto Cortes. Quero ser um homem ainda melhor para os outros do que era; um marido, um pai e um amigo sempre melhor. Depois do cursilho, vejo o mundo com olhos melhores. Os olhos tolerantes, de compaixão e misericórdia com que o meu chefe, que me introduziu no movimento, ama os próximos. So help me God. :D

Saber dizer que não ao álcool, saber falar com Deus de cada vez que me surge um problema que dantes me bloqueava e fazia fazer o imprevisto, são mudanças, muito proveitosas em mim que me fez ter o Cursilho de Cristandade.

Um exemplo claro e evidente? Pouco depois do acidente, eu mantive o meu anterior telemóvel, um Nokia Express Music 5800 que comprei através do contrato que a ATITEGRE, Associação dos funcionários dos impostos de Portalegre tinha com a TMN. Não era um XPTO mas era um telemóvel fixinho que dava para ouvir música, como o nome indica. Certo dia quando tinha regressado a casa, o dito cujo avariou. Bloqueou, nem pestanejava. Uma coisa que sempre me bloqueou e fazia o animal que havia em mim, eram as avarias dos gadgets tecnológicos da minha vida, sem existir uma explicação que o justificasse. A minha reação depois de o tentar reanimar sem qualquer êxito? Escavaquei-o contra as pedras da calçada da minha casa que fizeram a Cristina comentar quando eu nem sequer sabia que estava a ver…
- “Prontos, já estás descansado! Desta é que foi.”

No sábado, na minha corrida matinal, https://www.runtastic.com/en/users/pedro-sobreiro-3/sport-sessions/1166107916, como sempre, fui a ouvir o maravilhoso novo disco dos maravilhosos Deolinda e fotografando tudo o que podia, dando azo a mais um dos meus safaris fotográficos que me enchem o Google Photos de milhares de entradas por ano e constituem o mau maior arquivo online, à distância de uma password. Nem discos rígidos metidos em armários e gavetas, nem nada. Tudo online, acessível em todo mundo, no maravilhoso 3º mundo.

Aconteceu uma desgraça daquelas que dantes do cursilho me tirava do sério, me estragava o dia e os vindouros, e de todos quantos se me aproximavam. O smartphone escorregou-me das mãos quando o tirava do bolso e caiu de frente no chão, ficando com o vidro estilhaçado em centenas de cicatrizes.

Coisa não para chamar o 112, mas, para me bloquear da ponta das unhas ao mais ínfimo cabelo que não tenho. A verdade é que o meu cérebro bloqueia com qualquer uma situação desse género, e depois, eu não respondo por mim. É que são 1 metro mais 80 centímetros e 83 quilogramas e meio pesados ontem de manhã, de força bruta.
Bem tinham explicado os médicos à minha Fernanda Cristina quando ainda estava em coma induzido, que se conseguisse sair daquele sono profundo embora não definitivo, que seria uma incógnita. Poderia ser tipo vegetal, tipo os tomates e as alfaces do frigorífo; ou sairia mais ou menos parecido com o que estava, dependendo da esperança e da força de verdades supraclínicas em que se poderia acreditar. No entanto, adiantaram logo que quase que de certezinha que viria formatado com as limitações que tenho hoje em dia:

1.    Canso-me mentalmente com mais facilidade (Dantes estava a escrever no blogue até às 1h, 1.30h, ou mesmo 2h e 3h da manhã, alevantando-me no outro dia sem problemas. Agora a meia-noite… é a hora da Cinderela)

2.    Dificuldade em manter o sono profundo, reequilibrador, revigorante. Durmo à base de antidepressivos (sou da brigada TIRITICUM, Alô Ana Teresa Viegas) e tenho de meter mais uma escorva para dormir pelo menos 6 horas, que ainda não acertei bem qual é. Já andei nos naturais Valdispert, mas tenho andado à toa até o descobrir. O meu amigo Dr. José Vitorino receitou-me hoje uns novos. A ver….

3.    Continuo a bloquear quando não compreendo as coisas e as avarias tecnológicas, sacam o Neandertal que há no Sabi.   

Mas hoje sei que sou um Homem diferente. Quero ser mais pai, mais marido, mais interligado aos outros, capaz mesmo de fazer o bem a todos quanto posso, explicar e tentar minorar o mal ao mais próximo desde que o consiga.

Tenho tido imensas dificuldades ao conseguir passar esta minha nova visão para o mundo lá fora.

Mas tudo isto mudou muito a minha relação com Deus, comigo mesmo e com os outros.

Oxalá consiga agarrar-me ao mastro e continuar a navegar tranquilo, capaz de enfrentar as tantas dificuldades do dia a dia. A vida não é fácil. Mas é linda e uma bênção.


Saibamos aproveitá-la. 

1 comentário:

Gabriel Coelho disse...

que grande alegria meu irmão ao ler o teu testemunho! agora é o quarto dia e quero que continues a achar em ti e nos que te hão-de rodear as forças necessárias para atravessar os desertos do dia a dia, construindo as fontes que queremos semear em tudo e todos. um forte abraço e... De Colores!