terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Porque é que não nascem mais portugueses?


Um jingle promocional do programa “Prós e Contras” da RTP1 tem mostrado com insistência o nosso Presidente da República a perguntar: “o que é que é preciso fazer para que nasçam mais portugueses?”.

Eu estava na sala a meter pilhas nos brinquedos que recebeu nos anos.

A mãe perguntou-lhe na cozinha: “Porque é que achas que não nascem mais portugueses, Leonor?”.

Ela respondeu, lacónica, no segundo seguinte: “olha, se calhar é para os pais não terem que os aturar!”.

Qualquer dia, juro que lhe faço um casting caseiro e mando a fita para o Gato Fedorento Júnior.

Era capaz de se safar…

14 comentários:

Garraio disse...

AHahahAAHAHaHaHa...

A Nô Nô é demais...

Luís Bugalhão disse...

pois pedro. as crianças desarmam.
não acho que seja caso para 'os gatos'. acho é que é isso que os putos interiorizam desde mt cedo. por mais atenção (daquela a sério, que só os pais sabem dar) que lhes dermos, a partir dos 4/5 anos eles têm que repartir o amor que sentem por nós com outros... assuntos. tv, jogos, amizades no infantário/escola, zangas com as amizades, vergonhas que passam (a moral dos infantes é complicadíssima, e tem sido objecto de numerosos estudos pós-piagetianos), etc, etc. ou seja começam a ganhar asas! e ainda bem.
só que, hoje em dia, sec XXI, a coisa ainda é mais complicada. e é mais complicada porque o que temos que fazer (transmitido à saciedade e com razão pelas mentes mais esclarecidas) é foder (como dizia o outro), MAS SEM FAZER FILHOS.

e este é que é o nosso problema, e do cavaco tb. nós queremos coisar muito e ter poucos filhos mas com os nossos genes. tudo nos diz que essa é a tendência natural e outras tretas parecidas. mas será que ainda faz sentido ter filhos só nossos? e muitos, como querem os neo-liberais, sequiosos de descontos?

somos o cancro do planeta, os humanos. estragamos e continuamos a estragar tudo em nosso redor, até pq precisamos dar uma vida digna aos 'nossos' filhos, não é? mas fazêmo-lo por egoísmo. se alguém fala em adopção como alternativa aos tratamentos para a infertilidade (que vão da simples punheta, aos duríssimos choques hormonais para as gajas), começam logo, paradoxalmente, a falar de egoísmo: o que queres é escolher um filho, o que é natural é fazeres os teus, e se não consegues é a vontade de deus, etc e tretas.

ora se isso é assim, como pode agora vir o salazarinho dos anos '90 perguntar o que é preciso para que os tugas se reproduzam como coelhos? então a malta agora tem que fazer filhos com o objectivo de manter o portugalinho branco e puro? ou é para que eles nos paguem a reforma? seja como for, é eticamente condenável: não se devem fazer filhos com objectivos tão prosaicos, porra. devem fazer-se em função da felicidade que lhes podemos dar, pensando em perpetuar a nossa maneira de estar no mundo, mas com o intuito de ter filhos. apenas.

se o emprego é precário, se os hospitais são todos lá longe, se agora o emprego mina todo o tempo que tenho, se ainda agora estou a fazer o doutoramento, tudo isso são razões mais que legítimas para adiar o nascimento de um filho. chama-lhe egoísmo se quiseres, mas é o que eu penso.

por outro lado, o que não falta no mundo são filhos à procura de pais. quem dera que parássemos todos de fazer filhos para que o protocolo de quioto fosse viável. quem dera que não pensássemos que os homens e mulheres deste planeta têm que ter os filhos que deus quer, que os deuses vários querem. quem dera que quiséssemos filhos para amarmos, em vez de ser para nos pagarem as reformas.

