segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um banho de… classe!


Apesar de desfalcado de alguns titulares preciosos e indiscutíveis (Pablito Aimar, Fábio Coentrão, Angel Di Maria…), foi um Benfica guerreiro, de luxo e com estofo de campeão, o que brilhou nesta noite fria da Catedral frente a um Porto que foi incapaz de explanar o seu futebol, totalmente asfixiado pelo mérito do anfitrião.

Foi preciso muito suor, muita garra e muita dedicação para conseguir levar a também muita água que caiu na capital ao nosso moinho e poder arrecadar os 3 valiosos pontos que estavam em jogo. Custou mas foi!

E já nem vamos falar no penálti claríssimo que foi perdoado ao rapaz que foi para o Porto para poder ganhar tudo (tão fraquinho que eu nem sequer já me lembro do nome…), nem no cartão vermelho directo que lhe foi perdoado aquando da entrada duríssima sobre o Javi Garcia. Mas enfim… equipas como a nossa dão a volta mesmo sem essas coisas.

O Pai Natal deve ter a casa cheia com cartas de meninos do Benfica que pediam isto de prenda no sapatinho… ganhar aos morcões em casa! Pela parte que me toca… bem haja. Soube tãããão bem.

Hoje vou antecipar a minha reportagem que vai ser publicada amanhã na Bola, a convite do director Vítor Serpa e vou postá-la aqui em primeira mão para todos os meus estimados leitores. Então sendo assim… de 0 a 5:

Quim - (4) - Este homem tem a particularidade de me fazer tremer todo por dentro de cada vez que tem de jogar a bola com os pés ou sair dos postes a um cruzamento. Logo no início, teve um pontapé de baliza daqueles que são a sua imagem de marca, dos que nem sequer chegam ao meio-campo adversário, direitinho para um gajo do Porto, o que lhe valeu um ralhete de Jesus, filho de Deus. Depois endireitou-se e melhorou. Esteve ao melhor nível ao parar um remate fortíssimo do Álvaro Pereira. Quanto menos aparecer… melhor.

Maxi Pereira - (4) - Está raçudo, combativo e é um pilar fundamental quer na defesa, quer nas movimentações atacantes benfiquistas. Está certinho, lutador, veloz… é um gosto. Falhou num corte traiçoeiro em que isolou o Falcão mas compensou porque foi muito inteligente no lance do golo, quando permaneceu imóvel em cima da linha de golo para não influenciar negativamente os juízes da partida. Ao não interferir na jogada garantiu a legalidade da sua posição e ao não comemorar o tento encarnado evitou que lhe apitassem o fora-de-jogo. Com o poder da pressão de um jogo destes, bastava um movimento mais brusco para levar o fiscal a levantar a bandeirola. Muito bem.

Luisão – (5) – O patrão absoluto e indiscutível da defesa encarnada. Só por magia é que um matulão com quase 2 metros consegue jogar futebol como se tivesse a dançar ballet. Cada vez que penso que foi vaiado quando chegou à Luz… Faça o que fizer, já conquistou o seu lugar no panteão dos grandes defesas benfiquistas (ao lado do Mozer e do Ricardo e…).

David Luiz – (5) – O menino está feito num Senhor Jogador. Uma verdadeira máquina infernal! Este nem os deixa pousar em ramo verde… Teve uma actuação imaculada. No final agradeceu aos adeptos e beijou o símbolo na camisola. Parte-me todo…

César Peixoto – (4) – Como é que um homem que partilha a cama com a bomba da Diana Chaves consegue jogar a este nível? Este é um dos grandes mistérios da natureza que actualmente me fascinam. Competente e concentrado. Para mim já ganhou a titularidade.

Javi García – (5) – Qualquer cabrão que se atreva a passar do meio-campo com a bola nos pés já sabe que tem de levar com ele. E se ele não perdoa! Duro, rijíssimo, todo-o-terreno, Javi é o homem que tranca com chave de ouro a porta da defesa benfiquista. Impecável!

Ramires- (5) – Um mouro de trabalho que deu tudo pela equipa como de resto, sempre faz. Mesmo depois de bastante lesionado por uma entrada duríssima de Fucile, não baixou os braços e voltou ao jogo, do qual só saiu em lágrimas quando percebeu que lhe era impossível continuar. Fossem todos assim…

Carlos Martins – (4) – O Benfica bem precisava deste Martins dos velhos tempos. Foi muito, muito bom enquanto durou e se ele deu tudo… Provou que é opção e que podemos contar com ele. Só por isso já valeu!

Urreta – (4) – A grande surpresa do line-up inicial também esteve à altura da titularidade e fez uma primeira parte de grande nível. Em grande a defender, certinho nos passes, voluntarioso nos ataques. Nota mais. Saiu rebentado pelo desgaste e pela falta de rotação.

Saviola – (5) – O conejito é a minha coqueluche do actual plantel. Vê-lo jogar é uma delícia... Começou por ensaiar uns raides pelo meio da defesa adversária, só para a experimentar e assim que teve a oportunidade nos pés, espetou-lhe um tiro que só parou no fundo das redes do Helton. Depois foi perdendo visibilidade mas andou sempre por lá… O seu trabalho já tinha sido feito. E que bem!

