terça-feira, 23 de março de 2010

Jornada de Glória

Companheiros de Jornada:
Bonito Dias, Nuno, André Costa, Nuno Machado, Tio Sabi, Prof. Domingos



Perguntam vocês como é que foi? Foi do caraças, pá!

A Meia Maratona de Lisboa, esta, a da Ponte 25 de Abril é, para mim, o corolário da época desportiva. O meu ano lectivo de treinos culmina neste dia, que é o maior de todos na matéria. É uma festa do camandro e eu adoro pensar que valeu a pena ter passado tantas horas a correr sozinho, ao frio e à chuva, de noite com a lua por única companhia ou sob um sol abrasador para poder chegar ali, àquela prova, e apresentar-me em grande nível no meio de tantos atletas chegados de todos os pontos do país e do estrangeiro (só os espanhóis eram mais que as mães).

O ego cresce logo assim que a gente chega à zona de partida, onde a organização separa o pessoal que vai para a Mini Maratona do da Meia. Os que vão para correr ou andar a prova de 8 km têm um corredor enorme e não têm outro remédio senão irem-se apertando. Já quem vai para a Meia entra num corredor estreitinho que passa mesmo ao lado dos que esperam e vocês não estão bem a ver a sensação que é passar por ali, com os olhos dos mais lentos a fitarem-nos cheios de inveja. É uma vaidosice pegada… mas sabe tão, tão bem. Quase que valia a pena a viagem só por aquele instante.

Depois, imaginem o que é poder correr aquela ponte, ver milhares de cabeças aos saltinhos, o rio imenso e esverdeado em baixo, a neblina que envolvia uma Lisboa que acordava, o céu azul e imenso da nossa capital… Ahhh….. é muito bom!






Saímos com um bom ritmo que mantivemos com frescura até ao Terreiro do Paço, quando se deu a 1ª viragem, surpreendente para muitos que a esperavam ter tido logo no Cais do Sodré. Ao décimo quilómetro acelerámos e fartámo-nos de passar pessoal até Belém. Foi o nosso momento de ouro. Passámos o ponto de ruptura (em que o corpo diz que já não quer mais…) aos 16 km (eu) e aos 18 Km (André) e a partir daí, saímos para uma excelente ponta final com um ritmo bem acelerado.

Como disse e bem, o Prof. Domingos, “houve (no nosso grupo) tempos para todos os gostos”: o Nuno de Évora na casa da hora e 20 (6 treinos por semana, corredor desde tenra idade), o Nuno Machado na casa da hora e 30, eu e o André na casa da hora e 48 e logo depois, o Professor Domingos e o Bonito, todos a chegarmos ao final antes das duas horas e com o melhor tempo possível.

O decurso natural da corrida fez com que eu e o André tivéssemos feito quase toda a prova lado a lado, ora puxando um, ora o outro e acabámos mesmo por cruzar a meta abraçados, que é daquelas coisas que ficam para sempre. Foi lindo!

Cada Meia Maratona é um enorme desafio. Há nervosismo, há apreensão, há dúvidas e incertezas. Somos nós a pôr-nos à prova a nós mesmos. Não se corre contra ninguém… corre-se contra nós próprios. Depois, fazer uma Meia Maratona é SEMPRE uma prova de fogo e a mim, enche-me de orgulho de cada vez que a dobro. Fazer 21 quilómetros em 1 hora e 48m, com uma média de 5 minutos ao quilómetro para um tipo que teve problemas de asma durante toda a infância e adolescência, que corre a sério há apenas 4 anos, que treina somente 3 vezes por semana e que está (quase) na casa dos 40 é obra! e aqui (que me desculpem…) tenho mesmo de ficar inchado. Passei tanto atleta, tanto pintarola, tanto estiloso… 1804 classificado em 5475!

Foi GRANDE e estamos todos de parabéns!




