segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Páginas mágicas




Nas leituras partilhadas, iniciativa integrada na Feira do Livro de Marvão, diversos leitores do concelho e não só, são, tal como o nome indica, convidados a partilhar um texto ou um excerto de um livro com a assistência.

Embora seja na sua essência um conceito simples, resulta sempre de forma emocionante e causa em mim enorme impacto.

Agora que as tardes são menores, as noites maiores e a temperatura arrefece, é preciso algum esforço e uma certa tenacidade para fugir ao conforto do lar. Quem alinhou não se sentiu certamente defraudado.

Há em todo este processo, uma vibração, um espírito à “Clube dos Poetas Mortos” que torna tudo tão especial.

A sala estava bastante composta, o que convém e estimula, e pode assistir a de tudo um pouco: houve testemunhos corajosos, sinceros e muito dignos; homenagens sentidas a quem já partiu; textos de carácter humorístico; filosofia de ponta; pensamentos diversos e até composições e episódios da nossa terra lidos pelos próprios autores.

É claro que estando ali, qualquer um se rói por fazer uma perninha (e há tanto sempre para partilhar, de facto…) mas sendo já um participante repetente que na perspectiva de coordenador insiste sempre em sangue novo, tive de me resignar como modesto espectador. E que bom que foi só mesmo assim…

Sendo filho de leitores apologistas de uma visão romântica da literatura, já me considero mais filho do audiovisual e franco defensor das plataformas multimédia. Ainda para mais hoje em dia, com o tempo que tenho disponível, os livros são para mim um luxo que raramente se encontra acessível. Quem é que não gosta de num recanto sossegado e confortável, com algumas horas disponíveis, abrir as páginas, cheirar o papel e mergulhar de cabeça no imaginário de alguém? Na certeza de que não se pode chegar a tudo o que se quer, há que fazer opções e podendo estas não ser as melhores, serão certamente as possíveis.

A psicanalista com quem trabalhei impressionou-me ao dizer que a palavra é o que nos salva. Pela palavra libertamo-nos, quebramos barreiras, limpamos o que vai por dentro, exorcizamos e crescemos. Há palavras que apaixonam e palavras que nos emocionam.

As leituras partilhadas são feitas disso também e ao assim serem, fazem mais pelo prazer da leitura do que muita propaganda de terceira linha que anda por aí. Cara, mal concebida e inócua.

Será que da próxima vez teremos novos públicos e mais leitores?

2 comentários:

mulher do Dai disse...

A leitura permiti-nos "VIAJAR" para onde nos apetece, evadir-nos dos problemas e sonhar. Por muito que a tecnologia avance, não pode substituir nunca o cheiro a papel e a disponibilidade que um livro nos aporta. É pena serem tão caros, pena a falta de tempo dos que têm os dias peenchidos, por isto parabéns por estas iniciativas, qu são convívio e ainda por cima ajudam os mais pequeninos a descobrir mundos de emoção partilhada.É por aí o caminho...

Catarina disse...

:)
vamos esperar que sim!
vamos fazer por isso!