terça-feira, 1 de janeiro de 2008

De passeio...


Há dias, por motivo do aniversário da patroa, partimos numa “road trip” familiar com destino definido pela pequena. Quando os jogadores da selecção são mais novos que nós e são os filhos a dizerem para onde devemos ir, é mais que certo que estamos mesmo a ficar velhos.

E as coisas agora são assim… A prima avançou-lhe as melhores referências do local e aí vou eu, daqui para Coimbra, de propósito para ver o “Portugal dos Pequenitos”, de onde já tinha abalado por duas ou três vezes com a sensação de que sim, é muito giro, mas está bem, espera aí que eu já volto.

Bem lhe podia falar na Vila Natal de Óbidos, nas renas e na pista de gelo, na aldeia dos duendes e na casa do Pai Natal, nos mil brinquedos e divertimentos que ela não. Meteu mesmo na corneta que tínhamos de fazer 200 quilómetros, duas horas de viagem, para conhecer um espaço que foi inaugurado quando o Camões não só era vivo como ainda tinha os dois olhos.

Aaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii eu!

E nestas cenas não vale a pena um gajo ir acabrunhado e a prender o burrito porque ganha o mesmo. Sendo assim, sorriso bem disposto e ar de felicidade porque assim se afastam os maus-olhados e os carros da Brigada.

Lá por ser o primeiro dia de chuva em dois meses e lá por ela perguntar, bem antes de chegarmos a Castelo de Vide, se “ainda falta muito?”; não nos vamos deixar abater. Boa disposição atrai coisas verdadeiramente boas!

Siga!

Depois de muita cacimba e nevoeiro, chegamos à cidade do Mondego bem a tempo de dar ao dente num Fórum bem catita e moderno e nem vale a pena dizer quem é que escolheu a manjedoura.

Como a chuva amainou, a tarde antevia-se propícia ao passeio e os ânimos estavam em alta.

Assim que cheguei à bilheteira e a senhora me pediu 3 contos para passar o portão, os céus começaram a chorar gotas gordas que me caíam sempre nos sítios mais certeiros como o espaço entre o pescoço e a camisa ou em cheio nas lentes dos óculos.

“Já viu, já está outra vez a chover…” disse eu à espera de alguma compaixão mas em vez disso, uma voz plena de oportunidade avançou logo: “eu trabalho na lojinha das recordações e tenho lá muitos guarda-chuvas para vender!”.

“Ai sim, olhe… obrigadinho e tome lá mais 13 euros”.

À primeira impressão, percebe-se de imediato que aquilo é tudo do tempo da Mari Cachucha e tresanda a Estado Novo por cada canto e cada esquina.

A fase de entrada, destinada a representar as colónias e as regiões ultramarinas é de uma pobreza franciscana, adornada com exposições a cheirarem a mofo, ilustradas por legendas ainda feitas no tempo das máquinas de escrever. Duvido que as crianças dali apanhem muita coisa a não ser uma rinite alérgica qualquer e “ala que se faz tarde”.

A segunda área, dedicada aos grandes monumentos nacionais é bem mais interessante e conseguida, embora as exposições, sobretudo a do Museu do Traje, continuem na linha de despromoção de divisão. Mas vale porque é bem gira a ideia de ter ali nuns metros quadrados, as obras arquitectónicas mais imponentes do nosso país, só faltando mesmo o castelo de Marvão, é claro!

A terceira área, onde estão representadas as casinhas típicas do nosso Portugal é onde os pequenos mais se divertem e tudo aquilo deve ser bem mais engraçado quando o tempo está bom e convida a umas gasosas e uns gelados para refrescar das correrias. O rigor das réplicas é grande e resulta muito bem embora um upgrade dos interiores não fosse má ideia.

E prontos, hora e meia e está feito! A miragem de Óbidos ainda não se tinha dissipado da minha ideia mas nesta altura do ano faz-se de noite tão depressa que até o tempo passa mais a correr e achámos melhor não arriscar.

Ao regressarmos, passámos tão próximos de Fátima que achamos por bem aproveitarmos o tempo ainda disponível para mostrarmos o Santuário à infanta.

Fátima é um lugar muito especial para mim. Sei que gera muita controvérsia, escárnio e maledicência, mas deve sobretudo ser um ponto de respeito e de tolerância.

Visitei-a com os pais em criança, em excursões enquanto adolescente, na cerimónia da “Bênção das Fitas” no meu ano finalista e por diversas vezes nos últimos anos, uma delas numa caminhada solitária e noutra de bicicleta com o meu caríssimo “road mate” João André.

Ali pensei, ali meditei, ali rezei e senti o seu pulsar, uma paz e uma tranquilidade que nos pacificam e absorvem.

Para mim, só há um sentimento no mundo maior que o amor e foi essa fé imensa de milhares que ajudou a criar a Fátima enorme e invisível para os que não acreditam e se deixam cegar pelo brilho dos souvenirs dos vendilhões do Templo.

Para mim, Fátima é paz, silêncio e reflexão.

Nem tudo ali é perfeito e também eu discordo de tanta coisa. Mas a força que emana é de tal forma poderosa que me recarrega e apazigua.

Nunca ali tinha estado no Inverno, com tudo tão vazio e silencioso, dominado pela aura mística do lusco-fusco. Era uma Fátima quase fantasmagórica naquela final de tarde / noite, belíssima e inesquecível.

Da Capelinha das Aparições assisto à mais improvável das provas automobilísticas quando um maluco qualquer, certamente adepto de tunnings e afins, decidiu entrar com o seu Celica de tons azul-bébé pelo Santuário adentro e começou a dar voltas e mais voltas em círculo, percorrendo um circuito imaginário que só existia na sua cabeça tonta. Também eu abri a boca e fiquei ali incrédulo, a contemplar a bizarria da cena, aguardando um desfecho que não fazia antever nada de bom e que tanto podia passar por uma execução sumária do piloto pelos guardas do Santuário como por uma explosão espontânea seguida de fogo de artifício. Diga-se o que se disser, a verdade é que os gajos que trajam de preto e andam por lá armados de micros e auriculares e que supostamente serviriam para zelar pela integridade do espaço, deviam de estar a mamar umas minis e uns pipis na tasca da esquina porque demoraram meeeeesmo muito.

Eu, que até sou um gajo pacífico, se fosse um deles e assistisse àquele episódio das “Ruas de São Francisco” em directo, tinha disparado a magoar e faria-o com a mesma convicção se porventura tudo se tivesse passado num templo budista. Não há outra forma de combater os intolerantes senão usar o seu próprio veneno. Mas a coisa foi bem e a captura pela GNR não foi demorada, maneira que avançámos sem mais para a nova Igreja da Santíssima Trindade.

Belíssima, de linhas muito modernas e com um interior de deixar qualquer um pasmado, apresenta-se enorme, muito linear, muito grande e silenciosa, toda ela centrada para um altar que é uma obra de qualidade à prova agnósticos, com o seu Cristo suspenso e as imagens da história dos Pastorinhos em suaves relevos dourados, numa iconografia a fazer lembrar as imagens religiosas gregas.

Poderíamos discutir tudo e mais alguma coisa acerca desta magnânime investida arquitectónica e religiosa mas prefiro ficar por aqui. Não hão-de faltar pontas-de-lança para o efeito…

Saídos na penumbra e sob a chuva gelada de Dezembro, os três agarradinhos debaixo do mesmo guarda-chuva (sim, o tal dos pequenitos! Não é mauzinho…), corremos apressados para o conforto da viatura onde seguimos viagem, sem a alegria de tirar uma foto com os duendes de Óbidos, mas com outras contrapartidas…


24 comentários:

Garraio disse...

Hummmmm...

Catarina disse...

(não sei se interpreto bem o hummmm do garraio) mas cá vai também o meu:
- Hummmmmmmmmm...

Garraio disse...

Sei que este post tem "uma provocaçãozinha" implícita, mas ele há coisas que só precisam de me acenar com o capote que aí vou eu!


