
Pensei diversas vezes se isto era conversa para aqui chamada ou antes assunto para ser debatido noutras instâncias, mas pareceu-me que aqui era bem pelo simples motivo que o facto gerador desta tasca cibernética foi precisamente o de eu poder dizer o que me vai na gana sem fazer concessões.
Assim sendo,
Na quinta-feira passada comemorou-se mais um aniversário sobre a restauração do concelho de Marvão e não estou a falar de restaurantes mas sim de restabelecimento.
A 24 de Janeiro de 1898, muito por força de um tesudo chamado Mattos Magalhães, a rapaziada de Marvão trazia de volta para estas paragens a autonomia concelhia que andou arredada lá para os lados de Castelo de Vide por força das remodelações administrativas que surgiram no seguimento da Revolução Liberal.
110 anos depois, para comemorar a efeméride, o município local encomendou foguetes de manhã, foguetes à noite, e organizou um sarau simbólico na Casa da Cultura, antiga sede camarária. Houve lugar a discursos e abordagens históricas, poesia popular, uma actuação do Coro Infantil dos Assentos e um ligeiro beberete com chá quentinho e bolinhos.
Coisa pouca… mas sentida.
Não fossem os familiares das crianças do Coro a darem calor humano à sala e poderia eu bem dizer aqui que a assistência seria um óbvio reflexo daquilo que nós somos hoje enquanto membros desta entidade que é Marvão.
Poucos e dispersos.
Eu sei que as noites são frias. Eu sei que por coincidência de calendário, os compadres reuniam também nesse serão. Eu sei que alguns vivem longe. Eu sei muitas coisas e nessas muitas coisas que eu sei, também sei que é pena.
É pena porque já estou farto que me digam que é por causa do morro que Marvão fala a duas vozes. Realmente, o morro é alto mas a volta dá-se depressinha. Na verdade, eu, numa hora e meia de corrida e andamento, passo pelas quatro freguesias, indo pela Ponte Velha, Portagem, Fonte da Pipa, Abegoa e Santo António. Às vezes vou á ponte dos Vales de propósito só para pôr um pé na freguesia da Beirã e sentir que estive nas quatro. Sei que isto pode soar um pouco estranho a ouvidos alheios mas a mim sabe-me muito bem quando o faço.
É uma pena porque no meu concelho, as pessoas, não são capazes de pensar que está nas suas mãos o fazer de todas as vontades, uma vontade só.
É o egoísmo e não a geografia que condicionam a nossa unidade.
Se o querer fosse mesmo poder. A coisa saía como uma força que ninguém pode imaginar.
Maneira que nessa noite, onde podemos medir o pulso à nossa consciência municipal, onde podemos psicanalisar a nossa vida conjugal concelhia, eu senti-me triste cá dentro, embora sorrindo.
Falar é fácil e pensadores não faltam por aí mas mesmo aqueles que hoje ocupam cadeiras do poder que é dado por todos, faltaram à data e ao convite que os seus próprios antepassados lhe legaram com tanta solenidade.
Vi lá muito poucos Presidentes de Junta e membros de Assembleias de Freguesias.
Vi lá muito poucos deputados da nossa Assembleia Municipal (quase nenhuns).
Senti mesmo a falta de alguns vereadores.
Vi que faltou muita gente que devia de lá estar, não falando sequer nos populares, nas gentes das aldeias, das povoações, dos lugares de Marvão.
E a razão porque faltaram a este encontro com a história é simples: faltaram, e não lhes pesa na consciência, porque a matéria de que ali se tratava era de interesse menor. Caso contrário, estou certo que marcariam presença.
E isto é o que temos e digo-o resignado e sem remorsos.
Naquele então, a nossa autonomia esteve ameaçada e agrilhoada.
Hoje, a ameaça reformadora paira sobre nós e os horizontes que se vislumbram nos tempos mais próximos são tudo menos sorridentes.
Se o Sócrates e a sua canalha lá de Lisboa, os que só querem números e rácios, decidirem um dia dar a volta ao texto e apagar com a borrachinha as fronteiras do nosso concelho para o juntar a outro qualquer, não irão encontrar grande resistência.
Ou muito eu me engano ou isto em Marvão é coisa para demorar pouco e dar ainda menos trabalho.
