sexta-feira, 19 de julho de 2013

O diário de bordo do capitão Robinson Crusoe

Vivi estes últimos 11 dias de férias como um autêntico Robinson Crusoe dos tempos modernos (clicar na palavra para saber mais quem foi). Sem ver notícias, sem ler jornais, sem ter internet. Fiz uma cura de desintoxicação total. Só não fui capaz de deixar o telemóvel porque era a minha ligação ao mundo exterior, à família dos amigos e mesmo assim tive boicotes. Digamos que a bem dizer, fui um agarrado a limpar-se do mundo moderno com umas linhas de coca (o telele) no bolso. Pelo menos tentei!


Mas ter um Adrian Mole (que sempre adorava seguir), um Alf do século XXI, um E.T. sem conseguir telefonar para casa como ele queria, não é fácil.





Tinha muitas saudades deste mundo. Deste meu mundo. E entretanto, que se passou neste período de vacances?


1.    No país, está tudo igual. Perdi a novela de Portugal como perdi o Dancing Days da SIC que adoro seguir e ficou tudo na mesma. O nosso presidente da república pediu uma junta de salvação nacional para nos tirar da cova mas ganhou o mesmo. Neste naufrágio português, os partidos querem todos agarrar-se bem à bóia e o parceiro do lado que engula muita água e se afogue o mais depressa possível. Tomara que os salva-vidas estejam a fazer greve ou a meter creme nas costas de uma morenaça. Diz que o PR foi para as ilhas selvagens apanhar ar e ver se se abstrai. Eu cá acho que ele esteve lá, nessas ilhas selvagens desde sempre. Pelo menos, desde que foi primeiro-ministro! Quando aplicou os dinheiros da Europa enviados para indemnizar os funcionários que iriam ficar sem emprego com a queda das fronteiras em auto-estradas em vez de lhes dar o destino previsto criando novos empregos. Como foi o caso dos meus pais que sabiam que com a unificação da Europa iriam ficar desempregados como ficaram. Estranho este homem que chefia o Estado Português mas também ganhou com as acções do Banco Português de Negócios, a maior negociata da nossa história, capaz de envergonhar o Alves dos Reis! Ou quando incentivou as pessoas para “comprarem anos” para se reformarem mais cedo, ou os agricultores para abandonarem os campos, pagando-lhes para não produzir. O que vale é que vivemos em liberdade e eu não sou o Sousa Tavares para ter de responder em tribunal pelo que digo. É que toda a gente sabe que eu digo SEMPRE a verdade! Pode ser apenas a minha verdade. Mas sei que é válida.


2.    Em Marvão está tudo igual. Mansinho, beijinho aqui, beijinho ali, palmadinhas nos ombros de quem não se cumprimentou nos meses anteriores, tudo como se quer. Abriu há dias uma rua direta ao meu bairro da avenida Dr. Manuel Magro Machado que deveria logo ter sido inaugurada quando o bairro foi feito. O meu é um bairro novo, cheio de famílias que compraram terreno e construíram com o dinheiro que não tinham e pediram emprestado. Apesar disso, tiveram de entrar por uma ruela de pré-fabricados que está cheio de pessoas boas e não me sinto nada superior em relação a eles. Atenção! Mas o nosso investimento atual merecia uma entrada condigna. É que os pré-fabricados foram logo na altura, baratíssimos. Já eram reles em termos de construção. Pré-fabricados. O nome indica tudo. Muitos têm vindo a ser melhorados mas falemos claro e sejamos honestos: eles compraram barato mau material. Nós construímos muito, muito caro e ainda assim, ficamos limitados a entrar pela lateral deles. Faz sentido? É que eu às vezes sou um bocadinho possidónio e não percebo logo as coisas. Ajudem-me…


A inauguração da rua deve ser bem próxima das eleições. Porque será??!?  Será que as pessoas de Marvão ainda acreditam na história da carochinha? O futuro a Deus pertence. Sei que mudar não é fácil. Mas uma estrutura do Partido Socialista coerente, poderosa, unida, forte que tem muitos nomes jovens e muito fortes que comece a fazer campanha séria e evidente no dia a seguir as eleições (isto se não as ganhar já), tem quase a certeza de atingir o sucesso daqui a 4 anos. Deixar sucessão nunca foi do interesse de quem lá está. O egoísmo e o medo da própria sombra nunca deixou ver para além do umbigo. Mais quatro anos, com trabalho e fé, já deixam antever o fim do filme. Os mitos rurais também se derrubam. Oxalá. Nós também eramos um grupo de miúdos e demos a volta à coisa. Quando quase ninguém dava nada por nós!


Por aqui há gentes simples. Mas também há gente complexa. Inteligente. Que pensa e ajuda e quer mudar.


3.    Na minha casa tem havido muitas transformações nestes últimos dias. Nós semos labregos, coitadinhos. A gente nunca sai daqui. Maneira que a gente vai e leva os euros que junta durante o ano e compra alguma coisa. Umas bolas de Berlim, uns pastéis de nata com canela, umas frutinhas de amêndoa, muitas roupinhas (todas baratinhas de 5 aerius e pouco mais), chinelos do continente a 1, 99€ que fazem o mesmo das havaianas que custam 20 vezes mais (mesmo assim ainda caíram umas!), almofadinhas e cortinados e molduras para casa e muita coisa nova e barata para dar muita alegria à gente.


Por cá, graças a Deus, tudo bem. Ainda não tenho tido tempo para fazer as reportagens no blogue que quero mas tenho passado o dia a trabalhar, no duro (hoje foi a garagem duma ponta à outra e material que por lá havia!) e só ao fim do dia quando já todas dormem, tenho tempo de internetar. Faz falta à minha vida. Dá muita alegria. Durmam bem. Muitos beijinhos.


Amanhã é dia de picina! Ui pi pi! As pequenas ficam a trabalhar (uma vai para o infantário para matar saudades dos amigos, a outra fica de serviço em casa) e eu vou com a grande, a Leonor que já leva um palmo à mãe, tranquilos para a Portagem. Ela merece.




Recebeu hoje as notas da escola e teve oito 5, um 4 (a música) e apenas um 3 a matemática que lhe impede de ir para o quadro de honra da escola. A merda da matemática! A quem é que ela sairá assim tão burra a números?!?!? Não faço a mínima. Por mais que pense…


Mesmo assim, acho que pode ser eleita a melhor aluna da escola do ano dela e receber um prémio da Junta de freguesia em livros. Orgulho. O que hoje lhe tentei explicar foi o orgulho imenso que tenho nela.



E se ganhar a cena da Junta, pode ser que o meu amigo Zé Luís, o presidente em funções, me pague uma imperialzinha no Caldeira como pagou ontem. À nossa, nosso presidente! Sempre seu. Sempre de acordo menos na bola…

2 comentários:

ines trigueiro disse...

Nunca se diz burro/a para um filho, muito menos para a sua k é boa em tudo, mas essa palavra, talvez por isso é que ela não consiga lá chagar.

Helena Barreta disse...

Parabéns à Leonor pelos excelentes resultados escolares e aos pais, sim, porque, para mim, o mérito dos filhos passa muito pelo acompanhamento e educação que os pais lhes dão.

Boas férias, bom fim de semana.

Um abraço