sábado, 18 de abril de 2009

Acerca do lançamento da revista cultural Ibn-Maruan


No próximo domingo...

E que me mereceu a seguinte informação apresentada na última reunião de câmara, no dia 15 de Abril.

"Fazendo uma retrospectiva da forma como decorreu este longo e duro mandato, olhando para os seis meses que restam até ao final do mesmo, poderia qualquer um mais incauto ser levado a pensar que já pouco ou nada o poderia espantar.

Pensava eu que a peculiar forma de gestão dos destinos do município, a singular evolução das relações pessoais entre o executivo e as constantes surpresas / desfeitas já me tinham preparado para tudo.

Mas eis que não param de me surpreender.

Percebi que estava errado quando há dias tomei conhecimento por um cartaz afixado na porta de entrada do edifício da Câmara Municipal que iria ser lançado um novo número especial... da revista cultural… do concelho… do qual sou Vereador da Cultura.

Sendo eu uma pessoa naturalmente bem disposta e de bem com a vida, poderia tentar discernir alguma graça no inusitado da situação mas vejo-me obrigado a confessar publicamente a minha falta de habilidade para tal.

Não deixa de ser duro, algo vil e até ultrajante, para alguém como eu, que tem desempenhado o cargo de responsável pela Cultura sempre no limite do seu esforço, capacidades e responsabilidade, ser informado desta forma humilhante de um acto tão nobre e de tamanha importância como é a publicação de um novo marco na produção bibliográfica com raiz marvanense.

Parece incrível, mas acaba por ser sintomático, que esta obra cultural não tenha passado pelas mãos do responsável pela área antes de entrar em produção, que o mesmo não tenha tido conhecimento prévio da data de lançamento ou sequer sido ouvido sobre a oportunidade da mesma.

Assim sendo, na eventualidade e previsibilidade de que tal possa acontecer, renuncio publica e oficialmente qualquer menção que possa ser feita ao meu nome na referida obra pelos motivos óbvios que aqui enuncio.

No entanto, porque a Cultura e Marvão haverão sempre de estar acima destas meras questões dos homens, faço questão de honrar o convite que me foi entregue para o lançamento da nova obra e marcarei óbvia presença, quanto mais não seja, por a mesma ser sempre, no meu entender, um motivo de regozijo para o titular da pasta por delegação de competências.

Para que conste e fique em acta.


Marvão, 15 de Abril de 2009

O Vice-Presidente,




(Pedro Alexandre Ereio Lopes Sobreio)"

13 comentários:

Pousadas disse...

Sem comentários meu tarequinho!! Massudo no seu melhor!!! Abraço Amigo!

Pescada disse...

É por essas e por outras parecidas que tens te regressar ás finanças. Esses rapazolas não merecem o teu esforço.
Só é pena porque quem perde é Marvão...
Um forte abraço

zira disse...

Sabes o que falta terem? "estaleca". Um termo muito beirão que significa... educação de berço, boa formação humana e em francês de cultura geral "savoir faire". Sabes como diria Dai que foi sempre integro, honesto amigo do amigo e lutador por ideais? DEIXA-OS POUSAR... Quero ir e vou para observar...

rosaria disse...

Pedro!
Tou triste! como é possivel ainda existirem situações destas... mostra que és superior...
Tu não precisas deles... mas Marvão precisa de ti!
força, os teus verdadeiros amigos estão contigo.

Gi caldeira disse...

Eu, tal como tu, pensei que já nada me surpreenderia... afinal ainda há quem o faça, pena que seja pela negativa.Deixo aqui o meu apreço pela forma como consegues ultrapassar todas as barreiras. É só uma lição de vida.

ISABEL TERESA disse...

Na minha Beira é costume dizer, nunca o invejoso medrou nem com quem ele andou. Deixa brincar as "criançinhas aos policias e ladrões", porque todos sabemos que o policia és tu, e esse mérito não te o tiram. Gostei de tua atitude, e não esperava outra, as pegas fazem-se de frente e cabeça erguida, o outro é que a baixa, mas neste caso enterrou-a... bolas nem para isso serve.

Pedro Sobreiro disse...

Abraço a todos e bem hajam pela força.

Estive lá hoje no lançamento.

Por muito forte e duro que um seja... há sempre coisas que doem muito e batem fundo.

