terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sons das canículas

Quando eu era assim mais puto, mais jovem vá, eu e o meu pessoal amigo só ouvíamos os sons que vinham das ilhas britânicas. Já falei de alguns aqui há dias. Depois as gerações seguintes, dos putos que chegaram cá (a este mundo) a seguir, viraram-se para os Estados Unidos, para Seattle e o fenómeno grunge, encabeçado pelos Nirvana e Pearl Jam.

Por cá só consumíamos de peito e ouvidos abertos os Mão Morta e os Pop dell'arte. Os GNR eram muito pop e os Xutos já tinham ficado no 9º ano, no ciclo.

A malta parece que tinha vergonha do que era português. 

Mas os tempos mudaram e ouve uma revolução silenciosa que virou tudo do avesso. Génios como os de David Fonseca ou Tiago Bettencourt que glorificam tudo onde tocam eram impossíveis de existir no meu tempo de jovem.

Um mergulho sonoro que sabe sempre bem neste tempo de calor, agora baralhado pelas canículas:


Projeto que junta dois dos mais bem sucedidos fenómenos pop de Portugal: os Virgem Suta e os Pinto Ferreira. A música é deliciosa e cada palavra parece encaixar num som delicioso que se conhece ao primeiro acorde.

Video Os azeitonas – "Ray-Dee-O" aqui

O azeite destas azeitonas nem sempre é do melhor. Desta vez é de qualidade superior mas colaram-se logo à ideia de vídeo com palavras como os anteriores que já não é novidade desde que o Prince se lembrou de mostrar ao mundo um sinal dos tempos. 

Mas o Miguel Araújo é muito bom e tabela a coisa por cima. Querem ver como coloca a sua classe ao serviço dos outros, num original seu gravado em disco próprio?



Há dias ouvi este fado  que se segue no P.R.I.M.O. (Programa Realmente Incrível Mas Obtuso) dos grandes Vasco Palmeirim e Nuno Markl e fiquei maravilhado. É um fado absolutamente delicioso. Não ouvi a apresentação e tive de ir descobrir quem era. Afinal era o Zambujo que já juntei em Marvão com os Azeitonas quando era vereador da cultura, numas festas de Nossa Senhora da Estrela. Era uma questão de ir ver da foto do cartaz nos meus arquivos multimédia…



Tempo para o B Fachada que fui ver de propósito no CAEP há uns anos atrás. Rapaz que é um caso raro de talento e humildade. Comovente…


Agora, o génio de Variações revisto pelos novos tempos e apenas uma guitarra e uma voz desarmante mas singela.



Segue-se um dueto incrível, por ser tão simples e tão belo… Márcia e João Paulo Simões, aqui.

Para terminar, um grande Abrunhosa que tem tanto de mau cantor (só fala! Canto melhor que ele…) como de grandioso compositor.

Isto já tinha sido evidente aqui...



E agora, em 2013, comprova-se…



Tempos bons para se viver…

4 comentários:

João, disse...

Bom gosto. Este é o meu amigo Pedro! Uma só crítica: Ias gastando a pólvora toda, a partir daqui, vais ter que lançar mão de TNT. Abraço, e venham os "caniculares"...

zira disse...

Concordo consigo. Este é o meu Pedro, numa análise acutilante, sensivel e de cultura musical.Gostei.MESMO.

zira disse...
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Helena Barreta disse...

Ouve-se aqui boa música, que bom.

Um abraço