podes dizer que eu falo de cátedra pq já tenho duas filhas. tudo bem. mas se não tivesse tido possibilidade de as ter, adoptaria um menino ou menina e siga, que iria ser tão bugalhão como eu. ou tão louro como a minha maria emília...

por isso os putos começam logo a ver (ainda que fora de casa) que são um peso, que queremo-los não por aquilo que são, por aquilo que vão evoluindo/sendo, mas pq vemos neles uns 'nós' pequeninos, que a gente vai educar mt bem para serem como nós, mas em melhor. e como esponjas que são, absorvem todos os 'events' da vida com a moral que (ainda não) têm, e disparam destas.

esperemos que eles sejam mais que 'a luz dos nossos olhos'. esperemos que eles transformem esta nossa sociedadezita de cavacos em algo muito mais abrangente e modesto, respeitando o que o Moby diz quando canta que 'we are all made of stars'. sendo que assim estariam muito mais perto de Deus (agora com letra grande, pq é do Deus de Espinosa que falo). só depende de nós mostrar às 'nossas nô-nôs' que as queremos muito, mas que o mundo que lhes deixamos é só uma maneira de fugirmos às responsabilidades que temos, pela merda que lhes vamos deixar. e prepará-las para o que hão-de ter que penar para lavar a sujidade que lhes deixamos em casa, na casa que será só delas, que a malta entretanto bate a bota.

quanto às dúvidas do tó-tó de belém, ele que vá c'os porcos. nem vi o prós e prós (coisa que costumo fazer, pois é das tralhas mais artificiais e mais tendenciosas que conheço na tv, e estou a falar do que conheço nos bastidores dum programa governado com mãos de ferro pela senhora doutora professora arquitecta engenheira e nossa senhora (tb) fátima). ele que faça filhos, pois ganha bem para os sustentar...

já viste o preço das vacinas contra uma das estirpes do papiloma vírus? ou és cm o bugalhão sénior que acha que temos que ponderar mt bem se é disso que a gente precisa... eu tb acho que temos que ponderar, mas é como vamos fazer para enviar os cavacos, e as fátimas e os correias de campos (mais as suas ponderações) para a santa que os pariu.

quanto à pergunta do taralhoco de boliqueime, ele que pergunte aos portugueses 'o que é que temos que fazer para diminuir o desemprego?'. ou estou a ser demasiado crú.

acabo agora, subscrevendo o comentário do garraio: a tua pequena deve ser rija, deve. ainda temos que juntar as famílias dos marchantes, canalha incluída, só para vermos cm andamos todos ao mesmo: a felicidade. a nossa e a das nossas e nossos nô-nôs. e bem podes ter a certeza que, a acontecer, será um dia duro de aturar...

abraço

Bonito disse...

Óh amigo Luís… calma! Cuidado com o coração…

Agora, desanuviastes mesmo!!!

Grande (bom) comentário!


E não é que o nosso Benfica hoje nos deu uma grande alegria!!! O tasqueiro, que tanta frustração debitou, aqui, no sábado… após tanto sofrimento… deve estar, agora, (como nós), radiante a comemorar com uma bela e fresquinha SAGRES ZERO.

Concordo contigo sobre aquela da omoleta. De facto, o Benfica não tem banco…

E gosto do espanhol. Até pode não perceber muito de estratégia, táctica, etc, mas é do tipo “Filipão”, sabe comandar, tem mística, transmite garra (não fosse ele espanhol) enfim… é um líder. E isso é o mais importante para levar equipas ao sucesso.

Viva o Benfica. Sempre vamos em romaria à catedral, passando por Setúbal, com tudo a que temos direito…

Haja saúde!!!!

Grande Abraço
Bonito Dias

John The Revelator disse...

Antes de terminar a leitura do post, já esperava uma resposta genial... mas mais uma vez a minha sobrinha (e afilhada) superou as expectativas. Demais...

Garraio disse...