Fátima: nova igreja do Santuário em 2007
PUBLICADA: 30/01/2004



Huuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm...






A nova igreja do Santuário de Fátima deverá ser inaugurada em Maio de 2007, quando se comemora o 90.º aniversário das aparições da Virgem. O custo total da obra, que irá incluir a construção de um túnel no exterior, capelas subterrâneas e um corredor interno com luz natural, será de cerca de 40 milhões de euros.

Fonte: http://viajar.clix.pt/noticias.php?id=1658&lg=pt



“Quando foi concebida, em 2002, o custo previsto da igreja era de 46 milhões de euros. Duas semanas antes de ter a construção terminada, Monsenhor Guerra não tinha uma estimativa da conta final: "Vai ficar entre 70 e 80 milhões de euros. Isso porque ainda falta construir o túnel", diz referindo-se a uma obra para desviar o tráfego da parte de trás da igreja.

Ele conta que todo o dinheiro foi pago à vista a partir das doações dos fiéis, sem recorrer a empréstimos bancários -o que indica que Fátima é, provavelmente, um dos santuários mais ricos da Europa. Num encontro de santuários católicos europeus, ao relatar isso, os responsáveis pelos outros santuários teriam dito a monsenhor Guerra que não teriam condições de pagar esses valores sem recorrer a financiamentos.”

Fonte: http://viagem.uol.com.br/ultnot/bbc/2007/10/12/ult4549u59.jhtm


O número de pobres não pára de crescer e já chega a 307 milhões de pessoas no mundo. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) recentemente publicado mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos.
Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crónica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento.

54 milhões de pessoas passam fome na América Latina e Caraíbas, segundo o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
211 milhões de latino-americanos e caribenhos vivem abaixo da linha de pobreza, com um aumento de 11 milhões desde 1990. (Junho de 2002.


Utopias
Oficialmente as utopias estão mortas, mas a realidade que as alimentou e justificou durante séculos continua bem viva. As desigualdades em todo o mundo, desde o "triunfo" do liberalismo nos anos oitenta, são cada vez maiores. O esbanjamento de recursos nos países mais ricos está a conduzir a humanidade para a sua própria extinção. Como refere Peter Singer, bastava que nestes países, se deixassem de alimentar os animais domésticos à base de cereais e de soja, e estes alimentos fossem distribuídos pelos necessitados, para se pôr fim à fome no mundo.


Solidariedade
Centenas de milhões de pobres e famintos em todo o mundo apelam à solidariedade de todos aqueles que se afogam no consumismo e no desperdício.

Fonte: http://confrontos.no.sapo.pt/page4.html

A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou hoje que o mundo não conseguirá cumprir a meta de diminuir a fome pela metade até 2015, e provavelmente deixará de atingi-la mesmo em 2030.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,5502,OI43110-EI294,00.html

Bonito disse...

Hummmmmmmmmm...

É vergonhoso. Não é?

Hummmmmmmmmm...


Grande Abraço

Bonito Dias

Pedro Sobreiro disse...

Eu já sabia que enquanto escrevia isto, este artista não iria perder oportunidade de se juntar à canalha! E ainda falta o outro!

Afinal o dono da tasca conhece-vos tão bem que já antevia o desfecho. Mas bem, como não gosto de perder uma boa luta, cá vai:

Hummmmmmmmmmmmmmmmm!

Caríssimo irmãos, Garraio e Catarina… e já agora, Bonito,

Os meus amigos ateus, ou agnósticos são mesmo muito engraçados. São engraçados porque nunca conseguem esconder um certo ar de superioridade, de desdém, de chacota de cada vez que alguém lhes diz que acredita em algo, em Deus, ou num ente supremo qualquer. Perante a convicção da crença, dizem que sim, tudo bem, mas não conseguem esconder o sorriso amarelo que se lhes fica colado nos lábios, do género “ai acreditas? Totó!”.

Pois eu não só acredito como estou convicto. A diferença é que não me rio, nem sequer contesto quem não acredita. É pura e simplesmente uma questão de tolerância ou de liberdade de pensamento. Se não acreditam, paciência! A escolha é vossa e eu respeito. Já vocês não fazem o mesmo.

Fica tudo assim a olhar pelo canto do olho e a sussurrar: “O Pedro?!?! Como é que um gajo destes cai nesta?”, como se eu fosse mais um patinho qualquer.

Mas depois vejo-os festejar o Natal e a Páscoa, ouço-os dizer “se Deus quiser” ou “Graças a Deus”. Há-de chegar o vosso momento, meus amigos. Há-de-vos chegar porque eu sei que chega a todos.

O António Lobo Antunes até pode ser um escritor brilhante que é, mas concentrava naquela massa corporal tamanha carga de arrogância, altivez e superioridade que nunca fui capaz de admirar a sua obra com a atenção que merece. Até que um dia, pensando que sofria de hemorróidas foi ao médico e saiu de lá com os dias contados. Li depois em entrevista que levou um banho de humanidade, que agora vê as pessoas e o sofrimento com um olhar… mais humano, de quem descobriu outra dimensão da espiritualidade.

E não me interpretem já erroneamente, pensando que eu defendo um “Deus” castigador e que o mal é de quem não crê.

O que eu pretendo dizer é precisamente o contrário, que é minha profunda convicção que as pessoas que não crêem se julgam suficientemente inteligentes, ou fortes, ou preparadas para pensarem que são só elas e que não há mais nada depois disto tudo.

Eu acho verdadeiramente inacreditável como é que um de vós se senta sozinho por exemplo, perante um pôr-do-sol visto de Marvão e é capaz de pensar que tudo aquilo é normal, obra do homem ou lá do que seja. Não fazem a mais menor ideia de como nasceu o mundo, de como tudo isto apareceu, não têm a mais menor consciência da vida antes de aqui chegarem, não fazem ideia para onde vão quando deixarem de respirar; nem sequer imaginam o tamanho e o que nos esconde o Universo, mas acham-se de tal maneira importantes que pensam que o mundo gravita todo à sua volta, como se fossemos só nós.

Acreditar, meus amigos, sejam em Deus, em Buda ou Alá, essa suprema entidade divina que regula tudo o que somos, é um acto de HUMILDADE e de INTELIGÊNCIA. Não é de medo ou de temor, é de coragem e de reconhecimento.

Por acaso julgam que a merda da ciência e dos homens tudo sabem e tudo explicam?!?!

A única coisa que eu exijo, é que respeitem quem assim não pensa.

Vou outra vez armar-me em Zandinga e explicar-vos já antes que vocês digam que o que eu faço aqui não é defender o Adão e Eva e o Livro dos Génesis porque é óbvio que foi escrito em sentido figurativo.

O que eu digo aqui é que não acredito na teoria do Big Bang, como não acredito em muito das outras teorias que a ciência avança para o fim e princípio dos tempos e reservo-me esse direito.

Eu falo sozinho com quem me ouve e reconforta e sinto-me bem por isso. Se vocês vivem sem isso, azar! porque quem acredita sabe que não está só.

Falo com algo mas não com padres e aqui entro em directo para o Garraio. Meu amigo, tentaste virar o bico ao prego e eu explico-te porquê: escrevi sobre um lugar e a beleza de uma obra, não defendi a Igreja Católica! As igrejas são feitas pelos homens e a história da de Cristo está irremediavelmente manchada de sangue e de terror. Não pactuo com esse passado. E sim, podíamos aqui falar no ouro nazi; na manipulação das massas; no esbanjar de dinheiro que tanta falta faz noutros sítios; que Cristo nasceu numa manjedoura como sinal de humildade e não precisou de dinheiro nem poder para se afirmar; que um dos mandamentos diz que “não adorarás imagens mas sim o senhor teu Deus”; que se Jesus por ali entrasse certamente partiria aquela merda toda à paulada como fez enquanto jovem; podíamos falar na Inquisição, nos crimes, no adultério, na pedofilia, na maldade”.

