terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A rainha do blush


Assisto ao “Prós e Contras” na RTP1 sobre a reforma da educação e dou por mim a perguntar-me se a Ministra terá fugido do Museu de Cera da Madame Tussauds.

Só encontro uma explicação plausível para o make-up que a senhora ostenta perante as câmaras: a responsável pela maquilhagem tem de ser professora em part-time, sindicalista ou casada com um membro da classe.

A diferença de tom entre a palidez das mãos e dos pulsos e o rubor das bochechas gera apostas entre os telespectadores que afirmam ser o próprio Sócrates quem está por detrás da caraça, a argumentar e gesticular.

Isto está a ficar bom, está!

A tua sorte, José, é que no próximo domingo é a Matança do Porco da minha freguesia e eu a esta não falto por nada. Se o dia não estivesse tão preenchido, eu sei quem é que estava capaz de fazer quase 500 quilómetros (contando a ida e volta) só para te dar uma rabeta na travessia do Tejo em atletismo.

Ando deserto de ta pregar!

PS: Mas como diz o povo, “há mais dias que chouriços!”. Espera pela demora…

3 comentários:

Garraio disse...

Às segundas, também costumo jantar essa treta dos prós e contras. Fantochada pura, na esmagadora maioria das vezes. A fulana não vale nada, tem o nariz empinado e gosta que a tratem por doutora. Puta que pariu esta merda!!!

Não sei se é da minha vista, mas a drª.( que é mais míope que eu!!) tem convidados vip e outros que nem por isso, sendo que os vip são os que estão ligados ao poder. Puta que pariu esta merda!!!

Esta noite vesti-me de espanhol. Como vocês sabem, eu gosto muito do meu fato de espanhol. Tanto ou mais que do meu outro fato, o de português. E como já disse hoje, não sei onde, o que é sodido com f é um gajo ser espanhol em Portugal e portuga em Espanha.

Em abono da verdade, se não tivesse vindo dar a última (volta) aqui à casita do Sabi, nem me teria lembrado do prós e contras.

É que hoje, houve banquete ao Jantar. Debate Zapatero – Rajoy. Coisa de homens. Coisa de políticos. Cá não há disto.

Começa a deprimir-me falar de política nacional, porque estamos claramente metidos num poço do qual não conseguimos sair sozinhos. Vamos esperar por um milagre, não sabemos bem qual, mas um milagre, precisa-se.

No entanto, logo ali a seguir às Castelhanas, local onde se construirá uma ponte no futuro (sempre que haja homens com boa vontade), a coisa é tão, tão diferente!!!

Desde o período da transição democrática, Espanha sempre contou com grandes lideres:

Suarez – pessoa tremendamente sensata que, em conjunto com D. Juan Carlos, figura unificadora do Estado-Espanha, conseguiu cimentar os pilares da democracia espanhola;

González – o grande Felipe, dá o empurrão prá frente a toda a Espanha, defendendo e obrigando a respeitar os direitos do trabalhadores, os direitos sociais dos cidadãos, a saúde, etc.

Aznar – Quando a direita ou a esquerda governam durante um longo período é preciso mudar. Para contrabalançar e manter o equilíbrio entre os agentes sociais. Aí aparece o José Mari dos Bigodes, reforma as lei reguladoras da relação jurídica do emprego, o que injecta confiança no tecido empresarial que retira o dinheiro investido na banca e o emprega na criação de empresas sobretudo, pequenas e médias empresas. O PIB dispara de uma maneira impressionante.

Zapatero – A excessiva rigidez dos políticos leva-os muitas vezes, a enterrar a cabeça na areia e não reconhecer os próprios erros. Foi o que aconteceu ao PP de Aznar. O Prestige, a guerra do Irak, já tinham desgastado muito o governo espanhol. O atentado do 11-M foi a gota que não coube no copo da paciência de nuestros hermanos. Aí entra Zapa, un gajo moderno, com ideias bem prá frente, e que, sem ser grande espingarda a nível político, gera uma enorme simpatia na sociedade do país vizinho.

No debate desta noite, Zapa ganhou claramente. Não precisei de ver os resultados das sondagens para o saber, o que coloca o PSOE numa posição invejável para governar durante mais quatro anos.

Aí, o líder do PP vai demitir, mas já está na forja outro peso pesado, Ruiz Gallardón, actual alcalde de Madrid, um homem chamado a dirigir os destinos políticos da vizinha Espanha. Quando? O tempo o dirá... mas vocês não apostem nada contra, porque perdem.

Ah, isto tudo para dizer, que hoje pensei que, se calhar, o 1 de Dezembro de 1640 foi um erro e nós não nos apercebemos.

Pedro Sobreiro disse...

Isto pode ser uma taberna, que é! E das mais reles! Ruim, mas com muito nível e a prova mais que evidente está aqui às claras!

Elementar, meu caro Garraio! Não são todos os blogues que podem contar no seu elenco com um analista político do teu calibre, capaz de deixar o próprio Rebelo de Sousa de "boca à banda".

Genial prosa, meu amigo, ainda por cima, com a dificuldade acrescida de ser sobre "foreign affairs".

Uma visão cristalina e acutilante que certamente gerará cobiça a muitos palradores de Madrid.

E olé!

Só por causa disso, mesmo agora ali vou fazer umas "punhetas" de bacalhau com muita vinagreta e abrir uma garrafinha do branco da última colheita do João Abelho que dizem que está de ir às lágrimas.

Esta é por conta da casa!

Cheers!

victor disse...

O Garraio , o 1 de Dezembro de 1640 não foi um erro, Portugal é um país antigo, com muita história e sobretudo com uma alma própria. Acho que isto tudo é um factor de riqueza cultural, que ainda assim pouco conhecido.

Os problemas de Portugal não são de índole politica, são outros bem mais estruturantes e intrínsecos que correspondem ao nível de educação das gerações antigas, do nível de educação actual, do Sistema Nacional de Saúde, do valor médio de ordenado nacional, da condição financeira das famílias portuguesas,etc… entre muitos outros.


Nunca um espanhol desejará ser outra coisa senão espanhol (excepto vascos, catalães , galegos , valencianos ,etc..). É essa uma das razões porque os portugueses preferem ser espanhóis. É que um dos grandes problemas de Portugal é, precisamente, ter muitos portugueses que não querem ser portugueses. Preferem ser, por exemplo, espanhóis. Ora, não vejo razão mais substancial para desejar ser parte integrante de Espanha do que a de começar a pensar como os espanhóis. Não para transformarse nuns porcos nacionalistas, mas para passar a agir em consonância com a devoção que a vossa pátria merece.

Deliciei-me com o post e com os comentários e deixo aqui um fragmento de um poema de Wenceslau de Moraes...que daria para muita conversa agradável: "Por vezes, meus filhos, o melhor da pátria/é estarmos longe dela, para melhor a podermos/amar e odiar, para melhor nos esquecermos dela/enquanto a lembramos e desejamos."