Ó Pedro, anda cá a correr, pá!!!
Tens que por aqui uma bolinha, porque este blog "CONTÉM LINGUAGEM QUE PODE FERIR A SENSIBILIDADE DOS LEITORES MAIS SENSÍVEIS"

Pedro... Já puseste a bolinha???

Pronto, já estou mais aliviado....

Mas não me vou embora sem dizer uma coisita mais a sério.

Não conhecia o Luis pessoalmente antes da I cruzada da Tasca do Ti Sabi. Foi muito fácil perceber que é um gajo com os tomates no sítio. (já puseste a bolinha, não já?)

A prová-lo, este COMENTARIOZÃO que aqui pendurou, sublime, a vários níveis. Há determinados sentires lá das profundezas do ser, que raramente conseguimos trazer à tona. E por aqui, hoje conseguiu-se.

De aqui do alto de Marvão, vai pró Luis um grande abraço.

Luís Bugalhão disse...

olá convivas da tasca, boas tardes.

antes de mais obrigado ao bonito, ao john the revelator (foi um dos que gostaria de conhecer tb, aquando da marcha dos cágados. fica para uma próxima) e ao garraio pelas palavras abonatórias ao meu desabafo. é bom ser sincero, falar com o tal 'coração' (termo que todos reconhecem como válido para o que fazemos com o corpo todo quando nos emocionamos, e por isso o uso aqui, apesar de...) e sentir que os pares o entenderam, que se reconhecem de algum modo no que se escreveu. estou mm todo contente por vos ter conhecido (sem coisas modernas cor-de-rosa, ou arco.íris,ok?)!

de qq modo, e a propósito de cor-de-rosa, ontem ganhámos pela 1ª vez com as camisolitas rosinha. e ganhámos bem. não que tenhamos feito grande jogo (os ucranianos tb não fizeram, por isso chegou), mas pq correu mm bem. aos 3' o quim safou o jogo. o árbitro deu uma abébia aos 16', perdoando o pénalti cometido pelo nelsinho. depois o 1º golo é à cardozo, mas é uma prenda de natal antecipado. finalmente o 2º golo, mm sendo um cruzamento a régua e esquadro, é fruto de outra falha do meio-campo do xaktar...

ou seja, ontem tudo correu bem, logo, hoje acabam-se os críticos até... vamos lá a ver... à Académica para a taça. e lembram-se da 'brilhante' vitória por 3-1 na noite do passeio transfronteiriço?

enfim, para agradar ao pedro, o zé toño camacho lá pôs o di maria, e para me agradar a mim lá deixou a 'amélia' a passar frio no banco. assim mexeu na equipa (e não falo da inclusão do nelson pq ela é óbvia, volta l. filipe, para o sporting, estás perdoado) e ganhou novamente o estatuto de intocável que os lampiões, de um modo geral, lhe atribuem. mas não foi (não é) líquido que 'temos equipa'. todos queremos que assim seja, mas querer não é poder neste caso (como de resto não é, em quase tudo na vida).

toda esta treta para dizer que ontem tive que engolir em seco (e ainda bem, estou contente de ter que o fazer), pois a minha prvisão era que viríamos de lá com o saco cheio, a ver a europa por um canudo. já pus a corda ao pescoço, qual egas moniz em frente ao rei d. afonso, e reconheço:

EU NÃO SEI MAIS QUE UM TREINADOR DO BENFICA!

prontos já disse. e agora siga, que a europa ainda há-de ser nossa.

abraço e obrigado companheiros da tasca

victor disse...