Volto a repetir: “EU NÃO ACREDITO NA IGREJA! EU ACREDITO NO MEU DEUS” e ponto final. FODA-SE!

É que estou cansado que apontem, que me tomem por Antunes quando eu sei que para mim estou certo.

Graças a Deus e aos meus pais, bem, graças à minha mãe que o meu pai não queira saber disso para nada, fui durante anos e anos e anos seguidos à missa. Na Beirã de então, todos íamos. Com o passar do tempo as coisas foram ficando e comecei a prestar atenção sobretudo, não ao que se repetia depois do padre, mas às escrituras que são ensinamentos poderosos. Aquilo foi ficando. Sei do que falo e falo com propriedade. Conheço o Antigo e o Novo Testamento, a história de Cristo e as parábolas como muito poucos ou nenhum de vocês (provavelmente à excepção do meu caríssimo Escarameia) e com isto digo-vos que falam muitas vezes sem saberem do que falam. E digo-vos que agradeço todos os dias esses ensinamentos porque fizeram de mim uma pessoa melhor porque pauto a minha vida, sempre! pelo mais valioso dos ensinamentos desses tempos que hão-de ficar para sempre: “ama o teu próximo como a ti próprio, não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem a ti” e imaginem só como seria o nosso mundo se todos pensássemos assim.

Para mim, Deus ou deus, com letra minúscula, até pode ser aquele deus que vive em nós e que o John Steinbeck plasmou em palavras no indescritivelmente belo romance “A um Deus desconhecido” que me torceu a consciência como a uma viga de aço porque foi lido na idade certa (antes dos 20) e me deixou virado do avesso.

Meu querido Garraio, sou tão sensível quanto tu à miséria e dor alheia e sei que a pobreza jamais será erradicada do mundo. Mas eu só aceito que alguém me aponte os que sofrem quando esse próprio alguém também prescinde de tudo aquilo que tem para ajudar esses que precisam. Se tu próprio deixasses a tua casa, o teu carro, o teu emprego, a tua família e fosses como voluntário ou missionário, viver no meio daqueles que nada têm, terias carta branca para me apontar. Assim não, porque todos nós somos materialistas e suficientemente egoístas para dizermos que sentimos muito, mas enquanto der para nós…

Durante 2 anos cursei Antropologia e falei com alguns dos grandes nomes da área em Portugal. Daí retirei ensinamentos fabulosos, alguns dos quais jamais esquecerei. Olhem, aprendi por exemplo que as senhoras tendem a fugir intuitivamente para cima das cadeiras quando vêem um rato por que transportam na sua carga genética um saber que vem dos tempos em que os roedores eram maiores que os humanos e por isso a única salvação era subir às árvores, daí uma procura pelos sítios mais altos. Giro, não é?


Aprendi também que a única coisa que há em comum em todas as sociedades do mundo, das que ainda hoje vivem no Neolítico, às mais modernas e industrializadas, é que em todas elas, se crê numa entidade superior, que aí sim, pode ter mil formas, nomes e feitios.

E isto não é ignorância, meus amigos, para mim é realismo.

Quanto à Igreja nova de Fátima, voltando ao início, a única coisa que eu digo é que é belíssima.

Se não se gastasse dinheiro assim jamais teríamos a Notre Dame de Paris ou a Sagrada Família de Gaudi em Barcelona, ou a Estátua do Cristo Redentor do Corcovado, jóias eternas e indiscutíveis do trabalho do homem.

Portanto, do mal, o menos…

Catarina disse...

Caramba, tanta coisa por causa de um hummmmmmm (e ainda a procissão vai no adro – ai, perdão, estas expressões religiosas não são próprias para uma agnóstica como eu) e, cá vai a minha resposta, porque da discussão (e não das rezas…) é que nasce a luz!

Essa do ar de superioridade é exagerada, profundamente exagerada. Tolerância (e paciência) têm aqueles que “não acreditam”, porque diariamente têm que suportar uma sociedade, que apesar de laica há muito tempo, ainda se verga (constantemente) perante o poder da igreja, poder este, que chega a todo o lado!!!!!
Difícil é não acreditar, é não ter o conforto e a esperança que há outro mundo mais justo, mais feliz, que recompensa quem faz o bem.
A da falta de respeito também é gira, mas eu lembro-me de ouvir da sua boca há muito pouco tempo: Então se não és religiosa porque é que celebras o Natal? Eu é que não respeito??? Não me lembro de lhe ter perguntado, se sendo religioso compareceu na missa do galo! É que os católicos têm obrigações, de irem à missa, de se confessarem, etc etc, mas é mais fácil ficar no quentinho da lareira não é? É muito mais fácil dizer-se que se é católico não praticante e recorrer ao”Senhor” só quando é preciso!
Celebro o Natal sim, e a Páscoa também, e já agora os Santos Populares e de vez em quando até folgo no dia dos feriados religiosos, e depois? Celebro-os como festas de família que são, celebro a sua mensagem positiva, de esperança, e não vejo qual é o mal disso. Celebro a ideia de “quando nasce um menino é sempre Natal”.
É que não façamos confusões, quem não acredita em Deus, ainda assim foi educado (pelo menos) na moral cristã, na crença do bem e do mal. Não há como fugir!
E obviamente digo graças a Deus, e Santinho quando alguém espirra, é óbvio, dizemos aquilo que aprendemos e ouvimos dizer, todos!
Não me julgo mais inteligente que os outros, nem mais preparada, nem mais forte do que ninguém, sei que perante o sofrimento, o meu ou daqueles a quem quero bem vou baixar a cabeça, chorar e perguntar: porquê a mim! Há muita coisa que não compreendo, que não sei explicar, mas aqui me confesso (ai outra vez, confessar também não pode ser), nunca precisei de Deus, de encontrar nele respostas nem a ele fazer perguntas. E o por do sol de Marvão é normal sim, e é fruto do homem e da natureza sim, e eu ACREDITO nisso!
Não acredita na Igreja mas sim em Deus, muito bem! Mas o “hummmmmm” (pelo menos o meu…) não foi para a sua crença, foi para Fátima!
O que o Garraio acima apontou (e bem) é que Fátima é a maior fábrica de fazer dinheiro da Igreja Católica em solo português, e quem lá vai, e acende velinhas, compra terços e paga o bilhete do museu de Cera pactua com isso, alimenta isso, é ou não é?
Não há nada de errado em procurar conforto naquilo que não se vê, ninguém tem nada com isso e sinceramente, não há donos da verdade, para mas mim, parece-me de extrema violência deixar que um padre meta água na cabeça de uma criança que ainda não sabe falar, e se ensine catequese com a mesma certeza que se ensina matemática ou português. É que isso marca para toda a vida!
Eu também conheço o Antigo e o Novo Testamento porque os estudei numa cadeira chamada “História da Cultura Pré Clássica”, e não sendo baptizada nem tendo ido a Fátima de joelhos, comprei uma Bíblia, estudei que me fartei e tirei muito boa nota. E porquê? Porque a Bíblia é o documento mais importante da cultura ocidental. E quem não percebe isso é parvo!
Graças a Deus (bolas, e eu a dar-lhe), ou seja, graças aos meus pais, eu tive a liberdade de escolher se quero ou não ter Deus na minha vida, se acredito nos pastorinhos na Senhora da Estrela ou no Diabo. E se algum dia me arrepender destas minhas opiniões, como adulta que sou, poderei falar com Deus no minuto seguinte, porque se eu acreditar, ele vai lá estar para me ouvir (acho eu!). E se eu escolher assim, ainda vou muito a tempo de deixar que um padre me benza a testa, basta eu optar por essa via. Agora, não ter esse poder de escolha é que não!
Para mim, a necessidade de Deus vem da insegurança, do medo, do receio de se enfrentar aquilo que se desconhece e não se compreende. Para mim, a ideia de Deus provém da ignorância. Esta é a minha opinião, e só a vendi a quem me quis ouvir, não me lembro de a pregar a ninguém (nem podia, não é? as mulheres são seres inferiores, não podem pregar…).
A instituição religiosa (e não a religião) é para mim a invenção mais terrível e mortífera do homem, responsável pelas maiores barbáries. A Igreja serviu, desde sempre, para justificar os crimes mais hediondos. Já falou acima em muitas coisas, mas eu acrescento: as Cruzadas, a Inquisição , a Intifada, o 11 de Setembro ou o assassinato da Benazir Bhutto, tudo isto foi feito em nome de Deus!
E é verdade grande parte das mais belas obras de arte do mundo foram consagradas a Deus e à Virgem e ao Menino Jesus, e eu digo: óbvio, só podia ser assim! Só que hoje em dia, os grandes artistas (ocidentais) não são obrigados a consagrar tudo à religião, podem expressar-se como bem entenderem, e nós podemos dizer se gostamos ou não. E assim surgiu a arquitectura, a pintura, a escultura, a música e a poesia não religiosa.
Se eu um dia tiver oportunidade e vontade, irei a Fátima apreciar a magnificência da nova catedral, com a mesma naturalidade que visito uma qualquer igreja de uma qualquer terra que visito pela primeira vez…Mas no momento em que eu me virar para o lado e vir alguém a por uma moedinha na caixa de esmolas direi sempre:
- Huuuummmmmmmmmm….