Mas eu, que tenho como máxima de vida o “tentar tirar sempre o melhor, mesmo das coisas verdadeiramente más que me acontecem”, sei que irei sair ainda mais forte de todo este processo.

A maldade, o cinismo, a ganância… são forças poderosas com as quais temos de saber bem lidar quando lhe queremos ser imunes.

Firme e hirto!

Eu sei que por muito pobre que seja um pobre, certo estará que não há pobreza mais pobre que a de espírito.

A vocês, a todos os que se manifestaram noutros blogues e aos tantos que o fizeram pessoalmente ou por via telefone / sms, o meu muito obrigado.

Vale muito isso para mim.

Acreditem.

nuno mota disse...

as acções ficam sempre com quem as faz! A dignidade ou não dos actos que se praticam são sempre da responsabilidade do seu autor ! Sem comentários !!! Força, Pedro ! Aprende mais e tira as ilacções que entenderes tirar, pois certamente colherás ensinamentos, pois por vezes das coisas negativas vêem sempre as melhores lições !! Um abraço do tamanho do Mundo !!!!

Quim Carita disse...

As palavras não são minhas...
Troca a Princesa por Príncipe...
O Teu orgulho ninguém te o rouba...

" O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são tudos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!"

in "Versos de orgulho" Florbela Espanca

Forte abraço.

João Bugalhão disse...

Palavras…
Para quê as palavras? Quando os olhares tudo dizem!

Como eu te compreendo. E por isso nada preciso dizer-te…

Também te não darei palmadinhas nas costas! E muito menos em outros lados…
Ouve as palavras sábias de tua mãe, quando sita a sabedoria de um homem:
“… se podes olhar, vê. Se podes ver..., repara”

Também não te sensibilizes demasiado com as palavras.
pois como nos disse Exupery: “… elas são uma fonte de mal entendidos”.

Mas olha para dentro de ti e repara onde falhaste.
Se aí não encontrares a resposta, vai em frente
Que a vida não é só feita de sucessos…

jbuga



Cântico Negro, de José Régio

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou -


- Sei que não vou por aí!

Felizardo Cartoon disse...

O poder por vezes, é como uma árvore moribunda, com muitas bifurcações . Para sobreviver tem que prescindir dos rebentos mais tenros e puros para que os outros, há muito tempo instalados e habituados a absorver o grosso da seiva possam perdurar ; ainda assim, tanto as árvores como o poder, não são como os diamantes :

" ... are not forever" .

Robson Lima disse...

Confesso que não entendi... Ou pelo menos me recuso a sequer tentar entender. Como pode o responsável pela cultura de um município não ser convidado a participar na produção de uma obra literária, que só traz engrandecimento para a cultura municipal? A ainda por cima ficar sabendo por acaso do lançamento da referida obra? A que ponto os homens chegaram!

Pedro Sobreiro disse...

Estimados amigos, como sabem, não tenho por hábito escrever acerca dos vossos comentários. Felizmente, na sua grande maioria, são simpáticos e amistosos e eu não faria outra coisa do que estar constantemente a agradecer, o que se tornaria redundante.

Mas faço questão de vos dizer que os recebo de imediato na minha caixa de correio assim que são colocados on line, e os leio, a TODOS, com muitíssima atenção e de fio a pavio.

O blogue não faria sentido se não fosse lido. Eu não acredito nos artistas que dizem que trabalham só para si. Quem produz há-de estar sempre à espera do outro. E vocês são tantos e tão bons…

Não costumo comentar mas desta vez não resisto a fazê-lo duplamente. A quantidade e sobretudo, a qualidade dos textos a isso me obrigam.

Sortudo de mim que apesar de tudo, tenho amigos que com esta erudição e esta qualidade literária me fazem perceber que há vida para além de tudo isto.

Dos mais recentes, um bem haja ao Nuno (agora distante mas sempre presente), ao meu querido Quinito (belíssimo o poema… fazes-me cá falta, pá!), ao Buga (custa-me tanto aceitar o tão certo que estavas sempre. Este Régio é genial!), ao Hermínio (poderosa a alegoria…) e ao Robson (tão longe mas sempre tão atento e tão perto do coração).

Apetece-me meter os braços pelo monitor adentro e abraçar-vos um a um.

Assim seja.

Um beijo fraterno (que isto merece mais do que um abraço)