Que pena!
PS: Mas a mim têm de me roer os ossos e são capazes de serem tudo menos moles!!!!
Assim sendo,
Na quinta-feira passada comemorou-se mais um aniversário sobre a restauração do concelho de Marvão e não estou a falar de restaurantes mas sim de restabelecimento.
A 24 de Janeiro de 1898, muito por força de um tesudo chamado Mattos Magalhães, a rapaziada de Marvão trazia de volta para estas paragens a autonomia concelhia que andou arredada lá para os lados de Castelo de Vide por força das remodelações administrativas que surgiram no seguimento da Revolução Liberal.
110 anos depois, para comemorar a efeméride, o município local encomendou foguetes de manhã, foguetes à noite, e organizou um sarau simbólico na Casa da Cultura, antiga sede camarária. Houve lugar a discursos e abordagens históricas, poesia popular, uma actuação do Coro Infantil dos Assentos e um ligeiro beberete com chá quentinho e bolinhos.
Coisa pouca… mas sentida.
Não fossem os familiares das crianças do Coro a darem calor humano à sala e poderia eu bem dizer aqui que a assistência seria um óbvio reflexo daquilo que nós somos hoje enquanto membros desta entidade que é Marvão.
Poucos e dispersos.
Eu sei que as noites são frias. Eu sei que por coincidência de calendário, os compadres reuniam também nesse serão. Eu sei que alguns vivem longe. Eu sei muitas coisas e nessas muitas coisas que eu sei, também sei que é pena.
É pena porque já estou farto que me digam que é por causa do morro que Marvão fala a duas vozes. Realmente, o morro é alto mas a volta dá-se depressinha. Na verdade, eu, numa hora e meia de corrida e andamento, passo pelas quatro freguesias, indo pela Ponte Velha, Portagem, Fonte da Pipa, Abegoa e Santo António. Às vezes vou á ponte dos Vales de propósito só para pôr um pé na freguesia da Beirã e sentir que estive nas quatro. Sei que isto pode soar um pouco estranho a ouvidos alheios mas a mim sabe-me muito bem quando o faço.
É uma pena porque no meu concelho, as pessoas, não são capazes de pensar que está nas suas mãos o fazer de todas as vontades, uma vontade só.
É o egoísmo e não a geografia que condicionam a nossa unidade.
Se o querer fosse mesmo poder. A coisa saía como uma força que ninguém pode imaginar.
Maneira que nessa noite, onde podemos medir o pulso à nossa consciência municipal, onde podemos psicanalisar a nossa vida conjugal concelhia, eu senti-me triste cá dentro, embora sorrindo.
Falar é fácil e pensadores não faltam por aí mas mesmo aqueles que hoje ocupam cadeiras do poder que é dado por todos, faltaram à data e ao convite que os seus próprios antepassados lhe legaram com tanta solenidade.
Vi lá muito poucos Presidentes de Junta e membros de Assembleias de Freguesias.
Vi lá muito poucos deputados da nossa Assembleia Municipal (quase nenhuns).
Senti mesmo a falta de alguns vereadores.
Vi que faltou muita gente que devia de lá estar, não falando sequer nos populares, nas gentes das aldeias, das povoações, dos lugares de Marvão.
E a razão porque faltaram a este encontro com a história é simples: faltaram, e não lhes pesa na consciência, porque a matéria de que ali se tratava era de interesse menor. Caso contrário, estou certo que marcariam presença.
E isto é o que temos e digo-o resignado e sem remorsos.
Naquele então, a nossa autonomia esteve ameaçada e agrilhoada.
Hoje, a ameaça reformadora paira sobre nós e os horizontes que se vislumbram nos tempos mais próximos são tudo menos sorridentes.
Se o Sócrates e a sua canalha lá de Lisboa, os que só querem números e rácios, decidirem um dia dar a volta ao texto e apagar com a borrachinha as fronteiras do nosso concelho para o juntar a outro qualquer, não irão encontrar grande resistência.
Ou muito eu me engano ou isto em Marvão é coisa para demorar pouco e dar ainda menos trabalho.
Que pena!
PS: Mas a mim têm de me roer os ossos e são capazes de serem tudo menos moles!!!!