Um jingle promocional do programa “Prós e Contras” da RTP1 tem mostrado com insistência o nosso Presidente da República a perguntar: “o que é que é preciso fazer para que nasçam mais portugueses?” , O Pedro , o que temos que fazer é evitar isto, segundo refere um portugues de reconhecido prestigio:
Os povos são foleiros, por definição. É mesmo isso que é ser povo: é partilhar com um grande número de pessoas várias foleirices definidoras. Mas as maiores foleiradas não são aquelas mesmo típicas, como o grande bigode com cheiro a vinho tinto, a camisa aberta com o pelum a sair e uma crucifixo de ouro perdido no matagal.
Essas são demasiado óbvias. As melhores foleiradas são aquelas cujos prevaricadores ignoram como tal. Como estas oito, com grau de foleirice cientificamente testado e aplicado numa escala de 0 a 10:
1 - Fita do senhor do Bonfim
É muito difícil levar a sério um gajo com uma carreira profissional estabelecida, um lugar estável numa grande empresa, uma posição de poder e responsabilidade sobre um grupo razoável de pessoas que anda com uma fitinha de tecido atada ao pulso, com um ar gasto e coçado.
Diz o folclore que se deve dar três nós na fitinha e pedir três desejos que serão satisfeitos quando o tecido se desgastar e a fitinha cair por si. Lérias, evidentemente. Nada demonstra mais tacanhez mental do que ser supersticioso e andar com uma fitinha destas só pode ser superstição, porque se é pelo valor estético, então a coisa piora dez vezes.
Grau de foleirice: 6 se o utilizador for mulher, 8 se for homem.
2 - Telemóvel à cintura
Ora aqui está um clássico intemporal! Quem nunca ouviu dizer: “Jovem, se és construtor civil e gostas de aventura, usa o telemóvel à cintura!”, o meu amigo Fernando diz isso a toda a hora e ele sabe do que fala porque passa o dia com construtores civis.
Mas se todos esperamos que os construtores civis sejam tipos foleiros (a pulseira de 12kg de ouro maciço a balouçar no pulso, dependurado da janela do Mercedes), o que dizer de homens de negócio, no seu melhor fato Hugo Boss, que, quando o seu Motorola Razr vibra, o sacam de uma pochette de cabedal que está pendurada no seu cinto de pele de crocodilo?
A pochette para o telemóvel é o coldre do yuppie e ninguém consegue usar uma e ter o mínimo de aspecto cool.
Grau de foleirice: 7 se for homem; 10 se for mulher (acho que nunca vi nenhuma, felizmente)
3 - Bolsinha de cintura ao pescoço
Há muito tempo que os homens se debatem com o problema de carregar os seus pertences. Problema que as mulheres resolveram há muito com toda a espécie de malas, malinhas, sacos e pochettes. Mas homem que é homem, tem uma verdadeira luta interna no que toca a recolher os seus itens essenciais num contentor adequado à sua masculinidade.
E foi assim que surgiram algumas das malas mais foleiras da história, a famosa paneleirota já não circula muito por aí, portanto fica ausente desta lista. Também conhecida como “malinha das pixas”, é uma malinha com uma tira de couro para andar pendurada no pulso.
Mas a grande substituta desta magnífica forma de transporte de objectos, é a pochette de cintura, a malinha-banana, a fanny-pack. Se uma bolsinha de cintura já é um pouco (muito?) foleirota, o que dizer de andar com uma pendurada ao pescoço?
O mais foleiro desta atitude é que vem de uma clara incapacidade de certos homens simplesmente comprarem ou uma mochila ou uma mala de tiracolo e pronto. Como acham ambas essas opções demasiado maricas, optam por uma bolsa mais pequena, com um ar geralmente mais desportivo e depois usam-na ao pescoço como se fosse um pequeno mamífero a quem acabaram de partir o pescoço.
É portanto, um símbolo másculo de carregar a caçada de volta para a toca. Absolutamente patético. E mais patético ainda é ver miúdas a fazer precisamente o mesmo.