Cardozo – (2) – Não me venham cá com histórias que estava desapoiado e muito sozinho... O Cardozo de hoje não foi o “Cardozo Matador”, foi o “Cardozo menina Adélia”. Que cabra! Não ganhou os lances, não fez posse de bola, não chutou direito e até o remate de baliza aberta antes do golo do Saviola ele falhou! Dass… Se eu mandasse, passava o Natal trancado numa das arrecadações da Luz a ouvir o último cd do José Cid e a comer apenas couratos fora de prazo. Sem direito a minis!

Luís Filipe – (3) – Entrou bem e estorvou. Pelo menos não comprometeu.

Felipe Menezes – (2) – Este ainda não me convenceu. Falhou o penálti contra os gregos e no jogo de hoje, pouco se viu. Ou mostra mais raça e capacidade ou será um belíssimo reforço para uma equipa satélite. O Braga, por exemplo.

Weldon – (3) – Este entrou bem melhor, com vontade, com velocidade e sempre ganhou uns cantos. Era para levar 2 pontos mas como pediu força às bancadas perto do fim, que é uma coisa que me derrete sempre (o que eu gritaria se lá estivesse…), leva mais um.

Foi excelente, caraças!

O Natal assim até é bem melhor!

Boas Festas!

Nota 1: Um adepto do Porto tinha um cartaz que dizia: “Acima de nós, só Deus”. Estava capaz de lhe oferecer um a dizer: “E o Benfica e o Braga, qualquer uma com mais 4 pontos…”. Tótó!

Nota 2: Durante a confecção desta crónica, tive oportunidade de ouvir o Professor Jesualdo a dizer na sala de conferências que “não fomos suficientemente maduros e inteligentes para podermos estar à altura das expectativas”. Ai que bem que fala o homem…

6 comentários:

Paulo Duarte Barbosa disse...

Podia ter sido assim se não fossem pequenas coisas que ficaram "esquecidas"...

Poucas vezes aqui comentei mas sei que existe abertura para deixar aqui a minha contribuição e avivar de memória em pequenos momentos do jogo.

O que aconteceu no jogo de ontem é muito simples de explicar.

E em poucas linhas.

Podia muito bem até esquecer o cartão amarelo, ou vermelho, não mostrado a Javi Garcia, logo no 1º minuto, pela conduta anti-desportiva - depois de falta assinalada a Luisão, Javi atira a bola num pontapé com força, directamente à cara de Falcão, que está no chão a uns escassos 3 ou 4 metros de distância - e outro a César Peixoto por puxar Hulk, depois de ter sido ultrapassado.

Mas é importante não esquecer estes lances se se quiser depois refutar os argumentos de quem não concorda com a minha avaliação. Nesta altura, acho que nem tínhamos chegado aos 10 minutos. Todos sabemos como estes lances condicionam uma partida e os jogadores quando, desde o início do jogo, alguém lhes explique, com os respectivos cartões, o que não podem fazer. Lucílio explicou. Mas sem cartões.

Comecemos então pelo lance que não deixa qualquer dúvida: o fora de jogo não assinalado a Urreta, depois do toque de Saviola, e que devia ter dado por terminada essa jogada. O fora de jogo não deixa qualquer espécie de dúvida mas, mesmo assim, os "comentadores e analístas" apenas deram por ele cerca de 2 horas depois.

Curiosamente, a ligação óbvia ao golo, nem foi sequer feita - Helder Conduto, da RTP, nem escolheu esse lance para "ilustrar" o resumo da partida.

Adiante.

Como o árbitro não assinala, a bola sobra para Cardozo que remata, é afastada por um jogador do Porto, a seguir outro e acaba com o David Luís a centrar novamente para o golo de Saviola.

O que fica deste erro de arbitragem é o único golo que dá a vitória a uma das equipas. Ilegalmente.

Ainda na primeira parte, é importante chamar a atenção para mais 2 lances: queda de Hulk na área do benfica e mão de Cardozo também na mesma área.

O primeiro, depois de lance Falcão isolado e corte limpo de Luisão, a bola sobra e Hulk acaba no chão depois de disputa com César Peixoto. O lance prossegue com Peixoto na posse de bola. No segundo, centro da direita para a área do Porto e corte com o braço de Cardozo dentro da área. O jogo prossegue.

Na 2ª parte, o lance onde Rodriguez joga a bola com a mão, nasce de um pontapé de baliza que o árbitro transforma em canto.

Mas foram inúmeros os lances onde o factor "Lucílio" se fez sentir.

Tal como na final da Taça da Liga. Ninguém esperava o contrário.

Já agora, podem acrescentar mais uma vitória do benfica com o lucílio batista. A este ritmo, rapidamente elegem o lucílio como o árbitro que mais vitórias ilegais concede ao benfica.

E esse é um feito difícil de se definir um vencedor.

Mac disse...

