terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Aspirações


Quis o destino que em três dias me cruzasse com as duas profissões que eu mais gostava de ter, diferentes mas iguais no amor pelas palavras: jornalista e escritor.

Na sexta e no sábado acompanho os homens da SIC e da RTP que nos visitam a propósito das “Comidas d’Azeite”, em cartaz nos restaurantes aderentes do concelho até ao final do mês. Dá jeito ser da mesma escola e compreender melhor que ninguém a ajuda de ter um vereador disponível e às ordens, funcionando como cicerone de todo um concelho, estabelecendo contactos e abrindo as portas, proporcionando assim total disponibilidade para se dedicarem em exclusivo ao processo informativo.

Ajudo no que posso mas não consigo esconder o frémito de emoção ao assistir de lado ao filme no qual gostaria de ser protagonista. Os micros e as câmaras, as luzes e os diálogos, os sorrisos e as confidências… tudo aquilo tem toque de Midas no bailado mediático da informação. As tantas perguntas que eu gostava de fazer.

No domingo leio num jornal atrasado, notícias sobre o José Luís Peixoto, em vias de se tornar do mundo inteiro ao entrar no mercado editorial americano pela mão dos grandes e pela porta maior. Quero tanto que lhe corra bem, porque mais afinidades, é quase impossível:

É da minha idade. É alentejano. É de uma pequena aldeia. Perdeu o pai cedo demais. Adora ler e saber e criar mundos imaginários que gosta de habitar. È fã de música digamos que pouco convencional. Também era adepto do Professor Pardal e queria ser cientista por causa dele, enfim…

Descubro que agora, ainda por cima, começou a correr (como eu!), quase sempre de noite (igual!), cronometrando treinos (sim!), definindo rotas e percursos semanais que cumpre escrupulosamente (como eu!), sentindo-se mais livre apesar do sacrifício (não há dúvida! És mesmo cá dos meus!).

Maneiras que fico mesmo feliz de ver como um conterrâneo meu, de aqui tão pertinho, das Galveias, consegue conquistar o mundo pelo poder da palavra. È bom e é prova evidente de que pode ser possível.

Apesar do sucesso, o Zé Luís trava agora as mais duras batalhas para provar nessa Liga de Campeões que está lá por direito próprio, dono e senhor de uma escrita que se reinventa, se amplia, evolui e afirma.

Eu cá gostava de ser como o Hugo e como o Zé Luís. Mas também gostava de ser professor primário e actor e muitas outras coisas entre as quais ser como sou e fazer o que faço.

Agora que penso nisso, lembrei-me que quando era pequeno pensava que ia ser imortal e esse era o grande segredo que teria de guardar até ser descoberto pelo resto da humanidade.

Na verdade, acho que não crescemos assim tanto quanto pensamos.

6 comentários:

Garraio disse...

E se, quando deixares esta actividade sazonal de ser vereador, nos escrevesses uns livritos, queres apostar que se vendiam?

Ganhar corridas ao Zé das Galveias é secundário. A malta quer é escrita de colidade. Se calhar até eu voltava a ler como há 35 anos ago...

Rui Nunes disse...

Viva Pedro!

Vê se o podes levar a Marvão numa futura apresentação de novas obras do compatriota Zé!
É um bacano 5*!
Se precisares do contacto dele, diz qualquer coisa...

Abraço

Rui Nunes

Catarina disse...

peço desculpa por me estar a meter, mas o convite até já foi feito, e ele (ao contrário de muitos outros) até respondeu e tudo. Na altura estava com compromissos marcados no estrangeiro. Tenta-se outra vez mais para a frente, pois está claro!

Marilia Rosado Carrilho disse...

yliaSó posso dizer que estou muito feliz pois é o meu escritor de eleição. O Fernando Pessoa também, mas esse já o é de muita gente e quando muita gente é igual enjoou-me e apetece-se ser diferente :)

Assim, eu voto no zé luis que está vivo, é alentejano e um rapaz novo e foi professor (profissão que na boca do mundinho portugês ou é um miserável ou um rico ocioso) e pode ser a prova de que este país não é só de gente louca, onde habitam e mandam sinistras e sinistros.

abraço,

M.

Marilia Rosado Carrilho disse...

errata: "enjoou-me" leia-se "enjoo-me". e no inicio do comentario estão letras a mais. sorry.

Marilia Rosado Carrilho disse...

errata: e portugês tb está mal escrito. desculpem... falta de atenção e pressa. Não tenho podido vir aqui tão frequentemente como desejaria e quando venho é a fugir.

um abraço.

ps: Luís Bugalhão, virá aí o livro "Gaveta de Papeis" do escritor. Mais um. Oxalá goste tanto como gostou do Cal.

M