domingo, 2 de novembro de 2008

No fio da navalha






Comprei-o no primeiríssimo dia em que foi lançado em dvd.

Esteve meses à minha espera na prateleira, desafiando-me, num namoro quase diário de cada vez que lhe metia os olhos em cima…

Houve sempre outras coisas que fazer, até hoje… finalmente.

E como são momentos da mais pura felicidade, estes, quando meto os auscultadores, carrego no play, me desligo de tudo à volta e mergulho de cabeça neste universo onírico do cinema.

Desta vez, um dos meus realizadores favoritos (Tim Burton), um dos meus actores de eleição (Johnny Depp), a Inglaterra cinzenta e lúgubre do século XIX e mais uma obra-prima absoluta: Sweeney Todd.

Ninguém filma como este homem que pinta cada cena como se fosse um magnífico quadro, ninguém mais consegue criar um mundo assim tão belo quanto negro e irreal, ninguém mais representa assim… Aqui, tudo é perfeito: da banda sonora aos cenários, do guarda-roupa à gestão da narrativa…

O musical que conta a história do barbeiro de Fleet Street, caído em desgraça por ciúme e inveja, que regressa dos confins do mundo para se vingar dos seus carrascos, é um dos mais populares de sempre. Nenhuma outra versão, porém, foi tão violenta, tão dramática e tão brutalmente sangrenta (quase “gore”) quanto esta. São litros e litros de um sangue espesso e vermelho-vivo a jorrarem das gargantas victorianas dos lordes da época, cujas carcaças são magistralmente aproveitadas como matéria-prima para as melhores empadas de Londres.

O genial universo burtoniano está todo aqui, em duas horas de pura magia cinéfila. O que eu gostei mais foi de tudo, mas a cena final, cristalizada numa “pietá” trágica que cruza o destino e o amor às portas do inferno, é digna de figurar nas mais belas da história desta grandiosa arte a que chamaram de sétima (sendo que para mim, há-de ser sempre a primeira, por congregar todas as outras!).

O que eu dava para ver este homem rodar o “meu” Peter Pan de sonho…

Pode ser que lá para Hollywood ouçam as minhas preces…

1 comentário:

maria disse...

Muito Bom!
Gostei desta "critica" prestigiando o bom cinema

maria