quinta-feira, 6 de março de 2008

Morrer na praia…


Hoje dei comigo a vibrar com o Porto.

Hoje dei por mim a torcer pelo Porto,

A gritar um golo de raiva quando o Lisandro (fabuloso Lisandro!!) fuzilou a baliza alemã.

Hoje sofri com o Porto e lamentei a sua eliminação da Champions.

Hoje mandei uma mensagem de consolação para os telemóveis dos meus amigos do Porto.

Hoje fiz as pazes com o Porto, rompendo a zanga que com ele tinha desde a final do Madger.

Hoje fui do Porto.

Hoje fui português.

Amanhã vou-me confessar.

4 comentários:

Garraio disse...

Foi a 23 de Maio de 1990. Tinha o man 26 anitos, era solteirinho e bom rapaz e estava a trabalhar na obra de saneamento da Costa do Estoril, cujo estaleiro se montara ali na Ribeira das Vinhas, mesmo detrás do mercado de Cascais.

Há 18 anos atrás, ganhava mais do dobro do que ganho hoje aqui na CM, o que me proporcionava uma vida “deveras” difícil: borga até às seis da manhã, chegar a casa, vomitar, banho, e ala pró trabalhito que se faz tarde. Tempos duros, aqueles.

No dia 23 de Maio as coisas não correram como era normal. Saí às 6 da tarde e fui ao Jumbo, ali ao pé da estação da CP, comprei 12 médias sagres, 250 grs de fiambre, seis carcaças e um pacote de manteiga primor. Apanhei o autocarro prá Torre, onde morava numa vivenda compartida com outro pessoal da obra, que não conhecia, porque trabalhávamos em turnos e ainda não coincidira lá com ninguém.

Quando cheguei a casa, fui à cozinha, meti as bjecas no frigo, fiz as minhas sandes abanquei na sala e estacionei no sofá preparado para fazer uma coisa que nunca fizera na vida: ver a Final da Taça dos Campeões sozinho. Sem ninguém para falar, para discutir, para lamentar, para gritar.

Ainda por cima era o Benfica – Milan.

A coisa não correu bem, como é sabido. Rykaard, Gullit e Van Basten eram “muita areia” pra nós. Com a emoção disparada pelo efeito das 12 médias que foram caindo, uma a uma, para apagar as mágoas do jogo, da solidão e da tristeza, as lágrimas bateram à porta, mas o efeito do álcool acabou por me adormecer no sofá.

Só acordei horas mais tarde, com dor de cabeça e mau sabor de boca. Na televisão, transmitia-se a festa que alguns filhos da puta tinham feito essa noite na Avenida dos Aliados, com fogo de artifício incluído. Celebravam a derrota do Benfica.

A partir desse dia, nem patriotismos nem merdas. O inimigo está bem é sem pescoço, como dizia o velho Malcato.

Ontem, foi uma noite feliz. Futebolisticamente falando, claro.

Luís Bugalhão disse...

e eu cm de costume, nestas coisas sou sempre pelos portugueses. tive que celebrar a vitória do clube em que joga aquele brasuca que fala... português. não gosto de equipas alemãs, mas contra os morcões até torceria pelo sporting. foi uma alegria ontem. ganharam, deram pontos ao fute tuga e foram c'os porcos! nem a super bock p'ra totós é tão perfeita quanto a jornada tripeira d'ontem. inda por cima foi o caceteiro bruno alves a falhar, o tal do número mítico no fcp. e logo a seguir o melhor marcador do nosso campeonato! foi linder!

bem os ajudou o árbitro, pois se assim não fosse o helton tinha ido tomar banho e levavam logo uma na bufa... mas assim deu mais pau.

viva o SLB! GLOROSO SLB!

abraços a todos os tasqueiros.

John The Revelator disse...

Estranho.... a mim aconteceu-me o mesmo. Mas no final do jogo lembrei-me dos árbitros comprados, dos campeonatos roubados, etc. E passou num segundo aquela vontade que tinha de o Porto ter continuado na Champions. "Hoje fui português."?!?! Ser português é puxar pela selecção...(cada vez mais brasileira para minha infelicidade)

Pedro Sobreiro disse...

Jovens,

Estou a ver que sou muita naif e muita bonzinho, **da-se! Que os meninos destilam ódio.

É bem, prontos, reconheço. Já tomei outra injecção.

Garraio, esta tua prosa é da poética. Magníficas linhas, meu amigo.

Marinheiro, o que é que se passa contigo, ó companheiro! Temos saudades, pá! Quanto à reacção, de ti não seria de esperar outra coisa. Grande abraço.

Júnior, my man, meu lagarto arraçado, tu sim que não tens melhoras. Deus queira que papes cá dois na pá e mames obra!

Beijinhos que tenho ali umas fatias douradas ao lume.

Somos quatro. Vai uma suecada?