Grau de foleirice: 7 tanto para homens como para mulheres.
4 - Auricular bluetooth completamente fora de contexto
Um auricular bluetooth é um item razoavelmente prático. Embora continue a ser perigoso conduzir e falar ao telefone, porque o que causa maior perigo é a distracção de ir a conversar e não necessariamente ir com um telefone na mão, a coisa é talvez melhor com um auricular. Não sei, é discutível.
O que não é discutível é que andar com um auricular bluetooth colocado na orelha durante todo o dia, em qualquer lugar é do mais foleiro que há. Este é um daqueles típicos actos do homem moderno, evoluído e techno-savy. Pelo menos na sua imaginação.
Esta é uma pessoa tão importante e ocupada, que tem que ir para o hipermercado com o auricular bluetooth colocado na orelha direita, não vá o Director Geral dos Assuntos Internacionais de Qualidade ligar-lhe sobre um tema da mais urgente importância.
É, evidentemente, o acto de um pelintra desesperado por atenção e carregadinho de auto-importância. A coisa é tanto piorada quanto menos se vê tipos destes efectivamente a falar ao seu auricular. Limitam-se a arrastar os putos pela secção de jogos de consolas da Fnac com a sua estúpida luzinha azul a piscar desesperada, qual truta a espadanar no fundo de um balde.
Grau de foleirice: 8 para homens, 10 para mulheres (mais uma vez, não me lembro de ter visto nenhuma nesta figura).
5 - Tatuagens fatelas
As tatuagens eram coisas de gajos beras: marinheiros de má onda, prisioneiros de longa data, motoqueiros com hálito a cadáver.
Aos poucos, as tatuagens passaram para o mainstream e qualquer pita ranhosa de 14 anos já tem um ass-target tatuado no fundo das costas. Depois admiram-se…
As tatuagens costumavam ter significado: um gajo, por muito bera que fosse, não se tatuava com uma bowie a atravessar um coração e uma caveira, tudo enrolado por uma serpente, se isso não significasse que tinha morto a própria mãe, por amor de uma mulher, que mais tarde o enganou tornando-o um alcoólico amargurado.
Hoje em dia, umas têm significado e as outras são meramente decorativas e, na generalidade, completamente idiotas, já para não dizer mal desenhadas. Há poucas coisas mais foleiras do que o gajo de vinte e poucos anos que anda a encher no ginásio e vai a meio de uma “tribal” (embora ele, no fundo, não faça sequer ideia do que é uma tribo, quanto mais quais as tradições das várias populações que ainda vivem neste tipo de sociedade), grotescamente desproporcionada e bastante tosca, como se desenhada por um anão zarolho com parkinson.
Gostava de ver esse jovem daqui a dez anos a tentar arranjar emprego.
A rainha das tatuagens fatelas são as letras chinesas que dizem “adoro ser vergastado na cara por pilas do tamanho de Range Rovers”, mas que o dono está convencido que diz “paz, amor, harmonia e feng shui”. Moças com ass-targets estão na mesma categoria. Se gostam de apanhar no rabo (não há nada de errado com isso, desde que todos sejamos adultos e coniventes no acto), então por favor tatuem: “gosto de sodomia”; não é preciso estar com rodeios.
Se têm alguma coisa de marcante a dizer, por favor pensem bem no assunto e tatuem-se de acordo. Se gostam de se enfeitar, nada de errado: escolham um motivo que vos agrade e disponham-no na vossa pele. Agora, por favor, se não têm a quarta classe, limitem-se a kalkitos do bollycao.
Grau de foleirice: 6 a 8 para homens, conforme o nível de horripilância do desenho; 9 se forem letras chinesas que nem sequer compreendem; 8 para mulheres com ass-targets e/ou qualquer coisa com Golfinhos.
6 - Camisas coloridas com colarinhos brancos; também: cor de rosa integrado num fato
Eu não sei o que passa pela cabeça destes homens que vestem fato com uma camisa cujos punhos e colarinhos são brancos, ao contrário do resto da camisa que é azul, verde ou… pior ainda: cor de rosa.