Pedro Sobreiro disse...

Cara Catarina:

Recebi a notificação do teu comentário via e-mail e mesmo que queira, não consigo estar calado.

Sei que és um osso duro de roer, que defendes as tuas posições com capacidade e inteligência.

Respeito-te por isso, mas há coisas que dizes com as quais não concordo.

Não temos de ser carneiros.

Provavelmente estarás certa nalgumas coisas. Noutras, nem por isso.

A verdade é que quanto a esta(?????) matéria não estamos de acordo e se calhar, nem temos de estar.

Mas antes que chegue aí a Armada Invencível e me crucifiquem, ou façam uma pira, me reguem com gasóleo e me preguem fogo, tenho algo a dizer.

1. Não acredito na Igreja, acredito em Deus. Caraças! Metam isto nas cabecitas! Não acredito no Vaticano, nem no Papa, nem nessas cenas. Acredito em Deus, Deus, o meu Deus! E não é um velhinho de barbas. É uma força, uma luz, um sopro que os outros podem ver vestido de Alá, ou de Buda ou de outra coisa qualquer.
2. Lá por acreditar em Jesus Cristo também, não assinei nenhum contrato que me obrigue a ir à missa do galo ou da galinha ou de outro galináceo qualquer. E sim, à lareira está-se 5 estrelas.
3. Eu não me confesso aos homens, confesso-me a mim mesmo.
4. Para além dessa Fátima que todos vocês criticam e eu também critico, há uma outra em que eu acredito ainda mais.
5. Não vos reconheço propriedade para criticar a fé dos outros. Enquanto defensor da Liberdade penso que cada um tem direito em acreditar no que quiser. Recordo que na Argentina existe uma Igreja que acha que o Maradona é Deus e o calendário conta a partir do seu nascimento. Para mim está bem, cada um acredita no que quer. Acho é que é uma deselegância da vossa parte emitirem juízos de valor sobre quem faz promessas e as cumpre descalço ou despido ou lá como quiser. Isso é do foro íntimo de cada um. “Live and let live!”.
6. Essa de tu dizeres que se um dia quiseres falar com Deus esperas que ele esteja lá no minuto seguinte é genial! Dava para horas de contra-argumentação em que certamente perderias.
7. Eu não digo que estou certo nem quero convencer ninguém a acreditar. Cada um faz o que quer. Nem tu me vais mudar a minha opinião, nem eu a tua. Por isso estamos quites. Tu ficas com a tua e eu com a minha.
8. A diferença é que eu jamais seria capaz de, depois de te ouvir dizer que não acreditas, de fazer um “hhhuuuuummmmm” suspeito. Não acreditas, azar!

Se não acreditas, vais para o Inferno!

E deve lá estar um calor do caraças. Vais ficar toda esturricadinha!

Abraço!

Luís Bugalhão disse...

não sei qual é o outro a que te referes, pedro, mas eu tb faço hmmmmm.

que digo graças a deus sem ser agnóstico? a catarina já explicou o pq de, infelizmente, todos os portugueses o dizerem.

mas queria só perguntar-te: já reparaste que essa história das mulheres subirem para cima cima da cadeira foi teorizada, testada e concluída pela 'merda da ciência' (cá está a tolerância que dizes ter, não é?)? e já reparaste que essa 'merda' é que sustenta esta tasca? essa mesma merda que sofre ataques constantes da religião, de modo a poder continuar a reinar sobre ignorantes e dóceis rebanhos? acreditas em deus e não acreditas em igrejas? pois. é como acreditar em merda (fezes mesmo) e não acreditar nos intestinos. é que são as igrejas que fazem as religiões.

qt à antropologia, que fala que em todas as sociedades há religiões, como se isso fosse um atestado de inevitabilidade e de coisa certa, tb podes lá aprender que em todas as sociedades há guerras, o que não faz disso uma coisa inevitável. aliás, quem dera que não houvesse guerra, não é? e eu digo ainda, quem dera que não houvesse religiões, pois muitas guerras parariam por aí.

falar verdade é bom por si, ou é só pq o menino jesus não gosta?

amar o próximo é bom, ou é só pq o jc nos ensinou?

o jc foi morto por causa das leis, ou por causa dos religiosos que as criaram?

por isso te digo pedro: caga nisso companheiro. só te andas a enganar.

e já agora, se quiseres saber pq é tão lindo o céu visto de marvão, eu agarro nuns quantos livros de merda sobre ciência e explico-te. e isto pq qd quero saber alguma coisa uso o método científico e observo, metodicamente. com instrumentos ou nos livros que foram escritos com método e insenção. não vou perguntar ao padre, nem muito menos fico sentado à espera que a iluminação me esclareça.

bom ano de 2008 (da era cristã, calendário gregoriano, e espero que não leves a mal eu invocar estas informações em vão).

Garraio disse...

Amigo Pedro:

Não te respondi antes, porque não pude. Hoje tive formação do INE e só cheguei agora. Nunca te tinha visto meter os pés pelas mãos desta maneira e devo manifestar ( ia dizer confessar, mas ainda cheguei a tempo de corrigir) que me deixaste deveras surpreendido.

Do comentário, a minha única palavra é : “ hummmmmmmmm”. O resto são transcrições de cuja leitura se chega a uma conclusão irrefutável. Que eu acho que aquele dinheiro poderia ter melhores destinos. Estarás de acordo, amigo?

Não te chamei Totó.
Não te menosprezei porque tu acreditas lá “em não sei quê”.
Sim, digo “Se Deus quiser,” e “Valha-nos Deus” muitas vezes. Mas poderia dizer outra coisa qualquer. Espero que não seja pecado fazê-lo. Não me chateia dizer essas coisas.+
Não me considero soberbo nem excessivamente inteligente pelo facto de não ter fé. Todos temos inseguranças e incertezas e gerimos essas sensações de diferentes maneiras.
Não te apontei, nem sei onde foste buscar essa ideia macabra, que tu deverias estar a ajudar pretinhos no Congo. Nem que devias dar o teu dinheiro para essas causas.

O que te posso garantir é que se tivesse os 100 milhões de euros que gastaram nessa igreja que, ao parecer, te deixou banzado e extasiado, a esmagadora maioria dele seria entregue a causas humanitárias.

Era esse o destino que os padres deveriam ter dado a esse dinheiro. Só por esse facto, para mim, a Igreja da Santíssima Trindade ou a puta que a pariu, há-de ser sempre um dos maiores mamarrachos do mundo. E só de me lembrar dela, fico, no mínimo, indignado.

Quanto à tua fé, Pedro, quem sou eu para meter-me com ela, nem para olhar-te por cima do ombro, por tu seres crente. Até aí estás redondamente enganado.

Eu nunca disse isso. Tu é que falaste da igreja. E eu só disse o que penso dela. Mai nada.