Nas televisões onde vi o jogo, não deram esses lances polémicos todos, mas deve ser mal dos meus olhos que são de Benfiquista.
Mas também posso dizer que estou solidário com o Paulo Duarte Barbosa, o Porto tem sido e continua a ser um farrapo na mão dos árbitros.

Pousadas disse...

Meu grande amigo Sabi eu não sou tão radical como o Sr. Paulo Barbosa na análise do jogo,agora tu chamar-lhe banho de classe!!O Porto só e apenas jogou muito mal, porque voces jogaram o normal, só que já não sabiam o que era ganhar ao F.C.P no vosso estádio há muito tempo e ai a vossa alegria.Assim já pareces os teus vizinhos da segunda circular que ganhar ao Benfica era o seu campeonato.Abraço amigo e parabéns.

PS:No centro da camisola do F.C.P. estão umas quinas do ainda Campeão Nacional.Oopss perdão TETRACAMPEÃO.

Garraio disse...

Não gostei nada do jogo.

O Glorioso deveria ter ganho no minuto 99, num golo fora de jogo e marcado com a mão.

Pedro Sobreiro disse...

Caro Paulo,

Antes de mais, bem haja pelo seu contributo para o debate sobre os acontecimentos da Luz. Este blogue é plural, democrático, interclassista e interclubista, portanto, aberto a todos os leitores.

Direitos ao assunto…

Realmente, o pontapé de Javi Garcia que acertou em cheio na cara do avançado Falcão foi grosseiro e desnecessário. Não concordo consigo quanto à amostragem de um cartão nesta fase prematura do jogo. A ter acontecido uma admoestação desta natureza, constituiria um convite à escalada de violência. Penso que um bom puxão de orelhas verbal seria aqui o antídoto suficiente. A minha opinião ter-se-ia mantido se o lance tivesse porventura sido ao contrário.

O puxão de César Peixoto na camisola de Hulk merecia uma amarelo indiscutível, na medida em que interrompe uma jogada clara de perigo.

Quanto ao fora de jogo de Urreta no lance que antecedeu o golo encarnado… A jogada é, toda ela, muito rápida. Há ressaltos, há contacto físico, há dribles, há um cruzamento para o qual se tem de analisar se Saviola está em fora-de-jogo e há um jogador caído na linha de golo. Agora é muito fácil falar. Naquele momento, urge a decisão e nem sempre é fácil decidir nestas circunstâncias.

Se vamos a essa nível de detalhe… que me diz do penálti claríssimo do Rodriguez que ficou por apitar quando tirou a bola da cabeça do David Luíz? E o cartão vermelho directo indiscutível que lhe ficou por mostrar quando abalroou o Javi Garcia, já a bola ia muitos metros à frente?

Serão pormenores para si, certamente…

Quanto ao segundo lance do Peixoto com o Hulk, desculpe mas parece-me impossível que alguém possa alguma vez ali vislumbrar motivo para grande penalidade. O lance é limpo.

Quanto ao suposto penálti do Cardoso, teria de explicar-lhe a diferença entre “mão na bola” e “bola na mão”, que me parece claramente ser o caso. Trata-se da diferença entre dolo ou negligência que estão em extremos opostos da balança. Há todo um mundo pelo meio.

O que mais me custa no meio disto tudo, é a falta de honestidade desportiva dos portistas, personalizada com excelência nas palavras do treinador “azul e branco”. Soube dizer que o Porto não tinha jogado nada. Faltou-lhe a coragem para dizer porquê. Não jogou porque o Benfica não deixou, porque o Benfica foi mais equipa e mais lutador, porque o Benfica foi melhor e mereceu ganhar.

Uma nota última para mandar um beijinho ao Careca (a ti conheço-te de ginjeira… perdeste tão bem… doeu-te tanto… mas não fiques triste… Tu eras do Benfica. Só tens de mudar o fusível e voltar à verdade), um abraço ao Nuno (Não os defendas! Eles não agradecem nada!) e ao nosso Garraio com quem concordo, obviamente, em tudo.

Boas Festas e um abraço a todos!

Paulo Duarte Barbosa disse...

"Quanto ao fora de jogo de Urreta"

Pergunta: se ao remate do cardozo, e que foi logo na sequência do passe do urreta, em fora de jogo, tivesse sido golo, seria anulado por o passe ter vindo de um jogador em fora de jogo?

Todos sabem a resposta.

A jogada ter sido rápida e falar num possível fora de jogo do saviola é apenas tentar desviar a atenção. Também todos sabemos que esse não estava.

"que me diz do penálti claríssimo do Rodriguez?"

Digo o que já disse - mais um caso de pontapé de baliza claro, que foi transformado em canto. Que origina o penalty.

Muitos erros. Sempre para o mesmo lado.

Depois disto apurado, admitir a superioridade do benfica no resultado fica mais difícil?

Penso que também ambos sabemos a resposta.

Quantos aos dois lances na área do benfica - não espero outra leitura.

Mas que eles estão lá, estão. Tal como os outros todos que referi.

O árbitro decidiu como decidiu. Está decidido.

Quem quiser que os veja e comente. Mas que não se esqueçam.

Bom Natal