terça-feira, 14 de maio de 2019

No comboio-expresso da vida



Bem… o assunto é sério: há músicas que… assim que as ouvimos, sentimos que têm algo especial que faz com que as queiramos adotar para a banda sonora da nossa vida. Esta, em particular, parece que tem o mundo todo, todas as relações entre as pessoas, as paisagens todas que há dentro de nós, lá dentro.

Que tenha sido escrita por uma miúda que nasceu antes deste milénio, prova, entre muitas outras coisas imediatas: que estou a ficar velho, que o tempo passa a voar, como que a genialidade é tão natural e inexplicável que nos assombra. Que uma jovem de 21 anos consiga escrever este tratado sobre a vida e as relações humanas em forma de canção, é para mim algo tão inexplicável como o virtuosismo dos solos de guitarra do Jimmy Hendrix, completamente pedrado, cheio de cavalo naquelas veias; ou o groove frenético da voz da Janis Joplin, com toda a música negra a ser exorcizada naquela garganta branca de menos de 25 anos, cheia de heroína, também; ou o shamanismo poético, rockeiro, instigador à insurreição do Rei Morrison lagarto, todo dopado para não variar.

Não creio que na carreira insipiente agora começada da Ana Vilela, feita apenas de singles, sem um ainda longa duração, consiga estar ao nível da estreia. Mas um feito, é um feito. E este marco já não mais me largará.


AnaVilela - Trem-Bala
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Não é sobre ter todas pessoas do mundo p'ra si,                                  
É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti,
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz,
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós,
É saber se sentir infinito,
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar…
Então, fazer valer a pena cada verso,
Daquele poema sobre acreditar.

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu,
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu,
É sobre ser abrigo, e também ter morada em outros corações,
E assim ter amigos contigo em todas as situações,
A gente não pode ter tudo,
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos,
E os presentes que a vida trouxe pra perto de mim.

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar,
E sim sobre cada momento sorriso a se compartilhar,
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais,
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás.

Segura teu filho no colo,
Sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui.
Que a vida é trem-bala, parceiro,
E a gente é só passageiro prestes a partir.

Segura teu filho no colo,
Sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui.
Que a vida é trem-bala, parceiro,
E a gente é só passageiro prestes a partir.



Bem, eu até compreendia e era capaz de aceitar se isto tivesse sido escrito por um monge no Tibete, que tivesse vivido largos anos sozinho no alto de um monte, e fizesse largas sessões diárias de yoga seguido de extensas terapias de hipnose. Agora, assim?!?!?

Há lá forma mais bonita de se definir o que é viver, que dizer:
“Abraça o teu filho quando ainda é bebé,
Sorri e abraça os teus pais porque, pela ordem da vida, partirão antes de ti, e ainda estão cá,
Porque a vida é um foguetão, do qual somos passageiros,
Prestes a partir…”

Ou, sobre o que é verdadeiramente importante, que:
“Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar,
Mas sim sobre cada momento sorriso a se compartilhar…”

Ou sobre a forma contra-relógio como gerimos as nossas vidas que:
“Também não é sobre correr contra o tempo p'ra ter sempre mais,
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás.”

Ou sobre a forma desenfreada como nos atropelamos na competição das nossas vidas, que:
“Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu,
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu.”

Sobre o segredo do amor, de dar, e saber receber:
“É sobre ser abrigo, e também ter morada em outros corações,
E assim ter amigos contigo em todas as situações”

Sobre o, na verdade, não sermos donos de nada, e as pessoas serem o mais importante desta nossa vida:
“A gente não pode ter tudo,
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos,
E os presentes que a vida trouxe pra perto de mim.”

Sobre Deus, "Não é sobre ter todas pessoas do mundo p'ra si,                                  

É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti..."


Há canções e canções, e esta, fica. Porque de entre as eleitas, há algumas que batem tão forte, que não nos largam mais.

Façam como eu, e fiquem de olho na miúda. Era sorte a mais se fosse um golpe único. Há muito sentido aqui.

Da próxima vez que passar no rádio, na tv, ou na net… absorvam.

É um tratado! Belíssimo, o vídeo.. 

Eu ouço isto de phones nos ouvidos, pc no colo, e só me dá vontade de chorar. Se eu fosse capaz… era capaz de me fazer bem.

Está lá tudo!

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