(Ahhhh, o que não consigo compreender é como é que consegues separar fé cristã, padralhada, igrejas, esmolas, o ouro de Fátima e a fortuna do Vaticano, etc. Eu não consigo. Todas elas estão relacionadas, ou sou eu que estou enganado?...)


E prontos. Vai um abraço.

Marilia Rosado Carrilho disse...

Bem... eis que de repente venho passear por aqui e PUM! Uouh! Que brutalidade e efervescência de respostas.

Como estudante e professora de Filosofia não posso não deixar de me meter “ao barulho”. Mas não vou meter a Filosofia, senão porque vou fazer um comentário pessoal e como a Filosofia é a minha paixão de vida, não sou nada sem a sua influência no modo como vejo o Mundo e os Seres Humanos.

Não vos sabia tão fervorosos quanto a este assunto.

Eu faço parte dos ateus mesmo. Sou mesmo radical. Agora ainda vou piorar mais as coisas… Só acredito na natureza (no seu poder de criação e transformação) e no ser humano (na sua técnica e racionalidade). Contudo, não importam as minhas (não) crenças, mas sim contestar apenas uma coisa no Pedro – a generalização que fez. Disse que todos os que não são crentes julgam-se intelectualmente superiores. Falso! 1º porque generalizar (tomar uma parte pelo todo) é um raciocínio errado; 2º porque não me acho mais inteligente que um crente. Como expressou a Catarina, apenas se perspectiva o Mundo de uma forma diferente. E mais, acho até que quem é crente acaba muitas vezes por ser mais feliz, pois as causas dos acontecimentos são reportadas a uma entidade exterior e potente (omnipotente, melhor dizendo): “foi porque Ele quis e assim entendo melhor o que aconteceu”. Eu, que não sou crente, tenho muito mais dificuldade em “achar” o porquê, a causa, nas minhas questões e inquisições interiores.

Na minha forma de ser, respeito bastante quem é crente, sobretudo por uma coisa que acho ser das mais importantes na vida humana: ter onde ir buscar forças para viver. As nossas crenças, sejam elas religiosas ou do que forem, são uma tábua à qual nos agarramos e necessitamos de nos agarrar. Acreditar é sempre uma questão de crença, seja na religião, seja mesmo na ciência. Na ciência também há crença, senão no método científico nunca se sairia da fase da formulação da hipótese para a experimentação – é preciso o cientista ter crença de que a sua hipótese possa estar correcta para partir para o seu teste. A crença está sempre presente. A explicação que seguramos afincadamente e acreditamos é que é diferente.

E mais ainda. Todos os amigos que conheço crentes não são praticantes, mas apenas crentes e falam com deus em silêncio, muitas vezes antes de dormirem, porque ele os ouve, obviamente, sem ser necessária voz, ou a mediação de um padre (que é um ser humano e não um divino) ou local dito sagrado. Daí que consiga entender muito bem a sua religiosidade. Não quero de modo algum “bater-lhe”, apenas abrir-lhe os olhos que aqui não se desrespeita ninguém. Pelo menos eu não, e julgo que os demais colegas de tasca também não.

A questão da crença religiosa não é indicadora de inteligência… é indicador da nossa interioridade e de como estamos construídos. Reporto-me novamente à Catarina… é que isto da educação também tem grande influência nas convicções que adquirimos.

Um abraço a todos.

M.

Marilia Rosado Carrilho disse...

Errata: onde se lê inquisições leia-se inquirições.

Marilia Rosado Carrilho disse...

E só mais uma achega...

Se a ciência não fosse revisível é que poderíamos achar que ela é a perspectiva certa. Contudo a constante revisão de paradigmas e verdades adquiridas e mais tarde refutadas, leva-nos a entender que pouco sabemos: nem se Deus existe, nem se a natureza é como a descrevemos. Ja houve tempos em q se acreditava que a Terra estava no centro do universo. Esta era uma verdade aceite, um paradigma; hoje não se crê em tal e parece-nos absurdo... Mas é conhecimento científico.

Portanto, todos estamos errados, acreditando estar certos, mas a convicção interior, seja ela qual fôr, faz-nos falta. Sem chão para pisar, o niilismo de Nietzsche... assusta. Não somos capazes de viver em tal vida.

Luís Bugalhão disse...

olá marilia.

pois, o problema é qd vemos uma instituição religiosa a demorar cerca de 300 anos até pedir desculpa a quem tentou... mudar o paradigma. e mais, a ciência evolui e muda pq há cientistas que a fazem evoluir, constantemente. é o método científico, por cujo crivo não passam tretas...
as religiões mudam por arrasto, mt devagarinho e matam quem quer mudar mais depressa.

quanto a ser mais ou menos feliz... acho que o cádáfi tb é mt feliz, ou o múgabé, mas nem por isso a doutrina deles é coisa que se cheire.

eu por mim sinto-me tanto mais feliz quanto conheço. se conhecer é aprender sobre religiões, tudo bem. se for conhecer sobre os malefícios que as religiões trouxeram à humanidade, ainda melhor. e se for aprender como deus não passa de uma invenção humana, ie, sem homem não havia deus e já cá estava o universo, ainda mt melhor.

agora numa coisa concordo: nada de ofensas a ninguém. apenas debate puro e duro. basta ver que o pedro falou da 'merda da ciência' e ninguém se sentiu ofendido.

bom 2008

ps acabei o cal. é fenomenoso!

Bonito disse...

Não estudei a bíblia (conheço a história de Cristo qb); percebo quase nada de religião (ões); não estudei antropologia; fui apenas à missa as vezes estritamente necessárias; fui sempre um zero (à esquerda) a filosofia; não tive uma educação “erudita” (sou filho de agricultores); estudei o método científico qb; a minha área académica e profissional é económico-financeira e de gestão (onde as expectativas, o bom senso e o pragmatismo dão cartas). Enfim, percebo quase nada de religião e pouco de ciência!

Portanto, não estou preparado para esta discussão (de grande nível, diga-se!)

Mas, como “penso logo existo” e também disse “Hummmmmmmmmm...” cá vai:

1 – O meu “Hummmmmmmmmm...” sublinhava as palavras do Garraio, com as quais concordo e era, também, um “Hummmmmmmmmm...” de agnóstico (cada vez mais com tendências para ateu), mas nunca uma crítica/ataque ao Sabi sobre a sua posição sobre o tema (a qual à muito conheço e respeito).

2 – Devo confessar que simpatizei com o gajo que fez o “rali” em Fátima.

3 – Como não estudei a bíblia e talvez tenha tido azar nas vezes que fui à missa ainda nunca apreciei, particularmente, nenhuma escritura. Diga-se, também, que tive mesmo azar: as vezes que fui à missa calharam quase sempre as mesmas! Recordo uma que ouvi no dia do meu casamento: dizia qualquer coisa do género: “a mulher nasceu de uma costela do homem…” – se calhar é a minha ignorância que não me permite entendê-la…

4 – Reparem que nunca um assunto suscitou tanta crispação aqui na tasca! Não é por acaso. De facto, a religião(ões) é, historicamente e nos nosso dias, uma das maiores desgraças da humanidade! Passava-se bem sem ela(s). Mas como os humanos pensam (e sabem que existem) tal não é possível!

5 – Sobretudo, não concordo nada com a ideia de que são os agnóstico/ateus que são intolerantes; Estes é que foram (são), constantemente, “assediados” a converterem-se!

6 – A minha tacanha e humilde explicação é a seguinte: o problema está dentro da nossa caixa craniana. Na nossa massa encefálica que, ao se desenvolver da forma como se desenvolveu, ao nos permitir perceber que existimos, criou-nos um enorme problema: De onde vimos e para onde vamos! E é difícil aceitar que somos apenas mais uns! Mais uma espécie, como tantas outras à face da terra! Eu, por mim, acredito! (afinal sou crente!)