Não sei quem teve a ideia de fabricar camisas assim, nem qual o objectivo, mas por muito que pense no assunto, não vejo qualquer razão lógica para desenhar uma peça de vestuário tão absolutamente foleira.
Seja qual for a tua cara, se vestires uma camisa azul com colarinhos e punhos brancos, ficas imediatamente com cara de cú à paisana. É imediato e irreversível.
E a foleirada é mesmo adequada ao espírito deste artigo, porque quanto mais macho man do mundo dos negócios, mais vemos destas camisas. Quanto mais alto o nível de vida, mais cara e feia a camisa. Esta não é uma foleirice de taxista ou camionista: essas são honestas! Esta é tão mais foleira quanto a arrogância e bullshitismo abundam no utilizador (vide mister P. Portas).
Dentro desta categoria está o uso do cor de rosa num fato de homem. Se o fato for todo cor de rosa, se o homem se chamar George Michael e se estiver na altura a ganhar milhares de dólares a actuar ao vivo, tudo ok (desde que a camisa seja preta e a gravata também rosa), mas se o fato é um Brooks Brothers sóbrio e clássico, o cor de rosa não faz lá falta nenhuma: nem um fato cinzento com gravata rosa, nem um fato preto com camisa rosa, nem um fato de tweed com camisa rosa de punhos brancos e gravata vermelha.
Se usam fato, aguentem-se à bronca e deixem-se de passarinhisses: é foleiro.
Grau de foleirice: Esta é só para os meninos: 8.
7 - Pulseirinhas de borracha de apoio a causas nobres
Esta está quase ao nível da fitinha do Bonfim, mas é pior. Sabem o que dizem estas pulseirinhas sobre quem as usa?
“Eu apoio o chinês que fabrica estas pulseirinhas”.
Se apoiam alguma causa, tudo muito bem: dêem-lhes dinheiro ou géneros; não comprem, por favor, uma pulseirinha de plástico. Isto é tão ou mais foleiro que as fitinhas que se usavam há uns anos atrás, ao peito, em que chegava a ser mais significativo andar de fitinha vermelha do que, efectivamente, usar preservativo.
Porque é que acham que o mundo precisa de saber se são contra o cancro da mama (haverá alguém a favor do cancro de seja o que for?). Não me parece que uma pulseira de plástico vá motivar os outros a dedicarem-se a uma qualquer causa. Querem ajudar? Dêem-se como voluntários.
Grau de foleirice: para quem efectivamente apoia a causa: 7; para quem nem sequer sabe o que fazer para ajudar: 10.
8 - Gordos de roupa apertada, magricelas de roupas largas
Ser gordo é, em 90% dos casos, uma questão de escolha. Não me venham com as merdas das glândulas, porque acho que ainda não há nenhum Häagen Dazs glandular.
Cada um é como quer e como se sente bem. Se não se sentem bem gordos párem de comer!
Agora que isto ficou esclarecido, só uma nota: há poucas coisas mais foleiras que uma gorducha anafada de calças à pirata e saltos-altos, com as banhas a pender pela cintura descaída e o ass-target (ver acima), a ondular com cada passo.
Amem o vosso corpo, mas por favor, vistam qualquer coisa do vosso número! Ou bem que se aceitam tal como são, ou bem que estão a dar uma grande tanga a toda a gente quando dizem isso.
E o que dizer dessa maravilha que é o gajo que pesa 42 kg. e anda com umas calças 3 números acima, pelo meio das nádegas? Por favor, alguém compre umas calcinhas a estes rapazes! O que vos leva a crer que alguém está interessado em ver as nódoas suspeitas das vossas cuecas?
Não sei o que é pior: cú gordo a transbordar de calças feitas para adolescentes magrinhas ou peida de gajo completamente de fora de uns jeans obtusamente descaídos.
É que nada disto é fashion. É, simplesmente, foleiro!
Grau de foleirice: para andar com o cú de fora, é bom que sejam Vida Guerra, tirando ela, 10 para todos.
E pronto, eram para ser dez coisas, mas não tenho tempo. Espero ter contribuido positivamente para a evolução da nossa sociedade como, aliás, já é meu hábito
Boas Festas.