Foto antológica! Quem é que eu ali havia de encontrar? O meu amigo de Nisa, Zé Maria "Papa Azeite" que se disponibilizou de pronto para sacar uma foto connosco no pódio da Olá. Em 1º, obviamente. Uma classe! "Manda a fotografia lá para a Câmara de Nisa", disse ele à menina... Genial!
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Depois, foi hora de rumar à Costa da Caparica, cheia de surfistas, banhistas e passeantes, para um duche retemperador (gelado!) e para um almocinho de altíssimo gabarito na nossa Catedral do Barbas. As imperiais, os queijinhos frescos, as célebres chamuças, a carne e o peixinho fresco… aaaahhh… delícia!




Quando regressávamos pensei… “correu tudo tão bem… tão certinho… para este dia memorável ser fechado com chave de ouro, só mesmo… claro! O meu Benfica espetar uma sova no Porto!” E não é que foi mesmo?

Ganhar um jogo aos tripeiros é das melhores coisas que me podem dar. Se essa vitória significar limpar-lhe uma taça, então… é ouro!

Eu não sei o que é que vocês pensam… Se calhar até estou a ser tendencioso… parece-me que não… mas tentando ver o jogo de forma objectiva, parece-me claramente que os do Benfica são os “bons” da fita e os de azul, “os maus”. E já nem sequer falo no gritante desnível da qualidade futebolística, porque esse é por demais evidente. Levar 3 secos na pá e vir dizer para a televisão que não houve superioridade de nenhuma das equipas, só mesmo vindo de um anormal senil como o Jesualdo. Devem-lhe ter dado xarope azul a mais... Já não tem cura…

Estás em óptima idade para seres internado também. Anda que o Pintinho já te arranja um lar para idosos jeitoso lá para Santa Maria da Feira. Já estás com elas calçadas!

Mas dizia eu que a ruindade do Porto não engana. Aquele jagunço do Bruno Alves fartou-se de “aviar fruta” em tudo o que mexia e o árbitro, como convinha… lá foi fechando os olhos. Foi cacetada de 3 em pipa, cotoveladas, pisadelas, entradas no limite e nada! A tudo isto respondemos com estofo de… campeão. E isso é que os mata! Há um lance que espelha o que aconteceu durante toda a partida. O capitão do Porto tem uma entrada “a matar” sobre o Pablo Aimar e não satisfeito com a truculência da sua acção, volta a abordar o benfiquista com violência, ainda no chão. Este responde-lhe com um sorriso irónico e tenta passar-lhe a mão pela cabeça, gesto que ainda agravou a ira louca do animal que foi direito a todo aquele que lhe saiu ao caminho. É assim, respondendo com classe à brutalidade, que vamos construindo a nossa glória.

ESTA JÁ É NOSSA!

Que dia… Se os há que valem por dois, este foi claramente um deles!

Escusado será dizer que mal me instalei, tive de ouvir logo a minha filha: “PAI! Já estás a ressonar!”.

Pudera…

NE: Um abraço valente a todos os companheiros de jornada… ao Bonito, ao André e ao Nuno, ao Nuno e ao Professor (bem haja por tudo e tb pelos dorsais e pela companhia) e também ao Jorge Jesus, ao Rui Costa e a todo o plantel benfiquista. Felizes!


4 comentários:

Helena Barreta disse...

Parabéns para si e para todos os que fazem da nossa Meia e Mini Maratona uma festa.

Tenho uma irmã que também participou.

Parabéns pelo seu Benfica.

Um abraço

Helena

fernando ramilo disse...

Muito bem amigo, ao ver esta noticia só me apetece por-me a correr para que no próximo ano possa ir contigo, mas a minha barriguinha não me quer largar, e eu gosto tanto de comer.

um abraço.

JOAO CARLOS ANSELMO disse...

ninguem para o benfica, ninguem para o benfica, ale oooo,

M. Ferro disse...

Sou teu leitor há muito tempo, e muito me divirto a ler essas tuas aventuras e pensamentos meio loucos.
Sendo eu um praticante de running, não posso deixar de reparar no tempo que fizeste e dar-te os parabéns por isso. Mas existe uma pergunta que gostava de deixar no ar. Para quando um incentivo teu á criação de uma equipa de atletismo no concelho? pois tenho a certeza que com os teus conhecimentos não seria difícil qualquer instituição do concelho abrir as portas a esta iniciativa que acredito seria um sucesso.