7 – Finalizo destacando partes de alguns dos comentários anteriores:


Catarina

“Para mim, a necessidade de Deus vem da insegurança, do medo, do receio de se enfrentar aquilo que se desconhece e não se compreende. Para mim, a ideia de Deus provém da ignorância.”


“Esta é a minha opinião, e só a vendi a quem me quis ouvir, não me lembro de a pregar a ninguém (nem podia, não é? as mulheres são seres inferiores, não podem pregar…).”


Marília

As nossas crenças, sejam elas religiosas ou do que forem, são uma tábua à qual nos agarramos e necessitamos de nos agarrar. Acreditar é sempre uma questão de crença, seja na religião, seja mesmo na ciência. Na ciência também há crença, senão no método científico nunca se sairia da fase da formulação da hipótese para a experimentação – é preciso o cientista ter crença de que a sua hipótese possa estar correcta para partir para o seu teste. A crença está sempre presente. A explicação que seguramos afincadamente e acreditamos é que é diferente.”

Grande Abraço

Bonito Dias

João Bugalhão disse...

Discutir “Deus, religião ou fé”, não dá saúde…

Certamente, que era a mim que o Pedro se referia, quando vaticinava que ainda faltava um… o que ele não esperava, é que fossem tantos, e quase me apetece aqui equilibrar as forças e juntar-me a ti. No entanto, não o irei fazer, pois para esse peditório já dei.
Antes quero deixar aqui algumas reflexões diferentes.

Em primeiro lugar, constatar que a troca de argumentos que aqui têm vindo a esgrimir e para usar o vosso palavreado, são tão antigos com o “cagar de pé”. E dificilmente, os crentes conseguirão converter os não crentes; e os não crentes, ou “cientificados”, poderão com estes “método” levar os outros a por em causa os seus dogmas. Pois isto quem crê, crê…e quem não crê…paciência.

Na mesma entrevista, em que A. Lobo Antunes, fez as revelações a que o Pedro se referiu, disse, em minha opinião, um princípio bem mais importante, do que a sua aproximação a “deus”, e que foi o seguinte: “…dois homens, quando são homens, estão obrigados a entender-se…” (certamente referia-se a homens e mulheres). Ora nunca em toda a história da humanidade, um assunto dividiu tanto os homens, como a discussão de “Deus, religião e fé”.

Para finalizar, atrevo-me a deixar aqui dois pequenos exemplos, para que vos sirvam para reflexão. O primeiro, refere-se ao documento de “excomunhão” de Espinosa, talvez um dos maiores filósofos do século XVII, de origem portuguesa, e cujo principal pecado, salvo as devidas distancias, foi o de pensar um pouco na linha da Catarina, do Luís e da Marília.
Reza assim, numa tradução de António Damásio:

“Com a sentença dos Anjos, com ditto dos Santos, nós anatemizamos, apartamos e maldisoamos e praguejamos a Baruch Espinoza, com consentimento del Dio Bendito, o consentimento de todo esta Santa Congregação, diante dos santos Sepharim, com os seiscentos e treze preceitos que estão escrittos nelles, com o herem que enheremou Joshua e Jericó, com a maldissão que maldixe Elisha aos mossos (crianças), e com todas as maldissões que estão escritas na Ley:
Maldito seja de dia e malditto seja de noute, maldito seja em scu deytar e malditto seja em scu leventar, malditto elle em seu sair e malditto elle em seu entrar; não quererá o Senhor perdoar a elle, que entonces fumeara o furor de o Senhor e scu zelo neste homem, e yazerá nelle todas as maldissões escrittas no libro desta Ley, e arrematará o Senhor o seu nome debaixo dos céos, e apartá-lo-à o Senhor para mal de todas as tribos de Ysrael, com todas as maldissões do firmamento escritas no libro da Ley.
Advirtindo que ninguém lhe pode fallar bocalmente nem por escritto, nem dar-lhe nenhum favor, nem debaixo de tecto estar com elle, nem junto de quatro côvados, nem leer papel algum feito ou escritto por elle.”

(A sorte que vocês têm em ter nascido 200 anos depois…)

O segundo é uma pequena reflexão de José Saramago, do livro em “In Nomine Dei”, por acaso, uma peça de teatro:

“…entre os homens, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d`Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?”

…e paz entre os homens de boa vontade.

J. buga

Goyi disse...

Madre mia la que se ha organizado aquí por una cuestión de fé, me lo ahbía contado Garraio hace un ratito y ..... coño, tiene tela! no me ha dado tiempo de leerlo todo, pero digo dos cosas :

1- hummmmmmmmm.... solidario con mi amigo Garraio.

2- Pedro, sé que lo tuyo con la fé ni se compra ni se vende, y te envidio, pues siempre digo que creer en algo fuera de la certeza de los gusanos que nos han de comer, debe ser bonito y reconfortante. Tu juegas con ventaja, pues estás convencido de que después de esta vida seguirás disfrutando de tus seres queridos eternamente, nosotros vivimos convencidos de que el parar de nuestro tic-tac, será el fin y nada más-.

3- Sé que no es lo mismo Iglesia que fé, pero no puedo creer que un tio como tu, con tu cultura, con tus conocimientos, con tu mundologia, no se le revuelvan las tripas ante tanta riqueza cuando medio mundo se muere de hambre ( a mi me ocurrió cuando fuí al Vaticano, sólo tenia ganas de gritar y llorar)...... No me lo creo, algo hay detrás de tu fé ciega.

4- Perdona, pues cuando has visto mi comentario has debido pensar:"la que faltaba p,al duro, y encima española!"... lo siento, pero los dedos pasean solos por mi teclado, no lo puedo evitar.

Besos y que os traigan muchas cositas los Reyes Magos ( en los que no creo pero festejo), y decirte que deberías haber traido a Leonor a la Cabalgata de Reyes, que seguro que le hubiera gustado más que Fátima...... bueno no te enfades: o además de Fátima.

Garraio disse...

O milagre de Fátima é mesmo "bocado de pão molinho" para se fazer um estudo sobre a visão mercantilista da Igreja Católica Apostólica Romana, ou lá como se chame.

Porque milagres são sempre milagres, mas se forem milagres bem premeditados e programados serão, pela certa, milagres melhores.

Em 1917, Portugal vivia um período de grande instabilidade política e social, que se vinha arrastando desde o regicídio do Terreiro do Paço, e consequentemente com a implantação da república, que não acabava de consolidar os seus alicerces.

A igreja precisava urgentemente de "meter no curral" algumas ovelhas tresmalhadas antes que as coisas descambassem mais, devido quer às ideias mais liberais da época quer até pelas influências vindas do exterior.

Fátima era uma zona das mais pobres de Portugal, quase no centro geográfíco do país, e foi assim o local escolhido para meter uma santa em cima de uma carroça, detrás de uma parede alta, chamar uns tontos de uns pastorzinhos para testemunhar e depois espalhar a voz.

Casualmente, foi em Fátima, não nos Cabeçudos, em Vinhais ou em Alcoutim. Não, foi em Fátima. Alí relativamente perto do Norte, não demasidamente longe do Sul, pertinho de Lisboa. Possível para os peregrinos de todo o lado. Mais cêntrico, só no Entroncamento. Mas aí passam muitos comboios e era preciso arranjar um local algo mais recôndito, mantendo a condição de estar cêntrico.

Nota máxima para o bispo que escolheu o local. Foi um tiro no centro da diana.

O Gabinete de Estudos de Merchandising também não foi nada mal sucedido: Velas, velinhas, velonas, santas, santinhas, pastorinhos e restantes elementos do rebanho, tudo à venda nas lojas off-shore do Santuário.

Após a construção desta nova basílica, o investimento de Fátima vai agora ser re-direccionado. As infra-estruturas religiosas, de momento, são satisfatórias.

O futuro vai ser construir unidades hoteleiras e outros equipamentos de lazer, para rentabilizar a presença dos seus peregrinos. Surgirão jardins de infância para deixar os pequenos e pistas de karting para os mais velhitos. Surgirão alguns hotéis de 4 ou 5*, cuja exploração reverterá a favor da Comissão de Festas do 13 de Maio ou do 13 de Outubro, consoante a época do ano.+

O Belmiro ou o Berardo é que devem por aqui os olhos se quiserem os seus negócios dispararem...