Luís Bugalhão disse...

ó vitor, tudo bem, mas não podes dizer alguma coisa de tua autoria? e quem é o autor, de reconhecido prestígio, do texto, de resto a circular na net há séculos?

não é para provocar. é para te ouvêr mm.

abraço

Clarimundo Lança disse...

Porque não nascem mais portugueses?
Pergunta fácil, mas de difícil resposta?
Resposta mais fácil não há, senão atentemos….
-Referendo a favor do Aborto. Ganhou o SIM.
- Criação de Hospitais para a sua execução.
-Encerramento de Maternidades.
Ou seja há dinheiro para a morte e não existe para o nascimento.
Abonos de família que não dão para um pacote de fraldas, mas as ajudas de custo dos políticos é como sabemos.
Não há dinheiro para o desporto nas escolas, mas esturrasse milhões em salas de Chuto e droga nas prisões.
Salario mínimo nacional o mais baixo da UE, etc , etc ,etc

victor disse...

Oh Luis não te ofendas, parece-me que a ironia do meu comentario ( copia literal de um texto , que como todo o mundo sabe e bem referes está a circular na net há séculos ) ,passa dificilmente a ser entendido numa caixa de comentários de blog, e dentro do labels humor ,enfim, não pretendia ser ofensivo como a tua resposta aos meus comentários parece denunciar
Peço te desculpa pelo meu vocabulario descuidado, nao te ofendas pelas minhas palabras e lamento se ficaste de qualquer forma ofendido.

Um grande abraço

Pedro Sobreiro disse...

Nada disso, Victor. Percebo a tua posição mas pelo que conheço do Luís, a ideia dele nunca foi intimidar-te mas sim pedir que te reveles mais. Embora os comentários transcritos sejam belos e importantes, a tua própria visão das coisas, que é o que todos nós gostamos verdadeiramente de saber, será sempre mais valiosa. Grande abraço e aparece sempre!

Luís Bugalhão disse...

e é isso mm caros pedro e victor.

não precisas pedir desculpa por nada, victor. ao invés, eu é q peço desculpa por ter usado termos tão... secos. é a minha maneira, por vezes, de dizer as coisas, como de resto podes ver em comentários anteriores.

obrigado 'ti sabi por teres vindo a terreiro, pondo água na fervura. para isso serve o dono da tasca, também: para evitar que os clientes se peguem.

mudando de assunto, sei que não morres de amor pela música portuguesa, mas tenho que te dizer que no domingo passado assisti, senão ao melhor, a um dos melhores concertos de rock n'roll da minha vida: Xutos no campo pequeno. não assisti mtas vezes a produções desta dimensão em Portugal, e lá fora, só talvez os u2 em madrid. uma ideia simples, e quase evidente, tendo em conta que se comemoravam os 20 anos do 'circo de feras', foi burilada para, qual supernova, explodir num espectáculo de luz e cor, de novo circo e som, como, repito-o, raramente se viu cá pelo burgo. foi pena não teres vindo, e digo isto pq se tivesses estado presente, já terias postado alguma coisa aqui na tasca.

abraço

ps. e o cardozo!? cum catano!!

Pedro Sobreiro disse...

Ah meu caríssimo, nem sabes a sorte que tens por teres podido assistir a esse fenómeno. “O Circo de Feras” é tão só e apenas um dos discos da minha vida que me remete de imediato para a minha adolescência. Esse disco para mim é muita liberdade, muita juventude, muito liceu. Ouvi-o até à exaustão. Conheço cada acorde, cada riff, cada batida, cada palavra e cada grito de liberdade que encerra em si. Grande disco e grandes Xutos os de então, explodindo em toda a sua genialidade que já vinha sendo desenhada desde o “78/82” e sobretudo desde o “Cerco”.