Goyi disse...

No estaba mal que se nos apareciera a nosotros una virgen o un santo cualquiera ahí en la Frontera, ! que falta nos hace!.... Me pido la tienda de la fuente del agua bendita! que tiene menos gastos y más ganancias!

Pedro, no te enfades.... una bromita de vez en cuando.... o no?

Pedro Sobreiro disse...

O dia de ontem foi para mim de trabalho como outro qualquer. Defini há muito que nestas funções políticas, trabalho é tudo aquilo que tenho agora de fazer e não faria se não desempenhasse as funções em que estou investido. Assim, compareci em dois eventos digamos que sociais que me ocuparam das 11h até às 2h da manhã de hoje e me levaram a percorrer praticamente todo o concelho.

Foi num deles que encontrei o J. Buga, ilustre cliente deste espaço comercial que me disse que a malta “não crente” por aqui tinha montando acampamento e uma elaborada cilada.

Esperei muito mas não tanto.

Não vou perder mais tempo dizendo aquilo que já disse e poucos pareceram ler de facto. Já vi que não vale a pena.

Relembro que o artigo que descambou em toda esta “guerra santa”, era apenas o relato de uma viagem de família e não uma declaração que visasse tudo isto. Mas já que assim foi, assim será.

Como os ataques são variados e de diferentes tons, parece-me que terei de dizer algo a cada um de vós, fiéis e exaltados clientes.

À Catarina falei momentos depois da sua tomada de posição. O que tinha a dizer quanto a este assunto, já disse, embora a sua frase “Para mim, a ideia de Deus provém da ignorância”, seja… suficiente? Bem hajas pela parte que me toca.

Quanto ao Luís, já conhecia a acutilância das suas “ferroadas” e pareceu-me particularmente duro. O teu “caga nisso companheiro, só te andas a enganar” parece-me assim daquelas conversas que se dão aos bêbados quando querem armar confusão nos bailes e se lhes mete o bracinho por cima para os levarmos para casa e metermos na cama. Parece-me que o assunto é sério demais para paternalismos desses. Isto para não falar do “e já agora, se quiseres saber pq é tão lindo o céu visto de marvão, eu agarro nuns quantos livros de merda sobre ciência e explico-te. e isto pq qd quero saber alguma coisa uso o método científico e observo, metodicamente. com instrumentos ou nos livros que foram escritos com método e insenção. não vou perguntar ao padre, nem muito menos fico sentado à espera que a iluminação me esclareça". Pois fica sabendo que não preciso dos teus livros de ciência nem das tuas explicações, meu caro. Tal como não vou chatear o padre da paróquia para me fazer um desenho. O que eu quis dizer e que tu não atingiste com a tua enorme bagagem científica foi que, para mim, há coisas que a ciência não consegue explicar e isso é ponto de honra. Eu falei em abstracto, tu particularizaste. A meu ver, de forma algo… digamos que abusiva.


Quanto ao Garraio, quando dizes “Nunca te tinha visto meter os pés pelas mãos desta maneira e devo manifestar (ia dizer confessar, mas ainda cheguei a tempo de corrigir) que me deixaste deveras surpreendido” devo esclarecer que estas posições que aqui tomei, já as defendo há muito e não quero dizer isto que são imutáveis. Podes no entanto ver, se leres com atenção, que em parte alguma defendi a Igreja e os erros que lhe apontas. Volto-te a dizer que eu falo em alhos e tu em bugalhos. Já disse isto antes e não vou estar a insistir. Claro que o dinheiro poderia ser muito melhor gasto! Isso está completamente fora de questão! Não foi disso que eu falei e remeto-te para os comentários de cima. Não acreditas em Fátima? Pois muito bem. Opção tua. Parabéns.

A Marília foi um perfume de classe e eloquência que por aqui passou. Defendeu a sua posição com elevação e achei bem. Não estamos de acordo mas estamos em sintonia. Parece-me que falámos a mesma linguagem. Quero apenas relembrar através da minha transcrição “Os meus amigos ateus, ou agnósticos são mesmo muito engraçados. São engraçados porque nunca conseguem esconder um certo ar de superioridade, de desdém, de chacota de cada vez que alguém lhes diz que acredita em algo, em Deus, ou num ente supremo qualquer” que não generalizei quando falei em superioridade. Mas se reparares bem, verás que esses ares na forma de defender fileiras é coisa que não falta em alguns defensores desse lado.

O Bonito entrou lampeiro mas chegou de capa, pronto para o toureio a pé (já desapeado do cavalo) porque revisitámos esta temática em diversas ocasiões, já conhecemos as posições um do outro e nos respeitamos mutuamente. Aproveito somente para te fazer uma explicação, mê irmão: as leituras que ouves são sempre as mesmas porque se adaptam à circunstância e ao momento e tu só vais às igrejas nos casamentos e baptizados. Quando fores velhinho e passares a ir às missas dos funerais, verás que o disco muda! Beijinhos.

Sim Goyi, isto está complicado, não está? E tenho pena que não tenhas lido tudo o que foi escrito quando dizes “- Sé que no es lo mismo Iglesia que fé, pero no puedo creer que un tio como tu, con tu cultura, con tus conocimientos, con tu mundologia, no se le revuelvan las tripas ante tanta riqueza cuando medio mundo se muere de hambre ( a mi me ocurrió cuando fuí al Vaticano, sólo tenia ganas de gritar y llorar)...... No me lo creo, algo hay detrás de tu fé ciega”. Se tivesses lido tudo verias em primeiro lugar que a minha fé não é cega, é em Deus e é apenas a fé de um homem, logo passível de ser questionada; e em segundo lugar que ao dizeres o que dizes estás a dar-me a razão. Como se as pessoas com cultura, conhecimento e mundologia não pudessem acreditar em nada. Obrigado pelo convite para os Reis. Não pude ir, já viste que estive a trabalhar, mas para o ano vou tentar não falhar.

E finalmente, “last but not least” termino com o velhinho cá do sítio, o patriarca Buga que chegou estranhamente apaziguador.

Meu querido amigo, fica sabendo que aqui o menino não precisa que as pessoas tenham pena e o defendam. Tenho força e coragem suficientes para assumir sempre aquilo que quero e acredito. Não digas portanto que já deste para esses peditórios porque os peditórios para o serem necessitam desse pedido prévio e se pensares bem, ele nunca existiu. Podes é estar de acordo e juntar-te à causa porque te parece bem, agora para peditórios, estás muito enganado.

Estou no entanto, bastante surpreendido com o teor do teu comentário porque parece-me que pela primeira vez na vida estamos de acordo. Quando dizes “E dificilmente, os crentes conseguirão converter os não crentes; e os não crentes, ou “cientificados”, poderão com estes “método” levar os outros a por em causa os seus dogmas. Pois isto quem crê, crê…e quem não crê…paciência”, dizes aquilo que eu disse, e pode-se ler, desde o princípio. Está às claras de toda a gente.

Não coloques contudo as barricadas nesse tom. Eu não sou medieval, não sou contra a ciência. Que fique bem claro. Ciência é uma coisa e religião outra. Quem é que nunca ouviu médicos respeitados da nossa praça dizer: “a ciência fez tudo o que podia fazer. Daqui para a frente só resta acreditar”.

Meus todos clientes: Tal como vocês, também eu adoro discutir e aprender convosco mas este é capaz de não ser o assunto mais indicado pelo simples motivo de que é tão íntimo como a nossa própria sexualidade. Nunca me viram aqui dizer a ninguém que tinha descido na minha consideração porque não acredita, ou que estava muito enganado em não acreditar, ou que me desiludia a sua não crença!”. Releiam tudo e vejam. A única coisa que sempre defendi foi aquilo em que acredito e quanto a esta matéria, meus amigos, não vai ser nenhum de vós a fazer-me ver o contrário.