Há discos assim, que fazem parte da banda sonora da minha vida. Outro caso é o “Viva Hate” do Morrissey. Apesar de ser ultra-fã dos Smiths, ao ponto de coleccionar todos os seus discos, é no entanto neste primeiro registo a solo que me revejo mais. Ouvir um acorde que seja deste disco transporta-me num segundo para a minha viagem de finalistas do 9º ano, ao Porto. Basta um cheirinho para me ver ali outra vez, com 15 anitos e o meu walkman Saba derretendo pilhas à velocidade da luz. Abençoada cassete aquela e abençoado Morrisey que tanto me ajudou a crescer.

Quanto aos Xutos, digo-te que tenho a maior das penas por não ter estado aí contigo. Deve ter sido memorável. E já que falas nisso, acho que estou a ficar cota. Porque penso assim, “ir a Lisboa são 2 horas e meia para lá, mais 2 horas e meia para cá, mais 50 euros para gasolina, mais 20 euros para o bilhete, mais 30 euros para pastagem, mais 20 euros para bujecas (Zero!), mais… muita coisa, e a mulher está a trabalhar e eu estou com a pequena e acaba por ser tanta coisa que ficas em terra”.

E foi assim que falhei os Arcade Fire. E os Interpol. E os Bloc Party e…

Restam-me os discos.

E agora só por causa disso, vou meter o cd no carro e há-de andar a rodar à saúde dessa rapaziada e à tua também!

Carga pronta! Contentores cheios! Ready to Rock!

Luís Bugalhão disse...

bom pedro, eu tb perdi os arcade. quanto aos outros dois, 'tive lá no superbeck (o zé pedro arranjou umas pulseiras vip, ou seja, concerto de borla e comes e bebes à pala enquanto se convive c'os artistas. do melhor) e afundaram (mais a bloc party, que os interpol andam mt agarrados à joy division e quejandos. prefiro de longe os she wants revenge, são mais bauhaus) aquela zona entre o trancão e o tejo!

e eu tb tenho sempre reservas dessas qd se trata de pagar para ir ver concertos longe da capital. compreendo que n tenhas 'podido' vir: até eu para ir aí para o nosso passeio precisei de meter o requerimento com semanas de antecedência (lá em casa) e alterar uma agenda que tinha de tudo para esse fds, desde idas a madrid até uma conferência do pcp. mas, dessa marcante vez, consegui ir. o q interessa é que não é por estarmos velhos. é por estarmos mais selectivos. para além de, no meu caso, haver certas vantagens para quem vive nos subúrbios da cidade mais bonita do mundo. posso sempre ficar por cá, pq as coisas acontecem. o evento anterior tinha sido 'a doninha' no atlântico, que tb arrasou com uma grande produção...

mas é por isso mm que me soube tão bem ver que aqueles 5 srs comendadores ainda estão aí para as curvas. por isso e por ter ido às lágrimas com o arranjo do tema 'circo de feras' (muito sinth, muito sample em cima da linha de percussão que identifica o tema, nada de vozes, e toca a rufar para cima, com 'brigas' de varapaus e tudo), ao qual se seguiu o 'sai p'rá rua', da fase punk (ou da fase prematuramente madura, como preferires). por outro lado, a ideia do circo é uma coisa mais que batida no r'a'roll (até os ena pá 2000 o fizeram há uns bons 15 anos), mas mm assim os gajos 'tiveram bem. como? cm em tudo na vida: muito papel. e bem investido (fernando júdice como 'director musical' pex).

de modos que a coisa resultou mt bem, mm tendo em conta que os x&p até podem só fazer que tocam, que eu gosto na mm. estão ao nível do benfas, do alfredo marceneiro, da revolução de abril, da nossa bandeira... são um ícone português.

concluo dizendo que me enganei qt às tuas (não) preferências em relação à música portuguesa. era estranho, mas aquela do bugas andar a querer mostrar-te o palma e o r. leão tipo surpresa é que me levou a uma conclusão precipitada...

ou seja, 'tá boa a cavaqueira na tasca.

abraço