Esses ensinamentos, só a própria vida os faz.

Fiquem em paz e que o Senhor vos acompanhe porque mesmo os que não acreditam certamente pensarão um dia, “acreditar, não acredito, mas oxalá o gajo tenha razão! Assim todos ficávamos a ganhar”.

Um abraço

Garraio disse...

Amigo Pedro:

Acho que andas a passar por cima das conversas dos teus tascantes, sem ler com muita atenção...

Cada um que responda por si, eu respondo por aquela parte que me diz directamente respeito.

A prova que não prestas muita atenção aos meus comentários, é que dizes que eu falho de bugalhos e eu esses quero que vão para uma coisa que rima com eles, e ainda por cima, não são para aqui chamados agora.

Continuas a meter os pés pelas mãos e as mãos pelos pés, mas à grande e a la francaise.

Vê lá tu que eu também sou crente e andas-me a identificar com uma espécie de Belzebu vestido de Satanás, reencarnação de Herodes e vou-me já calar...

Eu sou crente, mas não sei em quê. Em Deus, não, por supuesto. Mas numa coisa qualquer que eu não sei o que é. E não sei porque o nosso cerébro (e sobretudo o meu) está ainda muito atrofiado para as potencialidades que, parece ser, realmente dispõe.

Porque já percebi que há coisas que são "demasiada coincidência" e há outras coisas que "pairam no ar". Também há "estados de espírito" e ambientes " favoráveis e/ou optimistas" e ambientes "desfavoráveis e/ou pessimistas". Eu não conheço explicação científica para isto, mas também não é ninguém com antepassados no Santo Oficio que me vai fazer submergir na Fé como resposta a todas as minhas dúvidas.

Quanto ao tema que me trouxe aqui (a tua falta de atenção), disse, repeti e volto a repetir que a única coisa que eu critiquei aqui, foi o fenómeno " Fátima". Mai nada. É um caso igual ao do Nunes. Ia tudo dentro e pronto.

victor disse...

Façam pouco barulho!! Assim não nos deixam ouvir as nossas próprias consciências!!! Ah, não sabiam?? Pois é verdade, cada um de nós tem uma consciência, e não precisa da vossa ajuda para a utilizar.

Os lugares mais quentes do inferno são destinados aos que, em tempo de grandes crises, mantêm-se neutros. Dante Alighieri

Luís Bugalhão disse...

olá pedro.

desculpa a forma abusiva com que particularizei. mas não podia pôr-me com generalizações para dizer o que tentei dizer. trata-se de comentário a um post, logo teria que me referir ao que postaste.

tb não quis ser paternalista. detesto essa forma de tratamento e tento não o fazer (não o fiz, aliás. tu é que o entendeste assim). ainda mais a uma pessoa como tu, que respeito como homem, intelectual e culturalmente.

agora a religião, ou a crença:

não consigo perceber como ainda há gente que diante duma obra de arte, de um por-do-sol, dum mar imenso só limitado pelo céu, consegue pegar no sentimento de exaltação que sente e transferi-lo para algo místico, só porque se lhe arrepiam os cabelinhos da nuca e dos braços. tb não consigo perceber como é que não entendemos que a consciência é fruto da evolução da matéria, no sentido da complexidade, que é o que a matéria faz, comandada por uma série de leis que ainda agora andamos à cata delas (os cientificados, cm diz o jbuga). mas a minha falta de entendimento é um problema meu.

agora o que já não é só um problema meu, mas das sociedades todas, é quando alguém com responsabilidades é um crente. é que aí, em nome da coerência, a religião pode fazer muito mal a toda a gente, crentes e incréus. deves ter lido o contacto, ou viste o filme, do Sagan. qd a rapariga, que lutou pelo projecto contra tudo e contra todos, teve que responder aos manda-chuva se acreditava ou não em deus, viu esfumar-se todas as hipóteses de viajar ela na nave que os et's tinham planeado para nos informar que há mais vida para além do Homem e de deuses antropomórficos. e é isso que eu não posso admitir, embora tenha que suportar. espero que não sejas desses. aqui na taxca não és. vamos ver se não serás noutros fóruns...

para finalizar: para mim é tão místico saber PORQUE são as coisas assim, como saber COMO são as coisas que nos parecem ser assim. aliás, nem é místico. é exaltante.

e não, não me irá acontecer começar a acreditar em algo qd os funerais chegarem. infelizmente para a minha vida, comecei a lidar com a morte cedo demais, e não foi isso que me transformou num crente. contudo acredito numa forma de me aproximar do divino (não encontro outra palavra para o dizer, não leves a mal, é limitação minha): através do conhecimento. logo, não sou agnóstico (aquele que não conhece, em tradução livre), sou incréu. tb não sou ateu, pq isso é afirmar-me pelo contrário a algo que não tem razão de existir. é apenas algo que o Homem, se sobreviver, deixará pelo caminho da evolução. ou antes é algo que o Universo, ou a Natureza, deixará pelo caminho. é que para mim, até ver aparecer melhor, Espinoza rules.

se achas que o que aqui digo é abusivo ou fere a tua sensibilidade, antecipo já as minhas desculpas. não é isso que pretendo. pretendo apenas (tentar) esclarecer a minha posição, uma vez que, tal como tu dizes que eu não entendi o que escreveste, tb eu acho que precisas abrir a mente para leres o que efectivamente escrevi. sem misticismos contraproducentes (que é o que eles são sempre, os misticismos).

agora vou lá para cima, que andas outra vez a produzir em quantidade (para juntar à qualidade do costume, sem engraxanços).

abracinho

luís frio e científico como só os limitados costumam ser

Luís Bugalhão disse...

só mais uma coisa que passou na revisão:

claro que há muitas coisas que a ciência não consegue explicar. são os cientificados os primeiros a admiti-lo. mas não desistem de tentar explicar o inexplicável.

muito ao contrário da posição dogmática das religiões, que tudo explicam, até pela força, se necessário. ou dos crentes sem religião (cm me parece que disseste ser). se não pode ser explicado pela ciência, não faz mal, é por causa daquele que está lá em cima, ou em todo o lado (menos no quintal da minha tia, que ela não tem quintal), que é o criador e o mandador e o sabão que sabe tudo mas não nos explica nada.

eu não consigo acreditar nisso. lá está, sou limitado. mas intolerante não companheiro. intolerantes são os que impediram a realização do rali africano que era para sair de lisboa (acho que o alá tb vale como deus, ou não?).

e por aqui me fico. vou comer uma feijoada, que deve estar divinal, a julgar pelo cheirinho.

abraço outra vez

Goyi disse...

Eu nao vou continuar chatear o meu querido Pedro, acho muito bom rapaz e tem todo o direito do mundo de manter as suas crenças, por muito icriveis que nos pareçam.

Alguns de nós, entre os que incluiu, fomos un bocado ferintes nos nossos comentarios.

Tens raçao numa coisa, nao consigo lêr todos os comentários, sao muito grandes ( compridos?) e vocès:

Nao conseguem resumir un bocadinho? esses dedos debem estar com uma artritis tremenda!.......

Realmente, às veces, quando entro no teu blog, e gosto inmenso do fazer, penso que:

As espanholas temos fama de falar muito, juro queé verdade, mais voces a escreber ganham a um batalhao inteiro de colegas minhas a falar..... É brincadeira!....

Pedro, disculpa, eu concordo com o Garraio em quase todas a suas apreciaçoes em relaçao ao " milagre" da " virgem de Fátima"... custame muito acreditar que isso nao foi uma montagem bem urdida por mentes muito expertas que viram ali a soluçao as suas misérias.....mas , em fim :

ESTÁS NO TEU DIREITO DE ACREDITAR NAQUILO QUE TU QUISERES E REPITO:

NO FUNDO DO MEU CORAÇAO, TENHO MUITA INVEJA DE PESSOAS COMO TU, A VIDA PARA VOCÊS É MUITO MAIS FÁCIL!.....
UM BEIJINHO.